terça-feira, 18 de agosto de 2026

A nova guerra dos fogos: como drones, precisão e mobilidade estão transformando a artilharia e o desafio brasileiro

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Durante décadas, a evolução da artilharia de campanha esteve associada a uma lógica relativamente clara: aumentar o alcance dos sistemas, ampliar sua precisão, elevar a mobilidade das unidades e desenvolver munições capazes de produzir efeitos cada vez mais específicos sobre o alvo. A introdução de novos calibres, sistemas de pontaria, plataformas autopropulsadas e munições guiadas mais sofisticadas permitiu que as forças terrestres ampliassem progressivamente sua capacidade de apoiar manobras, neutralizar posições inimigas e influenciar o combate em profundidade.

Essa lógica, entretanto, não desapareceu, mas deixou de ser suficiente para explicar a transformação pela qual a artilharia atravessa atualmente. Os conflitos contemporâneos demonstram que a eficácia dos fogos depende cada vez menos de uma única plataforma e cada vez mais da capacidade de integrar sensores, comunicações, sistemas de comando e controle, meios de aquisição de alvos, armas e ferramentas de avaliação dos efeitos produzidos sobre o campo de batalha.

A guerra na Ucrânia tornou essa mudança particularmente visível. O campo de batalha passou a ser permanentemente observado por uma combinação de drones de diferentes categorias, radares de contrabateria, sensores eletro-ópticos, satélites, sistemas de inteligência e meios de guerra eletrônica. A presença simultânea desses recursos reduziu significativamente os espaços de ocultação disponíveis para as unidades de fogo e tornou a localização de uma posição de artilharia um processo muito mais rápido do que em conflitos anteriores.

Nesse ambiente, o desafio de uma bateria de artilharia já não consiste apenas em encontrar uma posição adequada de tiro para executar uma missão de fogo. É necessário considerar quanto tempo a unidade poderá permanecer naquela posição, quais assinaturas poderá produzir durante a operação, quanto tempo levará para receber os dados do alvo, processar a missão, executar os disparos e deslocar-se antes que o adversário seja capaz de reagir.

A consequência é uma mudança importante na própria relação entre fogo e sobrevivência. Uma peça capaz de atingir alvos a dezenas de quilômetros de distância continua sendo valiosa, mas sua permanência no campo de batalha depende tanto da rapidez com que recebe informações e executa a missão, quanto de suas características balísticas. Diante do ambiente saturado por sensores, sobreviver tornou-se tão importante quanto disparar.

É nesse contexto que os drones introduziram uma transformação particularmente significativa. Eles não substituíram a artilharia, mas ampliaram de forma extraordinária a quantidade e a velocidade das informações disponíveis para quem a emprega. Um pequeno sistema aéreo não tripulado pode localizar uma posição inimiga, acompanhar sua movimentação, fornecer coordenadas para uma bateria de artilharia, corrigir o tiro em tempo real e posteriormente avaliar os efeitos produzidos sobre o alvo. Em determinadas configurações, o próprio drone pode atuar como munição, reduzindo drasticamente o tempo entre a identificação e o engajamento de uma ameaça.

Essa integração também modificou a relação entre o observador e a arma. Durante grande parte da história da artilharia moderna, a eficiência do tiro dependia de uma estrutura relativamente linear, composta por observadores avançados, postos de comando e unidades de fogo. A digitalização e a proliferação de sensores transformaram esse processo em uma rede muito mais ampla, na qual diferentes fontes de informação podem contribuir simultaneamente para localizar, identificar e acompanhar um alvo.

A experiência da guerra na Ucrânia tornou essa mudança particularmente evidente na própria função do observador avançado. Durante décadas, esse militar precisava operar relativamente próximo às linhas inimigas para localizar alvos, confirmar coordenadas, acompanhar a queda dos projéteis, transmitir correções à unidade de fogo e avaliar os efeitos do engajamento. Era uma função essencial para a eficácia dos fogos, mas que também expunha diretamente o observador à vigilância e ao fogo adversário.

Hoje, o observador avançado não desapareceu, mas sua posição no campo de batalha mudou. Em muitos casos, operadores passaram a trabalhar a partir de posições mais recuadas e protegidas, inclusive abrigos e estruturas fortificadas, enquanto drones de diferentes categorias levam os sensores até a área de interesse. A partir dessas posições, equipes podem empregar sistemas de reconhecimento, drones FPV e outras plataformas para localizar alvos, transmitir coordenadas, acompanhar movimentações, auxiliar na correção dos disparos e avaliar os resultados após o engajamento.

Essa separação entre o operador e o ponto de observação reduziu a necessidade de expor o militar para obter informações diretamente na proximidade do alvo. O observador continua responsável pela interpretação dos dados e pela condução da missão, mas o drone passa a assumir a parte mais exposta da tarefa. Na prática, o sistema aéreo tornou-se os olhos avançados da unidade de fogo, enquanto a equipe responsável por sua operação pode permanecer em uma posição relativamente protegida.

Essa evolução ocorreu em um intervalo particularmente curto. O emprego em larga escala começou em muitos casos, com drones comerciais adaptados pelas próprias unidades, muitas vezes modificados para receber câmeras, ampliar o alcance dos enlaces ou cumprir funções de observação e aquisição de alvos. A experiência acumulada no combate acelerou o desenvolvimento de sistemas especializados, destinados ao reconhecimento, correção de tiro, retransmissão de comunicações, guerra eletrônica e ataque. Os drones FPV tornaram-se uma das expressões mais conhecidas dessa evolução, mas passaram a coexistir com plataformas maiores, mais persistentes e dotadas de sensores específicos para diferentes missões. O resultado não é simplesmente uma artilharia mais tecnológica.

O que está surgindo é uma nova forma de compreender os fogos no campo de batalha. A artilharia deixa de ser vista apenas como o conjunto de peças responsáveis por lançar projéteis contra o inimigo e passa a integrar uma arquitetura de efeitos muito mais abrangente. Nesse modelo, canhões, obuseiros, foguetes, mísseis, drones, munições guiadas, radares, sensores terrestres e aéreos, sistemas de guerra eletrônica e estruturas de comando e controle precisam operar de forma coordenada para produzir o resultado desejado.

Essa transformação é particularmente relevante porque permite combinar diferentes capacidades de acordo com a natureza do alvo, sua localização, seu grau de proteção e o efeito pretendido. Um alvo de alto valor pode justificar o emprego de uma munição guiada ou de um míssil de precisão. Uma concentração de tropas ou uma área extensa pode exigir volume de fogo convencional. Um alvo móvel pode demandar acompanhamento contínuo por drones. Em outras situações, munições vagantes podem oferecer uma solução intermediária entre a artilharia tradicional e sistemas de maior alcance e custo.

A questão central deixa, portanto, de ser apenas qual sistema possui maior alcance ou maior precisão. O desafio passa a ser identificar qual combinação de sensores, armas e meios de apoio é capaz de produzir o efeito desejado no tempo disponível, com o menor custo operacional e o menor risco para as próprias forças. Trata-se de uma transição importante: a passagem de uma lógica centrada na plataforma para uma lógica centrada no efeito.

Na prática, isso significa que o obuseiro não deve mais ser analisado isoladamente. Um sensor detecta o alvo. Os dados são transmitidos para um sistema de comando e controle. As informações são processadas, classificadas e priorizadas. A arma mais adequada é selecionada. O tiro é realizado. Outros sensores verificam os resultados. Caso necessário, um novo engajamento é executado. Todo esse processo ocorre dentro de uma mesma cadeia operacional. O que passa a importar é a velocidade e a confiabilidade com que essa sequência funciona.

Por essa razão, o ciclo detecção–decisão–engajamento–avaliação, frequentemente descrito na literatura militar como "kill chain", tornou-se tão importante quanto as características individuais das plataformas. Uma peça extremamente precisa perde parte da sua vantagem se a identificação do alvo for lenta ou se a informação não chegar rapidamente à unidade de fogo. Da mesma forma, um sensor sofisticado possui utilidade limitada se não houver uma arma capaz de explorar imediatamente os dados obtidos.

A artilharia contemporânea passa, assim, a operar em um ambiente de competição permanente entre a capacidade de localizar e a capacidade de sobreviver. Enquanto um lado procura acelerar a identificação e o engajamento dos alvos, o outro busca reduzir sua assinatura, dispersar seus meios, deslocar-se constantemente e empregar recursos de guerra eletrônica para degradar os sensores adversários.

Essa é uma das razões pelas quais a experiência ucraniana possui relevância muito além da simples comparação entre sistemas russos e ocidentais. O conflito demonstra, em escala industrial, que a eficácia dos fogos depende cada vez mais da capacidade de operar dentro de uma rede sob constante observação e interferência. E essa transformação não passou despercebida pelo Exército Brasileiro.

Documentos estratégicos da própria Força estabelecem como capacidade necessária a produção de fogos em diferentes profundidades e alcances por meio de plataformas terrestres, ao mesmo tempo em que preveem a ampliação do emprego de munições inteligentes, sistemas remotamente pilotados e meios avançados de busca e aquisição de alvos. O planejamento também contempla o fortalecimento das estruturas relacionadas aos Sistemas de Aeronaves Remotamente Pilotadas (SARP) e às capacidades anti-SARP.

Isso demonstra que o debate já não está centrado na escolha entre artilharia tradicional e novas tecnologias. A questão fundamental passou a ser como integrar essas capacidades na mesma arquitetura de combate, preservando a capacidade de produzir volume de fogo, ampliando a precisão, fortalecendo a aquisição de alvos e reduzindo o tempo necessário para transformar informação em efeito sobre o campo de batalha.

Do canhão isolado à arquitetura de fogos

Uma das principais consequências dessa transformação é que alcance, precisão, volume de fogo, mobilidade e disponibilidade de munição deixaram de poder ser analisados como atributos independentes. A eficiência de uma força de artilharia passou a depender da combinação entre essas capacidades e da forma como elas são empregadas dentro de uma mesma cadeia de combate.

Uma munição guiada pode oferecer elevada precisão contra um alvo de alto valor, mas seu custo e sua disponibilidade naturalmente limitam sua utilização em determinadas situações. A munição convencional, por outro lado, continua indispensável quando a missão exige volume de fogo, supressão, saturação ou sustentação prolongada. Foguetes e mísseis ampliam o alcance e permitem atingir alvos em maior profundidade, enquanto os drones aumentam a capacidade de localizar, identificar e acompanhar objetivos e fornecer informações para diferentes sistemas de armas.

Não se trata, portanto, de substituir uma capacidade por outra. O que emerge dos conflitos recentes é uma estrutura na qual diferentes sistemas passam a cumprir funções complementares dentro da mesma arquitetura de fogos.

Essa mudança também altera a forma como os recursos são administrados. O comandante não precisa simplesmente escolher a arma de maior alcance ou maior poder destrutivo. É necessário considerar a natureza do alvo, o efeito desejado, a qualidade das informações disponíveis, o tempo necessário para o engajamento, a possibilidade de reação do adversário, o custo da munição e a necessidade de preservar determinados meios para etapas posteriores da operação.

A capacidade de combate passa, assim, a depender também da capacidade de administrar os fogos. No cenário em que se enfrenta um conflito de alta intensidade, no qual diferentes categorias de munição podem ser consumidas em grande escala, essa questão ultrapassa o nível tático e alcança a logística e a própria base industrial de defesa. Ter uma arma capaz de produzir determinado efeito é insuficiente se não houver munição disponível em quantidade, capacidade de reposição e uma cadeia logística capaz de sustentar seu emprego durante uma campanha prolongada.

A experiência da Ucrânia reforçou essa questão. O emprego intensivo de artilharia demonstrou que a guerra de alta intensidade continua exigindo grandes volumes de munição convencional, mesmo com a expansão de sistemas de precisão, drones e munições vagantes. A tecnologia alterou a forma de localizar e engajar os alvos, mas não eliminou a necessidade de manter estoques, produção e logística compatíveis com o ritmo do combate.

Nesse contexto, a expansão dos drones não representa o desaparecimento do canhão. Ao contrário, quanto mais eficiente se torna a rede de sensores e mais rapidamente as informações chegam às unidades de fogo, maior pode ser o aproveitamento de uma plataforma capaz de responder imediatamente aos dados recebidos.

O obuseiro deixa portanto de ser analisado apenas como uma plataforma responsável por lançar projéteis. Seu valor passa a estar também na capacidade de integrar-se a uma rede na qual sensores localizam o alvo, sistemas de comando processam as informações, diferentes tipos de munição produzem efeitos distintos e a unidade de fogo precisa permanecer móvel e disponível para novos engajamentos.

É essa combinação que define a artilharia contemporânea. O calibre, o alcance e a precisão continuam sendo características fundamentais, mas já não são suficientes para determinar, isoladamente, a eficiência de um sistema. No campo de batalha onde o alvo pode ser localizado por um drone, acompanhado por outro sensor, engajado por uma munição convencional ou guiada e posteriormente avaliado por uma nova plataforma aérea, a capacidade decisiva passa a ser a integração entre todos esses elementos.

A guerra também está mudando o conceito de sobrevivência

A artilharia sempre precisou sobreviver ao fogo inimigo. O que mudou foi a velocidade e a precisão com que o adversário consegue localizar uma unidade de fogo e transformar essa informação em um novo engajamento.

Durante a Guerra Fria, a mobilidade, a dispersão, a camuflagem e a escolha das posições já faziam parte das medidas destinadas a preservar as unidades de artilharia. O que diferencia o campo de batalha atual é a multiplicação dos sensores e a capacidade de integrar rapidamente as informações obtidas. Uma posição que antes poderia permanecer difícil de localizar durante determinado período pode hoje ser identificada por diferentes meios e submetida a uma sequência de acompanhamento e engajamento em um intervalo muito menor.

Um drone pode observar uma posição de tiro. Um radar pode detectar a trajetória de um projétil e contribuir para determinar a origem do disparo. Sensores eletro-ópticos, meios de inteligência e outros sistemas podem cruzar informações para confirmar uma localização. A partir daí, sistemas de comando e controle podem distribuir os dados para uma unidade de contrabateria.

A posição de artilharia passa, portanto, a existir dentro de um ambiente no qual sua localização pode ser constantemente disputada. Não basta ocupar uma posição bem escolhida; é necessário reduzir a possibilidade de ser detectado, limitar as informações que o adversário consegue obter e estar preparado para abandonar o local antes que a resposta seja organizada.

Nesse cenário, a capacidade de entrar em posição, preparar o sistema, executar a missão e deslocar-se rapidamente ganhou importância ainda maior. O conceito conhecido como "shoot-and-scoot" tornou-se uma das expressões dessa necessidade: reduzir o intervalo entre o início da exposição da unidade e sua saída da posição de tiro.

Mas a sobrevivência não depende apenas da velocidade de deslocamento. Uma unidade pode ser rapidamente localizada mesmo antes de disparar se produzir assinaturas que revelem sua presença. Por isso, mobilidade precisa ser combinada com camuflagem, dispersão, redução de assinaturas, controle das emissões eletromagnéticas, guerra eletrônica e emprego adequado dos sistemas de comunicação e navegação.

A própria digitalização da artilharia contribui para esse processo ao reduzir o tempo necessário para preparar e executar uma missão. Sistemas de navegação de alta precisão, computadores de tiro e redes digitais permitem diminuir o tempo que a unidade permanece exposta enquanto recebe dados, calcula a solução de tiro e prepara o disparo. Quanto menor esse intervalo, menor também a janela disponível para que o adversário reaja.

Estudos publicados pelo próprio sistema de revistas do Exército Brasileiro sobre o M109A5+BR destacam a agilidade operacional, os sistemas digitais embarcados, a navegação de alta precisão e a rapidez na execução da sequência de emprego como fatores relacionados à sobrevivência da artilharia moderna.

Outro estudo militar brasileiro dedicado à artilharia autopropulsada na Guerra Rússia-Ucrânia chega a conclusões semelhantes ao apontar que a rapidez de entrada em posição, execução da pontaria e realização da missão tornou-se um fator decisivo diante da crescente dificuldade de ocultar unidades de fogo e da ameaça representada pelos modernos sistemas de aquisição de alvos.

A mobilidade, portanto, deixou de ser apenas uma característica operacional desejável. Ela passou a integrar diretamente a capacidade de sobrevivência e de continuidade dos fogos. Uma unidade que consegue deslocar-se rapidamente após o disparo aumenta suas possibilidades de permanecer operacional e voltar a ser empregada em uma nova missão.

Essa mudança também ajuda a explicar por que a artilharia autopropulsada ganhou importância no debate contemporâneo. A capacidade de transportar a própria arma, seus sistemas de apoio e sua equipe em uma plataforma móvel reduz o tempo necessário para deslocamentos e permite maior agilidade entre diferentes posições de tiro. Isso não elimina a necessidade de proteção, dispersão e camuflagem, mas amplia as opções disponíveis ao comandante.

É justamente na convergência entre mobilidade, sensores, sistemas de comando e controle, guerra eletrônica, proteção, munições e plataformas de fogo que começa a surgir a próxima geração da artilharia brasileira. Ela não será definida apenas pelo alcance dos seus canhões ou pela potência de suas munições, mas pela capacidade de permanecer conectada à rede de combate, produzir efeitos rapidamente e continuar disponível depois de cada missão no campo de batalha onde localizar uma unidade de fogo pode ser tão importante quanto destruí-la.

O Brasil já está experimentando essa transformação

É justamente nesse ponto que o paralelo com o Exército Brasileiro se torna mais relevante. A Força Terrestre não começou agora a discutir drones, aquisição de alvos, digitalização ou fogos de precisão. Essas capacidades aparecem há anos em seu planejamento estratégico e na própria evolução de sua doutrina de artilharia. O que a experiência dos conflitos recentes fez foi dar maior urgência a uma transformação que já estava em curso.

O Plano Estratégico do Exército 2024–2027 estabelece, entre as iniciativas relacionadas à ampliação da capacidade de artilharia de campanha, o emprego de munições inteligentes e sistemas de munições remotamente pilotadas, a obtenção e modernização de sistemas e materiais de emprego militar de artilharia e a implantação da Bateria de Busca de Alvos do Comando de Artilharia do Exército, no Forte Santa Bárbara em Formosa, Goiás. O documento também prevê iniciativas relacionadas à implantação de núcleos ou frações de SARP e de capacidades anti-SARP.

Mais do que uma relação de equipamentos, esse planejamento revela uma mudança na maneira como a própria capacidade de apoio de fogo é estruturada. A artilharia passa a ser tratada como um sistema composto por diferentes subsistemas, nos quais a linha de fogo precisa estar conectada à observação, à busca de alvos, às comunicações, à direção de tiro, à coordenação de fogos e ao apoio logístico.

Essa concepção já aparece na própria documentação produzida pelo Exército sobre a reestruturação do Sistema de Artilharia de Campanha. O projeto considera diferentes subsistemas: linha de fogo, observação, topografia, busca de alvos, meteorologia, logística, comunicações, direção de tiro e coordenação de fogos, como componentes de uma mesma capacidade. A transformação da linha de fogo, portanto, não pode ser dissociada dos demais elementos que permitem localizar e identificar o alvo, transmitir e processar as informações, calcular o tiro, executar a missão e avaliar seus resultados.

ASTROS: a camada de profundidade

Dentro dessa estrutura, o Sistema ASTROS ocupa uma posição diferente daquela dos obuseiros de campanha. Sua função está relacionada à produção de fogos em maior profundidade, permitindo que o Exército disponha de uma capacidade que ultrapassa o emprego convencional da artilharia de tubo.

O próprio Exército relaciona o Programa Estratégico ASTROS ao desenvolvimento de capacidades de apoio de fogo de mísseis e foguetes e ao emprego de sistemas capazes de atuar em diferentes profundidades. Entre os projetos está o Míssil Tático de Cruzeiro, associado ao desenvolvimento do AV-TM 300, concebido para alcançar até 300 quilômetros. O próprio Exército apresenta essa capacidade como parte de seus esforços de modernização e de ampliação da dissuasão.

A importância do ASTROS, portanto, não está apenas no alcance de seus foguetes ou mísseis. Ele representa uma camada distinta dentro da arquitetura de fogos terrestres. Enquanto os obuseiros de campanha são empregados predominantemente no apoio direto e geral às forças de manobra, os sistemas de foguetes e mísseis podem atuar contra alvos localizados em maior profundidade, desde que existam os meios necessários para sua detecção, identificação e designação.

Isso reforça uma característica fundamental da artilharia contemporânea: diferentes sistemas não precisam desempenhar a mesma função para fazer parte de uma mesma capacidade. O valor de uma arquitetura de fogos está justamente na possibilidade de empregar o meio mais adequado para cada tipo de alvo e para cada distância.

O ASTROS, nesse sentido, não substitui o obuseiro de campanha. Ele complementa a capacidade de fogos terrestres ao ampliar a profundidade na qual o Exército pode produzir efeitos.

M109A5+BR: a digitalização chega à artilharia de tubo

Na artilharia de tubo, o Exército já possui uma experiência importante com os M109A5+BR. A modernização desses obuseiros elevou o patamar tecnológico das unidades blindadas brasileiras e introduziu recursos que vão além da simples atualização da arma.

Estudo publicado pela Escola de Aperfeiçoamento de Sargentos das Armas destaca, entre os ganhos proporcionados pelo M109A5+BR, o aumento do poder de fogo, precisão e agilidade operacional, além da incorporação de comunicações digitais, navegação de alta precisão e sistemas avançados de controle de fogo. O trabalho também relaciona essa maior agilidade à capacidade de executar rapidamente a sequência de emprego e ao conceito de "shoot-and-scoot".

Essa evolução é particularmente importante porque mostra que a transformação da artilharia brasileira não começou com a aquisição de um novo obuseiro. O M109A5+BR já representa uma etapa dessa mudança. Mais recentemente, o SISDAC passou a ampliar essa digitalização, integrando navegação, posicionamento, direção de tiro, comunicações e elementos de comando e controle. O próprio Exército descreve essa integração como parte da modernização do apoio de fogo.

O resultado é uma mudança gradual na forma de operar uma plataforma que, isoladamente, pertence a uma geração anterior. O M109A5+BR continua sendo um obuseiro de 155 mm, mas passa a produzir seus efeitos dentro de uma cadeia digitalizada, na qual receber rapidamente uma informação precisa sobre o alvo, é tão importante quanto a capacidade balística da própria arma.

Ainda assim, a modernização dos M109A5+BR não elimina a necessidade de renovação da frota. Ela reduz determinadas lacunas e amplia a capacidade disponível, mas não resolve indefinidamente a necessidade de substituir sistemas mais antigos e de dotar outras unidades com meios compatíveis com o ambiente operacional contemporâneo. É justamente nesse ponto que surge um dos programas mais importantes e atualmente mais complexos da transformação da artilharia brasileira.

A lacuna do VBCOAP 155 mm sobre rodas

O Exército identificou a necessidade de incorporar uma nova geração de obuseiros autopropulsados de 155 mm sobre rodas por meio do programa VBCOAP 155 mm SR. O projeto foi concebido para obter inicialmente 36 viaturas, destinadas a ampliar e modernizar a capacidade de artilharia de campanha da Força Terrestre.

Em abril de 2024, após o processo de avaliação das propostas, o Comando Logístico (COLOG) classificou o ATMOS da israelense Elbit Systems em primeiro lugar. A seleção ocorreu após uma concorrência internacional que também envolveu o SH-15 da chinesa Norinco, o CAESAR da francesa KNDS e o Zuzana 2, representado pela Excalibur International.

A escolha estava alinhada à transformação pela qual a artilharia vem passando. O ATMOS é um sistema de 155 mm sobre rodas concebido para combinar mobilidade, automação, rapidez de entrada e saída de posição e integração com sistemas digitais de direção de tiro. Sua proposta respondia diretamente à necessidade de reduzir o tempo de exposição das unidades e ampliar sua capacidade de deslocamento entre diferentes posições de fogo.

Não se tratava, portanto, simplesmente de adquirir mais um sistema de artilharia. A escolha de uma plataforma de 155 mm sobre rodas buscava preencher uma lacuna específica: dotar a Força de um meio capaz de acompanhar forças móveis, operar em uma arquitetura digitalizada e aumentar a capacidade de sobrevivência em um campo de batalha cada vez mais saturado por sensores.

É justamente nesse ponto que a transformação tecnológica encontra uma realidade que não pode ser ignorada. Planejamento e seleção não significam capacidade operacional efetivamente disponível.

Embora o ATMOS tenha sido declarado vencedor em abril de 2024, a contratação não avançou conforme originalmente previsto. A decisão técnica do Exército acabou submetida a uma intervenção de natureza político-ideológica relacionada à posição adotada pelo governo brasileiro em relação a Israel e o conflito em Gaza. Celso Amorim, assessor especial da Presidência, manifestou-se contrário à realização do negócio com a Elbit naquele contexto e reconheceu publicamente a existência de uma “questão política” a ser considerada. A aquisição de uma capacidade militar definida pelo próprio Exército passou, assim, a sofrer influência direta de uma questão ideológico-partidária.

A dimensão dessa decisão torna-se ainda mais relevante quando se observa que a proposta não seria de uma simples aquisição de equipamentos produzidos no exterior. A Elbit já possui no Brasil empresas estratégicas da Base Industrial de Defesa, como a AEL Sistemas e a ARES Aeroespacial e Defesa, e a solução discutida para o programa contemplava participação da indústria nacional, transferência de tecnologia, suporte local e possibilidades de produção e montagem no Brasil. O programa poderia, portanto, representar não apenas a incorporação de uma nova capacidade de artilharia, mas também a ampliação de competências tecnológicas e industriais brasileiras, além de gerar empregos e impacto econômico positivo.

O episódio expõe uma questão que vai além da escolha de um fornecedor estrangeiro. Em Defesa, decisões de aquisição produzem efeitos durante décadas sobre a prontidão da defesa, a capacidade industrial e a soberania tecnológica do país. Quando uma necessidade operacional previamente identificada é retardada por razões político-partidárias que não decorrem da inadequação técnica ou operacional do sistema selecionado, cria-se uma distância entre as prioridades da política de governo e as necessidades permanentes da Defesa Nacional e os projetos de Estado.

Essa distância ganha ainda mais importância diante das experiências recentes de guerra de alta intensidade. O Exército já reconheceu a necessidade de ampliar a capacidade de fogos, modernizar os meios de artilharia, fortalecer a capacidade de busca de alvos e integrar sensores, sistemas remotamente pilotados, comando e controle e munições modernas. Também selecionou uma plataforma compatível com essa arquitetura. A dificuldade está em transformar essa decisão em capacidade efetivamente disponível nas unidades.

O Brasil, entretanto, não parte do zero. O país possui o ASTROS como capacidade de fogos em profundidade, os M109A5+BR como núcleo relevante da artilharia autopropulsada de tubo, o SISDAC como elemento de digitalização, projetos para ampliar a busca de alvos e o emprego de SARPs, além do próprio programa VBCOAP 155 mm SR.

O problema está em conectar essas capacidades e completar as lacunas existentes. A artilharia contemporânea exige não apenas plataformas modernas, mas sistemas disponíveis em quantidade adequada, munição, manutenção, logística, sensores, comunicações e capacidade industrial para sustentar o esforço de combate.

É nesse ponto que a experiência da Ucrânia deixa de ser apenas uma referência tecnológica e passa a representar uma questão de prontidão militar para o Brasil. A eficácia da artilharia depende cada vez mais da capacidade de transformar rapidamente informação em fogo, deslocar os meios antes da reação adversária e manter a cadeia de combate funcionando sob constante observação e interferência.

No caso brasileiro, parte dessa arquitetura já existe, outra está em desenvolvimento e uma parcela importante ainda depende de decisões de aquisição, orçamento, infraestrutura e produção industrial. O caso do VBCOAP 155 mm SR demonstra que a modernização da artilharia não depende apenas de saber qual tecnologia o Exército precisa. Depende também da capacidade do Estado de preservar essas decisões como políticas de Defesa de longo prazo, evitando que necessidades estratégicas e de soberania sejam subordinadas a disputas políticas conjunturais.

Quando a política externa interfere na Defesa

O caso do VBCOAP 155 mm SR expõe uma questão que vai além da escolha de um obuseiro: a dificuldade de separar decisões permanentes de Defesa de posições políticas conjunturais.

É legítimo que o governo considere aspectos diplomáticos em suas decisões de aquisição militar. O problema surge quando uma controvérsia de política externa interfere na execução de uma capacidade já definida como necessária pelo próprio Exército, sem que exista imediatamente uma alternativa equivalente capaz de preservar o cronograma de modernização.

Em Defesa, o custo dessa interrupção não se limita ao equipamento que deixa de ser incorporado. Cada atraso afeta treinamento, logística, infraestrutura, manutenção, munição, doutrina e principalmente, a capacidade operacional que deveria estar disponível às tropas.

A questão torna-se ainda mais sensível diante da experiência da Ucrânia. A guerra demonstrou que a artilharia moderna depende de mobilidade, sobrevivência, sensores, comando e controle e disponibilidade de munição. Postergar uma capacidade de emprego da artilharia de 155 mm móvel, portanto, significa prolongar uma lacuna justamente em um dos componentes centrais da arquitetura de fogos terrestre.

Há também uma dimensão de soberania tecnológica. A proposta associada ao ATMOS previa participação da indústria brasileira, transferência de tecnologia e possibilidades de produção e integração no país, envolvendo empresas como AEL Sistemas e a ARES. As discussões posteriores sobre a participação da Avibras reforçaram que havia alternativas para ampliar o conteúdo nacional do programa.

O episódio deixa uma questão objetiva para a política de Defesa brasileira: decisões de natureza estratégica devem permanecer subordinadas às necessidades permanentes do Estado ou podem ser alteradas por posições políticas conjunturais? Diante do cenário internacional onde a capacidade de defesa e dissuasão precisa ser construída com anos de antecedência, essa diferença pode determinar se uma necessidade identificada no planejamento se transforma de fato em poder de combate.

Do observador avançado ao sensor aéreo: Drones transformam a cadeia de fogos

Uma das transformações mais relevantes provocadas pelos Sistemas de Aeronaves Remotamente Pilotadas (SARPs) está na forma como a artilharia obtém, transmite e utiliza informações sobre seus alvos. Durante décadas, o observador avançado precisava ocupar posições próximas à área de interesse para localizar alvos, transmitir coordenadas, corrigir os disparos e avaliar os efeitos do fogo. Com a disseminação dos drones, parte dessas funções passou a ser realizada a partir do ar, permitindo que o militar opere de posições mais recuadas e protegidas.

A guerra na Ucrânia tornou essa mudança particularmente evidente. Sistemas inicialmente empregados para reconhecimento evoluíram para plataformas especializadas em aquisição de alvos, correção de tiro e avaliação dos efeitos dos fogos. O observador avançado não desapareceu necessariamente, mas passou a utilizar o SARP como uma extensão de sua capacidade de observação, reduzindo sua exposição direta ao campo de batalha.

Essa evolução também já está presente no Exército Brasileiro. A Força vem experimentando o emprego de SARP dentro da função de combate Fogos. Durante a certificação FORPRON 2024, o 26º Grupo de Artilharia de Campanha empregou um SARP Categoria 0 em atividades de aquisição de alvos e fogos de preparação, demonstrando a integração do meio aéreo ao processo de emprego da artilharia.

A indústria brasileira também já desenvolveu capacidades voltadas diretamente a essa função. O SARP Harpia da ADTECH, além das missões de inteligência, vigilância e reconhecimento (ISR), possui capacidade de obtenção de alvos e apoio à condução e correção do tiro de artilharia. Essas capacidades já foram demonstradas ao Exército Brasileiro, incluindo o acompanhamento dos disparos e o fornecimento de informações para a correção do fogo.

A importância dessa capacidade está na integração entre sensor e arma. O SARP pode localizar o alvo, acompanhar sua situação, transmitir os dados à unidade de fogo e observar os resultados do engajamento. Com isso, reduz-se o intervalo entre aquisição, execução e avaliação do tiro, ao mesmo tempo em que diminui a necessidade de expor o observador fisicamente próximo ao objetivo.

Essa transformação também aproxima o sensor da própria arma. As munições vagantes representam um passo adicional nesse processo ao reunir, em um único sistema, características de aeronave não tripulada, sensor e armamento. A plataforma pode permanecer sobre determinada área, identificar ou acompanhar um alvo e realizar o engajamento quando as condições forem adequadas.

A consequência é uma mudança na própria arquitetura dos fogos. O SARP deixa de ser apenas um recurso de reconhecimento e passa a integrar diretamente o ciclo de aquisição, engajamento e avaliação dos alvos. Na artilharia contemporânea, a capacidade de produzir fogo depende cada vez mais da rapidez com que a informação obtida pelo sensor pode ser transformada em efeito sobre o campo de batalha.

Comando e controle: o elemento que integra a nova arquitetura de fogos

A evolução dos sistemas de artilharia, drones, sensores e munições guiadas pode produzir capacidades muito superiores às disponíveis no passado, mas seu valor operacional depende da capacidade de integrar esses meios. M109, ASTROS, SARPs, radares, munições guiadas e futuros obuseiros de 155 mm sobre rodas não devem ser analisados como sistemas independentes. Eles precisam compartilhar informações e operar dentro de uma mesma arquitetura de comando e controle.

É essa integração que permite transformar dados obtidos por diferentes sensores em decisões e posteriormente em efeitos sobre o campo de batalha. Um alvo localizado por um SARP, por exemplo, precisa ter suas informações transmitidas, processadas e disponibilizadas à unidade de fogo adequada em tempo compatível com a situação. Da mesma forma, os resultados do engajamento precisam retornar à rede para permitir a avaliação dos efeitos e se necessário um novo emprego.

Nesse modelo, o comando e controle deixa de funcionar apenas como uma estrutura responsável por transmitir ordens e passa a atuar como elemento de integração entre sensores, sistemas de aquisição de alvos, unidades de fogo, logística e meios de apoio. Quanto mais diversificada se torna a arquitetura de fogos, maior é a importância de conseguir coordenar esses componentes sem criar atrasos ou rupturas no fluxo de informações.

Essa concepção encontra correspondência no próprio planejamento do Exército Brasileiro, que trata a ampliação dos fogos, a busca e aquisição de alvos, os sistemas remotamente pilotados e os meios de comando e controle como capacidades complementares dentro do processo de transformação da Força Terrestre.

A consequência é uma mudança na forma de avaliar uma unidade de artilharia. O desempenho não pode mais ser medido apenas pelo alcance, calibre, cadência ou precisão de uma peça. É necessário considerar quanto tempo leva para um alvo ser detectado, transformado em informação útil, encaminhado à unidade de fogo, engajado e posteriormente avaliado.

É nesse ciclo que a tecnologia produz vantagem operacional. Uma plataforma sofisticada perde parte de seu potencial quando está desconectada dos sensores e dos sistemas de comando. Da mesma forma, um sensor avançado possui valor limitado se a informação que produz não puder ser transformada rapidamente em uma ação.

A nova artilharia, portanto, não será definida por uma única plataforma, mas pela eficiência da rede que conecta sensores, comando e controle, armas, munições, logística e avaliação dos efeitos. É essa capacidade de transformar informação em fogo, e fogo em resultado que permitirá ao Exército extrair o máximo das diferentes tecnologias que já possui e das que ainda pretende incorporar.

O Brasil diante da próxima geração da artilharia

A transformação da artilharia já está em curso. Sensores, SARPs, munições guiadas e vagantes, sistemas de comando e controle e meios de fogo passaram a operar dentro de uma mesma cadeia, na qual velocidade, precisão, mobilidade e sobrevivência são tão importantes quanto o alcance ou o calibre das armas.

O Exército Brasileiro reconhece essa mudança e vem desenvolvendo diferentes capacidades para acompanhá-la. O desafio agora é transformar iniciativas, projetos e sistemas já existentes em uma arquitetura de fogos efetivamente integrada e disponível às unidades. Isso exige investimento. E, principalmente, exige previsibilidade.

Programas estratégicos de Defesa não podem ser tratados como despesas comuns, sujeitas a interrupções, contingenciamentos ou mudanças de prioridade a cada ciclo político eleitoral. A formação de uma capacidade de defesa envolve anos de planejamento, treinamento, infraestrutura, logística, munição, manutenção e desenvolvimento industrial. Quando um programa é interrompido, o impacto não desaparece com o orçamento daquele exercício: a lacuna permanece.

O caso do VBCOAP 155 mm SR deixa essa questão evidente. A necessidade operacional foi identificada, o processo de seleção foi realizado e uma solução foi escolhida. A interferência política posterior demonstrou como uma decisão de governo pode afetar uma capacidade que deveria ser tratada dentro de uma perspectiva permanente de Defesa Nacional.

É legítimo que governos estabeleçam prioridades e considerem seus interesses diplomáticos. O que não deveria ocorrer é a submissão de programas estratégicos a agendas político-partidárias ou ideológicas conjunturais, especialmente quando não existe uma alternativa capaz de preservar a capacidade de defesa prevista.

Essa previsibilidade também é essencial para a Base Industrial de Defesa. Empresas nacionais precisam conhecer as demandas do Estado e confiar na continuidade dos programas para investir, desenvolver tecnologia, formar pessoal e ampliar sua capacidade produtiva. Sem continuidade, perde-se escala industrial, conhecimento e autonomia tecnológica.

A experiência recente demonstra, portanto, que modernizar a artilharia brasileira não significa apenas adquirir novos sistemas. É necessário garantir que eles sejam incorporados em quantidade adequada, recebam munição, tenham manutenção, sejam conectados aos sensores e sistemas de comando e controle e possam ser sustentados pela indústria nacional.

A guerra na Ucrânia já mostrou o que acontece quando essas capacidades precisam funcionar sob pressão. O Brasil ainda possui a oportunidade de aprender com essa experiência antes de ser obrigado a fazê-lo em combate.

A próxima geração da artilharia brasileira dependerá, portanto, de tecnologia, indústria e doutrina, mas também de uma decisão política fundamental: tratar a Defesa Nacional como política de Estado. Pois governos passam, mas o Estado e a soberania permanecem. E a capacidade de defendê-la precisa permanecer também.


por Angelo Nicolaci


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US Navy sob pressão: falhas de engenharia e desgaste operacional expõem o custo de manter uma Marinha global

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A imagem de um destróier da Marinha dos Estados Unidos incapaz de manobrar por meios próprios no Mar do Sul da China dificilmente poderia ser mais representativa dos desafios enfrentados pela maior força naval do mundo. Em julho, o USS Benfold, um destróier da classe Arleigh Burke com cerca de 10 mil toneladas de deslocamento, permaneceu quatro dias sem propulsão após uma falha de engenharia envolvendo seus geradores. A pane comprometeu sistemas essenciais do navio, deixando a tripulação sem água potável, banheiros operacionais, ar-condicionado e capacidade normal de preparar alimentos. O destróier precisou receber refeições de outras unidades e posteriormente ser rebocado até a Baía de Subic, nas Filipinas. A Marinha informou que não houve feridos e abriu uma investigação para determinar as causas da ocorrência.

O episódio chama atenção não apenas pela gravidade da falha, mas pelo local e pelo contexto em que ocorreu. O USS Benfold operava no Indo-Pacífico, região na qual Washington busca manter presença naval permanente e onde a disponibilidade de seus navios possui importância direta para a estratégia de dissuasão americana. Falhas mecânicas fazem parte da operação de qualquer Marinha, inclusive das mais avançadas. O que torna o caso relevante é sua associação com outros incidentes recentes e com problemas de manutenção, pessoal e treinamento que vêm sendo registrados há anos pelos próprios órgãos de fiscalização do governo americano.

Poucos meses antes, outro destróier da classe Arleigh Burke, o USS Higgins, sofreu uma falha no sistema de distribuição elétrica que provocou a interrupção temporária da propulsão durante operações no Indo-Pacífico. Segundo a 7ª Frota, a energia e a propulsão foram posteriormente restauradas e não houve feridos.

Isoladamente, os dois casos podem ser classificados como incidentes de engenharia. O problema ganha outra dimensão quando essas ocorrências são observadas em conjunto com atrasos de manutenção, limitações de pessoal e treinamento e uma crescente pressão operacional sobre os navios da US Navy. É nesse contexto que o caso do USS Benfold deixa de ser apenas uma pane e passa a revelar uma questão mais ampla sobre a capacidade de sustentação da frota americana.

Uma frota que precisa estar em todos os lugares

A principal vantagem estratégica da Marinha americana também está entre suas maiores fontes de pressão. A US Navy precisa sustentar operações simultaneamente no Indo-Pacífico, Oriente Médio, Atlântico, Mediterrâneo e em outras regiões consideradas estratégicas para Washington.

Essa presença global exige navios disponíveis, mas também uma estrutura capaz de mantê-los, abastecê-los, tripulá-los e submetê-los regularmente aos ciclos de manutenção. A disponibilidade operacional de uma frota, portanto, não depende apenas do número de navios existentes no inventário, mas de quantos estão efetivamente aptos a cumprir suas missões e por quanto tempo conseguem permanecer empregados.

A guerra contra o Irã levou essa equação a um nível ainda mais elevado. O porta-aviões USS Abraham Lincoln permaneceu por mais de 250 dias em operação, enquanto apoiava as ações americanas no Oriente Médio. A duração excepcional da missão provocou questionamentos de familiares, parlamentares e integrantes da comunidade naval sobre as condições de vida da tripulação, incluindo relatos relacionados a suprimentos, infraestrutura e saúde mental. A Marinha e o Departamento de Defesa contestaram algumas das caracterizações mais graves, mas reconheceram as dificuldades associadas a uma implantação dessa duração.

O caso do USS Abraham Lincoln revela uma dimensão diferente daquela observada no USS Benfold. Enquanto o destróier expôs a vulnerabilidade de uma plataforma diante de uma falha de engenharia, o porta-aviões evidenciou o custo humano e logístico de manter uma unidade em operação durante um período excepcionalmente longo.

As situações são diferentes, mas estão relacionadas pela mesma necessidade: extrair cada vez mais disponibilidade de uma frota que precisa atender a um número crescente de compromissos.

O problema começa muito antes de uma pane

Relatórios do Government Accountability Office (GAO) ajudam a compreender por que a questão não pode ser reduzida a uma sucessão de acidentes.

Em setembro de 2024, o órgão publicou uma avaliação sobre a capacidade dos próprios marinheiros de realizar manutenção durante as operações. O estudo analisou dados da Marinha, ouviu integrantes do comando e aproximadamente 200 marinheiros em 25 navios, além de consultar os oficiais executivos de 232 navios da frota de combate ativa.

O resultado mostrou uma dificuldade relevante: cerca de 63% dos oficiais executivos consultados afirmaram ser de moderadamente a extremamente difícil realizar reparos durante a navegação com o número de marinheiros disponível a bordo. O levantamento também identificou problemas relacionados ao treinamento necessário para que os próprios tripulantes executassem determinadas tarefas de manutenção.

Esse dado ajuda a compreender como uma falha localizada pode assumir proporções maiores quando ocorre longe de uma base.

Um navio de guerra moderno possui sistemas redundantes, equipes especializadas e uma estrutura de manutenção sofisticada. Ainda assim, quando ocorre uma falha grave no mar, a capacidade de recuperar a plataforma depende da combinação entre peças disponíveis, ferramentas, conhecimento técnico, treinamento e pessoal.

Se essa estrutura estiver pressionada, uma falha inicialmente localizada pode resultar em uma indisponibilidade muito mais ampla. O problema, portanto, pode começar muito antes de um gerador parar de funcionar, quando manutenções são adiadas, o treinamento não acompanha as necessidades, posições permanecem sem preenchimento ou o navio continua operando além do ciclo originalmente previsto.

A manutenção que sustenta a prontidão

A dificuldade de manter a frota não é recente. Em 2022, o GAO apontou que a Marinha americana acumulava cerca de US$ 1,7 bilhão em manutenção diferida apenas para seus navios de superfície, alertando para as dificuldades de dimensionar completamente os riscos associados a esse passivo.

Outro levantamento do órgão mostrou que, entre os anos fiscais de 2014 e 2019, os navios da Marinha acumularam mais de 33.700 dias além do previsto em períodos de manutenção. Aproximadamente 75% dos períodos analisados foram concluídos depois do prazo originalmente estabelecido. Entre os fatores estavam limitações de capacidade dos estaleiros, falta de trabalhadores qualificados e a postergação de serviços em razão do emprego operacional dos navios.

Mais recentemente, o GAO constatou que a Marinha gastou quase US$ 25,9 bilhões na manutenção de navios de combate de superfície entre os anos fiscais de 2020 e 2023, praticamente comprometendo todo o orçamento disponível para essa finalidade.

O dado demonstra que o problema não pode ser explicado apenas pela falta de recursos. Existe também uma dificuldade em transformar orçamento em disponibilidade efetiva, seja pela capacidade limitada dos estaleiros, pela falta de mão de obra especializada, pela disponibilidade de peças ou pelo tempo necessário para executar os serviços.

Quanto mais uma frota opera, maior é a pressão sobre sua manutenção. E quanto mais navios permanecem em manutenção, maior é a demanda sobre aqueles que continuam disponíveis. É uma equação que exige equilíbrio constante.

O fator humano também limita a prontidão

A discussão sobre prontidão naval costuma concentrar-se em motores, radares, armas, sensores e sistemas de combate. Entretanto, a experiência recente da US Navy mostra que a capacidade humana é parte inseparável dessa equação.

Um destróier pode possuir sensores avançados e sistemas de combate de última geração, mas continua dependendo de marinheiros capazes de diagnosticar uma falha, isolar um problema elétrico, executar reparos e restabelecer uma função essencial.

O relatório do GAO sobre a manutenção realizada pelos próprios marinheiros mostra que a dificuldade não está apenas na disponibilidade de peças ou ferramentas. A quantidade de pessoal e o nível de treinamento também interferem diretamente na capacidade de manter os navios operacionais durante a navegação.

Isso se torna ainda mais importante quando a demanda operacional aumenta. A utilização mais intensa das unidades disponíveis amplia o desgaste dos equipamentos e das tripulações, enquanto os períodos de manutenção, treinamento e repouso precisam continuar sendo respeitados. Quando esse equilíbrio é rompido, a prontidão começa a ser comprometida.

O limite da permanência no mar

O USS Abraham Lincoln tornou essa questão particularmente visível em 2026. O porta-aviões, com cerca de 5 mil tripulantes e fuzileiros navais a bordo, permaneceu por mais de oito meses em uma missão prolongada pelas operações americanas contra o Irã. A duração excepcional da implantação provocou questionamentos sobre as condições de vida da tripulação, além de relatos relacionados a suprimentos, infraestrutura e saúde mental.

É importante distinguir os relatos das conclusões oficiais. A Marinha não confirmou algumas das alegações mais graves divulgadas publicamente, enquanto o Departamento de Defesa rejeitou a caracterização de que o navio estivesse em situação de abandono ou colapso. Ainda assim, o volume de questionamentos envolvendo familiares, parlamentares, veteranos e especialistas demonstrou que a duração da missão passou a ser uma questão relevante por si só.

A declaração do presidente Donald Trump, em agosto, de que a missão do USS Abraham Lincoln não teria sido "longa o suficiente" também evidencia a diferença entre a necessidade estratégica de manter uma unidade empregada e os limites humanos e materiais de uma tripulação que permanece embarcada durante meses.

O problema não está em exigir que uma tripulação opere sob condições difíceis. Isso faz parte da própria natureza do emprego militar. A questão surge quando situações excepcionais se tornam recorrentes e começam a interferir nos ciclos necessários de manutenção, treinamento e recuperação.

O efeito dominó chega ao Indo-Pacífico

A pressão sobre a frota também produz efeitos fora do Oriente Médio. Para substituir o USS Abraham Lincoln, a US Navy deslocou o USS George Washington do Indo-Pacífico para a região do Oriente Médio. A transferência abriu temporariamente uma lacuna na presença de um porta-aviões americano no Pacífico Ocidental, justamente quando Washington procura reforçar sua dissuasão diante da crescente atividade militar chinesa.

O movimento demonstra como a disponibilidade limitada de plataformas pode transformar uma necessidade operacional em outra.

Um porta-aviões enviado para uma região deixa de estar disponível para outra. Um destróier empregado por mais tempo precisará posteriormente entrar em manutenção. Uma tripulação mantida no mar além do ciclo previsto também precisará de tempo para recuperação.

Para uma Marinha global, cada decisão possui consequências sobre o restante da estrutura. Por isso, a prontidão não pode ser medida apenas pelo número de navios existentes ou pela quantidade de unidades presentes em determinada operação.

É necessário considerar quantos estão efetivamente disponíveis, por quanto tempo podem permanecer empregados e qual é a capacidade de substituí-los ou recuperá-los quando ocorre uma falha.

O USS Benfold expõe uma vulnerabilidade que normalmente permanece invisível

É nesse contexto que o incidente do USS Benfold ganha maior relevância. A falha que ocorreu em 24 de julho e deixou o destróier incapaz de manobrar por seus próprios meios durante quatro dias, o deixando dependente do apoio do cruzador USS Robert Smalls, que precisou fornecer refeições à tripulação, enquanto outras embarcações participaram do esforço de apoio, até que o destróier foi rebocado para Subic Bay, onde os reparos foram concluídos.

Existe, entretanto, uma consequência operacional, durante quatro dias, um destróier altamente sofisticado deixou de ser uma unidade de combate autônoma e passou a depender de outros meios para apoio, alimentação e proteção. Se estivesse no cenário de combate real, a perda temporária de propulsão e geração elétrica teria implicações ainda maiores.

O problema não está restrito a navios antigos

Também seria incorreto atribuir essas ocorrências exclusivamente à idade dos navios. O USS Benfold entrou em serviço em 1996 e possui aproximadamente três décadas de operação. Já o USS Higgins entrou em serviço em 2018. A diferença demonstra que problemas de engenharia podem atingir tanto plataformas mais antigas quanto navios relativamente novos. A questão passa a ser a capacidade da estrutura de absorver essas falhas.

Uma Marinha com ampla capacidade de manutenção consegue retirar rapidamente um navio de operação, substituí-lo por outro e posteriormente recuperar a unidade afetada. Quando a frota opera sob maior pressão, entretanto, a saída de um único navio pode obrigar o comando a redistribuir missões e recursos. É nesse ponto que a dimensão industrial se conecta diretamente à operacional.

Construir navios não basta

A US Navy enfrenta há anos dificuldades para conciliar a necessidade de disponibilidade com a capacidade dos estaleiros públicos e privados. O problema se tornou ainda mais importante diante da crise mais ampla da construção naval americana, marcada por atrasos em programas, falta de trabalhadores especializados e dificuldades para ampliar rapidamente a produção.

Isso coloca Washington diante de um desafio de duas frentes: Ao mesmo tempo em que precisa construir novos navios e recuperar sua capacidade industrial, a Marinha precisa manter em condições de combate as plataformas que já estão no inventário.

Construir novos cascos não resolve automaticamente o problema da manutenção. Uma frota maior também exige mais estaleiros, técnicos, peças, infraestrutura, treinamento e pessoal. A capacidade naval, portanto, depende de uma cadeia muito mais ampla do que o número de navios registrados no inventário.

Uma Marinha poderosa diante de uma equação difícil

Nada disso significa que a US Navy esteja em colapso. A Marinha americana continua possuindo uma capacidade naval sem equivalente global, combinando porta-aviões nucleares, submarinos nucleares, destróieres Aegis, aviação embarcada, navios anfíbios, meios logísticos e uma extensa rede mundial de bases e aliados. O problema é determinar quanto dessa capacidade pode ser sustentada simultaneamente e por quanto tempo.

O USS Benfold mostrou como uma falha de engenharia pode retirar temporariamente um destróier de uma operação. O USS Higgins demonstrou que problemas de geração de energia e propulsão não estão restritos a uma plataforma antiga. O USS Abraham Lincoln expôs os efeitos de uma implantação excepcionalmente longa, enquanto os relatórios do GAO mostram que dificuldades de manutenção, pessoal e treinamento são anteriores aos episódios mais recentes.

Quando esses elementos são analisados em conjunto, a questão deixa de ser uma sequência de incidentes isolados e passa a envolver a sustentabilidade operacional da frota americana.

A US Navy precisa manter presença em diferentes regiões, mas cada navio possui limites físicos. Geradores falham, motores se desgastam, peças precisam ser substituídas e sistemas necessitam de manutenção. Da mesma forma, marinheiros precisam de treinamento e recuperação.

O desafio para Washington é equilibrar essas necessidades com uma estratégia que exige presença naval praticamente permanente. Por isso, a discussão sobre o futuro da Marinha americana não pode se limitar ao número de navios que os Estados Unidos pretendem construir. A capacidade de construir, manter, tripular, abastecer e recuperar essas plataformas será tão importante quanto a tecnologia embarcada nelas.

No Mar do Sul da China, o USS Benfold não foi colocado fora de combate por uma ação inimiga. Uma falha de engenharia foi suficiente para interromper temporariamente sua operação e exigir assistência de outros navios.

O episódio não define, sozinho, a condição da US Navy. Mas, quando colocado ao lado das dificuldades de manutenção, dos problemas de pessoal e do aumento da pressão operacional documentados pelos próprios órgãos americanos, ele ajuda a revelar uma questão que Washington terá de enfrentar nos próximos anos: como sustentar uma frota global quando a demanda operacional cresce mais rapidamente do que a capacidade de mantê-la disponível.


Por Angelo Nicolaci


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Delegação da África do Sul conhece capacidade tecnológica e soluções da ADTECH-SD

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Visita a São José dos Campos apresentou aos representantes sul-africanos tecnologias brasileiras para vigilância, monitoramento, defesa contra drones e sistemas aéreos não tripulados desenvolvidos pela empresa estratégica brasileira

A Advanced Technologies Security & Defense (ADTECH-SD) recebeu na última quarta-feira, 12 de agosto, uma delegação da África do Sul em suas instalações em São José dos Campos (SP), para uma visita voltada à apresentação de sua capacidade industrial e de seu portfólio de tecnologias destinadas aos setores de defesa, segurança pública e monitoramento estratégico.

Durante a agenda, os representantes sul-africanos conheceram a estrutura da empresa, seus processos de desenvolvimento e produção e diferentes soluções desenvolvidas pela ADTECH-SD, incluindo sistemas de vigilância, sensores, tecnologias antidrones e sistemas aéreos remotamente pilotados.

Um dos destaques da apresentação foi o SARP Harpia, desenvolvido pela empresa como uma plataforma de alta performance destinada a missões de inteligência, vigilância e reconhecimento (ISR). O sistema possui ampla autonomia e alcance para operação em longas distâncias, oferecendo capacidade de permanência prolongada sobre a área de interesse e podendo ser empregado em diferentes missões de monitoramento territorial.

Outro destaque apresentado foi o Atalaia, um radar terrestre ativo de varredura eletrônica (AESA), desenvolvido para detecção automática e rastreamento de alvos terrestres e aéreos em movimento, incluindo pequenos sistemas aéreos não tripulados. Compacto e robusto, o Atalaia tem alcance de detecção de até 6 quilômetros. Integrado a um Centro de Controle, o sistema pode operar com até oito radares, permitindo a formação de uma área monitorada de 360 graus.

A ADTECH-SD também apresentou o SIMAD, sistema de detecção e resposta imediata diante de ameaças representadas por aeronaves não tripuladas (drones). A solução foi concebida para identificar drones em tempo real e atuar na neutralização de ameaças ou na proteção de áreas contra drones não autorizados. De fácil montagem, o SIMAD pode ser empregado em diferentes cenários operacionais, oferecendo capacidade de deslocamento e pronta resposta para missões que demandem proteção contra sistemas aéreos não tripulados.


Completando o conjunto de tecnologias, foi apresentado o VIGIA, sistema de monitoramento aéreo e naval desenvolvido para ampliar a capacidade de acompanhamento e identificação de aeronaves e embarcações a partir da análise de sinais de rádio. A solução permite integrar informações relacionadas ao ambiente aéreo e marítimo, contribuindo para ampliar a consciência situacional em áreas de interesse estratégico.

A apresentação conjunta dessas tecnologias permitiu demonstrar à delegação sul-africana a amplitude da atuação da ADTECH-SD, que reúne diferentes capacidades dentro de uma arquitetura tecnológica voltada ao monitoramento, detecção, identificação e resposta.

Para além de soluções individuais, o portfólio apresentado demonstra a capacidade da empresa de atuar em diferentes camadas de uma operação, combinando sistemas aéreos não tripulados, radares, tecnologias antidrones e sistemas de monitoramento aéreo e naval.

A visita também representa uma oportunidade para ampliar o diálogo entre a indústria brasileira de defesa e potenciais parceiros internacionais, apresentando soluções desenvolvidas no país para atender a demandas cada vez mais complexas de vigilância, proteção territorial e segurança.


Sobre a ADTECH-SD

A Advanced Technologies Security & Defense (ADTECH-SD) é uma empresa brasileira, reconhecida pelo Ministério da Defesa como Empresa Estratégica de Defesa (EED), especializada no desenvolvimento de soluções tecnológicas de alta performance para segurança pública, defesa territorial e monitoramento estratégico.

Com sede em São José dos Campos (SP), a empresa reúne profissionais com décadas de experiência no setor aeronáutico e atua no desenvolvimento e operação de sistemas avançados de aeronaves não tripuladas, além de soluções integradas de vigilância e inteligência. Seus sistemas são concebidos com foco em alta autonomia, modularidade e adaptabilidade, atendendo às demandas de missões críticas em ambientes complexos e de elevada exigência operacional.


Fonte ADTECH via GBN Media & Solutions
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