terça-feira, 22 de setembro de 2026

FAB localiza helicóptero PP-MGR desaparecido na serra de Santa Catarina

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A Força Aérea Brasileira (FAB) localizou nesta terça-feira (22) os destroços do helicóptero Bell 430, matrícula PP-MGR, desaparecido desde segunda-feira (21) durante um voo entre Porto Belo e São Joaquim, em Santa Catarina. A aeronave foi encontrada na região de Urubici após o trabalho de coordenação e busca conduzido pelo Centro de Coordenação de Salvamento Aeronáutico de Curitiba (ARCC-CW), o Salvaero Curitiba.

A localização ocorreu a partir do emprego de um SC-105 Amazonas, operado pelo Segundo Esquadrão do Décimo Grupo de Aviação (2º/10º GAV) — Esquadrão Pelicano, de Campo Grande (MS). A aeronave acumulou aproximadamente 13 horas de voo na ocorrência e, durante uma das missões, identificou os destroços do helicóptero e orientou outra aeronave envolvida na operação, que estava mais próxima do ponto localizado.

O resultado evidencia uma das principais características do sistema brasileiro de Busca e Salvamento (SAR): a combinação de aeronaves com capacidades distintas dentro de uma mesma operação. O SC-105 Amazonas é empregado para missões de busca em grandes áreas, utilizando sensores e sistemas de missão destinados à localização e identificação de aeronaves, embarcações e pessoas, enquanto helicópteros permitem uma aproximação mais precisa e atuação direta sobre a área encontrada.

Na ocorrência em Santa Catarina, essa segunda capacidade foi representada pelo H-60 Black Hawk do Quinto Esquadrão do Oitavo Grupo de Aviação (5º/8º GAV) — Esquadrão Pantera, de Santa Maria (RS). A aeronave permaneceu empregada sobre o local dos destroços após a localização, permitindo o prosseguimento das ações na área de ocorrência.

A definição do setor de busca ficou sob responsabilidade do Salvaero Curitiba, que realizou as etapas de investigação operacional, análise das informações disponíveis e planejamento para delimitar a região com maior probabilidade de localização. Esse processo é fundamental em ocorrências desse tipo, especialmente em áreas montanhosas, onde relevo, vegetação, condições meteorológicas e limitações de visibilidade podem reduzir significativamente a eficiência da busca visual.

Com a localização do PP-MGR, a ocorrência entra também na etapa de investigação aeronáutica. Investigadores do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), em Brasília, e do Quinto Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SERIPA V), em Canoas (RS), foram acionados para realizar a Ação Inicial no local.

Essa atividade envolve a coleta e confirmação de dados, o levantamento das condições encontradas na área, a documentação dos danos e a obtenção de informações relevantes para a investigação. A Ação Inicial não representa, por si só, uma conclusão sobre as causas do acidente, e os possíveis fatores contribuintes somente poderão ser estabelecidos após a análise técnica do conjunto de evidências reunidas pelos investigadores.

O emprego do SC-105 e do H-60 durante a ocorrência também demonstra a importância de manter disponíveis meios especializados para operações SAR em diferentes ambientes. O Amazonas proporciona capacidade de permanência e busca sobre grandes extensões, enquanto o Black Hawk oferece mobilidade e capacidade de acesso a áreas restritas, permitindo que a resposta seja adaptada à evolução da ocorrência.

Para o Brasil, que possui dimensões continentais, extensa área marítima e regiões de difícil acesso terrestre, a manutenção dessa capacidade depende não apenas da existência das plataformas, mas da disponibilidade operacional, treinamento das tripulações, infraestrutura, manutenção e atualização contínua dos sistemas de missão. A continuidade dos investimentos nesses componentes é determinante para preservar a capacidade de resposta quando uma aeronave ou embarcação desaparece em uma área de localização complexa.

A ocorrência em Santa Catarina termina, portanto, com a localização do PP-MGR e o início da investigação conduzida pelo CENIPA e pelo SERIPA V. A determinação das circunstâncias do acidente dependerá agora do trabalho dos investigadores, sem que informações preliminares sejam confundidas com conclusões técnicas.


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Türkiye sinaliza apoio militar à Arábia Saudita em meio à escalada dos ataques houthis

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A Türkiye sinalizou disposição para atender eventuais necessidades militares da Arábia Saudita diante da intensificação dos ataques conduzidos pelos houthis a partir do Iêmen. A manifestação foi feita pelo ministro das Relações Exteriores turco, Hakan Fidan, em entrevista à emissora NTV, poucas semanas após a assinatura do Acordo de Defesa Conjunta de Meca, firmado por Türkiye, Arábia Saudita e Paquistão.

Segundo Fidan, os ataques representam uma ameaça à integridade territorial e à soberania saudita. O chanceler afirmou que Riad pode apresentar necessidades militares, particularmente em áreas técnicas, acrescentando que Ancara não teria dificuldades em atendê-las. A declaração, entretanto, não especificou quais sistemas ou capacidades poderiam ser disponibilizados nem indicou o envio de forças turcas para operações de combate.

O acordo estabelece que um ataque armado contra qualquer um dos três signatários será considerado um ataque contra os demais. Formalizado em agosto, o mecanismo prevê maior coordenação política e militar entre os países e permanece aberto à expansão, sem substituir formalmente as alianças já existentes de seus integrantes.

A crise coloca esse novo arranjo de segurança diante de uma situação concreta. Os houthis ampliaram os ataques contra território saudita desde julho, empregando mísseis e drones contra alvos que incluem áreas urbanas, infraestrutura energética e instalações relacionadas ao transporte. Em 19 de setembro, o grupo reivindicou ataques contra locais considerados sensíveis em Riad, enquanto imagens registraram uma grande coluna de fumaça nas proximidades do principal aeroporto da capital.

Para a Arábia Saudita, o desafio envolve a capacidade de detectar, acompanhar e interceptar diferentes tipos de ameaça, mantendo protegidos centros urbanos, instalações críticas e infraestrutura energética. A evolução dos conflitos recentes reforçou a importância de defesa aérea em camadas, sensores, guerra eletrônica, sistemas antidrones e vigilância permanente, áreas nas quais a indústria de defesa turca desenvolveu um amplo portfólio.

Embora Fidan não tenha detalhado quais seriam as possíveis necessidades sauditas, a indústria de Türkiye dispõe de soluções em diferentes segmentos dessa arquitetura, incluindo sistemas de defesa antiaérea, radares, guerra eletrônica, veículos aéreos não tripulados, munições guiadas e plataformas de ataque. Qualquer eventual fornecimento dependeria de definições políticas e técnicas entre Ancara e Riad.

A possibilidade de apoio também amplia o peso de Türkiye na equação de segurança do Golfo. O país reúne uma ampla base industrial de defesa e capacidade de desenvolver e produzir sistemas destinados a diferentes níveis de uma arquitetura militar integrada, enquanto a Arábia Saudita busca ampliar seus recursos diante de ameaças provenientes de mísseis e drones.

Islamabad, por sua vez, mantém uma posição mais cautelosa quanto a uma eventual resposta militar. O governo paquistanês afirmou que não havia discussões sobre uma reação militar em razão dos ataques houthis, embora tenha reiterado que cumprirá seus compromissos quando necessário. A posição indica que qualquer resposta conjunta dependeria de decisões específicas dos governos envolvidos.

A posição de Ancara também precisa ser observada à luz da tentativa de evitar uma ampliação do conflito regional. Fidan afirmou ser inaceitável que a Arábia Saudita seja arrastada para a guerra entre Estados Unidos e Irã e disse que propostas para interromper os combates foram apresentadas às partes envolvidas. Ao mesmo tempo, a Türkiye condenou os ataques houthis e pediu sua interrupção imediata.

O cenário ganha ainda maior complexidade diante das consequências sobre o comércio e o setor energético. A combinação entre a instabilidade no Mar Vermelho e as restrições ao tráfego pelo Estreito de Ormuz aumenta a importância das rotas alternativas para a exportação de petróleo do Golfo e amplia o impacto de qualquer ataque contra infraestrutura saudita ou contra a navegação regional.

A movimentação britânica reforça que Riad já busca ampliar o apoio externo à sua defesa. Em 21 de setembro, o Reino Unido anunciou que atenderá a um pedido saudita para fornecer apoio defensivo de reabastecimento aéreo, com o emprego de uma aeronave Voyager por período limitado. Londres também havia deslocado anteriormente o sistema Sky Sabre para a Arábia Saudita diante das ameaças de mísseis na região.

A declaração de Hakan Fidan não representa, portanto, a entrada formal de Türkiye na campanha militar contra os houthis. O movimento indica, porém, que a cooperação entre Ancara, Riad e Islamabad começa a ser confrontada pelas pressões concretas do ambiente estratégico do Oriente Médio, enquanto a capacidade industrial turca surge como uma possível ferramenta para atender às necessidades defensivas sauditas.


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FAB emprega H-60L Black Hawk e SC-105 Amazonas nas buscas por helicóptero encontrado na Serra Catarinense

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A Força Aérea Brasileira (FAB) empregou meios especializados de Busca e Salvamento (SAR) na operação que resultou na localização do helicóptero Bell 430, matrícula PP-MGR, desaparecido desde a tarde de segunda-feira (21), durante um voo entre Porto Belo e a região de São Joaquim, em Santa Catarina. Os destroços foram encontrados nesta terça-feira (22), na Serra Catarinense, e o Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina confirmou a localização de cinco corpos.

Entre os principais meios empregados pela FAB estiveram o H-60L Black Hawk e o SC-105 Amazonas, integrados à estrutura especializada do Esquadrão Pelicano, o 2º Esquadrão do 10º Grupo de Aviação (2º/10º GAV). A combinação de aeronaves de asa fixa e rotativa permitiu ampliar a capacidade de procura aérea e apoiar a delimitação das áreas prioritárias em uma região marcada por relevo acidentado, mata fechada e condições meteorológicas adversas. A operação foi coordenada pelo Centro de Coordenação de Salvamento Aeronáutico de Curitiba (Salvaero Curitiba).

O cantor Rick da dupla Rick e Renner esta entre as vítimas

Na configuração empregada pela FAB, o SC-105 Amazonas é uma plataforma dedicada à Busca e Salvamento, equipada com radar de busca, sensores eletro-ópticos, sistemas de comunicação e outros recursos destinados à localização de aeronaves, embarcações e pessoas. Derivado do C-295, o vetor oferece autonomia e capacidade de permanência sobre a área de interesse, características que permitem realizar varreduras extensas e trabalhar com diferentes informações obtidas durante a missão.

O H-60L Black Hawk cumpre uma função complementar, especialmente relevante em terrenos restritos. A aeronave pode operar em baixa velocidade, pairar e aproximar-se de áreas onde aeronaves de asa fixa não conseguem atuar diretamente, além de contar com equipamentos específicos para missões de resgate. Essa flexibilidade permite apoiar a localização e, quando necessário, o acesso às áreas identificadas.

A definição dos setores prioritários ocorreu de forma progressiva. Os primeiros esforços se concentraram na região de Vacas Gordas, em Urubici, depois de informações sobre uma possível queda. Posteriormente, o cruzamento de dados relacionados ao último sinal de celular de um dos ocupantes levou as equipes a ampliar a procura em direção ao Morro Agudo, em uma área situada a aproximadamente 30 quilômetros do primeiro ponto.

No solo, mais de 20 bombeiros participaram da operação, apoiados por sete viaturas, drones equipados com câmeras térmicas e cães de busca. O mau tempo, a baixa visibilidade, a vegetação fechada e as dificuldades de acesso aumentaram a complexidade da missão e limitaram, em determinados momentos, o emprego dos meios aéreos, fazendo com que as equipes terrestres mantivessem a procura durante a madrugada.

A localização dos destroços encerrou a etapa de procura da aeronave e iniciou uma nova fase da ocorrência, voltada ao acesso ao local, recuperação dos corpos e preservação das informações necessárias às investigações. A identidade da quinta vítima ainda não havia sido divulgada nas primeiras informações após a localização, enquanto Rick Sollo, o empresário Bruno Avelar, o videomaker Paulo Soares e o piloto estavam entre os ocupantes já identificados publicamente.

A ocorrência também evidencia a importância dos meios especializados disponíveis no Sistema de Busca e Salvamento Aeronáutico. Em setembro, um SC-105 do Esquadrão Pelicano localizou, a aproximadamente 480 quilômetros de Fortaleza, uma embarcação pesqueira que estava sem contato havia sete dias. Naquela missão, radar, sensores e sistemas de comunicação contribuíram para a identificação inicial do alvo, posteriormente confirmada pelos Observadores SAR.

Em Santa Catarina, a combinação entre sensores, aeronaves, informações de telefonia e equipes terrestres permitiu reduzir progressivamente a área de procura até a localização da aeronave. O episódio demonstra, na prática, que uma operação SAR depende de uma cadeia de capacidades que vai muito além da disponibilidade de uma única plataforma, envolvendo coordenação, treinamento, comunicações, inteligência de localização e meios capazes de atuar em diferentes ambientes.

Para um país com dimensões continentais, extensa costa e regiões de difícil acesso, manter essa estrutura exige disponibilidade operacional e atualização permanente. Aeronaves especializadas, sensores e sistemas de comunicação precisam ser acompanhados por manutenção, treinamento e infraestrutura capazes de preservar sua prontidão ao longo dos anos.

A evolução dos meios da FAB, com a incorporação de novas tecnologias e plataformas, amplia gradualmente essa capacidade. A continuidade desses programas, dentro de um planejamento de longo prazo e com previsibilidade para sua manutenção e modernização, é o que permite transformar equipamentos disponíveis em uma resposta efetiva quando uma emergência exige sua utilização.

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Dassault testa algoritmos em voo com o Rafale

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A Dassault Aviation colocou dois novos algoritmos de inteligência artificial à prova em voo a bordo do Rafale, avançando no desenvolvimento de tecnologias que poderão integrar futuras atualizações do caça francês. A iniciativa ocorre em meio à corrida das principais indústrias de defesa para incorporar recursos computacionais avançados aos sistemas de combate.

Um dos algoritmos foi desenvolvido pelos próprios engenheiros da Dassault, enquanto o segundo resultou de uma parceria com a Thales por meio da iniciativa cortAIx. As duas empresas já cooperam no programa Rafale e trabalham no desenvolvimento de tecnologias destinadas à modernização da aeronave.

A Dassault não divulgou detalhes sobre as funções desempenhadas pelas soluções durante o voo. Segundo a fabricante, ambas alcançaram um nível de maturidade que permite considerá-las para futuras atualizações do Rafale. Isso não significa, contudo, que já estejam empregadas operacionalmente: a eventual adoção dependerá das etapas posteriores de avaliação, integração, validação e certificação.

A proposta é utilizar essas ferramentas de forma controlada e supervisionada em apoio às tripulações, especialmente diante do crescente volume de informações produzido pelos sensores e sistemas embarcados. O objetivo é ampliar a capacidade do piloto de compreender o cenário operacional e tomar decisões em um ambiente cada vez mais complexo, preservando o controle humano sobre as ações críticas.

A aplicação desses recursos em uma aeronave de combate envolve desafios que vão além do desenvolvimento dos algoritmos. A disponibilidade e a qualidade dos dados operacionais, obtidos em condições reais ou simuladas, a incorporação de conhecimento especializado e a capacidade de executar os modelos em uma plataforma sujeita a severas restrições de processamento são fatores fundamentais para sua utilização em um sistema de combate.

O desenvolvimento também está relacionado à crescente integração entre aeronaves tripuladas e sistemas não tripulados. Empresas de defesa de diferentes países trabalham em conceitos de loyal wingman, nos quais drones acompanham caças convencionais e podem executar tarefas específicas durante uma missão, ampliando os recursos disponíveis ao elemento tripulado.

A Saab informou no ano passado ter realizado testes com um Gripen E empregando recursos de inteligência artificial em cenário de combate aéreo contra um piloto humano. Nos Estados Unidos, um F-16 modificado foi utilizado em 2024 para demonstrar a aplicação de aprendizado de máquina em combate aéreo contra uma aeronave tripulada.

No caso francês, a Dassault trabalha para incorporar essas tecnologias às próximas etapas de desenvolvimento do Rafale e aos futuros sistemas de combate aéreo no âmbito do FCAS. A empresa também mantém aberta a possibilidade de desenvolver seu próprio caça de próxima geração, embora não descarte novas formas de cooperação internacional.

Esse processo ganhou importância após as dificuldades enfrentadas pelo programa franco-alemão FCAS, desenvolvido com participação da Airbus. O impasse levou Paris a considerar alternativas para preservar sua autonomia no desenvolvimento de aeronaves de combate e das tecnologias associadas.

A iniciativa demonstra a direção tecnológica adotada pela Dassault: ampliar progressivamente os recursos disponíveis à tripulação e preparar o Rafale para operar em um ambiente no qual aeronaves tripuladas, sistemas não tripulados e diferentes fontes de informação atuarão de forma cada vez mais integrada.


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Austrália ativa MQ-4C Triton e amplia vigilância marítima

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A Força Aérea Real Australiana (RAAF) alcançou a Capacidade Operacional Inicial (IOC) do MQ-4C Triton, incorporando uma capacidade de inteligência, vigilância e reconhecimento (ISR) de longo alcance destinada ao monitoramento contínuo de extensas áreas marítimas. A entrada em serviço amplia a capacidade australiana de acompanhar atividades a grandes distâncias e reforça o componente aéreo de sua vigilância estratégica.

Desenvolvido pela Northrop Grumman, o MQ-4C Triton foi concebido para permanecer longos períodos em voo e cobrir grandes áreas sem expor tripulações às mesmas limitações de uma aeronave convencional. Na Austrália, o sistema passa a atuar dentro de uma estrutura que combina diferentes plataformas para obter informações, acompanhar contatos e apoiar operações marítimas.

O MQ-4C será empregado ao lado dos P-8A Poseidon e MC-55A Peregrine, cada um cumprindo funções específicas. O Triton concentra-se na coleta persistente de informações a grande distância; o Poseidon reúne capacidades de patrulha marítima, guerra antissubmarino e guerra antissuperfície; enquanto o Peregrine acrescenta recursos especializados de inteligência e guerra eletrônica.

A Austrália recebeu em maio o 14º e último P-8A, consolidando sua frota de patrulha marítima. Paralelamente, 12 aeronaves serão modernizadas em território australiano, com participação da Boeing Defence Australia e de empresas locais, nas novas instalações de Manutenção e Modificação Profunda da RAAF Edinburgh, construídas com investimento de aproximadamente A$ 200 milhões.

O MC-55A Peregrine também alcançou a IOC. Três aeronaves já foram entregues e a quarta está prevista para chegar ainda em 2026. Com isso, a Austrália amplia sua capacidade de combinar patrulha, reconhecimento, inteligência e guerra eletrônica em operações de longa duração.

O Triton está baseado em RAAF Tindal, no Território do Norte, e é operado pelo Esquadrão nº 9, sediado em Edinburgh, na Austrália Meridional. A Northrop Grumman Australia participa da sustentação das operações, enquanto Edinburgh concentra atividades de manutenção e suporte de sistemas avançados.

A escolha do MQ-4C está diretamente relacionada à geografia australiana. O país precisa monitorar extensas áreas oceânicas, rotas comerciais e aproximações marítimas, muitas delas localizadas a grandes distâncias de suas bases. Uma aeronave não tripulada de elevada autonomia permite ampliar a cobertura sem manter continuamente meios tripulados em voo.

O programa faz parte da Estratégia Nacional de Defesa australiana de 2026, que prevê aproximadamente A$ 5,5 bilhões ao longo da próxima década para capacidades de inteligência, vigilância e reconhecimento, além de patrulha e resposta marítima. O investimento acompanha a expansão da infraestrutura necessária para operar, manter e modernizar esses sistemas em território nacional.

A experiência australiana merece atenção especial no Brasil. A Amazônia Azul possui dimensões continentais e concentra rotas comerciais, infraestrutura energética, recursos naturais e áreas essenciais à economia nacional, mas o Brasil ainda apresenta uma capacidade de monitoramento persistente inferior à escala desse espaço marítimo.

Nesse contexto, a expansão do Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz) precisa avançar com maior velocidade, incorporando novos sensores, radares, sistemas espaciais, inteligência eletrônica, meios aéreos tripulados e não tripulados e recursos de processamento e fusão de dados. O objetivo é ampliar a capacidade de detectar, identificar, classificar e acompanhar atividades marítimas em tempo real, integrando essas informações às estruturas de comando e controle.

Para o Brasil, sistemas de grande autonomia como o Triton poderiam ser avaliados como parte de uma solução mais ampla, complementando satélites, aeronaves de patrulha, sensores costeiros e meios navais. A questão central não é reproduzir o modelo australiano, mas acelerar a construção de uma capacidade nacional compatível com a dimensão e a importância estratégica da Amazônia Azul.

A entrada do MQ-4C em operação na Austrália evidencia uma tendência cada vez mais clara: o controle de grandes espaços marítimos depende de persistência, sensores distribuídos, processamento de dados e capacidade de resposta. Para o Brasil, ampliar o SisGAAz e suas capacidades associadas deixou de ser apenas uma questão de modernização tecnológica e passou a representar uma necessidade operacional para o efetivo monitoramento da Amazônia Azul.


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"Operação Denizkurdu-I" - Türkiye projeta poder naval no Mediterrâneo Oriental

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A Türkiye colocou em movimento uma expressiva parcela de sua estrutura militar no Mediterrâneo Oriental, onde realiza o exercício "Denizkurdu-I" (Lobo do Mar I), enquanto mantém simultaneamente uma missão aérea de grande alcance ao sul de Chipre. A atividade reúne aproximadamente 100 navios, 50 aeronaves e 14 mil militares, envolvendo unidades da Marinha, Força Aérea, Exército e Guarda Costeira em operações distribuídas pelo Mar Negro, Mar de Mármara, Mar Egeu e Mediterrâneo Oriental.

No centro da atividade naval está o TCG Anadolu, maior navio da Marinha Turca e principal plataforma de projeção de poder da força naval de Ancara. O navio receberá em 24 de setembro, um dia especial para observadores durante o exercício, oferecendo uma demonstração pública das capacidades desenvolvidas pela Türkiye para operar aeronaves não tripuladas, helicópteros e forças de desembarque a partir de uma mesma plataforma.

O Denizkurdu-I foi concebido para testar diferentes níveis de prontidão e coordenação entre os componentes das Forças Armadas Turcas. A programação inclui exercícios de tiro real, operações de cooperação intersetorial e atividades destinadas a verificar a capacidade das unidades de atuar de maneira integrada em diferentes áreas marítimas, estabelecendo um cenário de treinamento que vai muito além de uma simples concentração de navios.

A dimensão geográfica do exercício também chama atenção. Ao distribuir suas atividades simultaneamente por quatro ambientes marítimos, a Türkiye treina a movimentação e o emprego de forças em um espaço que conecta seus principais teatros de operação. No Mediterrâneo Oriental, essa presença ganha significado adicional pela proximidade com Chipre, Grécia e as rotas marítimas que atravessam a região.

É nesse contexto que a Força Aérea turca realizou uma missão ao sul de Chipre e sobre o espaço aéreo internacional do Mediterrâneo. Caças F-16 foram empregados em conjunto com uma aeronave E-7T de alerta aéreo antecipado e controle e um KC-135R de reabastecimento em voo, compondo a cobertura aérea necessária para operações navais de maior duração e alcance.

A presença do E-7T é particularmente importante para a arquitetura do exercício. A aeronave amplia a capacidade de vigilância e gerenciamento do espaço aéreo, fornecendo às forças participantes uma visão mais abrangente do ambiente operacional. Já o KC-135R permite prolongar o tempo de permanência dos caças, criando maior flexibilidade para missões que exigem atuação distante das bases terrestres.

A realização do Denizkurdu-I ocorre poucos dias depois do exercício multinacional Medusa 15, que reuniu Grécia, Egito, França, Itália e Chipre no Mediterrâneo Oriental. A atividade, realizada ao sul de Creta e de Cárpatos, contou com navios de guerra, aeronaves, drones e forças de operações especiais, evidenciando o elevado nível de atividade militar que vem marcando a região.

Não há indicação oficial de coordenação entre os dois exercícios. A proximidade temporal, entretanto, ocorre no Mediterrâneo Oriental marcado por disputas envolvendo segurança marítima, delimitação de áreas de interesse, recursos energéticos e a questão de Chipre. Nesse ambiente, grandes exercícios funcionam também como instrumentos para demonstrar capacidade de presença e prontidão.

Ancara afirma que a missão aérea ao sul de Chipre ocorreu em espaço aéreo internacional e que seu objetivo foi treinar as forças, elevar a prontidão e proteger os interesses turcos no Mediterrâneo. Na Grécia e em Chipre, a atividade foi interpretada de maneira mais crítica, como uma demonstração de força. As diferentes leituras refletem a sensibilidade política e militar existente na região.

Mais importante que a quantidade de plataformas mobilizadas é a forma como elas são empregadas. O Denizkurdu-I permite à Türkiye combinar forças navais, aviação, sistemas não tripulados, tropas terrestres e Guarda Costeira em um mesmo ciclo de treinamento, enquanto a missão aérea acrescenta capacidade de vigilância, proteção e sustentação às operações conduzidas sobre o mar.

O exercício também oferece uma vitrine para a transformação da Marinha Turca. O TCG Anadolu ocupa papel central nesse processo ao reunir capacidades de projeção anfíbia e emprego de aeronaves não tripuladas, enquanto a integração com outros navios e com a Força Aérea amplia o alcance do grupo naval e sua capacidade de operar em ambiente contestado.

O Denizkurdu-I, portanto, deve ser observado principalmente como um exercício de integração do poder naval turco. A concentração de meios no Mediterrâneo Oriental, associada à cobertura aérea e ao emprego do Anadolu, demonstra uma força que busca treinar não apenas a presença marítima, mas a capacidade de sustentar operações conjuntas, coordenadas e prolongadas em diferentes teatros.


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Hanwha investirá US$ 2,2 bilhões em complexo de munições nos Estados Unidos

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A Hanwha Defense USA anunciou um investimento estimado em US$ 2,2 bilhões para estabelecer um complexo de fabricação de componentes para munições no Pine Bluff Arsenal, instalação do Exército dos Estados Unidos localizada no Arkansas. O projeto prevê a produção de cargas propelentes para munições de 155 mm e base bleed, dispositivo propelente instalado na parte traseira dos projéteis para reduzir o arrasto aerodinâmico e ampliar o alcance.

A empresa inaugurou uma sede administrativa no próprio arsenal, responsável pela coordenação das operações locais. A estrutura representa a primeira etapa do futuro Advanced Manufacturing Campus, cuja implantação deverá ocorrer de forma escalonada. A Hanwha foi selecionada para o arrendamento do complexo em janeiro de 2026.

O empreendimento deverá gerar aproximadamente 400 empregos ao longo de sete anos e utilizará uma instalação militar já existente para receber uma nova atividade industrial. Para o Exército americano, o arrendamento também deverá gerar receitas que poderão ser direcionadas à infraestrutura do próprio arsenal.

A escolha de componentes de 155 mm é particularmente significativa. Esse calibre permanece amplamente empregado pela artilharia ocidental e ganhou importância adicional com a experiência dos conflitos recentes, nos quais o consumo de munição evidenciou a necessidade de manter linhas industriais capazes de sustentar operações prolongadas.

O projeto insere a Hanwha em uma etapa sensível da cadeia produtiva americana. Em vez de apenas fornecer sistemas completos ao mercado dos Estados Unidos, a companhia sul-coreana passa a estabelecer capacidade fabril dentro do território americano, aprofundando sua integração com a estrutura industrial de Defesa do país.

Essa estratégia acompanha a expansão internacional da indústria sul-coreana, que nos últimos anos passou a combinar exportação de equipamentos com produção local, parcerias e investimentos em mercados estratégicos. A presença da Hanwha nos Estados Unidos amplia esse movimento justamente em um segmento relacionado à sustentação logística das forças militares.

Para Washington, a iniciativa representa uma forma de ampliar a capacidade produtiva utilizando capital e tecnologia privados associados à infraestrutura militar existente. Para a Hanwha, cria uma plataforma permanente de fabricação no mercado americano e reduz a distância entre sua cadeia industrial e um dos maiores consumidores mundiais de material de Defesa.

O caso também oferece uma referência para o debate brasileiro sobre a Base Industrial de Defesa. A experiência demonstra que soberania industrial não depende somente do domínio tecnológico de determinado produto, mas da existência de uma cadeia capaz de fabricar seus componentes em escala, preservar fornecedores e manter pessoal qualificado.

No segmento de munições, essa questão é ainda mais relevante. Propelentes, espoletas, corpos de projéteis, sistemas de alcance estendido e diferentes tipos de cargas dependem de fornecedores especializados e de demanda suficientemente previsível para justificar investimentos industriais de longo prazo.

A experiência de Pine Bluff ainda evidencia uma possibilidade de política industrial: utilizar instalações e instrumentos do Estado para atrair investimentos privados em setores considerados estratégicos. No Brasil, uma abordagem semelhante poderia ser discutida para segmentos da BID nos quais a capacidade existente não corresponde às necessidades de mobilização e reposição das Forças Armadas.

O investimento anunciado pela Hanwha, portanto, deve ser observado não apenas pelo valor de US$ 2,2 bilhões, mas pelo modelo adotado. Uma empresa estrangeira está incorporando capacidade produtiva diretamente à cadeia americana de munições, enquanto o Estado utiliza sua infraestrutura para viabilizar essa expansão.

Para o Brasil, a principal questão colocada por esse movimento é como transformar competências existentes em capacidade industrial permanente, com escala e previsibilidade suficientes para atender às necessidades de defesa sem depender exclusivamente de fornecedores externos em situações de crise.


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ASELSAN testa SMASH 300 contra drones e apresenta solução que pode interessar ao Brasil

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A ASELSAN realizou testes de disparo do novo sistema naval remotamente controlado SMASH 300, demonstrando sua capacidade de engajamento contra veículos aéreos não tripulados (VANTs) e alvos de superfície. A nova geração da família SMASH combina um canhão de 25 mm com a munição de fragmentação aérea ATOM 25 e o radar AURA 200, configurando uma solução voltada também à crescente demanda por sistemas navais de combate a drones.

Durante os testes, o SMASH 300 empregou a munição ATOM 25 contra pequenos VANTs, com o sistema recebendo dados do radar AURA 200 para detecção e acompanhamento dos alvos. A estação também realizou disparos contra um alvo de superfície, utilizando a mesma munição programada para produzir sua detonação pouco antes do impacto.

A ATOM 25 constitui um dos principais elementos da nova arquitetura. A munição de fragmentação aérea foi concebida para produzir efeito próximo ao alvo, ampliando a possibilidade de engajamento de pequenos veículos aéreos sem depender exclusivamente de um impacto direto. Para sistemas de defesa de ponto, essa característica ganha relevância diante da disseminação de drones de baixo custo empregados em missões de reconhecimento, vigilância e ataque.

O SMASH 300 incorpora ainda alimentação dupla de munição, sensores eletro-ópticos aprimorados e recursos de assistência por inteligência artificial. A combinação desses elementos aproxima o sistema de uma arquitetura C-UAS integrada, na qual detecção, acompanhamento e engajamento estão associados em uma mesma cadeia de resposta.

A nova estação naval aproveita tecnologias desenvolvidas pela ASELSAN para sistemas terrestres, incluindo o KORKUT 100/25 SB e o AURA 200-G. A transferência dessas capacidades para uma plataforma naval permite combinar radar, sensores eletro-ópticos e armamento automático em uma solução voltada tanto contra ameaças aéreas de pequena dimensão quanto contra alvos de superfície.

A família SMASH já possui emprego na Marinha Turca. O SMASH 200/25 equipa corvetas Classe Ada, fragatas Classe I e o navio de assalto anfíbio TCG Anadolu. A experiência acumulada com essas plataformas fornece à empresa uma base para a evolução da arquitetura, embora a adoção do SMASH 300 em cada classe dependa das características e requisitos específicos dos respectivos navios.

A evolução da família também poderá alcançar outros calibres. A ASELSAN trabalha no desenvolvimento de novas munições ATOM, incluindo o calibre 30×173 mm, enquanto uma possível versão SMASH 300/30 aparece como caminho de desenvolvimento. Essa possibilidade ainda depende da evolução do programa e não deve ser tratada como uma capacidade operacional já disponível.

Uma solução que pode interessar à Marinha do Brasil

A demonstração do SMASH 300 ganha relevância para o Brasil diante da rápida transformação da ameaça representada pelos drones. A disseminação de VANTs de pequeno porte acrescentou uma nova camada de risco às operações navais, exigindo meios capazes de detectar e neutralizar alvos de baixa assinatura sem necessariamente recorrer a armamentos de maior custo.

Nesse contexto, o SMASH 300 apresenta características que podem justificar sua avaliação pela Marinha do Brasil como uma solução de defesa de ponto e combate a sistemas aéreos não tripulados. A integração entre radar, sensores eletro-ópticos, controle de tiro e munição de fragmentação aérea oferece uma abordagem diferente daquela baseada exclusivamente em uma estação de armas convencional.

O NAM Atlântico poderia ser considerado em estudos futuros para receber uma capacidade desse tipo, criando uma camada adicional de proteção contra VANTs e ameaças assimétricas. O mesmo conceito poderia ser avaliado para o NDM Oiapoque, desde que estudos técnicos confirmem a compatibilidade estrutural, elétrica, de sensores, campos de tiro e integração com os sistemas de combate das plataformas.

A possibilidade não se limita aos navios atualmente em serviço. Em futuros projetos navais, a incorporação de uma capacidade C-UAS desde a fase de concepção permitiria dimensionar posições de armamento, sensores, redes de dados, alimentação elétrica e integração ao sistema de gerenciamento de combate de acordo com os requisitos da missão.

Uma alternativa para futuras Tamandaré

A discussão também pode alcançar o programa das fragatas Classe Tamandaré. As novas unidades empregam o SeaSnake 30, sistema de 30 mm que possui capacidade de utilização de munição programável contra alvos aéreos. Por isso, o SMASH 300 não deve ser tratado simplesmente como substituto ou como solução superior, mas como uma alternativa que poderia ser comparada em futuras decisões de aquisição.

Uma eventual avaliação para um segundo lote das Tamandaré dependeria de fatores como desempenho contra VANTs, alcance efetivo, capacidade de acompanhamento, integração ao sistema de combate, disponibilidade e custo das munições, logística, manutenção, custo de aquisição e ciclo de vida. Também seria necessário considerar os impactos de introduzir uma nova família de equipamentos em uma classe que já possui arquitetura definida.

Caso a ASELSAN avance na versão de 30 mm e na munição ATOM 30×173 mm, essa comparação poderia ganhar outra dimensão, aproximando as duas soluções em termos de calibre. A análise passaria então a se concentrar ainda mais sobre sensores, arquitetura de controle de tiro, munição, integração, custos e capacidade de evolução.

Brasil e Türkiye: espaço para ampliar a autonomia estratégica

A possibilidade de avaliar sistemas turcos também encontra respaldo no processo de aproximação entre Brasil e Türkiye no setor de Defesa. Os dois países possuem um acordo de cooperação em indústria de Defesa que estabelece mecanismos para intercâmbio técnico, pesquisa, desenvolvimento, produção, modernização e aquisição de equipamentos e serviços relacionados ao setor.

Para o Brasil, essa estrutura de cooperação pode abrir possibilidades que vão além da compra de equipamentos prontos. Conforme as condições de cada projeto, podem ser avaliados mecanismos de transferência de tecnologia, participação da Base Industrial de Defesa, manutenção local, desenvolvimento conjunto e domínio de etapas relevantes do ciclo de vida dos sistemas.

Essa abordagem se conecta diretamente ao objetivo brasileiro de ampliar sua autonomia estratégica. Diversificar fornecedores não significa abandonar parceiros tradicionais nem substituir uma dependência por outra. Significa ampliar o número de alternativas disponíveis, aumentar a capacidade de negociação e preservar liberdade de escolha diante de mudanças no cenário internacional.

A indústria turca oferece, nesse contexto, uma alternativa tecnológica relevante em áreas como radares, guerra eletrônica, sistemas navais, munições inteligentes e combate a drones. Para o Brasil, estabelecer novas opções fora da concentração tradicional de fornecedores norte-americanos e europeus pode ampliar seu espaço de manobra, sem que a diversificação implique necessariamente uma transferência de dependência para China ou Rússia.

O SMASH 300, portanto, merece atenção não apenas pelo teste contra VANT's, mas pela arquitetura de capacidade que representa. Para a Marinha do Brasil, a solução pode ser considerada em estudos para plataformas como o NAM Atlântico, o NDM Oiapoque e futuros meios, além de eventualmente integrar uma avaliação para um segundo lote das fragatas Classe Tamandaré, caso os requisitos técnicos e econômicos sejam atendidos.

No contexto da cooperação Brasil–Türkiye, acompanhar esse tipo de tecnologia também amplia as opções brasileiras em defesa naval e pode contribuir para uma estratégia de maior autonomia tecnológica, diversificação de fornecedores e liberdade de escolha.


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segunda-feira, 21 de setembro de 2026

FAB promove workshop sobre financiamento de projetos de Defesa e formaliza nova etapa do H-X BR

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A Força Aérea Brasileira (FAB) realizou, nesta quinta-feira (17), em Brasília (DF), o Workshop sobre Financiamento a Projetos de Defesa. Promovido pela Secretaria de Economia, Finanças e Administração da Aeronáutica (SEFA), por meio da Diretoria de Economia e Finanças da Aeronáutica (DIREF), o encontro reuniu autoridades, militares, servidores e especialistas para discutir mecanismos relacionados ao financiamento externo de projetos de Defesa.

A abertura contou com a participação do Comandante da Aeronáutica, da Secretária-Geral do Ministério da Defesa, do Secretário de Economia, Finanças e Administração da Aeronáutica e da Embaixadora da Suécia no Brasil, além de representantes de instituições envolvidas nos processos de financiamento externo.

O objetivo do workshop foi promover a atualização e o aperfeiçoamento de militares e servidores que atuam nessa área, com discussões voltadas à prospecção, estruturação e aprovação de linhas de financiamento externo destinadas a projetos de elevada complexidade.

Durante a abertura, o Comandante da Aeronáutica destacou a importância da integração entre os diferentes atores envolvidos na estruturação dos projetos. Segundo ele, a conjugação de esforços permite transformar o planejamento em capacidade operacional e, simultaneamente, contribuir para o fortalecimento da Base Industrial de Defesa. O comandante também ressaltou que o intercâmbio de experiências e a disseminação de boas práticas podem contribuir para a estruturação de futuros projetos estratégicos da Defesa Nacional.

A programação contou com cinco palestras ao longo do dia. A primeira tratou do “Ecossistema Financeiro da Indústria de Defesa do Brasil”, apresentada pelo Vice-Presidente do Instituto Sagres – Política e Gestão Estratégica Aplicadas. Na sequência, foi discutido o “Spillover dos Investimentos em Defesa”, tema apresentado por especialista com atuação em assessoria estratégica e financeira, estruturação de operações de fusões e aquisições, finanças corporativas e planejamento estratégico.

No período da tarde, a Subsecretária de Financiamento Externo da Secretaria de Assuntos Internacionais e Desenvolvimento do Ministério do Planejamento e Orçamento apresentou o tema “Operação de Crédito Externo: do Pleito à Recomendação”. A abordagem tratou do fluxo necessário para a condução das operações de financiamento externo no âmbito do Governo Federal, destacando a importância da troca de experiências entre os órgãos envolvidos e da antecipação de questões que possam surgir durante o processo.

A programação prosseguiu com a apresentação dos “Aspectos Jurídicos Relevantes em Operações de Crédito Externo”, conduzida pela Procuradora da Fazenda Nacional e Coordenadora de Operações Financeiras da União na Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. O encerramento ficou a cargo da Chefe da Divisão de Comércio Exterior da Subdiretoria de Contratos e Convênios (SUCONV) da DIREF, que apresentou as “Experiências do COMAER” no financiamento de projetos de Defesa.

H-X BR encerra ciclo de desembolsos

Como parte das atividades, foi realizada a cerimônia referente à transferência do processo administrativo de gestão do contrato de financiamento externo do Projeto H-X BR. Resultado da parceria estratégica entre Brasil e França, o programa envolveu a aquisição de 47 helicópteros, além de transferência de tecnologia e ações voltadas ao fortalecimento da indústria nacional de Defesa.

Iniciada em 2009, a operação de crédito associada ao projeto alcançou o valor de 1,764 bilhão de euros. Com a conclusão dos desembolsos pelos credores, o processo administrativo de gestão do contrato foi transferido conforme previsto no Decreto nº 5.994, de 19 de dezembro de 2006.

A solenidade também marcou o reconhecimento de representantes de diferentes órgãos e organizações que participaram das diversas etapas do projeto e da operação de crédito. Entre os homenageados estiveram o Comandante da Aeronáutica, o Chefe do Estado-Maior da Aeronáutica, a Secretaria-Geral do Ministério da Defesa, a Secretaria de Produtos de Defesa, a Diretoria de Economia e Finanças da Aeronáutica, a Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate e a Subdiretoria de Contratos e Convênios da Aeronáutica.

Também foram homenageados representantes da Coordenação de Operações Financeiras da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, da Coordenação de Controle e Pagamento da Dívida Pública da Secretaria do Tesouro Nacional e da Secretaria de Financiamento Externo do Ministério do Planejamento e Orçamento, em reconhecimento à participação nas diferentes fases da operação.

Com o encerramento dos desembolsos, o processo de pagamento da dívida externa decorrente da operação de crédito foi transferido para a Secretaria do Tesouro Nacional. A medida formaliza uma nova etapa no cumprimento das obrigações financeiras associadas ao projeto.

O Secretário de Economia, Finanças e Administração da Aeronáutica destacou que a conclusão dessa fase representa, além de um procedimento administrativo, o cumprimento dos compromissos financeiros assumidos pelo Brasil. Segundo ele, o encerramento da etapa demonstra responsabilidade fiscal, transparência e continuidade na gestão dos recursos públicos vinculados à operação.

Além da discussão sobre mecanismos de financiamento, o workshop permitiu abordar os efeitos de transbordamento associados aos projetos de Defesa e sua relação com a economia nacional. O encontro também promoveu a integração entre os órgãos envolvidos nas operações de crédito externo e o compartilhamento de experiências acumuladas durante o planejamento, a estruturação e a execução de projetos estratégicos do Comando da Aeronáutica.


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com FAB

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MQ-9 Reaper no SOUTHCOM: onde uma ofensiva contra o narcoterrorismo pode alcançar o Brasil

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A decisão de Washington de transferir aeronaves MQ-9 Reaper atualmente empregadas pelo U.S. Africa Command (AFRICOM) para o U.S. Southern Command (SOUTHCOM) representa uma mudança concreta na arquitetura norte-americana de vigilância e combate ao narcotráfico no Hemisfério Ocidental. A informação foi revelada pela CNN em 18 de setembro, com base em seis fontes familiarizadas com o planejamento. O número exato de aeronaves não foi divulgado, mas uma das fontes afirmou que a maior parte dos MQ-9 empregados pelo AFRICOM poderia ser deslocada. A transferência ocorre no contexto da ampliação das operações norte-americanas contra organizações que Washington classifica como narcoterroristas.

O movimento não acontece em um teatro operacional vazio. O SOUTHCOM já conduz a Operação Southern Spear e operações de interdição marítima no Caribe e no Pacífico Oriental, incluindo ataques cinéticos contra embarcações que, segundo o comando, estavam empregadas em rotas de narcotráfico e vinculadas a organizações terroristas designadas pelos Estados Unidos. Em diferentes operações realizadas em 2026, o comando norte-americano afirmou ter utilizado inteligência para identificar as embarcações antes do emprego da força.

É nesse contexto que o MQ-9 ganha relevância. Embora seja conhecido pela capacidade de realizar ataques de precisão, seu valor estratégico está igualmente associado à permanência prolongada em área, coleta de inteligência, vigilância persistente e acompanhamento de movimentações. O próprio SOUTHCOM afirma estar ampliando o emprego de plataformas não tripuladas, inteligência compartilhada e integração de informações para detectar, interromper e desarticular redes de narcoterrorismo e suas cadeias logísticas.

Para o Brasil, entretanto, é fundamental separar fatos de hipóteses. Está confirmada a transferência dos Reaper para o SOUTHCOM; não há, nas informações públicas disponíveis, uma decisão anunciada de emprego dessas aeronaves para realizar ataques dentro do território brasileiro. A questão estratégica é outra: uma capacidade concebida para ampliar a vigilância sobre redes criminosas transnacionais passa a operar sob um comando cuja área de responsabilidade inclui a América do Sul, aproximando uma ferramenta de inteligência, vigilância e reconhecimento dos principais corredores utilizados pelo narcotráfico no continente.

A geografia brasileira oferece ambientes nos quais essa capacidade poderia encontrar utilidade operacional, sobretudo pela extensão territorial e pela dificuldade de manter vigilância permanente. Na Amazônia, rios, fronteiras internacionais, grandes distâncias e áreas de acesso restrito formam uma rede logística complexa, na qual o monitoramento persistente pode produzir informações difíceis de obter apenas com meios convencionais. A possibilidade de permanecer longos períodos sobre determinada região permite acompanhar padrões de deslocamento e conexões logísticas sem depender exclusivamente de uma fotografia momentânea do terreno.

No Centro-Oeste, o cenário é diferente, mas igualmente relevante. Mato Grosso e Mato Grosso do Sul possuem extensas fronteiras terrestres com Bolívia e Paraguai e integram corredores utilizados para movimentação de drogas destinadas a diferentes mercados brasileiros e para envio á outros países. Operações recentes da Polícia Federal identificaram cargas de cocaína provenientes da Bolívia utilizando Corumbá em Mato Grosso do Sul, como rota de entrada e distribuição, enquanto ações na região também revelaram a movimentação de insumos destinados à produção de cocaína. Os casos demonstram que a fronteira brasileira não é apenas uma linha geográfica, mas parte de uma cadeia logística transnacional.

A possibilidade de utilização de sistemas de vigilância persistente nesses ambientes não significa que áreas remotas sejam automaticamente adequadas para ações cinéticas. A menor densidade populacional de determinados trechos pode reduzir a exposição de civis em comparação com áreas urbanas densamente ocupadas, mas não elimina o risco. Comunidades ribeirinhas, povos indígenas, trabalhadores rurais, embarcações civis e atividades econômicas legítimas também fazem parte desses espaços. Qualquer emprego da força dependeria, portanto, de uma cadeia de identificação e validação de inteligência muito mais rigorosa do que simplesmente detectar uma movimentação suspeita.

Essa questão ganha outra dimensão quando se observa a transformação de algumas organizações criminosas brasileiras. O PCC e o Comando Vermelho não atuam exclusivamente como estruturas voltadas ao comércio de drogas. Em determinados territórios, essas organizações exercem coerção sobre a população, impõem regras próprias, restringem a circulação, ameaçam agentes públicos e dificultam a presença regular do Estado. A Lei nº 15.358, de 24 de março de 2026, passou a tipificar o crime de “domínio social estruturado”, abrangendo condutas praticadas por organizações criminosas ultraviolentas, grupos paramilitares ou milícias privadas que utilizem violência ou grave ameaça para intimidar ou coagir a população e agentes públicos com o objetivo de exercer controle ou influência sobre áreas, comunidades ou territórios, além de impedir ou dificultar a atuação das forças de segurança.

Essa questão ganha outra dimensão quando se observa a transformação de algumas organizações criminosas brasileiras. O PCC e o Comando Vermelho não atuam exclusivamente como estruturas voltadas ao comércio de drogas. Em determinados territórios, essas organizações exercem coerção sobre a população, impõem regras próprias, restringem a circulação, ameaçam agentes públicos e dificultam a presença regular do Estado. A Lei nº 15.358, de 24 de março de 2026, passou a tipificar o crime de “domínio social estruturado”, abrangendo condutas praticadas por organizações criminosas ultraviolentas, grupos paramilitares ou milícias privadas que utilizem violência ou grave ameaça para intimidar ou coagir a população e agentes públicos com o objetivo de exercer controle ou influência sobre áreas, comunidades ou territórios, além de impedir ou dificultar a atuação das forças de segurança.

Essa distinção ajuda a compreender a posição dos Estados Unidos e, ao mesmo tempo, os limites de sua aplicação em território brasileiro. Ao enquadrar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, Washington passou a considerar não apenas a atividade ligada ao narcotráfico, mas também a capacidade dessas estruturas de exercer violência, coerção e controle territorial. O governo brasileiro, por sua vez, rejeitou a possibilidade de que essa classificação produzisse efeitos extraterritoriais ou servisse de fundamento para uma eventual intervenção em território nacional. A divergência, portanto, não está necessariamente na existência dos elementos utilizados para caracterizar a ameaça, mas na competência para produzir efeitos jurídicos sobre organizações que atuam dentro da jurisdição brasileira.

A preocupação do governo brasileiro não ficou restrita ao discurso presidencial. Em resposta encaminhada ao Congresso, o Itamaraty alertou para possíveis consequências extraterritoriais da classificação norte-americana e registrou inclusive o risco de utilização de força militar dos Estados Unidos em território brasileiro. O documento, assinado pelo ministro Mauro Vieira em 1º de julho, demonstra que a questão passou a ser tratada por Brasília não apenas como um problema de segurança pública, mas também como uma questão de soberania e relações internacionais.

Essa divergência ganha peso justamente agora, quando Washington desloca capacidade de inteligência, vigilância, reconhecimento e ataque do AFRICOM para o SOUTHCOM. Uma coisa é a cooperação internacional para combater redes criminosas que atravessam fronteiras, compartilhar inteligência e realizar operações coordenadas com autorização dos Estados envolvidos. Outra é a utilização unilateral de capacidade militar estrangeira dentro do território brasileiro. A existência de organizações criminosas com características de violência territorial não transfere automaticamente a jurisdição sobre seu combate para outro Estado.

O Brasil, por sua vez, não parte do zero. O Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras, os meios de vigilância das Forças Armadas, os sistemas de inteligência e as estruturas federais de segurança já constituem uma arquitetura nacional destinada a ampliar a consciência situacional nas regiões fronteiriças. O desafio está na escala continental do território brasileiro e na necessidade de integrar sensores, comunicações, inteligência e meios de resposta em um ambiente no qual as redes criminosas também adaptam constantemente seus métodos.

Nesse cenário, o verdadeiro valor estratégico do MQ-9 não está apenas no armamento que pode transportar, mas na capacidade de transformar presença persistente em conhecimento operacional. Detectar uma embarcação, aeronave, veículo ou movimentação suspeita é apenas o primeiro estágio. É necessário correlacionar informações, identificar padrões, confirmar a natureza da atividade, estabelecer vínculos com uma rede criminosa e, finalmente, definir quem possui autoridade para agir. A capacidade de gerar inteligência persistente pode ser tão relevante quanto a possibilidade de emprego de armamento.

É justamente nessa cadeia que surge a principal questão estratégica para Brasília. A ampliação da presença de sensores e plataformas norte-americanas no entorno sul-americano pode produzir maior capacidade de vigilância contra redes criminosas que efetivamente ultrapassam fronteiras, mas também cria uma discussão sobre dependência de inteligência e controle sobre os dados produzidos. Para o Brasil, o desafio não é simplesmente acompanhar quantos MQ-9 estarão sob o comando do SOUTHCOM, mas assegurar que a evolução do combate ao crime transnacional não resulte em perda de autonomia sobre aquilo que talvez seja o elemento mais sensível de qualquer operação: a inteligência que identifica, valida e orienta o emprego da força.

A transferência dos Reaper, portanto, deve ser observada como parte de uma transformação na forma como Washington pretende enfrentar o narcotráfico no Hemisfério Ocidental. Para o Brasil, a questão estará em preservar a cooperação quando ela for útil, ampliar sua própria capacidade de vigilância sobre fronteiras e corredores logísticos e simultaneamente manter sob controle nacional as decisões relacionadas ao emprego da força em território brasileiro. No ambiente que se desenha para o SOUTHCOM, a questão central não envolve apenas quem possui o sensor ou o armamento, mas toda a cadeia que transforma informação em ação: quem observa, quem identifica, quem valida e quem decide.


por Angelo Nicolaci


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Thales apresenta HexaForce, sistema de comando e controle multidomínio baseado em IA

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Nova plataforma foi desenvolvida para operações de alta intensidade, integra os domínios terrestre, naval, aéreo, cibernético, espacial e de informação e foi testada durante o exercício CWIX 2026 da OTAN

A Thales apresentou o HexaForce, uma nova plataforma de comando e controle (C2) multidomínio desenvolvida para operações de alta intensidade e baseada em uma arquitetura aberta e interoperável. Segundo a empresa, o sistema foi projetado em conjunto com forças armadas e busca combinar soberania nacional, integração entre diferentes domínios operacionais e emprego ampliado de inteligência artificial.

A solução foi testada durante o exercício CWIX 2026 da OTAN, iniciativa voltada à avaliação e ao desenvolvimento da interoperabilidade entre sistemas utilizados pelas forças aliadas. De acordo com a Thales, os testes tiveram como objetivo validar a capacidade do HexaForce de operar em ambientes nos quais diferentes sistemas nacionais e de parceiros precisam compartilhar informações sem comprometer o controle sobre os dados.

O HexaForce foi concebido para integrar operações terrestres, marítimas, aéreas, cibernéticas, espaciais e de informação em uma mesma arquitetura de comando. A Thales afirma que sua estrutura distribuída permite coordenar sistemas já existentes nas Forças Armadas e em coalizões, conectando diferentes níveis de comando e acelerando o fluxo de informações necessário à tomada de decisão.

Um dos principais elementos da nova plataforma é a integração com o cortAIx, estrutura de inteligência artificial da Thales que reúne cerca de 800 engenheiros e cientistas de dados. A empresa afirma que o HexaForce incorpora modelos de linguagem de grande porte (LLMs) e recursos de inteligência artificial agêntica para apoiar os operadores desde o planejamento até a execução e o acompanhamento das missões.

Entre as capacidades apresentadas estão a redução dos ciclos de planejamento, ampliação da compreensão do quadro operacional, consolidação em tempo real de informações táticas e operacionais, aceleração da tomada de decisão, melhor alocação de efetores e otimização das atividades de manutenção e apoio em campo.

A aplicação da inteligência artificial também está relacionada ao processamento de grandes volumes de informações provenientes de fontes militares, abertas e civis. Segundo a Thales, a automação da análise, correlação e priorização desses dados permite aumentar o ritmo de processamento operacional. A empresa informa que os testes em ambiente real têm como objetivo elevar a capacidade de processamento de aproximadamente 100 para até 1.000 alvos por dia.

A Thales relaciona parte dessa capacidade à experiência acumulada com o Artemis.IA, plataforma centrada em dados implementada junto ao Ministério das Forças Armadas da França desde 2023. Segundo a companhia, a experiência operacional do sistema demonstrou a capacidade de trabalhar com dados provenientes de múltiplas fontes e de ampliar sua escala de processamento.

Outro elemento central do HexaForce é a integração contínua entre os níveis tático e estratégico. A arquitetura distribuída foi concebida para permitir a coordenação entre comandantes estratégicos e unidades empregadas na linha de frente, mantendo a operação mesmo em condições de degradação das comunicações. A Thales afirma que essa característica é particularmente relevante para cenários de alta intensidade, nos quais a disponibilidade das redes pode ser comprometida.

A arquitetura aberta também constitui um dos pilares da solução. O HexaForce combina uma plataforma de software central com aplicações de comando multidomínio e utiliza padrões de código aberto e interoperáveis. A empresa afirma que essa estrutura permite aos países manter controle sobre os fluxos de dados de entrada e saída, sem necessidade de expor suas informações a terceiros.

A plataforma possui suporte nativo aos padrões Data-Centric Security (DCS) e Federated Mission Networking (FMN), segundo a Thales. A proposta é permitir a integração de diferentes fornecedores e sistemas legados em um ambiente modular e controlado, evitando que a adoção de uma nova arquitetura de C2 obrigue as forças armadas a substituir integralmente seus sistemas existentes.

O desenvolvimento do HexaForce também foi conduzido em ciclos curtos de desenvolvimento e validação junto às forças usuárias. Segundo a Thales, o modelo permite incorporar continuamente o retorno dos operadores e adaptar a evolução do software às necessidades identificadas no ambiente operacional.

Para Christophe Salomon, vice-presidente executivo de Comunicações Seguras e Sistemas de Informação da Thales, as necessidades das forças armadas variam entre plataformas nacionais de dados, interfaces entre diferentes domínios e capacidades de comando multidomínio conectadas aos aliados. Segundo o executivo, o HexaForce foi desenvolvido para atender essas diferentes demandas preservando a soberania dos países usuários.

A apresentação do HexaForce ocorre em um contexto no qual a capacidade de integrar grandes volumes de dados, diferentes sensores e sistemas de armas tornou-se um componente cada vez mais importante das operações multidomínio. A Thales posiciona sua nova plataforma justamente nessa convergência entre comando e controle, interoperabilidade, soberania digital e aplicação de inteligência artificial em escala operacional.

Segundo os dados divulgados pela empresa, a Thales possui mais de 85 mil funcionários em 65 países e registrou faturamento de € 22,1 bilhões em 2025. O grupo afirma investir aproximadamente € 4,5 bilhões por ano em pesquisa e desenvolvimento, incluindo áreas como inteligência artificial, cibersegurança, tecnologias quânticas e computação em nuvem.


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domingo, 20 de setembro de 2026

GBN Defense completa 17 anos de jornalismo especializado em defesa e segurança

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Em 16 de setembro de 2009, o GBN Defense iniciou suas atividades com a proposta de acompanhar de perto os temas de defesa, segurança, tecnologia militar e geopolítica. Dezessete anos depois, o veículo chega a uma marca construída por meio de informação, presença em campo, relacionamento com fontes e uma cobertura que acompanhou profundas transformações no ambiente estratégico brasileiro e internacional.

O projeto nasceu da iniciativa de seu fundador e editor, Angelo Nicolaci, que desde os primeiros anos assumiu diretamente o trabalho de apuração, produção, edição e construção das relações que permitiram ao GBN Defense avançar de um projeto especializado para um veículo com presença efetiva nos meios de defesa, diplomáticos, acadêmicos e industriais. A trajetória foi marcada por um trabalho contínuo, muitas vezes realizado longe dos holofotes, acompanhando exercícios, embarques, programas de defesa, eventos e acontecimentos que exigiram presença e disponibilidade permanente.

Ao longo desses 17 anos, o GBN Defense esteve presente em exercícios militares, embarques, cerimônias, entrevistas e eventos ligados às Forças Armadas, acompanhando diretamente equipamentos, doutrinas, programas e profissionais envolvidos na construção das capacidades brasileiras. Essa experiência permitiu desenvolver uma cobertura baseada não apenas no que é anunciado, mas também na observação direta e na compreensão do contexto operacional em que cada iniciativa está inserida.

Essa presença ajudou a construir uma relação de confiança com diferentes segmentos das instituições militares e ampliou o reconhecimento do GBN Defense como veículo especializado. A interlocução alcançou também representações diplomáticas, adidos de defesa, autoridades, pesquisadores e instituições estrangeiras, levando a produção jornalística brasileira sobre defesa a um público internacional presente em mais de 100 países.

A apuração jornalística sempre ocupou papel central nessa trajetória. Ao longo dos anos, o GBN publicou informações exclusivas e antecipou movimentos relacionados a programas, negociações, tecnologias e decisões que ainda não haviam chegado ao conhecimento público. Em diferentes situações, essas reportagens permitiram acompanhar processos estratégicos enquanto ainda estavam em desenvolvimento, antes de sua confirmação ou divulgação oficial.

A capacidade de apuração foi construída também pelo trabalho coletivo. Entre os colaboradores que deixaram sua contribuição nessa história está Renato Marçal, cuja participação ajudou a ampliar a produção e a diversidade de conteúdos publicados pelo GBN. O professor Luiz Reis também integra essa trajetória, com sua contribuição em temas relacionados à história militar, estratégia, defesa e geopolítica. Ao lado deles, diversos outros colaboradores passaram pelo GBN ao longo dos anos, deixando textos, pesquisas, fotografias, análises, revisões e conhecimentos que ajudaram a formar a identidade editorial do veículo.

Esse trabalho também produziu efeitos que ultrapassaram o ciclo imediato da notícia. Reportagens, análises e levantamentos publicados pelo GBN Defense passaram a ser utilizados como material de referência em pesquisas, estudos e trabalhos acadêmicos relacionados à defesa e à geopolítica. O resultado é um acervo que, além de registrar acontecimentos, preserva informações e interpretações sobre processos estratégicos brasileiros e internacionais.

A análise estratégica tornou-se outra dimensão importante dessa trajetória. A partir do acompanhamento contínuo de fontes, programas, capacidades militares e movimentos internacionais, o GBN Defense buscou identificar tendências e estabelecer conexões entre acontecimentos aparentemente isolados. Em diferentes momentos, leituras apresentadas pelo veículo encontraram confirmação posterior nos fatos, reforçando a importância de observar não apenas o acontecimento, mas também os sinais que antecedem sua evolução.

Essa capacidade de leitura permitiu ampliar a abordagem sobre defesa para além dos sistemas de armas. Questões como soberania, autonomia tecnológica, orçamento, indústria, cadeias de suprimentos, minerais estratégicos, ciência e tecnologia e posicionamento internacional passaram a integrar uma cobertura que procura compreender como diferentes fatores se relacionam na construção do poder nacional.

A proximidade com a Base Industrial de Defesa acompanhou esse processo. O GBN Defense esteve próximo de empresas brasileiras e estrangeiras, centros de pesquisa e desenvolvedores de tecnologias, acompanhando projetos desde sua apresentação até etapas de desenvolvimento, produção, transferência de tecnologia e participação industrial. Essa perspectiva ajudou a colocar em discussão não apenas quais equipamentos o Brasil adquire, mas quais capacidades tecnológicas e industriais permanecem no país depois de cada programa.

Nesse contexto, o veículo também passou a contribuir para a discussão sobre programas estratégicos e para a necessidade de continuidade das políticas de defesa. A cobertura de projetos, investimentos e capacidades militares ajudou a levar ao debate público questões como previsibilidade orçamentária, financiamento, preservação de competências e sustentabilidade de longo prazo, temas que frequentemente ultrapassam os ciclos políticos e administrativos.

O ambiente internacional, por sua vez, mudou profundamente nesses 17 anos. A expansão da guerra eletrônica e cibernética, a disseminação dos sistemas não tripulados, a importância crescente da inteligência, vigilância e reconhecimento, além da disputa por tecnologias e cadeias estratégicas, transformaram a forma como Estados avaliam segurança e poder. O GBN Defense acompanhou essa evolução procurando interpretar seus efeitos para o Brasil e para sua posição no cenário internacional.

A combinação entre reportagem, experiência de campo e análise ampliou a presença do GBN Defense no ecossistema de defesa e geopolítica. O veículo passou a participar de discussões com instituições militares, diplomáticas, acadêmicas e empresariais, contribuindo para aproximar setores que nem sempre dialogam diretamente e para fomentar uma discussão mais técnica sobre os desafios estratégicos brasileiros.

Esse reconhecimento também encontrou expressão concreta ao longo dos anos. A trajetória do GBN Defense e de seu editor foi marcada por diferentes homenagens institucionais, entre elas a Medalha Mérito Tamandaré, concedida pela Marinha do Brasil em 2023, e em 2026, a Medalha do Exército Brasileiro, recebida por Angelo Nicolaci em 17 de abril, em cerimônia realizada no Palácio Duque de Caxias, no Rio de Janeiro. A trajetória também inclui outras distinções e homenagens recebidas junto à Marinha e à Aviação Naval, refletindo uma atuação construída a partir da cobertura continuada dos temas de defesa e da relação com diferentes segmentos das Forças Armadas.

Chegar aos 17 anos representa, portanto, mais do que a passagem do tempo. É o resultado de uma trajetória construída em um segmento jornalístico que exige conhecimento técnico, capacidade de apuração, relacionamento com fontes e disposição para acompanhar continuamente um ambiente em transformação.

Desde aquela primeira publicação em setembro de 2009, o GBN Defense acumulou reportagens exclusivas, análises estratégicas, registros de campo e conteúdo que chegou às universidades, às instituições, à indústria e ao público especializado no Brasil e no exterior. Nesse percurso, também construiu uma memória coletiva formada por seu fundador, colaboradores, fontes, leitores e profissionais que contribuíram, em diferentes momentos, para que o projeto permanecesse ativo e evoluísse.

Hoje, ao completar 17 anos, o GBN Defense olha para essa trajetória sem perder de vista aquilo que esteve na origem do projeto: produzir informação precisa, jornalismo especializado e análise responsável, contribuindo para uma discussão mais séria sobre defesa, segurança e geopolítica e mantendo o olhar voltado para os interesses estratégicos do Brasil.

São 17 anos de GBN Defense. Uma história construída por muitas mãos, sustentada por trabalho incansável e ainda em movimento.


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