sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

MARSUP: Marinha e SIATT avançam para dotar a Aviação Naval com míssil antinavio nacional

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A soberania se constrói com decisões estratégicas e continuidade de projetos. Nesse contexto, a Marinha do Brasil e a SIATT deram um passo relevante ao assinarem em 23 de fevereiro, um Protocolo de Intenções para a realização de estudos voltados ao desenvolvimento do MARSUP, o futuro míssil ar-superfície antinavio nacional.

O acordo foi formalizado na Diretoria de Sistemas de Armas da Marinha, no Rio de Janeiro, consolidando a intenção de avaliar a adaptação da tecnologia já dominada no MANSUP para emprego a partir de aeronaves subordinadas ao Comando da Força Aeronaval. A iniciativa representa a evolução natural de uma capacidade estratégica construída ao longo de anos, preservando conhecimento crítico e ampliando o leque operacional do Poder Naval.

O MANSUP já posicionou o Brasil entre as nações capazes de projetar e produzir mísseis antinavio contemporâneos, compatíveis com meios modernos como as fragatas da Classe Tamandaré. A proposta agora é expandir essa base tecnológica para uma versão lançada por vetores aéreos, agregando flexibilidade tática e reforçando a capacidade de dissuasão.

Em termos estratégicos, a integração entre meios de superfície e plataformas aéreas multiplica a capacidade de emprego e amplia o alcance da negação do uso do mar. Mais do que um novo armamento, o MARSUP simboliza a consolidação de uma família de mísseis nacionais, desenvolvida com elevado conteúdo tecnológico e protagonismo da indústria brasileira.

A SIATT, certificada como Empresa Estratégica de Defesa, reafirma com o acordo sua posição no desenvolvimento de sistemas complexos voltados à soberania. A cooperação com a Marinha evidencia maturidade tecnológica e demonstra que o País possui competência para evoluir capacidades críticas sem dependência externa.

Em um cenário internacional cada vez mais competitivo, dominar tecnologias sensíveis não é apenas uma vantagem operacional, mas um imperativo estratégico. O avanço do MARSUP sinaliza que o Brasil segue investindo na consolidação de sua Base Industrial de Defesa e no fortalecimento de seu Poder Naval com soluções concebidas e desenvolvidas no próprio País.


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F-16 turco cai após decolagem em missão de interceptação

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Novos detalhes vieram a público sobre a queda do F-16 da Força Aérea Turca, ocorrida logo após a decolagem da 9ª Base Aérea de Balıkesir. A aeronave participava de uma missão de “scramble” (decolagem de alerta imediato), destinada a interceptar um sinal de radar não identificado detectado próximo à fronteira com a Bulgária. O piloto, major İbrahim Bolat, não sobreviveu ao acidente.

Segundo informações preliminares divulgadas por meios especializados turcos, dois F-16 foram acionados sob coordenação do Centro de Operações Aéreas Combinadas em Eskişehir para realizar missão de Identificação Visual (VR) de um contato radar considerado suspeito. O procedimento integra o sistema permanente de Alerta e Reação da Força Aérea, que mantém aeronaves em prontidão 24 horas por dia, com capacidade de decolagem em poucos minutos após a ordem.

Missões de “scramble” e ambiente operacional

Missões de "scramble" são parte essencial da defesa aérea de países membros da OTAN e de Estados situados em regiões de elevada fricção estratégica. Na Türkiye, esse protocolo tornou-se particularmente frequente diante das tensões recorrentes no Mar Egeu com a Grécia, da instabilidade ao sul, na fronteira com a Síria, e do aumento de sinais radar não identificados, muitas vezes associados a drones, balões meteorológicos ou interferências atmosféricas.

O F-16 Block 50 é uma das versões mais modernas do caça em operação na Türkiye, equipada com radar avançado, sistemas de guerra eletrônica aprimorados e capacidade ampliada de emprego ar-ar e ar-solo. A frota constitui o principal vetor de defesa aérea do país enquanto se desenvolvem programas de modernização e transição tecnológica.

O acidente e hipóteses preliminares

Relatos indicam que a aeronave caiu poucos minutos após a decolagem. Embora a investigação oficial ainda esteja em curso, especula-se que fatores como falha técnica ou altitude insuficiente no momento da ejeção possam ter influenciado o desfecho. Em acidentes desse perfil, o tempo entre a decolagem e o evento crítico é variável determinante para a eficácia do sistema de escape.

Autoridades militares turcas deverão apurar dados de telemetria, gravações de voz da cabine, parâmetros de motor e condições meteorológicas para determinar a cadeia de eventos que levou à queda. Em aviação militar, especialmente em missões de reação imediata, o envelope de voo inicial é fase de alta carga operacional e risco elevado.

Dimensão estratégica

O episódio ocorre em um momento de sensível atividade aérea na região do Mar Negro e do Leste Europeu. A proximidade com a Bulgária, país integrante da OTAN, acrescenta elemento de complexidade geopolítica, ainda que não haja indicação de violação confirmada de espaço aéreo aliado.

Para a Türkiye, potência regional com posição estratégica entre Europa, Ásia e Oriente Médio, a manutenção de prontidão aérea contínua é componente central de sua doutrina de defesa. A multiplicação de contatos radar não identificados, fenômeno observado em diversas regiões do mundo, reflete um ambiente aéreo mais congestionado e tecnologicamente diversificado, com drones e plataformas autônomas desempenhando papel crescente.

Investigação e impacto institucional

A Força Aérea Turca conduz investigação formal para esclarecer as causas do acidente. Em termos institucionais, a perda de um piloto experiente representa impacto operacional e simbólico significativo, especialmente em esquadrões de alta prontidão.

Historicamente, forças aéreas que operam em regime intensivo de alerta mantêm protocolos rigorosos de revisão técnica e avaliação de segurança após incidentes, visando preservar a confiança operacional e a eficácia do sistema de defesa aérea.

A queda do F-16 Block 50 em missão de scramble evidencia o grau de exigência imposto às forças aéreas em contextos de vigilância permanente. Em ambientes estratégicos voláteis, a prontidão é essencial, mas carrega riscos inerentes.

O esclarecimento técnico do acidente será decisivo não apenas para determinar responsabilidades, mas para ajustar procedimentos e mitigar vulnerabilidades. Em uma era marcada por competição aérea ampliada e presença crescente de plataformas não tripuladas, a defesa do espaço aéreo tornou-se atividade de alta frequência e alta complexidade, onde segundos fazem a diferença entre interceptação bem-sucedida e tragédia.


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Paquistão bombardeia Cabul e amplia risco de guerra aberta com o Afeganistão

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Uma nova e significativa escalada militar marcou a fronteira entre Paquistão e Afeganistão nesta sexta-feira (27). Segundo relatos divulgados pela imprensa internacional, incluindo o The Telegraph, forças paquistanesas realizaram bombardeios que atingiram Cabul e outras províncias afegãs, poucas horas após confrontos diretos na linha de fronteira.

A ofensiva ocorre em um contexto de deterioração progressiva das relações bilaterais, apesar do acordo de cessar-fogo mediado pelo Catar em 2025. O episódio representa a mais intensa troca de ações militares desde então.

Sequência de ataques e versões divergentes

De acordo com autoridades paquistanesas, a operação atingiu alvos em Cabul, Paktia e Kandahar. O ministro federal da Informação e Radiodifusão do Paquistão, Attaullah Tarar, afirmou que os bombardeios teriam resultado na morte de 133 integrantes do Talibã afegão e deixado mais de 200 feridos.

O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, declarou que as forças armadas do país poderiam “esmagar” os agressores, enquanto o ministro da Defesa mencionou a possibilidade de “guerra aberta”.

Do lado afegão, o Ministério da Defesa informou que 55 soldados paquistaneses teriam sido mortos em confrontos na fronteira na noite anterior, além de relatar baixas entre suas próprias tropas. Cabul também reivindicou a destruição de 19 postos militares paquistaneses e duas bases antes da ofensiva aérea mais ampla.

As versões permanecem conflitantes, tanto quanto ao número de vítimas quanto à natureza dos alvos atingidos, um padrão recorrente em confrontos de fronteira com forte carga política.

Contexto: acusações cruzadas e insurgência

Islamabad sustenta que os bombardeios são resposta a atentados suicidas recentes em território paquistanês, atribuídos a combatentes que operariam a partir do Afeganistão. O Ministério da Defesa do Paquistão afirmou possuir “provas conclusivas” de que ações terroristas foram conduzidas pelo Talibã paquistanês sob orientação de lideranças baseadas em solo afegão.

O governo afegão, controlado pelo Talibã, rejeita as acusações e classifica os ataques paquistaneses como violações de soberania.

A tensão entre Islamabad e Cabul não é nova. A linha Durand, fronteira traçada no período colonial britânico, permanece sensível e historicamente contestada. Desde a retomada do poder pelo Talibã em 2021, o Paquistão tem pressionado por maior controle sobre grupos insurgentes que atuam em sua região noroeste, especialmente o Tehrik-i-Taliban Pakistan (TTP), organização distinta do Talibã afegão, mas ideologicamente alinhada.

Análise do GBN: risco de conflito ampliado

Do ponto de vista estratégico, a escalada apresenta três vetores de risco:

O primeiro é militar. Bombardeios sobre a capital afegã elevam o nível simbólico e operacional do confronto. Mesmo que os ataques tenham sido direcionados a alvos específicos, o impacto político de atingir Cabul altera o patamar da crise.

O segundo é político. O cessar-fogo mediado pelo Catar em 2025 tinha como objetivo reduzir a frequência de confrontos transfronteiriços e criar mecanismos de coordenação. A retomada de ações de alta intensidade fragiliza esse arranjo e sinaliza perda de confiança mútua.

O terceiro é regional. Paquistão é potência nuclear e ator central no equilíbrio do Sul da Ásia. Uma escalada prolongada pode gerar instabilidade em uma região já pressionada por dinâmicas complexas envolvendo Índia, Irã e Ásia Central.

Além disso, o momento escolhido, às vésperas do Ramadã, amplia o impacto simbólico da ofensiva e tende a influenciar a narrativa interna de ambos os governos.

Ainda é prematuro classificar os eventos como prelúdio de guerra convencional entre os dois países. Historicamente, episódios de alta intensidade foram seguidos por negociações indiretas e restauração de canais militares.

Contudo, a combinação de retórica dura, bombardeios em profundidade e acusações formais de patrocínio ao terrorismo indica que o atual ciclo de violência ultrapassa o padrão rotineiro de escaramuças fronteiriças.

A evolução do quadro dependerá da capacidade de mediação internacional e da disposição de Islamabad e Cabul em restabelecer mecanismos de coordenação de segurança.

O episódio reforça uma realidade estrutural: a fronteira afegã-paquistanesa permanece como uma das zonas mais voláteis do sistema internacional contemporâneo, onde insurgência, soberania e competição estratégica se sobrepõem de forma persistente.


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com The Telegraph

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Drone russo se aproxima do porta-aviões Charles de Gaulle no Báltico e eleva tensão

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A aproximação de um drone atribuído à Rússia ao porta-aviões francês Charles de Gaulle em águas territoriais suecas, reacendeu o debate sobre a escalada híbrida, vigilância militar e dissuasão no Mar Báltico. A informação foi divulgada pela emissora Sveriges Television, com base em declarações das Forças Armadas da Suécia e do ministro da Defesa, Pål Jonson.

Segundo autoridades suecas, o drone teria violado o espaço aéreo no momento em que um navio russo era avistado no Estreito de Öresund. As Forças Armadas empregaram contramedidas eletrônicas para interferir nos sinais da aeronave não tripulada. O ministro sueco declarou ser “provável” que o equipamento pertencesse à Rússia.

O episódio ocorreu nos primeiros dias do destacamento do grupo aeronaval francês no Báltico, onde o Charles de Gaulle participa de uma série de exercícios da OTAN, incluindo a missão "Baltic Sentry", voltada à proteção de infraestruturas submarinas críticas, e os exercícios "Steadfast Dart", "Neptune Strike" e "Cold Response".

O significado estratégico do alvo

O Charles de Gaulle não é apenas um navio de guerra. Trata-se do único porta-aviões de propulsão nuclear da Europa e do capitânia da Marinha Francesa. Com 262 metros de comprimento, cerca de 42 mil toneladas de deslocamento e capacidade para operar até 40 aeronaves, incluindo caças Rafale-M, o navio simboliza projeção de poder, autonomia estratégica e capacidade expedicionária europeia.

A aproximação do drone a esse tipo de ativo não pode ser interpretada como evento trivial. Em termos militares, drones próximos a plataformas navais podem cumprir funções de reconhecimento eletrônico, coleta de sinais (SIGINT), mapeamento de emissões radar e avaliação de protocolos de reação.

Em contextos de disputa estratégica, esse tipo de ação integra o que analistas de defesa definem como “zona cinzenta”: atividades abaixo do limiar do conflito armado aberto, mas destinadas a testar limites, coletar inteligência e sinalizar presença.

Báltico: um teatro sensível

Desde a sabotagem dos gasodutos Nord Stream e os recentes danos a cabos submarinos no Mar Báltico, episódios ainda cercados de investigações e suspeitas, a região tornou-se um dos pontos mais sensíveis da arquitetura de segurança europeia.

A adesão formal da Suécia à OTAN em 2024 alterou significativamente o equilíbrio estratégico regional, ampliando a presença da Aliança no entorno do enclave russo de Kaliningrado e restringindo a liberdade de manobra naval russa no Báltico.

Nesse contexto, a missão "Baltic Sentry" busca reforçar vigilância e dissuasão sobre infraestruturas críticas subaquáticas, cabos de telecomunicação e energia que sustentam economias digitais e sistemas energéticos europeus.

A aproximação de um drone a um grupo aeronaval da OTAN durante esse ciclo de exercícios insere-se em uma dinâmica mais ampla de monitoramento recíproco entre Moscou e a Aliança.

Guerra eletrônica e resposta calibrada

As Forças Armadas suecas informaram ter empregado contramedidas eletrônicas contra o drone. A utilização de guerra eletrônica, interferência ou bloqueio de sinais de controle e navegação, é compatível com protocolos de defesa aérea em tempos de paz reforçada.

Segundo o jornal britânico The Telegraph, o drone pode ter caído no mar após interferência ou retornado ao navio de origem. A ausência de confirmação definitiva reforça a característica ambígua desse tipo de incidente.

Importante observar que a resposta sueca foi proporcional e não cinética, o que indica intenção de evitar escalada. Em ambientes de alta tensão, a gestão do incidente é tão estratégica quanto o próprio evento.

Padrão recorrente

Não é a primeira vez que drones atribuídos à Rússia aparecem próximos a ativos da OTAN. Registros anteriores indicam violações ou atividades suspeitas em espaços aéreos da Dinamarca, Bélgica, Holanda e Alemanha.

A literatura estratégica contemporânea aponta que veículos não tripulados oferecem baixo custo político e operacional para missões de sondagem. Permitem testar reações, mapear sistemas e enviar sinais geopolíticos sem recorrer a meios tripulados que poderiam gerar crise diplomática imediata.

Análise: sinalização estratégica e teste de prontidão

Do ponto de vista de Estado-Maior, três dimensões merecem atenção:

A primeira é operacional. A aproximação sugere interesse em coletar assinaturas eletromagnéticas e padrões de defesa do grupo aeronaval francês. Em um eventual cenário de conflito, esse tipo de dado reduz incertezas.

A segunda é política. A presença de um ativo russo nas proximidades, simultaneamente à atuação de um navio militar no Öresund, constitui sinalização deliberada. Moscou demonstra capacidade de monitorar e acompanhar movimentos da OTAN mesmo em áreas ampliadas após a entrada sueca na Aliança.

A terceira é estratégica. O Báltico tornou-se espaço de competição permanente. A multiplicação de exercícios aliados e a intensificação da vigilância russa indicam um ambiente de dissuasão dinâmica, no qual incidentes controlados funcionam como instrumentos de pressão.

A resposta coordenada entre Suécia e Dinamarca, mencionada pelo ministro da Defesa sueco, reforça a integração operacional nórdica no contexto da OTAN.

O episódio envolvendo o Charles de Gaulle não configura, por si, ruptura estratégica. Mas ilustra um padrão consistente de fricção controlada no Norte da Europa.

Em um cenário internacional marcado por guerra na Ucrânia, reconfiguração de alianças e disputas por infraestruturas críticas, drones tornam-se instrumentos centrais da competição entre potências.

Mais do que um incidente isolado, trata-se de um indicador do ambiente de segurança contemporâneo: vigilância constante, respostas calibradas e disputas tecnológicas abaixo do limiar do conflito aberto.

O Báltico consolida-se, assim, como laboratório estratégico da nova era de dissuasão híbrida europeia.


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Saab amplia contrato de manutenção de radares meteorológicos em Santa Catarina

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A Saab Brasil venceu a licitação para prestação de serviços de manutenção dos radares meteorológicos da Defesa Civil de Santa Catarina, ampliando sua atuação no estado com a inclusão da unidade de Joinville. O contrato reforça o suporte técnico aos sistemas já atendidos em Chapecó, Lontras e Araranguá, consolidando a presença da empresa na infraestrutura crítica de monitoramento climático catarinense.

Com prazo inicial de 24 meses e possibilidade de prorrogação por até dez anos, o acordo contempla manutenção preditiva, preventiva e corretiva dos equipamentos. O objetivo é assegurar alta disponibilidade operacional, confiabilidade dos dados e conformidade com padrões internacionais de gestão de infraestrutura crítica.

Segundo Ana Paula Cordeiro, vice-presidente de Desenvolvimento de Negócios e Vendas para a América Latina da empresa, a operação contínua de sistemas dessa natureza vai além de indicadores técnicos. Trata-se de garantir capacidade de resposta rápida e decisões baseadas em dados confiáveis, especialmente diante do aumento de eventos extremos associados às mudanças climáticas.

Alta disponibilidade e resposta rápida

De acordo com dados da companhia, os contratos atuais de manutenção de radares apresentam índice superior a 98% de disponibilidade operacional. Esse desempenho é sustentado por manutenção preventiva semestral, ações corretivas sob demanda, monitoramento remoto 24 horas por dia, sete dias por semana, além de gestão estratégica de peças de reposição.

O acordo prevê ainda níveis rigorosos de serviço: resposta técnica em até quatro horas, diagnóstico da causa raiz em até 24 horas e solução do problema em até 72 horas após o acionamento.

Em um estado como Santa Catarina, frequentemente impactado por enchentes, deslizamentos e tempestades severas, a confiabilidade dos radares meteorológicos é componente essencial da política de proteção e defesa civil. A antecipação de eventos climáticos depende diretamente da precisão e continuidade desses sistemas.

Presença nacional

Além de Santa Catarina, a Saab Brasil mantém contratos de manutenção em outros estados. Em São Paulo, atua junto à Fundação Centro Tecnológico de Hidráulica, enquanto em Pernambuco presta serviços para a Agência Pernambucana de Águas e Clima.

A atuação em diferentes regiões demonstra padronização de processos e aplicação de protocolos técnicos alinhados a práticas internacionais. Para a empresa, a consolidação desses contratos reforça a experiência acumulada e a capacidade de modernizar a infraestrutura meteorológica nacional.

Infraestrutura crítica e adaptação climática

A ampliação do contrato em Santa Catarina ocorre em um contexto de crescente pressão sobre sistemas de monitoramento ambiental. Eventos extremos tornaram-se mais frequentes e intensos, exigindo capacidade de previsão mais refinada e respostas institucionais mais rápidas.

Radares meteorológicos não são apenas equipamentos técnicos. São ativos estratégicos que sustentam políticas públicas de prevenção de desastres, planejamento urbano, gestão de recursos hídricos e proteção de comunidades vulneráveis.

Ao garantir níveis elevados de disponibilidade e resposta técnica ágil, contratos desse perfil contribuem para reduzir riscos humanos e econômicos. Também evidenciam uma tendência de profissionalização da gestão de infraestrutura crítica, com metas claras de desempenho e compromissos de longo prazo.

Para o setor de defesa e segurança, a manutenção de sistemas meteorológicos integra um ecossistema mais amplo de monitoramento e proteção territorial. Em um cenário de mudanças climáticas e aumento de eventos severos, investir na confiabilidade desses sistemas é investir diretamente em resiliência e segurança pública.


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Missões aeromédicas conectam Brasil ao Oriente Médio e à África e reforçam presença global da Brasil Vida

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O início de 2026 foi marcado por uma série de missões aeromédicas internacionais que ligaram o Brasil ao Oriente Médio e ao sul da África. As operações, realizadas pela Brasil Vida Táxi Aéreo, envolveram transporte de pacientes em nível de UTI aérea, coordenação logística multinacional e integração entre equipes médicas e operadores estrangeiros.

Com bases fixas em estados como São Paulo, Goiás, Pará, Tocantins, Bahia e Amazonas, a empresa vem ampliando sua atuação além das fronteiras nacionais, consolidando presença no mercado global de assistência aeromédica de alta complexidade.

Repatriação do Egito

Nos primeiros dias do ano, uma equipe médica deslocou-se de Goiânia para repatriar um paciente brasileiro de 20 anos que apresentou quadro psiquiátrico de urgência durante estadia no Egito. O transporte foi realizado em voo monitorado, com avaliações periódicas do nível de consciência, monitorização contínua de sinais vitais e acompanhamento do plano terapêutico estabelecido.

De acordo com o médico Pedro Gontijo, que participou da missão, o paciente permaneceu estável durante todo o trajeto, sem agravamento comportamental e sem necessidade de contenção física ou química. Ao chegar ao Brasil, foi transferido de forma segura para unidade especializada, garantindo a continuidade do tratamento.

Operação para a África do Sul

Poucos dias depois, em 13 de janeiro, a empresa realizou nova missão intercontinental, desta vez no sentido inverso: o transporte de uma paciente de 62 anos de São Paulo para Joanesburgo, na África do Sul.

A paciente apresentava quadro clínico fragilizado, com complicações infecciosas associadas a lesão por pressão avançada e comprometimento nutricional. O traslado exigiu estrutura de UTI aérea, com suporte intensivo durante todo o voo.

Segundo Frederico Auad, coordenador do departamento internacional da empresa, operações desse porte exigem planejamento detalhado de autonomia da aeronave, autorizações internacionais, articulação hospitalar e adaptação do cuidado ao ambiente aeromédico prolongado. A paciente foi entregue à equipe médica de destino com estabilidade clínica, assegurando a continuidade do tratamento em seu país de origem.

Ampliação das operações

Em fevereiro, a operadora realizou ainda a transferência de um paciente do Suriname para a Colômbia, ampliando a sequência de operações internacionais. Em 2025, foram cerca de 25 missões desse tipo, indicando crescimento consistente da demanda por transporte aeromédico de longa distância.

De acordo com o coordenador aeromédico Gilberto Junior, voos intercontinentais desse perfil exigem integração total entre tripulação, equipe médica, operadores internacionais e unidades hospitalares envolvidas. Além da logística, há a necessidade de adaptação do cuidado intensivo ao ambiente aeronáutico, com monitorização permanente e capacidade de resposta imediata a intercorrências clínicas.

Inserção em redes globais

A atuação internacional da Brasil Vida é respaldada por certificações e alianças estratégicas. A empresa integra a rede do International Assistance Group, aliança mundial formada por cerca de 140 empresas independentes de assistência, selecionadas com base em critérios técnicos e operacionais rigorosos.

É a única operadora de UTI aérea da América do Sul a compor essa rede, que oferece suporte a milhões de usuários no mundo. O IAG conecta prestadores locais para respostas rápidas e soluções globais em emergências, facilitando autorizações, suporte em solo e continuidade do cuidado em diferentes países.

A companhia também é membro da The Air Charter Association, entidade internacional que reúne operadores certificados comprometidos com padrões elevados de segurança, conformidade regulatória e boas práticas na aviação executiva e de táxi aéreo.

Análise: o Brasil no mapa da UTI aérea global

As missões realizadas no início de 2026 evidenciam uma tendência clara: o transporte aeromédico deixou de ser um serviço regional para se tornar uma atividade globalizada, dependente de coordenação internacional, protocolos clínicos padronizados e alta capacidade logística.

Ao operar rotas que conectam América do Sul, África e Oriente Médio, a Brasil Vida se posiciona em um segmento de alto valor agregado, no qual segurança operacional, qualificação médica e confiabilidade institucional são determinantes.

Para o Brasil, a consolidação de empresas nacionais em redes globais de assistência amplia a presença do país em um mercado estratégico, que combina saúde, aviação e serviços internacionais. Em um cenário de mobilidade crescente e turismo internacional, a demanda por repatriações e transferências médicas complexas tende a se manter elevada.

Mais do que voos de longa distância, as operações demonstram capacidade técnica e integração global, fatores que definem competitividade em um setor onde tempo de resposta e excelência clínica são variáveis críticas.


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com Godoi Comunicação

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Brasil destaca protagonismo feminino em seminário da Junta Interamericana de Defesa sobre paz e segurança

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O Brasil participou, nesta quarta-feira (25), do Seminário “Mulheres, Paz e Segurança”, promovido pela Junta Interamericana de Defesa, organismo vinculado à Organização dos Estados Americanos que atua na cooperação em segurança e defesa entre os países das Américas. A Representação do Brasil no colegiado é ligada ao Ministério da Defesa.

O evento reuniu autoridades civis e militares de países como Canadá, Chile, Colômbia, Equador, Estados Unidos, Haiti, México, Panamá e Peru para discutir o papel das mulheres na construção da paz e na segurança internacional.

A participação brasileira contou com a Tenente-Coronel Ivana Mara Ferreira Costa, chefe da Seção de Acompanhamento de Missões de Paz do Exército Brasileiro. No painel “Mulheres como Construtoras da Paz em Contextos de Deslocamento Operacional na Guerra e na Paz”, a oficial abordou a presença feminina em cenários de conflito e destacou que o protagonismo das mulheres não é um fenômeno recente.

Segundo ela, ao longo da história, mulheres atuaram como combatentes, integraram movimentos de resistência, exerceram funções estratégicas e de inteligência, lideraram forças, além de desempenharem papéis médicos e logísticos. O que mudou, afirmou, foi o reconhecimento institucional dessa presença.

Um marco na agenda internacional

A Tenente-Coronel destacou a importância da Resolução 1.325/2000 do Conselho de Segurança da ONU como ponto de inflexão. A norma estabeleceu a agenda “Mulheres, Paz e Segurança”, estruturada em quatro pilares: participação, proteção, prevenção e recuperação.

O primeiro pilar trata da presença plena e igualitária de mulheres nos processos decisórios — da negociação de acordos de paz à liderança militar e diplomática. O segundo busca garantir proteção contra violência sexual e de gênero em contextos de conflito.

Para a oficial, esses dois eixos exigem atenção permanente. Sem participação efetiva, a proteção tende a ser apenas reativa. Sem prevenção estruturada, a resposta ocorre apenas após a eclosão da violência.

Os outros dois pilares envolvem a incorporação da perspectiva de gênero na análise de riscos e prevenção de conflitos, além da inclusão das necessidades e da liderança feminina nos processos de reconstrução pós-conflito.

Evidências e impacto estratégico

Com experiência como Especialista em Prevenção à Exploração e Abuso Sexual em missões da ONU, Ivana Mara ressaltou dados que reforçam o argumento estratégico da inclusão. Estudos indicam que a participação significativa de mulheres eleva em 35% a probabilidade de que acordos de paz durem mais de 15 anos.

Um dos exemplos mencionados foi o processo de paz na Colômbia com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, frequentemente citado como caso emblemático de inclusão feminina nas negociações.

inclusão como vetor de estabilidade

O debate promovido pela Junta Interamericana de Defesa evidencia uma mudança gradual na compreensão de segurança internacional. A inclusão feminina deixou de ser tratada apenas como pauta de equidade e passou a ser considerada variável estratégica para estabilidade de longo prazo.

Ao inserir a discussão em um fórum hemisférico de defesa, o tema ganha densidade institucional. Segurança contemporânea envolve dimensões militares, sociais e humanitárias interligadas. Ignorar metade da população em processos decisórios significa reduzir a eficácia das políticas adotadas.

Para o Brasil, a participação no seminário reforça a inserção do país em agendas multilaterais alinhadas às diretrizes da ONU e amplia o debate interno sobre a presença feminina em missões de paz e estruturas estratégicas.

A mensagem central do encontro é clara: mulheres não ocupam papel periférico na arquitetura da paz. São agentes estruturais de estabilidade. Em um cenário global marcado por conflitos complexos e crises humanitárias prolongadas, a construção de segurança sustentável passa, necessariamente, por instituições que reflitam a diversidade da sociedade que representam.


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Defesa detalha Termo de Licitação Especial e reforça agenda estratégica para a indústria nacional

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O Ministério da Defesa colocou no centro do debate um dos instrumentos mais relevantes para o fortalecimento da Base Industrial de Defesa (BID): o Termo de Licitação Especial (TLE). O tema foi apresentado durante a Reunião Plenária da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança, realizada em São Paulo, com a presença de representantes do governo, da indústria e de entidades setoriais.

Representando o Ministério, a Secretaria de Produtos de Defesa (SEPROD) participou do encontro com uma exposição conduzida pelo secretário Heraldo Luiz Rodrigues. Além de detalhar o funcionamento do TLE nas compras governamentais, ele abordou os impactos da Reforma Tributária para o setor de defesa e segurança, dois temas que hoje influenciam diretamente a competitividade e a previsibilidade da indústria nacional.

Segundo o secretário, o encontro foi estratégico por permitir diálogo direto com a liderança da associação, com o Sindicato Nacional das Indústrias de Materiais de Defesa e com empresas integrantes da cadeia produtiva. Mais do que uma agenda institucional, a reunião serviu para alinhar expectativas, esclarecer instrumentos legais e reforçar o papel da política de defesa como indutora de desenvolvimento industrial.

O que é o Termo de Licitação Especial

O Termo de Licitação Especial foi instituído pelo Decreto nº 7.970/2013, que regulamenta a Lei nº 12.598/2012. A legislação estabelece regras diferenciadas para compras e contratações de produtos e sistemas estratégicos de defesa.

Na prática, o TLE permite que aquisições governamentais do setor considerem critérios que vão além do menor preço. Entram na equação aspectos como transferência de tecnologia, fortalecimento da cadeia produtiva nacional, autonomia estratégica e continuidade de fornecimento.

Esse modelo reconhece uma característica central do setor de defesa: trata-se de um mercado sensível, de alto conteúdo tecnológico e com forte impacto sobre soberania nacional. Aplicar a mesma lógica de compras públicas usada para bens comuns pode comprometer capacidades estratégicas de longo prazo.

O que isso representa para a Base Industrial de Defesa

A discussão do TLE em um fórum da indústria não é apenas técnica, é estratégica. O instrumento sinaliza previsibilidade regulatória e reforça a ideia de que o Estado brasileiro enxerga a defesa como política industrial estruturante.

Ao permitir critérios estratégicos nas contratações, o TLE cria condições para:

• estimular o desenvolvimento tecnológico nacional
• reduzir dependências externas em áreas sensíveis
• ampliar o conteúdo local em projetos estratégicos
• fortalecer empresas classificadas como estratégicas de defesa

Em um ambiente global marcado por disputas geopolíticas, restrições tecnológicas e reorganização de cadeias produtivas, a autonomia deixou de ser discurso e passou a ser variável econômica concreta.

Reforma Tributária: variável crítica

A apresentação também abordou os impactos da Reforma Tributária no setor. Embora o novo modelo busque simplificação e racionalização, a indústria de defesa opera com ciclos longos de desenvolvimento, contratos complexos e forte integração com compras governamentais.

Qualquer alteração no regime fiscal pode influenciar margens, competitividade internacional e capacidade de investimento em inovação. Ao trazer o tema para debate direto com o setor, o Ministério sinaliza preocupação em mitigar efeitos adversos e preservar a sustentabilidade da BID.

Defesa como política de Estado

A movimentação do Ministério da Defesa indica um esforço de consolidação da defesa como política de Estado, e não apenas como agenda militar. O TLE funciona como ferramenta de política industrial, aproximando compras públicas de uma lógica estratégica de desenvolvimento.

Países que consolidaram bases industriais robustas em defesa como Estados Unidos, França, Coreia do Sul e Israel, utilizaram mecanismos semelhantes para proteger tecnologias críticas e garantir escala às suas empresas.

No caso brasileiro, o desafio é duplo: Primeiro, assegurar continuidade orçamentária e previsibilidade contratual, evitando descontinuidades que fragilizam empresas intensivas em tecnologia.

Segundo, equilibrar competitividade e soberania, garantindo que a indústria nacional evolua tecnologicamente e participe de cadeias globais sem perder autonomia em áreas sensíveis.

Ao levar o debate do TLE para a plenária da ABIMDE, o Ministério da Defesa reforça a mensagem de que a Base Industrial de Defesa é parte integrante da estratégia de desenvolvimento do país. Mais do que uma ferramenta jurídica, o Termo de Licitação Especial é um sinal de que compras públicas podem e devem funcionar como instrumento de construção de capacidades nacionais.

O avanço dessa agenda dependerá agora da articulação entre governo, indústria e Congresso, especialmente no contexto de ajustes fiscais e reorganização tributária. Se bem conduzido, o TLE pode consolidar um ciclo virtuoso de inovação, geração de empregos qualificados e fortalecimento da soberania tecnológica brasileira.


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Brasil e Coreia do Sul ampliam cooperação espacial e reforçam papel estratégico de Alcântara

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A cooperação espacial entre Brasil e Coreia do Sul entrou em uma nova fase. Durante o Fórum Empresarial Brasil–Coreia do Sul, realizado em Seul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou o interesse em ampliar parcerias comerciais e tecnológicas com o país asiático, incluindo o setor aeroespacial, área em que os sul-coreanos vêm consolidando avanços consistentes nos últimos anos.

O movimento não é isolado. A Agência Espacial Brasileira mantém cooperação crescente com instituições e empresas da República da Coreia, com iniciativas que vêm ganhando densidade operacional e relevância estratégica. Um dos principais eixos dessa parceria envolve a atuação da empresa sul-coreana Innospace no Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão.

Em 2023, a cooperação resultou no lançamento bem-sucedido do veículo suborbital Hanbit-TLV, durante a Operação Astrolábio. O episódio representou mais do que um teste tecnológico. Foi um marco para a inserção do Brasil no mercado internacional de lançamentos comerciais e um passo concreto na consolidação de Alcântara como ativo estratégico global, explorando sua posição geográfica privilegiada próxima à linha do Equador.

Mais recentemente, a tentativa de lançamento do veículo Hanbit-Nano, no âmbito da Operação Spaceward, reforçou a continuidade das atividades conjuntas. Ainda que desafios técnicos façam parte da indústria espacial, o processo evidencia maturidade institucional, persistência tecnológica e interesse mútuo em ampliar capacidades de acesso ao espaço.

A declaração do presidente brasileiro durante o fórum empresarial aponta para um horizonte mais ambicioso. Além de lançamentos comerciais, a cooperação pode avançar para o compartilhamento de dados satelitais e projetos de exploração lunar. Trata-se de um salto qualitativo que posiciona o Brasil não apenas como plataforma de lançamento, mas como parceiro em iniciativas científicas e tecnológicas de maior complexidade.

A Coreia do Sul investe de forma consistente no fortalecimento de sua indústria espacial, combinando apoio estatal, inovação privada e estratégia de longo prazo. Ao aproximar-se desse ecossistema, o Brasil amplia oportunidades de transferência tecnológica, diversificação de parceiros e integração a cadeias globais de alto valor agregado.

Do ponto de vista estratégico, o avanço dessa cooperação reforça três dimensões centrais. A primeira é econômica. O mercado global de lançamentos e serviços espaciais cresce impulsionado por satélites de comunicação, monitoramento ambiental, defesa e conectividade. Inserir Alcântara nesse fluxo significa atrair investimentos, gerar receitas e desenvolver competências industriais locais.

A segunda é tecnológica. O setor espacial funciona como catalisador de inovação em áreas como materiais avançados, sistemas embarcados, comunicações seguras e propulsão. Parcerias internacionais estruturadas permitem acelerar aprendizado e ampliar a base de conhecimento nacional.

A terceira dimensão é geopolítica. Em um cenário de crescente competição por acesso ao espaço e por controle de dados estratégicos, ampliar alianças tecnológicas fortalece a autonomia nacional. O espaço deixou de ser apenas um ambiente científico e tornou-se domínio essencial para soberania, defesa e desenvolvimento econômico.

A cooperação entre Brasil e Coreia do Sul, portanto, vai além de um acordo pontual. Ela se insere em uma estratégia mais ampla de posicionamento internacional do país no setor espacial. Alcântara, por sua vez, consolida-se como eixo central dessa agenda, combinando vantagem geográfica, infraestrutura instalada e crescente interesse estrangeiro.

Se bem estruturada, essa aproximação pode representar um divisor de águas para o programa espacial brasileiro, transformando o país de ator periférico em participante relevante de um mercado que redefine cadeias tecnológicas e relações de poder no século XXI.


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ABDI e FIESC lançam edital de R$ 150 mil para integrar startups à Base Industrial de Defesa

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A inovação tecnológica voltou ao centro do debate estratégico nacional com a abertura do edital que destinará R$ 150 mil para premiar soluções desenvolvidas por startups brasileiras voltadas ao setor de Defesa. A iniciativa é fruto de parceria entre a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial e a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina, dentro do Projeto Extraordinário Complexo Industrial de Defesa e Segurança Pública.

O concurso, intitulado “Soluções de Startups para o Setor de Defesa”, tem como objetivo aproximar empresas emergentes da Base Industrial de Defesa e Segurança Pública e das Forças Armadas, estimulando o desenvolvimento de tecnologias estratégicas no país. A proposta dialoga diretamente com um dos desafios centrais da política industrial brasileira: reduzir dependências externas em áreas sensíveis e ampliar a autonomia tecnológica nacional.

O edital é direcionado exclusivamente a startups brasileiras formalmente constituídas, com soluções nas áreas de Veículos Remotamente Pilotados, Cibernética, Têxtil Técnico, Aeroespacial e Naval. São segmentos que concentram alto valor agregado, potencial de aplicação dual e relevância crescente tanto no ambiente militar quanto no mercado civil.

Ao todo, serão distribuídos dez prêmios de R$ 15 mil, contemplando as duas melhores propostas de cada categoria. Mais do que o valor financeiro, o diferencial está na vitrine estratégica oferecida às vencedoras. As startups premiadas participarão como expositoras no estande da ABDI durante a IV SC Expo Defense 2026, em Florianópolis, ampliando visibilidade junto a integradores, empresas consolidadas do setor e representantes das Forças Armadas.

Os critérios de avaliação reforçam o foco em maturidade tecnológica e aplicabilidade prática. As propostas serão analisadas com base em inovação, clareza, viabilidade técnico econômica, nível de prontidão tecnológica e, sobretudo, na capacidade de uso dual. Esse último ponto é especialmente relevante, pois tecnologias que atendem simultaneamente demandas militares e civis ampliam escala de mercado, reduzem custos e fortalecem a sustentabilidade industrial.

A iniciativa também evidencia um movimento mais amplo de integração entre política industrial e defesa. Ao estimular startups a ingressarem na Base Industrial de Defesa e Segurança Pública, o edital contribui para diversificar fornecedores, acelerar ciclos de inovação e fortalecer a cadeia produtiva nacional em áreas estratégicas.

Em um cenário internacional marcado por competição tecnológica crescente e reorganização das cadeias globais de suprimentos, iniciativas como essa ganham peso estratégico. O desenvolvimento de capacidades nacionais em VANTs, cibernética, sistemas aeroespaciais e plataformas navais não é apenas uma agenda de mercado, mas um componente de soberania.

As inscrições seguem até 19 de março por meio da Plataforma Prosas. Para o ecossistema de inovação, o edital representa oportunidade concreta de inserção em um setor historicamente concentrado em grandes grupos industriais. Para o país, sinaliza que defesa e desenvolvimento tecnológico caminham cada vez mais de forma integrada, com startups assumindo papel relevante na construção de uma base industrial mais robusta e competitiva.


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Resposta rápida às chuvas em Minas expõe papel central das Forças Armadas na proteção civil

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As imagens das chuvas que atingiram Juiz de Fora, Ubá e Matias Barbosa, em Minas Gerais, mais uma vez evidenciam uma realidade cada vez mais frequente no Brasil. Eventos climáticos extremos pressionam infraestruturas urbanas, isolam comunidades e exigem respostas rápidas do Estado. Diante desse cenário, o Ministério da Defesa mobilizou 423 militares das Forças Armadas, além de helicóptero e viaturas, em apoio ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.

A pronta resposta reforça um aspecto muitas vezes subestimado no debate público: o papel estratégico das Forças Armadas em ações subsidiárias de apoio à sociedade. Não se trata apenas de emprego em cenários de defesa externa, mas da capacidade de mobilização logística, engenharia e comando em situações críticas que demandam coordenação, rapidez e estrutura.

O Exército Brasileiro enviou 193 militares às áreas mais afetadas, atuando na desobstrução de vias e na construção de pontes provisórias, medidas essenciais para restabelecer o acesso a comunidades isoladas após danos à infraestrutura. A presença de caminhão tanque para abastecimento de água revela outro ponto central. Quando serviços públicos colapsam, a estrutura militar muitas vezes é a única com capacidade imediata de suprir demandas básicas e garantir estabilidade mínima à população.

Já a Marinha do Brasil mantém 230 militares da Força de Resposta Imediata a Desastres Ambientais, a Frida, em prontidão. Treinada para operar em áreas alagadas e regiões de difícil acesso, a tropa dispõe de veículos anfíbios, hospital de campanha e sistemas avançados de comunicação, ativos que, fora do contexto militar tradicional, tornam se ferramentas essenciais de proteção civil e apoio humanitário.

A Força Aérea Brasileira, por sua vez, garantiu mobilidade estratégica ao transportar autoridades federais até Minas Gerais, assegurando coordenação institucional no teatro da crise. O helicóptero do Exército colocado à disposição da Defesa Civil Nacional amplia a capacidade de monitoramento e resposta rápida, especialmente em áreas onde o acesso terrestre foi comprometido.

Essas operações estão amparadas pelo artigo 142 da Constituição Federal e pela Lei Complementar nº 97 de 1999, que autorizam o emprego das Forças Armadas em apoio a órgãos civis em situações de calamidade pública. Mais do que respaldo jurídico, o que está em jogo é capacidade real de execução. Em cenários de desastre, tempo e logística salvam vidas.

Eventos climáticos extremos tendem a se intensificar nos próximos anos. Enchentes, deslizamentos e colapsos de infraestrutura exigem meios de engenharia pesada, transporte aéreo, comunicações seguras e pessoal treinado para operar sob pressão. São capacidades orgânicas das Forças Armadas, desenvolvidas para cenários de alta complexidade e que, em situações como a de Minas Gerais, tornam se decisivas para restaurar acessos, organizar abrigos e garantir apoio logístico.

É justamente nesse ponto que o debate sobre investimento em defesa ganha contornos mais amplos. Recursos destinados à modernização de meios, manutenção de equipamentos e treinamento de pessoal não se restringem à preparação para conflitos convencionais. Eles sustentam uma estrutura que, em momentos de crise interna, atua como força de estabilização e apoio direto à população.

A mobilização em Minas Gerais ilustra como a capacidade militar é, na prática, um ativo nacional multifuncional. Engenharia, logística, mobilidade aérea e comando integrado não surgem de forma improvisada. São fruto de planejamento, orçamento consistente e preparo contínuo.

Num país de dimensões continentais e vulnerável a desastres naturais recorrentes, fortalecer as Forças Armadas significa também ampliar a capacidade do Estado de responder a emergências humanitárias com eficiência e escala. As ações subsidiárias deixam claro que defesa não é um conceito restrito à guerra. É também resiliência institucional, presença territorial e capacidade concreta de proteger a sociedade quando ela mais precisa.


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Índia e Brasil elevam a aposta na aviação regional

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O anúncio feito em 21 de fevereiro vai além da ampliação de um memorando de entendimento. A decisão da Adani Defence & Aerospace e da Embraer de estruturar uma linha de montagem final do Embraer E175 na Índia insere-se em uma equação estratégica que combina indústria, mercado e diplomacia econômica em um mesmo movimento.

A assinatura, realizada em Nova Délhi na presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro indiano Piyush Goyal, evidencia que o projeto extrapola a dimensão empresarial. Trata-se de uma iniciativa respaldada politicamente, alinhada a uma agenda mais ampla de aproximação entre duas das principais economias emergentes. Não é apenas expansão produtiva, é posicionamento estratégico.

A Índia vive uma transformação estrutural em sua malha aérea. Como um dos mercados que mais crescem no mundo em tráfego de passageiros, o país projeta demanda de centenas de aeronaves na faixa de 80 a 146 assentos nas próximas duas décadas. A expansão da conectividade regional, impulsionada por políticas públicas e pela interiorização do transporte aéreo, exige aeronaves eficientes, de menor porte e adaptadas a rotas de média densidade. É nesse contexto que o E175 encontra aderência quase natural ao cenário indiano.

Internalizar a montagem final do jato dialoga diretamente com a estratégia indiana de fortalecimento da base industrial doméstica e redução de dependências externas em setores considerados estratégicos. O movimento reforça a ambição de consolidar uma cadeia aeroespacial competitiva, capturar transferência de tecnologia e gerar empregos de alta qualificação, ao mesmo tempo em que posiciona o país como potencial polo regional de produção. A participação da Adani, maior grupo privado integrado de defesa e aeroespacial da Índia, indica que o projeto está alinhado às prioridades estruturais do Estado indiano.

Para a Embraer, a leitura é igualmente pragmática. Estabelecer presença produtiva em um dos mercados mais promissores do planeta amplia substancialmente a competitividade em futuras disputas comerciais. Em um ambiente global de cadeias produtivas cada vez mais regionalizadas e sensíveis a fatores geopolíticos, produzir localmente significa reduzir riscos, fortalecer relações institucionais e consolidar a empresa como parceira industrial de longo prazo, e não apenas como fornecedora de aeronaves.

Há ainda uma dimensão geopolítica que não pode ser ignorada. Brasil e Índia compartilham ambições de maior protagonismo no cenário internacional e defendem maior autonomia tecnológica para economias emergentes. A cooperação no setor aeroespacial, tradicionalmente concentrado em poucos polos globais, sinaliza uma tentativa de reequilibrar essa estrutura. Ao combinar tecnologia consolidada brasileira com escala de mercado e ambição industrial indiana, o projeto cria uma convergência rara entre capacidade produtiva, demanda interna e respaldo político.

O anúncio, portanto, não deve ser lido como um movimento isolado, mas como parte de uma reconfiguração mais ampla do tabuleiro industrial global. Para a Índia, representa avanço concreto na consolidação de uma indústria aeroespacial mais robusta e autônoma. Para a Embraer, abre acesso privilegiado a um mercado com potencial de longo prazo e reforça sua presença estratégica na Ásia.

No cruzamento entre interesses comerciais e ambições geopolíticas, a iniciativa projeta Brasil e Índia como atores ativos na reorganização das cadeias globais de valor no setor aeroespacial. Mais do que instalar uma linha de montagem, o acordo posiciona ambos os países em um movimento de médio e longo prazo que pode influenciar o equilíbrio do segmento de jatos regionais nas próximas décadas.


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Eslováquia avança na modernização blindada com apresentação do CV9035 MkIV

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No último dia 20 de fevereiro, a BAE Systems apresentou oficialmente o primeiro CV9035 MkIV destinado às Forças Armadas da República Eslovaca. A cerimônia ocorreu nas instalações da BAE Systems Hägglunds, na Suécia, com a presença do ministro da Defesa sueco, Pål Jonson, que recebeu o ministro da Defesa da Eslováquia, Robert Kaliňák, além de autoridades militares dos dois países.

O evento marca uma etapa decisiva em um dos maiores programas de modernização militar eslovacos das últimas décadas. O contrato prevê a aquisição de 152 veículos, resultado de um acordo intergovernamental entre Suécia e Eslováquia, reforçando a cooperação estratégica no âmbito europeu e da OTAN.

O primeiro blindado deixou a linha de produção no segundo semestre de 2025 e encontra-se atualmente em fase de testes na Suécia. A entrega simboliza não apenas a renovação da frota mecanizada eslovaca, mas também o fortalecimento do compromisso do país com os padrões de interoperabilidade da Aliança Atlântica.

A variante CV9035 MkIV destinada à Eslováquia incorpora o que há de mais avançado na família CV90. O veículo está equipado com o canhão Bushmaster III de 35 mm, sistema digital de controle de tiro, arquitetura eletrônica de última geração, solução de proteção ativa (APS) e míssil anticarro guiado integrado. O conjunto amplia significativamente as capacidades multidomínio do veículo no campo de batalha moderno.

A versão MkIV também traz melhorias estruturais importantes, incluindo proteção balística e antiminas reforçada, motor com potência de até 1.000 cavalos e arquitetura aberta preparada para integração futura de novos sensores e sistemas de armas. Trata-se de um projeto pensado para evoluir ao longo de seu ciclo de vida, mantendo relevância operacional em um ambiente de ameaças em constante transformação.

Um dos pontos centrais do programa é a forte participação da indústria eslovaca. Empresas nacionais responderão por mais de 40% do valor total do contrato, com uma cadeia de suprimentos que já reúne cerca de 30 companhias e segue em expansão. A cooperação inclui transferência de tecnologia, ampliação de instalações industriais e geração de empregos, criando bases para que a indústria local participe de futuros desenvolvimentos ligados à família CV90.

O CV90 já está em serviço em oito países europeus, com novas unidades sendo produzidas para outros membros da OTAN e da União Europeia. A integração ao chamado CV90 User Club permite intercâmbio operacional, cooperação logística e desenvolvimento conjunto de futuras modernizações, reforçando a padronização e a prontidão coletiva no continente.

Sob a perspectiva estratégica, o movimento da Eslováquia reflete uma tendência mais ampla na Europa Central e Oriental: modernização acelerada das forças terrestres em resposta ao novo ambiente de segurança no continente. A substituição de plataformas herdadas do período soviético por sistemas compatíveis com padrões da OTAN não é apenas atualização técnica, é reposicionamento estratégico.

Do ponto de vista comercial, o programa consolida o CV90 como uma das principais soluções de combate de infantaria no mercado europeu, ampliando sua base de usuários e fortalecendo economias de escala. Para a BAE Systems, cada novo operador não representa apenas uma venda, mas a expansão de um ecossistema industrial e logístico compartilhado.

No atual contexto de reconfiguração da segurança europeia, a escolha eslovaca sinaliza que blindagem, mobilidade e integração digital continuam sendo pilares centrais da guerra terrestre contemporânea. E, ao investir em um veículo com arquitetura preparada para evolução contínua, Bratislava não está apenas adquirindo 152 blindados, está investindo em capacidade militar de longo prazo alinhada às exigências do campo de batalha do século XXI.


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Embraer e Northrop Grumman avançam para posicionar o KC-390 como vetor estratégico de reabastecimento aéreo dos EUA e aliados

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No último dia 20 de fevereiro, em Melbourne, Flórida, a Embraer anunciou que está trabalhando em conjunto com a Northrop Grumman para desenvolver capacidades avançadas de mobilidade aérea com base no KC-390 Millennium, mirando diretamente as necessidades da Força Aérea dos Estados Unidos e de nações aliadas.

O anúncio marca um movimento estratégico relevante. A parceria envolve investimento conjunto para evoluir o KC-390 com foco na incorporação de um sistema boom de reabastecimento aéreo autônomo avançado, além de melhorias em comunicações, consciência situacional, autoproteção e integração de sistemas de missão.

A adoção de um boom rígido é um ponto central. Diferentemente do sistema hose-and-drogue já utilizado por diversas forças aéreas, o boom é essencial para reabastecer parte significativa da frota de combate e aeronaves estratégicas dos Estados Unidos. Desenvolver essa capacidade de forma avançada e compatível com os padrões americanos insere o KC-390 em um segmento mais sensível e estratégico do mercado global de tankers.

O contexto internacional ajuda a explicar o timing do movimento. Em um cenário de competição entre grandes potências, mobilidade aérea e reabastecimento em voo são pilares da projeção de poder. A capacidade de sustentar caças, bombardeiros e plataformas ISR em operações prolongadas no Indo-Pacífico ou na Europa depende diretamente de uma rede robusta de aeronaves tanque.

Ao buscar adaptar o KC-390 para esse ambiente, a Embraer amplia o escopo da plataforma, que já combina transporte tático, apoio logístico, evacuação aeromédica e missões humanitárias. A proposta passa a dialogar com conceitos como emprego ágil em combate e operações distribuídas, cada vez mais presentes na doutrina americana.

Do ponto de vista industrial, a associação com a Northrop Grumman tem peso político e tecnológico. Trata-se de uma das principais empresas de defesa dos Estados Unidos, com forte capacidade de integração de sistemas complexos e presença consolidada junto ao Departamento de Defesa. Essa parceria não apenas fortalece a credibilidade da proposta como também facilita a adaptação da aeronave aos requisitos técnicos e regulatórios do mercado americano.

No campo comercial, abre-se uma janela relevante. Caso o KC-390 consiga se posicionar como solução complementar às aeronaves tanque de maior porte já em serviço, poderá atender não apenas a demanda dos Estados Unidos, mas também de aliados que buscam modernizar suas capacidades de reabastecimento com uma plataforma multimissão e custo operacional competitivo.

No campo geopolítico, o impacto é ainda mais amplo. A integração de uma aeronave brasileira à arquitetura de mobilidade aérea estratégica dos Estados Unidos representa um salto qualitativo na inserção internacional da indústria de defesa do Brasil. Não se trata apenas de exportação, mas de participação em um segmento sensível que sustenta a capacidade de projeção global de poder.

Se essa evolução se concretizar, o KC-390 deixa de ocupar apenas o espaço de transporte tático moderno e passa a disputar protagonismo em uma das áreas mais críticas da logística militar contemporânea: a sustentação aérea de operações em larga escala.


por Angelo Nicolaci


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Índia no centro do tabuleiro: Embraer e Mahindra avançam com plano de MRO para o C-390 Millennium

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O anúncio feito no último dia 19 de fevereiro pela Embraer e pelo Mahindra Group vai muito além de um comunicado corporativo. Caso o C-390 Millennium seja selecionado no programa de Aeronaves de Transporte Médio (MTA) da Força Aérea Indiana, está prevista a instalação de uma estrutura completa de Manutenção, Reparo e Revisão (MRO) em território indiano.

O movimento não é apenas industrial. É estratégico.

A parceria formalizada em outubro de 2025 já previa produção local da aeronave. Agora, ao incorporar um centro de MRO de última geração, a proposta ganha densidade política e econômica. Sustentação logística não é detalhe técnico, é elemento central de soberania operacional. Quem controla a manutenção controla a disponibilidade da frota, especialmente em cenários de crise ou restrição internacional.

O C-390 Millennium se consolidou como um dos vetores mais modernos da sua categoria, com capacidade de até 26 toneladas, elevada velocidade de cruzeiro, operação em pistas não preparadas e possibilidade de reabastecimento em voo. A taxa de conclusão de missão superior a 99% registrada pela frota em operação reforça sua maturidade e confiabilidade.

Mas, na prática, a disputa pelo MTA não será decidida apenas por desempenho. A Índia busca ampliar sua autonomia tecnológica dentro das diretrizes “Make in India” e “Atmanirbhar Bharat”, reduzindo dependências externas e fortalecendo sua base industrial de defesa. Um MRO local significaria geração de empregos qualificados, absorção de conhecimento técnico e integração à cadeia global de suprimentos.

Ao mesmo tempo, o projeto abre uma janela comercial relevante para a Embraer. A eventual instalação de um hub indiano pode posicionar o país como centro regional de suporte para operadores asiáticos do C-390, ampliando a presença da aeronave no Indo-Pacífico, região que concentra parte significativa das dinâmicas estratégicas do século XXI.

Do ponto de vista geopolítico, a proposta também dialoga com um movimento mais amplo de diversificação de fornecedores por parte de Nova Delhi. A Índia equilibra suas parcerias entre Ocidente, Rússia e outros polos industriais, buscando preservar margem de manobra estratégica. Para o Brasil, consolidar uma parceria industrial de longo prazo com a Índia significa ampliar sua projeção internacional e reforçar sua posição como ator relevante na indústria global de defesa.

No fim, o que está em jogo não é apenas a escolha de um avião de transporte médio. Trata-se de uma decisão que envolve cadeia produtiva, inserção internacional, autonomia estratégica e influência comercial. Se confirmada, a parceria poderá representar um marco na cooperação industrial entre Brasil e Índia, com efeitos que ultrapassam o contrato e se estendem ao equilíbrio estratégico do Indo-Pacífico.


por Angelo Nicolaci


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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Editorial - Retirada do Voto Militar na CREDEN: Um Sinal de Enfraquecimento da Estratégia Nacional

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A alteração na estrutura deliberativa da Câmara de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CREDEN), com a retirada do voto militar de seu núcleo decisório, não pode ser tratada como simples reorganização administrativa. Trata-se de uma decisão que impacta diretamente a arquitetura estratégica do Estado brasileiro.

A CREDEN integra o Conselho de Governo e assessora o Presidente da República em temas estruturantes de defesa nacional e política externa, com base em decretos presidenciais amparados pelo artigo 84 da Constituição Federal. Não é um fórum decorativo. É um mecanismo institucional concebido para coordenar decisões de alta sensibilidade política e estratégica.

Quando se altera sua composição, altera-se o equilíbrio entre decisão política e assessoramento técnico. E em matéria de defesa nacional, equilíbrio institucional não é detalhe procedimental, é condição de estabilidade estratégica.

Reduzir formalmente o peso da dimensão militar na deliberação envia um sinal político e administrativo cuja leitura ultrapassa o texto do decreto. Sinais institucionais moldam percepções internas e externas. E percepções, em geopolítica, têm consequências.

Defesa não é política de governo. É política de Estado.

É preciso afirmar com absoluta clareza: Defesa nacional não é política de governo. É política de Estado. É política pública de alta complexidade.

Ela não pertence a uma gestão, a um partido ou a um ciclo eleitoral. Defesa envolve planejamento de 20, 30 ou 40 anos. Envolve construção de capacidades, formação de quadros, desenvolvimento tecnológico, autonomia industrial e credibilidade internacional.

A cada ciclo político em que defesa é tratada como instrumento ideológico, o país perde continuidade estratégica. Programas são despriorizados, projetos sofrem descontinuidade, e a previsibilidade institucional se deteriora. A erosão não é imediata, é cumulativa.

Por essa razão, defesa não pode estar sujeita a voluntarismos ideológicos, antagonismos partidários, experimentalismos administrativos ou delírios circunstanciais de governantes de ocasião. A lógica estratégica do Estado deve prevalecer sobre a lógica contingente do governo.

Soberania exige constância. Dissuasão exige coerência. Estratégia exige continuidade.

Controle civil não é esvaziamento técnico

O princípio do controle civil sobre as Forças Armadas é fundamento das democracias modernas. Mas há uma diferença crucial entre controle civil e marginalização técnica.

Controle civil significa que a decisão final é política. Significa subordinação constitucional. Significa autoridade institucional do poder eleito. Mas isso não implica reduzir a densidade técnica da tomada de decisão.

As Forças Armadas concentram conhecimento acumulado sobre planejamento operacional, cenários prospectivos, logística estratégica, interoperabilidade, prontidão e avaliação de ameaças. Trata-se de expertise que não se improvisa nem se substitui por análise exclusivamente política.

Quando se reduz formalmente o peso dessa dimensão em um colegiado estratégico, altera-se o centro de gravidade da deliberação. Mesmo que a escuta continue existindo informalmente, a institucionalidade muda. E em estruturas de Estado, institucionalidade define influência.

Governança estratégica exige pluralidade de vetores técnicos sob liderança civil firme, não homogeneização política do debate.

O padrão internacional é integração estratégica

As democracias consolidadas compreenderam, há décadas, que segurança nacional exige coordenação estruturada entre diplomacia, defesa e inteligência.

Nos Estados Unidos, o National Security Council reúne o núcleo decisório político com assessoramento militar permanente. O Chairman do Joint Chiefs of Staff não governa, mas participa como principal assessor militar do Presidente. A presença técnica é institucionalizada.

Na França, o Conseil de défense et de sécurité nationale funciona como epicentro das decisões estratégicas do Estado francês. Chefes militares participam das deliberações centrais sob autoridade do Presidente da República.

No Reino Unido, o National Security Council integra permanentemente o Chief of the Defence Staff nas discussões estratégicas. A dimensão militar não é consultiva periférica, é componente estruturante do debate.

O padrão comparado é inequívoco: integração institucional, densidade técnica e coordenação intersetorial. O Brasil, ao reduzir formalmente o peso da representação militar na CREDEN, distancia-se dessa prática consolidada.

Defesa e política externa são um único vetor de poder

Diplomacia sem capacidade dissuasória é narrativa. Defesa sem coordenação diplomática é isolamento. O poder nacional se manifesta pela convergência desses instrumentos.

O Brasil possui 16 mil km de fronteiras terrestres, a maior porção da Amazônia, vastos recursos estratégicos, responsabilidade sobre o Atlântico Sul e crescente exposição a dinâmicas geopolíticas complexas. Não é um Estado periférico no sistema internacional.

Em um ambiente global marcado por competição tecnológica, rearmamento regional, disputas por cadeias críticas e tensões geopolíticas difusas, a coerência entre defesa e política externa torna-se ainda mais essencial.

A CREDEN deveria funcionar como núcleo articulador dessa convergência. Enfraquecer simbolicamente a dimensão militar nesse fórum compromete a percepção de integração estratégica do Estado brasileiro.

Coordenação estratégica não é luxo institucional. É pré-condição de relevância internacional.

O verdadeiro problema brasileiro: baixa cultura estratégica

O Brasil sofre historicamente de déficit de cultura estratégica. Defesa é frequentemente tratada como custo orçamentário, e não como investimento estrutural.

A ausência de debate público qualificado sobre estratégia nacional gera decisões fragmentadas, descontinuidades programáticas e perda de coerência de longo prazo. Falta-nos a tradição de pensamento estratégico consolidado em políticas de Estado permanentes.

Medidas que reduzem a densidade institucional da defesa reforçam essa fragilidade cultural. Em vez de elevar o debate, simplificam-no.

Uma nação de dimensão continental não pode operar com mentalidade tática. Precisa de visão estratégica consolidada, institucionalizada e transversal ao espectro político.

Sem cultura estratégica, a soberania torna-se conceito retórico.

A escolha histórica

Estados que pensam estrategicamente moldam o ambiente internacional. Estados que não pensam estrategicamente reagem a ele, muitas vezes tarde demais.

Defesa nacional não pode ser vulnerável a modismos ideológicos, partidarizações circunstanciais ou agendas de curto prazo. Ela deve ser blindada institucionalmente como política de Estado permanente.

A retirada do voto militar da CREDEN pode parecer mudança discreta. Mas simboliza algo mais profundo: a dificuldade brasileira de consolidar uma arquitetura estratégica robusta e estável.

Soberania não se improvisa. Dissuasão não se constrói em ciclos eleitorais. Relevância internacional não se sustenta apenas em retórica diplomática.

Se o Brasil deseja ser protagonista regional e ator relevante no sistema internacional, precisa fortalecer e não diluir seus mecanismos centrais de coordenação estratégica.

Porque, no mundo real da geopolítica, Estados que confundem política de governo com política de Estado caminham inevitavelmente para a irrelevância estratégica.

E irrelevância estratégica é o primeiro estágio da dependência.


por Angelo Nicolaci


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