domingo, 24 de maio de 2026

Guerra na Ucrânia Recoloca o CV90 no Centro do Debate Sobre o Futuro das Forças Blindadas Brasileiras

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A guerra na Ucrânia provavelmente já ocupa um lugar definitivo entre os conflitos que mais transformaram o pensamento militar contemporâneo desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Mais do que uma disputa territorial ou geopolítica, o conflito consolidou-se como um gigantesco laboratório operacional em tempo real, submetendo sistemas de armas modernos a um nível de desgaste, intensidade e exposição tecnológica raramente observado nas últimas décadas.

Poucos cenários recentes reuniram simultaneamente tamanha concentração de drones FPV, munições vagantes, sensores térmicos, guerra eletrônica, artilharia guiada, minas inteligentes, sistemas anticarro modernos e integração digital entre sensores e plataformas terrestres. O resultado foi uma transformação profunda na forma como blindados, doutrinas mecanizadas e conceitos de sobrevivência passaram a ser avaliados pelas principais forças armadas do mundo.

A Ucrânia demonstrou de forma inequívoca que a guerra terrestre do século XXI tornou-se radicalmente diferente daquela imaginada no período imediatamente posterior à Guerra Fria. O conflito expôs vulnerabilidades estruturais, destruiu paradigmas consolidados ao longo de décadas e recolocou no centro das decisões militares fatores que haviam perdido espaço após anos de operações assimétricas no Oriente Médio e no Afeganistão.

Hoje, a sobrevivência de uma força blindada não depende exclusivamente da espessura da blindagem frontal ou do calibre do armamento principal. O ambiente moderno passou a exigir integração digital plena, consciência situacional permanente, elevada mobilidade tática, proteção antiminas, capacidade de operar após sofrer danos severos, integração com guerra eletrônica e, sobretudo, preservação da tripulação.

A lógica operacional mudou profundamente, durante décadas, grande parte das análises sobre veículos blindados se resumia a uma pergunta relativamente simples: "o blindado resistiu ou não?"

A Ucrânia alterou completamente esse raciocínio. A questão central agora passou a ser: "o blindado conseguiu preservar sua tripulação, manter mobilidade e continuar contribuindo operacionalmente mesmo após sofrer impactos em um ambiente saturado por ameaças multidimensionais?"

É justamente dentro dessa transformação doutrinária que o CV90 passou a ocupar posição cada vez mais relevante nas análises internacionais envolvendo o futuro das forças mecanizadas modernas.

Desenvolvido originalmente pela BAE Systems para atender às exigências operacionais do Exército Sueco nos últimos anos da Guerra Fria, o CV90 nasceu de uma lógica muito específica: criar uma plataforma altamente móvel, protegida e capaz de operar em ambientes extremamente hostis, especialmente nas severas condições climáticas e geográficas da Escandinávia.

O desenvolvimento do programa teve início em 1984, ainda sob o contexto da elevada tensão estratégica no Norte da Europa e pela necessidade sueca de operar forças mecanizadas altamente móveis e resilientes diante da possibilidade de um conflito convencional de grande escala com a União Soviética. Após um extenso ciclo de desenvolvimento, testes e validações operacionais, os primeiros exemplares entraram oficialmente em serviço em 1993 junto às Forças Armadas Suecas.

O resultado foi uma família de blindados que evoluiu continuamente ao longo de mais de três décadas sem perder sua essência operacional. Diferentemente de programas concebidos recentemente e ainda em consolidação, o CV90 passou por sucessivos ciclos de modernização, absorvendo novos sensores, sistemas eletrônicos, soluções de proteção, arquitetura digital e capacidades de integração em rede ao longo de décadas de emprego operacional.

Hoje, a família CV90 ultrapassa a marca de 1.400 veículos produzidos e encontra-se em operação em 11 países europeus, incluindo Suécia, Noruega, Finlândia, Dinamarca, Holanda, Estônia, Suíça, República Tcheca, Eslováquia e Ucrânia. Poucas plataformas ocidentais no segmento de veículos de combate de infantaria modernos alcançaram tamanho nível de disseminação operacional no continente europeu. Esse aspecto possui importância estratégica muito maior do que normalmente parece à primeira vista.

A guerra na Ucrânia demonstrou que logística, capacidade industrial e sustentabilidade operacional voltaram a ocupar posição central no planejamento militar moderno. Diante de um conflito de alta intensidade, não basta possuir um blindado tecnologicamente avançado. É necessário garantir disponibilidade contínua de peças, manutenção, suporte técnico, cadeia de suprimentos resiliente, interoperabilidade com aliados e capacidade permanente de modernização.

Nesse contexto, plataformas amplamente difundidas entre operadores da OTAN passaram a carregar uma vantagem estratégica extremamente relevante.

A própria Europa vive atualmente uma corrida para expansão de sua capacidade industrial de defesa. O conflito expôs limitações importantes relacionadas à produção de munições, reposição de equipamentos e manutenção de sistemas em larga escala. Diversos países perceberam que décadas de redução de investimentos em defesa criaram gargalos industriais justamente no momento em que o continente voltou a enfrentar um ambiente de competição estratégica de alta intensidade. É dentro desse cenário que o CV90 consolidou ainda mais sua posição no mercado internacional.

A entrada da plataforma no conflito ucraniano representou um divisor de águas importante. Durante muitos anos, blindados ocidentais modernos foram avaliados predominantemente em exercícios, testes industriais e operações assimétricas de baixa intensidade. A Ucrânia mudou isso de forma radical.

O conceito de “combat proven”, frequentemente utilizado pela indústria de defesa, voltou a possuir enorme peso estratégico porque o conflito submeteu essas plataformas ao ambiente operacional mais exigente enfrentado por forças terrestres modernas nas últimas décadas.

A Ucrânia recebeu oficialmente 50 unidades do CV90 sueco, empregadas em algumas das áreas mais intensas da linha de frente. Diferentemente de conflitos anteriores, esses veículos passaram a operar em um ambiente caracterizado por elevada densidade de drones FPV, artilharia guiada em tempo real, minas, munições vagantes, sensores térmicos avançados, ataques top-attack e intensa guerra eletrônica. Em outras palavras, exatamente o tipo de ambiente operacional que hoje redefine completamente a forma como blindados são avaliados.

Levantamentos independentes baseados em inteligência aberta apontam perdas visualmente confirmadas variando entre 14 e 21 unidades. Entretanto, analisar esses números isoladamente seria ignorar justamente uma das principais lições produzidas pela própria guerra.

Nenhum blindado empregado no conflito mostrou-se verdadeiramente invulnerável. Nem mesmo carros de combate pesados escaparam da combinação de drones FPV, minas, artilharia guiada e munições anticarro modernas. A guerra demonstrou que a proliferação de sensores e munições de precisão tornou extremamente difícil garantir proteção absoluta no campo de batalha contemporâneo.

A diferença passou a estar em outro aspecto fundamental: quais plataformas conseguem preservar melhor suas tripulações e manter capacidade operacional mesmo após sofrer danos severos? E é exatamente nesse ponto que o CV90 começou a construir parte importante de sua reputação operacional.

Relatos operacionais, análises independentes e avaliações conduzidas por especialistas frequentemente destacam fatores como proteção antiminas, layout interno, compartimentação, mitigação de danos e capacidade de absorção de impactos. Em diversos episódios documentados, tripulações conseguiram sobreviver mesmo após ataques severos aos veículos.

A Ucrânia talvez tenha consolidado definitivamente uma mudança conceitual na guerra blindada moderna: preservar operadores treinados tornou-se tão importante quanto preservar a própria plataforma.

Essa realidade ajuda a explicar também o reconhecimento operacional obtido pelo M2 Bradley no conflito. O Bradley ganhou enorme reputação não por ser invulnerável, mas justamente pela capacidade de preservar tripulações mesmo após sofrer impactos significativos.

Em contrapartida, diversos blindados soviéticos e russos evidenciaram vulnerabilidades severas relacionadas principalmente ao armazenamento interno de munição, à limitada proteção lateral e superior e à menor capacidade de absorção de danos catastróficos.

A guerra demonstrou que o combate blindado contemporâneo deixou de ser apenas uma disputa entre espessura de blindagem e calibre de armamento. Hoje, fatores como integração tecnológica, consciência situacional, proteção distribuída, logística, guerra eletrônica e resiliência operacional possuem peso equivalente, ou até superior, em muitos cenários.

É justamente nesse ambiente que os debates envolvendo o futuro das forças mecanizadas brasileiras passam a ganhar relevância crescente. Diversas plataformas vêm sendo ofertadas no âmbito dos programas blindados brasileiros, incluindo o Tulpar, o Lynx KF41, o Puma, o ASCOD e o próprio CV90.

Todos representam projetos modernos e tecnologicamente sofisticados. O Tulpar chama atenção pela modularidade, arquitetura aberta e potencial industrial da Türkiye. O Lynx KF41 tornou-se uma das principais apostas da indústria alemã para o segmento de IFVs pesados de nova geração. O Puma destaca-se pelo elevado nível de proteção e integração eletrônica.

Entretanto, existe um fator que continua diferenciando o CV90 de boa parte de seus concorrentes: experiência operacional efetiva em guerra convencional moderna de alta intensidade. E existe ainda outro aspecto particularmente relevante dentro desse debate: o grau de maturidade operacional efetiva das plataformas analisadas.

Enquanto o CV90 acumula mais de três décadas de evolução contínua, ampla base logística internacional e experiência concreta em operações reais, algumas plataformas concorrentes ainda avançam em processos de consolidação industrial e operacional.

O Tulpar, desenvolvido pela turca Otokar, por exemplo, representa uma plataforma moderna, modular e tecnologicamente promissora, refletindo o impressionante avanço da indústria de defesa da Türkiye no segmento terrestre. Entretanto, apesar do interesse internacional e das campanhas conduzidas em diferentes mercados, o Tulpar ainda não entrou efetivamente em serviço operacional em larga escala com nenhum operador, incluindo as próprias Forças Armadas da Türkiye até o momento.

Naturalmente, isso não reduz o potencial técnico da plataforma turca, mas evidencia uma diferença importante entre potencial tecnológico e maturidade operacional consolidada.

A própria guerra na Ucrânia demonstrou que programas blindados modernos precisam ser avaliados não apenas por especificações técnicas, mas também por fatores como robustez logística, experiência operacional acumulada, sustentabilidade industrial, disponibilidade de peças, capacidade de modernização contínua e resiliência em cenários prolongados de desgaste.

E é justamente nesse ambiente que o CV90 passou a ocupar posição particularmente diferenciada no cenário internacional. Mais do que um IFV moderno, o blindado sueco representa hoje uma plataforma amplamente consolidada, operacionalmente madura e validada sob algumas das condições mais severas da guerra contemporânea. Enquanto diversos projetos ainda avançam em processos de consolidação industrial e amadurecimento operacional, o CV90 já combina décadas de serviço ativo, ampla cadeia logística internacional, experiência em combate convencional moderno e contínua evolução tecnológica.

Em programas militares de longo prazo, isso reduz riscos industriais, logísticos, doutrinários e operacionais, aspecto particularmente relevante para países que precisam planejar capacidades blindadas para horizontes de 30 ou 40 anos.

Outro debate que ganhou enorme força após a Ucrânia envolve o ressurgimento do interesse internacional por plataformas médias altamente móveis armadas com canhões de grande calibre. O conflito expôs também os desafios logísticos associados ao emprego de MBTs extremamente pesados em ambientes operacionais extensos e altamente desgastantes. Nesse contexto, o CV90120-T voltou a despertar atenção significativa.

A proposta combina elevada mobilidade, menor peso em relação a carros de combate tradicionais, arquitetura digital moderna e um canhão de 120 mm. A lógica operacional por trás do conceito busca entregar elevado poder de fogo sem reproduzir integralmente as limitações logísticas associadas a plataformas excessivamente pesadas.

Para um país continental como o Brasil, esse debate possui relevância estratégica evidente. Longas distâncias, diversidade de terrenos, limitações de infraestrutura, necessidade de elevada mobilidade estratégica e múltiplos ambientes operacionais tornam o fator logístico particularmente importante no planejamento de forças terrestres.

Mas talvez um dos aspectos mais relevantes desse debate esteja fora do próprio blindado. Hoje, programas militares dessa magnitude não são avaliados apenas sob critérios puramente técnicos. Eles envolvem indústria, soberania, manutenção, transferência de conhecimento, sustentabilidade operacional, geração de empregos, domínio tecnológico e capacidade de integração nacional.

Nesse campo, o Brasil apresenta características particularmente relevantes. O país possui ampla base metalúrgica, parque industrial consolidado, experiência em integração de sistemas complexos, disponibilidade de insumos estratégicos, capacidade de manutenção pesada e custos industriais significativamente mais competitivos em relação ao mercado europeu.

Além disso, o Brasil ocupa posição geopolítica singular na América do Sul. Sua dimensão continental, acesso estratégico ao Atlântico Sul, capacidade industrial e posição regional criam potencial para que o país atue futuramente não apenas como operador, mas também como polo regional de integração, suporte logístico, modernização e manutenção de plataformas blindadas modernas.

Esse fator ganha ainda mais relevância diante do envelhecimento gradual de grande parte das frotas blindadas sul-americanas. Diversos países da região inevitavelmente precisarão iniciar processos de substituição ou modernização profunda de seus veículos mecanizados nas próximas duas décadas. Grande parte das forças blindadas latino-americanas ainda opera plataformas concebidas durante a Guerra Fria, muitas delas já enfrentando limitações crescentes de modernização, suporte logístico e sobrevivência diante das novas ameaças observadas na Ucrânia.

Nesse cenário, uma eventual presença industrial do CV90 no Brasil poderia transformar o país em um centro regional de produção, suporte, integração e modernização para toda a América Latina. Do ponto de vista geopolítico, isso teria peso significativo.

A instalação de uma linha de montagem da BAE Systems no Brasil representaria não apenas um contrato de defesa, mas a consolidação de uma parceria estratégica de longo prazo envolvendo transferência de conhecimento, fortalecimento da base industrial brasileira e integração do país a uma cadeia global de defesa altamente sofisticada.

Para a própria BAE Systems, o Brasil apresenta vantagens raramente encontradas simultaneamente em outros mercados emergentes. Além do tamanho potencial do mercado interno, o país oferece estabilidade institucional relativa, parque industrial robusto, mão de obra qualificada, capacidade metalúrgica avançada e localização estratégica entre o Atlântico Sul e a América Latina. No momento em que a indústria europeia busca descentralizar cadeias produtivas e ampliar sua capacidade global de fabricação diante das pressões geradas pela guerra na Ucrânia, o Brasil surge como uma alternativa extremamente relevante.

Uma linha de montagem nacional permitiria não apenas reduzir custos logísticos e ampliar competitividade regional, mas também desenvolver variantes específicas adaptadas às necessidades latino-americanas. E esse talvez seja um dos pontos mais interessantes dentro dessa discussão.

O ambiente operacional sul-americano possui características bastante particulares. Diferentemente do teatro europeu, marcado por guerras de alta intensidade em ambientes urbanos e clima frio, a América Latina exige plataformas adaptadas a grandes distâncias, clima tropical, terrenos alagadiços, selva, infraestrutura limitada e necessidade de elevada mobilidade estratégica.

Nesse contexto, uma eventual variante latino-americana do CV90 poderia incorporar adaptações específicas para operações em clima tropical, otimização logística, redução de custos operacionais, integração com sistemas nacionais e maior adequação às necessidades regionais. Isso abriria espaço para uma solução não apenas voltada ao Exército Brasileiro, mas potencialmente competitiva para outros mercados sul-americanos.

E existe um aspecto adicional extremamente relevante: o Brasil poderia atuar não apenas como cliente, mas como parceiro industrial e exportador regional associado ao programa.

Esse modelo já demonstrou enorme valor estratégico em outros segmentos da indústria de defesa brasileira. O país acumulou experiência relevante em programas que envolveram produção local, integração industrial, nacionalização progressiva e suporte regional, permitindo criar ecossistemas industriais duradouros e capacidade tecnológica própria.

No caso do CV90, um eventual acordo mais amplo poderia envolver integração de fornecedores brasileiros, desenvolvimento de componentes nacionais, centros de manutenção regionais, capacitação técnica e até futuras exportações regionais realizadas a partir do Brasil.

Para muitos países latino-americanos, adquirir uma plataforma produzida parcialmente na própria região pode representar vantagens logísticas, financeiras e políticas importantes. Custos de suporte tendem a cair, prazos de manutenção podem ser reduzidos e a disponibilidade operacional torna-se mais sustentável no longo prazo.

Além disso, uma estrutura industrial instalada no Brasil permitiria à BAE Systems responder com maior agilidade a futuras demandas latino-americanas, oferecendo suporte regionalizado e soluções adaptadas à realidade operacional local. Esse fator pode se tornar particularmente importante nos próximos anos.

A guerra na Ucrânia acelerou globalmente o processo de modernização de forças terrestres. Países que antes postergavam investimentos em blindados agora observam atentamente as lições produzidas pelo conflito. A proliferação de drones FPV, munições vagantes e sistemas anticarro modernos está forçando exércitos ao redor do mundo a reavaliar conceitos de mobilidade, proteção e sobrevivência.

A América Latina inevitavelmente será impactada por essa transformação doutrinária. Mesmo que a região não enfrente atualmente ameaças equivalentes às observadas na Europa Oriental, a evolução tecnológica do campo de batalha global acaba influenciando diretamente os requisitos futuros de modernização militar.

Nesse cenário, o Brasil possui condições raras para ocupar posição estratégica dentro do mercado regional de defesa. Sua capacidade industrial, dimensão econômica, base tecnológica e tradição diplomática oferecem ao país condições de atuar como elo entre a indústria europeia de defesa e as necessidades futuras da América Latina.

Uma eventual parceria envolvendo o CV90 poderia, portanto, transcender a simples aquisição de um blindado moderno. Ela poderia representar o surgimento de um novo polo regional de produção, integração e suporte para veículos blindados de próxima geração na América do Sul.

As decisões que definirão o futuro das forças blindadas brasileiras dificilmente serão tomadas apenas com base em especificações técnicas isoladas. A guerra da Ucrânia mostrou que o campo de batalha moderno exige adaptação constante, elevada integração tecnológica, proteção da tripulação, resiliência logística, capacidade de atualização contínua e maturidade operacional.

Nesse cenário, o CV90 surge como uma das poucas plataformas ocidentais que hoje já acumulam experiência concreta sob as condições mais severas da guerra contemporânea.

Mais do que um projeto conceitualmente moderno, trata-se de um sistema que oferece algo cada vez mais raro no mercado internacional: dados reais de desempenho em combate convencional de alta intensidade.

E justamente por isso, o blindado sueco passou a ocupar posição cada vez mais relevante nas discussões internacionais sobre o futuro das forças mecanizadas modernas, inclusive no Brasil, onde uma eventual parceria industrial envolvendo produção local e desenvolvimento de variantes regionais poderia transcender o campo militar e assumir também relevância estratégica, econômica, industrial e geopolítica para toda a América Latina.



por Angelo Nicolaci


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AKINCI marca primeiro abate ar-ar confirmado por um UCAV e consolida protagonismo da Türkiye na guerra aérea não tripulada

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Um novo capítulo da guerra aérea contemporânea pode ter sido escrito no Sudão. Imagens divulgadas neste fim de semana indicam que um UCAV Baykar AKINCI operado pela Força Aérea Sudanesa realizou o primeiro abate ar-ar confirmado da história executado por uma aeronave de combate não tripulada utilizando um míssil ar-ar dedicado em um cenário real de combate. O episódio representa um marco estratégico para a evolução dos sistemas não tripulados e reforça o avanço acelerado da indústria de defesa da Türkiye no segmento de combate aéreo avançado.

O vídeo compartilhado por fontes locais e posteriormente repercutido por analistas internacionais mostra o momento em que o AKINCI engaja e destrói uma aeronave inimiga movida a jato utilizando, ao que tudo indica, um míssil ar-ar de curto alcance. A trajetória ascendente do armamento, o perfil de voo e o curto intervalo até o impacto, estimado entre 15 e 16 segundos, indicam fortemente o emprego do míssil SUNGUR, desenvolvido pela ROKETSAN.

Originalmente concebido como um MANPADS de nova geração para substituir gradualmente sistemas da classe FIM-92 Stinger, o SUNGUR evoluiu para uma solução altamente versátil, capaz de operar em plataformas terrestres, navais e aéreas. A própria Baykar já havia demonstrado anteriormente a integração do armamento em seus UCAVs, incluindo configurações de emprego duplo no AKINCI. O míssil possui guiagem por imagem infravermelha (IIR), alcance aproximado de oito quilômetros e elevada resistência a contramedidas eletrônicas.

Embora ainda não exista confirmação oficial sobre o alvo abatido, analistas apontam que a aeronave destruída provavelmente pertence a forças associadas à RSF (Rapid Support Forces), grupo apoiado por atores externos como os Emirados Árabes Unidos. Entre as hipóteses levantadas estão plataformas chinesas como o CH-6 HALE UCAV, o Wind Shadow ou até mesmo aeronaves L-15 armadas. O fato de o alvo possuir propulsão a jato e elevada velocidade reforça a relevância técnica do engajamento realizado pelo AKINCI.

O episódio possui enorme importância operacional por demonstrar, pela primeira vez de forma prática e documentada, a capacidade de um UCAV executar missões de superioridade aérea limitada contra alvos aéreos reais. Até então, experiências similares permaneciam restritas a testes ou tentativas sem sucesso operacional confirmado, como o histórico engajamento de um MQ-1C americano contra um MiG-25 iraquiano utilizando um míssil AIM-92 Stinger.

Mais do que apenas um feito tecnológico, o ocorrido evidencia a transformação gradual do papel dos drones no campo de batalha moderno. Plataformas originalmente desenvolvidas para ISR (Intelligence, Surveillance and Reconnaissance) ou ataques contra alvos terrestres passam agora a assumir funções tradicionalmente reservadas a caças tripulados, incluindo interceptação aérea, patrulha armada e operações de negação de espaço aéreo.

O AKINCI surge nesse contexto como uma das plataformas mais avançadas atualmente disponíveis fora do eixo ocidental tradicional. Dotado de elevada capacidade de carga, sensores AESA, comunicações via satélite e integração com armamentos inteligentes nacionais, o UCAV turco representa um salto qualitativo importante na consolidação da indústria aeroespacial da Türkiye como um dos principais polos globais de sistemas não tripulados de combate.

Do ponto de vista geopolítico, o episódio também reforça o avanço da influência tecnológica e militar turca em regiões estratégicas da África, Oriente Médio e Ásia Central. A Türkiye deixa de atuar apenas como fornecedora de drones de ataque de baixo custo e passa a ocupar posição de destaque no desenvolvimento de capacidades avançadas de combate aéreo não tripulado. O primeiro abate ar-ar confirmado realizado por um UCAV poderá ser lembrado futuramente como um divisor de águas semelhante ao impacto causado pela introdução dos primeiros caças a jato ou dos mísseis guiados no século XX.

Para o Brasil, o episódio deve ser observado com máxima atenção. O avanço acelerado dos UCAVs em missões ar-ar demonstra que o futuro do combate aéreo não estará restrito apenas às plataformas tripuladas tradicionais. O país possui competências industriais relevantes nos setores aeroespacial, de sensores, sistemas de missão e integração, mas precisará ampliar investimentos em inteligência artificial, autonomia, comunicações seguras, guerra eletrônica e armamentos inteligentes voltados ao emprego em sistemas não tripulados. Em um cenário internacional marcado pela rápida transformação tecnológica e pela crescente difusão de drones de combate avançados, acompanhar essa evolução deixou de ser apenas uma questão de modernização e passou a representar uma necessidade estratégica ligada diretamente à soberania e à capacidade de dissuasão nacional.


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Ampliação da CBC reforça protagonismo da indústria de defesa brasileira e consolida avanço da engenharia nacional

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A ampliação da unidade da Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC), em Ribeirão Pires (SP), representa mais do que uma expansão industrial. O projeto reforça o momento de fortalecimento da Base Industrial de Defesa brasileira e evidencia o crescente papel estratégico de empresas nacionais capazes de conduzir empreendimentos de alta complexidade técnica ligados ao setor de defesa.

Responsável pela obra, a Munte Construtora acaba de assumir um dos contratos mais relevantes de sua trajetória ao ser selecionada para executar a ampliação da estrutura industrial da CBC, considerada atualmente a maior fabricante de munições do mundo. Presente em mais de 130 países e com faturamento anual superior a R$ 3 bilhões, a empresa ocupa posição estratégica não apenas para o Brasil, mas também no cenário internacional da indústria de defesa.

O empreendimento integra o plano de expansão industrial da CBC e envolve investimentos estimados em cerca de R$ 150 milhões, considerando todas as etapas do projeto e a participação de fornecedores e parceiros industriais. A obra será conduzida no modelo EPG, engenharia, projetos e gestão, em regime de empreitada por preço global, com prazo estimado de execução de 15 meses.

A escolha da Munte para conduzir um projeto dessa magnitude reflete a crescente demanda da indústria de defesa por empresas capazes de operar dentro de elevados padrões de engenharia, previsibilidade operacional, integração logística e rigorosos protocolos de segurança industrial. No setor de defesa, onde processos produtivos frequentemente envolvem materiais sensíveis, ambientes controlados e infraestrutura crítica, a capacidade de gestão integrada torna-se um diferencial estratégico.

À frente da construtora está Juliano Salvador, fundador e CEO da Munte, responsável pela consolidação da empresa ao longo de mais de 15 anos de atuação em projetos industriais, comerciais e de infraestrutura de alta complexidade. Sob sua liderança, a companhia desenvolveu um portfólio com mais de 300 contratos executados, incorporando metodologias modernas de engenharia como Lean Construction e tecnologia BIM, elevando níveis de produtividade, controle e eficiência operacional.

A ampliação da CBC ocorre em um momento particularmente relevante para a indústria global de defesa. O aumento das tensões geopolíticas internacionais, a ampliação dos investimentos militares em diversas regiões do mundo e o crescimento da demanda por munições, sistemas de armas e capacidades industriais estratégicas vêm pressionando cadeias produtivas internacionais e ampliando a importância de países capazes de manter produção própria em larga escala.

Dentro desse contexto, a CBC ocupa posição extremamente relevante para o Brasil. A companhia não apenas abastece as Forças Armadas e forças de segurança nacionais, mas também se consolidou como um dos principais players globais do setor de munições leves, ampliando a presença brasileira em um segmento historicamente dominado por grandes conglomerados internacionais.

O avanço da infraestrutura industrial da empresa também possui implicações diretas sobre soberania e autonomia estratégica. Em um ambiente internacional cada vez mais marcado por restrições tecnológicas, disputas comerciais e reorganização das cadeias globais de suprimento, preservar e expandir capacidade industrial própria na área de defesa tornou-se um ativo estratégico para países que buscam reduzir vulnerabilidades externas.

Nesse cenário, projetos como a ampliação da CBC simbolizam não apenas crescimento empresarial, mas também o fortalecimento de um ecossistema industrial crítico para a segurança nacional. Ao mesmo tempo, consolidam o papel de empresas brasileiras de engenharia e construção industrial, como a Munte, dentro de um setor que exige cada vez mais capacidade técnica, integração operacional e visão estratégica de longo prazo.


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ABDI premia startups de defesa e reforça aposta brasileira em soberania tecnológica na Expo Defense 2026

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A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) consolidou sua presença estratégica na Expo Defense 2026 ao transformar seu estande em uma verdadeira vitrine de tecnologias voltadas à soberania nacional, inovação dual e fortalecimento da Base Industrial de Defesa e Segurança Pública (BIDS). Durante o evento realizado na Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), a Agência oficializou a premiação “Soluções de Startups para Defesa”, contemplando dez startups brasileiras com aportes de R$ 15 mil cada para acelerar soluções voltadas aos setores de defesa, segurança e tecnologias estratégicas.

Mais do que uma simples premiação, a iniciativa evidencia uma mudança importante na forma como o Brasil começa a enxergar inovação aplicada à defesa. Historicamente concentrado em grandes programas conduzidos por empresas consolidadas, o setor passa gradualmente a incorporar startups e empresas de base tecnológica como atores relevantes dentro do ecossistema estratégico nacional.

As soluções premiadas abrangem áreas consideradas críticas no cenário contemporâneo de defesa, incluindo guerra cibernética, sistemas aeroespaciais, comunicações navais, veículos remotamente pilotados, robótica, inteligência artificial, consciência situacional orbital e sistemas autônomos. Tecnologias que hoje ocupam papel central nas disputas estratégicas globais e que passaram a ser tratadas por diversas potências como capacidades diretamente associadas à soberania nacional.

Durante a Expo Defense, a ABDI destacou que o programa está alinhado à Missão 6 da Nova Indústria Brasil (NIB), iniciativa que estabelece como meta alcançar 50% de autonomia nacional na produção de tecnologias críticas voltadas à defesa. O objetivo é reduzir a dependência externa em setores considerados sensíveis e ampliar a capacidade brasileira de desenvolver soluções próprias em áreas estratégicas.

O presidente da ABDI, Olavo Noleto, ressaltou durante o evento que fortalecer a indústria nacional de defesa significa também fortalecer a capacidade de autodeterminação do país. Segundo ele, preservar conhecimento tecnológico e industrial em território nacional tornou-se uma questão diretamente ligada à soberania brasileira diante do atual ambiente internacional.

A própria SC Expo Defense refletiu esse novo cenário geopolítico. Durante a abertura do evento, o presidente da FIESC, Gilberto Seleme, destacou que a atual conjuntura global, marcada por disputas tecnológicas, reorganização de alianças internacionais e crescimento dos investimentos em defesa, criou uma janela estratégica para o avanço da indústria brasileira em áreas de alta complexidade tecnológica.

Entre as startups premiadas, algumas soluções chamaram atenção pelo elevado potencial dual — civil e militar. Na categoria aeroespacial, por exemplo, a Bizu Space apresentou um motor foguete a propelente líquido utilizando peróxido de hidrogênio concentrado e querosene de aviação, tecnologia com aplicações tanto em sistemas espaciais quanto em projetos estratégicos de defesa. Já a Safe on Orbit desenvolveu uma plataforma de consciência situacional espacial voltada ao monitoramento orbital e prevenção de colisões envolvendo ativos espaciais.

Na área de veículos remotamente pilotados, a Percepta Analytics apresentou o sistema ARARA, voltado à coordenação autônoma de enxames de drones, enquanto a Formwerk Soluções Industriais trouxe a plataforma PAM-X, um drone modular adaptável a diferentes tipos de missão. Soluções desse tipo refletem diretamente a transformação observada nos conflitos contemporâneos, onde drones, sistemas autônomos e guerra em rede assumem papel cada vez mais central no campo de batalha moderno.

No segmento naval, também surgiram projetos particularmente interessantes, como o sistema de comunicação HF Ultra Banda Larga da WaveComm Tech e o Veículo Leve Anfíbio Especial (VLA), desenvolvido no Acre para operações em ambientes alagados e regiões remotas, evidenciando o potencial brasileiro para desenvolver soluções adaptadas às próprias necessidades operacionais do país.

Mais do que incentivar startups isoladamente, o movimento liderado pela ABDI demonstra uma tentativa clara de aproximar universidades, empresas de tecnologia, indústria de defesa e Forças Armadas dentro de um mesmo ecossistema estratégico. Em um cenário internacional cada vez mais marcado pela disputa por tecnologias críticas, semicondutores, inteligência artificial, drones, sistemas espaciais e guerra cibernética, preservar capacidade nacional de inovação deixou de ser apenas uma questão econômica, passando a representar também um elemento central da soberania e da segurança nacional brasileira.


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Fragatas Tamandaré consolidam Santa Catarina como polo estratégico da indústria de defesa brasileira

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A participação da Águas Azuis na SC Expo Defense 2026 reforçou não apenas a dimensão industrial do Programa Fragatas Classe Tamandaré (PFCT), mas também sua crescente relevância estratégica para a defesa nacional e para a consolidação da Base Industrial de Defesa brasileira. Realizado em Florianópolis, o evento evidenciou o impacto direto do programa sobre o fortalecimento do setor naval militar, da cadeia produtiva nacional e da capacidade tecnológica instalada no Brasil.

Atualmente considerado o mais avançado e moderno programa naval em desenvolvimento no país, o PFCT já se tornou um dos principais motores de transformação da indústria de defesa em Santa Catarina. Desenvolvido no estaleiro da TKMS Brasil Sul, em Itajaí, o programa impulsiona inovação tecnológica, geração de empregos altamente qualificados, transferência de tecnologia e fortalecimento de fornecedores estratégicos nacionais.

Os números apresentados durante a SC Expo Defense ajudam a dimensionar esse impacto. Segundo dados da FIESC, Santa Catarina já ocupa a terceira posição entre os estados brasileiros com maior volume de vendas para a indústria de defesa, atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro. Em 2025, as vendas do setor no estado cresceram impressionantes 178% em relação ao ano anterior, movimento diretamente ligado à expansão de projetos estratégicos como o Programa Fragatas Classe Tamandaré.

O programa prevê a construção de quatro fragatas para a Marinha do Brasil até 2029. A Fragata Tamandaré (F200), primeira embarcação da classe, já foi entregue à Força Naval em abril deste ano. A segunda unidade deverá iniciar seus testes de mar ainda no segundo semestre, enquanto a terceira fragata será lançada em junho. Paralelamente, a construção da quarta embarcação já se encontra em andamento.

Mais do que apenas renovar meios navais, o programa representa uma transformação estrutural da capacidade industrial brasileira no segmento naval militar. Atualmente, cerca de mil empresas nacionais participam da cadeia de fornecimento do PFCT, gerando aproximadamente R$ 5 bilhões em conteúdo local, além de cerca de R$ 500 milhões em arrecadação tributária. Aproximadamente dois mil profissionais atuam diretamente na construção das embarcações, enquanto os impactos indiretos e induzidos podem alcançar cerca de 23 mil empregos.

Mas talvez o movimento mais importante observado recentemente tenha sido a assinatura do Memorando de Entendimento (MoU) envolvendo TKMS, Embraer, Atech e o Ministério da Defesa para estabelecer as bases de um possível segundo lote de quatro novas fragatas para a Marinha do Brasil. Embora ainda não represente um contrato definitivo, o acordo possui enorme peso estratégico ao sinalizar a intenção de preservar a continuidade industrial, tecnológica e operacional construída ao longo do programa.

Geopoliticamente, a possível ampliação do PFCT representa muito mais do que simplesmente aumentar o número de navios da Esquadra brasileira. O movimento reforça a busca do Brasil por maior autonomia estratégica no Atlântico Sul, amplia sua capacidade de presença marítima e fortalece diretamente a proteção da nossa Amazônia Azul, área marítima de enorme relevância econômica e estratégica para o país, rica em recursos energéticos, minerais, rotas comerciais e infraestrutura crítica offshore.

Além disso, a continuidade do programa evita um problema historicamente recorrente na indústria de defesa brasileira: a descontinuidade de projetos estratégicos. A manutenção da linha de produção ativa preserva mão de obra especializada, mantém viva a cadeia de fornecedores nacionais, reduz perdas de conhecimento técnico e garante a continuidade da transferência de tecnologia associada ao programa. Em termos industriais e estratégicos, isso significa preservar capacidades críticas consideradas essenciais para qualquer país que deseje manter autonomia mínima no setor naval militar.

Dentro desse contexto, o Programa Fragatas Classe Tamandaré deixa cada vez mais de ser apenas um programa de renovação de escoltas da Marinha do Brasil. Ele se consolida como um dos pilares centrais da reconstrução da indústria naval militar brasileira e como uma ferramenta estratégica de fortalecimento da soberania nacional, da capacidade dissuasória marítima e da projeção de poder do Brasil no Atlântico Sul.


Por Angelo Nicolaci


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QRF - Fuzileiros Navais demonstram poder expedicionário em avaliação da ONU

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O Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil realizará, nesta terça-feira (26), uma ampla demonstração operacional voltada à Visita de Avaliação e Assessoramento da Organização das Nações Unidas (ONU), mobilizando mais de 500 militares, blindados, drones, robôs e sistemas avançados de combate no Complexo Naval da Ilha do Governador, no Rio de Janeiro.

A atividade integra o processo de revalidação da Força de Reação Rápida (Quick Reaction Force – QRF) dos Fuzileiros Navais junto ao Sistema de Prontidão de Capacidades de Manutenção da Paz das Nações Unidas (UNPCRS), mecanismo responsável por certificar tropas aptas a atuar em operações internacionais de paz sob coordenação da ONU.

Atualmente, a Marinha do Brasil ocupa uma posição de destaque dentro desse sistema. Em 2022, os Fuzileiros Navais tornaram-se a primeira Força Singular brasileira a atingir o nível 3 de prontificação, o mais elevado estabelecido pela ONU, consolidando-se como uma força expedicionária de alta prontidão apta a atuar em cenários complexos de crise, estabilização e resposta rápida.

A nova inspeção internacional ocorrerá entre os dias 27 e 29 de maio, quando especialistas da ONU avaliarão capacidades ligadas à mobilidade, prontidão operacional, logística, interoperabilidade, comando e controle, consciência situacional e capacidade de sustentação em ambiente expedicionário.

Para a atividade, a Marinha do Brasil mobilizou uma expressiva gama de meios operacionais empregados pelo Corpo de Fuzileiros Navais. Entre os destaques estão os Carros-Lagarta Anfíbios (CLAnf), as Viaturas Blindadas Leves Sobre Rodas JLTV, as viaturas blindadas Piranha, além de caminhões operativos UNIMOG U5000 em versões cisterna de água, cisterna de combustível, munck, frigorífica, guincho, socorro e transporte especializado.

A demonstração também contará com cavalo-mecânico logístico, sistemas de rádio tático, comunicações satelitais, drones de reconhecimento, binóculos, sensores ópticos, câmeras telescópicas e equipamentos voltados à ampliação da consciência situacional no campo de batalha moderno.

Outro ponto de destaque será a participação da Companhia de Desativação de Artefatos Explosivos do CFN, que será inspecionada pela primeira vez pela ONU visando alcançar o grau 2 de prontificação internacional. A unidade empregará robôs especializados, detectores variados, equipamentos portáteis de raio-X, interferidores de frequência e sistemas voltados à atuação em cenários NBQR (Nuclear, Biológico, Químico e Radiológico).

Mais do que uma simples demonstração operacional, a atividade revela como os Fuzileiros Navais vêm adaptando suas capacidades às novas exigências do campo de batalha contemporâneo. A incorporação crescente de sistemas remotamente pilotados, sensores avançados, equipamentos de guerra eletrônica e tecnologias voltadas à neutralização de ameaças explosivas acompanha diretamente as lições observadas nos conflitos modernos, onde informação, conectividade e consciência situacional passaram a exercer papel decisivo nas operações militares.

A manutenção do mais alto nível de prontidão junto à ONU possui grande relevância estratégica para o Brasil. Além de reforçar a credibilidade internacional da Marinha do Brasil em futuras missões multinacionais, a certificação também consolida o Corpo de Fuzileiros Navais como uma das forças expedicionárias mais modernas, preparadas e tecnologicamente adaptadas da América Latina.


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Corrida dos Fuzileiros Navais deve reunir mais de 10 mil pessoas no Aterro do Flamengo neste domingo

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O Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro, será palco neste domingo (24) de mais uma edição da tradicional Corrida dos Fuzileiros Navais e dos Intendentes da Marinha. Promovido pela Marinha do Brasil, o evento deve reunir mais de 10 mil participantes entre corredores amadores, atletas profissionais, militares e Pessoas com Deficiência (PCD), consolidando-se como uma das mais tradicionais provas do calendário esportivo carioca.

Em sua 38ª edição, a corrida terá percursos de 5 km e 10 km, mas um dos grandes destaques permanece sendo a participação dos tradicionais pelotões de corredores do Corpo de Fuzileiros Navais, que percorrem o trajeto em formação, entoando canções militares ao longo da prova. Segundo a organização, mais de 170 pelotões devem participar da edição deste ano, reforçando características marcantes da tropa anfíbia brasileira, como coesão, espírito de corpo, disciplina e camaradagem.

Mais do que uma competição esportiva, a corrida também representa um importante momento de integração entre a sociedade civil e a Marinha do Brasil. O evento busca estimular a prática esportiva, a promoção da saúde e o fortalecimento de valores ligados ao preparo físico, à superação e ao trabalho em equipe.

A edição de 2026 marca ainda um importante avanço institucional para a prova. Pela primeira vez, a Corrida dos Fuzileiros Navais recebeu o Permit Bronze, selo oficial concedido pela Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), passando a integrar oficialmente o calendário nacional da modalidade.

A categoria destinada às Pessoas com Deficiência também estará presente mais uma vez, reforçando o compromisso da Marinha com inclusão, acessibilidade e valorização do esporte como ferramenta de cidadania e superação pessoal.

Além da corrida, o público presente poderá conhecer de perto diversos equipamentos e meios operacionais empregados pelo Corpo de Fuzileiros Navais. Entre os destaques da exposição está a Viatura Blindada Sobre Rodas 4x4 JLTV, o sistema lançador múltiplo de foguetes Astros, a viatura blindada Piranha III C, o caminhão UNIMOG 5000 e o obuseiro leve 105 mm Light Gun L118.

A presença desses meios reforça também o caráter institucional do evento, aproximando a população das capacidades operacionais da Marinha do Brasil e do Corpo de Fuzileiros Navais, uma das principais forças anfíbias da América Latina.

Os profissionais de imprensa interessados na cobertura do evento devem realizar credenciamento prévio junto à organização até às 16h da sexta-feira (22).


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sexta-feira, 22 de maio de 2026

GSI e BNDES promovem III Fórum Nacional sobre a Fronteira Marítima do Brasil no Rio de Janeiro

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O Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI/PR) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) realizarão, nos dias 26 e 27 de maio, no Rio de Janeiro, o III Fórum Nacional sobre Proteção Integrada de Fronteiras, evento que nesta edição terá como tema central “A Fronteira Marítima do Brasil”. O encontro reunirá autoridades civis e militares, representantes do setor acadêmico, especialistas, integrantes das forças de segurança e representantes de órgãos estratégicos ligados à defesa, infraestrutura e desenvolvimento nacional.

O editor do GBN Defense, Angelo Nicolaci, estará presente realizando a cobertura do evento, acompanhando os debates estratégicos voltados à proteção da nossa "Amazônia Azul", ao fortalecimento da segurança marítima e à integração entre defesa, segurança pública, infraestrutura crítica e desenvolvimento sustentável.

A cerimônia de abertura ocorrerá no dia 26 de maio, às 10h, na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, no centro do Rio de Janeiro, e contará com a participação do Ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, Marcos Amaro, do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, e do Ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva.

O fórum estima reunir cerca de 300 participantes e reforça uma pauta cada vez mais estratégica para o Brasil: a proteção da sua extensa fronteira marítima, considerada vital para a soberania, economia, defesa e estabilidade nacional.

Amazônia Azul: infraestrutura crítica, soberania e segurança estratégica

A chamada Amazônia Azul compreende o mar territorial brasileiro, a Zona Econômica Exclusiva (ZEE), a plataforma continental e ainda a faixa litorânea adjacente ao litoral brasileiro. Trata-se de uma área de importância geopolítica crescente, responsável por concentrar parte significativa das riquezas energéticas, minerais e logísticas do país.

É nessa extensa fronteira marítima que se encontram portos estratégicos, refinarias, polos industriais, aeroportos, terminais logísticos e cabos submarinos responsáveis por grande parte do fluxo de dados e comunicações do Brasil. Além disso, a região concentra a maior parte da população brasileira e representa o principal eixo do comércio exterior nacional.

Ao mesmo tempo, a fronteira marítima tornou-se um ambiente cada vez mais sensível diante do crescimento dos ilícitos transnacionais, do tráfico internacional, dos crimes ambientais, da pesca ilegal, do contrabando e de ameaças híbridas que desafiam os mecanismos tradicionais de segurança e fiscalização.

Nesse contexto, o III Fórum Nacional sobre Proteção Integrada de Fronteiras surge como uma importante plataforma para discussão de políticas públicas, integração interagências e atração de investimentos voltados à modernização da infraestrutura, segurança marítima e desenvolvimento sustentável.

Integração entre defesa, segurança pública e desenvolvimento

O evento faz parte das iniciativas vinculadas ao Programa de Proteção Integrada de Fronteiras (PPIF), instituído pelo Decreto nº 8.903/2016, e alinhado à Política Nacional de Fronteiras estabelecida pelo Decreto nº 12.038/2024.

Entre os objetivos do fórum estão:

  • atrair investimentos nacionais e internacionais para projetos de inovação e infraestrutura;

  • fortalecer a proteção ambiental na fronteira marítima;

  • estimular a implantação dos Gabinetes de Gestão Integrada de Fronteiras (GGIF) nos estados litorâneos;

  • ampliar a articulação entre defesa, segurança pública, fiscalização e assistência social;

  • apoiar a elaboração do Plano Nacional de Fronteiras alinhado à Estratégia Nacional de Fronteiras (ENaFron).

A programação contará com painéis estratégicos abordando desenvolvimento sustentável, combate aos ilícitos transnacionais, proteção ambiental, segurança de infraestruturas críticas e cooperação internacional no ambiente marítimo.

Um dos destaques será o debate sobre modelos multiagências internacionais voltados ao enfrentamento das ameaças contemporâneas na fronteira marítima, tema que vem ganhando crescente relevância diante da ampliação das disputas geopolíticas, da pressão sobre rotas marítimas globais e do aumento das ameaças híbridas no Atlântico Sul.

Segurança marítima ganha protagonismo estratégico

A realização do fórum evidencia uma mudança importante na percepção estratégica brasileira sobre a dimensão marítima da segurança nacional. O Atlântico Sul, historicamente tratado sob uma ótica predominantemente econômica e diplomática, passa cada vez mais a ser visto também como um ambiente de interesse estratégico direto para a defesa, proteção de recursos naturais e preservação da soberania.

Nesse cenário, iniciativas que promovam integração entre Forças Armadas, órgãos de segurança pública, agências reguladoras, setor produtivo e comunidade acadêmica tornam-se fundamentais para o fortalecimento da capacidade nacional de monitoramento, resposta e proteção das infraestruturas críticas marítimas.

A presença de representantes do governo federal, autoridades estaduais e municipais, além de especialistas nacionais e internacionais, demonstra o esforço crescente em consolidar uma abordagem integrada para a segurança da fronteira marítima brasileira, um tema que tende a ocupar posição cada vez mais central nas discussões estratégicas do país nos próximos anos.


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Com GSI

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Exército reforça capacidade DQBRN e amplia prontidão operacional para grandes ameaças e eventos internacionais

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O Exército Brasileiro vem consolidando sua capacidade de Defesa Química, Biológica, Radiológica e Nuclear (DQBRN) como um dos pilares estratégicos da prontidão operacional da Força Terrestre diante de ameaças contemporâneas, cenários de alta complexidade e incidentes de elevada sensibilidade. Em um ambiente internacional marcado por riscos híbridos, terrorismo, acidentes industriais e ameaças assimétricas, a manutenção de forças especializadas em DQBRN tornou-se elemento indispensável para garantir capacidade de resposta rápida, proteção da tropa e apoio à sociedade civil.

Nesse contexto, o Comando de Operações Terrestres (COTER), por intermédio do Comando de Defesa Química, Biológica, Radiológica e Nuclear, realizou entre os dias 27 e 30 de abril uma Visita de Coordenação Operacional (VCOp) junto ao Centro de Coordenação de Operações do Comando Militar do Sul (CMS) e ao 18º Batalhão de Infantaria Motorizado, com foco no acompanhamento e alinhamento das capacidades operacionais dos Pelotões DQBRN subordinados ao Comando Militar de Área.

As atividades permitiram avaliar o nível de prontidão, as necessidades operacionais e as capacidades dos Pelotões DQBRN do CMS, unidades que possuem a missão de atuar como força de pronta resposta em incidentes envolvendo agentes químicos, biológicos, radiológicos e nucleares. O trabalho ganha relevância adicional diante da previsão de emprego dessas capacidades durante a Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2027, evento que demandará elevado nível de coordenação interagências e preparação especializada para resposta a eventuais ameaças NBQR.

Ao longo da VCOp, foram debatidos aspectos ligados ao emprego de tropas com encargos especiais, interoperabilidade, atualização doutrinária e oportunidades de modernização da Força Terrestre. A iniciativa evidencia o esforço contínuo do Exército Brasileiro em manter sua estrutura operacional alinhada aos desafios contemporâneos, incorporando novas metodologias, tecnologias e conceitos de emprego.

Um dos principais pilares dessa estrutura é a Escola de Instrução Especializada (EsIE), integrante do Sistema de Defesa Química, Biológica, Radiológica e Nuclear do Exército Brasileiro. A organização militar desempenha papel central na formação técnica, especialização e desenvolvimento doutrinário dos militares da área DQBRN, sendo responsável pela capacitação de recursos humanos aptos a atuar em ambientes operacionais degradados e cenários contaminados por agentes químicos, biológicos, radiológicos ou nucleares.

Reforçando esse alinhamento estratégico, no dia 4 de maio, a Divisão de Defesa Química, Biológica, Radiológica e Nuclear da EsIE e o 1º Batalhão de Defesa Química, Biológica, Radiológica e Nuclear receberam nova Visita de Coordenação Operacional conduzida pelo Chefe do Emprego da Força Terrestre, General de Brigada Abelardo Prisco de Souza Neto.

Durante a atividade, foram realizadas apresentações institucionais, demonstrações técnicas e instruções relacionadas às metodologias de ensino empregadas pela Escola, permitindo à comitiva acompanhar de perto os processos de formação e especialização dos militares da área DQBRN. O elevado grau de capacitação técnica dos recursos humanos da Força Terrestre foi um dos pontos destacados durante as atividades.

A visita também possibilitou a análise da infraestrutura, dos simuladores, dos materiais pedagógicos e dos meios empregados na formação dos especialistas, identificando oportunidades voltadas ao aperfeiçoamento contínuo e à modernização da capacidade operacional DQBRN do Exército Brasileiro.

Mais do que apenas uma capacidade militar especializada, a Defesa Química, Biológica, Radiológica e Nuclear representa atualmente um componente estratégico essencial para a proteção da sociedade, da infraestrutura crítica e da capacidade de resposta nacional diante de crises de grande impacto. O fortalecimento dessa área acompanha uma tendência global observada nas principais forças armadas do mundo, que vêm ampliando investimentos em tropas NBQR diante do aumento das ameaças híbridas e do risco crescente de incidentes envolvendo agentes químicos, biológicos ou radiológicos.

Outro ponto de destaque foi a participação do General Prisco no Exercício Operacional de Evacuação Aeromédica DQBRN conduzido pela Força Aérea Brasileira na Base Aérea dos Afonsos, entre os dias 27 de abril e 8 de maio. A atividade reforçou a interoperabilidade conjunta entre Exército e FAB em uma das áreas mais sensíveis da defesa contemporânea, consolidando protocolos integrados de evacuação, descontaminação e atendimento especializado em cenários contaminados.

A atuação integrada entre as Forças Armadas evidencia a evolução da doutrina brasileira de Defesa NBQR, cada vez mais voltada à operação conjunta, à rápida capacidade de resposta e à interoperabilidade entre meios terrestres, aéreos e estruturas de apoio especializado.

Ao unir tradição no ensino militar, atualização doutrinária, inovação tecnológica e integração operacional, o Exército Brasileiro reafirma sua posição como referência regional na área de Defesa Química, Biológica, Radiológica e Nuclear, fortalecendo uma capacidade estratégica fundamental para a soberania, a segurança nacional e a proteção da sociedade brasileira diante dos desafios do século XXI.


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quarta-feira, 20 de maio de 2026

SIATT entrega primeiro lote de mísseis MAX 1.2 AC ao Exército Brasileiro

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A brasileira SIATT realizou, em Formosa (GO), a entrega do primeiro lote dos mísseis MAX 1.2 AC ao Exército Brasileiro, marco que consolida a entrada da empresa em uma nova etapa de produção industrial de sistemas estratégicos de defesa.

Os mísseis foram produzidos na nova unidade industrial da companhia em Caçapava (SP), instalação que simboliza a ampliação da capacidade produtiva da SIATT e sua transição para a fabricação em escala de armamentos inteligentes desenvolvidos no Brasil.

No dia 6 de maio, o GBN Defense esteve presente nas instalações da empresa em Caçapava, onde acompanhou os últimos preparativos para a entrega deste primeiro lote ao Exército Brasileiro. Durante a visita, foi possível observar as linhas de integração, os procedimentos de testes e a estrutura industrial criada para atender às futuras demandas de produção do sistema MAX.

Desenvolvido em parceria com o Centro Tecnológico do Exército, o MAX 1.2 AC é um armamento inteligente nacional projetado para incapacitar veículos de combate com elevada precisão. O sistema representa um dos mais importantes avanços recentes da indústria brasileira no segmento de mísseis anticarro e armamentos guiados.

A entrega ocorre em um momento no qual diversos países buscam ampliar sua autonomia estratégica e fortalecer suas bases industriais de defesa, cenário que aumenta a relevância de programas nacionais capazes de reduzir dependências externas em sistemas críticos.

A nova planta industrial da SIATT foi concebida justamente para sustentar esse crescimento, reunindo infraestrutura moderna, processos industriais nacionais e capacidade de produção seriada de sistemas estratégicos.

Segundo Rogério Salvador, presidente da SIATT: “A entrega do MAX ao Exército Brasileiro representa mais um passo importante na consolidação da capacidade nacional de produção de sistemas estratégicos de defesa.”

Certificada como Empresa Estratégica de Defesa, a SIATT atua no desenvolvimento de soluções avançadas nas áreas de guiagem, navegação e controle, consolidando-se como um dos principais polos tecnológicos brasileiros voltados ao segmento de armamentos inteligentes.


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terça-feira, 19 de maio de 2026

DEFESA NACIONAL - SOBERANIA E A CONTRADIÇÃO BRASILEIRA

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O Brasil vive uma contradição estratégica cada vez mais evidente. De um lado, as lideranças das nossas Forças Armadas alertam há anos para a necessidade urgente de ampliar as capacidades de defesa do país diante de um cenário internacional cada vez mais instável. De outro, a própria Base Industrial de Defesa (BID) brasileira demonstra possuir capacidade tecnológica, engenharia qualificada, infraestrutura industrial e competências para desenvolver sistemas sofisticados de emprego militar.

Ainda assim, permanecem perguntas incômodas: por que tantos engenheiros, técnicos e especialistas brasileiros deixam o país em busca de oportunidades fora do Brasil? Por que as Forças Armadas ainda convivem com limitações operacionais e equipamentos defasados em diversas áreas estratégicas? E por que grande parte das soluções que poderiam ser desenvolvidas ou produzidas no Brasil não se convertem em programas estruturantes de longo prazo?

As respostas às essas questões passam, inevitavelmente, pela questão orçamentária e pela ausência histórica de previsibilidade estratégica.

Enquanto o mundo atravessa um novo ciclo de rearmamento e fortalecimento de capacidades militares, o Brasil segue investindo proporcionalmente pouco em defesa. Dados recentes apontam que o país mantém gastos militares próximos de 1,1% do PIB, percentual considerado baixo para um país continental, detentor da maior fronteira terrestre da América do Sul, da Amazônia, de vastas riquezas minerais, recursos energéticos offshore e uma das maiores zonas econômicas exclusivas marítimas do planeta.  

O contraste internacional é evidente. Países da OTAN aprovaram metas de até 5% do PIB voltadas à defesa e segurança estratégica até 2035. A Alemanha ultrapassou 2% do PIB em defesa pela primeira vez desde 1990. A Polônia acelera sua modernização militar. A Ásia amplia investimentos em tecnologias críticas, drones, guerra eletrônica, inteligência artificial e defesa cibernética. Mesmo países da América do Sul vêm aumentando seus investimentos diante do novo ambiente geopolítico.

O Brasil, apesar de ter registrado crescimento nominal nos gastos militares em 2025, continua distante de uma estrutura de financiamento compatível com suas necessidades estratégicas. Mais grave ainda é a composição desse orçamento. Grande parte dos recursos é consumida por despesas obrigatórias, especialmente folha de pagamento, aposentadorias e pensões. Estimativas recentes indicam que cerca de 80% a 85% do orçamento da Defesa permanece comprometido com despesas de pessoal, restando parcela reduzida para investimentos efetivos em modernização, prontidão operacional, pesquisa e desenvolvimento.  

O resultado é uma consequência direta e previsível: projetos estratégicos sofrem atrasos, aquisições são fragmentadas, programas perdem escala, e a indústria nacional enfrenta ciclos permanentes de incerteza.

E isso ocorre justamente em um momento no qual a tecnologia passou a definir o poder militar contemporâneo.

Os conflitos recentes demonstraram que superioridade operacional hoje depende de sensores avançados, sistemas integrados de comando e controle, guerra eletrônica, drones, satélites, inteligência artificial, sistemas autônomos, integração em rede e capacidade de produção nacional resiliente. Nenhuma potência moderna constrói soberania apenas com efetivos militares. A soberania contemporânea é tecnológica e industrial.

Nesse aspecto, o Brasil possui ativos extremamente relevantes.

A BID brasileira reúne empresas capazes de atuar em áreas altamente complexas como aeroespacial, sistemas embarcados, radares, guerra eletrônica, comunicações seguras, optrônicos, sistemas navais, integração de plataformas, veículos blindados, armamentos inteligentes, sistemas espaciais e tecnologias não tripuladas. Além disso, o país dispõe de centros de engenharia altamente especializados e profissionais reconhecidos internacionalmente.

Não por acaso, engenheiros brasileiros são frequentemente absorvidos por empresas e programas estratégicos no exterior. O problema, portanto, não é ausência de competência técnica. O problema é continuidade.

Sem previsibilidade orçamentária de médio e longo prazo, a indústria não consegue sustentar ciclos permanentes de inovação. Sem escala, empresas perdem competitividade. Sem contratos estruturantes, fornecedores estratégicos desaparecem. Sem estabilidade, talentos migram.

A evasão de cérebros da área de defesa e alta tecnologia é um reflexo direto desse ambiente.

Profissionais altamente qualificados buscam mercados que ofereçam estabilidade, continuidade de projetos, investimentos em pesquisa e perspectivas concretas de crescimento tecnológico. Países que compreendem a defesa como vetor de desenvolvimento nacional criam ecossistemas permanentes de inovação. No Brasil, ainda convivemos com descontinuidades, contingenciamentos e programas sujeitos a oscilações políticas e fiscais.

Isso produz um efeito silencioso, porém extremamente perigoso: a perda gradual da capacidade nacional de projetar, desenvolver e sustentar tecnologias críticas.

Defesa não pode ser tratada apenas como despesa corrente de governo. Defesa é política de Estado.

Os países que hoje lideram os setores aeroespacial, cibernético e militar compreenderam algo fundamental: investir em defesa gera domínio tecnológico, empregos qualificados, inovação dual, capacidade industrial e autonomia estratégica.

Grande parte das tecnologias utilizadas no cotidiano civil nasceu de programas militares ou espaciais: internet, GPS, sensores, materiais compostos, aviônica, comunicações seguras, satélites, inteligência artificial e inúmeras soluções embarcadas.

Quando o Brasil investe em sua Base Industrial de Defesa, não está apenas fortalecendo as Forças Armadas. Está fortalecendo engenharia nacional, ciência, universidades, indústria, inovação e soberania.

Soberania não se improvisa em momentos de crise.

Ela é construída ao longo de décadas, com planejamento, previsibilidade, investimento contínuo e visão estratégica de longo prazo. O debate sobre defesa nacional precisa, portanto, ultrapassar a visão limitada de gasto militar e passar a ser compreendido como tema de desenvolvimento nacional, proteção de recursos estratégicos, estabilidade regional e capacidade tecnológica. O Brasil possui território, recursos naturais, dimensão geopolítica, capacidade industrial e inteligência técnica para ocupar posição muito mais relevante no cenário internacional da defesa. O que ainda falta é transformar esse potencial em prioridade permanente de Estado. 

Porque nenhuma nação preserva sua soberania apenas pelo discurso. 

Soberania é preservada por meio de capacidade real de defesa, tecnologia própria e indústria forte.



Por Mauro Beirão - Formado em engenharia e mais de 30 anos de experiência na indústria de defesa e aeroespacial 


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