sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Aviação do Exército completa 40 anos de recriação e consolida quatro décadas de evolução da aeromobilidade

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Da retomada das operações com helicópteros em 1986 à integração com sistemas remotamente pilotados, Aviação do Exército transformou sua capacidade aérea em um instrumento essencial para a mobilidade e o emprego da Força Terrestre

Quatro décadas depois de sua recriação, a Aviação do Exército chega aos 40 anos com uma estrutura muito diferente daquela que marcou sua retomada em 1986. O que começou com a decisão de recuperar, dentro da Força Terrestre, uma capacidade aérea perdida décadas antes tornou-se uma estrutura voltada à aeromobilidade, ao apoio às operações terrestres e ao emprego de meios aéreos em diferentes ambientes operacionais.

A data foi celebrada nesta sexta-feira, 4 de setembro, no Comando de Aviação do Exército (CAvEx), em Taubaté (SP), com uma solenidade que reuniu formatura militar, entrega de medalhas, desfile terrestre e apresentação aérea. Mais do que marcar uma data institucional, os 40 anos permitem observar a trajetória de uma capacidade que voltou a ser incorporada ao planejamento operacional do Exército e passou, ao longo desse período, por sucessivas transformações doutrinárias e tecnológicas.

A história, entretanto, começa muito antes de 1986. A Aviação Militar brasileira foi criada em 1919 e oficializada em 1927 como a quinta Arma do Exército. A experiência acumulada naquele período seria interrompida em 1941, quando a criação da Força Aérea Brasileira concentrou na nova Força a atividade de aviação militar.

A recriação da Aviação do Exército, em 3 de setembro de 1986, ocorreu em um contexto no qual o Exército voltou a identificar a necessidade de possuir seus próprios meios de asas rotativas para apoiar diretamente as operações terrestres. A opção pelos helicópteros também refletia uma mudança na forma de compreender o emprego do poder aéreo em apoio à Força Terrestre.

Ao contrário de uma estrutura destinada exclusivamente ao transporte, a aviação de asas rotativas permite combinar mobilidade, velocidade, flexibilidade e capacidade de operar em regiões onde os meios terrestres encontram limitações. Essa característica tornou os helicópteros particularmente importantes para deslocamento de tropas, reconhecimento, apoio ao combate, evacuação, resgate e apoio logístico.

Ao longo das décadas seguintes, essa capacidade foi sendo ampliada e incorporada à doutrina de emprego do Exército. A aeromobilidade passou a representar não apenas a possibilidade de transportar tropas pelo ar, mas a capacidade de modificar a velocidade e a geometria das operações terrestres, permitindo que forças sejam empregadas em profundidade e em áreas de difícil acesso.

Esse aspecto assume dimensão ainda maior quando considerado o território brasileiro. A extensão continental do país, combinada com ambientes operacionais tão distintos quanto a Amazônia, o Cerrado, regiões costeiras e áreas densamente urbanizadas, impõe desafios que não podem ser solucionados apenas pela mobilidade terrestre.

É nesse cenário que a estrutura atual da Aviação do Exército ganha relevância. A AvEx possui atualmente 96 aeronaves e mantém sua presença em diferentes regiões do território nacional, com organizações sediadas em Taubaté, Campo Grande, Manaus e Belém. Essa distribuição amplia a capacidade de resposta e aproxima os meios aéreos dos diferentes ambientes em que a Força Terrestre pode ser empregada.

Em Taubaté está concentrada parte significativa dessa estrutura, incluindo o Centro de Instrução de Aviação do Exército (CIAvEx), responsável pela formação e capacitação dos recursos humanos que sustentam a operação dos meios aéreos. A existência de uma estrutura própria de treinamento é um componente fundamental de qualquer capacidade militar de aviação, já que a disponibilidade de aeronaves, por si só, não garante a geração de poder de combate.

A frota reúne diferentes modelos e gerações de helicópteros, incluindo os HA-1A Fennec AvEx, HM-1A Pantera, HM-3 Cougar, HM-4 Jaguar, HM-2 Black Hawk e o mais recente HM-2A. Essa diversidade também evidencia uma característica importante da evolução da AvEx: a necessidade de combinar plataformas com diferentes capacidades para atender a uma ampla gama de missões.

O Fennec, por exemplo, está associado a missões de reconhecimento e ataque, enquanto aeronaves como o Pantera, Cougar e Black Hawk ampliam as possibilidades de transporte e emprego de tropas. O Jaguar, por sua vez, representa uma categoria de maior porte e capacidade, adequada a missões que exigem maior capacidade de transporte e autonomia.

A modernização desses meios acompanha uma transformação mais ampla no campo de batalha. A aviação militar contemporânea deixou de depender exclusivamente da aeronave como plataforma isolada. Sensores, sistemas de comunicação, enlaces de dados, sistemas de missão e integração com outras forças passaram a ser elementos determinantes para o emprego eficiente dos helicópteros.

Essa transformação também está levando a Aviação do Exército para além das asas rotativas. Em Taubaté, a Esquadrilha de Sistemas de Aeronaves Remotamente Pilotadas (SARP) opera o Nauru 1000C, incorporando uma nova dimensão à capacidade de reconhecimento e obtenção de informações da Força Terrestre.

A introdução dos sistemas remotamente pilotados representa uma mudança relevante porque amplia a capacidade de obter informações sem necessariamente expor uma aeronave tripulada e sua tripulação às mesmas condições de risco. Mais importante, porém, é a possibilidade de integrar essas informações ao processo de decisão das unidades terrestres, formando uma arquitetura na qual sensores aéreos e forças de manobra passam a operar de maneira cada vez mais conectada.

Essa integração tende a ser um dos principais desafios da próxima fase da Aviação do Exército. O futuro da aeromobilidade não estará apenas na aquisição de novas aeronaves, mas na capacidade de integrar plataformas tripuladas e não tripuladas, sensores, comunicações e sistemas de comando e controle em um mesmo ambiente operacional.

O conceito ganha importância diante da evolução dos conflitos contemporâneos. O emprego de helicópteros em ambientes saturados por sensores, drones, sistemas antiaéreos e guerra eletrônica exige maior consciência situacional e capacidade de operar de forma integrada. A sobrevivência de uma plataforma aérea passa cada vez mais pela qualidade da informação disponível antes e durante a missão.

Para o Brasil, essa transformação possui uma dimensão adicional. A Aviação do Exército precisa ser capaz de operar tanto em grandes exercícios convencionais quanto em missões de apoio às operações na Amazônia, ações de ajuda humanitária, resgate e resposta a emergências. A amplitude dessas demandas exige uma força aérea terrestre suficientemente flexível para transitar entre diferentes tipos de missão sem perder sua capacidade de emprego operacional.

Os 40 anos de recriação, portanto, não representam apenas quatro décadas de helicópteros voando novamente sob a estrutura do Exército. Representam quatro décadas de reconstrução de uma capacidade militar que passou a integrar de forma permanente o planejamento da Força Terrestre.

O desafio agora é preservar essa capacidade enquanto ela entra em uma nova fase tecnológica. A incorporação de novos meios, a modernização da frota existente, a expansão dos sistemas remotamente pilotados e a evolução dos sistemas de comando e controle precisarão ocorrer de maneira coordenada, evitando que a renovação de plataformas aconteça de forma dissociada da evolução doutrinária e tecnológica.

Nesse sentido, a experiência acumulada desde 1986 é um dos principais ativos da Aviação do Exército. A capacidade de formar pilotos e especialistas, manter aeronaves, desenvolver doutrina e integrar o componente aéreo às operações terrestres não é construída apenas pela aquisição de equipamentos. Ela depende de conhecimento institucional acumulado ao longo de décadas.

Ao completar 40 anos de sua recriação, a Aviação do Exército chega, portanto, a um ponto de maturidade em que a principal questão deixa de ser apenas como manter aquilo que foi construído e passa a ser como preparar essa capacidade para o ambiente operacional das próximas décadas.

A trajetória iniciada em 1986 mostrou que a recriação de uma capacidade militar não termina com a incorporação das primeiras aeronaves. Ela exige formação, doutrina, infraestrutura, manutenção, modernização e evolução permanente. É essa estrutura que permitiu à AvEx atravessar quatro décadas e chegar a 2026 como um componente integrado à capacidade operacional do Exército Brasileiro.

Os próximos 40 anos serão marcados por uma relação ainda mais estreita entre aviação, sistemas remotamente pilotados, sensores, inteligência e forças terrestres. Nesse cenário, a aeromobilidade continuará sendo menos uma questão de simplesmente deslocar tropas pelo ar e cada vez mais uma capacidade de ampliar o alcance, a velocidade e a consciência situacional da Força Terrestre.

A celebração realizada em Taubaté marca, assim, não apenas a memória de uma recriação ocorrida em 1986, mas a consolidação de uma capacidade que passou a fazer parte da própria arquitetura operacional do Exército Brasileiro e que terá papel relevante na preparação da Força para os desafios do futuro.

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Minerais estratégicos: a camada invisível da soberania e da Defesa Nacional

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O Brasil possui recursos minerais essenciais à indústria de defesa, mas transformar essa vantagem geológica em capacidade tecnológica e industrial continua sendo um dos grandes desafios estratégicos do país

Quando se fala em soberania e defesa, a discussão normalmente se concentra nas plataformas e sistemas que materializam o poder de combate de uma força armada: submarinos, aeronaves, veículos blindados, mísseis, radares, satélites e sistemas de comunicação. Existe, porém, uma camada anterior e menos visível dessa equação. Antes de existir um sistema de armas, existe uma cadeia de matérias-primas, materiais processados, componentes e tecnologias que torna sua fabricação possível. É nesse ponto que os minerais estratégicos passam a fazer parte da discussão sobre Defesa Nacional.

Manganês, nióbio e cobre, entre outros minerais, estão presentes em cadeias industriais que sustentam diferentes setores de alta tecnologia e defesa. Um submarino, por exemplo, não é apenas uma estrutura naval complexa. Sua construção envolve diferentes ligas metálicas, sistemas elétricos e eletrônicos, sensores, propulsão e uma extensa cadeia de componentes, todos dependentes, em maior ou menor grau, de materiais de origem mineral.

O mesmo princípio se aplica a aeronaves, radares, sistemas de guerra eletrônica, veículos militares, mísseis e plataformas não tripuladas. Quanto mais sofisticado é o sistema, maior tende a ser a necessidade de materiais com propriedades específicas, incluindo minerais críticos e terras raras empregados em componentes eletrônicos, motores, sensores e sistemas de controle.

A questão estratégica, portanto, não é simplesmente saber se um país possui determinado mineral em seu território. O que efetivamente determina sua autonomia é a capacidade de transformar esse recurso em insumo industrial e posteriormente em componentes e produtos de maior valor agregado.

O Brasil possui uma posição particularmente favorável nesse primeiro nível. O território nacional reúne reservas relevantes de diversos minerais considerados críticos ou estratégicos para a economia e para setores tecnológicos. O problema está em transformar essa vantagem geológica em capacidade industrial.

Francisco Valdir Silveira, do Serviço Geológico do Brasil (SGB), chama atenção justamente para essa diferença. Segundo ele, o país possui os recursos minerais demandados pela indústria mundial, mas ainda enfrenta dificuldades para avançar em toda a cadeia, que começa na pesquisa e identificação das reservas, passa pela extração e pelo beneficiamento e chega à transformação industrial. Ele estima que o país aproveite atualmente apenas uma pequena parcela de seu potencial nessa cadeia.

Essa distinção é fundamental para compreender a vulnerabilidade brasileira. Exportar o minério não significa necessariamente dominar a tecnologia associada a ele. Em determinadas cadeias, a maior parcela do valor econômico e estratégico está justamente nas etapas posteriores à mineração, quando o recurso natural é transformado em material de características controladas, componente industrial ou insumo tecnológico.

Para a Defesa, essa dependência pode adquirir uma dimensão ainda mais sensível. Diante de uma situação de crise internacional, sanções, interrupção de cadeias logísticas ou disputa por determinados insumos, possuir o minério em território nacional não garante, por si só, a capacidade de manter a produção de sistemas militares. Se o beneficiamento ou a transformação estiverem concentrados no exterior, o país continuará sujeito a decisões tomadas fora de seu controle.

É nesse contexto que a disputa internacional pelas terras raras merece atenção especial. O Brasil possui aproximadamente um quarto das reservas mundiais desses elementos, ocupando a segunda posição global nesse quesito, atrás da China. Entretanto, a participação brasileira na produção mundial ainda é inferior a 1%, mostrando a distância existente entre possuir o recurso e dominar sua exploração e transformação industrial.

Essa diferença está no centro da atual competição estratégica entre grandes potências. A China domina cerca de 60% da mineração mundial de terras raras e concentra uma parcela ainda maior das etapas de processamento. Os Estados Unidos, diante dessa dependência, vêm buscando diversificar suas fontes de fornecimento e construir cadeias alternativas.

O movimento já alcança diretamente o Brasil. Em 3 de setembro, a americana USA Rare Earth concluiu a aquisição da Serra Verde, responsável pela operação da mina Pela Ema, em Goiás. O ativo é considerado relevante por produzir terras raras pesadas, justamente entre os materiais de maior importância para aplicações tecnológicas avançadas.

A operação não se limita à aquisição de uma mina. A estratégia anunciada pela companhia prevê conectar a produção brasileira a uma cadeia internacional envolvendo processamento, produção de metais e ligas e fabricação de ímãs permanentes. O governo dos Estados Unidos também destinou recursos para apoiar a operação, dentro de uma estratégia mais ampla de redução da dependência norte-americana em relação à cadeia chinesa.

Do ponto de vista empresarial, trata-se de um investimento estrangeiro em um ativo brasileiro. Do ponto de vista estratégico, porém, o movimento merece uma análise mais ampla. Quando uma potência industrial busca assegurar o acesso de longo prazo a minerais críticos em outro país, o interesse não está apenas na extração da matéria-prima, mas na segurança de uma cadeia produtiva considerada essencial para sua própria indústria.

Para o Brasil, o alerta não deveria ser dirigido ao investimento estrangeiro em si. O ponto central é saber se o país permanecerá apenas como fornecedor de recursos naturais ou se conseguirá transformar parte dessa riqueza mineral em capacidade industrial e tecnológica nacional.

Essa discussão também se relaciona diretamente à Base Industrial de Defesa (BID). Uma indústria de defesa robusta não é formada apenas pelas empresas que entregam o produto final às Forças Armadas. Ela depende de uma rede que inclui mineração, metalurgia, química, eletrônica, software, engenharia, manufatura, integração e manutenção. Quando uma dessas camadas críticas desaparece ou fica excessivamente dependente do exterior, toda a cadeia fica mais vulnerável.

A retomada da Avibras, agora sob a denominação Avibras Aeroco, ajuda a visualizar essa questão em outro nível. A empresa possui conhecimento acumulado em tecnologias de foguetes, artilharia de saturação e mísseis, incluindo o sistema ASTROS e o MTC-300. Preservar esse conhecimento significa manter no país uma capacidade que levou décadas para ser construída e que não pode ser recomposta rapidamente caso seja perdida.

A recuperação de uma empresa estratégica, entretanto, não resolve isoladamente o problema. É necessário garantir que ela tenha acesso a uma cadeia industrial capaz de fornecer os materiais, componentes e tecnologias necessários para sustentar seus produtos ao longo do tempo. O mesmo raciocínio vale para os programas estratégicos das Forças Armadas.

Um submarino, por exemplo, representa muito mais do que a embarcação entregue à Marinha. Ele é o resultado de uma cadeia que envolve siderurgia, materiais especiais, eletrônica, sistemas de propulsão, sensores, baterias, engenharia naval e diversos outros fornecedores. Quanto maior a participação nacional nessas etapas, maior é a capacidade de manter, modernizar e eventualmente ampliar a produção sem depender integralmente de decisões externas.

Essa lógica está diretamente relacionada ao conceito de autonomia estratégica. Nenhuma potência moderna produz absolutamente tudo aquilo de que necessita, e a interdependência econômica faz parte do sistema internacional. A questão central é identificar quais dependências podem ser aceitas e quais representam riscos excessivos para setores considerados essenciais à segurança do Estado.

Nesse contexto, determinados minerais deixam de ser apenas commodities e passam a ser ativos estratégicos. Seu valor não está somente no preço obtido pela exportação, mas também na capacidade de sustentar cadeias industriais críticas.

A disputa pelas terras raras demonstra essa mudança de perspectiva. O controle das cadeias de matérias-primas passou a fazer parte da competição tecnológica porque materiais como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio são utilizados em ímãs permanentes, motores, sensores e sistemas eletrônicos empregados em diferentes aplicações civis, aeroespaciais e militares.

Para o Brasil, essa realidade representa simultaneamente uma oportunidade e uma vulnerabilidade. A oportunidade está na possibilidade de utilizar sua disponibilidade mineral como fundamento para uma política de agregação de valor, atração de investimentos, desenvolvimento tecnológico e fortalecimento da Base Industrial de Defesa. A vulnerabilidade está em permanecer restrito à posição de fornecedor de matéria-prima enquanto outras economias concentram as etapas mais sofisticadas da cadeia.

O desafio, portanto, não é transformar o Brasil em uma economia autárquica, capaz de produzir internamente tudo aquilo de que necessita. Essa seria uma meta pouco realista em uma economia globalizada. O objetivo estratégico deve ser identificar as cadeias essenciais à soberania nacional e assegurar nelas um grau de domínio, capacidade produtiva ou acesso confiável que permita ao Estado preservar sua liberdade de ação em situações de crise.

É nesse ponto que mineração, indústria e Defesa deixam de ser políticas isoladas. A capacidade de desenvolver um míssil depende da engenharia e dos sistemas que o compõem, mas também das cadeias industriais que fornecem os materiais necessários à sua fabricação. A capacidade de construir um submarino depende do projeto e do estaleiro, mas também de uma estrutura industrial capaz de sustentar seus componentes ao longo de décadas. O mesmo vale para aeronaves, radares, satélites e sistemas de comunicação.

A soberania tecnológica começa, portanto, muito antes do produto final. Ela depende da capacidade do Estado de identificar suas vulnerabilidades, proteger setores críticos e criar condições para que recursos naturais se transformem em conhecimento, indústria e capacidade de decisão.

O Brasil possui uma vantagem que poucos países podem reproduzir: território, diversidade mineral, capacidade industrial instalada, centros de pesquisa e uma Base Industrial de Defesa com experiência acumulada em projetos complexos. Transformar esses ativos dispersos em uma estratégia integrada será o passo decisivo para que recursos naturais deixem de representar apenas riqueza potencial e passem a funcionar como instrumentos efetivos de poder nacional.

Nesse processo, a recuperação de empresas estratégicas como a Avibras é relevante, mas precisa estar inserida em uma política mais ampla. A verdadeira autonomia não estará apenas em voltar a produzir determinado sistema de defesa, mas em construir as condições industriais e tecnológicas para continuar produzindo, modernizando e desenvolvendo novas gerações desses sistemas quando o ambiente estratégico exigir.

É essa capacidade de sustentar o poder militar ao longo do tempo, inclusive diante de rupturas externas, que transforma recursos minerais, indústria e tecnologia em elementos concretos da soberania nacional.

O alerta para o Brasil está justamente no ritmo com que essa disputa está avançando. Enquanto o país ainda discute como transformar suas reservas minerais em capacidade industrial, outras potências já estão estruturando mecanismos para assegurar acesso de longo prazo a esses recursos e integrá-los às próprias cadeias tecnológicas. A aquisição da Serra Verde pela USA Rare Earth mostra que a competição deixou de ser apenas uma disputa comercial por commodities e passou a envolver planejamento industrial, segurança de suprimentos e posicionamento estratégico.

Isso exige que o Brasil trate seus minerais críticos como parte de uma política de Estado, e não apenas como mais uma frente da política mineral ou de atração de investimentos. A presença de capital estrangeiro pode ser positiva e necessária para desenvolver projetos de grande complexidade, mas precisa estar associada a contrapartidas capazes de ampliar o beneficiamento, a pesquisa, a formação de fornecedores e o domínio tecnológico dentro do país. Caso contrário, existe o risco de o Brasil ampliar sua produção mineral sem ampliar na mesma proporção sua autonomia industrial.

Para a Defesa Nacional, esse é um ponto que não pode ser tratado como questão secundária. Se o país pretende preservar capacidade própria de desenvolver mísseis, aeronaves, sistemas eletrônicos, radares, satélites, veículos militares e outras tecnologias estratégicas, precisa também olhar para as cadeias que sustentam essas capacidades. O verdadeiro risco não está em vender minério para o exterior, mas em chegar a uma situação na qual o Brasil possua a matéria-prima, enquanto outros países controlam o processamento, a tecnologia, os componentes e, consequentemente, as decisões sobre quem terá acesso a eles em um cenário de crise.


Por Angelo Nicolaci


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Elbit Systems fecha contratos de US$ 270 milhões para sistemas avançados de ISR e aquisição de alvos

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Soluções combinam sensores MWIR, SWIR e visível, designação laser, inteligência artificial e georreferenciamento de precisão para operações aéreas, terrestres e navais

A Elbit Systems anunciou, em 1º de setembro, a assinatura de contratos com um cliente internacional avaliados em aproximadamente US$ 270 milhões para o fornecimento de sistemas avançados de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (ISR) e localização de alvos. Os contratos terão execução prevista para um período de até seis anos, mas a empresa não revelou a identidade do cliente nem as plataformas que receberão os equipamentos.

O pacote envolve sistemas da família SPECTRO, conjunto de cargas úteis eletro-ópticas multiespectrais desenvolvido para missões de Inteligência, Vigilância, Aquisição de Alvos e Reconhecimento (ISTAR). A arquitetura reúne câmeras de alta definição nos espectros visível, infravermelho de onda média (MWIR) e infravermelho de onda curta (SWIR), permitindo obter informações complementares sobre um mesmo alvo em diferentes condições de iluminação e ambiente.

A combinação desses sensores é particularmente importante para missões de vigilância de longo alcance. Enquanto o canal visível fornece imagens de alta definição em condições favoráveis de iluminação, os sensores infravermelhos ampliam a capacidade de detecção e identificação durante a noite e em situações nas quais a observação no espectro visível é prejudicada. O sistema também incorpora recursos de designação laser, permitindo que a carga útil não apenas observe e identifique alvos, mas contribua diretamente para sua localização e designação.

Outro componente do SPECTRO é o processamento de dados baseado em inteligência artificial. A aplicação de recursos analíticos diretamente na cadeia de sensores permite acelerar a identificação e o acompanhamento de objetos de interesse, reduzindo a dependência de processamento posterior e aumentando a quantidade de informação que pode ser disponibilizada ao operador.

A Elbit também fornecerá sistemas AMPS NG, voltados especificamente para missões aéreas de ISR e localização de alvos. A solução emprega sensores MWIR, visíveis e SWIR associados a processamento avançado de imagens e sistemas de georreferenciamento de alta precisão, permitindo determinar a posição de alvos a longa distância e produzir informações mais precisas para os demais elementos da força.

A diferença entre simplesmente obter uma imagem e produzir uma informação de inteligência utilizável está justamente nessa integração. O sensor coleta os dados, o processamento auxilia na interpretação e o sistema de georreferenciamento permite associar aquilo que foi identificado a uma posição precisa no terreno. Quando combinados com outros sistemas de comando e controle, esses recursos podem contribuir para reduzir o tempo entre a detecção de um alvo e a tomada de decisão.

Segundo a Elbit Systems, as soluções contratadas poderão ser empregadas em aplicações aéreas, navais e terrestres, mantendo uma configuração compacta e capacidade de operação durante o dia e à noite e em condições meteorológicas adversas.

O valor da contratação também mostra a importância que sensores eletro-ópticos avançados passaram a ocupar nas arquiteturas modernas de ISR. A tendência é que essas cargas deixem de ser tratadas apenas como equipamentos de observação e passem a funcionar como nós de coleta e processamento dentro de uma rede maior de informações, integrando sensores, inteligência artificial, geolocalização e sistemas de comando e controle.

Para a Elbit, o contrato amplia sua carteira internacional justamente em um segmento no qual a capacidade de detectar, identificar, localizar e acompanhar alvos a grandes distâncias se tornou cada vez mais determinante. Para o cliente, ainda não identificado, a aquisição representa o acesso a uma família de sensores capaz de reunir em uma mesma arquitetura diferentes faixas do espectro eletromagnético e recursos de processamento voltados à produção de inteligência operacional.

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EDGE conclui aquisição da AKAER e amplia presença na indústria de defesa brasileira

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Operação incorpora ao grupo dos Emirados uma das principais estruturas brasileiras de engenharia aeroespacial e reforça sua estratégia de desenvolvimento e industrialização no país

A EDGE Group concluiu a aquisição da AKAER, empresa brasileira especializada em engenharia aeroespacial e de defesa, com sede em São José dos Campos (SP). O negócio, anunciado inicialmente em julho, foi finalizado após o cumprimento das condições previstas no contrato de compra e venda de ações, consolidando uma nova etapa da expansão do grupo dos Emirados Árabes Unidos no Brasil.

Com a aquisição, a EDGE passa a contar com uma estrutura de engenharia que acumula mais de 10 milhões de horas de trabalho em programas aeroespaciais militares e comerciais. Fundada em 1992, a AKAER desenvolveu ao longo de mais de três décadas competências que abrangem desde o desenvolvimento de projetos até a industrialização de sistemas complexos, mantendo participação em importantes programas da indústria aeroespacial brasileira e internacional.

A operação também aprofunda uma relação que já existia entre as duas empresas. A AKAER vinha trabalhando com a EDGE no desenvolvimento e na industrialização de sistemas não tripulados, área que ganhou importância crescente nos programas de defesa e que está entre os setores estratégicos do grupo emiradense. A incorporação da empresa brasileira permite à EDGE ampliar essa cooperação e integrar ao seu portfólio uma equipe especializada em engenharia aeronáutica, integração de sistemas e desenvolvimento tecnológico.

Um dos pontos mais relevantes da transação está na estrutura societária adotada para preservar o enquadramento da AKAER como Empresa Estratégica de Defesa (EED). Como parte da operação, a SIATT manterá uma participação minoritária na empresa, solução que atende aos requisitos necessários para a manutenção desse status dentro do marco regulatório brasileiro.

A preservação da condição de EED é importante porque mantém a AKAER inserida no regime destinado às empresas consideradas estratégicas para o desenvolvimento tecnológico e para a capacidade de defesa do país. Ao mesmo tempo, a entrada da EDGE amplia o acesso da empresa a capital, tecnologias e mercados internacionais, criando possibilidades de participação em novos programas além daqueles tradicionalmente desenvolvidos no Brasil.

Para a EDGE, a aquisição também representa uma forma de ampliar sua presença industrial no país. O grupo já vem estabelecendo uma posição no ecossistema brasileiro de defesa por meio de empresas e parcerias locais, e a incorporação da AKAER adiciona uma capacidade de engenharia que pode ser aplicada tanto aos programas destinados ao mercado brasileiro quanto às soluções desenvolvidas para exportação.

Essa combinação pode favorecer a integração entre empresas brasileiras e a cadeia global da EDGE, especialmente em áreas como sistemas não tripulados, sensores, tecnologias espaciais e outras soluções de alta complexidade. O efeito sobre a Base Industrial de Defesa dependerá, porém, da capacidade de transformar essa estrutura em novos projetos, produção local, desenvolvimento de fornecedores e geração de conhecimento no Brasil.

A conclusão da aquisição encerra a etapa societária do negócio e inicia agora o processo mais importante: a integração efetiva das capacidades da AKAER à estrutura internacional da EDGE. Para o Brasil, o resultado dessa operação deverá ser avaliado não apenas pelo investimento estrangeiro realizado, mas pela capacidade de ampliar a engenharia nacional, gerar novas oportunidades industriais e inserir empresas brasileiras em programas de defesa de alcance internacional.


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quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Xmobots amplia capacidade nacional e transforma drones em sistemas de Defesa

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Desenvolver uma aeronave não tripulada para emprego militar é apenas uma parte de um desafio muito maior. A plataforma precisa voar de forma autônoma, navegar em ambientes degradados, transmitir dados com segurança, integrar sensores, processar informações e, sobretudo, permanecer evoluindo depois de entrar em serviço. É justamente nessa combinação entre aeronave, software, sensores e sistemas de missão que a indústria brasileira vem buscando construir autonomia, e a Xmobots se tornou um dos exemplos mais avançados desse movimento.

Fundada em 2007 e sediada em São Carlos (SP), a empresa atua no desenvolvimento de sistemas robóticos e aeroespaciais e já colocou suas plataformas em operação junto ao Exército Brasileiro e à Marinha do Brasil, além de instituições como o Censipam e a Receita Federal. A companhia possui cerca de 500 funcionários, dos quais mais de 250 são engenheiros de diferentes especialidades, estrutura que sustenta uma estratégia baseada no desenvolvimento de tecnologias próprias e na integração vertical de diferentes áreas de engenharia.

Os números dos investimentos ajudam a dimensionar essa trajetória. Entre 2010 e 2022, foram aproximadamente R$ 11 milhões destinados a pesquisa e desenvolvimento, com apoio de instituições como FAPESP, Finep e CNPq. A partir de 2022, a empresa direcionou outros R$ 209 milhões para projetos voltados a Defesa e Segurança, envolvendo parceiros como Finep, ANP, Petrobras, Repsol, Petronas e MBDA. Somados, os investimentos ultrapassam R$ 220 milhões e mostram uma mudança de escala no esforço de desenvolvimento tecnológico.

Mais do que produzir aeronaves, a estratégia da Xmobots é controlar uma parcela significativa da tecnologia que está dentro delas. Aviônicos, software, navegação, controle de voo, comunicação, sensores, inteligência artificial, sistemas de energia e estruturas são desenvolvidos e integrados dentro de uma mesma arquitetura. Essa verticalização permite reduzir dependências externas, acelerar modificações e manter no país o conhecimento necessário para sustentar os sistemas depois de entregues.

Essa característica ganha importância quando se observa a evolução da Família Nauru. Em vez de uma única plataforma, a empresa desenvolveu uma arquitetura capaz de atender diferentes faixas de peso e missões, criando uma espécie de ecossistema de sistemas não tripulados que vai desde aeronaves leves para reconhecimento até plataformas de maior porte, com capacidade de permanecer horas em operação.

O Nauru 100D é o menor dos principais sistemas da família. Com nove quilos e tecnologia eVTOL, foi concebido para inteligência, vigilância, reconhecimento e aquisição de alvos, com autonomia de até duas horas e alcance de até 30 quilômetros. A plataforma, entretanto, já ultrapassou o conceito de um simples drone de observação. Sua arquitetura deu origem ao Nauru 100D UCAV, desenvolvido para emprego de munições e apresentado ao Alto Comando do Exército em 2026.

Em uma demonstração realizada com as configurações ISR e UCAV trabalhando de forma coordenada, o sistema alcançou o alvo com precisão de 1,4 metro. O resultado é significativo porque envolve muito mais do que a capacidade de lançar uma munição. A aeronave precisa identificar ou receber a posição do alvo, calcular a solução de ataque, compensar variáveis como vento e velocidade, realizar o lançamento e retornar para uma nova missão. É a passagem de uma plataforma de vigilância para um sistema de combate reutilizável.

A mesma arquitetura tecnológica também pode ser encontrada no Nauru 500C ISR. Com 25 quilos, autonomia de até quatro horas e alcance de até 60 quilômetros, a aeronave foi o primeiro VTOL autorizado pela ANAC para operações BVLOS no Brasil, incluindo voos noturnos, em uma demonstração de que tecnologias originalmente desenvolvidas para aplicações militares também podem alcançar níveis de maturidade compatíveis com operações civis complexas.

O Nauru 500C já acumula emprego por instituições como Censipam, Marinha do Brasil e Polícia Militar de Santa Catarina. No setor privado, também encontrou aplicação em atividades de monitoramento ambiental e de infraestrutura. Uma das empresas usuárias acumulou 900 horas de voo durante 2025 e já havia registrado outras 530 horas em 2026, utilizando a plataforma em missões de identificação de invasões e focos de incêndio.

Em uma categoria superior está o Nauru 1000C ISTAR, com 181 quilos, autonomia de até dez horas e alcance entre 60 e 120 quilômetros. O primeiro sistema foi entregue ao Exército Brasileiro em dezembro de 2022 para o 1º Batalhão de Aviação do Exército, em Taubaté. Depois de passar pelas avaliações técnica e operacional do Centro de Avaliações do Exército, concluídas em julho de 2024, e pela experimentação doutrinária, encerrada em dezembro daquele ano, a plataforma passou a participar de exercícios e atividades operacionais da Força.

O Nauru 1000C esteve, entre outras atividades, nas operações Perseu, em novembro de 2024, e IVR, em março de 2025, esta última reunindo Exército, Marinha e Força Aérea. A experiência acumulada pela família já alcança aproximadamente 5 mil horas de voo e 5 mil operações, distribuídas entre diferentes versões e perfis de emprego. Para uma indústria em processo de consolidação, esse histórico operacional tem valor que vai além das estatísticas, porque permite transformar dados de emprego em melhorias de projeto.

É nesse ponto que entra outro componente importante da estratégia da empresa: o desenvolvimento dos sensores. O XSIS 222A é um sistema de imageamento giroestabilizado criado no Brasil para o Nauru 1000C, mas concebido também para integração em aeronaves tripuladas, como helicópteros AS350. Com cerca de seis quilos, reúne sensores eletro-ópticos e infravermelhos, telêmetro a laser, transmissão de vídeo em tempo real e recursos de inteligência artificial para detecção, classificação e acompanhamento de alvos.

A modularidade do XSIS permite que o equipamento seja transferido entre plataformas previamente preparadas, característica que pode ser particularmente interessante para operadores militares que precisam adaptar rapidamente seus meios a diferentes missões. A lógica também reforça a ideia de que a Xmobots está desenvolvendo não apenas aeronaves, mas componentes de uma arquitetura mais ampla de inteligência, vigilância e reconhecimento.

Essa arquitetura inclui ainda sistemas próprios de comando e controle, como o XCockpit e o XSIS Manager, além de soluções de gerenciamento automático de bordo, fusão de sensores por Filtro de Kalman Estendido e algoritmos de controle de voo. Na comunicação, a empresa utiliza enlaces SDR com salto de frequência, enquanto trabalha no desenvolvimento de tecnologias destinadas a aumentar a resiliência da navegação em ambientes nos quais o GPS possa ser bloqueado ou sofrer interferência.

Uma das frentes mais relevantes é a navegação visual, que utiliza câmeras e inteligência artificial para orientar a aeronave por meio de casamento de imagens e odometria visual. A tecnologia busca permitir que o sistema continue navegando mesmo diante de perda ou degradação do sinal de satélite, um requisito que ganha importância à medida que os drones passam a operar em ambientes onde a guerra eletrônica pode comprometer os sistemas convencionais de posicionamento.

A empresa também trabalha com baterias de alta densidade, estruturas em materiais compósitos e processos de manufatura aditiva e injeção plástica. Embora sejam tecnologias menos visíveis que um sensor ou um armamento, elas interferem diretamente no desempenho das aeronaves, na capacidade de carga, na autonomia, na manutenção e no custo de produção. O objetivo é criar uma cadeia capaz de escalar a fabricação sem perder a flexibilidade necessária para adaptar as plataformas.

A capacidade industrial instalada já supera 2 mil unidades por ano considerando diferentes plataformas e componentes. Essa escala é importante porque um dos desafios da indústria brasileira de sistemas não tripulados não está apenas em desenvolver um protótipo funcional, mas em conseguir produzir, manter e atualizar dezenas ou centenas de sistemas de maneira economicamente sustentável.

A estratégia da Xmobots, contudo, não se limita ao desenvolvimento doméstico. A empresa também vem utilizando a cooperação internacional para acelerar o acesso a determinadas tecnologias e ampliar a capacidade de seus projetos. Um dos exemplos mais relevantes é a parceria estabelecida em 2022 com a MBDA para estudar a integração do Enforcer Air ao Nauru 1000C.

A aproximação com a MBDA levou para o programa brasileiro a experiência de uma empresa especializada na integração e desenvolvimento de sistemas de mísseis. Mais importante que a configuração específica estudada é o conhecimento adquirido sobre os desafios de integrar armamento a uma plataforma não tripulada, incluindo interfaces, segurança, operação e requisitos de missão. Essa experiência também contribuiu para a evolução das configurações armadas da Família Nauru.

A cooperação internacional aparece também nos projetos de pesquisa e desenvolvimento ligados ao setor de energia. Petrobras, Repsol e Petronas estão entre as empresas que participaram de iniciativas envolvendo a Xmobots, mostrando como tecnologias desenvolvidas para ambientes de Defesa podem encontrar aplicações em operações industriais de elevada complexidade.

O exemplo mais concreto está no programa iniciado em 2026 pela Xmobots em parceria com a Marinha do Brasil e a Petrobras, estimado em R$ 50 milhões, para adaptar a Família Nauru ao ambiente naval e offshore. A iniciativa exige modificações estruturais e operacionais para lidar com salinidade, umidade, comunicação por satélite e operações embarcadas, incluindo pouso e decolagem a partir de plataformas móveis.

A adaptação para o ambiente marítimo pode representar um passo importante para a família, porque amplia o espaço de emprego das aeronaves para além das operações terrestres. Ao mesmo tempo, cria uma convergência entre necessidades militares e civis: monitorar uma área marítima, acompanhar uma infraestrutura offshore ou realizar vigilância sobre uma instalação naval exige sensores, autonomia, comunicações e capacidade de operar em ambientes onde o acesso humano é mais complexo.

Essa convergência também pode ajudar a sustentar economicamente a tecnologia. Uma plataforma capaz de atender simultaneamente a requisitos militares, de segurança pública, proteção ambiental e operações offshore possui um mercado potencialmente maior, o que pode contribuir para aumentar a escala de produção e reduzir o custo unitário dos sistemas.

No campo militar, a empresa já trabalha sobre essa base para ampliar o espectro de capacidades. Um dos projetos é o Nauru 1000C Armado, evolução do ISTAR para missões de ataque. Entre as arquiteturas estudadas está o conceito de ataque em mergulho, no qual uma aeronave de reconhecimento identifica e acompanha o alvo e fornece informações para que a plataforma armada calcule sua trajetória de ataque.

Outra frente é o Nauru 100D Swarm, que leva a lógica de emprego dos drones para um nível diferente. Em vez de uma aeronave operando isoladamente, a proposta envolve múltiplos sistemas compartilhando informações e executando tarefas coordenadas. No conceito atualmente em desenvolvimento, três aeronaves podem atuar na aquisição de informações e alvos, enquanto outras 27 integram a arquitetura de emprego coordenado.

O objetivo é transformar a quantidade de aeronaves em uma capacidade operacional distribuída. Em uma situação real, a perda de uma plataforma não significaria necessariamente a perda da missão, enquanto as demais poderiam continuar compartilhando informações e redistribuindo tarefas. É uma mudança de conceito que acompanha uma tendência observada em diferentes programas internacionais de sistemas não tripulados.

Em uma categoria ainda maior está o Nauru 3000D, plataforma VTOL de propulsão híbrida e autonomia projetada de até 14 horas. A aeronave está sendo concebida com arquitetura modular para diferentes configurações, incluindo ISTAR, transporte de carga e transporte de pessoal. A proposta é utilizar uma mesma plataforma-base para diferentes missões, alterando os módulos de acordo com a necessidade do operador.

A empresa também trabalha nas próximas gerações dos Nauru 500D e 1000D, incorporando tecnologias desenvolvidas e validadas nas plataformas atuais, com maior atenção à eletrificação e à nacionalização de componentes. Entre os objetivos estão o desenvolvimento de motores elétricos brushless, geradores a combustão e componentes em materiais compósitos produzidos com parceiros nacionais.

Esse processo também explica a criação da Xmobots Defense, apresentada em 2025 para concentrar as atividades destinadas ao setor militar e aos clientes internacionais. A estrutura reúne equipes e competências voltadas especificamente aos requisitos das Forças Armadas, acompanhando a transformação de uma empresa originalmente associada ao mercado de drones civis para uma companhia com atuação crescente em sistemas de Defesa.

À frente dessa estratégia está Reinaldo de Campos Gonçalves Junior, diretor de Defesa da Xmobots, profissional com experiência em diferentes empresas do setor. Para a companhia, a meta é que a capacidade construída não termine na entrega de uma aeronave, mas permaneça no país por meio do domínio da engenharia, produção, integração, treinamento, manutenção e evolução tecnológica.

É justamente essa dimensão que torna o movimento da Xmobots relevante para a Base Industrial de Defesa. O valor de um sistema não está apenas na aeronave que decola, mas no conhecimento necessário para projetá-la, fabricá-la, atualizá-la e mantê-la operacional durante anos. Quanto maior o domínio nacional sobre esses elementos, menor a exposição a restrições externas e maior a liberdade do usuário para adaptar o sistema às suas próprias necessidades.

A trajetória da Família Nauru mostra que essa construção já ultrapassou a fase de protótipos isolados. Há aeronaves empregadas pelo poder público, sistemas avaliados e utilizados pelo Exército, projetos em parceria com a Marinha e a Petrobras, cooperação com uma das maiores empresas mundiais de mísseis e uma nova geração de plataformas em desenvolvimento.

O próximo desafio será transformar essa capacidade tecnológica em escala e continuidade. Para as Forças Armadas, isso significa mais do que incorporar drones: significa estabelecer uma capacidade nacional capaz de acompanhar a rápida evolução desse tipo de sistema. Para a indústria, significa provar que os investimentos realizados em engenharia podem resultar em uma família de produtos sustentável, exportável e capaz de evoluir conforme as necessidades operacionais.

A Xmobots está, portanto, tentando ocupar um espaço que vai além do mercado de aeronaves remotamente pilotadas. Ao combinar plataformas próprias, sensores, software, sistemas de missão, inteligência artificial, cooperação internacional e aplicações civis e militares, a empresa busca construir uma arquitetura tecnológica brasileira capaz de atender diferentes missões a partir de uma mesma base de conhecimento. É esse domínio sobre a tecnologia, mais do que qualquer modelo específico de drone, que pode definir a relevância da empresa para a próxima geração de sistemas não tripulados no Brasil.


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Força de Emprego de Prontidão da 11ª Brigada de Infantaria Mecanizada realiza exercício com tiro real

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A 11ª Brigada de Infantaria Mecanizada realizou, entre os dias 21 e 28 de agosto, um Exercício Tático com Tiro Real nos níveis Pelotão e Subunidade. A atividade reuniu diferentes etapas de preparação, desde os aprontos operacionais e procedimentos de segurança até o planejamento e a execução dos fogos, permitindo avaliar a atuação das frações em uma situação mais próxima das condições de emprego operacional.

O exercício começou com os briefings de segurança e os aprontos das tropas, quando foram verificados o pessoal, os equipamentos e os armamentos que seriam empregados. Além da preparação material, essa fase serviu para alinhar as missões e os procedimentos que seriam executados posteriormente no terreno.

Na sequência, os militares passaram pelos planejamentos e coordenações de fogos e realizaram exercícios táticos a seco. O objetivo foi trabalhar a sequência das ações antes da utilização da munição real, permitindo às frações ajustar deslocamentos, ocupação de posições, comunicações e coordenação entre os elementos envolvidos.

A preparação incluiu ainda o nivelamento dos Observadores e Controladores de Adestramento e a verificação dos armamentos individuais e coletivos. Esses procedimentos permitiram acompanhar o desempenho das tropas durante as diferentes fases e estabelecer parâmetros para a avaliação posterior do exercício.

A etapa de tiro real concentrou a parte mais exigente do treinamento. Com munição real, os Pelotões e Subunidades precisaram executar os procedimentos previamente planejados, ocupando posições, coordenando seus movimentos e realizando os fogos dentro dos parâmetros estabelecidos. A atividade também permitiu observar o comportamento dos sistemas de comando e controle durante a execução das ações.

Para uma tropa mecanizada, a integração desses elementos é particularmente relevante. O emprego dos meios de mobilidade precisa estar coordenado com a atuação das frações de Infantaria, o apoio aos elementos em ação e o controle dos fogos. No exercício, essa dinâmica foi trabalhada em diferentes níveis, permitindo verificar como as decisões tomadas no planejamento eram traduzidas em ações no terreno.

O treinamento faz parte do ciclo operacional da 11ª Brigada de Infantaria Mecanizada e está relacionado ao processo de preparação previsto pelo Projeto Força 40. A proposta é que exercícios desse tipo contribuam para adaptar a formação e o adestramento das tropas às características dos ambientes operacionais projetados para as próximas décadas, nos quais a combinação entre mobilidade, sensores, comunicações, comando e controle e poder de fogo tende a ser cada vez mais importante.

A realização do tiro real também permite identificar diferenças entre o que está previsto nos planejamentos e aquilo que efetivamente acontece durante a execução. Tempos de resposta, coordenação entre as frações, comunicações, ocupação das posições e emprego dos armamentos são alguns dos aspectos que podem ser observados e posteriormente utilizados para corrigir procedimentos e orientar os próximos ciclos de treinamento.

Ao concluir o exercício, a 11ª Brigada de Infantaria Mecanizada acumulou mais uma etapa de treinamento envolvendo seus escalões de combate, mantendo a tropa em um ciclo contínuo de preparação e avaliação. A combinação entre exercícios a seco e tiro real permite que os procedimentos sejam primeiro treinados e ajustados e, posteriormente, colocados à prova em condições mais próximas da realidade operacional.


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com Exército Brasileiro

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Embraer entrega 2.000º E-Jet e consolida programa entre os maiores da aviação comercial

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E195-E2 entregue à Azul marca duas décadas de evolução da família que já opera em mais de 60 países e transportou 2,85 bilhões de passageiros

A Embraer alcançou nesta semana a marca de 2.000 aeronaves entregues da família E-Jet, consolidando um dos programas mais bem-sucedidos da história recente da aviação comercial. O marco foi celebrado com a entrega de um E195-E2 à Azul Linhas Aéreas, companhia que se tornou uma das principais operadoras da família e teve papel importante na evolução do programa.

Desde a entrada em operação do primeiro E-Jet, em 2004, a família transformou o segmento de aeronaves comerciais de menor porte ao combinar capacidade, eficiência operacional e conforto em uma categoria que passou a atender não apenas rotas regionais, mas também ligações de maior alcance. Ao longo de duas décadas, mais de 90 companhias aéreas em mais de 60 países incorporaram diferentes versões do E-Jet às suas frotas.

A dimensão alcançada pelo programa também pode ser medida pelas horas de voo acumuladas. Segundo a Embraer, a família já ultrapassou 48 milhões de horas em operação e transportou mais de 2,85 bilhões de passageiros, números que ajudam a explicar a maturidade alcançada pela plataforma e sua presença consolidada no mercado internacional.

A relação com a Azul é particularmente significativa. A companhia opera aeronaves da família desde 2008 e foi cliente de lançamento do E195-E2, cuja primeira unidade recebeu em 2019. A aeronave comemorativa da marca de 2.000 entregas é justamente o 50º E2 da empresa, reforçando uma parceria que acompanha diferentes fases da evolução do programa.

O E195-E2 representa a segunda geração dos E-Jets, desenvolvida para ampliar eficiência, alcance e capacidade operacional em relação à primeira geração, formada pelos E170, E175, E190 e E195. A evolução permitiu à Embraer disputar de forma mais direta um segmento situado entre os jatos regionais tradicionais e os narrowbodies maiores, oferecendo às companhias aéreas uma alternativa para mercados nos quais aeronaves de maior capacidade nem sempre apresentam a mesma eficiência.

Mais do que uma sucessão de versões, a trajetória dos E-Jets mostra a consolidação de uma arquitetura de aeronave que ganhou escala mundial. A produção de 2.000 unidades cria uma base operacional extensa, com cadeia de fornecedores, conhecimento de manutenção e grande quantidade de aeronaves em serviço, fatores que ajudam a sustentar a competitividade da família por muitos anos.

A experiência da Embraer no segmento militar também ajuda a dimensionar esse potencial. A empresa já transformou plataformas da família ERJ-145 em aeronaves especializadas, como os E-99 e R-99 operados pela Força Aérea Brasileira e o Netra desenvolvido para a Índia. Essa trajetória mostra que a experiência acumulada na integração de sensores e sistemas de missão pode ser aproveitada em novas plataformas.

É nesse contexto que os E-Jets também podem abrir espaço para futuras aplicações militares, desde inteligência, vigilância e reconhecimento até guerra eletrônica, comando e controle e, eventualmente, uma configuração de patrulha marítima. Não há hoje um programa formal nesse sentido, mas a maturidade da família, sua autonomia e capacidade de receber sistemas especializados tornam essa possibilidade tecnicamente plausível.

Assim, os 2.000 E-Jets entregues representam não apenas a dimensão comercial alcançada pela Embraer, mas também uma base industrial que pode continuar gerando novas soluções para o mercado de defesa. A combinação entre uma plataforma consolidada e a experiência brasileira em integração de sistemas mantém aberta uma perspectiva que vai muito além da aviação comercial.


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Avionics Services apresenta soluções de engenharia e modernização aeronáutica no Brasília Air Show

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A Avionics Services participa neste sábado (5) do Brasília Air Show 2026, realizado na Base Aérea de Brasília, apresentando soluções voltadas à engenharia aeronáutica, modernização de aeronaves, integração de sistemas e certificação. O evento, que integra a 1ª Expo de Aviação & Tecnologia, reúne empresas, profissionais e representantes dos setores de aviação, tecnologia e indústria aeronáutica.

Entre as capacidades apresentadas pela empresa estão projetos de modernização de aviônicos, sistemas de navegação e comunicação, conectividade em voo, equipamentos eletrônicos embarcados e integração de diferentes sistemas em aeronaves. A atuação abrange aplicações civis e militares, incluindo projetos de retrofit e atualização de plataformas em operação.

A empresa também apresenta sua experiência em desenvolvimento e certificação aeronáutica. Ao longo de três décadas, a Avionics Services acumulou projetos realizados no Brasil e no exterior e mais de 600 processos conduzidos junto à Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), segundo a companhia. A empresa mantém ainda certificações da ANAC e da Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA), além de reconhecimento do Ministério da Defesa como Empresa Estratégica de Defesa (EED).

Outro segmento do portfólio envolve aeronaves não tripuladas. Entre as soluções está o CAÇADOR II, VANT Classe 4 destinado a aplicações civis e militares, incluindo monitoramento, vigilância, proteção de infraestrutura crítica, busca e salvamento e apoio às operações de segurança pública.

A participação no Brasília Air Show ocorre em um momento em que a modernização de plataformas existentes ganha importância tanto no mercado civil quanto no setor de defesa. A atualização de aviônicos, sistemas de comunicação e navegação e outros equipamentos embarcados permite ampliar a vida útil de aeronaves e incorporar novas capacidades sem necessariamente recorrer à substituição completa da plataforma.

Esse tipo de trabalho também exige integração entre engenharia, requisitos operacionais e processos de certificação. Nesse campo, a empresa afirma possuir mais de 70 soluções próprias destinadas a aplicações aeronáuticas, submetidas a processos de testes e qualificação, além de atuar em projetos relacionados a fabricantes como Embraer e Airbus.

Para a indústria brasileira, a capacidade de realizar internamente etapas de engenharia, integração e certificação representa um componente importante da autonomia tecnológica. Em programas de modernização de aeronaves, o domínio desses processos permite adaptar equipamentos e sistemas às necessidades específicas do operador e às exigências das autoridades aeronáuticas.

O Brasília Air Show reúne, além da exposição de empresas e tecnologias, aeronaves da Força Aérea Brasileira, palestras e apresentações voltadas à inovação. A realização do evento na Base Aérea de Brasília também cria um ambiente de aproximação entre a indústria, instituições públicas e profissionais dos setores aeronáutico e de defesa.

Com atuação nos mercados civil e militar, a Avionics Services utiliza o evento para apresentar uma área de engenharia que normalmente permanece menos visível ao público, mas que possui papel direto na capacidade de manter, atualizar e certificar aeronaves em operação. A modernização de aviônicos, a integração de sistemas e a certificação são hoje componentes fundamentais para prolongar o ciclo de vida das plataformas e incorporar novas tecnologias ao setor aeronáutico.


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