segunda-feira, 2 de março de 2026

Catar abate aeronaves iranianas, EUA ampliam ataques e o Irã pressiona o petróleo e a economia global

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A escalada envolvendo o Irã entrou em uma nova fase. O que até então se desenhava como um confronto indireto e controlado passou a apresentar sinais de envolvimento regional mais explícito, com reflexos militares imediatos e implicações geoeconômicas relevantes.

O Ministério da Defesa do Catar confirmou a destruição de dois caças Su-24 iranianos, além da interceptação de sete mísseis balísticos e cinco drones de ataque que se dirigiam ao espaço aéreo do país. Segundo o comunicado oficial, a Força Aérea do Emirado do Catar (QEAF) atuou em alto nível de prontidão, neutralizando as ameaças antes que alcançassem áreas estratégicas.

O episódio marca um ponto sensível: o Golfo deixa de ser apenas espaço de retaguarda logística e passa a ser área ativa de defesa.

Defesa aérea integrada e nova etapa regional

De acordo com as autoridades do Catar, os dois Su-24 foram abatidos antes de alcançarem Doha. Embora os sistemas empregados não tenham sido detalhados, o país ressaltou que sua rede moderna de defesa aérea opera em plena capacidade.

Além dos caças, sete mísseis balísticos foram interceptados, assim como cinco drones kamikaze neutralizados em ação coordenada entre Força Aérea e Marinha. O padrão indica tentativa de saturação, quando múltiplos vetores são lançados simultaneamente para testar ou sobrecarregar o sistema defensivo.

O Catar abriga importante presença militar dos Estados Unidos e recentemente inaugurou, com aliados, um novo centro de defesa no país. Também mantém cooperação ativa com a Türkiye, que possui centros de comando terrestre, aéreo e naval em território catariano, além de meios militares destacados.

O ambiente no Golfo, portanto, está plenamente militarizado e articulado.

Ampliação da ofensiva americana contra ativos iranianos

O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) divulgou novas imagens de ataques contra alvos estratégicos no Irã. Entre os equipamentos atingidos estão:

  • Caças Su-22 em bases aéreas

  • Veículos lançadores de mísseis balísticos Zulfiqar e Dezful

  • Radares de alerta antecipado Matla-3

  • Aeronaves F-4 e F-5

  • O sistema móvel antimíssil Arman

Segundo o CENTCOM, as ações visam neutralizar ameaças iminentes e seguem em andamento.

Capacidade aérea e mísseis de alcance intermediário

O Irã opera número limitado de Su-22, cerca de sete unidades do modelo M4 e ao menos uma aeronave de treinamento UM3K, conforme avaliações recentes de defesa. Trata-se de versão de exportação do soviético Su-17, com asas de geometria variável e foco em missões de ataque ao solo.

Embora não sejam plataformas de última geração, ainda representam capacidade operacional relevante dentro do contexto regional.

No campo balístico, os sistemas Zulfiqar e Dezful ampliam o alcance estratégico iraniano. O Zulfiqar possui alcance estimado de 700 quilômetros. O Dezful, evolução da mesma família, pode alcançar aproximadamente 1000 quilômetros. Ambos utilizam veículos lançadores móveis, o que aumenta sua capacidade de sobrevivência e dificulta a neutralização preventiva.

Entre os alvos atingidos está o radar Matla-3, sistema VHF com alcance aproximado de 300 quilômetros. Esse equipamento integra a malha de vigilância aérea iraniana e desempenha papel central na detecção antecipada de ameaças.

Sua destruição sugere objetivo claro: reduzir a consciência situacional do Irã e criar brechas em sua defesa aérea, facilitando eventuais operações futuras.

A precisão dos ataques indica uso consistente de inteligência em tempo real e munições guiadas de alta precisão.

O eixo geoeconômico: petróleo e risco sistêmico

Se o campo militar mostra avanço operacional, o campo econômico já precifica o risco.

O Golfo Pérsico concentra parcela decisiva da produção mundial de petróleo e gás. Qualquer ameaça à estabilidade da região eleva imediatamente o prêmio de risco nos mercados internacionais.

O Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de um quinto do petróleo global, permanece como ponto crítico. Ainda que não haja interrupção concreta no fluxo, a simples possibilidade de bloqueio, retaliação naval ou ataques a infraestrutura energética pressiona os contratos futuros.

O mercado reage à probabilidade, não apenas ao fato consumado.

Uma escalada envolvendo:

  • Ataques a instalações petrolíferas

  • Comprometimento da navegação comercial

  • Envolvimento direto de outros grandes produtores do Golfo

  • Retaliações ampliadas contra bases americanas

poderia desencadear alta mais intensa do barril, com efeitos encadeados sobre inflação, política monetária e estabilidade financeira global.

Repercussões para o Brasil

O Brasil observa o cenário sob dupla perspectiva, como produtor relevante de petróleo, pode registrar aumento de receitas externas caso o barril se valorize. Contudo, a elevação dos preços internacionais tende a pressionar combustíveis no mercado interno, afetando transporte, cadeia de alimentos e inflação.

Em ambiente de maior aversão ao risco, o dólar tende a se fortalecer, o que impacta o câmbio brasileiro e amplia volatilidade nos ativos domésticos.

Há, portanto, benefício potencial no campo exportador, mas custo relevante no campo inflacionário e cambial.

No plano diplomático, o país precisa preservar postura pragmática, evitando alinhamentos automáticos e mantendo canais abertos tanto com parceiros ocidentais quanto com economias asiáticas, especialmente em um cenário de rearranjo geopolítico.

Os acontecimentos recentes indicam que o conflito deixou de ser apenas uma sequência de ações pontuais. A estratégia americana sugere esforço para degradar capacidades militares iranianas, reduzir sua capacidade de resposta aérea e balística e consolidar superioridade operacional no teatro regional.

Ao mesmo tempo, a entrada ativa do Catar na defesa aérea evidencia que o conflito transborda fronteiras e altera o equilíbrio do Golfo.

O risco, neste momento, não é apenas militar. É sistêmico.

Cada ataque gera repercussão imediata não apenas no campo de batalha, mas nos mercados de energia, nas bolsas internacionais e nas expectativas inflacionárias.

O próximo movimento do Irã será determinante. Contenção estratégica pode estabilizar o quadro. Ampliação da resposta pode transformar a crise regional em vetor de instabilidade econômica global.

E, como historicamente ocorre, o petróleo permanece no centro dessa equação.


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A Morte de Khamenei em Ataque Americano Incendeia o Oriente Médio e Isola Washington.

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A guerra no Oriente Médio atingiu um novo e explosivo patamar nas últimas horas. Fontes do Pentágono confirmaram que um ataque cirúrgico das forças norte-americanas, em coordenação com Israel, resultou na morte do Líder Supremo do Irã, Aiatolá Ali Khamenei. O ataque, que visava uma instalação militar subterrânea nos arredores de Teerã, parece ter sido informado por inteligência de alto escalão sobre a localização do líder de 86 anos.

A informação, inicialmente um rumor incontrolável nas redes sociais, foi confirmada por assessores do governo iraniano, que prometeram uma vingança "tão vasta quanto a história da Pérsia". Enquanto as sirenes antiaéreas ainda ecoam sobre Teerã e as Bolsas despencam no oriente, uma onda de choque geopolítica varre as capitais ocidentais  mas não exatamente no tom esperado por Washington.

Europa avalia o tom de Washington e analisa a circunstância com cautela. 

Enquanto a Casa Branca ainda preparava seu discurso à nação para justificar a escalada, líderes europeus saíram às pressas de reuniões de emergência para cravar uma posição que expõe o profundo fosso entre os aliados ocidentais. Em reações coordenadas, Espanha, França e a cúpula da Comissão Europeia emitiram notas duríssimas pedindo "contenção imediata".

O presidente da França, Emmanuel Macron, foi o primeiro a ir a público. Em um discurso sóbrio, mas com evidente tom de reprovação, Macron afirmou que o conflito, agora agravado pela morte de um chefe de Estado, traz "graves consequências para a paz e a segurança internacionais". Longe de endossar a ação militar, o mandatário francês defendeu a convocação urgente do Conselho de Segurança da ONU.

"É imperativo que o direito internacional seja respeitado, mesmo no calor da resposta a ataques precedentes", declarou Macron, numa clara crítica à falta de aval multilateral para a operação. "Paris está pronta para mobilizar todos os recursos para proteger nossos parceiros, mas isso só será possível com a retomada imediata do diálogo diplomático", completou, cobrando que o regime iraniano, agora acéfalo, retome as negociações de boa-fé para encerrar seus programas nucleares e atividades de desestabilização regional.

A Comissão Europeia, em nota assinada pela sua alta representante, ecoou o sentimento francês, pedindo "desescalada" e lembrando que "a força bruta não pode ser o único idioma em uma região que sangra há décadas". A Espanha, que historicamente mantém canais abertos com o mundo árabe, também se juntou aos apelos por um cessar-fogo imediato que permita a retomada das negociações.

O Mundo em 2026: Quem senta à Mesa do Conselho de Segurança?

Com a convocação de uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU já na manhã desta terça-feira, os olhos do mundo se voltam para a composição da mesa que decidirá os rumos da crise pós-Khamenei. Em 2026, o órgão máximo das Nações Unidas reflete um mundo em frangalhos e em plena renovação.

O Conselho é composto por 15 membros, dos quais cinco são permanentes e com poder de veto, os chamados P5. São eles os responsáveis por qualquer resolução substantiva que vise conter ou autorizar o uso da força:

· Estados Unidos: Autor do ataque, buscará apoio ou, no mínimo, um veto a qualquer condenação formal.

· Rússia: Aliada histórica do Irã, deve usar seu poder de veto para barrar qualquer ação ocidental e deverá convocar a reunião para denunciar os EUA.

· China: Também com veto, busca estabilidade para seus negócios na região, mas tende a apoiar Moscou na condenação à ação unilateral americana.

· França: Como visto, puxa a frente diplomática europeia por uma solução negociada.

· Reino Unido: Tradicional aliado de Washington, vive um dilema entre apoiar os americanos e não isolar-se na Europa.

Além deles, os 10 membros não permanentes (eleitos por dois anos pela Assembleia Geral) têm cadeiras cativas e voto decisivo. Em 2026, a composição é a seguinte :

Categoria Países Membros (2026)

Membros Permanentes (P5) China, França, Rússia, Reino Unido, Estados Unidos.

Não-Permanentes (Mandato até 2026) Dinamarca, Grécia, Paquistão, Panamá, Somália.

Não-Permanentes (Novos 2026-2027) Bahrein, Colômbia, República Democrática do Congo, Letônia, Libéria.

Neste tabuleiro, o Paquistão e o Bahrein (este último, de maioria xiita e vizinho do Irã) terão pesos cruciais nas negociações de bastidores. A Somália, que preside o Conselho neste mês de março, terá a difícil tarefa de mediar um diálogo em meio ao fogo cruzado das grandes potências.

Enquanto a poeira não baixa sobre Teerã, a comunidade internacional prende a respiração, aguardando para saber se a morte do Aiatolá será o prelúdio de uma guerra generalizada ou o empurrão necessário para um diálogo forçado. Por ora, as bandeiras tremulam a meio mastro no Irã, e a diplomacia europeia tenta, contra o tempo, construir uma ponte sobre o abismo.


Por Prof.Me Carlos Luiz Dias - Eng.  Produção, Assessoria de Comunicação Social ADESG NACIONAL.


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Irã aumenta a aposta, pressiona o Golfo e abala a economia global: entenda como isso afeta o Brasil

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Esta segunda-feira, 2 de março, não é apenas mais um dia no calendário do conflito envolvendo o Irã. É um ponto de inflexão claro. O que vínhamos observando como uma escalada calculada ganha agora dimensão regional ampliada, com ataques e movimentações que alcançam Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein e áreas sensíveis ligadas à infraestrutura energética e militar do Golfo. A partir daqui, não falamos mais apenas de retórica estratégica: falamos de projeção de poder, teste de limites e risco real de transbordamento.

No campo militar, o movimento iraniano demonstra capacidade de alcance e coordenação. Seja por meios diretos, seja por redes aliadas e vetores assimétricos, Teerã envia uma mensagem inequívoca: qualquer tentativa de ampliar a pressão terá custo. Trata-se de uma lógica clássica de dissuasão por saturação regional. O problema é que quanto maior o número de atores em estado de alerta, sistemas antiaéreos ativados, forças navais posicionadas, aeronaves em prontidão, maior o risco de erro de cálculo. E a história mostra que conflitos de grande escala muitas vezes começam não por decisão estratégica deliberada, mas por incidentes em ambiente de altíssima tensão.

No eixo energético, o impacto é imediato e profundo. O Estreito de Ormuz continua sendo um dos gargalos mais sensíveis do planeta. Não é necessário que ele seja fechado para que o mercado reaja; basta a percepção de risco para elevar prêmios de seguro marítimo, pressionar contratos futuros e alimentar volatilidade. O mercado precifica expectativa, não apenas fatos consumados. O reflexo é pressão inflacionária global, aumento do custo logístico e reavaliação de ativos em economias emergentes.

E onde entra o Brasil? Entra no centro da equação.

Como exportador relevante de petróleo, o país pode, em tese, se beneficiar de uma alta prolongada do barril. Mas esse é um ganho de superfície. Internamente, combustíveis mais caros pressionam o transporte, impactam alimentos, encarecem cadeias produtivas e tensionam o controle inflacionário. O câmbio tende a refletir a busca internacional por ativos considerados mais seguros, fortalecendo o dólar e pressionando o real. Isso afeta diretamente importações estratégicas, insumos industriais e fertilizantes, com reflexos diretos sobre o agronegócio e a indústria.

Do ponto de vista geopolítico, estamos diante de um redesenho silencioso de alinhamentos. Países do Golfo reforçam cooperação em defesa aérea e inteligência. Potências externas calibram sua presença para não parecerem ausentes, mas evitam, ao máximo, cruzar o limiar de uma guerra aberta. A diplomacia internacional opera em modo de contenção, tentando impedir que a escalada regional se transforme em crise sistêmica. Porém, em momentos como este, a capacidade de mediação é limitada pela própria lógica de afirmação estratégica das partes envolvidas.

Há também um fator estrutural que precisa ser destacado: cadeias de suprimento. Energia, fertilizantes, transporte marítimo, crédito internacional, tudo isso opera em rede. Um choque prolongado no Golfo não fica restrito ao Oriente Médio. Ele reverbera na Ásia, pressiona a Europa e alcança a América Latina. O Brasil, inserido nesse sistema, não é espectador; é parte da engrenagem.

A partir de hoje, podemos visualizar três trajetórias possíveis. A primeira é a contenção progressiva, com canais indiretos de negociação reduzindo a intensidade das ações. A segunda é a escalada controlada, com ataques limitados e respostas proporcionais, mantendo a tensão elevada, porém administrável. A terceira e mais sensível, envolve um evento catalisador de grande impacto, como interrupção prolongada do fluxo energético ou um ataque com forte peso simbólico, capaz de arrastar potências externas para envolvimento direto.

Para o Brasil, essa crise não é distante nem abstrata. Ela é concreta, econômica e estratégica. O conflito envolvendo o Irã já está produzindo efeitos objetivos nos mercados internacionais  e o Brasil sente esses reflexos quase em tempo real.

Nesta segunda-feira, 2 de março, o mercado global reagiu com forte alta no petróleo diante do risco de instabilidade nas rotas energéticas do Golfo, especialmente no entorno do Estreito de Ormuz, por onde transita parcela significativa da energia consumida no planeta. O barril passou a incorporar prêmio geopolítico. E quando o petróleo incorpora risco, toda a economia global reage.

O movimento é clássico em cenários de tensão: investidores buscam ativos considerados seguros, o dólar se fortalece e moedas emergentes sofrem pressão. O real entra nessa equação. A valorização do dólar encarece importações estratégicas, fertilizantes, insumos industriais, componentes eletrônicos, máquinas, impactando diretamente agronegócio, indústria e cadeias produtivas sensíveis.

Internamente, o efeito mais imediato vem pelo combustível. O Brasil depende estruturalmente do transporte rodoviário. Diesel mais caro significa frete mais caro. Frete mais caro significa aumento no custo de alimentos, bens de consumo e insumos industriais. É um efeito em cascata que pressiona inflação e reduz poder de compra. Mesmo sendo exportador relevante de petróleo, o país não está imune à volatilidade internacional, porque os preços são formados em dinâmica global.

Há ainda o impacto sobre expectativas. Pressão inflacionária importada reduz margem de manobra da política monetária, influencia juros, altera decisões de investimento e aumenta o custo de financiamento. Em um ambiente de risco internacional elevado, previsibilidade institucional se torna ativo estratégico.

E é aqui que a dimensão diplomática se conecta diretamente à economia.

Em momentos como este, o Brasil precisa agir como Estado, não como governo circunstancial. Política externa não pode ser guiada por impulsos ideológicos ou leituras partidárias. Ela precisa ser orientada por interesse nacional permanente. O país mantém relações estruturais com os Estados Unidos, parceiro comercial relevante, fonte de tecnologia e cooperação estratégica, e também mantém cooperação importante com Israel em setores de alta tecnologia, defesa e inovação. Em um cenário de conflito sensível, qualquer sinal de desalinhamento desnecessário pode gerar ruído diplomático e ampliar percepção de risco.

O mercado observa posicionamentos. Investidores precificam estabilidade institucional. Parceiros avaliam previsibilidade. Não se trata de concordar com A ou B. Trata-se de proteger o Brasil.

Nossa tradição diplomática sempre foi marcada por equilíbrio, pragmatismo e capacidade de diálogo. Esse é um ativo que precisa ser preservado. Em um mundo fragmentado, o país que transmite serenidade estratégica ganha credibilidade, e credibilidade hoje tem impacto direto sobre câmbio, investimento e custo de capital.

Do ponto de vista prático, o governo brasileiro pode e deve atuar para amortecer os impactos. Isso passa por calibragem responsável na política de combustíveis, reforço de previsibilidade regulatória, comunicação econômica clara, proteção das cadeias de abastecimento e diplomacia ativa voltada à estabilidade. Neutralidade estratégica não é omissão; é defesa inteligente do interesse nacional.

Se a crise se prolongar ou houver interrupções relevantes no fluxo energético do Golfo, o petróleo pode buscar patamares ainda mais elevados. O Brasil pode até ampliar receitas com exportação, mas isso não neutraliza automaticamente os efeitos inflacionários internos. O ganho externo não elimina o custo doméstico.

Defesa, economia e diplomacia caminham juntas. Conflitos internacionais expõem vulnerabilidades e testam a capacidade dos Estados de reagir com maturidade. A guerra envolvendo o Irã é um teste de resiliência do sistema internacional, e também da nossa capacidade de atravessar turbulências preservando estabilidade.

O Brasil não precisa escolher lados ideológicos. Precisa escolher previsibilidade. Precisa escolher estabilidade. Precisa escolher o interesse nacional acima de narrativas.

Porque, em cenários como este, serenidade não é fraqueza. É estratégia. E estratégia, para o Brasil, significa proteger sua economia, sua soberania e sua posição no tabuleiro global.


por Angelo Nicolaci


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Fogo Amigo no Golfo: Três F-15 dos EUA São Abatidos por Defesa Aliada e Expõem Fragilidades na Coordenação Aérea

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Em meio à escalada militar no Oriente Médio, três caças F-15E Strike Eagle da Força Aérea dos Estados Unidos foram abatidos sobre o território do Kuwait em um incidente oficialmente classificado como fogo amigo. As informações foram divulgadas por agências internacionais como a Reuters e a Associated Press, com base em comunicados do Comando Central dos EUA (CENTCOM) e autoridades kuwaitianas. Os tripulantes conseguiram ejetar e foram resgatados.

O episódio ocorreu em meio a um ambiente operacional altamente saturado, marcado por ataques com mísseis e drones, intensa atividade de defesa aérea e múltiplos vetores atuando simultaneamente no espaço aéreo do Golfo. Segundo as informações divulgadas, sistemas de defesa aérea do Kuwait identificaram erroneamente as aeronaves americanas como ameaças e as engajaram.

Embora oficialmente tratado como erro de identificação, um incidente dessa magnitude, três aeronaves abatidas, exige análise técnica e estratégica mais aprofundada.

Pontos que podem ter contribuído para o incidente

    • Saturação do espaço aéreo: Conflitos modernos envolvem drones, mísseis de cruzeiro, mísseis balísticos, aeronaves tripuladas e sistemas de guerra eletrônica operando simultaneamente. Em cenários assim, operadores de defesa aérea trabalham sob enorme pressão, com janelas de decisão de segundos. A saturação amplia o risco de identificação incorreta.

    • Possível falha ou limitação no sistema IFF (Identification Friend or Foe):  Os sistemas IFF são fundamentais para diferenciar aeronaves amigas de hostis. Falhas técnicas, interferência eletrônica, erro de configuração ou até procedimentos operacionais inadequados podem levar a classificações equivocadas. Em ambientes com guerra eletrônica ativa, transponders podem sofrer degradação ou bloqueio.

    • Integração incompleta entre sistemas aliados: Mesmo aliados operando juntos podem utilizar sistemas, radares e protocolos distintos. A interoperabilidade plena exige integração constante entre centros de comando, defesa aérea e regras de engajamento. Qualquer desalinhamento aumenta o risco.

    • Regras de engajamento mais agressivas em ambiente de ameaça elevada:  Quando há expectativa de ataques iminentes, forças de defesa tendem a operar sob regras mais restritivas, priorizando neutralizar potenciais ameaças antes que atinjam áreas sensíveis. Isso reduz a margem de tolerância ao erro.

    • Pressão psicológica e tomada de decisão sob estresse extremo: Operadores lidam com múltiplos alvos, alarmes e fluxos simultâneos de informação. Em combate real, decisões são tomadas em segundos, e o fator humano permanece determinante.

Impacto estratégico

A perda de três F-15E Strike Eagle não representa apenas dano material relevante; é um alerta sobre os desafios da guerra aérea contemporânea. O episódio evidencia que tecnologia avançada não elimina completamente o risco de erro humano ou falha de integração sistêmica.

Incidentes de fogo amigo também têm impacto político e diplomático. Mesmo quando reconhecidos como acidentes, podem gerar tensões entre parceiros militares e fornecer munição narrativa a adversários estratégicos.

Análise do GBN

O caso reforça uma realidade central da guerra moderna: superioridade tecnológica precisa estar acompanhada de integração total entre sensores, comunicações e comando. Operar em coalizão exige interoperabilidade plena e treinamento conjunto constante.

Ambientes de combate de alta intensidade são complexos e dinâmicos. A margem para erro é mínima e, quando ele ocorre, o custo é elevado. O incidente no Golfo não altera o equilíbrio estratégico imediato, mas funciona como um alerta técnico e operacional relevante.

Em conflitos contemporâneos, o desafio não é apenas enfrentar o inimigo, é garantir que aliados operem como um único sistema coeso, preciso e sincronizado.


por Angelo Nicolaci


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Execução dos R$ 30 bilhões da Defesa é definida: governo prioriza Marinha na largada e estabelece divisão estratégica até 2031

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O governo federal definiu como será feita a execução dos R$ 30 bilhões destinados aos projetos estratégicos das Forças Armadas até 2031, recursos que serão liberados em seis parcelas anuais de R$ 5 bilhões, fora dos limites do arcabouço fiscal. A divisão e o escalonamento foram noticiados pelo jornal Valor Econômico e refletem um entendimento consolidado entre o Ministério da Defesa e os comandantes das três Forças. A partir das informações publicadas pelo veículo, desenvolvemos esta análise sobre o desenho estratégico adotado pelo governo.

A definição estabelece que, nesta primeira parcela de R$ 5 bilhões, a Marinha do Brasil receberá a maior parte dos recursos. A decisão é pragmática e está diretamente ligada aos compromissos contratuais relacionados ao programa nuclear e ao desenvolvimento dos submarinos, incluindo o submarino de propulsão nuclear. São projetos de alta complexidade, com marcos contratuais rígidos, transferência de tecnologia sensível e forte impacto sobre a base industrial de defesa. Qualquer descontinuidade no fluxo financeiro implicaria aumento de custos, atrasos e perda de credibilidade estratégica.

No planejamento plurianual até 2031, a distribuição global dos recursos deverá se reequilibrar. A Força Aérea Brasileira concentrará aproximadamente 37% do total previsto. A Marinha ficará com cerca de 32% no consolidado do período, enquanto o Exército Brasileiro deverá receber aproximadamente 26%. O escalonamento busca harmonizar compromissos já assumidos com a necessidade de modernização dos vetores aéreo, marítimo e terrestre.

A maior participação futura da Aeronáutica reflete o peso do poder aéreo na dissuasão contemporânea, enquanto o Exército mantém programas estruturantes voltados à modernização de blindados, sistemas de artilharia, defesa antiaérea e presença em áreas sensíveis do território. Já a prioridade inicial à Marinha assegura estabilidade aos projetos que sustentam a dissuasão no Atlântico Sul e a proteção da Amazônia Azul.

Do ponto de vista analítico, é preciso reconhecer que, embora relevantes, os R$ 30 bilhões ainda são modestos diante da dimensão das necessidades brasileiras. O Brasil é um país continental, com vasta faixa de fronteira terrestre, imensa área marítima, reservas energéticas estratégicas e inserção crescente em cadeias globais sensíveis. O cenário internacional tornou-se mais instável, com disputas por recursos, tensões regionais e reconfigurações de poder que podem produzir efeitos indiretos mesmo sobre países que não estejam no centro dos conflitos. As ameaças nem sempre são visíveis ou imediatas, mas existem no horizonte.

Defesa não é reação improvisada. É preparação contínua. É como o seguro de um carro: paga-se não porque se deseja usar, mas porque se compreende o risco. Ninguém faz seguro esperando um acidente; faz-se para não ser surpreendido despreparado. Com as Forças Armadas é a mesma lógica. O ideal é nunca precisar empregar plenamente suas capacidades, mas, se necessário, elas precisam estar prontas para atuar quando e onde for exigido.

A defesa nacional é construída ao longo do tempo, com planejamento, investimentos graduais e constância orçamentária. Já as ameaças podem surgir de forma repentina e não concedem prazo para adaptação. Países que negligenciam sua preparação descobrem tarde demais que não se constrói capacidade militar da noite para o dia.

A definição da execução dos recursos, conforme noticiado pelo Valor Econômico, representa um passo importante na recomposição da capacidade dissuasória brasileira. Contudo, o verdadeiro teste estará na continuidade, na ampliação responsável dos investimentos e na consolidação da Defesa como política permanente de Estado. Estar preparado não é sinal de agressividade, é sinal de responsabilidade estratégica.


por Angelo Nicolaci


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A Militarização das Rotas Marítimas e o Papel da Marinha do Brasil no Novo Tabuleiro Global

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O fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, anunciado poucas horas após a intensificação dos ataques combinados conduzidos por Estados Unidos e Israel, representa um dos mais graves choques estratégicos ao sistema internacional desde a crise do petróleo da década de 1970. Aproximadamente 20% do petróleo consumido globalmente transita por aquele estreito, segundo dados da U.S. Energy Information Administration. Estima-se que entre 17 e 20 milhões de barris por dia cruzem aquela via marítima crítica. Ao anteciparmos, ainda na manhã de sábado, quando publicamos nossa primeira análise sobre as ondas iniciais de ataque contra o Irã, que Teerã poderia reagir não apenas atingindo bases americanas na região, mas também pressionando o fluxo energético global por meio da interrupção de Ormuz, o fizemos com base na lógica histórica e estratégica do regime iraniano. A confirmação dessa movimentação reforça a consistência de nossa leitura geopolítica e evidencia que o impacto econômico não era hipótese alarmista, mas cenário plausível.

O bloqueio ou mesmo a simples ameaça prolongada à navegação em Ormuz provoca elevação imediata nos prêmios de risco do frete marítimo, pressiona o preço do barril Brent e contamina cadeias logísticas globais. Para o Brasil, ainda que não dependa diretamente daquele fluxo específico, o impacto é indireto e profundo. O aumento do preço internacional do petróleo afeta combustíveis, transporte, fertilizantes e inflação. O frete marítimo mais caro repercute sobre exportações e importações. Em um mundo interconectado, não existe neutralidade econômica quando gargalos estratégicos são militarizados.

Esse episódio deve ser analisado como parte de um fenômeno maior: a militarização crescente das rotas marítimas globais. O Mar do Sul da China, o Estreito de Taiwan, o Mar Vermelho e agora novamente o Golfo Pérsico tornaram-se espaços de disputa direta entre grandes potências e atores regionais armados. A rivalidade estrutural entre Estados Unidos e China intensifica a competição por controle de gargalos marítimos, enquanto novos atores, estatais e não estatais, exploram vulnerabilidades do comércio internacional. Mais de 80% do comércio global é transportado por via marítima, segundo a UNCTAD. O sistema que sustenta a globalização é, essencialmente, naval.

Nesse contexto, o Brasil ocupa posição singular. Nossa Amazônia Azul, considerando a área já reconhecida e a ampliação pleiteada da plataforma continental, supera 5,7 milhões de quilômetros quadrados. É nessa área que se encontram as principais reservas do pré-sal, cabos submarinos estratégicos e rotas vitais para nosso comércio exterior. A proteção dessa área não é retórica nacionalista, é imperativo econômico. Sem segurança marítima, não há estabilidade energética nem previsibilidade comercial.

A interrupção de Ormuz reforça uma verdade estrutural: quem não possui meios navais credíveis torna-se espectador das decisões alheias. A capacidade de dissuasão marítima depende de massa crítica de meios, prontidão operacional e sustentabilidade logística. Atualmente, o Brasil tem quatro fragatas classe Tamandaré em construção. Trata-se de passo importante, mas insuficiente frente às dimensões de nossa área marítima e aos desafios prospectivos até 2040.

Modelagens comparativas com marinhas emergentes de porte semelhante oferecem parâmetros úteis. A Türkiye opera mais de uma dezena de fragatas e corvetas modernas e investe em submarinos e navios de projeção anfíbia. A Índia mantém uma força de superfície superior a 20 grandes navios, além de submarinos nucleares e convencionais, consolidando-se como potência do Índico. Ambas compreendem que presença oceânica contínua exige volume e redundância.

Para que o Brasil disponha de força naval credível, a projeção até 2040 deveria considerar entre 16 e 18 escoltas de superfície plenamente operacionais. Dessas, uma parcela poderia ser composta por fragatas leves como a classe Tamandaré, mas outra parcela precisa necessariamente incluir fragatas de maior porte, na faixa de 6.000 a 7.000 toneladas de deslocamento, com sistemas robustos de defesa aérea de área, capacidade antissubmarino avançada e poder de combate antissuperfície ampliado. Apenas quatro fragatas leves não garantem presença simultânea no Sul, Sudeste, Nordeste e potencialmente no Norte.

No domínio submarino, a lógica é ainda mais sensível. Seis a oito submarinos convencionais da classe Riachuelo representariam patamar mínimo de cobertura efetiva da Amazônia Azul. Quanto ao submarino de propulsão nuclear, é preciso afirmar com clareza estratégica: quem tem apenas um, não tem nenhum. A complexidade logística e a inevitável necessidade de manutenção programada impõem que apenas com três unidades se garante, na prática, a disponibilidade permanente de ao menos um submarino nuclear em pronto emprego. Sem essa tríade mínima, a capacidade de dissuasão baseada em propulsão nuclear torna-se intermitente.

Nenhuma dessas capacidades, contudo, é sustentável sem logística orgânica robusta. Uma esquadra com 16 a 18 escoltas e 6 a 8 submarinos exige ao menos dois navios de apoio logístico de grande porte, capazes de realizar reabastecimento simultâneo de múltiplas unidades em alto-mar. Sem essa infraestrutura, a permanência prolongada em áreas sensíveis fica comprometida e a dependência de portos terceiros reduz a autonomia estratégica.

A dimensão aeronaval também precisa ser enfrentada com racionalidade. A existência de um único navio-aeródromo multipropósito como o Atlântico é relevante, mas isolada. A ampliação da capacidade anfíbia e aeronaval por meio de uma segunda plataforma similar, com integração ampliada de aeronaves tripuladas e não tripuladas, fortaleceria a cobertura da Amazônia Azul e a resposta a crises no litoral. A médio e longo prazo, deve-se estudar tecnicamente a viabilidade de um navio-aeródromo moderno que devolva à esquadra capacidade orgânica de superioridade aérea embarcada. Controle de área marítima sem cobertura aérea própria é conceito incompleto.

A criação de uma segunda esquadra no Norte, com foco na foz do Amazonas, também merece análise estratégica. A proximidade com rotas transatlânticas, a sensibilidade ambiental e energética da região e a crescente atenção internacional à Amazônia tornam aquele eixo geopolítico cada vez mais relevante. Presença permanente é elemento de soberania.

O episódio recente envolvendo a rápida ação naval dos Estados Unidos em águas da Venezuela, independentemente de juízos políticos, ilustra como marinhas com elevada prontidão são capazes de projetar poder e alterar realidades estratégicas em poucas horas. Não se trata de alinhamento ideológico, mas de compreensão objetiva: soberania depende de capacidade material.

O financiamento dessa transformação estrutural exige criatividade e visão de Estado. O Fundo da Marinha Mercante pode e deve ser debatido como instrumento potencial de fortalecimento da indústria naval e de parte dos programas estratégicos, desde que respeitados marcos legais e sustentabilidade fiscal. Investimento naval não é gasto supérfluo, é seguro estratégico de longo prazo.

O mundo atravessa fase de transição sistêmica, com disputa estrutural entre Estados Unidos e China, emergência de potências regionais assertivas e multiplicação de conflitos de média intensidade. O fechamento de Hormuz é apenas manifestação visível de tendência mais profunda: a crescente instrumentalização das rotas marítimas como ferramenta de pressão geopolítica.

Se o Brasil deseja afirmar-se como potência regional efetiva e ator relevante no cenário global, precisa alinhar ambição diplomática a capacidade naval compatível. Sem esquadra dimensionada, sem submarinos em número adequado, sem logística embarcada robusta e sem vetor aeronaval consistente, nossa Amazônia Azul permanecerá extensa no mapa, porém vulnerável na prática.

A credibilidade internacional de uma nação marítima começa pelo mar. E o mar, hoje, voltou a ser centro do poder.


por Angelo Nicolaci


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domingo, 1 de março de 2026

A Nova Geopolítica do Petróleo: O Risco do Estreito de Ormuz e o Impacto Real na Economia Brasileira

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Quando se fala em escalada no Oriente Médio, muitos enxergam um conflito distante da realidade brasileira. No entanto, o Estreito de Ormuz é uma das artérias centrais do sistema energético global. Por ali transita aproximadamente um quinto de todo o petróleo comercializado no mundo. Trata-se de um gargalo estratégico onde qualquer instabilidade, bloqueio, ataque a petroleiros ou simples aumento da tensão militar, já é suficiente para provocar forte reação nos mercados internacionais. O petróleo não sobe apenas quando há interrupção física do fluxo; ele sobe pela percepção de risco.

E é exatamente nesse ponto que o Brasil entra na equação. A dinâmica é direta: tensão no Golfo pressiona o preço do barril Brent, que impacta o mercado global de energia, fortalece o dólar em momentos de aversão ao risco e acaba refletindo nos preços internos de combustíveis. Embora o Brasil seja um produtor relevante e tenha ampliado sua produção no pré-sal, os preços domésticos continuam sensíveis ao mercado internacional. Diesel, gasolina e querosene de aviação seguem a lógica global. Se o barril dispara, o reflexo aparece nas bombas e, sobretudo, no frete, impactando o conhecido "Custo Brasil".

A economia brasileira é estruturalmente dependente do transporte rodoviário. O diesel move a circulação de alimentos, insumos industriais, medicamentos, fertilizantes e praticamente tudo que percorre o território nacional. Quando o diesel sobe, o custo do frete sobe. Quando o frete sobe, a inflação se espalha de forma difusa. O impacto deixa de ser setorial e passa a ser sistêmico, alcançando supermercados, indústria e serviços. Uma crise naval a milhares de quilômetros pode, portanto, influenciar diretamente o custo de vida no Brasil.

O efeito também alcança a política monetária. A alta do petróleo tende a gerar inflação importada, pressionando expectativas e exigindo cautela por parte do Banco Central. Juros mais altos ou manutenção prolongada de taxas elevadas afetam crédito, investimento e crescimento. Além disso, a valorização global do dólar em momentos de tensão geopolítica amplia a volatilidade cambial nos mercados emergentes, aumentando incertezas para empresas e investidores.

Outro ponto pouco explorado é o impacto sobre seguros marítimos e fretes internacionais. Em cenários de risco elevado no Golfo Pérsico, os prêmios de seguro para navios sobem significativamente. O comércio marítimo global reajusta seus custos com base na instabilidade geral, não apenas nas rotas diretamente afetadas. O Brasil, altamente dependente do transporte marítimo para exportar soja, minério, carne e importar insumos estratégicos, sente esses ajustes na competitividade e nos custos logísticos. A balança comercial pode até registrar ganhos nominais com petróleo mais caro, mas o encarecimento do transporte e dos insumos reduz margens e amplia incertezas.

Existe ainda a leitura simplificada de que o Brasil “ganha” com petróleo valorizado por ser exportador. A realidade é mais complexa. Receitas externas podem subir, mas a pressão inflacionária interna, a volatilidade cambial e o impacto político sobre a política de preços criam um ambiente delicado. Petróleo alto em ambiente de instabilidade global não representa vantagem automática; pode significar tensão fiscal e econômica.

No plano estratégico, crises recorrentes no Estreito de Ormuz aceleram debates globais sobre segurança energética e diversificação de fornecedores. Países consumidores buscam alternativas e reforçam cadeias regionais. Para o Brasil, isso representa tanto oportunidade quanto desafio. Pode consolidar-se como fornecedor estável e previsível em um mundo turbulento, mas isso exige planejamento integrado entre política energética, defesa e diplomacia. Energia e geopolítica são dimensões inseparáveis no século XXI.

O debate sobre o Estreito de Ormuz não é apenas militar. Ele é econômico, monetário e estratégico. Uma escalada no Golfo pode pressionar combustíveis, afetar inflação, influenciar juros, alterar fluxos comerciais e testar a resiliência da economia brasileira. A questão central não é se o conflito está distante. A pergunta é se o Brasil está preparado para absorver seus efeitos em um sistema internacional cada vez mais interconectado e volátil.


por Angelo Nicolaci


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Neutralidade ou Incoerência? O Risco Estratégico da Postura Brasileira diante da Crise no Irã

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A decisão do Itamaraty de condenar os ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra o Irã, sob o argumento de defesa do Direito Internacional e da “máxima contenção”, revela mais do que uma posição diplomática tradicional: expõe uma dificuldade recorrente do Brasil em alinhar princípios normativos com cálculo estratégico de longo prazo.

O Brasil historicamente sustenta uma política externa baseada na solução pacífica de controvérsias e no multilateralismo. Contudo, ao emitir condenação direta sem ponderar o contexto estratégico envolvendo o avanço do programa nuclear iraniano e a percepção de ameaça por parte de Israel e dos Estados Unidos, o governo brasileiro assume um posicionamento que pode ser interpretado como assimétrico. Em crises de alta complexidade, a escolha das palavras é, por si só, um instrumento de poder.

O ponto central não é defender o uso da força como solução automática, mas reconhecer que, no sistema internacional real, decisões militares muitas vezes são tomadas sob cálculo de dissuasão e percepção de risco existencial. Ao ignorar essa dimensão, o Brasil reforça uma postura declaratória que nem sempre dialoga com a lógica estratégica das grandes potências.

O impacto disso pode ultrapassar o campo simbólico e atingir áreas sensíveis da política nacional, especialmente defesa e economia.

Israel é hoje um dos principais parceiros estratégicos do Brasil na área de tecnologia militar. Sistemas de monitoramento de fronteiras, sensores, aeronaves remotamente pilotadas, modernização de blindados e soluções de guerra eletrônica contam com forte presença israelense em contratos e cooperação tecnológica. Um distanciamento político prolongado pode afetar transferências de tecnologia, acordos industriais e futuras negociações estratégicas.

Da mesma forma, os Estados Unidos continuam sendo ator central em programas de cooperação militar, exercícios conjuntos e acesso a determinados equipamentos e sistemas sensíveis. Embora retaliações econômicas formais sejam improváveis no curto prazo, o ambiente diplomático influencia decisões políticas, exportações de tecnologia dual-use e até a fluidez de parcerias industriais. Em um cenário internacional polarizado, percepções importam.

No campo econômico, o Brasil também depende da estabilidade global para manter previsibilidade cambial, fluxo de investimentos e estabilidade nos preços de energia e commodities. Caso o conflito se prolongue e afete rotas estratégicas no Golfo, com impactos no petróleo e no comércio marítimo, o reflexo chega ao Brasil via inflação importada, pressão sobre combustíveis e aumento de custos logísticos. A política externa, portanto, não é dissociada da política econômica.

Há ainda um elemento geopolítico mais amplo: o Brasil busca projeção internacional como ator global relevante, pleiteando maior protagonismo em fóruns multilaterais. Para isso, precisa ser percebido como interlocutor confiável por múltiplos polos de poder. Uma diplomacia excessivamente declaratória, sem cálculo de impacto estratégico, pode reduzir margem de manobra futura.

Isso não significa que o Brasil deva abandonar seus princípios históricos. Significa, porém, que princípios precisam ser combinados com pragmatismo. Em crises dessa magnitude, a diferença entre neutralidade ativa e condenação seletiva pode definir o grau de influência que um país terá no cenário internacional.

O desafio para o Itamaraty não é apenas condenar ou apoiar. É entender que cada posicionamento público produz efeitos estratégicos reais, inclusive sobre nossos programas de defesa, nossa economia e nossas alianças tecnológicas. Em um mundo cada vez mais multipolar e menos previsível, o custo de uma palavra mal calibrada pode ser maior do que parece no momento da sua emissão.


por Angelo Nicolaci


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A Queda do Líder Supremo: O que a morte de Ali Khamenei significa para o Irã e para o mundo?

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A confirmação da morte do aiatolá Ali Khamenei durante os ataques coordenados de Estados Unidos e Israel contra alvos estratégicos iranianos neste sábado (28), marca o momento mais sensível da República Islâmica desde 1979. Líder supremo desde 1989, Khamenei não era apenas uma autoridade religiosa: ele concentrava a palavra final sobre as Forças Armadas, a política externa, o Judiciário e os principais rumos estratégicos do país. Sua morte não representa apenas a eliminação de um chefe de Estado de facto, mas o rompimento de um eixo de estabilidade, ainda que autoritária que sustentou o sistema iraniano por mais de três décadas.

O ataque que atingiu estruturas centrais do poder em Teerã ocorre em meio a uma escalada regional que já vinha se intensificando. Ao longo de sua liderança, Khamenei consolidou uma doutrina baseada na resistência ao Ocidente, no fortalecimento do programa nuclear e no apoio a atores regionais como o Hezbollah e milícias alinhadas em diferentes frentes do Oriente Médio. Sua estratégia buscava ampliar a profundidade estratégica do Irã, criando um cinturão de influência que servisse tanto como dissuasão quanto como instrumento de pressão contra Israel e interesses americanos. A sua morte, portanto, atinge o núcleo dessa arquitetura.

Internamente, o Irã entra agora em um terreno incerto. A Constituição prevê que a Assembleia dos Especialistas escolha um novo líder supremo, mas o processo pode se tornar palco de disputas intensas entre clérigos conservadores, setores pragmáticos e, sobretudo, a Guarda Revolucionária, que hoje é o ator mais organizado e armado dentro da estrutura de poder. O risco imediato é duplo: ou uma consolidação ainda mais rígida do regime sob comando militar-religioso, ou um período de fragmentação e tensão política que abra espaço para protestos e instabilidade social. O país já vinha pressionado por sanções, inflação e insatisfação popular; qualquer sinal de vácuo de poder pode amplificar essas tensões.

No plano regional, a morte de Khamenei pode acelerar uma escalada militar. Teerã pode optar por uma retaliação direta mais contundente contra Israel ou bases americanas, ou intensificar o uso de seus aliados regionais como instrumento de guerra indireta. Isso amplia o risco de um conflito prolongado envolvendo Líbano, Síria, Iraque e o Golfo Pérsico. Ao mesmo tempo, há a possibilidade, menos provável no curto prazo, de que uma nova liderança busque recalibrar a política externa, reduzindo o nível de confronto para aliviar a pressão econômica.

Os impactos globais também são relevantes. O Irã ocupa posição estratégica no mercado de energia e no equilíbrio de forças do Oriente Médio. Instabilidade prolongada pode pressionar os preços do petróleo, afetar cadeias logísticas e aumentar a volatilidade financeira internacional. Potências como Rússia e China, que mantêm relações estratégicas com Teerã, terão de recalcular seus movimentos diante de um cenário em transformação, enquanto Washington e Jerusalém avaliam se a eliminação do líder supremo enfraquece o regime ou o radicaliza ainda mais.

No campo econômico, o impacto tende a ser imediato. O Irã ocupa posição estratégica no fluxo energético global, especialmente pela sua influência direta sobre o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo. Qualquer sinal de bloqueio, ataque a navios ou aumento do risco securitário pode provocar disparada no preço do barril, pressionando inflação, câmbio e cadeias produtivas em escala global. Países importadores de energia, inclusive o Brasil, que embora seja produtor ainda sente os reflexos internacionais nos combustíveis, sofreriam efeitos indiretos via mercado financeiro e custo logístico. O simples risco já é suficiente para gerar volatilidade em bolsas, seguros marítimos e contratos futuros.

Na segurança da navegação, o cenário é delicado. O Golfo Pérsico pode se transformar em área de dissuasão ativa, com aumento de presença naval americana, britânica e possivelmente de aliados regionais. Além de Teerã, grupos alinhados ao chamado “Eixo da Resistência” podem agir de forma assimétrica. O Hezbollah poderia ampliar pressão contra Israel a partir do Líbano, enquanto os Houthis, no Iêmen, têm capacidade comprovada de ameaçar rotas no Mar Vermelho e no entorno do Bab el-Mandeb, afetando o tráfego que liga Ásia e Europa. Já o Hamas, mesmo enfraquecido militarmente, poderia intensificar tensões locais, ampliando o risco de múltiplas frentes simultâneas. O resultado seria aumento no custo do frete marítimo, seguros mais caros e redirecionamento de rotas comerciais.

Estratégicamente, a morte de Khamenei pode redefinir os rumos do Oriente Médio. Se a sucessão fortalecer uma ala mais radical, o Irã pode dobrar a aposta na confrontação indireta, consolidando uma região ainda mais polarizada entre o bloco liderado por Teerã e o eixo Israel–Estados Unidos–monarquias do Golfo. Por outro lado, se surgir uma liderança mais pragmática, pode haver espaço para rearranjos diplomáticos e até negociações sobre o programa nuclear. Em qualquer hipótese, o equilíbrio regional entra em fase de reconfiguração: alianças serão testadas, rivalidades podem se aprofundar e o tabuleiro estratégico do Oriente Médio pode passar por uma das mudanças mais significativas desde o início da Primavera Árabe.


por Angelo Nicolaci


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sábado, 28 de fevereiro de 2026

Emprego da Viatura Blindada de Combate GEPARD 1A2 na Operação Punhos de Aço 2025: Desafios do tiro sem a aquisição pelo radar

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A defesa antiaérea (Def AAe) tem assumido papel central no contexto dos conflitos atuais, em razão da crescente utilização de Sistemas Aéreos Remotamente Pilotados (SARP)1 e drones de alta tecnologia, de diferentes modelos, tanto por forças regulares como irregulares2. Diante desse cenário, a realização de adestramentos com aeromodelos que simulam a atuação desses vetores aéreos é essencial para a verificação da capacidade dos sistemas vocacionados para esse fim.

Na Operação Punhos de Aço 20253, no mês de outubro, foi possível adestrar as guarnições de Def AAe da 6º Brigada de Infantaria Blindada – Brigada Niederauer (6ª Bda Inf Bld), representadas pelas Seções da 6ª Bateria de Artilharia Antiaérea Autopropulsada (6ª Bia AAAe AP), dotadas da Viatura Blindada de Combate Gepard 1A2 (VBC Gepard 1A2). O exercício no terreno representou o coroamento do preparo operacional desenvolvido ao longo do ano de instrução, consolidando as capacidades táticas e técnicas das tropas envolvidas.


Na edição deste ano, após a concentração dos meios, a Operação teve início com a ocupação de uma Zona de Reunião (Z Reu). Posteriormente, foram desencadeadas as ações ofensivas, com a realização de uma marcha para o combate descoberta, cuja vanguarda foi uma força-tarefa valor unidade. Estabelecido o contato com posições sumariamente organizadas inimigas, essa vanguarda foi ultrapassada por outras três forças-tarefas valor unidade, que, ao realizarem ataques de oportunidade, criaram as condições favoráveis para o aproveitamento do êxito4. O 6º Esquadrão de Cavalaria Mecanizado executou a segurança do flanco exposto da Brigada, ao passo que a 6ª Bia AAAe AP proveu a Def AAe da Brigada Niederauer.

As brigadas blindadas (Bda Bld) detêm o maior poder de combate da Força Terrestre e estão vocacionadas para as ações decisivas. São meios bastante nobres e, quando acionadas, agem com rapidez, precisão, violência e ação de choque. Por isso mesmo, ao abandonarem suas Z Reu, tornam-se alvos de alto valor para o inimigo. É imperativo, portanto, preservá-las a todo custo, planejando, inclusive, a alocação de meios que lhes assegurem uma alta prioridade de segurança, aumentando a sua sobrevivência no campo de batalha. Nesse sentido, é imprescindível a adoção de sistemas integrados de Def AAe, capazes de detectar, rastrear e neutralizar ameaças aéreas de pequeno porte.

No último dia da Punhos de Aço, foi realizado, no polígono do Campo de Instrução Barão de São Borja (Saicã), o tiro real com a VBC Gepard 1A2 em suas duas modalidades: contra em alvos terrestres e aéreos. No caso do tiro aéreo, contra aeromodelos, vale lembrar que o principal desafio se relaciona à maneira pela qual o operador realiza a designação e a apreensão do alvo, tendo em vista as capacidades dos radares atualmente disponíveis nas viaturas do inventário do Exército Brasileiro e o material de confecção do alvo.


A VBC Gepard 1A2 possui dois radares: um de busca e outro de tiro. O radar de busca tem alcance horizontal de 750 até 15.750m, alcance vertical de 3.000m e opera na denominada banda “Echo” (faixa de frequência de 2,3 a 2,49 GHz). Já o radar de tiro, complementar ao de busca, tem alcance horizontal de 300 a 15.000m, alcance vertical também de 3.000m e utiliza a banda “Juliet” (faixa de frequência de 15,5 a 17,5 GHz). A complementariedade desses radares se explica da seguinte forma: o radar de busca detecta alvos maiores e a distâncias igualmente maiores, ao passo que o de tiro se comporta melhor no rastreio dos alvos de menor dimensão. Assim, enquanto o primeiro é pouco afetado por chuva ou neblina, sendo mais satisfatório na detecção e localização das ameaças aéreas, o segundo é ideal para seguir e identificar o alvo anteriormente detectado. O radar de tiro, assim, se presta a fornecer ao subsistema de armas, dois canhões de 35 mm, os elementos de correção para a precisão do tiro, como direção, distância e velocidades radial.

Entretanto, ambos são efetivos somente no caso de o material do alvo aéreo permitir ao radar a sua reflexão por onda eletromagnética, conseguida pela ação da Seção Reta Radar5 (RCS), do inglês Radar Cross Section. Assim, quanto maior a RCS, mais forte será o eco da onda e, em consequência, mais fácil a detecção do alvo. De volta ao caso específico do alvo utilizado na Punhos de Aço, o seu material predominante era o isopor, que por ser dielétrico, apresentava uma RCS quase zero. Vetores aéreos confeccionados com materiais stealth6 também possuem essa característica, considerada essencial para burlar as defesas antiaéreas.

Como resultado, os chefes de peça e os atiradores das VBC Gepard 1A2 não conseguiram utilizar o processo de designação ótica7. Foi necessário, então, se valerem do método tradicional de busca de alvo, desenvolvido de forma manual, calcado na utilização do periscópio e na execução da mira empregando precessões à frente do aeromodelo, efetuando disparos cujas trajetórias são corrigidas pela observação em tempo real. Isso faz com que o engajamento e neutralização da ameaça se torne uma tarefa bastante difícil, exigindo habilidade, familiaridade do operador com o equipamento e bastante treino. Sua efetividade se relaciona também ao grande volume de fogos disparados, com um consequente alto consumo de munição.

Mesmo não havendo a oportunidade de usar a tecnologia de tiro da VBC Gepard 1A2 em sua plenitude, salienta-se que a prática do processo manual foi de grande valia. Indispensável na atualidade, será esse o método prioritário a ser utilizado para a supressão de ameaças advindas da abrangente gama de modelos de drones hoje facilmente adquiridos no mercado e amplamente empregados em ações hostis de toda a natureza. A VBC Gepard está em pleno uso na Guerra da Ucrânia, apresentando elevada proficiência na defesa do espaço aéreo ucraniano contra drones lançados em profusão pelas forças armadas da Federação Russa. Isso, por si só, já explica o enorme ganho que representou o treinamento do processo manual de tiro pelas guarnições da VBC Gepard 1A2 da Brigada Niederauer, na Operação Punhos de Aço 2025.



por Gen Bda André Dias 

       1º Ten Vítor Siqueira Wollmann


Fonte EBlog


1 Sistemas em que as aeronaves são controladas remotamente do solo, sem a necessidade de um piloto.

2 Os drones têm sido empregados de forma expressiva na Guerra da Ucrânia, com feitos do nível tático ao político.

3 Exercício de adestramento avançado planejado e conduzido pela 6ª Brigada de Infantaria Blindada, no Campo de Instrução Barão de São Borja, o Saicã, localizado no município de Rosário do Sul-RS.

4 O Aproveitamento do Êxito, em particular, ocorreu somente por meio do planejamento na carta, realizado previamente à ida para Saicã, por todas as organizações militares da 6ª Bda Inf Bld.

5 A RCS (Radar Cross Section) ou Seção Reta Radar é a medida de capacidade de um objeto refletir o sinal do radar de volta para a antena.

6 Materiais stealth são classificados como furtivos, desenvolvidos para reduzir ao máximo a detecção pelos radares, seja pelo formato (design), pelos materiais que o compõe (absorvedores) ou pela combinação de ambos.

7 Processo no qual o operador pisa no pedal de acompanhamento ótico e leva o periscópio até o alvo, agindo no anel de designação e realizando a apreensão da ameaça, fazendo com que a torre acompanhe o vetor aéreo de forma automática.

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