sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Brasil e França: 200 anos de uma relação que atravessou a história e chegou à Defesa e à tecnologia

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Duzentos anos depois de estabelecerem as bases formais de sua relação bilateral, Brasil e França mantêm uma parceria que ultrapassa há muito os limites da diplomacia. O vínculo construído desde 1826 envolve hoje submarinos, helicópteros, exercícios militares, indústria de Defesa, ciência, tecnologia, espaço e uma fronteira terrestre de aproximadamente 730 quilômetros entre o Amapá e a Guiana Francesa. O que começou como uma relação entre dois Estados transformou-se, ao longo de dois séculos, em uma conexão que também produz capacidades industriais, conhecimento e presença estratégica.

O marco formal dessa trajetória está no "Tratado de Amizade, Navegação e Comércio" assinado no Rio de Janeiro em 8 de janeiro de 1826. O documento estabeleceu bases para as relações políticas, comerciais e de navegação entre o Império do Brasil e o Reino da França, consolidando o relacionamento bilateral em um período no qual o Brasil ainda estruturava sua posição internacional após a Independência.

A aproximação, entretanto, já vinha de antes. Em 1816, a "Missão Artística Francesa" chegou ao Brasil levando artistas, arquitetos e intelectuais que exerceriam influência duradoura sobre a formação cultural e artística brasileira. Essa presença seria posteriormente ampliada para áreas como educação, ciência e formação institucional.

Ao longo do século XX, a relação incorporou novas dimensões. No século XXI, Defesa, tecnologia, indústria, espaço, energia e desenvolvimento sustentável passaram a ocupar posição crescente na agenda bilateral. A parceria estratégica estabelecida em 2006 consolidou um relacionamento que atualmente alcança setores nos quais domínio tecnológico e capacidade industrial possuem valor direto para a autonomia dos dois países.

A simbologia dos 200 anos também esteve presente na chegada do novo embaixador da França ao Brasil. Ao apresentar as cópias figuradas de suas cartas credenciais, Julien Steimer recebeu como referência histórica a carta de credenciamento do Marquês Ernest de Cadoine de Gabriac, nomeado representante da França junto ao Imperador do Brasil em 1826. Datado de 19 de setembro daquele ano, o documento expressava a intenção de estreitar os laços e preservar a “perfeita harmonia” entre os dois países. Dois séculos depois, o gesto diplomático estabelece uma ligação direta entre o início da representação francesa no Brasil e a relação estratégica construída atualmente.

É na área de Defesa, porém, que essa transformação se torna particularmente visível.

A cooperação entre as Forças Armadas brasileira e francesas não se resume à aquisição de equipamentos. Exercícios combinados criam oportunidades para o intercâmbio de procedimentos, doutrinas e experiências operacionais em diferentes ambientes. Em 2026, a Operação Jeanne d’Arc reuniu cerca de 1.700 militares brasileiros e franceses no litoral do Rio de Janeiro, integrando meios navais, aeronavais e tropas anfíbias em atividades conduzidas na região da Marambaia.

A dinâmica também se estende a exercícios realizados em território brasileiro e francês, aproximando unidades que precisam operar em ambientes multinacionais e coordenar comunicações, logística, comando e procedimentos de emprego. Essa experiência é particularmente relevante para forças que participam de operações combinadas e para países que buscam ampliar sua capacidade de atuação além de seus próprios teatros de operações.

A cooperação ganha uma dimensão ainda mais singular quando se considera a geografia. Brasil e França possuem uma fronteira terrestre comum de aproximadamente 730 quilômetros, entre o estado do Amapá e a Guiana Francesa. É a maior fronteira terrestre do território francês e faz da França o único país europeu a possuir uma fronteira terrestre com o Brasil.

Essa condição diferencia a relação Brasil–França de qualquer outra parceria do Brasil com uma potência europeia. Os dois países não estão apenas ligados por tratados, comércio e pelo Atlântico: seus territórios se encontram fisicamente na Amazônia, separados pelo rio Oiapoque. A proximidade coloca diante de Brasília e Paris questões concretas relacionadas à segurança de fronteira, circulação de pessoas e mercadorias, migração, proteção ambiental, combate a ilícitos e desenvolvimento regional.

A presença francesa na Guiana acrescenta ainda uma dimensão de Defesa a essa vizinhança. A França mantém território e estruturas militares na América do Sul, enquanto o Brasil possui no Amapá uma área diretamente inserida no contexto amazônico. Exercícios, intercâmbios e mecanismos de coordenação na região transformam a fronteira em espaço de interação permanente entre os dois países.

A própria infraestrutura evidencia essa proximidade. A Ponte Binacional sobre o Oiapoque conecta o município brasileiro de Oiapoque a Saint-Georges, na Guiana Francesa, criando uma ligação terrestre entre o Brasil e o território francês e ampliando as possibilidades de circulação e integração econômica na região.

Essa aproximação operacional e geográfica se soma a programas estratégicos construídos ao longo das últimas décadas. O principal exemplo é o Programa de Desenvolvimento de Submarinos, o PROSUB.

Concebido em 2008 a partir da parceria estabelecida entre Brasil e França, o programa envolve a construção de quatro submarinos convencionais derivados da classe Scorpène, a infraestrutura industrial associada e o apoio ao projeto e construção do primeiro submarino brasileiro convencionalmente armado com propulsão nuclear. O programa também estruturou processos de transferência e absorção de tecnologia e formação de pessoal especializado.

Para o Brasil, o aspecto mais relevante do PROSUB não está apenas nos submarinos que entram em serviço. A construção do Complexo Naval de Itaguaí, a formação de profissionais e o domínio de processos associados à construção e manutenção de submarinos criaram uma infraestrutura que permanece no país. Em programas dessa natureza, a plataforma é apenas uma parte do resultado. A capacidade de projetar, construir, manter e evoluir sistemas complexos representa um ativo estratégico que pode continuar produzindo efeitos muito depois da entrega de cada unidade.

A mesma lógica esteve presente no programa H-XBR. A cooperação com a França resultou no desenvolvimento e produção de 47 helicópteros H225M para as Forças Armadas e para a Presidência da República, com participação da Helibras em Itajubá e um programa de transferência e absorção de tecnologia. O projeto foi concebido para ampliar a capacidade brasileira de conceber, desenvolver e produzir helicópteros de médio porte, indo além da simples montagem das aeronaves.

Agora, essa relação industrial pode entrar em uma nova etapa. Em julho de 2025, Brasil e França assinaram uma Carta de Intenções para avaliar a transformação da fábrica da Helibras, em Itajubá, em um polo de produção e exportação do H145. A proposta prevê investimento estimado em R$ 1 bilhão e a possibilidade de produzir até 200 aeronaves em 15 anos para os mercados nacional e internacional. O projeto ainda não representa uma encomenda contratada.

Paralelamente, está em estudo a possível estruturação de um programa para aquisição do H145M pelas Forças Armadas brasileiras, retomando uma lógica semelhante à adotada no H-XBR: associar uma demanda militar a produção nacional, transferência de tecnologia e desenvolvimento de cadeia industrial. A eventual adoção conjunta pelas três Forças poderia contribuir para dar escala à produção em Itajubá, enquanto as exportações ampliariam o mercado da linha brasileira.

Se avançar, a iniciativa poderá aproveitar a infraestrutura e as competências acumuladas pela Helibras ao longo do H-XBR, transformando uma eventual aquisição em instrumento de consolidação da capacidade industrial brasileira.

Esse é um dos pontos centrais da relação bilateral. A aquisição de um sistema militar pode atender a uma necessidade operacional imediata. Um programa estruturado em torno de produção, transferência tecnológica, cadeia de fornecedores e formação de pessoal pode, entretanto, deixar uma infraestrutura de conhecimento que permanece disponível para projetos futuros.

A parceria também avançou em ciência, educação, espaço, energia e desenvolvimento sustentável. O Ano Cultural Brasil–França de 2025, concebido pelos dois governos para marcar os 200 anos da relação diplomática, ampliou a agenda de intercâmbios e projetos bilaterais e foi inserido no novo plano de ação da parceria estratégica assinado em 2024.

No campo científico e tecnológico, a cooperação envolve instituições brasileiras e francesas em diferentes áreas, incluindo observação da Terra e monitoramento ambiental. Em setores estratégicos, a relação passou a incorporar também discussões sobre energia, minerais estratégicos e novas tecnologias, acompanhando uma agenda internacional na qual acesso a recursos, domínio tecnológico e segurança das cadeias de fornecimento ganharam peso crescente.

Para Brasília, a relevância dessa relação está na possibilidade de trabalhar com um parceiro que possui capacidade própria de desenvolvimento e produção em setores estratégicos. Para Paris, o Brasil representa uma potência regional com base industrial, científica e tecnológica relevante, além de uma posição geográfica singular na América do Sul. A relação, portanto, não se sustenta apenas na tradição diplomática: existe uma convergência concreta de interesses em diferentes áreas.

Essa característica ajuda a explicar por que programas como o PROSUB ultrapassam os limites de uma única Força Armada. O projeto reúne Defesa, engenharia, indústria, ciência, formação de pessoal e infraestrutura, demonstrando como um programa militar pode produzir efeitos em diferentes segmentos da economia e da base tecnológica nacional.

O mesmo princípio pode ser observado na trajetória do H-XBR e, em uma escala ainda em definição, na proposta de produção do H145. Em ambos os casos, a dimensão industrial é tão importante quanto o equipamento entregue ao usuário final. O resultado estratégico depende de quanto conhecimento é absorvido, de quais competências permanecem no país e da capacidade de utilizar essa base em novos projetos.

O contexto internacional também mudou profundamente desde 1826. A competição tecnológica, a disputa por cadeias industriais, a proteção de recursos estratégicos e a crescente complexidade dos sistemas militares fizeram com que relações entre Estados passassem a envolver cada vez mais indústria, conhecimento e capacidade de produção.

É nesse ambiente que Brasil e França chegam ao bicentenário. A relação construída desde o Império preservou suas bases diplomáticas, mas incorporou novas dimensões ao longo do tempo. Hoje, seus efeitos podem ser observados no mar, nos estaleiros, nas fábricas, nos centros de pesquisa, no espaço, nos exercícios militares e, de maneira particularmente concreta, na fronteira amazônica que une fisicamente os dois países.

Para o Brasil, o desafio das próximas décadas será transformar essa relação de longo prazo em capacidade nacional. Isso significa avaliar não apenas o que é adquirido, mas também quanto conhecimento é absorvido, quais competências industriais são desenvolvidas, que cadeias de fornecedores são fortalecidas e até onde os programas conjuntos ampliam a capacidade brasileira de projetar, produzir, manter e evoluir sistemas complexos.

Duzentos anos depois do tratado que estabeleceu as bases formais da relação bilateral, Brasil e França já não constroem seus vínculos apenas por meio de representações diplomáticas e acordos comerciais. A parceria também é construída no mar, nos estaleiros, nas fábricas, nos centros de pesquisa, nos exercícios militares e na fronteira do Oiapoque. É nesses espaços que uma relação histórica deixa de ser apenas patrimônio diplomático e passa a produzir capacidade estratégica.


por Angelo Nicolaci


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Atech abre inscrições para estágio em tecnologia e áreas administrativas

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Estudantes interessados em iniciar a carreira no setor de tecnologia e em projetos ligados à defesa, segurança pública e controle do tráfego aéreo terão uma nova oportunidade a partir de 5 de outubro. A Atech, empresa de tecnologia do Grupo Embraer, abrirá as inscrições para seu Programa de Estágio, com vagas nas áreas de tecnologia, além de posições nos setores administrativos e operacionais.

Os selecionados terão a oportunidade de atuar em projetos reais desenvolvidos pela empresa, trabalhando ao lado de equipes de engenharia e especialistas responsáveis por sistemas de missão crítica. Na área tecnológica, as atividades estarão relacionadas ao desenvolvimento de soluções de alta complexidade, enquanto os estagiários das áreas administrativas e operacionais participarão do suporte aos projetos e às atividades estratégicas da companhia.

A proposta do programa é inserir os estudantes no ambiente de desenvolvimento de tecnologias utilizadas em setores considerados críticos, permitindo que acompanhem de perto processos de engenharia, desenvolvimento e integração de sistemas.

Segundo a Atech, os estagiários também terão acesso a mentorias com profissionais experientes e a trilhas de capacitação voltadas ao desenvolvimento técnico e comportamental.

“Queremos atrair mentes curiosas e inovadoras que desejam construir tecnologias com propósito e impacto real na sociedade e no mercado global. O estagiário da Atech não é apenas um observador, ele coloca a mão na massa em projetos de ponta, com o suporte contínuo das nossas lideranças”, afirma Camila Lisboa, gerente de Recursos Humanos da Atech.

Entre os benefícios oferecidos estão bolsa-auxílio compatível com o mercado, assistência médica e odontológica, seguro de vida e auxílio-transporte. O programa também inclui cartão flexível para alimentação e refeição, acesso à plataforma WellHub, folga no mês de aniversário e vale-presente.

O processo seletivo terá etapas conduzidas pelas equipes de Recursos Humanos e pelos gestores das áreas, com avaliação das competências técnicas e do perfil dos candidatos.

A Atech atua no desenvolvimento e integração de sistemas de missão crítica para defesa, governo, segurança pública e gerenciamento do tráfego aéreo. Como empresa de tecnologia do Grupo Embraer, trabalha com soluções que integram sensores, plataformas, sistemas de comando e centros de controle.

Seu portfólio inclui tecnologias de C5ISR e consciência situacional, UATM, sistemas embarcados, simuladores, instrumentação e controle e defesa cibernética. A empresa possui operações no Brasil e em Portugal e participa de programas nacionais e internacionais.

As inscrições começam em 5 de outubro e podem ser realizadas pela página de carreiras da Atech (Click Aqui), onde também estarão disponíveis os requisitos e detalhes das vagas.

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Mirage 2000-5F ucraniano intercepta míssil russo Banderol com canhão de 30 mm

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Um Mirage 2000-5F da Força Aérea da Ucrânia interceptou um míssil russo S8000 Banderol utilizando o canhão interno de 30 mm da aeronave, em um episódio que evidencia uma das possibilidades de emprego da aviação de caça na defesa contra armas de ataque de baixa assinatura e reduzidas dimensões.

A informação foi divulgada por fontes especializadas ucranianas, que relatam que o piloto empregou o armamento de bordo em vez de um míssil ar-ar para destruir o alvo. A ação chama atenção pelo perfil do Banderol, que, diferentemente de drones de ataque como o Shahed-136, utiliza propulsão a reação e apresenta características próprias de uma arma de ataque de pequeno porte.

O Mirage 2000-5F utiliza dois canhões automáticos DEFA 554 de 30 mm instalados na fuselagem. Cada arma possui capacidade para aproximadamente 125 projéteis e cadência de tiro de até 1.800 disparos por minuto. O sistema emprega munição 30×113 mm, incluindo tipos explosivos, incendiários e perfurantes.

A elevada cadência de fogo permite concentrar uma grande quantidade de projéteis em uma janela de engajamento extremamente curta. Para um alvo pequeno e veloz, entretanto, o emprego do canhão exige uma solução de tiro precisa e uma aproximação que coloque a aeronave dentro de uma distância compatível com a arma.

O aspecto mais relevante do episódio está justamente no tipo de alvo. O S8000 Banderol é descrito como um míssil de ataque de pequeno porte, propulsionado por um motor turbojato. Dados divulgados por fontes especializadas apontam velocidades máximas na faixa de 620 a 650 km/h e velocidade de cruzeiro entre 520 e 560 km/h, além de alcance de até aproximadamente 500 quilômetros.

Essa característica o diferencia de drones de ataque como o Shahed-136, que utiliza propulsão a pistão e hélice e apresenta velocidade significativamente menor. A diferença é relevante para a defesa aérea, uma vez que um alvo propulsionado por motor a reação reduz o tempo disponível para detecção, aproximação e engajamento.

O Banderol também não deve ser tratado simplesmente como uma versão mais rápida de um drone. Trata-se de uma arma de ataque de emprego distinto, com propulsão a jato, alcance e ogiva próprios. Por isso, a interceptação realizada pelo Mirage 2000-5F merece destaque não apenas pela utilização do canhão de 30 mm, mas principalmente pelo tipo de alvo envolvido.

A arma utiliza uma ogiva de fragmentação de alto explosivo identificada como OFBC-150. Segundo os dados divulgados sobre o sistema, a ogiva possui massa de aproximadamente 114 kg, dos quais cerca de 49,5 kg correspondem à carga explosiva.

O Banderol representa uma evolução importante dentro do conjunto de ameaças aéreas enfrentadas pela Ucrânia. Sua propulsão a jato proporciona velocidade superior à de drones de ataque convencionais, reduzindo o tempo disponível para detecção, identificação e interceptação.

O emprego do canhão pelo Mirage 2000-5F também chama atenção pelo aspecto econômico e pela gestão dos estoques de armamento. Um engajamento realizado com munição interna não consome um míssil ar-ar, como os MICA empregados pelos Mirage ucranianos, permitindo preservar armamentos guiados para situações nas quais seu emprego seja necessário.

Isso não significa, entretanto, que o canhão substitua os mísseis na defesa contra alvos de cruzeiro. A eficácia desse tipo de interceptação depende de fatores como detecção antecipada, geometria do encontro, distância, velocidade relativa, solução de tiro e capacidade do piloto de colocar a aeronave em uma posição adequada para o disparo.

O episódio demonstra, portanto, a importância de manter diferentes opções de engajamento em uma arquitetura de defesa aérea. Para a Ucrânia, que precisa administrar estoques de armamentos ocidentais diante de uma campanha aérea prolongada, a possibilidade de empregar aeronaves de combate com seus próprios canhões contra determinados alvos acrescenta uma alternativa ao emprego de mísseis ar-ar.

A incorporação dos Mirage 2000-5F à aviação ucraniana trouxe uma plataforma ocidental para um ambiente de combate de elevada intensidade. O episódio do Banderol mostra como uma capacidade concebida originalmente para combate aéreo e ataque pode ser empregada em uma função adicional dentro de uma arquitetura mais ampla de defesa contra ameaças aéreas.


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Taiwan recebe primeiros F-16V Block 70 de uma encomenda de 66 aeronaves

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Taiwan recebeu nesta sexta-feira, 2 de outubro, os dois primeiros caças F-16V Block 70 de um total de 66 aeronaves encomendadas aos Estados Unidos em 2019. Os aviões pousaram na Base Aérea de Chihhang, em Taitung, no leste da ilha, após uma viagem que incluiu escalas no Havaí e em Guam.

A entrega ocorre após meses de atrasos no programa, que inclui uma encomenda avaliada em aproximadamente US$ 8 bilhões. Problemas relacionados ao desenvolvimento e à integração de software contribuíram para postergar o cronograma originalmente previsto para o fornecimento das aeronaves.

O ministro da Defesa de Taiwan, Wellington Koo, afirmou que outros F-16V deverão chegar ainda este ano, embora não tenha apresentado um calendário detalhado. “É claro que não teremos entregue apenas esses dois até o final do ano”, declarou o ministro a jornalistas no Parlamento em Taipei.

A nova frota representa a incorporação de uma configuração significativamente mais avançada do F-16 à Força Aérea da República da China. O Block 70 combina a arquitetura modernizada do F-16V com novos sistemas de missão, aviônicos e radar, ampliando a capacidade de detecção, acompanhamento e emprego de armamentos.

A configuração utiliza o radar AESA Northrop Grumman AN/APG-83, desenvolvido especificamente para modernizar a capacidade de combate do F-16. O conjunto de sensores e aviônicos permite ampliar a consciência situacional do piloto e melhorar o emprego da aeronave em missões de defesa aérea e ataque.

Os novos caças também deverão complementar os F-16A/B que já operam em Taiwan. A ilha concluiu em 2023 o programa de modernização de sua frota existente para o padrão F-16V, criando uma estrutura comum entre aeronaves modernizadas e os novos Block 70.

Com a incorporação das 66 aeronaves novas, Taiwan deverá superar a marca de 200 F-16 em sua frota. A combinação entre os aviões modernizados e os novos exemplares amplia a disponibilidade de uma plataforma já conhecida pelos operadores taiwaneses, reduzindo a necessidade de introduzir uma nova família de caça.

A aquisição ocorre em um cenário de elevada atividade militar chinesa nas proximidades de Taiwan. Segundo a Reuters, a Força Aérea taiwanesa precisa realizar missões de reação e acompanhamento com frequência diante da presença de aeronaves militares chinesas nas proximidades da ilha.

O F-16V não constitui, contudo, a única frente de modernização da aviação de combate taiwanesa. A plataforma integra uma estrutura de defesa que também depende de radares terrestres, sistemas de defesa aérea, armamentos de longo alcance e meios navais e terrestres destinados a aumentar a capacidade de resposta diante de uma eventual crise.

A chegada dos dois primeiros Block 70 ocorre ainda em meio às discussões entre Taipei e Washington sobre novos fornecimentos militares. Taiwan continua mantendo os Estados Unidos como seu principal fornecedor internacional de sistemas de defesa, enquanto Pequim se opõe à venda de armamentos norte-americanos para a ilha.

Para a Lockheed Martin, o programa taiwanês mantém o país entre os principais operadores do F-16 no mundo. A empresa registra que Taiwan opera a família F-16 há décadas, tendo empregado anteriormente versões F-16A/B modernizadas no âmbito do programa F-16V.

A entrega dos primeiros dois exemplares marca, assim, o início da renovação efetiva de uma parcela da frota de caças taiwanesa. A questão central para o programa passa agora pela cadência de produção e entrega das 64 aeronaves restantes, além da capacidade de Taiwan de integrar os novos F-16V à estrutura existente de comando, controle, sensores e armamentos.


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Irlanda amplia vigilância aérea com quatro radares Thales GM400 Alpha e um GM200

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A Irlanda acordou a aquisição de quatro radares Thales Ground Master 400 Alpha (GM400α) e um Ground Master 200 Multi-Mission All-in-One (GM200 MM/A), em um acordo firmado entre o Ministério da Defesa irlandês e a Direction Générale de l’Armement (DGA), agência francesa responsável pelas aquisições de defesa. As primeiras entregas estão previstas para 2027.

A aquisição representa um reforço importante para a capacidade das Forças de Defesa Irlandesas de vigilância e conhecimento situacional do espaço aéreo. Segundo a Thales, os novos sistemas deverão ampliar a capacidade de detecção e acompanhamento de aeronaves e outros alvos, contribuindo para a soberania e a segurança do espaço aéreo nacional.

De acordo com Martin Soegaard, diretor da Thales para Dinamarca, Irlanda, Islândia e países bálticos, a combinação dos dois modelos permitirá à Irlanda estabelecer sua primeira imagem aérea totalmente reconhecida. A afirmação considera a integração dos novos sensores à estrutura de vigilância aérea do país.

O principal componente de longo alcance será o GM400 Alpha. O radar foi desenvolvido para vigilância aérea e apresenta uma taxa de atualização de seis segundos, utilizando processamento e recursos de rastreamento destinados a manter a detecção de alvos mesmo em ambientes sujeitos a interferências.

Outro aspecto do sistema é sua mobilidade. O GM400α pode ser instalado em um contêiner padrão ISO de 20 pés e dispõe de um sistema de elevação integrado, permitindo sua preparação e emprego em diferentes posições operacionais. A configuração favorece a redistribuição dos sensores conforme as necessidades de cobertura.

O segundo modelo adquirido, o GM200 MM/A, possui uma proposta diferente. O sistema reúne radar, mastro e gerador de energia em uma única estrutura de aproximadamente seis metros, permitindo seu transporte por caminhão e implantação em cerca de 15 minutos, segundo a Thales.

O GM200 foi concebido para detectar e acompanhar simultaneamente alvos em diferentes faixas de altitude, oferecendo uma capacidade complementar ao radar de maior alcance. A combinação dos dois modelos permite distribuir funções de vigilância entre sistemas com diferentes características de mobilidade, alcance e emprego.

Para a Irlanda, a aquisição ocorre em um contexto de ampliação das capacidades nacionais de vigilância aérea. O país possui uma estrutura militar relativamente limitada e historicamente dependeu de mecanismos de cooperação e de informações compartilhadas para ampliar seu conhecimento sobre a atividade aérea em seu entorno.

“É uma honra para nós apoiar a Irlanda no fortalecimento de sua soberania sobre o espaço aéreo por meio da entrega de nossos radares GM400α e GM200 MM/A”, afirmou Eric Huber, vice-presidente de Radares de Superfície da Thales.

As entregas deverão começar em 2027. A Thales atribui o cronograma à expansão de sua capacidade industrial e aos prazos de produção da família Ground Master, que, segundo a companhia, já acumula mais de 300 sistemas vendidos para mais de 40 países.

A aquisição acrescenta à Irlanda uma capacidade própria de vigilância baseada em sensores modernos e móveis, criando uma camada adicional para o acompanhamento do espaço aéreo nacional. A efetividade desse recurso, entretanto, dependerá também da integração dos radares com os demais sistemas de comando, controle e defesa aérea disponíveis às Forças de Defesa Irlandesas.


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EDGE conclui desenvolvimento da MK 82 Penetrator para alvos fortificados

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O Grupo EDGE concluiu o desenvolvimento da MK 82 Penetrator, nova munição aérea produzida nos Emirados Árabes Unidos pela LAHAB, subsidiária especializada em munições e sistemas de armas. O programa foi encerrado após uma campanha de testes de desempenho e qualificação ambiental, incluindo avaliações contra estruturas de concreto armado.

Segundo a EDGE, a munição demonstrou capacidade de penetrar concreto armado com mais de um metro de espessura, mantendo sua trajetória após atravessar o alvo. O resultado foi obtido durante os ensaios destinados a avaliar o comportamento da arma contra diferentes tipos de estruturas reforçadas.

Um dos aspectos destacados pela empresa foi a ausência do chamado efeito “J”, fenômeno associado à possibilidade de desvio da trajetória durante a penetração. Nos testes realizados pela LAHAB, a MK 82 Penetrator manteve o eixo de trajetória através do obstáculo, característica relevante para o emprego contra alvos fortificados e estruturas protegidas.

A nova munição foi desenvolvida a partir da arquitetura da MK 82 de emprego geral, buscando aproveitar a infraestrutura já existente de integração e operação. De acordo com a EDGE, a Penetrator pode ser empregada por aeronaves já homologadas para a MK 82, incluindo plataformas de combate de diferentes gerações, aeronaves de ataque, treinadores avançados e plataformas leves.

A compatibilidade também se estende aos sistemas de guiamento de precisão. A EDGE afirma que a MK 82 Penetrator pode utilizar kits já empregados com a família MK 82, incluindo as soluções AL TARIQ e THUNDER, permitindo incorporar a capacidade contra alvos reforçados sem a necessidade de estabelecer uma nova cadeia de guiamento.

A proposta reduz, portanto, a necessidade de mudanças na infraestrutura operacional dos usuários que já empregam a MK 82 e seus respectivos sistemas de lançamento e guiamento. Para a empresa, essa característica amplia as possibilidades de emprego da munição sem introduzir uma nova arquitetura logística ou de integração.

“O objetivo foi apresentar um novo produto específico para aplicações que amplia as capacidades do usuário final, mantendo a familiaridade e a facilidade de uso”, afirmou Mohammed Arbabi, CEO da LAHAB. Segundo o executivo, a munição foi concebida para enfrentar alvos reforçados e endurecidos, ampliando a flexibilidade operacional.

O encerramento da campanha da MK 82 Penetrator representa também uma etapa do programa mais amplo da LAHAB para desenvolver uma família de munições de penetração. A empresa mantém em desenvolvimento a MK 83 Penetrator, variante de maior calibre que se encontra em estágio avançado.

A estratégia amplia a capacidade dos Emirados Árabes Unidos de desenvolver, qualificar e produzir internamente munições aéreas destinadas a diferentes perfis de emprego. Além de atender às necessidades de suas próprias forças, o programa cria uma linha de produtos voltada ao mercado internacional, aproveitando a integração com aeronaves e sistemas de guiamento já difundidos.


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Condor emprega drone tático e tecnologias não letais durante a Operação Formosa 2026

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A Condor Tecnologias Não Letais participou da primeira Exposição de Defesa Expedicionária em Formosa (EDEF 2026) apresentando sistemas que, além da exposição estática, foram empregados durante a Operação Formosa 2026, realizada no Campo de Instrução de Formosa (CIF), em Goiás.

Integrada ao exercício, a EDEF levou empresas da Base Industrial de Defesa para dentro de uma área de treinamento militar com mais de 100 mil hectares. A iniciativa permitiu que equipamentos e soluções fossem apresentados no mesmo ambiente em que as Forças Armadas conduziam atividades de campo.

A Operação Formosa 2026 reuniu cerca de 2.900 militares brasileiros, empregando 198 viaturas, 33 blindados, oito aeronaves e 18 drones. O exercício contou ainda com tropas estrangeiras e observadores de diferentes países.

Entre os sistemas da Condor empregados durante as atividades esteve o CONDOR DROP®, drone tático utilizado como sistema aéreo remotamente pilotado. A empresa também levou para o exercício soluções fumígenas, de efeito explosivo e equipamentos com agente CS.

A presença desses sistemas no campo de instrução permitiu que as tecnologias fossem empregadas dentro de um cenário operacional real de treinamento, complementando a apresentação dos equipamentos realizada no espaço da empresa durante a EDEF.

A exposição também recebeu autoridades do Ministério da Defesa e da Marinha. Estiveram no espaço da Condor a Secretária-Geral do Ministério da Defesa, Cinara Wagner Fredo; o Comandante da Marinha, Almirante de Esquadra Marcos Sampaio Olsen; e o Comandante-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais, Almirante de Esquadra (FN) Carlos Chagas Vianna Braga, além de observadores estrangeiros.

A primeira edição da EDEF marcou uma mudança no formato das exposições realizadas durante a Operação Formosa ao colocar a indústria de defesa dentro do próprio ambiente de treinamento. Para as empresas participantes, isso significa apresentar seus sistemas diante de militares e operadores no mesmo cenário em que diferentes capacidades são empregadas e avaliadas.


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Cascavel NG passa por testes de tiro de precisão no Campo de Provas da Marambaia

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O Exército Brasileiro avançou na avaliação técnica da Viatura Blindada de Reconhecimento Cascavel NG com uma campanha de testes de tiro de precisão realizada entre 29 de setembro e 1º de outubro, no Campo de Provas da Marambaia, no Rio de Janeiro. Os ensaios foram conduzidos pelo Centro de Avaliações do Exército (CAEx) em apoio à Diretoria de Fabricação.

A atividade teve como foco o armamento principal da viatura, o canhão Engesa EC-90 de 90 mm. Durante os testes, foram realizados disparos a 1.000 e 1.500 metros, utilizando munição de fabricação nacional produzida pela Indústria de Material Bélico do Brasil (IMBEL).

O objetivo foi verificar a precisão do sistema de armas dentro do processo de Avaliação Técnica do Cascavel NG. A campanha representa uma etapa específica da avaliação e antecede outras verificações previstas para a viatura.

Na sequência, o processo deverá incluir inspeções na torre e a avaliação do desempenho dos sistemas optrônicos empregados na plataforma. A previsão é que o CAEx conclua a avaliação e emita, ao final de outubro, o relatório correspondente, que será encaminhado ao Departamento de Ciência e Tecnologia (DCT).

O desenvolvimento do Cascavel NG reúne diferentes empresas da Base Industrial de Defesa. A AKAER participa do projeto com o desenvolvimento da plataforma veicular e da torre, enquanto a Opto Tecnologia Optrônica é responsável pelos sistemas optrônicos da viatura.

A Diretoria de Fabricação coordena o projeto, contando com a participação do Arsenal de Guerra de São Paulo, uma de suas Organizações Militares Diretamente Subordinadas. O Centro de Instrução de Blindados também participou da atividade, com militares responsáveis pela operação da viatura durante os testes.

A campanha coloca em avaliação não apenas o desempenho do armamento, mas a integração dos diferentes sistemas que compõem a nova configuração do Cascavel. A verificação da precisão do canhão, seguida pelas avaliações da torre e dos optrônicos, permite analisar componentes distintos da plataforma dentro de um processo técnico conduzido pelo Exército.

O Cascavel NG representa a evolução da plataforma de reconhecimento sobre rodas que permanece em serviço na Força Terrestre, incorporando novos sistemas e soluções desenvolvidas pela indústria nacional. A atual fase de avaliação permitirá reunir os dados necessários para a análise técnica da configuração apresentada ao Exército.


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Com Exército Brasileiro

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CTEx conclui testes de engenharia do Chivunk e avança na avaliação da nova viatura aerotransportável

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O Centro Tecnológico do Exército (CTEx) realizou, nas instalações da IDV, em Sete Lagoas (MG), uma campanha de testes de engenharia com a primeira viatura do lote-piloto do Chivunk, a Viatura Leve de Emprego Geral Aerotransportável (VLEGA) desenvolvida para o Exército Brasileiro. A avaliação concentrou-se no funcionamento dos sistemas, nas características de mobilidade e no desempenho da plataforma em diferentes condições.

A campanha começou com verificações visuais e funcionais da viatura, acompanhadas de avaliações ergonômicas e metrológicas. O sistema elétrico também foi submetido a verificações específicas, compondo a etapa inicial de análise das condições técnicas do veículo.

Na sequência, o Chivunk passou por ensaios de desempenho. Foram avaliadas a velocidade máxima, a aceleração e a capacidade de frenagem, além de características diretamente relacionadas à mobilidade em terreno. Entre os procedimentos estiveram a transposição de obstáculos verticais, a tração de viaturas similares e a superação de rampas com diferentes inclinações.

A viatura também foi submetida a rodagem em pavimento e em terreno fora de estrada. A combinação dos dois ambientes permitiu observar seu comportamento em condições distintas de deslocamento, reunindo dados sobre a resposta da plataforma diante de diferentes exigências de mobilidade.

Os resultados divulgados após a campanha foram considerados satisfatórios em todo o escopo dos ensaios realizados. A preparação da viatura para os testes contou com a participação da equipe da IDV, responsável pelas atividades necessárias para colocar a plataforma em condições de avaliação.

A campanha representa uma etapa importante na maturação do Chivunk, justamente por transformar as características previstas no projeto em dados obtidos diretamente a partir da viatura. Os ensaios permitem verificar, em condições controladas, como a plataforma responde às exigências de desempenho, mobilidade e funcionamento estabelecidas para o projeto.

Com os testes de engenharia concluídos, o Chivunk avança na avaliação de uma solução concebida para combinar mobilidade, emprego geral e capacidade de transporte por meios aéreos, características que definem o conceito da nova VLEGA.


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Lito Souza: a aviação civil perde um especialista, e nós perdemos um amigo

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Há pessoas que deixam marcas pelo conhecimento que acumulam. Outras, pela forma como tratam aqueles que encontram pelo caminho. Lito Souza conseguia fazer as duas coisas.

A aviação civil brasileira perde um de seus grandes especialistas, um profissional reconhecido pelo conhecimento, pela capacidade de análise e pela paixão com que acompanhava um setor que conhecia profundamente. Mas, para aqueles que tiveram a oportunidade de conviver com Lito, sua ausência representa algo ainda maior: a perda de uma pessoa extraordinariamente humilde, inteligente, gentil e bem-humorada.

Lito tinha uma qualidade cada vez mais rara: o conhecimento nunca o afastou das pessoas. Pelo contrário. Mesmo sendo uma referência em sua área, conversava com todos com a mesma simplicidade, sempre disposto a explicar, ouvir, trocar ideias e compartilhar aquilo que sabia.

Era daqueles profissionais cuja presença enriquecia qualquer conversa. Sua inteligência vinha acompanhada de uma enorme humanidade, e seu bom humor tornava ainda mais agradável a convivência. Talvez seja justamente por isso que sua partida deixe uma sensação tão profunda de vazio.

Hoje, infelizmente, não poderei estar presente em seu último adeus. E isso torna ainda mais difícil encontrar palavras para expressar o sentimento de quem gostaria de estar ali para prestar pessoalmente essa homenagem.

Por isso, faço deste espaço, o GBN Defense, também uma forma de me despedir.

Lito Souza deixa uma contribuição importante para o conhecimento da aviação civil e, sobretudo, deixa lembranças naqueles que tiveram o privilégio de conhecê-lo. Pessoas assim não desaparecem simplesmente quando partem. Permanecem nas conversas, nas histórias, nos ensinamentos compartilhados e na memória de quem teve sua vida tocada por elas.

Fica a saudade, fica a gratidão e fica o respeito por uma trajetória construída com conhecimento, competência e, acima de tudo, humanidade.

Que sua família encontre força neste momento de dor e que todos aqueles que tiveram a felicidade de conviver com Lito possam guardar não apenas a tristeza de sua partida, mas também a alegria de ter conhecido uma pessoa tão especial.

Descanse em paz, Lito.

Obrigado por tudo.

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O Judiciário que dizia defender a democracia agora interfere na eleição

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Desde 2023, o Supremo Tribunal Federal transformou a defesa da democracia em uma das principais bandeiras de sua atuação. O discurso era proteger as instituições, combater ameaças e preservar o Estado Democrático de Direito. O episódio do debate presidencial da Globo previsto para noite deste 1⁰ de outubro, porém, expõe uma contradição que precisa ser encarada de frente: quem protege a democracia quando as próprias instituições encarregadas de garanti-la começam a restringir o espaço de liberdade no qual ela deveria funcionar?

As regras do debate eram públicas e haviam sido assinadas pelos partidos, inclusive o PT. O regulamento previa que, diante da ausência de um candidato, seu púlpito permaneceria vazio e identificado e os demais participantes poderiam formular perguntas dirigidas a ele. Lula decidiu não comparecer. A pedido de sua coligação, a ministra Estela Aranha, do TSE, proibiu a Globo de exibir o púlpito vazio e de permitir perguntas ao candidato ausente. A decisão, portanto, não apenas reconheceu o direito de Lula de faltar: retirou da emissora uma consequência que fazia parte das regras previamente estabelecidas e acordadas entre os participantes.

É preciso chamar as coisas pelo nome. Lula podia faltar. O eleitor, porém, também tinha o direito de saber que o candidato à Presidência havia escolhido não comparecer e de conhecer os questionamentos que os adversários fariam a ele. Uma cadeira vazia não cerceia direito político algum. Ela simplesmente informa que o candidato não estava ali.

Na sequência, o STF entrou novamente no desenho do programa. Gilmar Mendes determinou a participação de Renan Santos, enquanto decisão anterior do TSE já havia determinado a inclusão de Romeu Zema. Horas antes do debate, as regras estavam sendo modificadas por decisões judiciais sucessivas. Flávio Bolsonaro desistiu e a Globo acabou cancelando o programa, afirmando que as decisões haviam produzido insegurança jurídica e interferência indevida na liberdade dos veículos de comunicação.

O resultado concreto não pode ser escondido atrás de tecnicalidades: Lula não foi ao debate, sua coligação conseguiu impedir que sua ausência fosse apresentada conforme a regra originalmente aceita e o confronto direto entre os candidatos acabou cancelado. É possível discutir os fundamentos jurídicos de cada decisão. O efeito político, entretanto, é objetivo: o candidato ausente foi beneficiado pela retirada das consequências que o próprio regulamento previa para sua ausência.

E aqui está o ponto que o STF e o TSE precisam responder perante a sociedade: em que momento a fiscalização eleitoral deixou de ser garantia das regras e passou a alcançar a própria construção do debate público?

A Constituição é explícita ao proteger a liberdade de expressão e de comunicação e ao vedar a censura política, ideológica e artística. Isso não impede a Justiça de coibir abusos ou ilegalidades. Mas existe uma diferença enorme entre impedir uma ilegalidade e determinar como uma emissora deve apresentar jornalisticamente a ausência de um candidato.

O problema, portanto, não é a existência da Justiça Eleitoral nem o exercício das competências do Supremo. O problema é a expansão dessas competências até o ponto em que ministros passam a interferir na organização de um debate, na composição de seus participantes e naquilo que uma emissora pode mostrar ao público.

E isso acontece justamente em uma eleição presidencial, momento em que a liberdade de informação e o confronto público entre candidatos deveriam estar no centro do processo democrático..

O mesmo Judiciário que há anos se apresenta como guardião da democracia precisa aceitar ser cobrado quando suas próprias decisões atingem direitos que também são pilares democráticos: liberdade de imprensa, liberdade de informação e direito do eleitor de conhecer e confrontar os candidatos.

Não existe democracia apenas porque há eleições e tribunais. Democracia também exige que o cidadão tenha acesso ao debate público sem que decisões judiciais de última hora determinem previamente o que ele poderá ver, ouvir ou questionar.

Por isso, a crítica aqui não é contra a Justiça cumprir a lei. É contra o Judiciário ultrapassar a função de árbitro e assumir um papel que não lhe pertence.

E o favorecimento objetivo a Lula neste episódio precisa ser dito sem rodeios. Não é necessário acusar ministros de conspiração ou atribuir-lhes uma intenção secreta. Basta olhar a sequência: Lula recusou o debate; sua coligação pediu a retirada da regra que expunha sua ausência; o TSE acolheu; a cadeira vazia foi proibida; as perguntas dirigidas ao ausente também; depois, uma nova decisão judicial alterou a composição do programa; e o debate terminou cancelado.

Se isso não merece uma cobrança pública sobre os limites do poder judicial, então o discurso de defesa da democracia corre o risco de se transformar em uma expressão vazia.

O Brasil não precisa de um Judiciário acima de críticas. Precisa de ministros submetidos aos mesmos princípios constitucionais que exigem das demais instituições.

Porque defender a democracia não pode significar apenas defender o resultado que as instituições consideram desejável.

Significa também respeitar a liberdade de imprensa, a circulação de informação e o direito do eleitor de decidir sem que STF e TSE determinem, no lugar dele, as condições em que esse debate acontecerá.

É exatamente por isso que o limite precisa ser restabelecido agora.

O GBN Defense repudia, de forma inequívoca, o que considera uma interferência desproporcional e incompatível com o papel que deve caber ao Judiciário na democracia. Não cabe ao STF ou ao TSE ultrapassar os limites constitucionais e conduzir debates, proteger candidatos das consequências políticas de suas próprias escolhas ou restringir, por decisões de última hora, o trabalho jornalístico de uma emissora. 

Instituições fortes não são aquelas que não podem ser questionadas; são aquelas que aceitam limites, críticas e controle. E o GBN Defense continuará defendendo a liberdade de imprensa, o direito à informação e a soberania do eleitor diante de qualquer poder que tente ultrapassar esses limites e restringir direitos assegurados pela Constituição de 1988.


Por Angelo Nicolaci


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quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Peru recupera Mi-35P e realiza voo de prova com helicóptero de ataque

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A Força Aérea do Peru (FAP) realizou com sucesso o voo de prova de um helicóptero de ataque Mi-35P no Grupo Aéreo Nº 2, após um processo de recuperação e retorno ao serviço da aeronave.

Segundo a FAP, o trabalho envolveu a recuperação do helicóptero e sua preparação para voltar às atividades operacionais, demonstrando a capacidade de manutenção e recuperação de meios da própria Força.

O Peru possui dois Mi-35P, empregados pelo Grupo Aéreo Nº 2. A frota já passou por processos anteriores de recuperação e modernização, incluindo trabalhos nos sistemas de aviônicos.

A FAP, entretanto, não informou a matrícula da aeronave que realizou o voo de prova nem divulgou um índice atualizado de disponibilidade dos dois helicópteros. Assim, embora o novo voo confirme o retorno de uma aeronave às atividades de voo, não é possível estabelecer publicamente quantos Mi-35P estão atualmente em condição operacional.

O retorno do helicóptero amplia a disponibilidade de uma capacidade de ataque que permanece integrada à estrutura de aviação da FAP, enquanto a Força mantém esforços para recuperar e prolongar a vida útil de seus meios.


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CAEx apoia testes de nova blindagem balística desenvolvida pelo IME

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O Centro de Avaliações do Exército (CAEx) apoiou, entre os dias 21 e 30 de setembro, atividades de pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Ciência e Engenharia de Materiais do Instituto Militar de Engenharia (IME), realizadas no Campo de Provas da Marambaia, no Rio de Janeiro. Os trabalhos envolveram ensaios de blindagens balísticas compósitas desenvolvidas a partir de pesquisas de mestrado e doutorado conduzidas no IME.

As soluções estudadas combinam aço com cerâmicas óxidas e materiais à base de carbeto de silício, buscando elevar a capacidade de proteção balística e ampliar as possibilidades de aplicação em plataformas e sistemas de proteção utilizados pelas Forças Armadas.

Durante os ensaios realizados no CAEx, os materiais atingiram o Nível IV de proteção balística previsto pela norma ABNT NBR 15000:2020. Esse nível estabelece requisitos de resistência contra determinados impactos de munição, incluindo projéteis calibre .30-06 perfurantes.

O resultado representa uma etapa importante no desenvolvimento e na caracterização de materiais destinados à proteção balística. Os ensaios permitem verificar, em condições controladas, o comportamento das soluções desenvolvidas diante de impactos reais, fornecendo dados para a continuidade das pesquisas e para o aprimoramento das configurações estudadas.

As pesquisas são conduzidas no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Ciência e Engenharia de Materiais do IME, sob orientação do Coronel Eduardo de Sousa Lima, docente permanente e pesquisador da Seção de Engenharia de Materiais (SE/8). O desenvolvimento contou ainda com a participação da CETARCH, empresa brasileira especializada na fabricação de cerâmicas técnicas e avançadas para aplicações industriais.

A iniciativa reúne pesquisa acadêmica, capacidade industrial e infraestrutura especializada de ensaios. Nesse processo, o CAEx desempenha papel importante ao disponibilizar a estrutura necessária para verificar experimentalmente o desempenho das soluções desenvolvidas pelo IME.

A realização dos testes no Campo de Provas da Marambaia permite transformar resultados obtidos durante as etapas de pesquisa em dados experimentais sobre o comportamento das blindagens diante de ameaças balísticas, contribuindo para o desenvolvimento de materiais nacionais destinados à proteção de tropas e plataformas militares.


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ESFI 2026 - Exército realiza exercício de fogo com Gepard, RBS 70 e SABER M60

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O Exército Brasileiro realizou, nos dias 28 e 29 de setembro, a Escola de Fogo de Instrução 2026 (ESFI 2026), no Campo de Provas da Marambaia, no Rio de Janeiro. O exercício reuniu alunos dos cursos de Artilharia Antiaérea para Oficiais, Artilharia Antiaérea para Sargentos e Operador de Alvo Aéreo, conduzidos pela Escola de Artilharia de Costa e Antiaérea (EsACosAAe).

Durante a ESFI 2026, foram realizados exercícios de tiro com o sistema Gepard 1A2, equipado com dois canhões de 35 mm, além do lançamento do míssil superfície-ar RBS 70. As atividades permitiram aos militares em formação executar procedimentos relacionados à operação dos sistemas e ao engajamento de alvos aéreos.

Também foram empregados alvos aéreos dos tipos Treinador e Delta, utilizados nas atividades de instrução relacionadas ao controle, manejo e emprego dos sistemas de defesa antiaérea.

O exercício contou ainda com o emprego do radar SABER M60 e do Centro de Operações Antiaéreas (COAAe), reunindo diferentes componentes da estrutura de defesa antiaérea e permitindo aos militares em formação trabalhar procedimentos de detecção, acompanhamento, comando e controle e emprego dos sistemas de armas.

A ESFI 2026 encerrou o ciclo prático de formação dos cursos realizados pela EsACosAAe, concentrando em um mesmo exercício o emprego de armamentos, sensores, sistemas de comando e controle e alvos aéreos.

A atividade teve o apoio do Centro de Avaliações do Exército (CAEx), responsável pela estrutura do Campo de Provas da Marambaia, onde foram conduzidas as atividades de tiro e os demais procedimentos previstos no exercício.

Participaram da ESFI 2026 o diretor de Educação Técnica Militar, General de Divisão Antônio Bispo de Oliveira Filho; o chefe do CAEx, General de Brigada João Paulo Zago; e o comandante de Defesa Antiaérea do Exército, General de Brigada Marcus Cesar Oliveira de Assis.

A realização do exercício permitiu aos militares em formação aplicar, em ambiente de campo, os conhecimentos desenvolvidos ao longo dos cursos, articulando sensores, comando e controle e sistemas de armas em uma sequência prática de defesa antiaérea.


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MQ-9B SeaGuardian amplia opções da US Navy para patrulha marítima e guerra antissubmarino

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A Marinha dos Estados Unidos está analisando o MQ-9B SeaGuardian, da General Atomics Aeronautical Systems (GA-ASI), como possível complemento às suas capacidades de patrulha e reconhecimento marítimo. A aeronave foi recentemente apresentada a lideranças e especialistas da US Navy na Naval Air Station Whidbey Island, em Washington, durante atividades associadas à 7ª Frota.

A apresentação ocorreu no âmbito do Maritime Patrol and Reconnaissance Force (MPRF) Commander’s Operational Group, a pedido do Commander, Patrol and Reconnaissance Group. O encontro reuniu lideranças, especialistas operacionais e representantes da indústria para discutir capacidades de aviação naval e procedimentos empregados na guerra antissubmarino.

O SeaGuardian, variante marítima do MQ-9B, vem sendo empregado pela US Navy sob um contrato no modelo Company-Owned, Company-Operated (COCO), apoiando as atividades da 7ª Frota. A aeronave também participou de eventos e exercícios da Marinha norte-americana, incluindo Northern Edge e Integrated Battle Problem, além de trabalhos preparatórios de grupos de porta-aviões.

Um dos pontos destacados pela General Atomics foi a apresentação do SeaGuardian ao lado do P-8A Poseidon para profissionais da Maritime Patrol and Reconnaissance Force. A iniciativa permite observar, em um mesmo contexto operacional, como uma plataforma não tripulada de longa permanência pode atuar ao lado dos meios tripulados de patrulha marítima.

MQ-9B SeaGuardian: autonomia e capacidade ASW

O MQ-9B foi concebido para missões de longa permanência e pode permanecer em voo por mais de 30 horas, dependendo da configuração. Na versão marítima, pode receber radar de vigilância de área, sistema de identificação automática (AIS), medidas de apoio à guerra eletrônica e um conjunto específico para guerra antissubmarino.

Para missões ASW, sua arquitetura permite integrar sistemas de gerenciamento e lançamento de sonoboias. Segundo a General Atomics, o SeaGuardian pode utilizar até quatro pods distribuidores e transportar até 40 sonoboias A-size ou 80 G-size.

A empresa informa ainda um raio de missão de aproximadamente 1.200 milhas náuticas na configuração padrão de vigilância marítima e guerra antissubmarino.

Além da guerra antissubmarino, a plataforma pode ser configurada para guerra antissuperfície, contramedidas de minas aéreas, inteligência de longo alcance e designação de alvos além do horizonte.

A possibilidade de transportar e lançar sonoboias amplia o emprego do SeaGuardian na busca e acompanhamento de contatos submarinos. Sua elevada autonomia permite manter sensores sobre áreas de interesse durante períodos prolongados, enquanto os dados coletados podem ser utilizados pelos demais elementos da força.

Uma nova camada para a patrulha marítima

A presença do SeaGuardian em exercícios e atividades da US Navy ocorre em um momento de expansão do emprego de sistemas não tripulados em missões de vigilância marítima. Nesse contexto, a plataforma reúne autonomia, sensores e capacidade de lançamento de sonoboias em uma única aeronave remotamente pilotada.

Sua arquitetura aberta também permite incorporar diferentes equipamentos e adaptar o sistema a outros requisitos, incluindo guerra antissuperfície, inteligência e vigilância marítima.

O conceito não pressupõe a substituição do P-8A. A ideia é acrescentar uma plataforma capaz de permanecer por longos períodos sobre uma área, enquanto as aeronaves tripuladas continuam destinadas às missões que demandem velocidade, maior capacidade de processamento ou outros recursos específicos.

A experiência acumulada pelo SeaGuardian em atividades como Northern Edge, Integrated Battle Problem e operações realizadas a partir de Whidbey Island fornece à US Navy elementos para determinar como uma aeronave não tripulada de grande autonomia pode ser empregada dentro de sua estrutura de patrulha marítima e guerra antissubmarino.

Para países que dependem de grandes áreas marítimas de vigilância, esse tipo de capacidade abre uma nova possibilidade de cobertura persistente, especialmente em missões que exigem a permanência prolongada de sensores sobre determinada região.

No caso brasileiro, a evolução merece atenção diante da futura discussão sobre a substituição dos P-3AM Orion e os requisitos da próxima geração de patrulha marítima. A experiência norte-americana oferece um caso concreto de emprego de sistemas remotamente pilotados em apoio às operações de vigilância e guerra antissubmarino.


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