quarta-feira, 14 de outubro de 2026

EDGE Group nomeia Giovanni D’Ambrosio para liderar operações na América Latina

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O EDGE Group anunciou Giovanni D’Ambrosio como novo gerente-geral para a América Latina. Ele sucede Tiago Silva e assume a responsabilidade de conduzir as operações do grupo na região, ampliar parcerias estratégicas e identificar oportunidades de negócios nos setores de defesa e tecnologia.

Engenheiro aeronáutico, com mestrado em Gestão da Qualidade Industrial e Executive MBA, D’Ambrosio possui experiência internacional nos setores aeroespacial, de defesa e industrial, com atuação em gestão de programas, industrialização, manufatura, desenvolvimento de fornecedores e expansão de negócios na Europa, América Latina e Oriente Médio.

Sua trajetória inclui a liderança do programa VBTP-MR Guarani 6x6, um dos principais projetos de veículos blindados do Exército Brasileiro. À frente do programa, participou das etapas de desenvolvimento, qualificação, industrialização e produção em escala, além de conduzir iniciativas de nacionalização da cadeia de fornecedores que superaram os requisitos de conteúdo local estabelecidos pelo Exército.

A experiência com o Guarani representa um diferencial para sua nova função, especialmente diante da importância do mercado brasileiro e das oportunidades de cooperação com as Forças Armadas e a indústria de defesa regional.

Segundo Miles Chambers, vice-presidente sênior de Negócios Internacionais do EDGE Group, a nomeação reforça a importância estratégica da América Latina para a empresa. O executivo também agradeceu a Tiago Silva por sua contribuição à atuação regional do grupo e destacou a experiência de D’Ambrosio em programas complexos de defesa e industriais.

Antes da promoção, D’Ambrosio ocupava o cargo de diretor de Desenvolvimento de Negócios para a América Latina, função na qual trabalhou na ampliação da presença comercial do EDGE Group e na construção de parcerias com governos, Forças Armadas e empresas do setor.

A mudança coloca à frente da operação regional um executivo com experiência direta em um dos principais programas de blindados do Brasil. O desafio será transformar esse conhecimento do mercado latino-americano em novas oportunidades comerciais, parcerias industriais e projetos alinhados às necessidades de defesa da região.


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Ministério da Defesa dos EAU, EDGE Group, Exército Brasileiro e IMBEL ampliam cooperação em defesa

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O Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos, o EDGE Group, o Exército Brasileiro e a Indústria de Material Bélico do Brasil (IMBEL) assinaram uma Carta de Intenções para ampliar a cooperação em defesa, com foco na modernização do Exército Brasileiro, no desenvolvimento tecnológico e industrial e na avaliação de futuros programas conjuntos.

O entendimento prevê discussões sobre soluções para atender às necessidades da Força Terrestre e ampliar as oportunidades de cooperação entre as indústrias de defesa dos dois países.

A iniciativa se apoia no Acordo de Cooperação em Defesa firmado entre Brasil e Emirados Árabes Unidos em 2014 e no acordo de 2019 sobre intercâmbio e proteção mútua de informações e materiais classificados.

Embora a Carta contemple os campos militar, operacional, industrial, tecnológico e comercial, ainda não foram divulgados sistemas de interesse, valores, cronogramas ou contratos decorrentes da iniciativa.

Modernização e indústria de defesa

A aproximação reúne as necessidades operacionais do Exército Brasileiro, a capacidade industrial da IMBEL e as tecnologias oferecidas pelo EDGE Group. A participação do Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos dá dimensão governamental à iniciativa e estabelece um canal para aprofundar as negociações bilaterais.

Segundo Hamad Al Marar, diretor-geral e CEO do EDGE Group, o grupo pretende mobilizar suas tecnologias, seus engenheiros e sua estrutura industrial para apoiar a modernização do Exército Brasileiro e contribuir para o desenvolvimento de capacidades nacionais de defesa.

O próximo passo será identificar projetos de interesse comum e definir as condições para sua eventual execução. Para o Brasil, o principal desafio será converter a aproximação em resultados concretos para o Exército e para a Base Industrial de Defesa, com oportunidades de desenvolvimento tecnológico e participação efetiva da indústria nacional.


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Elbit Systems instalará na Suécia seu primeiro centro europeu de sistemas de alerta laser

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A Elbit Systems pretende estabelecer na Suécia seu primeiro centro europeu de produção e manutenção de sistemas de alerta laser (LWS). Com entrada em operação prevista para 2027, a unidade será responsável por atividades de montagem, integração, manutenção e suporte técnico aos equipamentos destinados a clientes europeus.

A iniciativa amplia a estrutura industrial da empresa no continente e prevê a criação de capacidade local para atender às necessidades de forças armadas europeias e de países membros da OTAN. Segundo a companhia, a produção e a manutenção regionais deverão contribuir para reduzir prazos de entrega e ampliar a disponibilidade dos sistemas.

O centro também deverá incorporar transferência de tecnologia e fortalecer as capacidades industriais e tecnológicas locais. A Elbit, porém, não detalhou o volume de produção previsto nem quais componentes serão fabricados na Suécia.

Sistemas voltados à autoproteção militar

A unidade trabalhará com a nova geração de sistemas passivos de alerta laser da empresa, desenvolvidos para detectar e localizar ameaças desse tipo e fornecer às tripulações tempo para adotar medidas de proteção.

Os equipamentos foram projetados para se integrar a sistemas de comando e controle existentes. Segundo a Elbit, a arquitetura descentralizada reduz o número de componentes, limita a necessidade de modificações nas plataformas e aumenta a robustez da solução.

Os sistemas LWS da companhia já são empregados por forças armadas de diferentes países e integram conjuntos de autoproteção de plataformas militares. O comunicado, contudo, não identifica os modelos que serão atendidos pelo futuro centro sueco nem os clientes que utilizarão a estrutura.

Presença industrial no norte da Europa

Criada em 2020, a Elbit Systems Sweden conta com mais de 100 funcionários e funciona como polo regional das atividades da empresa no norte da Europa. A subsidiária também participa de programas de defesa e digitalização em apoio às Forças Armadas suecas.

Para Tobias Wennberg, CEO da Elbit Systems Sweden, a nova instalação permitirá ampliar a capacidade da empresa de desenvolver, fornecer e produzir localmente, além de oferecer suporte de longo prazo aos clientes da região.

A entrada em operação, prevista para 2027, marcará a expansão das atividades industriais da Elbit na Suécia. O alcance efetivo dessa capacidade dependerá dos detalhes de implementação e do nível de produção e transferência tecnológica que serão estabelecidos para a unidade.


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A DEFESA ANTIAÉREA MODERNA

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A defesa antiaérea moderna constitui um sistema complexo e integrado, projetado para proteger o espaço aéreo e infraestruturas estratégicas contra ameaças variadas. A arquitetura de defesa é estruturada em camadas concêntricas e escalonadas por altitude para garantir a máxima eficácia operacional.

No estrato de longo alcance e alta altitude, operam os sistemas estratégicos capazes de interceptar alvos a dezenas de quilômetros de altura, como o sistema russo S-400 Triumf e o americano MIM-104 Patriot.

A média altitude é guarnecida por baterias móveis de emprego tático, responsáveis por negar o espaço aéreo a aeronaves de ataque e mísseis, contando com meios de destaque como o NASAMS e o Buk-M3.

Já a baixa altitude e a curtíssima distância formam a defesa de ponto crucial contra ameaças rápidas e de voo rasante, utilizando sistemas portáteis (MANPADS) como o FIM-92 Stinger e o Igla-S.

Com a proliferação dos conflitos assimétricos, a defesa antiaérea contra drones tornou-se um dos maiores desafios táticos dos exércitos atuais. Para neutralizar esses veículos não tripulados, empregam-se abordagens multifacetadas que vão desde a guerra eletrônica até o combate cinético direto.

A supressão eletrônica atua logo na fase inicial de aproximação utilizando equipamentos de interferência (jammer portáteis como o sistema antidrone da empresa brasileira ADTECH). Essas tecnologias bloqueiam os enlaces de comunicação entre o operador e o drone ou corrompem os dados de navegação por satélite, o GPS.

Quando o drone opera de forma autônoma e resiste às contramedidas eletromagnéticas, o teatro de operações exige o emprego imediato da supressão cinética.

A supressão cinética consiste na destruição física do alvo através do uso de artilharia antiaérea tradicional de tiro rápido, a exemplo do canhão autopropulsado Gepard.

Nos cenários onde o enxame de drones rompe as barreiras eletrônicas e de mísseis táticos, entra em cena a última proteção da defesa antiaérea. Essa camada final é composta por sistemas de proteção ativa de ponto de última linha, como os canhões rotativos do sistema C-RAM (Phalanx) e armas de energia direcionada a laser.

Tais sistemas de defesa de ponto concentram o poder de fogo final para estilhaçar o vetor inimigo a escassos metros do alvo a ser defendido.

Em suma, uma defesa antiaérea eficiente, que vai proporcionar a sobrevivência no campo de batalha contemporâneo e a proteção de civis e instalações críticas dependerá da sinergia perfeita entre a vigilância estratégica, supressão eletrônica e os modernos meios de contra-drone.

Na camada de supressão eletrônica, os sistemas antidrones da empresa brasileira ADTECH, o SIMAD, tem se mostrado como um dos melhores do mundo. O SIMAD é um sistema que combina em um único equipamento, a detecção eletrônica, a detecção para drones FPV, a Detecção por radar, a supressão de sinais de rádiofrequencia e a supressão de sinais GPS. Pequeno, compacto e de fácil montagem e instalação, o SIMAD pode realizar a supressão unidirecional ou omnidirecional de qualquer drone, nas faixas de frequência mais utilizadas no mundo, Em testes em campo, tal supressão atingiu até 10km. Um marco na tecnologia Brasileira. 


Por: MARCOS VENICIO MENDONÇA


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terça-feira, 13 de outubro de 2026

Arábia Saudita intensifica ofensiva contra os houthis após ataques a Riad e à Aramco

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Mísseis e drones atingem infraestrutura estratégica saudita, enquanto bombardeios contra instalações de combustível no Iêmen ampliam o risco de uma guerra regional e pressionam a defesa aérea do reino

A escalada entre a Arábia Saudita e os houthis entrou em uma nova fase nesta terça-feira (13), após uma sequência de ataques contra território saudita, incluindo um ataque letal ao Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riad, e o lançamento de um míssil contra um edifício administrativo do complexo da Saudi Aramco, em Dhahran. Em resposta, a coalizão liderada por Riad ampliou sua campanha aérea no Iêmen, atingindo instalações de combustível em áreas controladas pelo movimento.

A sequência de ataques e retaliações revela uma mudança importante na dinâmica do conflito: a infraestrutura civil, energética e logística passou a ocupar posição central na confrontação. O objetivo de ambos os lados é impor custos ao adversário, mas a ampliação dos alvos aumenta o risco de novas vítimas civis, interrupções econômicas e envolvimento de outros países.

A crise ocorre após o agravamento dos combates entre os houthis, que controlam extensas áreas do Iêmen e contam com apoio iraniano, e as forças iemenitas apoiadas pela Arábia Saudita. A retomada das hostilidades comprometeu entendimentos anteriores de redução da violência e reabriu uma frente de instabilidade que afeta diretamente a segurança do Golfo e das rotas marítimas do Mar Vermelho.

Ataques houthis ampliam a pressão sobre a Arábia Saudita

O episódio mais grave ocorreu em 10 de outubro, quando um ataque contra o Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riad, matou pelo menos 12 pessoas e deixou mais de 300 feridos, segundo as autoridades sauditas. Os houthis reivindicaram a autoria. Foi o terceiro ataque contra o aeroporto naquela semana, após outros incidentes que provocaram vítimas e danos a uma aeronave comercial saudita.

No dia seguinte, um novo projétil atingiu o Terminal 4 do aeroporto, provocando um incêndio e matando uma pessoa, além de ferir outras 11. As defesas sauditas também anunciaram a interceptação de um míssil de cruzeiro nas proximidades do complexo aeroportuário. Diante da sequência de ataques, as operações do aeroporto foram suspensas, com interrupções e cancelamentos de voos e alertas de segurança para viajantes e companhias aéreas.

Os houthis ampliaram a pressão ao advertir companhias aéreas, trabalhadores e passageiros contra a utilização de aeroportos e do espaço aéreo saudita. O grupo também ameaçou instalações petrolíferas, incluindo estruturas ligadas à Aramco, procurando transformar a vulnerabilidade da infraestrutura crítica em instrumento de pressão sobre Riad.

Nesta terça-feira (13), um míssil atribuído aos houthis atingiu um edifício administrativo do complexo da Aramco em Dhahran, no leste da Arábia Saudita. O ataque provocou um incêndio e danificou os três andares superiores de uma torre de escritórios, sem registro de vítimas, segundo a Reuters. A instalação é relevante para a supervisão das extensas operações petrolíferas da companhia.

O significado estratégico dos ataques vai além dos danos materiais. A repetição de incursões contra aeroportos e instalações energéticas força a Arábia Saudita a distribuir seus recursos defensivos por diferentes regiões e a manter elevado nível de alerta sobre alvos civis e econômicos. Mesmo quando os projéteis são interceptados, destroços podem causar danos e colocar a população em risco.

A resposta de Riad: ataques contra instalações de combustível

A reação saudita ganhou intensidade nesta terça-feira, quando a coalizão liderada por Riad anunciou uma operação contra instalações que, segundo seu comando, seriam utilizadas pelos houthis para apoiar suas operações militares.

Antes dos bombardeios, a coalizão emitiu alertas para que civis deixassem áreas próximas à estação central de combustível de Al-Sabaha, em Sana’a, capital iemenita, e a outras instalações. Em seguida, foram relatadas explosões na região. A operação também atingiu depósitos e estruturas de armazenamento e transporte de combustível em Ras Isa, na província de Hodeida, e em Dhamar, segundo informações divulgadas pela coalizão e pela imprensa regional.

O comando saudita sustenta que os houthis utilizam instalações civis e recursos energéticos para sustentar ataques com mísseis e drones e ameaçar a navegação internacional. A ofensiva busca, portanto, atingir parte da infraestrutura logística que permite ao movimento manter suas operações.

A escolha desses alvos, porém, envolve riscos. Instalações de combustível são essenciais para o funcionamento de transportes, hospitais, geradores e cadeias de abastecimento. Mesmo quando a justificativa militar é a degradação da capacidade adversária, os efeitos sobre a população dependem da extensão dos danos, da disponibilidade de alternativas e da duração das interrupções.

Após os ataques sauditas, o porta-voz houthi Yahya Saree voltou a ameaçar instalações petrolíferas e aeroportos do reino, afirmando que haveria uma resposta caso a ofensiva prosseguisse. A sequência expõe o principal risco da atual dinâmica: cada operação destinada a reduzir a capacidade do adversário pode gerar novos ataques contra alvos estratégicos do outro lado.

Defesa aérea saudita sob pressão

A Arábia Saudita dispõe de sistemas modernos de defesa aérea e de um dos maiores orçamentos militares do mundo. Ainda assim, a sequência de ataques expôs dificuldades para proteger simultaneamente aeroportos, centros urbanos e instalações energéticas distribuídas por um território extenso.

A questão não se resume à capacidade de interceptar um míssil isolado. Uma defesa eficaz precisa detectar e classificar ameaças, acompanhar diferentes vetores, distribuir interceptadores e manter cobertura sobre diversos alvos ao mesmo tempo. A combinação de drones e mísseis, lançados em ondas ou contra pontos distintos, pode elevar a pressão sobre sensores, centros de comando e estoques de interceptadores.

A Associated Press observou que, apesar de seu arsenal avançado, a Arábia Saudita enfrenta dificuldades para conter a recente onda de ataques. A extensão territorial do reino, a dispersão de sua infraestrutura crítica e as táticas assimétricas dos houthis tornam a proteção integral particularmente complexa.

O ataque ao aeroporto de Riad é especialmente relevante por atingir uma instalação civil de grande porte e provocar elevado número de vítimas. O episódio também levanta questionamentos sobre os sistemas de alerta, a coordenação da defesa e a capacidade de reduzir a exposição da população em caso de novas ameaças.

Isso não significa que a defesa aérea saudita tenha deixado de funcionar: as autoridades anunciaram diversas interceptações. O problema é que a interceptação de parte das ameaças não impediu que outras atingissem alvos importantes. O desempenho do sistema deve, portanto, ser avaliado tanto pela capacidade de neutralização quanto pela proteção efetiva das instalações e da população.

O Irã e o risco de internacionalização

O apoio iraniano aos houthis acrescenta uma dimensão regional à crise. Teerã mantém relações políticas e militares com o movimento, mas essa ligação não permite concluir que cada ataque seja ordenado diretamente pelo governo iraniano. A capacidade dos houthis de conduzir operações próprias também precisa ser considerada na análise.

O conflito, contudo, está conectado a uma disputa mais ampla envolvendo o Irã, os Estados Unidos e seus parceiros regionais. Uma participação militar direta de Washington na campanha saudita ampliaria os recursos disponíveis contra os houthis, mas também poderia expor bases e interesses norte-americanos a novas retaliações.

A diplomacia ainda representa uma possível via de contenção. Segundo a imprensa internacional, o chanceler iraniano Abbas Araghchi ofereceu mediação entre Teerã, Riad e os houthis após os ataques ao aeroporto saudita. A iniciativa ocorre justamente quando a continuidade das operações militares reduz o espaço para negociações e eleva o custo político de qualquer recuo.

Para a Arábia Saudita, a decisão é delicada: responder com força suficiente para recuperar a capacidade de dissuasão, sem desencadear uma campanha que prolongue a guerra e amplie o número de alvos ameaçados. Para os houthis, manter a pressão sobre a infraestrutura saudita pode impor custos e ampliar sua influência, mas também aumenta a probabilidade de ataques contra áreas sob seu controle.

O impacto sobre o petróleo e as rotas marítimas

A presença da Aramco entre os alvos amplia a importância econômica da crise. A companhia administra uma infraestrutura que inclui campos de produção, oleodutos, refinarias, terminais e instalações de exportação. Um ataque a um edifício administrativo não significa, por si só, que a produção ou as exportações tenham sido interrompidas; até o momento, os relatos sobre o incidente em Dhahran indicam danos ao edifício, sem vítimas.

O risco estratégico está na possibilidade de a campanha alcançar instalações diretamente ligadas à produção, ao processamento ou ao transporte de petróleo. Ataques recorrentes podem elevar os custos de segurança, afetar a confiança dos mercados e aumentar o prêmio de risco associado ao fornecimento regional. O impacto efetivo sobre os preços dependerá da extensão dos danos, da continuidade das exportações e da percepção de risco dos operadores.

O Mar Vermelho acrescenta outra variável. A proximidade das áreas controladas pelos houthis com o estreito de Bab el-Mandeb, passagem entre o Golfo de Áden e o Mar Vermelho, permite que a instabilidade no Iêmen afete uma das principais rotas comerciais internacionais. Uma ameaça persistente à navegação pode levar armadores a rever itinerários, elevar os custos de seguro e aumentar o tempo de transporte entre a Ásia e a Europa.

A campanha militar saudita tem, assim, implicações que ultrapassam a disputa bilateral. Quanto mais a confrontação se desloca para infraestrutura energética e corredores marítimos, maior é o potencial de afetar o comércio e a segurança econômica de países que não participam diretamente do conflito.

Uma escalada cujo resultado permanece incerto

A sequência dos últimos dias revela uma dinâmica perigosa: os houthis intensificaram os ataques contra aeroportos e infraestrutura saudita; Riad respondeu com bombardeios contra instalações de combustível no Iêmen; e o movimento voltou a ameaçar novos alvos. Nenhum dos lados demonstrou, até agora, capacidade de encerrar rapidamente a campanha ou eliminar a possibilidade de novas retaliações.

A superioridade militar saudita oferece capacidade para sustentar operações aéreas, mas não garante, isoladamente, a neutralização de uma força que emprega meios relativamente dispersos e táticas assimétricas. Da mesma forma, a capacidade houthi de atingir alvos estratégicos não elimina a vulnerabilidade do movimento diante de uma campanha aérea prolongada.

O próximo estágio dependerá da eficácia dos ataques sauditas contra a infraestrutura militar e logística dos houthis, da capacidade do reino de proteger seus principais alvos e da disposição dos aliados de Riad em ampliar seu envolvimento. A evolução da situação em Taiz e nas áreas costeiras do Iêmen também será relevante para avaliar se a crise permanecerá concentrada em ataques de longo alcance ou se haverá uma expansão das operações terrestres.

O principal risco agora é a consolidação de um ciclo de ataques e retaliações no qual aeroportos, instalações energéticas e rotas marítimas se tornem alvos recorrentes. Para Riad, recuperar a dissuasão exige mais do que responder a cada ataque: será necessário reduzir a capacidade ofensiva houthi e proteger a infraestrutura crítica sem ampliar a guerra a ponto de comprometer a segurança regional que pretende restabelecer.


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Argentina busca submarinos e Brasil pode transformar Itaguaí em plataforma de exportação

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A disputa argentina por três submarinos convencionais abre uma oportunidade para o Brasil ampliar a atividade industrial, aproveitar os investimentos do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB) e fortalecer a cooperação no Atlântico Sul. Para a França, a construção dos três meios em Itaguaí, com participação brasileira e incorporação de conteúdo industrial argentino, pode representar uma alternativa à produção integral na Europa. O modelo permitiria combinar tecnologia francesa, capacidade produtiva brasileira e fornecedores argentinos em uma proposta que precisa demonstrar viabilidade comercial, técnica e financeira.

Argentina precisa reconstruir sua capacidade submarina

A Argentina procura recuperar uma capacidade perdida após a tragédia do ARA San Juan, desaparecido em novembro de 2017 com 44 tripulantes a bordo. Desde então, a Armada Argentina permanece sem um submarino operacional, uma lacuna relevante para um país com extensa costa marítima e interesses estratégicos no Atlântico Sul.

A concorrência envolve propostas da francesa Naval Group, com a família Scorpène, e da alemã TKMS, com o Type 209NG. Informações publicadas em setembro e outubro de 2026 indicam que ambas apresentaram alternativas de financiamento integral. A proposta orçamentária argentina para 2027 prevê autorização para contrair até US$ 2,3 bilhões em crédito destinado à aquisição de três submarinos. Até o momento, não há contrato assinado nem decisão anunciada.

O francês Scorpéne e o alemão Type 209NG na mira da Argentina

A escolha dependerá não apenas das características dos submarinos, mas também do custo total do programa, das condições de financiamento, dos prazos de entrega, da transferência de tecnologia e da capacidade de manter os meios operacionais durante décadas. A aquisição envolve tripulações, infraestrutura, manutenção, armamentos e suporte logístico, além da entrega das plataformas.

Nesse cenário, o Brasil pode participar da discussão com uma proposta industrial concreta. Em vez de limitar sua atuação à diplomacia bilateral, Brasília pode negociar com a França uma solução que utilize a capacidade de construção instalada em Itaguaí e incorpore empresas argentinas à cadeia de fornecimento.

Para a Naval Group, essa alternativa merece ser examinada como uma possível extensão da cooperação industrial franco-brasileira. A empresa já participa de um programa que criou no Brasil infraestrutura, pessoal qualificado e experiência de construção associada à família Scorpène. Uma encomenda adicional permitiria avaliar o aproveitamento dessa base para atender um novo mercado, sem pressupor que a produção no Brasil será necessariamente mais barata ou mais rápida.

A lógica é direta: a Argentina precisa reconstruir sua força submarina; o Brasil dispõe de uma estrutura industrial desenvolvida com participação francesa; e a Naval Group possui experiência tecnológica ligada a essa capacidade. Esses elementos justificam estudar uma proposta conjunta, embora não garantam sua escolha nem dispensem uma análise rigorosa de custos, prazos e riscos.

Itaguaí: de investimento estratégico a ativo industrial

O PROSUB foi estabelecido no âmbito da parceria estratégica entre Brasil e França, formalizada em 23 de dezembro de 2008. O programa ampliou a capacidade brasileira de construção naval militar por meio da transferência de tecnologia, da formação de profissionais e do desenvolvimento de infraestrutura para construir e manter submarinos convencionais e, futuramente, o submarino brasileiro de propulsão nuclear. 

A Itaguaí Construções Navais (ICN) consolidou experiência na construção dos submarinos da classe Riachuelo, derivados da família Scorpène. Mais de 250 profissionais brasileiros passaram por treinamento na França no contexto do programa, que contribuiu para formar engenheiros, técnicos e trabalhadores especializados.

A entrega do submarino Tonelero e o avanço do Almirante Karam, demonstram a continuidade dessa atividade industrial. A experiência acumulada constitui uma base para estudar novas encomendas, mas não significa que a ICN esteja automaticamente preparada para iniciar uma série de exportação sem avaliações técnicas, comerciais e contratuais. 

A infraestrutura e as competências desenvolvidas pelo PROSUB exigiram investimento e continuidade institucional. A possibilidade de aproveitar essa capacidade em encomendas externas merece, portanto, ser avaliada como parte de uma estratégia industrial de longo prazo. Novos contratos poderiam ampliar a utilização das instalações, preservar equipes especializadas e gerar trabalho para fornecedores nacionais.

Esses benefícios, contudo, não são automáticos. Uma exportação só contribuirá para a sustentabilidade industrial se o preço, o financiamento, os custos de adaptação e a divisão das atividades forem economicamente justificáveis. O argumento não é que qualquer encomenda externa reduzirá os custos brasileiros, mas que a capacidade instalada deve ser avaliada também pelo potencial de atender a outros mercados, desde que isso não prejudique os programas nacionais.

Reportagens publicadas em 2026 mencionaram Itaguaí como possível local de construção dos submarinos argentinos, no contexto de discussões envolvendo autoridades brasileiras e francesas. A alternativa permanece uma possibilidade, não um acordo firmado. 

Para a Naval Group, a questão central é saber se a produção em Itaguaí pode atender aos requisitos argentinos e preservar uma participação francesa relevante. O local de construção, por si só, não determina a distribuição do valor industrial. Projeto, sistemas, equipamentos, integração, assistência técnica e suporte de longo prazo podem continuar integrando o contrato francês, conforme os termos negociados.

A proposta exigiria definir a divisão de responsabilidades entre Naval Group e ICN, os direitos de propriedade intelectual, o conteúdo nacional, as condições de exportação e a distribuição dos riscos financeiros e industriais. O objetivo seria estabelecer uma cadeia de produção em que cada participante tivesse funções, obrigações e retornos claramente definidos.

Conteúdo argentino: transformar o comprador em participante industrial

A incorporação de conteúdo argentino pode diferenciar a proposta de Itaguaí de uma aquisição convencional. Em vez de participar apenas como comprador dos submarinos, a Argentina poderia integrar atividades industriais selecionadas, desenvolver fornecedores e formar pessoal para apoiar a operação e a manutenção dos meios.

Empresas argentinas poderiam ser avaliadas para fornecer componentes não sensíveis, equipamentos auxiliares e serviços industriais, além de participar de atividades de manutenção e apoio logístico. A seleção dependeria de um levantamento da base industrial local, dos padrões de qualidade exigidos e da capacidade de cumprir os prazos do programa.

Essa participação não deve ser tratada como uma obrigação genérica de conteúdo local nem como promessa de transferência irrestrita de tecnologia. Sistemas de combate, sensores, comunicações, armamentos e outras tecnologias protegidas dependeriam de acordos específicos, autorizações de exportação e requisitos de segurança. O conteúdo argentino precisaria ser definido desde o planejamento da produção, com responsabilidades, metas e critérios de qualificação claros.

A medida permitiria avaliar uma divisão de trabalho na qual a França contribuísse com tecnologia, sistemas e assistência técnica; o Brasil, com infraestrutura e construção naval; e a Argentina, com fornecedores qualificados e competências de apoio. A configuração exata dependeria de estudos técnicos e comerciais, mas a lógica é fazer da encomenda uma oportunidade de cooperação industrial, e não apenas uma transação de compra e entrega.

Para Buenos Aires, a participação produtiva poderia gerar competências e oportunidades econômicas associadas ao programa. Para o Brasil, ampliaria a cadeia regional de fornecimento. Para a França, abriria espaço para uma estrutura de exportação que mantivesse a Naval Group como parceira tecnológica e comercial, ao mesmo tempo que integrasse capacidades industriais dos dois países sul-americanos.

O conteúdo argentino também poderia ter efeitos após a entrega dos submarinos. Treinamento, manutenção, reparos, atualização de equipamentos e gestão de sobressalentes geram necessidades durante toda a vida útil dos meios. Se determinadas atividades puderem ser realizadas regionalmente com padrões adequados, o programa poderá sustentar uma relação industrial mais duradoura entre os três países.

Essa abordagem, entretanto, precisa demonstrar que a participação de novos fornecedores não elevará custos ou atrasará entregas a ponto de comprometer o programa. O objetivo é desenvolver uma cadeia produtiva viável, não distribuir tarefas apenas para cumprir metas políticas.

O que a França pode ganhar com a construção em Itaguaí

Para a França, a proposta deve ser avaliada pelo valor comercial e industrial que pode gerar, e não apenas pelo país em que os submarinos serão construídos. A participação da Naval Group pode abranger projeto, sistemas, equipamentos, integração, assistência técnica, formação e suporte, de acordo com o contrato. A construção no Brasil não exclui essas atividades nem implica, por si só, a transferência de todas as responsabilidades industriais para a ICN.

O PROSUB já criou uma base de cooperação entre a Naval Group e a indústria brasileira. Uma encomenda argentina permitiria estudar se essa estrutura pode sustentar um novo programa de exportação, aproveitando instalações e competências existentes. Para a empresa francesa, a oportunidade seria ampliar sua participação comercial em um mercado adicional sem necessariamente reproduzir na França todas as etapas de produção.

A eventual vantagem dependerá de uma comparação objetiva entre alternativas. Será necessário calcular os custos de produção em Itaguaí, a adaptação da linha, a logística, a qualificação de fornecedores, o cronograma e os riscos contratuais. Também será preciso avaliar quais atividades permaneceriam na França e quais poderiam ser executadas no Brasil ou na Argentina sem comprometer a qualidade, a segurança tecnológica e os requisitos do cliente.

Se o estudo demonstrar viabilidade, a construção em Itaguaí poderá oferecer à Naval Group uma forma de aprofundar a parceria com o Brasil e integrar fornecedores argentinos a uma cadeia industrial regional. A divisão de trabalho precisará preservar os direitos tecnológicos franceses e assegurar responsabilidades claras sobre projeto, integração, certificação e suporte.

Essa possibilidade não deve ser interpretada como uma escolha entre a indústria francesa e a brasileira. A questão é saber se a cooperação entre ambas pode gerar uma solução comercialmente sustentável para a Argentina. Se a alternativa oferecer condições competitivas e retorno adequado para os participantes, a produção no Brasil poderá representar uma extensão da atuação industrial francesa, e não uma substituição automática da base produtiva europeia.

Diplomacia naval: como a Marinha do Brasil pode influenciar a aproximação

A aquisição de submarinos envolve relações de confiança entre governos, forças navais e fornecedores, pois a escolha de uma plataforma condiciona décadas de treinamento, manutenção e planejamento operacional. Nesse ambiente, a diplomacia naval pode aproximar interesses, facilitar o diálogo técnico e ajudar a construir as condições para uma cooperação regional.

A Marinha do Brasil mantém uma relação institucional com a Armada Argentina, construída por meio de exercícios combinados, intercâmbios profissionais, visitas operativas e contatos entre estruturas de comando. Esses canais permitem discutir necessidades de defesa marítima, formação de pessoal e cooperação técnica sem substituir a decisão soberana argentina.

Em agosto de 2026, o submarino brasileiro Humaitá participou da XXXIX edição da Operação Fraterno, com escala em Mar del Plata e embarque de militares argentinos. A atividade demonstra a existência de experiências operacionais compartilhadas e de canais de contato entre as duas forças. 

A Marinha do Brasil pode utilizar essa relação para facilitar o diálogo entre equipes técnicas, identificar oportunidades de treinamento e compartilhar experiências relevantes à operação e à sustentação de submarinos convencionais. Também pode contribuir para que as necessidades de infraestrutura, formação de tripulações e apoio logístico sejam consideradas desde o início da discussão industrial.

A experiência brasileira com a família Scorpène pode oferecer referências úteis, mas não determina a escolha argentina. Os requisitos, as configurações e os sistemas contratados podem diferir. O papel brasileiro deve ser fornecer conhecimento operacional e apoiar a cooperação técnica, sem antecipar o resultado da concorrência.

A influência da Marinha tem limites claros: ela não escolhe o fornecedor pela Argentina, não controla as condições de financiamento e não garante a contratação da ICN. Essas decisões envolvem governos, autoridades responsáveis pela aquisição e empresas. Sua contribuição está em fortalecer a confiança institucional e demonstrar que existe uma base operacional para a cooperação proposta.

Essa diplomacia naval precisa estar articulada ao trabalho do Itamaraty, à política industrial brasileira e à estratégia comercial da Naval Group e da ICN. O diálogo entre as forças pode apoiar a aproximação, mas a viabilidade do programa dependerá de um acordo técnico, financeiro e industrial.

Brasil, França e Argentina: uma proposta industrial integrada

Uma eventual construção em Itaguaí exigiria uma divisão de responsabilidades entre os três países. A Naval Group participaria nos termos acordados para o projeto e a assistência técnica; o Brasil contribuiria com infraestrutura e capacidade de construção; e a Argentina definiria os requisitos operacionais, as condições de financiamento e as atividades industriais que suas empresas poderiam assumir.

O aproveitamento de instalações existentes pode evitar a necessidade de desenvolver do zero uma estrutura equivalente, mas não garante menor custo nem entrega mais rápida. A viabilidade dependerá da capacidade disponível, da configuração dos submarinos, do cronograma e da organização dos fornecedores.

Embora a classe Riachuelo e uma eventual versão argentina estejam associadas à família Scorpène, diferenças de sensores, sistemas de combate, comunicações e armamentos podem exigir adaptações. A padronização de componentes ou procedimentos só poderá ser considerada após a definição dos requisitos argentinos e a análise técnica correspondente.

Para o Brasil, a negociação deve assegurar participação industrial efetiva, contratos para fornecedores nacionais e oportunidades de manutenção. Para a Argentina, deve identificar as atividades que podem ser executadas localmente, os investimentos necessários para qualificar fornecedores e os limites da transferência de tecnologia. Para a França, precisa preservar a proteção tecnológica, definir a responsabilidade da Naval Group e assegurar um retorno comercial compatível com o contrato.

Essa clareza é essencial para evitar que o conteúdo local seja definido tardiamente ou que a divisão de tarefas comprometa o cronograma. Cada participante precisa conhecer suas obrigações, os padrões de qualidade exigidos e os riscos que assumirá.

A cooperação poderá ampliar a relação industrial entre Brasil e França e criar uma nova aplicação para a capacidade desenvolvida pelo PROSUB. Para a Naval Group, representaria uma oportunidade adicional de exportação; para o Brasil, a possibilidade de ampliar a atividade industrial; e para a Argentina, uma forma de combinar a aquisição dos submarinos com participação produtiva. Nenhum desses resultados está garantido: todos dependem dos termos contratuais e da viabilidade demonstrada.

Preservar os programas brasileiros

A possibilidade de exportação precisa ser compatibilizada com as prioridades nacionais. A ICN possui compromissos relacionados ao PROSUB, enquanto o desenvolvimento do submarino brasileiro de propulsão nuclear exige continuidade de recursos, infraestrutura e pessoal especializado.

Antes de assumir novos contratos, será necessário avaliar a capacidade efetiva de produção, a disponibilidade das instalações, a demanda por mão de obra e os impactos sobre os cronogramas brasileiros. Uma encomenda externa não deve atrasar os programas nacionais nem comprometer competências essenciais ao desenvolvimento do submarino nuclear.

O financiamento também exige análise rigorosa. As informações sobre propostas com cobertura integral não eliminam os riscos associados a garantias soberanas, juros, desembolsos e capacidade de pagamento argentina. O contrato precisará estabelecer quem assume cada obrigação e como os riscos serão distribuídos.

Os mesmos critérios devem orientar a avaliação francesa e argentina. A Naval Group deverá analisar o retorno comercial e a proteção de suas tecnologias; o Brasil, os custos e os benefícios industriais; e a Argentina, as condições financeiras, os prazos e a participação de seus fornecedores. A cooperação só será sustentável se os benefícios forem proporcionais aos compromissos de cada parte.

A oportunidade vai além de uma venda

A disputa argentina permite avaliar a combinação de três ativos: a infraestrutura de Itaguaí, a parceria tecnológica com a França e a relação institucional com a Armada Argentina. Juntos, eles oferecem uma base para estudar uma proposta que associe construção naval, conteúdo industrial argentino, apoio logístico e diplomacia de defesa.

O Brasil já assumiu o custo de desenvolver uma capacidade industrial de construção de submarinos. Isso não torna qualquer exportação automaticamente vantajosa, mas justifica avaliar oportunidades capazes de gerar retorno adicional sobre as competências criadas com investimentos de longo prazo.

Itaguaí já demonstrou que o Brasil pode construir submarinos modernos. A oportunidade agora é avaliar se essa capacidade pode sustentar exportações e uma cadeia regional de fornecimento, com benefícios verificáveis para França, Brasil e Argentina. A construção no Brasil não deve ser tratada como uma solução garantida, mas como uma alternativa que merece ser examinada com rigor antes de ser descartada. Se viável, poderá transformar uma parceria tecnológica já existente em um programa industrial trilateral, combinando participação francesa, capacidade brasileira e conteúdo argentino.


Por Angelo Nicolaci


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Condições adversas fazem H-60 da FAB pousar em plantação no Paraná

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Um helicóptero H-60 Black Hawk da Força Aérea Brasileira (FAB) realizou um pouso de segurança em uma plantação na área rural de Candói, na região Centro-Sul do Paraná, após encontrar condições meteorológicas adversas e baixa visibilidade durante o voo.

Para esclarecer as circunstâncias da ocorrência, o GBN Defense consultou fontes na FAB. As informações obtidas indicam que a tripulação decidiu interromper temporariamente o deslocamento por razões de segurança. Após a parada, a aeronave retomou o voo com destino a Maringá, no norte do Paraná. Não há indicação de falha mecânica ou danos ao helicóptero.

A aeronave pertence ao Esquadrão Pantera (5º/8º Grupo de Aviação), sediado na Base Aérea de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. O pouso chamou a atenção de moradores da região, que registraram a presença do helicóptero na plantação.

H-60 nas operações de busca e salvamento

Recentemente o H-60 Black Hawk da FAB foi empregado nas buscas pelo Bell 430, matrícula PP-MGR, que caiu na região de Urubici, na Serra de Santa Catarina. A bordo estavam o cantor Rick da dupla sertaneja Rick & Renner, o empresário Bruno Avelar, o videomaker Paulo Soares e os pilotos da aeronave. O acidente resultou na morte dos cinco ocupantes.

Na operação, o H-60 atuou ao lado do SC-105 Amazonas, aeronave especializada em busca e salvamento. O emprego combinado dos dois modelos ampliou a capacidade de busca na região de relevo montanhoso, vegetação densa e condições meteorológicas adversas. O SC-105 localizou os destroços, permitindo o direcionamento das equipes para a área do acidente. 

A participação nessas buscas evidencia a importância dos helicópteros H-60 nas missões de busca e salvamento da FAB, especialmente em áreas de difícil acesso. Sua capacidade de operar em diferentes ambientes complementa os recursos de aeronaves de busca de longo alcance e permite apoiar operações que exigem coordenação entre meios aéreos e equipes em solo.


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Ministério da Defesa avalia instalações e capacidades estratégicas da Avibras Aeroco

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Visita coordenada pela SEPROD reuniu representantes do CASLODE e das Forças Armadas para verificar a manutenção dos requisitos de credenciamento da empresa como Empresa Estratégica de Defesa.

O Ministério da Defesa realizou em 8 de outubro, uma avaliação técnica nas instalações da Avibras Aeroco. A visita foi coordenada pela Secretaria de Produtos de Defesa (SEPROD) e contou com representantes do Centro de Apoio a Sistemas Logísticos de Defesa (CASLODE) e das Forças Armadas.

A atividade teve como objetivo verificar se a empresa mantém as condições que fundamentaram seu credenciamento como Empresa Estratégica de Defesa (EED) e a classificação de seus produtos como Produtos Estratégicos de Defesa (PED).

Durante a visita, a comitiva percorreu instalações administrativas, industriais e operacionais, observando as estruturas fabris, os processos produtivos e as capacidades tecnológicas da companhia.

O enquadramento como Empresa Estratégica de Defesa e a classificação de produtos como estratégicos estão relacionados aos critérios estabelecidos pelo Ministério da Defesa para empresas e soluções consideradas relevantes para os interesses estratégicos do País.

A avaliação técnica permite verificar a manutenção das condições associadas a esses enquadramentos. O procedimento também oferece ao Ministério da Defesa uma oportunidade de conhecer diretamente a estrutura industrial e os recursos tecnológicos da empresa.

A Avibras Aeroco não divulgou detalhes sobre os aspectos específicos examinados pela comitiva, nem informou se a visita resultou em alguma decisão relativa ao seu credenciamento ou à classificação de seus produtos.

A atividade, por si só, também não representa o anúncio de novos contratos, encomendas ou programas de aquisição. A avaliação ocorre no contexto do acompanhamento das capacidades das empresas que integram a Base Industrial de Defesa (BID). A manutenção de estruturas produtivas, competências técnicas e capacidade de desenvolvimento é um fator relevante para a disponibilidade de soluções nacionais destinadas às necessidades de defesa.

Embora a visita tenha permitido aos representantes do Ministério da Defesa observar diretamente as instalações da Avibras Aeroco, não foram divulgadas informações sobre eventuais recomendações, resultados formais ou próximos passos decorrentes da avaliação.

O resultado desse acompanhamento poderá esclarecer se as condições que sustentam o enquadramento estratégico da empresa permanecem atendidas, mas qualquer conclusão depende de manifestação oficial do Ministério da Defesa.


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Eurofighter Typhoon interceptam Boeing 737 após alerta de sequestro na Alemanha

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Dois caças Eurofighter Typhoon da Força Aérea Alemã foram acionados na terça-feira, 13 de outubro, para interceptar e acompanhar um Boeing 737-800 da Corendon Airlines até o Aeroporto de Nuremberg, após a transmissão do código transponder 7500, utilizado internacionalmente para indicar sequestro ou interferência ilícita a bordo de uma aeronave.

O avião havia partido da ilha grega de Corfu com destino à cidade alemã quando o alerta foi registrado no espaço aéreo croata. Segundo a polícia alemã, além da transmissão do código de emergência, o piloto deixou de responder às tentativas de contato por rádio, levando as autoridades a acionar os procedimentos de segurança.

De acordo com a Força Aérea Alemã, os dois Eurofighter decolaram da Base Aérea de Neuburg, no sul do país, e acompanharam a aeronave civil até o pouso em segurança em Nuremberg. A resposta militar teve caráter preventivo, diante da impossibilidade de esclarecer imediatamente a situação a bordo.

A Corendon Airlines atribuiu o episódio a uma falha temporária no sistema de comunicação por rádio. Em comunicado, a empresa afirmou que o código de emergência foi transmitido durante a passagem pelo espaço aéreo croata e declarou que, em sua avaliação, não houve situação de emergência nem risco para passageiros, tripulação ou aeronave. A explicação da companhia, contudo, deve ser distinguida do alerta efetivamente registrado e da resposta adotada pelas autoridades.

Procedimentos de alerta e defesa aérea

A mobilização dos Eurofighter integra os procedimentos de policiamento aéreo e resposta a situações anormais envolvendo aeronaves civis. Quando uma tripulação deixa de responder às comunicações ou transmite um código associado a uma possível interferência ilícita, caças em alerta podem ser enviados para identificar a aeronave, avaliar a situação e acompanhá-la até que as autoridades consigam esclarecer o ocorrido.

A Alemanha mantém unidades de alerta de reação rápida para esse tipo de ocorrência. Segundo informações divulgadas pela Força Aérea Alemã e citadas pela Reuters, situações de perda de comunicação com aeronaves civis acontecem aproximadamente uma ou duas vezes por mês. A frequência não significa que todas envolvam suspeita de sequestro: a mobilização depende das circunstâncias e do nível de risco identificado.

O Eurofighter Typhoon, empregado pela Alemanha em missões de defesa aérea, permite responder rapidamente a ocorrências que exijam a identificação e o acompanhamento de aeronaves. No episódio de Nuremberg, não há indicação de emprego de armamento ou de confronto. O desfecho conhecido foi o pouso seguro do Boeing 737-800.

Operações suspensas temporariamente em Nuremberg

O alerta provocou uma interrupção temporária das operações no Aeroporto de Nuremberg. Segundo a administração aeroportuária, os voos foram retomados posteriormente, após a normalização da situação.

O episódio ocorreu em uma noite na qual um possível avistamento de drone também havia afetado o tráfego aéreo do aeroporto. Trata-se, porém, de uma ocorrência separada, que não deve ser confundida com o acionamento dos caças para acompanhar o voo da Corendon.

As autoridades alemãs permanecem atentas a ameaças contra a infraestrutura aeroportuária após outros incidentes envolvendo objetos suspeitos e drones. No caso do voo procedente de Corfu, entretanto, as informações divulgadas até o momento apontam para uma resposta preventiva ao alerta e à perda de comunicação, enquanto a companhia aérea atribuiu o episódio a uma falha técnica.

O caso evidencia a importância dos procedimentos de alerta e da coordenação entre controle de tráfego aéreo, autoridades policiais e defesa aérea. Mesmo quando a causa provável é técnica, a transmissão do código 7500 e a ausência de resposta da tripulação exigem uma reação imediata até que a segurança da aeronave possa ser confirmada.


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FAB mobiliza KC-390 Millennium com sistema MAFFS para combater incêndios no Amazonas

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A Força Aérea Brasileira (FAB) iniciou em 12 de outubro, o emprego de duas aeronaves KC-390 Millennium no combate aos incêndios florestais no Amazonas. Informações obtidas pelo correspondente do GBN Defense, Angelo Nicolaci, detalham a configuração dos meios mobilizados, a capacidade de lançamento de água e o planejamento inicial das missões nas regiões de Manaus, Itacoatiara e Parintins.

A operação foi mobilizada pelo Comando de Operações Aeroespaciais (COMAE) e reúne aeronaves do Esquadrão Zeus, sediado na Base Aérea de Anápolis (GO), e do Esquadrão Gordo, baseado na Base Aérea do Galeão (RJ). Os dois KC-390 chegaram à Base Aérea de Manaus às 18h15 de 11 de outubro.

A mobilização prevê funções complementares: uma aeronave atua diretamente no combate ao fogo, equipada com o Sistema Modular Aerotransportado de Combate a Incêndios (MAFFS), enquanto a outra transporta equipamentos e materiais de apoio logístico.

MAFFS: até 12 mil litros por lançamento

O MAFFS (Modular Airborne Fire Fighting System) permite adaptar o KC-390 para missões de combate aéreo a incêndios sem modificações permanentes na aeronave. O sistema é instalado no compartimento de carga e utiliza um tubo de descarga próximo à porta traseira esquerda para lançar água, com ou sem retardante.

A capacidade informada pela FAB é de aproximadamente 3.000 galões, equivalentes a cerca de 12 mil litros por saída. O sistema modular pode ser instalado ou removido conforme a necessidade operacional, preservando a configuração de transporte da aeronave para outras missões.

O abastecimento é realizado em solo, com apoio de um reservatório com capacidade para 22 mil litros. Essa estrutura integra o ciclo de preparação entre as saídas, que inclui reabastecimento, verificações técnicas e planejamento dos próximos lançamentos.

Planejamento das missões

A primeira missão de combate direto ao fogo foi realizada na manhã de 12 de outubro. Para aquele dia, a FAB previa três saídas, com duração aproximada de duas horas cada, mantendo como referência uma média de três missões diárias, condicionada à situação operacional.

A capacidade de lançar até 12 mil litros por saída oferece um parâmetro da contribuição do KC-390, mas o volume efetivamente aplicado e o resultado de cada missão dependem das condições do incêndio, da meteorologia, da visibilidade e da precisão do lançamento. A coordenação com as equipes terrestres é necessária para direcionar os esforços aos focos prioritários.

Capacidade expedicionária e apoio logístico

O emprego do KC-390 evidencia a flexibilidade da plataforma em uma operação que combina combate direto ao fogo e sustentação logística. No contexto amazônico, a distância entre as áreas afetadas e as limitações de acesso terrestre tornam o transporte aéreo um componente relevante da resposta.

A continuidade das operações dependerá da disponibilidade das aeronaves, da estrutura de abastecimento e da possibilidade de manter ciclos regulares de lançamento. O apoio aéreo amplia as opções de intervenção, mas atua em conjunto com as equipes em terra, responsáveis também pela contenção e pelo rescaldo dos incêndios.

A operação demonstra a aplicação do KC-390 para além do transporte convencional, empregando sua capacidade de carga e adaptação modular em uma missão de resposta a emergências. Sua contribuição será determinada pela integração entre aeronaves, logística e equipes terrestres, além das condições encontradas nas áreas atingidas.


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Radar ATALAIA combina varredura eletrônica, inteligência artificial e mobilidade em uma plataforma desenvolvida e produzida no Brasil

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A expansão dos sistemas aéreos não tripulados transformou a vigilância de instalações e áreas sensíveis em um desafio que exige sensores capazes de detectar alvos cada vez menores sem necessariamente depender de grandes estruturas fixas. É nesse cenário que a Advanced Technologies Security & Defense (ADTECH SD), de São José dos Campos (SP), apresenta o ATALAIA, um radar de fácil transporte e instalação, de arquitetura AESA, desenvolvido e produzido no Brasil.

Com dimensões compactas em comparação aos sistemas convencionais, o ATALAIA foi projetado para levar capacidade de vigilância radar a posições nas quais mobilidade, rapidez de instalação e flexibilidade de emprego são fatores relevantes. A proposta combina essas características com recursos normalmente associados a sistemas de maior porte, incluindo varredura eletrônica, acompanhamento simultâneo de alvos e processamento digital.

A arquitetura AESA utiliza múltiplos módulos independentes de transmissão e recepção, permitindo direcionar eletronicamente o feixe radar sem recorrer à movimentação mecânica da antena. Na prática, essa configuração permite ao sistema realizar a busca e o acompanhamento dos contatos com elevada agilidade, além de reduzir componentes móveis e, consequentemente, as demandas de manutenção.

Outro diferencial está na possibilidade de operar diferentes funções simultaneamente. Segundo a ADTECH, o ATALAIA pode realizar busca, rastreamento de rota (tracking) e classificação, enquanto sua arquitetura permite trabalhar com múltiplos feixes e acompanhar diversos alvos. 

O sistema foi desenvolvido para identificar alvos a partir do sinal refletido e utilizar inteligência artificial como apoio à classificação dos contatos. A partir do processamento dessas informações, o radar fornece coordenadas na linha de visada e acompanha a trajetória dos alvos, podendo ser integrado ao sistema de defesa contra drones SIMAD e operar de maneira automatizada.

No segmento de sistemas aéreos não tripulados, a ADTECH informa capacidade de detectar alvos com seção reta radar de 0,01 m² a distâncias de até 5 quilômetros. Para alvos de maior assinatura radar, os testes informados pela empresa indicam alcances superiores, chegando a aproximadamente 47 quilômetros no caso de aeronaves de grande porte. 

A possibilidade de integrar várias unidades amplia ainda mais o conceito de emprego. De acordo com a empresa, diferentes ATALAIAs podem trabalhar de forma conjunta para formar uma arquitetura distribuída de sensores e ampliar a cobertura em azimute até 360°. Essa característica permite adaptar a configuração do sistema às dimensões e às necessidades da área que se pretende proteger.

O radar opera na banda C e possui potência de saída de até 200 W. Mais do que os números isolados, entretanto, a proposta da ADTECH está na combinação entre um sensor de varredura eletrônica, processamento integrado com inteligência artificial e uma plataforma que pode ser deslocada rapidamente entre diferentes posições.

O ATALAIA passa representar uma nova solução da indústria nacional em um segmento no qual a demanda por sensores compactos e capazes de atuar principalmente contra ameaças de pequeno porte vem ganhando espaço.

Para a ADTECH, o desenvolvimento do sistema amplia o portfólio brasileiro de tecnologias destinadas à vigilância e à proteção de áreas críticas, ao mesmo tempo em que cria uma solução com potencial de emprego em defesa contra drones, segurança de instalações, proteção de perímetros e outras missões que exijam capacidade radar associada à mobilidade.

Sobre a ADTECH-SD

A Advanced Technologies Security & Defense (ADTECH-SD) é uma empresa brasileira, reconhecida pelo Ministério da Defesa como Empresa Estratégica de Defesa (EED), especializada no desenvolvimento de soluções tecnológicas de alta performance para segurança pública, defesa territorial e monitoramento estratégico.

Com sede em São José dos Campos (SP), a empresa reúne profissionais com décadas de experiência no setor aeronáutico e atua no desenvolvimento e operação de sistemas avançados de aeronaves não tripuladas, além de soluções integradas de vigilância e inteligência. Seus sistemas são concebidos com foco em alta autonomia, modularidade e adaptabilidade, atendendo às demandas de missões críticas em ambientes complexos e de elevada exigência operacional.


Fonte Adtech-SD via GBN Solutions

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