domingo, 11 de outubro de 2026

Incêndio destrói peças de helicópteros MH-60R e AB 212 da Marinha grega

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Um incêndio em um depósito da Base Aeronaval de Kotroni na Grécia, destruiu componentes e peças de reposição destinados aos helicópteros navais MH-60R Seahawk e AB 212, segundo informações divulgadas pela imprensa turca e atribuídas ao veículo grego Militaire. O incidente ocorreu em 7 de outubro e reacendeu questionamentos sobre a logística de manutenção e a disponibilidade de meios da Marinha grega.

De acordo com as informações verificadas pelo GBN Defense, o material destruído incluía peças importantes para os MH-60R, incorporados recentemente à aviação naval grega, além de componentes dos antigos AB 212. A reposição das peças destes últimos pode representar um desafio adicional, devido à dificuldade de encontrá-las no mercado e aos custos potencialmente elevados.

O impacto operacional do incêndio ainda não foi esclarecido. Não há informações públicas suficientes para determinar a quantidade de componentes perdidos, se algum helicóptero teve sua disponibilidade comprometida ou quanto tempo será necessário para recompor os estoques. Até a publicação desta reportagem, o Ministério da Defesa grego e o Estado-Maior das Forças Armadas não haviam divulgado um posicionamento oficial sobre o caso.

O episódio ocorre em um contexto no qual a sustentação logística é decisiva para preservar a disponibilidade de aeronaves militares. A aquisição de helicópteros modernos não garante, por si só, capacidade operacional contínua: estoques de peças, manutenção especializada e cadeias de fornecimento confiáveis são igualmente importantes para manter as aeronaves prontas para emprego.

No caso grego, a perda de componentes destinados a duas gerações distintas de helicópteros evidencia desafios diferentes. Para os MH-60R, o principal ponto será avaliar a reposição dos materiais e eventuais efeitos sobre a manutenção da frota. Para os AB 212, cuja plataforma é mais antiga, a dificuldade de obter peças pode prolongar o impacto caso os componentes destruídos sejam raros ou não estejam disponíveis em estoque.

A Grécia já enfrentou problemas de infraestrutura militar relacionados a eventos climáticos. Em setembro de 2023, as inundações provocadas pela tempestade Daniel atingiram a Base Aérea de Stefanovikio e afetaram instalações onde operavam helicópteros do Exército. Embora os episódios tenham causas distintas, ambos reforçam a importância de proteger não apenas as plataformas, mas também as instalações, os equipamentos e os recursos logísticos necessários para sustentar as operações.

Por enquanto, não há dados suficientes para afirmar que o incêndio provocou uma redução significativa da capacidade operacional da Marinha grega. A dimensão real do prejuízo dependerá da extensão das perdas, da disponibilidade de peças alternativas e do prazo para reposição. O caso, contudo, evidencia como um incidente em uma instalação de apoio pode gerar consequências que vão além dos danos materiais imediatos.


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Apache dos EUA destroem três drones com apoio de radar terrestre Sentinel

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O Exército dos Estados Unidos demonstrou na Alemanha uma nova abordagem para combater drones, integrando dados de radares terrestres aos sistemas de combate de helicópteros AH-64 Apache. Durante a Operação Skyfall II, realizada em 6 de outubro, no campo de treinamento de Grafenwöhr, as tripulações destruíram três drones-alvo após receberem informações de rastreamento transmitidas pelas unidades de defesa antiaérea.

O exercício reuniu militares do 5º Batalhão do 4º Regimento de Artilharia de Defesa Antiaérea, subordinado à 52ª Brigada de Artilharia de Defesa Antiaérea, e do 2º Batalhão do 159º Regimento de Aviação, da 12ª Brigada de Aviação de Combate. Os alvos utilizados foram drones MQM-170 Outlaw, empregados como plataformas de treinamento.

O elemento central da demonstração foi o radar AN/MPQ-64 Sentinel, responsável por detectar e acompanhar ameaças aéreas em baixa altitude. Os dados eram encaminhados pelo centro de operações táticas às tripulações dos Apache, permitindo que os pilotos recebessem informações sobre a posição dos alvos antes do engajamento. Assim, o helicóptero podia utilizar os dados produzidos pelos sensores terrestres para orientar sua atuação, ampliando a capacidade de resposta contra ameaças aéreas de pequenas dimensões.

A integração reduz a dependência dos sensores embarcados na aeronave para a detecção inicial e permite que diferentes elementos da defesa compartilhem informações durante o combate. O Sentinel pode detectar ameaças a distâncias superiores às de identificação visual direta pelos tripulantes, proporcionando alerta antecipado e dados para orientar o engajamento. O exercício, entretanto, não divulgou parâmetros suficientes para estabelecer taxas de sucesso em condições reais de combate ou contra drones com diferentes características.

A Skyfall II deu continuidade à primeira edição da operação, realizada em março, quando o Exército norte-americano já havia demonstrado a capacidade dos Apache de rastrear e engajar drones com base em dados fornecidos por sensores terrestres. A nova etapa ampliou as oportunidades de treinamento conjunto entre aviação e defesa antiaérea. Segundo o Exército dos EUA, os procedimentos para detectar e engajar sistemas aéreos não tripulados continuam em desenvolvimento.

A experiência tem relevância para a defesa aérea integrada da OTAN, especialmente diante da disseminação de drones em conflitos recentes. Em vez de depender de um único sistema para detectar, identificar e neutralizar cada ameaça, a proposta combina sensores, centros de comando e plataformas de combate para ampliar as opções disponíveis aos comandantes.

O resultado mais importante da Skyfall II não está apenas na destruição dos três alvos, mas na demonstração de uma arquitetura integrada de combate. Em um cenário no qual drones de diferentes dimensões podem saturar as defesas e explorar lacunas de vigilância, conectar radares terrestres a aeronaves de combate pode ampliar a consciência situacional e acelerar a resposta. O desafio será validar essa integração contra ameaças mais variadas, interferência eletrônica e condições operacionais próximas às de um conflito real.


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EUA pressionam Ucrânia a suspender ataques contra refinarias russas

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Os Estados Unidos teriam ameaçado restringir o compartilhamento de informações de inteligência com a Ucrânia caso Kiev mantenha os ataques contra refinarias de petróleo russas. A informação foi divulgada pela Axios após negociações em Miami entre representantes ucranianos e os enviados norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner. Um representante dos EUA, porém, negou que Washington tenha feito uma ameaça explícita de corte.

A pressão do governo Donald Trump está relacionada tanto à condução da guerra quanto aos preços dos combustíveis. Washington busca conter os ataques à infraestrutura petrolífera russa, enquanto Kiev considera essas operações um instrumento para reduzir as receitas de Moscou e impor custos ao esforço de guerra.

O eventual corte afetaria um dos principais recursos de apoio norte-americano às operações ucranianas. A inteligência contribui para o planejamento das missões, a atualização do quadro operacional e a avaliação dos alvos. Sua restrição poderia aumentar as incertezas e dificultar operações de longo alcance, mas não significaria automaticamente o fim dos ataques ucranianos.

Kiev já desenvolveu capacidades próprias de emprego de drones contra instalações no interior da Rússia e pode recorrer a outras fontes de informação. A dimensão do impacto dependeria, contudo, dos dados suspensos e da capacidade de substituir o apoio norte-americano.

Os ataques ucranianos buscam comprometer a produção e a distribuição de combustíveis russos, além de obrigar Moscou a destinar recursos à proteção e à recuperação de suas instalações. Para Kiev, interromper unilateralmente essas operações significaria abrir mão de uma ferramenta de pressão sem garantia de que a Rússia faria o mesmo.

Em 11 de outubro, Volodimir Zelensky afirmou que a Ucrânia poderia suspender os ataques às refinarias se Moscou também interrompesse as ações contra a infraestrutura energética ucraniana. A posição evidencia a exigência de reciprocidade, em contraste com a pressão norte-americana por uma interrupção das operações ucranianas.

A disputa também está ligada à tentativa de Trump de ampliar o fornecimento de diesel russo aos mercados e aliviar a pressão sobre os preços dos combustíveis. Para Kiev, porém, uma aproximação econômica entre Washington e Moscou pode enfraquecer os esforços para limitar as receitas russas durante a guerra.

A eventual flexibilização de restrições comerciais não garante avanços diplomáticos nem assegura uma mudança de posição do Kremlin. O efeito dependerá das medidas efetivamente adotadas e de eventuais compromissos russos.

A possível restrição à inteligência revela o peso da dependência ucraniana do apoio externo. Embora Kiev tenha desenvolvido meios próprios de ataque, a perda de informações fornecidas pelos Estados Unidos poderia elevar os custos e os riscos das operações.

A questão central é se Washington conseguirá usar essa pressão para alterar a estratégia ucraniana sem comprometer sua capacidade militar e sua posição nas negociações. Até agora, a ameaça de corte permanece contestada, mas a divergência sobre os ataques às refinarias expõe os limites da convergência entre os objetivos norte-americanos e ucranianos.


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Polônia investiga ameaça contra Donald Tusk e ministro da Defesa

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A polícia polonesa recebeu informações sobre um possível ataque contra o primeiro-ministro Donald Tusk e o vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa, Władysław Kosiniak-Kamysz. O alerta levou o governo a mobilizar estruturas policiais e de inteligência neste domingo (11), com uma reunião emergencial no Centro Antiterrorista da Agência de Segurança Interna (ABW), em Varsóvia. A natureza da ameaça, sua origem e a eventual existência de um plano concreto ainda não foram esclarecidas publicamente.

A resposta foi determinada pelo ministro do Interior, Marcin Kierwiński, e pelo coordenador dos serviços especiais, Tomasz Siemoniak, após a polícia comunicar o recebimento das informações. Segundo Karolina Gałecka, porta-voz do Ministério do Interior, foram ordenadas medidas para tratar do caso e convocada uma reunião com representantes dos órgãos responsáveis pela segurança interna.

A emissora polonesa Radio Zet informou que a polícia teria recebido um e-mail contendo dados sobre a ameaça. Esse detalhe foi reproduzido por veículos que acompanharam o caso, mas as autoridades não divulgaram o conteúdo da mensagem nem esclareceram se ela apresentava informações verificáveis sobre possíveis autores, meios ou preparativos para um ataque. 

Dois alvos no centro do poder polonês

A referência simultânea ao primeiro-ministro e ao ministro da Defesa confere peso particular ao alerta. Tusk chefia o governo, enquanto Kosiniak-Kamysz ocupa uma posição central na condução política da defesa nacional. Uma ameaça contra ambos exige avaliar não apenas a segurança pessoal dos dirigentes, mas também possíveis riscos associados às instituições que representam.

Isso não significa, porém, que a Polônia tenha confirmado uma conspiração para atingir o governo. Até a divulgação das informações disponíveis, não havia confirmação pública de uma tentativa de assassinato em execução, de suspeitos identificados ou de uma motivação estabelecida. A distinção é importante: receber uma informação sobre um possível ataque é suficiente para acionar protocolos preventivos, mas não comprova a existência de um plano operacional.

A reunião no Centro Antiterrorista da ABW reúne o caso no âmbito da segurança interna. A agência tem atribuições relacionadas à identificação e à prevenção de ameaças à segurança do Estado. A participação de diferentes estruturas permite cruzar informações e avaliar a necessidade de medidas adicionais, embora os detalhes da resposta adotada não tenham sido divulgados.

Um ambiente de segurança sob pressão

O alerta ocorre em uma semana marcada por uma sequência de episódios violentos em escolas da região da Mazóvia, onde fica Varsóvia. Em um dos casos, um funcionário de uma escola foi morto; outros episódios deixaram feridos e levaram as autoridades a reforçar medidas de segurança. A proximidade temporal desses acontecimentos contribuiu para um ambiente de maior vigilância, mas não há evidências públicas de ligação entre a violência nas escolas e a ameaça contra os dirigentes.

A Polônia também enfrenta um cenário estratégico complexo desde a invasão russa em grande escala da Ucrânia, em fevereiro de 2022. Integrante da OTAN e vizinha da Ucrânia, a Polônia é um dos principais pontos de apoio logístico ocidental a Kiev e tem ampliado a atenção dedicada à defesa territorial, à proteção de infraestruturas e à prevenção de atividades hostis.

Em setembro, Tusk alertou para a possibilidade de intensificação de ações híbridas russas contra países do flanco oriental da OTAN. Essas ações podem envolver campanhas de desinformação, sabotagem, operações cibernéticas e outras formas de pressão abaixo do limiar de um conflito militar convencional. Entretanto, o contexto estratégico não permite atribuir automaticamente a ameaça atual à Rússia ou a qualquer outro ator externo. Não há, até agora, evidência pública que estabeleça essa ligação.

O que ainda precisa ser esclarecido

Os próximos elementos decisivos serão a verificação da informação recebida pela polícia, a eventual identificação de suspeitos e a divulgação de detalhes sobre a natureza da ameaça. Também será necessário esclarecer se o alerta levou a alterações específicas nos esquemas de proteção de Tusk e Kosiniak-Kamysz.

O episódio evidencia o desafio enfrentado pelas autoridades ao avaliar ameaças contra dirigentes nacionais: reagir com rapidez para reduzir riscos sem transformar uma informação ainda não confirmada em conclusão sobre autoria ou intenção. A mobilização dos serviços de segurança está confirmada; a existência de um plano concreto de assassinato, seus possíveis responsáveis e sua motivação permanecem sem comprovação pública.

Para a Polônia, o caso se soma às preocupações com a segurança interna em um período de tensão regional. A evolução da investigação deverá determinar se o alerta correspondia a uma ameaça concreta ou a uma informação que não se sustenta após a análise dos órgãos competentes.


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OPERANTAR XLV mobiliza navios da Marinha para apoiar 29 projetos científicos na Antártica

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A Marinha do Brasil iniciou, em 4 de outubro, a 45ª Operação Antártica (OPERANTAR XLV), com a partida do Navio Polar (NPo) “Almirante Maximiano” e do Navio de Apoio Oceanográfico (NApOc) “Ary Rongel”, da Base Naval da Ilha das Cobras, no Rio de Janeiro. A comissão, com duração superior a seis meses e retorno previsto para abril de 2027, dará suporte a 29 projetos de pesquisa científica no continente antártico, três a mais que na operação anterior.

Mais de 200 militares e pesquisadores participam da missão, que integra o Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR), coordenado pela Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (CIRM). A estrutura mobilizada inclui navios, aeronaves, equipes especializadas e apoio logístico às atividades científicas em uma região marcada por temperaturas extremas, isolamento e dificuldades de acesso.

O aumento de 26 para 29 projetos apoiados em relação à OPERANTAR anterior amplia a demanda sobre os meios navais e a estrutura de suporte brasileira. Na Antártica, a pesquisa depende não apenas de laboratórios e equipes qualificadas, mas também da capacidade de transportar pessoal e equipamentos, manter operações em condições ambientais severas e garantir o apoio necessário ao trabalho de campo.

Dois navios, funções complementares

O Navio Polar “Almirante Maximiano” passou por aproximadamente cinco meses de manutenção antes de iniciar a comissão. A preparação busca assegurar condições para cumprir as tarefas logísticas e atender às necessidades dos pesquisadores ao longo da operação.

O comandante do navio, Capitão de Mar e Guerra Sergio dos Santos Silva, destacou a importância da manutenção para a preparação do meio e para o atendimento às demandas da missão.

Já o Navio de Apoio Oceanográfico “Ary Rongel” participa pela 33ª vez consecutiva das operações brasileiras na Antártica. Segundo seu comandante, Capitão de Mar e Guerra Maicon Jesus Domingues Luiz, o navio prestará apoio logístico à Estação Antártica Comandante Ferraz e às equipes científicas que desenvolvem atividades na região.

A participação continuada dos dois navios evidencia a importância de manter meios especializados disponíveis para missões que exigem preparação prolongada, capacidade logística e operação em condições ambientais particularmente exigentes. A manutenção desses recursos é parte essencial da continuidade do PROANTAR.

Pesquisa científica em condições extremas

Entre os estudos apoiados nesta edição está uma pesquisa conduzida pela Capitão de Corveta Valéria Faria, do Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes (CEFAN), integrante do Laboratório de Pesquisa em Ciências do Exercício e Performance e do grupo MEDIANTAR.

O trabalho investigará a influência do ambiente antártico sobre parâmetros psicofisiológicos de integrantes da tripulação dos navios e de militares envolvidos na substituição do Grupo-Base. A pesquisa poderá contribuir para ampliar o conhecimento sobre as respostas do organismo às condições ambientais e aos desafios de uma permanência prolongada na região.

A diversidade dos projetos apoiados pela OPERANTAR exige que a estrutura naval atenda a necessidades distintas, desde o transporte de pesquisadores e equipamentos até o suporte às atividades desenvolvidas na estação e em áreas remotas do continente.

Ciência, logística e presença brasileira

A participação do Brasil na Antártica está ligada ao desenvolvimento de pesquisas científicas e ao compromisso com o Tratado da Antártica. O País tornou-se membro consultivo do tratado em 1983, condição que permite participar das discussões e decisões relativas à região e está associada à realização de atividades científicas substanciais no continente.

Nesse contexto, o PROANTAR depende de uma estrutura permanente de apoio. A Estação Antártica Comandante Ferraz e os meios empregados pela Marinha viabilizam pesquisas que seriam difíceis de executar sem transporte, infraestrutura e suporte operacional adequados.

A OPERANTAR XLV também evidencia um aspecto estratégico frequentemente menos visível que a própria pesquisa: a necessidade de manter navios especializados, equipes treinadas e capacidade logística para operar de forma continuada em uma região distante do território nacional. A interrupção ou a limitação desses meios afetaria diretamente a capacidade brasileira de sustentar suas atividades científicas.

Com retorno previsto para abril de 2027, a missão deverá manter o apoio às pesquisas durante os próximos meses. Seu resultado não será medido apenas pelo número de projetos atendidos, mas também pela capacidade de assegurar condições para que os pesquisadores realizem seus trabalhos e o Brasil mantenha uma participação científica contínua na Antártica.


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com Marinha do Brasil

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Cascavel NG testa precisão do canhão de 90 mm

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O Exército Brasileiro realizou, entre 29 de setembro e 1º de outubro, uma nova etapa de testes de tiro com o EE-9 Cascavel Nova Geração (Cascavel NG), no Centro de Avaliações do Exército (CAEx), no Campo de Provas da Marambaia, no Rio de Janeiro. Os ensaios avaliaram a precisão do canhão de 90 mm do protótipo P01, com disparos contra alvos posicionados a 1.000 e 1.500 metros, utilizando munição produzida pela Indústria de Material Bélico do Brasil (IMBEL).

Os disparos foram realizados a partir de uma posição estática e instrumentada, permitindo avaliar o desempenho do armamento nas condições estabelecidas para os ensaios. A atividade integra o processo de avaliação da viatura modernizada, que busca atualizar uma plataforma empregada há décadas pela Cavalaria do Exército.

Torre digital e sistemas modernizados

O Cascavel NG recebe um conjunto de modificações destinado a atualizar seus sistemas e ampliar suas condições de emprego. Entre os recursos divulgados estão o controle da torre por joystick, um sistema de regulagem da pressão dos pneus para adaptação a diferentes terrenos e melhorias no sistema de frenagem. A viatura também incorpora novos sensores externos, associados à modernização dos sistemas de observação e controle.

A atualização do sistema de armas é um dos pontos centrais do projeto. O canhão de 90 mm permanece como armamento principal, mas passa a operar em uma arquitetura modernizada, com novos recursos de controle. Os testes de tiro permitem verificar o comportamento do conjunto em condições específicas, fornecendo dados para a avaliação técnica do protótipo.

O resultado de disparos em distâncias determinadas, contudo, não equivale à validação completa do sistema de armas. A avaliação operacional de um blindado envolve diferentes condições de emprego, incluindo mobilidade, confiabilidade, funcionamento dos sistemas integrados e desempenho ao longo de ciclos de utilização.

Indústria brasileira participa da modernização

O programa envolve a Diretoria de Fabricação do Exército e empresas da Base Industrial de Defesa e Segurança, reunidas no Consórcio Força Terrestre, formado por Akaer, Universal Importação e Comércio e OPTO Eletrônica. Segundo as informações divulgadas sobre o projeto, os sistemas incorporados apresentam índice de nacionalização superior a 90%.

A participação industrial nacional é relevante para a capacidade de integrar e sustentar os sistemas modernizados, além de ampliar o domínio sobre tecnologias empregadas na viatura. Esse componente ganha importância em programas que precisam conciliar atualização técnica, disponibilidade de peças e suporte durante a vida útil dos equipamentos.

O projeto integra o esforço de modernização das viaturas blindadas do Exército no âmbito do Programa Estratégico Forças Blindadas. A iniciativa busca adaptar o EE-9 às exigências atuais, preservando a plataforma sobre rodas e atualizando seus principais sistemas.

Modernização diante da renovação da Cavalaria

A modernização do Cascavel ocorre em paralelo à incorporação futura do Centauro II, blindado 8x8 equipado com canhão de 120 mm, destinado a substituir os EE-9 em parte das unidades de Cavalaria. As duas iniciativas representam caminhos distintos para a renovação dos meios: a aquisição de uma nova plataforma e a atualização de um veículo já incorporado à frota.

O Cascavel NG não deve ser confundido com a simples revitalização de viaturas, que envolve a recuperação de chassis e sistemas existentes. A Nova Geração contempla modificações mais amplas, incluindo a modernização do sistema de armas e a incorporação de novos recursos eletrônicos e mecânicos.

A conclusão dos ensaios de tiro representa mais uma etapa de avaliação, não uma confirmação isolada de que o blindado esteja plenamente qualificado para todas as condições operacionais. A efetividade do programa dependerá da conclusão das avaliações, da confiabilidade dos sistemas, da capacidade de manutenção e da disponibilidade das viaturas modernizadas para as unidades.

Para o Exército, o desafio é transformar a modernização técnica em capacidade operacional sustentável, mantendo os meios disponíveis enquanto avança a renovação da frota blindada.


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com Exercito Brasileiro

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Operação Azul Turquesa expõe capacidades da Engenharia e da defesa DQBRN do Exército

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Entre 1º e 3 de outubro, a Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), em Resende (RJ), sediou a Operação Azul Turquesa 2026, que apresentou aos cadetes do Curso Básico capacidades da Engenharia e da Defesa Química, Biológica, Radiológica e Nuclear (DQBRN) do Exército Brasileiro. A atividade reuniu equipamentos e tecnologias empregados em apoio às operações terrestres, evidenciando como essas especialidades contribuem para a mobilidade das tropas, a superação de obstáculos e a resposta a ameaças específicas.

Na Engenharia, as demonstrações abrangeram recursos de mobilidade e contramobilidade, proteção, construção, mergulho, geoinformação e desminagem. Também foram apresentados equipamentos remotamente controlados, drones de reconhecimento, redes de camuflagem com baixa assinatura térmica e painéis solares de campanha.

O conjunto evidencia uma Engenharia que vai além da abertura de caminhos e da construção de estruturas. Em operações militares, sua atuação pode determinar a capacidade de uma tropa atravessar obstáculos, manter o fluxo logístico, proteger posições e operar em terrenos cuja infraestrutura foi comprometida. Equipamentos de reconhecimento e sistemas remotamente controlados também ampliam as possibilidades de atuação em áreas de risco, embora sua efetividade dependa da integração com os demais meios e procedimentos da força.

DQBRN: operar diante de ameaças invisíveis

A demonstração da Defesa Química, Biológica, Radiológica e Nuclear colocou em evidência outra dimensão do preparo militar: a capacidade de identificar e responder a riscos que nem sempre podem ser percebidos visualmente. Agentes químicos e biológicos, materiais radioativos e ameaças nucleares exigem procedimentos específicos de detecção, proteção e descontaminação.

Em um ambiente operacional, a presença desses agentes pode comprometer o efetivo, restringir o uso de áreas e instalações e dificultar a continuidade de uma missão. A resposta depende de pessoal especializado, equipamentos adequados e protocolos capazes de reduzir a exposição e permitir que as forças atuem com segurança dentro dos limites operacionais possíveis.

A capacidade DQBRN também possui aplicação além do campo de batalha, especialmente em incidentes envolvendo substâncias perigosas e emergências que demandem resposta especializada. O emprego militar, contudo, exige treinamento contínuo e coordenação com os demais elementos envolvidos na operação.

Capacidades que precisam funcionar na prática

A Operação Azul Turquesa foi realizada no contexto da formação dos futuros oficiais do Exército. O contato com essas especialidades permite aos cadetes compreender que o resultado de uma operação não depende apenas do poder de fogo: mobilidade, proteção, apoio logístico e capacidade de enfrentar ambientes contaminados também condicionam a liberdade de ação das tropas.

A demonstração de equipamentos, por si só, não permite avaliar o nível de prontidão dessas capacidades. Para isso, seriam necessários dados sobre disponibilidade dos meios, treinamento, sustentação logística e desempenho em cenários operacionais. Ainda assim, a atividade evidencia a diversidade de recursos necessários para preparar a Força Terrestre para situações que vão de obstáculos físicos a ameaças químicas, biológicas, radiológicas e nucleares.

O desafio permanente é transformar equipamentos e conhecimento técnico em capacidade efetiva de emprego. Isso exige meios disponíveis, pessoal qualificado, doutrina atualizada e treinamento regular, condições essenciais para que Engenharia e DQBRN entreguem resultados quando a operação exigir.


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Exército realiza estágio de gestão do ciclo de vida de sistemas e materiais militares

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O Estado-Maior do Exército (EME) realizou, entre 6 e 8 de outubro, em Brasília, a fase presencial do Estágio Setorial de Gestão do Ciclo de Vida de Sistemas e Materiais de Emprego Militar (SMEM). Conduzida pela 4ª Subchefia do EME, a atividade buscou promover o alinhamento institucional, científico-tecnológico e doutrinário, integrar os órgãos envolvidos e consolidar lições aprendidas sobre a gestão dos meios empregados pela Força Terrestre.

A abertura foi conduzida pelo 4º Subchefe do EME, General de Divisão Alessandro da Silva, que ressaltou a importância da capacitação dos profissionais responsáveis pela gestão dos sistemas e materiais militares e o papel dessa atividade na governança das capacidades operacionais do Exército. “Através da correta gestão do ciclo de vida dos nossos SMEM, nós vamos proporcionar a devida operacionalidade da Força Terrestre”, afirmou.

O general também destacou a necessidade de considerar fatores como prontidão, suportabilidade, rastreabilidade, custos, riscos e evolução tecnológica ao longo da vida útil dos equipamentos. A aceleração das mudanças tecnológicas, segundo ele, exige maior capacidade de adaptação institucional. “Os saltos tecnológicos são mais curtos a cada dia. O que antes demorava décadas para evoluir, agora ocorre em muito menos tempo, o que impõe nossa adaptação às mudanças tecnológicas”, concluiu.

Alinhamento ao Força 40 e aos Programas Estratégicos

A programação foi vinculada a dois eixos do planejamento militar: a visão de futuro Força 40, que estabelece perspectivas para o Exército até 2040, e os Programas Estratégicos da instituição. O tema Força 40 foi apresentado pelo 7º Subchefe do EME, General de Brigada Gelson de Souza, enquanto o chefe do Escritório de Projetos do Exército, General de Divisão Everton Pacheco da Silva, abordou a relação entre os programas estratégicos e a gestão do ciclo de vida dos SMEM.

O estágio também incluiu palestras sobre aquisições complexas, engenharia de sistemas, ferramentas computacionais e manufatura aditiva aplicada à prontidão operacional. Representantes da Marinha do Brasil e da Força Aérea Brasileira compartilharam práticas adotadas em suas respectivas instituições para gerir sistemas e materiais militares, incluindo experiências relacionadas ao gerenciamento de projetos de defesa.

Gestão do ciclo de vida como instrumento de prontidão

A gestão do ciclo de vida abrange as diferentes etapas dos sistemas e materiais militares, desde o planejamento e a aquisição até a operação, o suporte, a modernização e a retirada de serviço. Sua efetividade influencia a disponibilidade dos equipamentos, os custos de sustentação, a capacidade de atualização tecnológica e a previsibilidade dos recursos necessários para manter as capacidades operacionais.

A fase presencial encerrou uma programação iniciada em setembro, com atividades assíncronas realizadas por meio da plataforma EB Aula. Durante o encontro em Brasília, também foram apresentados detalhes da proposta de atualização das Instruções Gerais de Gestão do Ciclo de Vida, elaborada pelo Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército, com o objetivo de adequar as normas às mudanças tecnológicas dos Sistemas e Materiais de Emprego Militar.

A atualização dos procedimentos de gestão é particularmente relevante diante da crescente complexidade dos sistemas de defesa. Mais do que adquirir equipamentos, as Forças Armadas precisam assegurar condições para operá-los, mantê-los, modernizá-los e preservar sua disponibilidade ao longo de décadas. Para o Exército, consolidar essa abordagem é parte do esforço de alinhar planejamento, recursos, evolução tecnológica e prontidão operacional.


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SIATT recebe comitiva do Centro de Instrução de Artilharia de Mísseis e Foguetes do Exército

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A SIATT recebeu, em 5 de outubro, uma comitiva do Centro de Instrução de Artilharia de Mísseis e Foguetes do Exército Brasileiro, sediado em Formosa (GO). A visita reuniu o comandante, instrutores e alunos do Curso de Planejamento de Emprego, no âmbito de uma missão de cooperação de instrução.

Durante a visita, os militares conheceram as capacidades da empresa no desenvolvimento e fornecimento de sistemas de defesa, com destaque para os programas de mísseis e foguetes. A apresentação incluiu as atividades de engenharia e produção industrial da SIATT, além dos projetos do míssil anticarro MAX 1.2 AC e dos mísseis antinavio MANSUP e MANSUP-ER, bem como iniciativas de pesquisa, desenvolvimento e inovação.

A programação incluiu a sede da empresa, em São José dos Campos (SP), e sua nova unidade industrial em Caçapava (SP), destinada à fabricação de motores-foguetes e à integração final de mísseis. A visita permitiu à comitiva conhecer diferentes etapas do trabalho industrial envolvido no desenvolvimento e na produção desses sistemas.

A aproximação entre a indústria de defesa e os centros de instrução do Exército contribui para o intercâmbio de conhecimentos sobre tecnologias e capacidades militares. No caso da SIATT, a visita também colocou em evidência sua atuação em sistemas de mísseis relevantes para as capacidades terrestres e navais brasileiras.

A iniciativa integra o relacionamento entre a empresa e o Exército Brasileiro, em um contexto no qual o domínio tecnológico, a capacidade produtiva nacional e a continuidade dos investimentos são fatores importantes para o fortalecimento da Base Industrial de Defesa e da autonomia estratégica do País.


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sábado, 10 de outubro de 2026

Suécia amplia cooperação industrial relacionada ao motor do Gripen E/F

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A Saab e a GKN Aerospace assinaram um acordo para estabelecer as bases de uma ampliação da cooperação industrial relacionada ao motor General Electric F414-GE-39E, utilizado pelos caças Gripen E/F. A iniciativa atende a uma decisão recente do governo sueco de fortalecer a capacidade nacional e o conhecimento técnico associados à motorização da aeronave.

Segundo a Saab, as duas empresas foram encarregadas de estabelecer as condições necessárias para alcançar esse objetivo. O acordo cria as bases para que a GKN Aerospace se torne parceira da Saab nas atividades relacionadas ao motor do Gripen E/F, assumindo gradualmente um papel mais relevante no programa.

Johan Segertoft, responsável pela unidade de negócios Gripen da Saab, destacou a importância da iniciativa para a capacidade de defesa e a indústria suecas:

“A cooperação que acabamos de formalizar estabelece as bases para que a GKN Aerospace se torne parceira da Saab nas questões relacionadas ao motor do Gripen E/F. Para a Saab, poder contribuir para o fortalecimento da capacidade sueca em aeronaves de combate e da capacidade industrial nacional é extremamente importante.”

A participação da GKN Aerospace deverá envolver conhecimento especializado, capacidade técnica e suporte ao programa. A iniciativa amplia uma cooperação já existente entre as duas empresas no motor da família Gripen C/D, estendendo essa relação ao Gripen E/F.

O acordo busca ampliar a participação industrial sueca nas atividades relacionadas à motorização do Gripen E/F.


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ASELSAN demonstra GÖKALP e aposta na interceptação direta de drones

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A ASELSAN demonstrou o GÖKALP E1, sistema desenvolvido para interceptar e destruir drones hostis em voo. O teste ocorreu na Base Tecnológica Oğulbey, em Ancara, e evidenciou a integração entre radar, comando e controle e drone interceptor.

Durante a demonstração, o radar AURA detectou o alvo e transmitiu dados em tempo real ao GÖKALP E1 por meio do DRONEDEF, software de comando e controle da ASELSAN. O interceptor então destruiu o drone por impacto direto, método conhecido como hit-to-kill.

O GÖKALP emprega sensores de radar e sistemas eletro-ópticos para detectar ameaças e realizar interceptações autônomas. Sua integração a veículos proporciona mobilidade, enquanto o uso de um drone interceptor oferece uma alternativa aos meios convencionais de defesa antiaérea de curto alcance.

A ASELSAN apresenta o sistema como uma solução móvel e economicamente eficiente contra ameaças representadas por veículos aéreos não tripulados (UAVs). Entretanto, o comunicado não informa custos por interceptação, alcance operacional ou taxas de sucesso que permitam avaliar sua eficiência comparativa.

Integração ao STEELDOME

O DRONEDEF integra a arquitetura STEELDOME, iniciativa turca de defesa aérea em camadas que reúne recursos de detecção, comando e controle e neutralização de ameaças.

A demonstração evidenciou a coordenação entre o radar AURA, o software DRONEDEF e o GÖKALP E1, desde a detecção até a destruição do alvo. O resultado confirma o funcionamento integrado dos componentes durante o teste, mas não permite, isoladamente, concluir qual será o desempenho do sistema em cenários operacionais mais complexos.


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quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Depois das Tamandaré: por que uma FDI brasileira pode ser o próximo salto da Esquadra

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A construção das Fragatas Classe Tamandaré representa uma mudança importante na trajetória recente da Marinha do Brasil. O Programa Fragatas Classe Tamandaré (PFCT) recolocou o País em um ciclo de construção seriada de escoltas modernas, recuperou capacidade industrial e estabeleceu uma nova relação entre a Marinha, a indústria brasileira e parceiros estrangeiros. Mas justamente por isso, o programa também coloca uma questão que não pode ser adiada indefinidamente: qual será o próximo degrau?

A resposta não seria a substituição das Tamandaré, mas sua complementação por uma classe de maior capacidade, maior margem de crescimento e maior capacidade de combate. A proposta que merece ser estudada é uma força composta por oito Tamandaré, destinadas a dar volume à Esquadra, complementadas inicialmente por quatro fragatas de uma categoria superior, com possibilidade de expansão futura para seis unidades. Nessa segunda classe, a FDI, da francesa Naval Group, oferece uma referência concreta de plataforma madura sobre a qual o Brasil poderia desenvolver uma configuração própria, caso os estudos demonstrem que sua arquitetura pode atender aos requisitos brasileiros.

A diferença entre as duas classes é relevante. As Tamandaré possuem 107,2 metros, deslocamento de 3.455 toneladas, velocidade máxima de 25 nós e autonomia de 28 dias. Foram concebidas como escoltas multifuncionais e representam um salto importante em relação aos meios que substituem.

A FDI parte de outro patamar. A plataforma possui aproximadamente 122 metros, 4.500 toneladas de deslocamento, 18 metros de boca e velocidade máxima de 27 nós. A Naval Group informa ainda instalações para operar helicópteros de até 10 toneladas e capacidade de operar um Sistema Aéreo Remotamente Pilotado (SARP) em simultâneo, além da arquitetura digital concebida para acompanhar a evolução tecnológica e operacional do navio.

Essa diferença não deve ser interpretada simplesmente como uma disputa entre dois projetos. O ponto é outro: uma Esquadra de dimensões continentais precisa combinar quantidade com capacidade. As Tamandaré podem formar o núcleo quantitativo de escoltas modernas, enquanto uma segunda classe, com maior capacidade de combate e crescimento, poderia assumir missões que exigem maior permanência no mar, defesa aérea mais robusta, guerra antissubmarino mais profunda, maior volume de sensores e armas e, principalmente, maior margem para incorporar sistemas ao longo de quatro décadas de serviço. É nesse espaço que uma plataforma como a FDI se torna particularmente interessante para o planejamento brasileiro.

A análise que antecede esta proposta

Essa discussão não começa agora. O GBN Defense já havia colocado em debate a necessidade de a Marinha do Brasil pensar além da Classe Tamandaré e planejar uma segunda geração de escoltas de maior capacidade.

Na análise publicada em 26 de agosto de 2026, o GBN Defense destacou que a Tamandaré representa uma recuperação necessária da capacidade de presença e escolta da Marinha, mas que suas características naturais, associadas ao porte intermediário da plataforma, não eliminam a necessidade de uma categoria superior de navios concebida desde a origem para missões de maior intensidade e complexidade.

A análise apontou particularmente para quatro questões: a necessidade de uma capacidade antissubmarino mais profunda, incluindo sistemas rebocados; uma defesa aérea capaz de ultrapassar a simples autoproteção e contribuir para a defesa de uma força naval; maior volume e alcance de armamentos; e, sobretudo, maior margem de crescimento estrutural, elétrico, computacional e tecnológico para acompanhar as mudanças que ocorrerão durante décadas de serviço.

Naquele estudo, o GBN Defense propôs que a Marinha começasse a considerar uma segunda camada de escoltas, formada por quatro a seis fragatas de maior deslocamento, na faixa de 6.000 a 8.500 toneladas, complementando as Tamandaré sem substituí-las. A lógica era simples: as Tamandaré forneceriam volume, presença e capacidade multifuncional, enquanto uma classe maior concentraria capacidades necessárias aos cenários de maior intensidade.

Leia a análise anterior do GBN Defense: “Da Tamandaré à próxima geração: por que a Marinha precisa pensar além das fragatas Tamandaré”

A proposta de uma configuração brasileira baseada na FDI nasce, portanto, como desdobramento daquela necessidade, e não como uma decisão antecipada de plataforma. A questão central continua sendo a definição de uma segunda classe de escoltas mais capaz. A FDI entra no debate porque já existe, está em produção e oferece uma arquitetura concreta que pode ser submetida à avaliação brasileira. Se os requisitos definidos pela Marinha demonstrarem a necessidade de uma plataforma maior, a própria avaliação deverá apontar esse caminho.

Uma segunda camada de escoltas

A FDI foi concebida como uma fragata multimissão capaz de atuar nos ambientes de superfície, aéreo, submarino, assimétrico e cibernético. Sua configuração francesa inclui radar Sea Fire, mísseis Aster, Exocet MM40, RAM, torpedos MU90, canhão de 76 mm e sistemas de contramedidas. Na configuração grega divulgada pela Naval Group, a plataforma também incorpora quatro tubos de torpedos e mantém a capacidade de operar simultaneamente helicóptero e VANT.

Para o Brasil, entretanto, o objetivo não deveria ser reproduzir automaticamente uma FDI francesa ou grega. O caminho mais racional seria utilizar a plataforma como ponto de partida e avaliar sua arquitetura diante dos requisitos brasileiros, aproveitando aquilo que já está maduro e modificando aquilo que for necessário para responder às necessidades específicas da Marinha.

Uma eventual configuração brasileira deveria nascer de uma pergunta operacional: que capacidade a Esquadra precisa ter além daquela oferecida pelas Tamandaré?

A resposta aponta para uma escolta com maior capacidade de defesa aérea, guerra antissubmarino mais sofisticada, maior capacidade de geração e distribuição de energia, maior margem de crescimento, maior volume de armamentos e sensores e capacidade de operar por longos períodos no Atlântico Sul.

O objetivo não seria criar um navio excessivamente complexo. Seria estabelecer uma segunda camada de combate, numericamente menor, mas qualitativamente superior.

Quatro primeiro, seis como objetivo

Uma força inicial de quatro unidades pode ser considerada como um núcleo de alta capacidade, sem comprometer a lógica de produção seriada das Tamandaré. Uma segunda etapa poderia elevar essa força para seis navios, caso a experiência operacional, a disponibilidade orçamentária e o planejamento da força justifiquem essa expansão.

Nesse desenho, oito Tamandaré forneceriam presença, escolta, patrulha e massa de combate, enquanto quatro a seis unidades de maior capacidade concentrariam missões mais exigentes, como defesa aérea mais robusta, guerra antissubmarino avançada, comando de forças-tarefa e emprego em operações de maior intensidade.

Essa composição também cria uma vantagem importante de disponibilidade. Uma força de seis navios de maior capacidade não significa seis navios permanentemente empregados. Ao longo do ciclo de vida haverá períodos de manutenção, modernização e treinamento. Uma quantidade maior permite distribuir melhor os ciclos de prontidão sem retirar a capacidade superior da Esquadra.

O quantitativo, entretanto, deve ser entendido como hipótese de planejamento, e não como resultado de um estudo já realizado. A definição final dependerá da estrutura de operações da Marinha, dos níveis de prontidão desejados, dos ciclos de manutenção e, naturalmente, da disponibilidade orçamentária e de sua compatibilização com os demais programas estratégicos da Força.

Não se trata, portanto, de substituir o PFCT. Trata-se de impedir que o programa termine sem que exista uma sucessão industrial e operacional planejada.

O SH-16 já faz parte da equação

A capacidade aeronaval é outro ponto que favorece essa arquitetura. A FDI possui instalações para helicópteros da classe de 10 toneladas, enquanto o SH-16 Seahawk da Marinha está inserido justamente nessa categoria de aeronaves. A plataforma, portanto, oferece uma base física coerente com a operação de um helicóptero pesado de guerra antissubmarino, embora a integração específica precise ser validada no contexto de uma configuração brasileira.

Para uma eventual FDI brasileira, o SH-16 deveria ser tratado como requisito operacional a ser considerado desde a concepção, e não apenas como possibilidade. Isso permitiria manter uma capacidade aeronaval comum entre as duas classes de escoltas, reduzindo a necessidade de criar uma cadeia logística específica para uma nova aeronave embarcada.

Mais importante, o helicóptero seria parte de uma arquitetura ASW mais ampla, combinando sonar de casco, sonar de profundidade variável, torpedos MU90, sensores acústicos e, como requisito de evolução a ser estudado, um sonar de matriz rebocada, este último uma capacidade ausente nas Tamandaré.

A combinação é especialmente relevante para o Atlântico Sul, onde a guerra antissubmarino exige capacidade de detecção em diferentes camadas da coluna d'água e não pode depender exclusivamente de sensores instalados no casco.

Defesa aérea: o ponto em que a FDI brasileira poderia ser diferente

A configuração original da FDI francesa emprega Aster e a configuração grega divulgada pela Naval Group utiliza 32 mísseis Aster. Para o Brasil, porém, existe uma alternativa conceitual que merece estudo: explorar uma arquitetura baseada na família CAMM, aproximando a defesa aérea da eventual nova classe daquela já adotada pelas Tamandaré.

A lógica não é simplesmente escolher o míssil de maior alcance disponível. É buscar comunalidade. A própria MBDA descreve o CAMM como um míssil compacto, de lançamento vertical, com cobertura de 360 graus e capacidade de emprego contra múltiplos alvos simultaneamente. A empresa também destaca que o Sea Ceptor utiliza o mesmo CAMM empregado em outras aplicações terrestres, permitindo estoque comum e ganhos de custo ao longo do ciclo de vida.

Existe ainda uma solução de lançamento ExLS qualificada para o CAMM. A MBDA informa que o sistema de três células pode empregar quatro mísseis por célula, utilizando a arquitetura quad-pack, justamente para obter elevada massa de fogo em espaço reduzido.

Isso não significa que uma FDI possa simplesmente substituir seus lançadores Sylver por determinado número de ExLS. Essa integração exigiria estudos estruturais, de estabilidade, armazenamento, exaustão, alimentação, segurança, combate e arquitetura do navio.

Por isso, uma elevada densidade de mísseis CAMM deve ser tratada como objetivo de estudo, e não como requisito previamente definido. Uma configuração na ordem de 48 mísseis poderia ser avaliada como referência de projeto, caso a engenharia confirme que essa quantidade e o arranjo de lançamento são compatíveis com o volume disponível, a estabilidade, os demais sistemas e os requisitos de crescimento do navio.

A vantagem estaria menos no número absoluto de mísseis do que na possibilidade de aproximar a cadeia logística das duas classes. O CAMM já integra a arquitetura das Tamandaré; uma eventual configuração brasileira da FDI poderia explorar essa comunalidade em treinamento, manutenção, estoque e gerenciamento do ciclo de vida.

Se, no futuro, a Marinha considerar necessário aumentar o alcance da defesa aérea, uma evolução dentro da própria família CAMM poderia ser estudada, desde que tecnicamente compatível com a arquitetura escolhida. Isso permitiria que o requisito de crescimento fosse incorporado ao projeto desde o início, em vez de exigir uma reconstrução posterior da arquitetura do navio.

MANSUP: nacionalização onde já existe uma base

A mesma lógica pode ser aplicada à guerra antissuperfície, onde a Marinha estabeleceu no desenvolvimento do MANSUP o requisito de compatibilidade com os lançadores e consoles existentes em seu inventário. A própria documentação da Força registra que os lançadores de Exocet empregados nos escoltas brasileiros são compatíveis com o MANSUP.

Isso abre uma oportunidade objetiva para uma eventual configuração brasileira da FDI. Em vez de introduzir uma nova família de mísseis antinavio, a plataforma poderia ser concebida desde o início para empregar o MANSUP, com oito mísseis como referência de configuração a ser validada pela engenharia.

O resultado seria uma arquitetura que combinaria uma plataforma de origem estrangeira com um armamento nacional em um dos seus principais sistemas ofensivos.

Esse é exatamente o tipo de nacionalização que interessa a uma estratégia de soberania tecnológica: não nacionalizar por princípio tudo aquilo que já existe no mercado, mas concentrar esforços nos sistemas em que o Brasil possui competência industrial e interesse estratégico.

Itaguaí: a oportunidade que já foi construída

É aqui que a proposta deixa de ser apenas uma discussão sobre navios e passa a ser uma discussão sobre política industrial. O Brasil já investiu na criação de uma infraestrutura naval de elevada complexidade em Itaguaí.

O PROSUB foi estruturado a partir da parceria estratégica Brasil–França estabelecida em 23 de dezembro de 2008 e teve como pilares a transferência de tecnologia, a nacionalização de equipamentos e sistemas e a capacitação de pessoal. O programa inclui a UFEM, os estaleiros e a Base Naval em Itaguaí.

A dimensão dessa transferência é particularmente importante. A Marinha informa que mais de 250 engenheiros e técnicos da própria Força, da NUCLEP e da Itaguaí Construções Navais foram qualificados no processo de transferência de tecnologia, realizado no Brasil e na França. Não se trata, portanto, apenas de um conjunto de prédios e equipamentos: existe uma base humana, industrial e tecnológica acumulada.

A ICN domina processos de construção de submarinos no Brasil, enquanto a Naval Group forneceu tecnologia, documentação, equipamentos e assistência técnica. A própria Naval Group afirma que equipes brasileiras foram treinadas em técnicas de construção e que fornecedores locais foram qualificados e incorporados à sua cadeia de suprimentos. É justamente essa capacidade que merece ser analisada para além do emprego exclusivo na construção de submarinos.

Isso não significa afirmar que Itaguaí esteja destinado a ficar sem função após determinadas etapas do PROSUB. O complexo continuará vinculado às atividades da força de submarinos e ao desenvolvimento do programa nuclear da Marinha. A questão estratégica é outra: existe capacidade industrial instalada que pode, se os estudos de engenharia e capacidade demonstrarem viabilidade, ser aproveitada também em uma linha paralela de construção de escoltas?

Se a resposta técnica for positiva, o Brasil teria a possibilidade de utilizar uma infraestrutura já criada pelo Estado para atender a uma segunda necessidade estratégica brasileira, sem comprometer as atividades para as quais o complexo foi originalmente estruturado.

Uma FDI brasileira não começaria do zero

Essa é provavelmente a principal diferença entre essa proposta e um novo programa naval concebido integralmente do zero.

O PFCT exigiu a implantação de uma estrutura industrial específica para a construção das Tamandaré em Itajaí. O programa envolve quatro navios, cerca de 40% de conteúdo local em equipamentos e serviços, aproximadamente mil empresas participantes e uma estimativa de 23 mil empregos diretos, indiretos e induzidos. O contrato também incorporou transferência de conhecimento e tecnologia relacionada ao CMS e ao IPMS e gestão do ciclo de vida.

Uma eventual configuração da FDI construída em Itaguaí teria outra condição de partida. O Brasil já teria uma infraestrutura naval de grande porte, pessoal qualificado, experiência recente em construção de meios complexos e uma relação de longo prazo com a Naval Group.

Isso não significa que uma FDI brasileira seria automaticamente mais barata. Seria incorreto afirmar isso antes de uma engenharia de custos detalhada. O que pode ser afirmado é que parte dos custos e riscos associados à criação de uma nova capacidade industrial poderia potencialmente ser reduzida, porque infraestrutura, conhecimento e competências já existem.

Ainda seriam necessários projeto, adaptação de instalações, ferramentas, treinamento específico, qualificação de fornecedores, integração de sistemas, engenharia de produção, certificações e definição contratual.

Mas a diferença é estratégica: o Brasil não estaria começando da estaca zero.

O segundo retorno: tecnologia

O verdadeiro valor de um programa dessa natureza não estaria apenas nos quatro ou seis navios entregues à Marinha, mas no conhecimento acumulado.

Um programa baseado na FDI poderia envolver transferência de tecnologia e capacitação em engenharia naval, integração de sistemas de combate, arquitetura digital, sensores, guerra eletrônica, gerenciamento de plataforma, manutenção, logística e gestão do ciclo de vida. O PROSUB demonstrou que esse modelo é possível.

No caso dos submarinos, a transferência de tecnologia francesa alcançou não apenas a construção dos meios, mas também a própria infraestrutura industrial. A Naval Group participou do fornecimento de requisitos técnicos, avaliação e certificação de projetos e consultoria durante a construção da UFEM e dos estaleiros. Essa experiência é um ativo brasileiro.

Uma nova cooperação de superfície poderia ampliar esse conhecimento para uma área diferente da construção naval militar, permitindo que engenheiros, técnicos e fornecedores brasileiros acumulassem experiência em uma segunda família de meios de combate.

O terceiro retorno: indústria e empregos qualificados

O efeito econômico também não deve ser medido apenas pelo valor do contrato. A construção naval mobiliza metalurgia, eletrônica, automação, software, sistemas elétricos, hidráulica, propulsão, sensores, comunicações, integração de sistemas, manutenção e logística.

O próprio PFCT demonstra a dimensão desse efeito, com aproximadamente mil empresas envolvidas e 23 mil empregos estimados. No PROSUB, o impacto também ultrapassou a construção dos submarinos. A Marinha destaca a formação de mão de obra, o desenvolvimento tecnológico e o fortalecimento da indústria naval como resultados do programa.

Uma linha adicional de produção em Itaguaí poderia preservar parte desse conhecimento, gerar demanda continuada para fornecedores e evitar que competências adquiridas ao longo de anos sejam perdidas entre um grande programa e outro. Esse ponto é particularmente importante em programas de defesa.

Uma capacidade industrial estratégica não se constrói apenas com a assinatura de um contrato, nem se preserva automaticamente após a entrega do último produto. Ela depende de continuidade. Quando o trabalho desaparece, também começam a desaparecer os profissionais qualificados, os fornecedores especializados, o conhecimento acumulado e a capacidade de engenharia. Interromper essa atividade por longos períodos significa na prática, começar novamente anos depois e pagar novamente pelo conhecimento que o País já adquiriu.

França e Brasil: uma parceria que pode avançar para a superfície

A relação com a França oferece ainda uma vantagem que poucos potenciais fornecedores poderiam apresentar ao Brasil: existe um histórico concreto de cooperação tecnológica e industrial em território brasileiro.

O PROSUB nasceu justamente de uma parceria estratégica entre os dois países, com transferência de tecnologia, capacitação de pessoal e construção de infraestrutura no Brasil.

A Naval Group, por sua vez, já participou diretamente da formação da cadeia industrial brasileira ligada ao programa. A empresa informa que fornecedores locais foram qualificados e incorporados à cadeia de suprimentos, criando competências que podem ser utilizadas em outras oportunidades.

Uma eventual configuração brasileira baseada na FDI poderia, portanto, ser apresentada não como uma relação convencional de comprador e vendedor, mas como uma possível evolução da parceria industrial iniciada com o PROSUB.

Para a França, haveria a oportunidade de consolidar no Brasil uma segunda capacidade produtiva associada a uma plataforma naval moderna. Para o Brasil, haveria a oportunidade de ampliar o domínio tecnológico, gerar empregos qualificados, fortalecer a Base Industrial de Defesa e avaliar o aproveitamento de uma infraestrutura estratégica já existente. Para a Marinha, haveria uma nova classe de escoltas de maior capacidade integrada a uma força que já estaria recebendo as Tamandaré.

O que precisa ser estudado antes de qualquer decisão?

A proposta não elimina a necessidade de estudos técnicos e operacionais. Ao contrário: transforma uma necessidade estratégica em uma hipótese concreta, permitindo que a Marinha avalie, com dados, se uma configuração brasileira baseada na FDI é industrial, operacional e economicamente viável.

O primeiro estudo deve ser industrial. É necessário verificar a capacidade real de Itaguaí para receber uma linha de construção de navios de superfície sem comprometer as atividades do PROSUB. Isso envolve áreas disponíveis, docagem, oficinas, guindastes, movimentação de cargas, energia, logística, segurança, fluxo de materiais e, principalmente, a possibilidade de compartilhar ou ampliar estruturas e recursos sem criar gargalos para o programa de submarinos.

Em paralelo, deve ser conduzido um estudo de engenharia e capacidade produtiva envolvendo a Marinha, a ICN, a Naval Group e empresas brasileiras. O objetivo seria identificar o que pode ser produzido e integrado no País, quais componentes permaneceriam dependentes de fornecedores externos, quais competências já existem na indústria nacional e onde haveria oportunidade concreta de transferência de tecnologia, qualificação de fornecedores e desenvolvimento de novas capacidades.

Só então entra a definição dos requisitos operacionais da nova classe. É nesse ponto que a proposta deixa de ser simplesmente uma FDI construída no Brasil e passa a ser, de fato, uma configuração brasileira: uma plataforma adaptada às necessidades da Marinha e à realidade do Atlântico Sul.

Nesse processo devem ser avaliados, desde o início, a operação do SH-16, sonar de casco, VDS, a adoção de um sonar de matriz rebocada, MU90, MANSUP, defesa antiaérea baseada na família CAMM, guerra eletrônica, capacidade C-UAS, SARP, sensores de maior desempenho e uma arquitetura elétrica, computacional e estrutural preparada para crescimento.

A partir desses requisitos será possível definir o que realmente importa no projeto: quantidade e disposição das células de lançamento, arquitetura dos sistemas de armas, potência elétrica instalada e reserva, capacidade de geração e distribuição de energia, volumes de magazine, integração dos sensores, espaços para manutenção e, sobretudo, margem física e tecnológica para modernizações ao longo da vida útil.

Essa ordem de trabalho é fundamental. Não se trata de escolher primeiro uma plataforma e depois tentar encaixar nela todas as necessidades brasileiras. O caminho mais seguro é definir a capacidade que a Marinha precisa, verificar se a infraestrutura nacional consegue sustentá-la e, a partir daí, determinar se a FDI, ou outra plataforma, pode atender aos requisitos.

Se os estudos demonstrarem viabilidade, a discussão deixa de ser apenas sobre a compra de uma nova fragata e passa a envolver algo muito mais estratégico: a criação de uma segunda linha de escoltas e a continuidade da capacidade brasileira de projetar, construir, integrar e sustentar navios de guerra de alta complexidade.

O momento de pensar na próxima classe é agora

A maior vantagem de iniciar essa discussão enquanto o PFCT e o PROSUB ainda estão em execução é justamente evitar um intervalo entre programas. O Brasil levou décadas para recuperar capacidade de construção naval moderna. Repetir um ciclo de interrupção industrial significaria novamente perder mão de obra, fornecedores, conhecimento e capacidade de engenharia.

Uma segunda classe de fragatas planejada desde já permitiria que a experiência acumulada com a Tamandaré fosse incorporada ao projeto seguinte. E isso poderia gerar uma arquitetura de força mais coerente: oito navios de uma classe comum e moderna, complementados por quatro a seis escoltas de maior capacidade.

Não é necessário decidir hoje que a FDI será necessariamente a resposta definitiva. Mas já existe material suficiente para concluir que uma plataforma na categoria da FDI deve estar entre as alternativas estudadas pela Marinha.

A questão não é comprar quatro navios franceses. A questão é decidir se o Brasil quer aproveitar a infraestrutura de Itaguaí, a experiência acumulada pelo PROSUB, a relação estratégica com a França e a capacidade industrial desenvolvida nos últimos anos para avaliar a construção de uma segunda geração de escoltas em território nacional.

Se os estudos demonstrarem que a FDI pode atender aos requisitos brasileiros, ela oferece uma vantagem que não pode ser ignorada: já existe, está em produção, foi projetada para operar em múltiplos ambientes de combate e possui uma arquitetura que pode ser avaliada quanto à sua adaptação às necessidades brasileiras.

A questão estratégica

A Classe Tamandaré não deve ser tratada como destino final da renovação da força de escoltas, mas como a base sobre a qual a próxima capacidade precisa ser planejada. A Tamandaré deve formar o núcleo quantitativo da nova Esquadra. O próximo passo é planejar uma segunda classe, menor em número e superior em capacidade, capaz de assumir missões de maior intensidade.

A FDI é uma alternativa concreta para esse estudo. Sua eventual adoção, porém, deve partir dos requisitos da Marinha e da viabilidade de uma configuração brasileira, e não de uma decisão prévia pela plataforma.

O ponto estratégico está em Itaguaí. O Brasil já investiu em infraestrutura, formação de pessoal, transferência de tecnologia e cadeia industrial. O PROSUB criou capacidades que não devem ser tratadas como ativos de um único programa.

Se houver viabilidade técnica para incorporar uma linha de construção de escoltas sem comprometer o PROSUB, essa possibilidade deve ser estudada agora.

O planejamento da próxima classe precisa começar antes da conclusão das Tamandaré. É assim que o Brasil transforma programas isolados em capacidade naval permanente.


por Angelo Nicolaci


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