segunda-feira, 21 de setembro de 2026

FAB promove workshop sobre financiamento de projetos de Defesa e formaliza nova etapa do H-X BR

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A Força Aérea Brasileira (FAB) realizou, nesta quinta-feira (17), em Brasília (DF), o Workshop sobre Financiamento a Projetos de Defesa. Promovido pela Secretaria de Economia, Finanças e Administração da Aeronáutica (SEFA), por meio da Diretoria de Economia e Finanças da Aeronáutica (DIREF), o encontro reuniu autoridades, militares, servidores e especialistas para discutir mecanismos relacionados ao financiamento externo de projetos de Defesa.

A abertura contou com a participação do Comandante da Aeronáutica, da Secretária-Geral do Ministério da Defesa, do Secretário de Economia, Finanças e Administração da Aeronáutica e da Embaixadora da Suécia no Brasil, além de representantes de instituições envolvidas nos processos de financiamento externo.

O objetivo do workshop foi promover a atualização e o aperfeiçoamento de militares e servidores que atuam nessa área, com discussões voltadas à prospecção, estruturação e aprovação de linhas de financiamento externo destinadas a projetos de elevada complexidade.

Durante a abertura, o Comandante da Aeronáutica destacou a importância da integração entre os diferentes atores envolvidos na estruturação dos projetos. Segundo ele, a conjugação de esforços permite transformar o planejamento em capacidade operacional e, simultaneamente, contribuir para o fortalecimento da Base Industrial de Defesa. O comandante também ressaltou que o intercâmbio de experiências e a disseminação de boas práticas podem contribuir para a estruturação de futuros projetos estratégicos da Defesa Nacional.

A programação contou com cinco palestras ao longo do dia. A primeira tratou do “Ecossistema Financeiro da Indústria de Defesa do Brasil”, apresentada pelo Vice-Presidente do Instituto Sagres – Política e Gestão Estratégica Aplicadas. Na sequência, foi discutido o “Spillover dos Investimentos em Defesa”, tema apresentado por especialista com atuação em assessoria estratégica e financeira, estruturação de operações de fusões e aquisições, finanças corporativas e planejamento estratégico.

No período da tarde, a Subsecretária de Financiamento Externo da Secretaria de Assuntos Internacionais e Desenvolvimento do Ministério do Planejamento e Orçamento apresentou o tema “Operação de Crédito Externo: do Pleito à Recomendação”. A abordagem tratou do fluxo necessário para a condução das operações de financiamento externo no âmbito do Governo Federal, destacando a importância da troca de experiências entre os órgãos envolvidos e da antecipação de questões que possam surgir durante o processo.

A programação prosseguiu com a apresentação dos “Aspectos Jurídicos Relevantes em Operações de Crédito Externo”, conduzida pela Procuradora da Fazenda Nacional e Coordenadora de Operações Financeiras da União na Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. O encerramento ficou a cargo da Chefe da Divisão de Comércio Exterior da Subdiretoria de Contratos e Convênios (SUCONV) da DIREF, que apresentou as “Experiências do COMAER” no financiamento de projetos de Defesa.

H-X BR encerra ciclo de desembolsos

Como parte das atividades, foi realizada a cerimônia referente à transferência do processo administrativo de gestão do contrato de financiamento externo do Projeto H-X BR. Resultado da parceria estratégica entre Brasil e França, o programa envolveu a aquisição de 47 helicópteros, além de transferência de tecnologia e ações voltadas ao fortalecimento da indústria nacional de Defesa.

Iniciada em 2009, a operação de crédito associada ao projeto alcançou o valor de 1,764 bilhão de euros. Com a conclusão dos desembolsos pelos credores, o processo administrativo de gestão do contrato foi transferido conforme previsto no Decreto nº 5.994, de 19 de dezembro de 2006.

A solenidade também marcou o reconhecimento de representantes de diferentes órgãos e organizações que participaram das diversas etapas do projeto e da operação de crédito. Entre os homenageados estiveram o Comandante da Aeronáutica, o Chefe do Estado-Maior da Aeronáutica, a Secretaria-Geral do Ministério da Defesa, a Secretaria de Produtos de Defesa, a Diretoria de Economia e Finanças da Aeronáutica, a Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate e a Subdiretoria de Contratos e Convênios da Aeronáutica.

Também foram homenageados representantes da Coordenação de Operações Financeiras da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, da Coordenação de Controle e Pagamento da Dívida Pública da Secretaria do Tesouro Nacional e da Secretaria de Financiamento Externo do Ministério do Planejamento e Orçamento, em reconhecimento à participação nas diferentes fases da operação.

Com o encerramento dos desembolsos, o processo de pagamento da dívida externa decorrente da operação de crédito foi transferido para a Secretaria do Tesouro Nacional. A medida formaliza uma nova etapa no cumprimento das obrigações financeiras associadas ao projeto.

O Secretário de Economia, Finanças e Administração da Aeronáutica destacou que a conclusão dessa fase representa, além de um procedimento administrativo, o cumprimento dos compromissos financeiros assumidos pelo Brasil. Segundo ele, o encerramento da etapa demonstra responsabilidade fiscal, transparência e continuidade na gestão dos recursos públicos vinculados à operação.

Além da discussão sobre mecanismos de financiamento, o workshop permitiu abordar os efeitos de transbordamento associados aos projetos de Defesa e sua relação com a economia nacional. O encontro também promoveu a integração entre os órgãos envolvidos nas operações de crédito externo e o compartilhamento de experiências acumuladas durante o planejamento, a estruturação e a execução de projetos estratégicos do Comando da Aeronáutica.


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com FAB

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MQ-9 Reaper no SOUTHCOM: onde uma ofensiva contra o narcoterrorismo pode alcançar o Brasil

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A decisão de Washington de transferir aeronaves MQ-9 Reaper atualmente empregadas pelo U.S. Africa Command (AFRICOM) para o U.S. Southern Command (SOUTHCOM) representa uma mudança concreta na arquitetura norte-americana de vigilância e combate ao narcotráfico no Hemisfério Ocidental. A informação foi revelada pela CNN em 18 de setembro, com base em seis fontes familiarizadas com o planejamento. O número exato de aeronaves não foi divulgado, mas uma das fontes afirmou que a maior parte dos MQ-9 empregados pelo AFRICOM poderia ser deslocada. A transferência ocorre no contexto da ampliação das operações norte-americanas contra organizações que Washington classifica como narcoterroristas.

O movimento não acontece em um teatro operacional vazio. O SOUTHCOM já conduz a Operação Southern Spear e operações de interdição marítima no Caribe e no Pacífico Oriental, incluindo ataques cinéticos contra embarcações que, segundo o comando, estavam empregadas em rotas de narcotráfico e vinculadas a organizações terroristas designadas pelos Estados Unidos. Em diferentes operações realizadas em 2026, o comando norte-americano afirmou ter utilizado inteligência para identificar as embarcações antes do emprego da força.

É nesse contexto que o MQ-9 ganha relevância. Embora seja conhecido pela capacidade de realizar ataques de precisão, seu valor estratégico está igualmente associado à permanência prolongada em área, coleta de inteligência, vigilância persistente e acompanhamento de movimentações. O próprio SOUTHCOM afirma estar ampliando o emprego de plataformas não tripuladas, inteligência compartilhada e integração de informações para detectar, interromper e desarticular redes de narcoterrorismo e suas cadeias logísticas.

Para o Brasil, entretanto, é fundamental separar fatos de hipóteses. Está confirmada a transferência dos Reaper para o SOUTHCOM; não há, nas informações públicas disponíveis, uma decisão anunciada de emprego dessas aeronaves para realizar ataques dentro do território brasileiro. A questão estratégica é outra: uma capacidade concebida para ampliar a vigilância sobre redes criminosas transnacionais passa a operar sob um comando cuja área de responsabilidade inclui a América do Sul, aproximando uma ferramenta de inteligência, vigilância e reconhecimento dos principais corredores utilizados pelo narcotráfico no continente.

A geografia brasileira oferece ambientes nos quais essa capacidade poderia encontrar utilidade operacional, sobretudo pela extensão territorial e pela dificuldade de manter vigilância permanente. Na Amazônia, rios, fronteiras internacionais, grandes distâncias e áreas de acesso restrito formam uma rede logística complexa, na qual o monitoramento persistente pode produzir informações difíceis de obter apenas com meios convencionais. A possibilidade de permanecer longos períodos sobre determinada região permite acompanhar padrões de deslocamento e conexões logísticas sem depender exclusivamente de uma fotografia momentânea do terreno.

No Centro-Oeste, o cenário é diferente, mas igualmente relevante. Mato Grosso e Mato Grosso do Sul possuem extensas fronteiras terrestres com Bolívia e Paraguai e integram corredores utilizados para movimentação de drogas destinadas a diferentes mercados brasileiros e para envio á outros países. Operações recentes da Polícia Federal identificaram cargas de cocaína provenientes da Bolívia utilizando Corumbá em Mato Grosso do Sul, como rota de entrada e distribuição, enquanto ações na região também revelaram a movimentação de insumos destinados à produção de cocaína. Os casos demonstram que a fronteira brasileira não é apenas uma linha geográfica, mas parte de uma cadeia logística transnacional.

A possibilidade de utilização de sistemas de vigilância persistente nesses ambientes não significa que áreas remotas sejam automaticamente adequadas para ações cinéticas. A menor densidade populacional de determinados trechos pode reduzir a exposição de civis em comparação com áreas urbanas densamente ocupadas, mas não elimina o risco. Comunidades ribeirinhas, povos indígenas, trabalhadores rurais, embarcações civis e atividades econômicas legítimas também fazem parte desses espaços. Qualquer emprego da força dependeria, portanto, de uma cadeia de identificação e validação de inteligência muito mais rigorosa do que simplesmente detectar uma movimentação suspeita.

Essa questão ganha outra dimensão quando se observa a transformação de algumas organizações criminosas brasileiras. O PCC e o Comando Vermelho não atuam exclusivamente como estruturas voltadas ao comércio de drogas. Em determinados territórios, essas organizações exercem coerção sobre a população, impõem regras próprias, restringem a circulação, ameaçam agentes públicos e dificultam a presença regular do Estado. A Lei nº 15.358, de 24 de março de 2026, passou a tipificar o crime de “domínio social estruturado”, abrangendo condutas praticadas por organizações criminosas ultraviolentas, grupos paramilitares ou milícias privadas que utilizem violência ou grave ameaça para intimidar ou coagir a população e agentes públicos com o objetivo de exercer controle ou influência sobre áreas, comunidades ou territórios, além de impedir ou dificultar a atuação das forças de segurança.

Essa questão ganha outra dimensão quando se observa a transformação de algumas organizações criminosas brasileiras. O PCC e o Comando Vermelho não atuam exclusivamente como estruturas voltadas ao comércio de drogas. Em determinados territórios, essas organizações exercem coerção sobre a população, impõem regras próprias, restringem a circulação, ameaçam agentes públicos e dificultam a presença regular do Estado. A Lei nº 15.358, de 24 de março de 2026, passou a tipificar o crime de “domínio social estruturado”, abrangendo condutas praticadas por organizações criminosas ultraviolentas, grupos paramilitares ou milícias privadas que utilizem violência ou grave ameaça para intimidar ou coagir a população e agentes públicos com o objetivo de exercer controle ou influência sobre áreas, comunidades ou territórios, além de impedir ou dificultar a atuação das forças de segurança.

Essa distinção ajuda a compreender a posição dos Estados Unidos e, ao mesmo tempo, os limites de sua aplicação em território brasileiro. Ao enquadrar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, Washington passou a considerar não apenas a atividade ligada ao narcotráfico, mas também a capacidade dessas estruturas de exercer violência, coerção e controle territorial. O governo brasileiro, por sua vez, rejeitou a possibilidade de que essa classificação produzisse efeitos extraterritoriais ou servisse de fundamento para uma eventual intervenção em território nacional. A divergência, portanto, não está necessariamente na existência dos elementos utilizados para caracterizar a ameaça, mas na competência para produzir efeitos jurídicos sobre organizações que atuam dentro da jurisdição brasileira.

A preocupação do governo brasileiro não ficou restrita ao discurso presidencial. Em resposta encaminhada ao Congresso, o Itamaraty alertou para possíveis consequências extraterritoriais da classificação norte-americana e registrou inclusive o risco de utilização de força militar dos Estados Unidos em território brasileiro. O documento, assinado pelo ministro Mauro Vieira em 1º de julho, demonstra que a questão passou a ser tratada por Brasília não apenas como um problema de segurança pública, mas também como uma questão de soberania e relações internacionais.

Essa divergência ganha peso justamente agora, quando Washington desloca capacidade de inteligência, vigilância, reconhecimento e ataque do AFRICOM para o SOUTHCOM. Uma coisa é a cooperação internacional para combater redes criminosas que atravessam fronteiras, compartilhar inteligência e realizar operações coordenadas com autorização dos Estados envolvidos. Outra é a utilização unilateral de capacidade militar estrangeira dentro do território brasileiro. A existência de organizações criminosas com características de violência territorial não transfere automaticamente a jurisdição sobre seu combate para outro Estado.

O Brasil, por sua vez, não parte do zero. O Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras, os meios de vigilância das Forças Armadas, os sistemas de inteligência e as estruturas federais de segurança já constituem uma arquitetura nacional destinada a ampliar a consciência situacional nas regiões fronteiriças. O desafio está na escala continental do território brasileiro e na necessidade de integrar sensores, comunicações, inteligência e meios de resposta em um ambiente no qual as redes criminosas também adaptam constantemente seus métodos.

Nesse cenário, o verdadeiro valor estratégico do MQ-9 não está apenas no armamento que pode transportar, mas na capacidade de transformar presença persistente em conhecimento operacional. Detectar uma embarcação, aeronave, veículo ou movimentação suspeita é apenas o primeiro estágio. É necessário correlacionar informações, identificar padrões, confirmar a natureza da atividade, estabelecer vínculos com uma rede criminosa e, finalmente, definir quem possui autoridade para agir. A capacidade de gerar inteligência persistente pode ser tão relevante quanto a possibilidade de emprego de armamento.

É justamente nessa cadeia que surge a principal questão estratégica para Brasília. A ampliação da presença de sensores e plataformas norte-americanas no entorno sul-americano pode produzir maior capacidade de vigilância contra redes criminosas que efetivamente ultrapassam fronteiras, mas também cria uma discussão sobre dependência de inteligência e controle sobre os dados produzidos. Para o Brasil, o desafio não é simplesmente acompanhar quantos MQ-9 estarão sob o comando do SOUTHCOM, mas assegurar que a evolução do combate ao crime transnacional não resulte em perda de autonomia sobre aquilo que talvez seja o elemento mais sensível de qualquer operação: a inteligência que identifica, valida e orienta o emprego da força.

A transferência dos Reaper, portanto, deve ser observada como parte de uma transformação na forma como Washington pretende enfrentar o narcotráfico no Hemisfério Ocidental. Para o Brasil, a questão estará em preservar a cooperação quando ela for útil, ampliar sua própria capacidade de vigilância sobre fronteiras e corredores logísticos e simultaneamente manter sob controle nacional as decisões relacionadas ao emprego da força em território brasileiro. No ambiente que se desenha para o SOUTHCOM, a questão central não envolve apenas quem possui o sensor ou o armamento, mas toda a cadeia que transforma informação em ação: quem observa, quem identifica, quem valida e quem decide.


por Angelo Nicolaci


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Thales apresenta HexaForce, sistema de comando e controle multidomínio baseado em IA

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Nova plataforma foi desenvolvida para operações de alta intensidade, integra os domínios terrestre, naval, aéreo, cibernético, espacial e de informação e foi testada durante o exercício CWIX 2026 da OTAN

A Thales apresentou o HexaForce, uma nova plataforma de comando e controle (C2) multidomínio desenvolvida para operações de alta intensidade e baseada em uma arquitetura aberta e interoperável. Segundo a empresa, o sistema foi projetado em conjunto com forças armadas e busca combinar soberania nacional, integração entre diferentes domínios operacionais e emprego ampliado de inteligência artificial.

A solução foi testada durante o exercício CWIX 2026 da OTAN, iniciativa voltada à avaliação e ao desenvolvimento da interoperabilidade entre sistemas utilizados pelas forças aliadas. De acordo com a Thales, os testes tiveram como objetivo validar a capacidade do HexaForce de operar em ambientes nos quais diferentes sistemas nacionais e de parceiros precisam compartilhar informações sem comprometer o controle sobre os dados.

O HexaForce foi concebido para integrar operações terrestres, marítimas, aéreas, cibernéticas, espaciais e de informação em uma mesma arquitetura de comando. A Thales afirma que sua estrutura distribuída permite coordenar sistemas já existentes nas Forças Armadas e em coalizões, conectando diferentes níveis de comando e acelerando o fluxo de informações necessário à tomada de decisão.

Um dos principais elementos da nova plataforma é a integração com o cortAIx, estrutura de inteligência artificial da Thales que reúne cerca de 800 engenheiros e cientistas de dados. A empresa afirma que o HexaForce incorpora modelos de linguagem de grande porte (LLMs) e recursos de inteligência artificial agêntica para apoiar os operadores desde o planejamento até a execução e o acompanhamento das missões.

Entre as capacidades apresentadas estão a redução dos ciclos de planejamento, ampliação da compreensão do quadro operacional, consolidação em tempo real de informações táticas e operacionais, aceleração da tomada de decisão, melhor alocação de efetores e otimização das atividades de manutenção e apoio em campo.

A aplicação da inteligência artificial também está relacionada ao processamento de grandes volumes de informações provenientes de fontes militares, abertas e civis. Segundo a Thales, a automação da análise, correlação e priorização desses dados permite aumentar o ritmo de processamento operacional. A empresa informa que os testes em ambiente real têm como objetivo elevar a capacidade de processamento de aproximadamente 100 para até 1.000 alvos por dia.

A Thales relaciona parte dessa capacidade à experiência acumulada com o Artemis.IA, plataforma centrada em dados implementada junto ao Ministério das Forças Armadas da França desde 2023. Segundo a companhia, a experiência operacional do sistema demonstrou a capacidade de trabalhar com dados provenientes de múltiplas fontes e de ampliar sua escala de processamento.

Outro elemento central do HexaForce é a integração contínua entre os níveis tático e estratégico. A arquitetura distribuída foi concebida para permitir a coordenação entre comandantes estratégicos e unidades empregadas na linha de frente, mantendo a operação mesmo em condições de degradação das comunicações. A Thales afirma que essa característica é particularmente relevante para cenários de alta intensidade, nos quais a disponibilidade das redes pode ser comprometida.

A arquitetura aberta também constitui um dos pilares da solução. O HexaForce combina uma plataforma de software central com aplicações de comando multidomínio e utiliza padrões de código aberto e interoperáveis. A empresa afirma que essa estrutura permite aos países manter controle sobre os fluxos de dados de entrada e saída, sem necessidade de expor suas informações a terceiros.

A plataforma possui suporte nativo aos padrões Data-Centric Security (DCS) e Federated Mission Networking (FMN), segundo a Thales. A proposta é permitir a integração de diferentes fornecedores e sistemas legados em um ambiente modular e controlado, evitando que a adoção de uma nova arquitetura de C2 obrigue as forças armadas a substituir integralmente seus sistemas existentes.

O desenvolvimento do HexaForce também foi conduzido em ciclos curtos de desenvolvimento e validação junto às forças usuárias. Segundo a Thales, o modelo permite incorporar continuamente o retorno dos operadores e adaptar a evolução do software às necessidades identificadas no ambiente operacional.

Para Christophe Salomon, vice-presidente executivo de Comunicações Seguras e Sistemas de Informação da Thales, as necessidades das forças armadas variam entre plataformas nacionais de dados, interfaces entre diferentes domínios e capacidades de comando multidomínio conectadas aos aliados. Segundo o executivo, o HexaForce foi desenvolvido para atender essas diferentes demandas preservando a soberania dos países usuários.

A apresentação do HexaForce ocorre em um contexto no qual a capacidade de integrar grandes volumes de dados, diferentes sensores e sistemas de armas tornou-se um componente cada vez mais importante das operações multidomínio. A Thales posiciona sua nova plataforma justamente nessa convergência entre comando e controle, interoperabilidade, soberania digital e aplicação de inteligência artificial em escala operacional.

Segundo os dados divulgados pela empresa, a Thales possui mais de 85 mil funcionários em 65 países e registrou faturamento de € 22,1 bilhões em 2025. O grupo afirma investir aproximadamente € 4,5 bilhões por ano em pesquisa e desenvolvimento, incluindo áreas como inteligência artificial, cibersegurança, tecnologias quânticas e computação em nuvem.


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domingo, 20 de setembro de 2026

GBN Defense completa 17 anos de jornalismo especializado em defesa e segurança

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Em 16 de setembro de 2009, o GBN Defense iniciou suas atividades com a proposta de acompanhar de perto os temas de defesa, segurança, tecnologia militar e geopolítica. Dezessete anos depois, o veículo chega a uma marca construída por meio de informação, presença em campo, relacionamento com fontes e uma cobertura que acompanhou profundas transformações no ambiente estratégico brasileiro e internacional.

O projeto nasceu da iniciativa de seu fundador e editor, Angelo Nicolaci, que desde os primeiros anos assumiu diretamente o trabalho de apuração, produção, edição e construção das relações que permitiram ao GBN Defense avançar de um projeto especializado para um veículo com presença efetiva nos meios de defesa, diplomáticos, acadêmicos e industriais. A trajetória foi marcada por um trabalho contínuo, muitas vezes realizado longe dos holofotes, acompanhando exercícios, embarques, programas de defesa, eventos e acontecimentos que exigiram presença e disponibilidade permanente.

Ao longo desses 17 anos, o GBN Defense esteve presente em exercícios militares, embarques, cerimônias, entrevistas e eventos ligados às Forças Armadas, acompanhando diretamente equipamentos, doutrinas, programas e profissionais envolvidos na construção das capacidades brasileiras. Essa experiência permitiu desenvolver uma cobertura baseada não apenas no que é anunciado, mas também na observação direta e na compreensão do contexto operacional em que cada iniciativa está inserida.

Essa presença ajudou a construir uma relação de confiança com diferentes segmentos das instituições militares e ampliou o reconhecimento do GBN Defense como veículo especializado. A interlocução alcançou também representações diplomáticas, adidos de defesa, autoridades, pesquisadores e instituições estrangeiras, levando a produção jornalística brasileira sobre defesa a um público internacional presente em mais de 100 países.

A apuração jornalística sempre ocupou papel central nessa trajetória. Ao longo dos anos, o GBN publicou informações exclusivas e antecipou movimentos relacionados a programas, negociações, tecnologias e decisões que ainda não haviam chegado ao conhecimento público. Em diferentes situações, essas reportagens permitiram acompanhar processos estratégicos enquanto ainda estavam em desenvolvimento, antes de sua confirmação ou divulgação oficial.

A capacidade de apuração foi construída também pelo trabalho coletivo. Entre os colaboradores que deixaram sua contribuição nessa história está Renato Marçal, cuja participação ajudou a ampliar a produção e a diversidade de conteúdos publicados pelo GBN. O professor Luiz Reis também integra essa trajetória, com sua contribuição em temas relacionados à história militar, estratégia, defesa e geopolítica. Ao lado deles, diversos outros colaboradores passaram pelo GBN ao longo dos anos, deixando textos, pesquisas, fotografias, análises, revisões e conhecimentos que ajudaram a formar a identidade editorial do veículo.

Esse trabalho também produziu efeitos que ultrapassaram o ciclo imediato da notícia. Reportagens, análises e levantamentos publicados pelo GBN Defense passaram a ser utilizados como material de referência em pesquisas, estudos e trabalhos acadêmicos relacionados à defesa e à geopolítica. O resultado é um acervo que, além de registrar acontecimentos, preserva informações e interpretações sobre processos estratégicos brasileiros e internacionais.

A análise estratégica tornou-se outra dimensão importante dessa trajetória. A partir do acompanhamento contínuo de fontes, programas, capacidades militares e movimentos internacionais, o GBN Defense buscou identificar tendências e estabelecer conexões entre acontecimentos aparentemente isolados. Em diferentes momentos, leituras apresentadas pelo veículo encontraram confirmação posterior nos fatos, reforçando a importância de observar não apenas o acontecimento, mas também os sinais que antecedem sua evolução.

Essa capacidade de leitura permitiu ampliar a abordagem sobre defesa para além dos sistemas de armas. Questões como soberania, autonomia tecnológica, orçamento, indústria, cadeias de suprimentos, minerais estratégicos, ciência e tecnologia e posicionamento internacional passaram a integrar uma cobertura que procura compreender como diferentes fatores se relacionam na construção do poder nacional.

A proximidade com a Base Industrial de Defesa acompanhou esse processo. O GBN Defense esteve próximo de empresas brasileiras e estrangeiras, centros de pesquisa e desenvolvedores de tecnologias, acompanhando projetos desde sua apresentação até etapas de desenvolvimento, produção, transferência de tecnologia e participação industrial. Essa perspectiva ajudou a colocar em discussão não apenas quais equipamentos o Brasil adquire, mas quais capacidades tecnológicas e industriais permanecem no país depois de cada programa.

Nesse contexto, o veículo também passou a contribuir para a discussão sobre programas estratégicos e para a necessidade de continuidade das políticas de defesa. A cobertura de projetos, investimentos e capacidades militares ajudou a levar ao debate público questões como previsibilidade orçamentária, financiamento, preservação de competências e sustentabilidade de longo prazo, temas que frequentemente ultrapassam os ciclos políticos e administrativos.

O ambiente internacional, por sua vez, mudou profundamente nesses 17 anos. A expansão da guerra eletrônica e cibernética, a disseminação dos sistemas não tripulados, a importância crescente da inteligência, vigilância e reconhecimento, além da disputa por tecnologias e cadeias estratégicas, transformaram a forma como Estados avaliam segurança e poder. O GBN Defense acompanhou essa evolução procurando interpretar seus efeitos para o Brasil e para sua posição no cenário internacional.

A combinação entre reportagem, experiência de campo e análise ampliou a presença do GBN Defense no ecossistema de defesa e geopolítica. O veículo passou a participar de discussões com instituições militares, diplomáticas, acadêmicas e empresariais, contribuindo para aproximar setores que nem sempre dialogam diretamente e para fomentar uma discussão mais técnica sobre os desafios estratégicos brasileiros.

Esse reconhecimento também encontrou expressão concreta ao longo dos anos. A trajetória do GBN Defense e de seu editor foi marcada por diferentes homenagens institucionais, entre elas a Medalha Mérito Tamandaré, concedida pela Marinha do Brasil em 2023, e em 2026, a Medalha do Exército Brasileiro, recebida por Angelo Nicolaci em 17 de abril, em cerimônia realizada no Palácio Duque de Caxias, no Rio de Janeiro. A trajetória também inclui outras distinções e homenagens recebidas junto à Marinha e à Aviação Naval, refletindo uma atuação construída a partir da cobertura continuada dos temas de defesa e da relação com diferentes segmentos das Forças Armadas.

Chegar aos 17 anos representa, portanto, mais do que a passagem do tempo. É o resultado de uma trajetória construída em um segmento jornalístico que exige conhecimento técnico, capacidade de apuração, relacionamento com fontes e disposição para acompanhar continuamente um ambiente em transformação.

Desde aquela primeira publicação em setembro de 2009, o GBN Defense acumulou reportagens exclusivas, análises estratégicas, registros de campo e conteúdo que chegou às universidades, às instituições, à indústria e ao público especializado no Brasil e no exterior. Nesse percurso, também construiu uma memória coletiva formada por seu fundador, colaboradores, fontes, leitores e profissionais que contribuíram, em diferentes momentos, para que o projeto permanecesse ativo e evoluísse.

Hoje, ao completar 17 anos, o GBN Defense olha para essa trajetória sem perder de vista aquilo que esteve na origem do projeto: produzir informação precisa, jornalismo especializado e análise responsável, contribuindo para uma discussão mais séria sobre defesa, segurança e geopolítica e mantendo o olhar voltado para os interesses estratégicos do Brasil.

São 17 anos de GBN Defense. Uma história construída por muitas mãos, sustentada por trabalho incansável e ainda em movimento.


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AKINCI abate CH-95 chinês no Sudão em novo confronto entre drones

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O emprego de veículos aéreos não tripulados (VANTs) no conflito do Sudão ganhou mais um episódio relevante com a divulgação de imagens que mostram um Bayraktar AKINCI operado pelas Forças Armadas sudanesas engajando e destruindo um VANT chinês CH-95 associado às Forças de Apoio Rápido (RSF). O episódio integra uma sequência de confrontos entre plataformas não tripuladas de diferentes origens que vem transformando o espaço aéreo sudanês em um ambiente de disputa também entre sistemas remotamente pilotados.

As imagens divulgadas em agosto mostram o engajamento do alvo e indicam o emprego de uma munição de ataque de alta velocidade. Análises publicadas por veículos especializados identificaram o sistema como o EREN, da ROKETSAN, a partir das características observadas na interface do sensor e no perfil da munição. Essa identificação, entretanto, permanece baseada em fontes abertas e não foi confirmada oficialmente pela Baykar ou pelo Ministério da Defesa da Türkiye para esse episódio específico.

O caso se insere em uma campanha de combate entre drones que se intensificou a partir de junho. Fontes especializadas contabilizaram pelo menos seis CH-95 destruídos ou neutralizados pelas forças sudanesas desde o início dessa sequência de confrontos, embora os números disponíveis em fontes abertas não constituam um balanço oficial consolidado. Em julho, outras publicações já relatavam confrontos entre AKINCI e plataformas CH-95/FH-95 empregadas pela RSF.

A importância do episódio está menos na quantidade de abates atribuída ao AKINCI e mais na evolução do emprego da plataforma. Concebido como um UCAV de grande porte para missões de reconhecimento, ataque e emprego de armamentos de precisão, o AKINCI vem sendo utilizado no Sudão também para interceptar aeronaves não tripuladas adversárias, assumindo uma função que aproxima a plataforma de uma capacidade de defesa aérea de oportunidade.

O cenário também coloca em confronto arquiteturas tecnológicas distintas. De um lado está o AKINCI, desenvolvido pela Baykar e empregado pelas forças sudanesas; do outro, aparecem os CH-95/FH-95, sistemas chineses associados à RSF segundo diferentes fontes abertas. A sobreposição de plataformas estrangeiras no conflito dificulta inclusive a atribuição imediata de determinados ataques e evidencia como a guerra sudanesa incorporou sistemas de reconhecimento e ataque de longo alcance fornecidos por diferentes atores externos.

O EREN ajuda a explicar a mudança de emprego observada no AKINCI. Apresentado pela ROKETSAN como uma munição de ataque de alta velocidade e múltiplos vetores de lançamento, o sistema pode ser empregado a partir de VANTs, helicópteros, veículos terrestres e plataformas navais. A empresa informa alcance superior a 100 quilômetros e capacidade contra alvos aéreos de baixa velocidade, além de alvos terrestres blindados e não blindados e pessoal.

A munição também já teve sua capacidade ar-ar demonstrada oficialmente. Em fevereiro de 2026, a Baykar informou que um AKINCI realizou um teste contra um VANT lançado a partir do solo e obteve impacto direto utilizando o EREN. A empresa descreveu o episódio como uma ampliação das possibilidades de emprego da plataforma, que anteriormente já havia realizado ensaios ar-ar com o KEMANKEŞ-1.

Essa experiência de testes oferece contexto para o que vem sendo observado no Sudão. A diferença fundamental é que, no ambiente operacional, a plataforma precisa localizar, acompanhar e engajar um alvo que também possui autonomia, sensores e capacidade de permanecer em missão por longos períodos. O emprego do AKINCI nesse tipo de tarefa demonstra uma aplicação prática do conceito de utilização de um UCAV como vetor de interceptação contra outras aeronaves não tripuladas.

O conflito também evidencia uma transformação mais ampla na guerra aérea. O emprego de drones deixou de estar limitado ao reconhecimento ou ao ataque contra posições terrestres e passou a incluir confrontos entre aeronaves não tripuladas. No Sudão, essa dinâmica ocorre paralelamente ao emprego crescente de drones de longo alcance contra cidades, infraestrutura e posições militares, ampliando a profundidade das operações muito além das linhas de contato. A ONU informou em setembro que mais de 1.000 pessoas haviam sido mortas por ataques de drones nos primeiros cinco meses de 2026 e apontou a participação de tecnologia, armamentos e apoio estrangeiro na expansão dessa capacidade.

A evolução é particularmente relevante porque reduz a separação tradicional entre ataque e defesa no emprego de sistemas não tripulados. Uma plataforma originalmente concebida para permanecer por longos períodos sobre uma área de operações pode receber sensores e armamentos que permitam também reagir contra outros vetores aéreos. Isso cria uma camada adicional de defesa aérea, especialmente em teatros onde aeronaves tripuladas são mais caras ou arriscadas de empregar.

No caso do AKINCI, a experiência sudanesa ocorre em paralelo ao desenvolvimento de uma arquitetura cada vez mais diversificada de armamentos. Em setembro, a Baykar anunciou novos ensaios da plataforma com o míssil de defesa aérea SUNGUR e registrou um impacto direto contra um VANT de alta velocidade, além de outros testes recentes com diferentes munições. A sequência demonstra que a capacidade ar-ar do AKINCI está deixando de depender de uma única solução e passa a envolver diferentes classes de armamento.

O episódio no Sudão, portanto, deve ser analisado dentro de uma evolução maior da guerra de drones. Mais do que um simples confronto entre um AKINCI e um CH-95, o caso mostra a emergência de um ambiente no qual VANTs podem atuar simultaneamente como sensores, plataformas de ataque e vetores de interceptação. A experiência operacional acumulada no conflito tende a fornecer dados relevantes para o desenvolvimento futuro dessas capacidades, embora a dimensão real dos resultados e a identificação individual dos armamentos empregados devam continuar sendo tratadas com cautela enquanto não houver confirmação oficial dos envolvidos.


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Türkiye avança na preparação para operar o Eurofighter Typhoon com visita a Coningsby

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A Türkiye avançou mais uma etapa na preparação para incorporar o Eurofighter Typhoon à sua Força Aérea. Entre 15 e 17 de setembro, uma delegação formada por especialistas do Grupo de Trabalho de Manutenção de Aeronaves do Comando da Força Aérea e da Direção-Geral de Fábricas Militares visitou as instalações de manutenção dos Typhoon na RAF Coningsby, no Reino Unido.

A visita teve como foco a avaliação da infraestrutura necessária para sustentar a operação da aeronave, incluindo processos de manutenção e a compatibilidade dos recursos técnicos disponíveis. A atividade também amplia a cooperação entre as estruturas de manutenção dos dois países durante a preparação da futura frota turca.

A etapa ganha importância porque a aquisição dos Typhoon já avançou para além da contratação das aeronaves. Em outubro de 2025, Reino Unido e Türkiye formalizaram um acordo para o fornecimento de 20 Eurofighter Typhoon, em um negócio avaliado pelo governo britânico em até £8 bilhões. A primeira entrega está prevista para 2030.

Em março de 2026, os dois países assinaram um acordo específico de treinamento e suporte. O programa prevê a formação no Reino Unido de 10 pilotos turcos e quase 100 técnicos de solo, abrangendo áreas como mecânica, aviônica, armamentos e sistemas de missão. O pacote também inclui equipamentos de apoio, peças de reposição, simuladores e suporte à manutenção da frota.

A preparação do pessoal técnico é particularmente relevante para uma aeronave cuja disponibilidade depende de uma cadeia logística especializada e de procedimentos específicos de manutenção. A visita a Coningsby permite à Türkiye avaliar antecipadamente como sua infraestrutura e seus processos poderão ser integrados ao modelo de suporte estabelecido pelo programa britânico.

O acordo também prevê participação da indústria britânica no suporte à futura frota turca. BAE Systems, Leonardo UK, MBDA, Rolls-Royce e Martin-Baker estão entre as empresas envolvidas no fornecimento de componentes, peças, equipamentos e serviços relacionados ao programa. Mais de um terço de cada Typhoon é produzido no Reino Unido, enquanto os demais componentes são fornecidos pelas outras nações parceiras do programa Eurofighter.

A preparação não se limita à manutenção. O programa de treinamento britânico contempla pilotos e equipes de solo, criando uma estrutura progressiva para a entrada da Türkiye no grupo de operadores do Typhoon. O treinamento de pilotos e técnicos também deverá contribuir para a familiarização com os procedimentos operacionais e de suporte utilizados pela Royal Air Force.

Com isso, a visita a Coningsby representa uma etapa prática da preparação turca para receber a nova aeronave. Enquanto a produção dos 20 Typhoon contratados segue o cronograma estabelecido, Ancara começa a estruturar pessoal, infraestrutura e cadeia de manutenção necessários para colocar o caça em serviço a partir do início da próxima década.


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Venda de 48 F-35 à Arábia Saudita avança sob alerta da inteligência dos EUA

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O governo dos Estados Unidos aprovou a possível venda de 48 caças F-35A Lightning II à Arábia Saudita em um pacote estimado em US$ 24,3 bilhões, mas a operação chega à etapa de análise do Congresso acompanhada por preocupações da comunidade de inteligência americana sobre a proteção da tecnologia da aeronave diante da crescente cooperação entre Riad e Pequim. A autorização do Departamento de Estado não representa ainda a conclusão da venda nem a entrega das aeronaves.

Segundo informações publicadas pelo The New York Times, autoridades de inteligência dos EUA avaliam que a China poderia tentar obter informações sensíveis relacionadas ao F-35 por meio de espionagem dentro da Arábia Saudita ou do relacionamento militar, de segurança e tecnológico mantido pelo reino com Pequim. A preocupação consta de avaliações internas que circularam entre órgãos do governo americano e gabinetes do Congresso.

Uma dessas avaliações, produzida pela Defense Intelligence Agency (DIA) meses antes, teria examinado especificamente o acesso de militares chineses a instalações sauditas e a presença de tecnologia chinesa na infraestrutura de telecomunicações do país. O documento também questionaria a capacidade de Estados Unidos e Arábia Saudita de manter instalações associadas ao F-35 suficientemente protegidas contra acesso não autorizado.

Entre as medidas consideradas está a restrição de acesso às áreas que concentrem tecnologias sensíveis do F-35 a militares e contratados americanos e sauditas autorizados. A avaliação também questiona se Riad estaria disposta a estabelecer limitações mais amplas para contatos entre seu pessoal militar e de inteligência e seus equivalentes chineses.

Outro ponto envolve a infraestrutura digital. De acordo com o relato do New York Times, a avaliação examina a utilização de equipamentos das empresas chinesas Huawei e ZTE em redes de telecomunicações, sistemas de roteamento e instalações relacionadas à defesa. A questão é particularmente sensível porque o F-35 depende de uma arquitetura integrada de sensores, processamento, comunicações e suporte de dados, tornando a proteção das redes e das instalações parte relevante da segurança do sistema.

As preocupações americanas ocorrem em um contexto no qual a Arábia Saudita mantém uma relação militar histórica e extensa com Washington, mas também vem ampliando sua cooperação com a China. Riad já adquiriu sistemas militares chineses e mantém programas de cooperação relacionados a mísseis balísticos e infraestrutura tecnológica. Em 2022, parlamentares americanos haviam levantado preocupações sobre a assistência chinesa ao programa saudita de mísseis balísticos, enquanto documentos posteriores registraram a ampliação da cooperação tecnológica entre os dois países.

O componente chinês, portanto, não significa que Washington considere inevitável uma transferência de tecnologia do F-35 para Pequim. A preocupação identificada nas avaliações é preventiva: reduzir as possibilidades de que informações sobre sensores, sistemas de vigilância, arquitetura eletrônica ou outros elementos classificados possam ser obtidas por meio de acesso físico, infraestrutura digital ou atividades de inteligência.

A situação também remete às dificuldades enfrentadas pelo projeto de venda de F-35 aos Emirados Árabes Unidos. Durante o primeiro governo Trump, Washington aprovou em 2020 uma possível venda de 50 aeronaves ao país, mas o processo avançou em meio a preocupações americanas relacionadas à crescente presença tecnológica chinesa nos Emirados, incluindo equipamentos da Huawei. O acordo acabou não sendo concluído.

O caso saudita apresenta diferenças importantes. Riad é um dos principais clientes históricos da indústria de defesa americana e mantém uma estrutura militar amplamente integrada a equipamentos, treinamento e logística dos EUA. Ao mesmo tempo, a estratégia saudita de diversificação de fornecedores inclui a China, criando uma situação na qual Washington busca preservar sua relação militar com o reino sem necessariamente eliminar a autonomia de Riad em outras áreas de cooperação.

A possível transferência também possui uma dimensão regional. Israel é atualmente o único operador do F-35 no Oriente Médio, e a introdução da aeronave na Força Aérea Real Saudita exigirá que Washington considere sua política de preservação da Qualitative Military Edge, ou Superioridade Militar Qualitativa de Israel. A legislação americana estabelece que determinadas vendas de armas a países do Oriente Médio devem ser avaliadas quanto ao impacto sobre essa vantagem militar.

A própria notificação do Departamento de Estado afirma, entretanto, que a venda proposta não deverá alterar o equilíbrio militar regional. O pacote contempla 48 aeronaves, 49 motores F135, equipamentos associados, treinamento e apoio logístico, além de sistemas e serviços necessários à operação da frota.

A quantidade de aeronaves também merece atenção. Embora o anúncio político de Donald Trump em novembro de 2025 tenha sinalizado a intenção de vender o F-35 a Riad, o processo passou por diferentes etapas antes da atual autorização do Departamento de Estado. Em junho de 2026, o pacote de 48 aeronaves e um motor sobressalente havia sido encaminhado às comissões do Congresso para análise informal.

A aprovação de setembro representa, portanto, um avanço significativo, mas não encerra o processo. O Congresso ainda precisa concluir sua análise, enquanto as preocupações de segurança tecnológica poderão influenciar as condições associadas à eventual transferência. Para Washington, o desafio consiste em ampliar a capacidade militar de um parceiro estratégico no Golfo sem comprometer a proteção das tecnologias mais sensíveis do F-35 ou reduzir os mecanismos de controle sobre seu emprego e suporte.

Para a Arábia Saudita, a possível aquisição representa a entrada em uma categoria tecnológica até agora restrita, no Oriente Médio, a Israel. Para os Estados Unidos, o negócio combina objetivos de política externa, segurança regional e interesses da indústria de defesa com a necessidade de proteger uma das plataformas militares mais sensíveis do país. E, para a China, a crescente presença econômica, tecnológica e militar no reino cria um novo ambiente de competição indireta em torno de uma das principais tecnologias aeronáuticas americanas.


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Türkiye amplia influência na Síria e entra no cálculo estratégico de Israel

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A relação entre Israel e Türkiye entrou em uma fase distinta daquela marcada predominantemente pelas divergências sobre a questão palestina. Avaliações de centros de pesquisa e setores do establishment de segurança israelense passaram a considerar a crescente presença turca na Síria como um fator estratégico próprio, especialmente diante da possibilidade de que a reconstrução das forças sírias ocorra com forte participação de Ancara. O resultado é uma relação de competição que combina pressão militar, disputa por influência e simultaneamente, mecanismos destinados a evitar um confronto direto.

O pesquisador Hay Eytan Cohen Yanarocak, especialista na Türkiye no Centro Moshe Dayan da Universidade de Tel Aviv, identifica três momentos relevantes para compreender essa transformação: o enfraquecimento da influência tradicional do establishment militar turco sobre a política externa, o episódio do Mavi Marmara, que deteriorou profundamente as relações bilaterais, e a mudança provocada pelos acontecimentos de 7 de outubro de 2023 e pela posterior queda de Bashar al-Assad. Com a mudança de poder em Damasco, interesses turcos e israelenses passaram a se sobrepor diretamente dentro do território sírio.

Nesse processo, a questão palestina continua sendo um componente importante, mas deixou de explicar isoladamente a deterioração bilateral. A aproximação política de Ancara com o Hamas, a retórica do governo de Recep Tayyip Erdoğan contra Israel e a tentativa turca de participar da definição do futuro de Gaza ampliaram a competição para além do conflito israelo-palestino. A disputa passou a envolver também quem terá capacidade de influenciar a arquitetura política e de segurança que emergirá dos conflitos atuais.

A Síria, entretanto, tornou-se o principal ponto de contato entre as duas agendas estratégicas. A queda de Assad eliminou boa parte da estrutura por meio da qual o Irã projetava poder sobre A relação entre Türkiye e Israel atravessa uma fase de maior complexidade estratégica, impulsionada principalmente pelas mudanças produzidas na Síria após a queda do regime de Bashar al-Assad. A ampliação da influência turca sobre o novo cenário sírio passou a receber maior atenção em Israel, onde analistas e setores de segurança avaliam como essa presença poderá afetar os interesses de Tel Aviv e a liberdade de ação de suas forças na região.

O pesquisador Hay Eytan Cohen Yanarocak, especialista em assuntos turcos do Centro Moshe Dayan da Universidade de Tel Aviv, identifica diferentes momentos na deterioração das relações bilaterais. Entre eles estão o enfraquecimento da influência tradicional do establishment militar turco sobre a política externa, o episódio do Mavi Marmara e, posteriormente, a mudança provocada pelos acontecimentos de 7 de outubro de 2023 e pela queda de Assad. Com a transformação do cenário sírio, interesses turcos e israelenses passaram a se sobrepor de maneira mais direta.

A questão palestina continua sendo um componente relevante dessa relação. A aproximação política de Ancara com o Hamas e as críticas do governo de Recep Tayyip Erdoğan às operações israelenses ampliaram as divergências entre os dois países. Ao mesmo tempo, Türkiye busca participar das discussões sobre o futuro de Gaza e da reconstrução regional, enquanto Israel procura preservar sua capacidade de influenciar os arranjos de segurança que serão estabelecidos após os conflitos.

A Síria acrescentou, entretanto, uma dimensão diferente à relação. A queda de Assad reduziu a presença que o Irã mantinha por meio do antigo governo sírio e abriu espaço para uma nova distribuição de influência entre diferentes atores. Türkiye passou a exercer papel relevante na reorganização política e de segurança do país, enquanto Israel acompanha a evolução desse processo diante da possibilidade de uma presença militar turca mais estruturada em território sírio.

Essa evolução ganhou espaço no debate estratégico israelense em janeiro de 2025, quando o Comitê Nagel, criado para avaliar ameaças à segurança nacional e as necessidades de defesa de Israel, recomendou que o país se preparasse para a possibilidade de um confronto direto com Türkiye. O documento considerou especialmente o cenário de uma Síria fortemente alinhada a Ancara e capaz de adquirir novas capacidades militares com apoio turco.

A recomendação, contudo, não equivale a uma classificação formal de Türkiye como Estado inimigo. A própria discussão israelense diferencia a identificação de um possível adversário estratégico de uma designação jurídica. Essa distinção permanece relevante porque os dois países ainda mantêm canais de comunicação destinados a administrar pontos de atrito e reduzir o risco de incidentes militares.

A dimensão operacional tornou-se mais evidente em 2026. Segundo avaliações publicadas pelo Institute for National Security Studies (INSS), Israel atacou em agosto a área da base de Abu al-Duhur, na província de Idlib, diante de preocupações relacionadas à possibilidade de estabelecimento de presença militar turca no local. O episódio foi acompanhado por esforços diplomáticos e pela manutenção de mecanismos de desconflito entre os dois países, indicando que a competição não eliminou a necessidade de coordenação.

Para Israel, uma das questões centrais está relacionada ao impacto que uma eventual infraestrutura militar turca poderia produzir sobre sua liberdade de ação aérea na Síria. A instalação de sensores, sistemas de defesa aérea ou outras capacidades militares apoiadas por Ancara poderia alterar as condições operacionais existentes no território sírio. Trata-se, portanto, de uma questão diretamente relacionada ao planejamento militar israelense, independentemente das intenções atribuídas à Türkiye.

Do lado turco, a atuação na Síria responde a interesses próprios de segurança e política regional. Ancara busca influenciar a reorganização das instituições sírias, combater ameaças que considera relevantes para sua segurança nacional, preservar sua influência sobre áreas estratégicas e participar da reconstrução do país. A relação com Damasco também envolve interesses econômicos, políticos e de segurança que ultrapassam a relação bilateral com Israel.

A sobreposição desses interesses cria uma situação em que Türkiye e Israel passaram a observar com maior atenção as movimentações um do outro dentro da Síria. Isso não significa, porém, que um confronto direto seja inevitável ou sequer desejado. As duas partes possuem interesses relevantes na preservação de canais de comunicação, especialmente diante da presença de outros atores militares e políticos na região.

A existência de mecanismos de desconflito demonstra justamente essa tentativa de administrar a competição. Türkiye é membro da OTAN e possui uma das maiores forças militares da Aliança, enquanto Israel mantém elevada capacidade militar e uma política de preservação de sua liberdade operacional. Qualquer incidente envolvendo forças dos dois países teria potencial para produzir consequências que ultrapassariam o ambiente sírio.

O cenário atual, portanto, não deve ser interpretado simplesmente como uma transformação de Türkiye em adversário de Israel, mas como uma mudança na natureza da relação entre dois atores regionais cujos interesses passaram a se sobrepor em um espaço estratégico comum. Gaza continua sendo uma fonte importante de divergências políticas, mas a reorganização da Síria acrescentou uma dimensão territorial, militar e geopolítica mais concreta.

A evolução dessa relação dependerá principalmente da configuração que assumirá a nova estrutura de segurança síria, do grau de presença que Türkiye pretende manter no país e de como Israel definirá seus limites operacionais. Por enquanto, a dinâmica combina competição por influência, divergências políticas e mecanismos de contenção, mantendo aberta a possibilidade de diálogo mesmo diante do aumento das tensões.


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Egito diversifica fornecedores e amplia capacidades militares, enquanto modernização chama atenção de Israel

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O Egito passou ao longo da última década por uma ampla renovação de suas Forças Armadas, acompanhada por uma mudança importante na política de aquisição de equipamentos. Em vez de concentrar suas compras em um único fornecedor, o Cairo ampliou a participação de França, Alemanha, Itália, Rússia, China e Coreia do Sul, construindo uma estrutura de defesa baseada em diferentes origens tecnológicas e linhas de suprimento.

A dimensão desse processo aparece nos dados do Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI). Entre 2020 e 2024, o Egito foi o oitavo maior importador mundial de grandes sistemas de armas, responsável por 3,3% das importações globais. Ao mesmo tempo, o volume egípcio caiu 44% em comparação com 2015–19, indicando que a modernização não ocorre simplesmente por aumento contínuo das compras, mas por ciclos de aquisição e substituição de plataformas.

Na aviação de combate, o Rafale tornou-se um dos principais elementos dessa transformação. O Egito contratou inicialmente 24 aeronaves em 2015 e posteriormente mais 30, chegando a 54 exemplares contratados. O primeiro pacote incluiu mísseis MICA, armamento ar-superfície AASM, Exocet e o míssil de cruzeiro SCALP-EG.

O SCALP-EG acrescenta uma capacidade de ataque de longo alcance contra alvos fixos e de elevado valor, utilizando navegação inercial, GPS e referência de terreno. Já o MICA oferece ao Rafale capacidade de combate ar-ar tanto além do alcance visual quanto em distâncias menores. A combinação amplia o emprego do caça para além da função de superioridade aérea, incorporando ataque de precisão e emprego antinavio.

A modernização também alterou a composição da Marinha egípcia. O país incorporou submarinos alemães IKL Type 209, navios de superfície de origem alemã, francesa e italiana e dois navios de assalto anfíbio da classe Mistral. O peso desse segmento é confirmado pelo SIPRI: navios representaram cerca de 65% das importações egípcias de grandes sistemas de armas entre 2020 e 2024.

Essa expansão naval está associada a um ambiente estratégico que inclui o Mediterrâneo Oriental, a proteção de áreas marítimas e energéticas, a situação na Líbia, a guerra no Sudão e as relações com Israel. O próprio SIPRI identifica o fortalecimento das capacidades de longo alcance e navais como uma característica importante das aquisições egípcias recentes.

A diversificação também alcança sistemas terrestres, defesa aérea e aeronaves não tripuladas. O resultado é uma força que combina equipamentos americanos de longa data com sistemas franceses, alemães, italianos, russos, chineses e sul-coreanos. Essa composição reduz a concentração histórica das aquisições e amplia o número de parceiros disponíveis para fornecimento de plataformas, armamentos e tecnologias.

Para o Cairo, essa política ganhou importância depois de episódios que demonstraram os riscos de depender excessivamente de um único fornecedor. O Instituto para Estudos de Segurança Nacional de Israel (INSS) avalia que, durante o governo de Abdel Fattah al-Sisi, o Egito passou a considerar a diversificação das fontes de armamento como parte de sua política de fortalecimento militar e de autonomia estratégica.

É justamente essa combinação de modernização e diversificação que passou a receber maior atenção em Israel. O INSS registrou, em 2025, um debate crescente sobre o aumento da presença militar egípcia no Sinai e sobre a renovação das Forças Armadas, com interpretações distintas entre pesquisadores, especialistas e meios de comunicação israelenses. O instituto, entretanto, também ressalta que essas discussões não significam, por si só, que o Egito esteja preparando uma guerra contra Israel.

A questão do Sinai acrescenta outra dimensão ao debate. Após a intensificação das operações egípcias contra grupos jihadistas na península, Israel passou a autorizar, por meio de mecanismos de coordenação bilateral, determinados níveis de presença militar egípcia superiores aos previstos originalmente nos acordos de paz. O INSS observa que algumas dessas alterações envolveram forças e infraestrutura, tornando o tema sensível para o planejamento israelense.

Ao mesmo tempo, o Egito mantém oficialmente seu compromisso com o tratado de paz de 1979. O próprio INSS destaca declarações públicas de al-Sisi reafirmando o acordo e ressalta que a relação bilateral continua apoiada em mecanismos de coordenação militar. Isso cria uma diferença importante entre a percepção de risco produzida pelo crescimento das capacidades egípcias e uma avaliação de intenção ofensiva, que não pode ser deduzida apenas da modernização do arsenal.

O quadro resultante é, portanto, menos o de uma simples corrida quantitativa por armamentos e mais o de uma transformação da arquitetura militar egípcia. O Cairo passou a operar uma combinação mais ampla de plataformas, fornecedores e tecnologias, enquanto reforça capacidades aéreas, navais e de ataque de longo alcance. Para Israel, essa evolução exige acompanhamento permanente, mas os próprios estudos israelenses distinguem a necessidade de monitorar o crescimento militar egípcio da conclusão de que exista uma intenção declarada de romper o acordo de paz.


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POWERTECH da EDGE, amplia portfólio de motores e mira cadeia industrial na Europa

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A POWERTECH, empresa da EDGE Group criada em 2025, está desenvolvendo uma família própria de motores para drones, mísseis e outras aeronaves, enquanto busca parceiros para formar uma cadeia industrial na Europa. A estratégia combina desenvolvimento de propriedade intelectual nos Emirados Árabes Unidos e na Itália com a possibilidade de produção localizada e transferência de tecnologia para mercados considerados estratégicos.

O plano foi apresentado pelo CEO da POWERTECH, Marian Lubieniecki, durante a MSPO, na Polônia. A empresa participou pela primeira vez da feira e utilizou o evento para negociar com potenciais clientes e fornecedores, colocando o mercado europeu entre os alvos de sua expansão.

A POWERTECH foi criada para fornecer motores tanto às empresas do próprio EDGE Group quanto a clientes externos. Em vez de depender principalmente de projetos licenciados, a companhia afirma estar desenvolvendo internamente os produtos que compõem seu catálogo.

A estrutura atual está dividida entre duas especialidades. Nos Emirados Árabes Unidos, a empresa concentra o desenvolvimento de motores turbojato. Na Itália, mantém uma estrutura de pesquisa e desenvolvimento dedicada aos motores a pistão.

Entre os propulsores a pistão estão modelos de 10, 80 e 145 hp. Eles são destinados principalmente a aeronaves não tripuladas de vigilância, enquanto a POWERTECH também trabalha em motores de menor custo para plataformas descartáveis. Nesse segmento, o objetivo é adequar o propulsor ao perfil da missão, considerando fatores como autonomia, altitude, desempenho e custo por unidade.

A linha de turbojatos inclui atualmente motores de 450 N e 1.000 N de empuxo contínuo para drones e mísseis. A empresa também desenvolve um turbofan de maior porte e prevê acrescentar ao catálogo um modelo de 4.700 N.

A variedade de motores mostra que a POWERTECH não está trabalhando em uma única solução para um único veículo. A proposta é criar uma família de propulsores que possa ser dimensionada conforme a plataforma e a missão, desde sistemas não tripulados de menor porte até aeronaves que demandem maior empuxo.

Para a EDGE Group, esse domínio tem uma consequência direta: maior controle sobre um dos componentes que mais condicionam o desempenho de uma aeronave. Motor, consumo, peso, autonomia e velocidade estão diretamente relacionados, e alterações no sistema de propulsão podem exigir mudanças em toda a arquitetura da plataforma.

A empresa pretende ainda vender seus motores para clientes que não pertencem ao EDGE Group. Esse mercado externo é importante porque permite utilizar a mesma base tecnológica em diferentes programas, ampliando a escala potencial de produção e criando uma fonte adicional de demanda para os propulsores.

A Polônia aparece nesse processo como possível ponto de entrada para a cadeia industrial europeia. Lubieniecki afirmou que a empresa está avaliando diferentes possibilidades no país, mas não anunciou até o momento uma fábrica ou investimento específico.

O interesse polonês está relacionado à existência de uma indústria aeroespacial consolidada, centros de pesquisa e uma cadeia de fornecedores capaz de atender programas de defesa. A POWERTECH também considera empresas de outros setores industriais que possam adaptar suas capacidades aos padrões exigidos pela produção aeronáutica.

A companhia afirma estar disposta a transferir tecnologia e localizar parte da produção. Isso permitiria que fornecedores poloneses participassem não apenas do fornecimento de componentes, mas de uma estrutura industrial mais ampla, caso as negociações avancem.

Entre as áreas avaliadas está o Aviation Valley, polo aeroespacial localizado no sudeste da Polônia e que reúne fabricantes, fornecedores, centros de pesquisa e instituições de ensino. A região pode oferecer à POWERTECH uma base para desenvolver uma cadeia europeia próxima de clientes e parceiros.

A empresa ainda não anunciou uma instalação industrial na Polônia nem um cronograma para produção local. Por enquanto, o projeto combina o desenvolvimento de motores próprios com a busca por fornecedores e parceiros capazes de sustentar uma futura cadeia europeia de produção.´


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