segunda-feira, 13 de julho de 2026

Logística eficiente é poder de combate: a verdadeira capacidade militar é sustentar a guerra

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Existe uma máxima frequentemente atribuída a diferentes comandantes militares ao longo da história: "amadores falam de estratégia, profissionais falam de logística". Embora a autoria da frase seja discutida, sua essência nunca foi tão atual. Os conflitos do século XXI demonstraram que a superioridade tecnológica, por si só, não garante a vitória. A verdadeira vantagem estratégica pertence ao país capaz de sustentar seu esforço de guerra por tempo suficiente para transformar capacidade militar em resultados políticos.

Durante décadas, o debate sobre defesa concentrou-se em plataformas de alta tecnologia. O desenvolvimento de aeronaves furtivas, mísseis hipersônicos, carros de combate de última geração, submarinos nucleares e sistemas baseados em inteligência artificial passou a representar, para muitos, a principal medida do poder militar de uma nação. Entretanto, os conflitos contemporâneos demonstraram que esses sistemas possuem um denominador comum: todos dependem de uma estrutura logística capaz de mantê-los operando.

Nenhum caça de quinta geração decola sem combustível, sem manutenção e sem uma cadeia de suprimentos capaz de fornecer centenas de componentes críticos. Nenhum sistema de artilharia mantém seu ritmo de fogo se não houver munição suficiente para sustentá-lo. Nenhum carro de combate permanece em operação sem peças de reposição, equipes de manutenção e linhas de abastecimento protegidas. Da mesma forma, nenhum soldado consegue manter sua capacidade de combate sem alimentação, água, assistência médica, comunicações e equipamentos adequados.

Em outras palavras, o poder de combate não começa quando um sistema de armas entra em ação. Ele começa muito antes, na capacidade de um país organizar, produzir, transportar, distribuir e manter todos os recursos necessários para que aquele sistema permaneça operacional durante semanas, meses ou até anos. Essa constatação recoloca a logística no centro do pensamento estratégico.

A guerra da Ucrânia desmontou conceitos consolidados

O conflito entre Rússia e Ucrânia representa o maior laboratório militar desde a Segunda Guerra Mundial. Mais do que revelar a importância dos drones ou da guerra eletrônica, a campanha evidenciou um aspecto frequentemente ignorado: guerras de alta intensidade consomem recursos em uma velocidade que poucos imaginavam possível.

Milhares de projéteis de artilharia são disparados diariamente. Veículos blindados necessitam de manutenção constante. Sistemas eletrônicos sofrem desgaste acelerado. Equipamentos são perdidos, recuperados, reparados ou substituídos continuamente.

Essa realidade expôs uma fragilidade compartilhada por diversas potências ocidentais: a crença de que cadeias produtivas globais seriam capazes de atender rapidamente às necessidades de uma guerra prolongada.

Durante décadas, a indústria adotou o conceito do just in time, reduzindo estoques para aumentar a eficiência econômica. Em tempos de paz, o modelo mostrou-se extremamente eficiente. No entanto, em um conflito de alta intensidade, ele revelou suas limitações. Quando a demanda cresce exponencialmente e as linhas de suprimento passam a ser alvo do inimigo, a ausência de reservas estratégicas transforma-se rapidamente em uma vulnerabilidade operacional.

Como consequência, diversos países iniciaram um amplo processo de reconstrução de suas capacidades industriais. Aumentar a produção de munições, explosivos, propelentes, motores, componentes eletrônicos e sistemas de armas tornou-se uma prioridade estratégica, não apenas econômica.

A indústria de defesa tornou-se parte da logística militar

Talvez uma das maiores mudanças conceituais dos últimos anos seja compreender que a Base Industrial de Defesa não é apenas fornecedora de equipamentos militares. Ela integra diretamente o sistema logístico nacional.

Em um conflito prolongado, a indústria deixa de atuar como fabricante e passa a funcionar como uma extensão do campo de batalha.

Cada fábrica capaz de produzir munições representa capacidade de fogo. Cada empresa que fabrica sensores significa maior consciência situacional. Cada indústria que domina materiais energéticos amplia a autonomia estratégica do país.

Sob essa perspectiva, empresas como Embraer, ADTECH, SIATT, Mac Jee, ARES, Akaer, Condor, XMobots, IACIT e tantas outras deixam de ser apenas integrantes da Base Industrial de Defesa. Elas passam a constituir parte da infraestrutura estratégica necessária para sustentar operações militares.

A guerra moderna não é vencida apenas pelos soldados na linha de frente. Ela também é vencida pelos engenheiros, técnicos, operários, programadores e pesquisadores que mantêm funcionando a capacidade produtiva nacional.

O conceito de logística evoluiu

Durante muito tempo, logística era sinônimo de transporte, armazenamento e distribuição de suprimentos. Hoje, essa definição tornou-se insuficiente.

A logística contemporânea incorpora inteligência artificial para prever consumo de recursos, sensores capazes de indicar falhas antes que ocorram, manutenção preditiva, gestão digital de estoques, manufatura aditiva, veículos autônomos, sistemas de rastreamento em tempo real e análise de grandes volumes de dados. Essa transformação aproxima a logística das operações.

O comandante deixa de planejar apenas quanto combustível será necessário. Passa a avaliar quanto tempo sua indústria conseguirá repor perdas, quanto sua infraestrutura ferroviária suportará sob ataques, quanto sua rede elétrica conseguirá manter a produção e quanto sua cadeia de fornecedores permanecerá resiliente diante de bloqueios econômicos ou ações cibernéticas.

A logística deixa de ser uma atividade administrativa para tornar-se um elemento central do planejamento operacional.

A capacidade de adaptação tornou-se uma arma

Outro ensinamento importante dos conflitos recentes é que nenhuma cadeia logística permanecerá intacta durante uma guerra.

Depósitos serão destruídos. Pontes serão atacadas. Portos poderão ser bloqueados. Redes de comunicação sofrerão interferências. Satélites poderão ser degradados. Sistemas digitais serão alvo de ataques cibernéticos.

Diante desse cenário, a vantagem deixa de pertencer ao país que possui a maior estrutura logística e passa a favorecer aquele que consegue adaptar-se mais rapidamente.

É exatamente nesse contexto que tecnologias como impressão 3D, manufatura distribuída, oficinas móveis e unidades fabris expedicionárias ganham importância.

Durante a Operação Furnas 2026, por exemplo, o Corpo de Fuzileiros Navais demonstrou esse conceito ao empregar a Unidade Fabril Expedicionária (UFEx), produzindo peças e adaptações diretamente na área de operações. O que poderia parecer apenas uma inovação tecnológica representa, na prática, uma mudança doutrinária profunda: reduzir a distância entre a necessidade operacional e a solução logística.

 O Brasil e o desafio da logística estratégica

Poucos países enfrentam desafios logísticos comparáveis aos do Brasil. São mais de 8,5 milhões de quilômetros quadrados de território, quase 17 mil quilômetros de fronteiras terrestres, aproximadamente 7.500 quilômetros de litoral, uma vasta Amazônia, o Pantanal, extensas áreas de difícil acesso e uma Amazônia Azul cuja área supera 5,7 milhões de quilômetros quadrados.

Projetar poder militar nesse ambiente exige muito mais do que equipamentos modernos. Exige infraestrutura.

Rodovias, ferrovias, hidrovias, aeroportos, portos, centros logísticos, depósitos estratégicos, capacidade industrial, transporte aéreo, embarcações fluviais e uma rede integrada de comunicações passam a ser componentes inseparáveis da Defesa Nacional.

Nesse contexto, aeronaves como o KC-390 Millennium, navios de apoio logístico, embarcações ribeirinhas, veículos de transporte e sistemas digitais de comando e controle tornam-se multiplicadores do poder de combate.


 Logística é expressão de Poder Nacional

Existe uma tendência de associar logística apenas às Forças Armadas. Essa visão precisa ser superada. A logística militar depende diretamente da infraestrutura civil, da capacidade energética, da indústria, da economia, da ciência, da tecnologia, da educação e da capacidade do Estado de coordenar recursos nacionais. Por isso, uma logística eficiente representa muito mais do que caminhões abastecendo tropas.

Ela traduz a capacidade de uma nação mobilizar seus recursos, proteger suas cadeias de suprimento, sustentar sua indústria, integrar seus diferentes modais de transporte e garantir que o esforço militar possa ser mantido pelo tempo necessário. Em última análise, logística eficiente é poder de combate.

Mais do que isso, é uma expressão concreta do Poder Nacional. Um país pode possuir excelentes armas, excelentes soldados e uma doutrina moderna. Mas, se não conseguir alimentar sua força, produzir munições, reparar equipamentos e substituir perdas, sua capacidade militar se deteriorará inevitavelmente.

As guerras do século XXI deixaram essa lição de forma inequívoca. O vencedor não será necessariamente aquele que possuir as armas mais sofisticadas, mas aquele que conseguir mantê-las combatendo por mais tempo. E essa capacidade não nasce na linha de frente. Ela começa muito antes, nas fábricas, nos centros de pesquisa, nas redes de transporte, nos depósitos estratégicos e na capacidade do Estado de transformar sua base econômica e industrial em poder militar sustentado.


Por Angelo Nicolaci


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quinta-feira, 9 de julho de 2026

Polônia multiplica investimentos em drones

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A Polônia está promovendo uma das mais profundas transformações de suas capacidades militares desde o fim da Guerra Fria. Diante das lições extraídas da guerra na Ucrânia e da deterioração do ambiente de segurança no Leste Europeu, Varsóvia acelerou os investimentos em sistemas aéreos não tripulados (UAS) e soluções de defesa antidrone, consolidando uma estratégia que combina produção nacional, inovação tecnológica e rápida incorporação de novas capacidades às Forças Armadas.

Segundo o vice-ministro da Defesa Nacional, Cezary Tomczyk, os investimentos poloneses em drones e sistemas antidrone cresceram aproximadamente 260 vezes em menos de três anos, alcançando cerca de 26 bilhões de zlotys (aproximadamente US$ 6,9 bilhões) somente em 2026. O anúncio foi feito durante a inauguração da nova linha de produção da Hornet – Polskie Drony, instalada em Sochaczew, um empreendimento que simboliza a prioridade conferida pelo governo polonês ao desenvolvimento de capacidades nacionais no segmento de sistemas não tripulados.

A nova fábrica resulta da parceria entre o Instituto Técnico da Força Aérea da Polônia (ITWL) e o Grupo Boryszew, reunindo pesquisa, desenvolvimento e produção em um único ecossistema industrial. A iniciativa integra a estratégia do Ministério da Defesa Nacional para reduzir a dependência de fornecedores externos e acelerar a entrega de novas tecnologias às forças em operação.

Hornet PL-AT-1: um sistema desenvolvido a partir das lições da guerra na Ucrânia

O principal destaque apresentado durante a inauguração foi o Hornet PL-AT-1, conhecido pelo apelido "Szerszeń" ("vespa", em polonês).

O sistema foi inicialmente concebido para reproduzir as características de voo e o perfil operacional dos drones iranianos Shahed-131, utilizados em larga escala pela Rússia durante a guerra na Ucrânia. O objetivo é permitir o treinamento realista das unidades responsáveis pela defesa antiaérea e pelos sistemas antidrone, oferecendo um alvo capaz de reproduzir o comportamento das ameaças atualmente encontradas no campo de batalha.

Entretanto, o projeto evoluiu além da função de alvo aéreo. A plataforma também está sendo desenvolvida como um sistema de ataque, refletindo a tendência mundial de empregar drones de baixo custo em missões de longo alcance, saturação de defesas e ataques contra infraestruturas críticas.

Segundo as informações divulgadas, o Hornet possui aproximadamente 2,6 metros de comprimento, 2,2 metros de envergadura, peso em torno de 85 kg e velocidade superior a 200 km/h. Dependendo da configuração empregada, seu alcance operacional varia de cerca de 400 km até aproximadamente 900 km, números que o colocam entre as plataformas de maior alcance desenvolvidas na categoria.

A Revolução dos Drones

O crescimento dos investimentos faz parte do programa "Revolução dos Drones", lançado oficialmente pelo Ministério da Defesa Nacional da Polônia.

A iniciativa busca acelerar o desenvolvimento e a aquisição de diferentes categorias de sistemas não tripulados, abrangendo drones de reconhecimento, ataque, guerra eletrônica, logística, munições vagantes e soluções para defesa antidrone.

O programa também reformulou o processo de aquisição militar, permitindo que tecnologias consideradas maduras sejam incorporadas às Forças Armadas em prazos significativamente menores do que aqueles tradicionalmente observados em grandes programas de defesa.

Outro pilar da estratégia consiste na forte participação da indústria nacional. Em vez de concentrar esforços exclusivamente na compra de equipamentos estrangeiros, o governo polonês busca desenvolver competências industriais próprias, estimulando empresas, universidades e centros de pesquisa a participarem do desenvolvimento de novas soluções.

Essa política fortalece simultaneamente a capacidade operacional das Forças Armadas e a Base Industrial de Defesa, criando empregos altamente qualificados e reduzindo vulnerabilidades relacionadas ao fornecimento externo.

A guerra na Ucrânia mudou definitivamente o conceito de combate

A experiência do conflito entre Rússia e Ucrânia alterou profundamente a forma como diversos países enxergam o emprego de sistemas não tripulados.

Drones de reconhecimento passaram a fornecer consciência situacional praticamente em tempo real para pequenas frações. Munições vagantes e drones FPV transformaram-se em armas capazes de destruir carros de combate, sistemas de artilharia e postos de comando utilizando plataformas de baixo custo. Paralelamente, tornou-se indispensável investir em sensores, radares, guerra eletrônica e sistemas específicos para neutralizar essas ameaças.

Esse cenário levou a Polônia a compreender que drones e sistemas antidrone não devem ser tratados como capacidades independentes, mas como elementos integrados de um mesmo sistema de combate, conectados às redes de comando e controle e capazes de operar de forma coordenada com a artilharia, a aviação e as tropas terrestres.

Um modelo que chama atenção

A estratégia polonesa tornou-se uma referência na Europa por combinar aumento dos investimentos, fortalecimento da indústria nacional e adaptação doutrinária.

Enquanto diversos países concentram esforços apenas na aquisição de equipamentos, Varsóvia busca desenvolver uma capacidade permanente de inovação, produção e atualização tecnológica, reduzindo o tempo entre o desenvolvimento de um sistema e sua incorporação operacional.

Essa abordagem aumenta a autonomia estratégica do país e garante maior flexibilidade para responder rapidamente às constantes mudanças observadas no campo de batalha.

O que o Brasil pode aprender

O caso polonês oferece importantes reflexões para o Brasil. A Base Industrial de Defesa brasileira possui empresas capazes de desenvolver sistemas aéreos não tripulados, sensores, soluções de comando e controle, guerra eletrônica e tecnologias antidrone. Entretanto, ainda é necessário ampliar a integração entre as Forças Armadas, a indústria e os centros de pesquisa, permitindo que esses projetos avancem com maior velocidade e continuidade.

Os conflitos atuais demonstram que a superioridade tecnológica não depende apenas da aquisição de equipamentos modernos, mas da capacidade de inovar continuamente, adaptar doutrinas e transformar rapidamente novos conhecimentos em capacidades operacionais.


 Por Angelo Nicolaci 


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Operação Furnas 2026 consolida integração entre Fuzileiros Navais e indústria nacional de defesa

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Este ano foi realizada a "VII Operação Furnas", e nosso editor mais uma vez embarcou nesta importante missão com o Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil. O deslocamento ocorreu na manhã do chuvoso domingo, no dia 21 de junho, partindo do Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes (CEFAN), no Rio de Janeiro, onde o GBN Defense embarcou junto com Observadores Internacionais (Argentina, Bolivia, México, Paraguai, Peru, Polônia), seguindo para a região do Lago de Furnas, em São José da Barra, Minas Gerais. Acompanhamos de perto cada etapa da "Operação Furnas 2026". Ao longo de quase duas semanas de atividades, o exercício demonstrou não apenas a elevada capacidade expedicionária dos Fuzileiros Navais, mas também a crescente integração entre a Marinha do Brasil, a Base Industrial de Defesa (BID) e forças militares parceiras, transformando Furnas em um dos mais importantes laboratórios operacionais da Defesa brasileira.

Realizada como parte das comemorações do centenário da presença da Marinha do Brasil em Minas Gerais, a "Operação Furnas 2026" reuniu cerca de dois mil militares, meios terrestres, navais e aéreos, além da participação de tropas da Bolívia, Paraguai, França e Itália. Ao longo dos exercícios, foram conduzidas operações ribeirinhas, adestramentos de pronta resposta, ações interagências e simulações de apoio à população em situações de calamidade, demonstrando a versatilidade e a capacidade de pronta atuação do Corpo de Fuzileiros Navais em diferentes cenários operacionais.

Mas um dos grandes diferenciais desta edição foi a forte presença da Base Industrial de Defesa brasileira, que encontrou em Furnas um ambiente ideal para apresentar tecnologias, validar conceitos e aproximar seus desenvolvedores dos operadores que utilizarão esses sistemas em futuras missões.

Base Aérea Expedicionária torna-se vitrine da inovação nacional

A participação da indústria teve início no dia 29 de junho, quando as equipes das empresas participantes chegaram à Base Aérea Expedicionária da Marinha do Brasil em Furnas, e iniciaram a montagem de seus estandes, áreas técnicas e espaços de demonstração.

Nos dias seguintes, a estrutura transformou-se em um importante polo de inovação militar, reunindo representantes da indústria, militares brasileiros em um ambiente voltado à troca de experiências, demonstração tecnológica e avaliação operacional.

Mais do que uma simples exposição de equipamentos, a Operação Furnas permitiu que tecnologias nacionais fossem observadas no contexto operacional real, proporcionando um importante retorno dos potenciais usuários finais e fortalecendo o ciclo de desenvolvimento de soluções voltadas às necessidades da Força, além de despertar o interesse dos observadores estrangeiros presentes. 

ADTech leva o SARP Harpia para o ambiente operacional

Entre os destaques da participação da Base Industrial de Defesa esteve a presença da ADTech, que apresentou o Sistema Aéreo Remotamente Pilotado (SARP) Harpia.

Projetado para missões de vigilância, reconhecimento e inteligência, proporcionando a obtenção de consciência situacional, o sistema demonstrou como os meios não tripulados vêm assumindo papel cada vez mais relevante nas operações modernas. A capacidade de fornecer informações em tempo real amplia a percepção do campo de batalha, permitindo maior rapidez na tomada de decisão e aumentando a eficiência das tropas empregadas no terreno.

A utilização do Harpia durante a operação evidenciou o potencial dos sistemas remotamente pilotados em operações anfíbias, ribeirinhas e expedicionárias, áreas nas quais o Corpo de Fuzileiros Navais possui ampla experiência de atuação, além de se destacar pelo alto nível tecnológico apresentado, aliado a simplicidade e baixo custo operacional, sendo imune aos sistemas antidrones empregados na operação.


Atech apresenta sistema antidrone

A Atech participou da Operação Furnas apresentando uma solução voltada à defesa contra ameaças aéreas não tripuladas.

O sistema demonstrou capacidades de detecção e monitoramento de drones, um segmento que se tornou prioridade para forças armadas em todo o mundo diante da crescente utilização dessas plataformas em conflitos recentes.

A experiência observada em diversos teatros de operações mostra que a capacidade de identificar e neutralizar ameaças de baixa altitude tornou-se um requisito essencial para a proteção de tropas, instalações e infraestruturas estratégicas.

Vultis aposta em drones de combate e guerra antidrone

A Vultis apresentou soluções que refletem diretamente as transformações observadas no campo de batalha contemporâneo.

Entre os sistemas demonstrados estavam drones capazes de realizar lançamento de granadas, ampliando as possibilidades de apoio às tropas em operações terrestres e ribeirinhas. A empresa também apresentou soluções voltadas à proteção contra ameaças aéreas não tripuladas, contribuindo para o fortalecimento das capacidades de guerra antidrone.

A crescente relevância dessas plataformas demonstra como os sistemas não tripulados passaram a ocupar posição central nas operações militares modernas.

SIATT apresenta o míssil anticarro MAX 1.2 AC

A SIATT levou à Operação Furnas 2026 uma representação do míssil anticarro MAX 1.2AC, um dos mais importantes programas estratégicos da Base Industrial de Defesa brasileira. Durante o evento, foram apresentados um modelo em escala do sistema e o simulador de tiro utilizado no treinamento de operadores, permitindo aos militares conhecer de perto as capacidades e os conceitos de emprego do armamento.

O MAX 1.2AC representa um importante avanço tecnológico para o Brasil no segmento de armamentos guiados de alta precisão. O programa já alcançou um marco significativo com a entrega do primeiro lote de sistemas ao Exército Brasileiro, consolidando a capacidade nacional de desenvolver e produzir mísseis anticarro de última geração.

A apresentação do simulador durante a Operação Furnas permitiu demonstrar como ocorre a capacitação dos operadores, possibilitando o treinamento em diferentes cenários táticos sem a necessidade do emprego de munição real. Além de reduzir custos, essa solução contribui para aumentar a segurança e a eficiência do processo de formação das equipes.

A presença da SIATT na operação reforçou a importância da aproximação entre a indústria e os usuários finais, permitindo que militares conheçam as tecnologias desenvolvidas no país e contribuam com experiências operacionais que auxiliam no aperfeiçoamento contínuo dos sistemas de defesa nacionais.

Taurus apresenta sua família de armamentos

Entre os destaques estiveram as pistolas da família TX, projetadas para atender aos requisitos de forças militares e de segurança, combinando robustez, confiabilidade, ergonomia e elevada capacidade operacional. Os modelos apresentados demonstraram a evolução da indústria nacional no segmento de armas curtas, incorporando características alinhadas às exigências do combatente moderno.

Grande atenção também foi direcionada à família de fuzis Taurus T4, atualmente empregada por organizações militares e policiais no Brasil e no exterior. Desenvolvido sobre a consagrada plataforma AR-15/M4, o T4 possui como um de seus principais diferenciais a plena intercambialidade de componentes com o Colt M4, permitindo a utilização de peças, acessórios e componentes compatíveis com uma das plataformas mais difundidas e testadas em combate no mundo.

Essa característica representa uma importante vantagem logística e operacional, simplificando processos de manutenção, treinamento e aquisição de acessórios. Ao mesmo tempo, o T4 constitui um desenvolvimento nacional da plataforma, produzido no Brasil com tecnologia própria e constante evolução, demonstrando a capacidade da indústria brasileira de fornecer soluções alinhadas aos padrões internacionais.

A Taurus também apresentou o Taurus .300 Blackout, uma variante desenvolvida para atender às demandas de operações especiais, combate em áreas urbanas e missões que exigem elevada capacidade de neutralização em curtas e médias distâncias. O calibre .300 Blackout tem conquistado crescente espaço entre forças militares ao redor do mundo por combinar excelente desempenho balístico, especialmente quando empregado em canos mais curtos, além da possibilidade de utilização com supressores de som, característica valorizada em operações de forças especiais.

Outro destaque foi o fuzil Taurus T10, desenvolvido no calibre 7,62x51 mm NATO, oferecendo maior alcance, energia no alvo e capacidade de engajamento em distâncias superiores às normalmente associadas aos fuzis de assalto em calibre 5,56 mm. O sistema amplia significativamente as opções disponíveis para tropas que necessitam de maior poder de fogo em ambientes operacionais diversificados.

A participação da Taurus na Operação Furnas permitiu que militares avaliassem aspectos como ergonomia, modularidade, confiabilidade, facilidade de manutenção e adaptabilidade dos armamentos aos diferentes perfis de missão executados pelo Corpo de Fuzileiros Navais. Mais do que uma demonstração de produtos, a interação direta entre operadores e fabricante proporcionou uma importante troca de experiências, contribuindo para o aperfeiçoamento contínuo das soluções desenvolvidas pela indústria nacional de defesa e fortalecendo a integração entre a Base Industrial de Defesa e as forças operativas brasileiras.

Condor amplia capacidades de baixa letalidade

A Condor apresentou durante a operação seu consolidado portfólio de soluções de baixa letalidade, amplamente utilizado por forças de segurança e militares em diversos países.

Entre as tecnologias demonstradas esteve uma plataforma aérea não tripulada capaz de realizar lançamento de granadas, ampliando as possibilidades de emprego de recursos não letais em operações de estabilização, controle de distúrbios e apoio à segurança.

A participação da empresa reforçou a importância de soluções que permitam respostas graduadas e proporcionais em cenários que exigem controle da situação sem a necessidade do emprego de força letal.

Protecta reforça a proteção individual do combatente

A Protecta apresentou sua linha de coletes balísticos, incluindo modelos desenvolvidos para atender às necessidades específicas das operações anfíbias e ribeirinhas conduzidas pelo Corpo de Fuzileiros Navais.

A combinação entre proteção balística, mobilidade e capacidade de flutuação oferece uma solução adequada para tropas que operam constantemente em ambientes aquáticos, contribuindo para a segurança e a eficiência dos combatentes durante as missões.

Interoperabilidade internacional fortalece capacidades ribeirinhas e amplia intercâmbio doutrinário

A Operação Furnas 2026 também se destacou pelo elevado grau de cooperação internacional, proporcionando um importante intercâmbio entre os Fuzileiros Navais brasileiros e militares da França, Itália, Bolívia e Paraguai. A presença das forças amigas agregou uma dimensão multinacional ao exercício, permitindo não apenas a observação das atividades, mas a participação efetiva em diversos adestramentos conduzidos ao longo da operação.

As atividades concentraram-se especialmente no ambiente ribeirinho, uma das principais vocações operacionais do Corpo de Fuzileiros Navais, onde foram realizados treinamentos envolvendo navegação tática, patrulhamento fluvial, reconhecimento de áreas de interesse, infiltração e exfiltração de tropas, estabelecimento de posições avançadas, controle de margens e emprego de pequenas frações em cenários complexos.

Os militares estrangeiros também participaram de exercícios envolvendo o emprego de meios de desembarque em diferentes situações operacionais, incluindo desembarques em áreas preparadas e não preparadas, transporte de tropas e equipamentos, travessias de cursos d’água, ações de segurança de pontos sensíveis e operações de projeção de força a partir do ambiente aquático. Esses treinamentos permitiram avaliar procedimentos, técnicas e táticas utilizadas por cada força, ampliando o conhecimento coletivo e fortalecendo a interoperabilidade entre os participantes.

A participação de militares da Bolívia e do Paraguai foi particularmente relevante em razão da ampla experiência de ambos os países em operações conduzidas em extensos ecossistemas fluviais, realidade que guarda diversas semelhanças com os desafios encontrados em diferentes regiões do Brasil. Já as delegações da França e da Itália contribuíram com conhecimentos oriundos de suas experiências em operações expedicionárias, missões multinacionais e emprego de forças anfíbias em diferentes partes do mundo.

Mais do que um exercício de treinamento, a Operação Furnas tornou-se um ambiente de intercâmbio de conhecimento, onde experiências adquiridas em distintos teatros de operações puderam ser compartilhadas entre militares de nações amigas. Essa troca de informações permitiu a comparação de procedimentos operacionais, técnicas de navegação, métodos de comando e controle, formas de emprego dos meios de desembarque e conceitos voltados às operações em ambientes ribeirinhos.

Com cenário internacional cada vez mais marcado pela necessidade de atuação conjunta em operações de paz, assistência humanitária, resposta a desastres naturais e missões multinacionais, a interoperabilidade entre forças parceiras tornou-se um fator essencial. Exercícios como a Operação Furnas permitem não apenas o aprimoramento técnico das tropas, mas também a construção de laços de confiança e cooperação que poderão ser decisivos em futuras operações conjuntas.

Ao reunir militares brasileiros, franceses, italianos, bolivianos e paraguaios em um mesmo ambiente operacional, a Operação Furnas 2026 reafirmou seu papel como uma importante plataforma de integração internacional, fortalecendo a cooperação entre nações amigas e contribuindo para a evolução contínua das doutrinas e capacidades operacionais empregadas no ambiente ribeirinho.

Quick Reaction Force demonstra elevada prontidão

Outro destaque observado durante a operação foi o adestramento da Quick Reaction Force (QRF) do Corpo de Fuzileiros Navais.

As atividades foram conduzidas em um ambiente operacional que reproduziu os desafios típicos das modernas missões de paz e estabilização, nas quais a atuação militar vai muito além das ações de segurança. O treinamento exigiu pronta resposta, deslocamento rápido de tropas, ocupação de posições estratégicas e reação a situações emergenciais, ao mesmo tempo em que colocou os participantes diante de problemas humanitários e sociais semelhantes aos encontrados em operações reais conduzidas sob mandato da ONU.

Inseridos no cenário fictício de Carana, amplamente utilizado na preparação de forças para operações de paz, os militares tiveram que lidar com situações complexas envolvendo deslocamentos populacionais, crises humanitárias, tensões entre grupos étnicos e desafios relacionados à proteção de civis. Entre os cenários simulados estiveram a segurança de campos de refugiados e deslocados internos, o apoio à população afetada por conflitos e a necessidade de manter a estabilidade em áreas sob risco de violência.

O exercício também destacou um dos aspectos mais importantes das missões internacionais: a interação com populações de culturas, costumes e tradições diferentes das encontradas no Brasil. Em operações dessa natureza, o sucesso da missão depende não apenas da capacidade militar, mas também da habilidade de compreender o ambiente humano, respeitar diferenças culturais, estabelecer relações de confiança e atuar de forma coordenada com líderes locais, organizações humanitárias e organismos internacionais.

Além do emprego da tropa em campo, o treinamento permitiu que os estados-maiores e comandantes exercitassem o planejamento e a condução de operações em um ambiente multidimensional, onde questões de segurança, ajuda humanitária, proteção de civis e coordenação interagências acontecem simultaneamente. A interação com agências da ONU e outros atores civis reforçou a importância da interoperabilidade e da capacidade de atuação conjunta, competências cada vez mais essenciais para forças expedicionárias empregadas em missões de paz, estabilização e apoio à população.

A capacidade de mobilização rápida e resposta imediata a crises é hoje um dos principais atributos exigidos das forças de pronto emprego em todo o mundo, e o QRF do Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil, é uma das poucas qualificadas no Nível 3 de prontidão.

III Workshop Interagências reforça preparação para resposta a calamidades e emergências

Além dos cenários voltados às operações militares, a Operação Furnas 2026 também sediou o III Workshop Interagências de Cooperação com a Defesa Civil, iniciativa voltada ao fortalecimento da integração entre as Forças Armadas, órgãos de defesa civil e demais instituições governamentais responsáveis pela gestão de crises e desastres.

A atividade promoveu a troca de experiências, o alinhamento de procedimentos e o aprimoramento da coordenação entre os diferentes atores envolvidos em operações de resposta a emergências, abordando temas como atendimento e evacuação de vítimas, gestão de recursos, estabelecimento de estruturas de apoio e emprego de protocolos de atuação conjunta em cenários de calamidade.

Durante a operação, o cenário evoluiu para uma situação de desastre de grandes proporções, levando ao acionamento, pelo Governo Federal, de tropas do Corpo de Fuzileiros Navais e de um Hospital de Campanha (H-Camp) para reforçar o atendimento à população afetada. Paralelamente, o Governo de Minas Gerais mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros Militar, ampliando a capacidade de resposta e evidenciando a necessidade de coordenação entre diferentes esferas de governo e instituições.

Os debates e atividades desenvolvidos tiveram como referência situações enfrentadas recentemente pelo Brasil, incluindo eventos climáticos extremos e desastres de grande impacto, ressaltando a necessidade de uma resposta rápida, coordenada e eficiente. O workshop também evidenciou a importância da interoperabilidade entre instituições civis e militares, fator essencial para ampliar a capacidade de atendimento à população em momentos de crise.

Realizado anualmente, o Workshop Interagências tem se consolidado como uma importante ferramenta para fortalecer os laços entre as diversas agências envolvidas na gestão de emergências. A familiaridade criada entre os participantes, o conhecimento mútuo de capacidades e limitações e o aperfeiçoamento dos protocolos de atuação conjunta contribuem diretamente para aumentar a eficiência das respostas em cenários reais.

Essa integração torna-se ainda mais relevante diante de cenários complexos como o simulado durante a Operação Furnas 2026, no qual a Venezuela foi atingida por dois terremotos de grande magnitude que provocaram colapso da infraestrutura, deslocamento de milhares de pessoas e uma grave crise humanitária na região. Situações dessa natureza exigem a atuação coordenada de forças militares, órgãos de defesa civil, equipes de saúde, bombeiros e diversas agências governamentais, demonstrando a importância de exercícios e workshops que permitam aperfeiçoar procedimentos antes que uma emergência real aconteça. Ao reunir representantes de diferentes instituições, o III Workshop Interagências reforçou a cooperação entre os diversos atores envolvidos na gestão de crises, fortalecendo a capacidade de resposta do Brasil diante de futuros desastres naturais, emergências humanitárias e operações de apoio à população.

Doutrina, tecnologia e indústria avançam juntas

A principal lição deixada pela Operação Furnas 2026 é que o fortalecimento da capacidade militar não depende apenas da aquisição de novos equipamentos.

Tecnologia, treinamento, logística, interoperabilidade e doutrina precisam evoluir de forma integrada.

Ao reunir militares, indústria, centros de pesquisa e parceiros internacionais em um único ambiente operacional, a operação demonstrou como essa integração pode acelerar o desenvolvimento de capacidades e preparar a Força para os desafios do futuro.

Acompanhando a operação desde o deslocamento inicial das tropas no dia 21 de junho, passando pela chegada das empresas à Base Aérea Expedicionária em 29 de junho e chegando às atividades finais no terreno em 3 de julho, o GBN Defense pôde constatar que Furnas ultrapassou o conceito tradicional de exercício militar.

Mais do que um treinamento, a operação consolidou-se como um verdadeiro ambiente de experimentação operacional, onde novas tecnologias são avaliadas, doutrinas são aperfeiçoadas e parcerias estratégicas são fortalecidas.

Com cenário global cada vez mais complexo e dinâmico, a Operação Furnas 2026 demonstrou que o futuro da Defesa Nacional passa necessariamente pela integração entre a Força Operativa e a Base Industrial de Defesa. Uma parceria que fortalece a soberania brasileira, impulsiona a inovação tecnológica e garante que os Fuzileiros Navais estejam preparados para cumprir suas missões em qualquer ambiente operacional.


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quarta-feira, 8 de julho de 2026

Exército Brasileiro lamenta a morte de sargento durante exercício com carro de combate Leopard 1A5

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O Exército Brasileiro confirmou, nesta terça-feira (7), a morte do 3º Sargento de Cavalaria Nícolas Martins, de 20 anos, após um acidente ocorrido durante um exercício de adestramento realizado no Campo de Instrução de Santa Maria (CISM), no Rio Grande do Sul.

O militar participava de uma atividade operacional do 1º Regimento de Carros de Combate (1º RCC) quando um carro de combate Leopard 1A5 BR se envolveu em um acidente durante a travessia de uma ponte existente na área de instrução. Segundo as informações divulgadas pela Força, a viatura tombou e ficou parcialmente submersa. Os demais integrantes da guarnição foram resgatados, enquanto o sargento não conseguiu deixar o veículo.

Em nota oficial, o Exército Brasileiro informou que instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar as circunstâncias do acidente e destacou que está prestando toda a assistência necessária aos familiares do militar. A Instituição também ressaltou que os procedimentos de segurança previstos para a atividade haviam sido estabelecidos e observados.

O Campo de Instrução de Santa Maria é um dos principais centros de treinamento das tropas blindadas do Exército Brasileiro, onde são realizados exercícios voltados ao preparo operacional de unidades mecanizadas e blindadas. Atividades dessa natureza envolvem elevado grau de complexidade e risco, refletindo as condições que as tropas poderão enfrentar em operações reais.

Mais do que preparar homens e mulheres para a defesa do Brasil, o adestramento militar exige profissionalismo, dedicação e, muitas vezes, a disposição de enfrentar riscos inerentes à profissão das armas. Cada exercício representa um investimento na prontidão operacional da Força Terrestre e na capacidade de proteger a soberania nacional.

Neste momento de dor, o GBN Defense manifesta sua mais profunda solidariedade aos familiares, amigos e irmãos de farda do 3º Sargento Nícolas Martins. Seu compromisso com o serviço e sua dedicação à missão permanecerão como exemplo para todos aqueles que vestem a farda do Exército Brasileiro.

"Os verdadeiros soldados jamais são esquecidos. Permanecem vivos na memória de seus companheiros, na história de sua Unidade e no legado de serviço prestado à Nação."

Descanse em paz, guerreiro. Sua missão foi cumprida.



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ATMOS, Avibras e PULS: a oportunidade estratégica que o Brasil não deveria desperdiçar

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A eventual retomada do programa VBCOAP 155 mm SR deixou de ser apenas uma discussão sobre a aquisição de um novo obuseiro autopropulsado para o Exército Brasileiro. O que está em jogo agora é uma oportunidade estratégica de modernizar a artilharia da Força Terrestre, fortalecer a Base Industrial de Defesa (BID) e contribuir para a recuperação de uma das mais importantes empresas do setor de defesa nacional: a Avibras.

As informações publicadas pelo jornalista Marcelo Godoy apontam para a construção de uma solução que envolve a Elbit Systems, a AEL Sistemas e a Avibras, com produção e integração no Brasil, além da possibilidade de incluir o sistema de foguetes PULS em um pacote mais amplo de cooperação industrial e tecnológica.

Para quem acompanhou de perto o processo de seleção do VBCOAP 155 mm SR, é importante deixar um ponto claro: o ATMOS não foi escolhido por razões políticas. O sistema foi selecionado após uma concorrência internacional conduzida pelo próprio Exército Brasileiro, que definiu requisitos operacionais específicos para a realidade nacional.

Dentro desses requisitos, o ATMOS apresentou o melhor equilíbrio entre mobilidade estratégica, capacidade de deslocamento em longas distâncias, rapidez de entrada e saída de posição, simplicidade logística, interoperabilidade, poder de fogo e custo-benefício operacional.

Essa distinção é fundamental. Não se trata de afirmar que o ATMOS é o melhor obuseiro autopropulsado do mundo em qualquer cenário, mas sim que foi a solução considerada mais adequada para atender às necessidades operacionais do Exército Brasileiro. Essa foi a conclusão alcançada ao final de um criterioso processo de avaliação técnica conduzido pela própria Força Terrestre.

Uma necessidade operacional real

O programa de aquisição da Viatura Blindada de Combate Obuseiro Autopropulsado 155 mm Sobre Rodas integra o Processo de Transformação do Exército e busca substituir sistemas concebidos há décadas por uma capacidade compatível com os desafios do campo de batalha contemporâneo.

A guerra na Ucrânia evidenciou aquilo que muitos especialistas já defendiam há anos: mesmo diante da proliferação de drones, sensores e sistemas de precisão, a artilharia continua sendo um dos principais protagonistas das operações terrestres. Alcance, mobilidade, rapidez de resposta, precisão e capacidade de sobrevivência permanecem fatores decisivos para o sucesso das operações.

No caso brasileiro, as dimensões continentais do território nacional tornam a mobilidade estratégica um requisito ainda mais importante. A capacidade de deslocar rapidamente sistemas de artilharia por milhares de quilômetros utilizando a infraestrutura rodoviária disponível representa uma vantagem operacional significativa para uma força terrestre que precisa estar preparada para atuar em qualquer região do país.

Avibras: muito mais do que um offset

O aspecto mais interessante da proposta atualmente em discussão talvez seja justamente aquele que recebeu menos atenção até o momento: a participação da Avibras.

Não se trata apenas de um mecanismo tradicional de compensação industrial. A inserção da empresa no programa representa uma oportunidade concreta de preservar competências estratégicas acumuladas ao longo de mais de seis décadas em áreas como integração de sistemas, engenharia de foguetes, mísseis, eletrônica embarcada e sistemas complexos de defesa.

A Avibras é responsável pelo desenvolvimento do Sistema ASTROS, um dos principais produtos da indústria brasileira de defesa e um dos sistemas lançadores múltiplos de foguetes de maior prestígio no mercado internacional. Presente em diferentes forças armadas e continuamente modernizado, o ASTROS tornou-se um símbolo da capacidade tecnológica nacional e um dos maiores casos de sucesso da Base Industrial de Defesa.

Diante do momento delicado que passa a empresa, sua participação em um programa estratégico dessa dimensão pode contribuir para preservar empregos altamente qualificados, manter equipes de engenharia, proteger conhecimentos acumulados ao longo de décadas e assegurar que competências críticas permaneçam no Brasil.

Perder esse patrimônio tecnológico significaria ter que reconstruir do zero, capacidades que levaram décadas para serem desenvolvidas.

O PULS pode impulsionar a próxima evolução do ASTROS

Outro aspecto de enorme relevância é a possibilidade de incorporar o sistema de foguetes PULS ao pacote de cooperação industrial e tecnológica.

À primeira vista, a proposta pode parecer apenas uma compensação comercial. Entretanto, seu potencial estratégico é muito maior.

Os conflitos modernos demonstram que os sistemas lançadores múltiplos de foguetes evoluíram significativamente nos últimos anos, incorporando munições guiadas, diferentes alcances, maior precisão, novas arquiteturas eletrônicas e a capacidade de empregar uma ampla família de armamentos a partir de uma única plataforma.

Nesse contexto, uma eventual cooperação envolvendo o PULS pode representar uma oportunidade única para acelerar a evolução da família ASTROS.

Não se trata de substituir um sistema pelo outro. Pelo contrário. O ASTROS permanece como um dos principais ativos tecnológicos da indústria brasileira de defesa. Porém, a absorção de tecnologias, conhecimentos e soluções desenvolvidas para o PULS poderá contribuir para a evolução da plataforma nacional, agregando capacidades que hoje ainda não fazem parte do sistema brasileiro.

Caso essa cooperação seja estruturada com efetiva transferência de tecnologia e participação da engenharia nacional, a Avibras poderá incorporar novos conhecimentos em áreas como munições guiadas, integração de sistemas, arquitetura eletrônica, comando e controle e soluções de longo alcance, criando as condições para desenvolver uma nova geração de sistemas de artilharia de foguetes.

Essa evolução não apenas fortaleceria a capacidade operacional do Exército Brasileiro, como também poderia resultar em novos produtos nacionais altamente competitivos em um mercado internacional que vive um momento de forte expansão. A demanda global por sistemas de foguetes de alta precisão nunca foi tão elevada, e poucos países possuem a experiência acumulada que a Avibras construiu ao longo das últimas décadas.

Transformar essa oportunidade em desenvolvimento tecnológico nacional significa investir não apenas na recuperação de uma empresa estratégica, mas na manutenção da capacidade brasileira de competir internacionalmente em um dos segmentos mais sofisticados da indústria de defesa.

Uma decisão sobre o futuro da Defesa Nacional

A discussão, portanto, não deveria se concentrar apenas na origem do equipamento ou nas circunstâncias políticas do momento.

O verdadeiro debate é sobre a capacidade do Brasil de conduzir seus programas estratégicos com visão de longo prazo. O programa VBCOAP 155 mm SR reúne elementos raros: moderniza uma capacidade essencial do Exército Brasileiro, fortalece a Base Industrial de Defesa, amplia a participação da indústria nacional, contribui para a recuperação de uma empresa estratégica como a Avibras e abre perspectivas para o desenvolvimento de novas tecnologias e produtos capazes de projetar a indústria brasileira no mercado internacional.

Se estruturada da forma como vem sendo discutida, a parceria entre AEL Sistemas, Elbit Systems e Avibras, aliada às oportunidades tecnológicas representadas pelo PULS, pode ir muito além da entrega de um novo obuseiro. Ela pode representar um investimento na capacidade nacional de desenvolver, integrar e exportar sistemas de defesa de alta tecnologia nas próximas décadas.

Entretanto, essa oportunidade também evidencia um problema recorrente da Defesa Nacional: programas estratégicos não podem permanecer sujeitos às oscilações do ambiente político ou às mudanças de orientação de cada governo. A defesa de um país deve ser tratada como uma política de Estado, construída sobre planejamento, continuidade e objetivos nacionais permanentes.

Projetos dessa natureza demandam anos de estudos, avaliações técnicas, investimentos e desenvolvimento industrial. Interrompê-los ou rediscuti-los continuamente por razões alheias aos requisitos operacionais compromete a previsibilidade das Forças Armadas, enfraquece a Base Industrial de Defesa e transmite insegurança aos parceiros estratégicos e aos investidores.

A soberania de uma nação não pode ser condicionada por disputas ideológicas ou posições político-partidárias. Ela deve estar fundamentada no interesse nacional, na preservação das capacidades estratégicas e no fortalecimento da autonomia tecnológica brasileira. "Governos são transitórios. O Estado brasileiro é permanente."

As necessidades operacionais do Exército Brasileiro continuarão existindo independentemente de quem ocupe o Palácio do Planalto. Da mesma forma, a necessidade de preservar empresas estratégicas, manter competências industriais críticas e garantir a capacidade nacional de desenvolver sistemas de defesa permanecerá como um imperativo para qualquer projeto sério de país.

Se o Brasil pretende consolidar uma Base Industrial de Defesa robusta e Forças Armadas compatíveis com sua dimensão geopolítica, será preciso abandonar a lógica das decisões de curto prazo e construir uma política de defesa baseada na continuidade, na previsibilidade e no interesse permanente da Nação.

A retomada do programa VBCOAP 155 mm SR pode representar exatamente isso: não apenas a aquisição de um novo sistema de artilharia, mas a demonstração de que o Brasil é capaz de tratar sua Defesa como aquilo que ela verdadeiramente é: uma política de Estado.

 Por Angelo Nicolaci


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