quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Xmobots amplia capacidade nacional e transforma drones em sistemas de Defesa

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Desenvolver uma aeronave não tripulada para emprego militar é apenas uma parte de um desafio muito maior. A plataforma precisa voar de forma autônoma, navegar em ambientes degradados, transmitir dados com segurança, integrar sensores, processar informações e, sobretudo, permanecer evoluindo depois de entrar em serviço. É justamente nessa combinação entre aeronave, software, sensores e sistemas de missão que a indústria brasileira vem buscando construir autonomia, e a Xmobots se tornou um dos exemplos mais avançados desse movimento.

Fundada em 2007 e sediada em São Carlos (SP), a empresa atua no desenvolvimento de sistemas robóticos e aeroespaciais e já colocou suas plataformas em operação junto ao Exército Brasileiro e à Marinha do Brasil, além de instituições como o Censipam e a Receita Federal. A companhia possui cerca de 500 funcionários, dos quais mais de 250 são engenheiros de diferentes especialidades, estrutura que sustenta uma estratégia baseada no desenvolvimento de tecnologias próprias e na integração vertical de diferentes áreas de engenharia.

Os números dos investimentos ajudam a dimensionar essa trajetória. Entre 2010 e 2022, foram aproximadamente R$ 11 milhões destinados a pesquisa e desenvolvimento, com apoio de instituições como FAPESP, Finep e CNPq. A partir de 2022, a empresa direcionou outros R$ 209 milhões para projetos voltados a Defesa e Segurança, envolvendo parceiros como Finep, ANP, Petrobras, Repsol, Petronas e MBDA. Somados, os investimentos ultrapassam R$ 220 milhões e mostram uma mudança de escala no esforço de desenvolvimento tecnológico.

Mais do que produzir aeronaves, a estratégia da Xmobots é controlar uma parcela significativa da tecnologia que está dentro delas. Aviônicos, software, navegação, controle de voo, comunicação, sensores, inteligência artificial, sistemas de energia e estruturas são desenvolvidos e integrados dentro de uma mesma arquitetura. Essa verticalização permite reduzir dependências externas, acelerar modificações e manter no país o conhecimento necessário para sustentar os sistemas depois de entregues.

Essa característica ganha importância quando se observa a evolução da Família Nauru. Em vez de uma única plataforma, a empresa desenvolveu uma arquitetura capaz de atender diferentes faixas de peso e missões, criando uma espécie de ecossistema de sistemas não tripulados que vai desde aeronaves leves para reconhecimento até plataformas de maior porte, com capacidade de permanecer horas em operação.

O Nauru 100D é o menor dos principais sistemas da família. Com nove quilos e tecnologia eVTOL, foi concebido para inteligência, vigilância, reconhecimento e aquisição de alvos, com autonomia de até duas horas e alcance de até 30 quilômetros. A plataforma, entretanto, já ultrapassou o conceito de um simples drone de observação. Sua arquitetura deu origem ao Nauru 100D UCAV, desenvolvido para emprego de munições e apresentado ao Alto Comando do Exército em 2026.

Em uma demonstração realizada com as configurações ISR e UCAV trabalhando de forma coordenada, o sistema alcançou o alvo com precisão de 1,4 metro. O resultado é significativo porque envolve muito mais do que a capacidade de lançar uma munição. A aeronave precisa identificar ou receber a posição do alvo, calcular a solução de ataque, compensar variáveis como vento e velocidade, realizar o lançamento e retornar para uma nova missão. É a passagem de uma plataforma de vigilância para um sistema de combate reutilizável.

A mesma arquitetura tecnológica também pode ser encontrada no Nauru 500C ISR. Com 25 quilos, autonomia de até quatro horas e alcance de até 60 quilômetros, a aeronave foi o primeiro VTOL autorizado pela ANAC para operações BVLOS no Brasil, incluindo voos noturnos, em uma demonstração de que tecnologias originalmente desenvolvidas para aplicações militares também podem alcançar níveis de maturidade compatíveis com operações civis complexas.

O Nauru 500C já acumula emprego por instituições como Censipam, Marinha do Brasil e Polícia Militar de Santa Catarina. No setor privado, também encontrou aplicação em atividades de monitoramento ambiental e de infraestrutura. Uma das empresas usuárias acumulou 900 horas de voo durante 2025 e já havia registrado outras 530 horas em 2026, utilizando a plataforma em missões de identificação de invasões e focos de incêndio.

Em uma categoria superior está o Nauru 1000C ISTAR, com 181 quilos, autonomia de até dez horas e alcance entre 60 e 120 quilômetros. O primeiro sistema foi entregue ao Exército Brasileiro em dezembro de 2022 para o 1º Batalhão de Aviação do Exército, em Taubaté. Depois de passar pelas avaliações técnica e operacional do Centro de Avaliações do Exército, concluídas em julho de 2024, e pela experimentação doutrinária, encerrada em dezembro daquele ano, a plataforma passou a participar de exercícios e atividades operacionais da Força.

O Nauru 1000C esteve, entre outras atividades, nas operações Perseu, em novembro de 2024, e IVR, em março de 2025, esta última reunindo Exército, Marinha e Força Aérea. A experiência acumulada pela família já alcança aproximadamente 5 mil horas de voo e 5 mil operações, distribuídas entre diferentes versões e perfis de emprego. Para uma indústria em processo de consolidação, esse histórico operacional tem valor que vai além das estatísticas, porque permite transformar dados de emprego em melhorias de projeto.

É nesse ponto que entra outro componente importante da estratégia da empresa: o desenvolvimento dos sensores. O XSIS 222A é um sistema de imageamento giroestabilizado criado no Brasil para o Nauru 1000C, mas concebido também para integração em aeronaves tripuladas, como helicópteros AS350. Com cerca de seis quilos, reúne sensores eletro-ópticos e infravermelhos, telêmetro a laser, transmissão de vídeo em tempo real e recursos de inteligência artificial para detecção, classificação e acompanhamento de alvos.

A modularidade do XSIS permite que o equipamento seja transferido entre plataformas previamente preparadas, característica que pode ser particularmente interessante para operadores militares que precisam adaptar rapidamente seus meios a diferentes missões. A lógica também reforça a ideia de que a Xmobots está desenvolvendo não apenas aeronaves, mas componentes de uma arquitetura mais ampla de inteligência, vigilância e reconhecimento.

Essa arquitetura inclui ainda sistemas próprios de comando e controle, como o XCockpit e o XSIS Manager, além de soluções de gerenciamento automático de bordo, fusão de sensores por Filtro de Kalman Estendido e algoritmos de controle de voo. Na comunicação, a empresa utiliza enlaces SDR com salto de frequência, enquanto trabalha no desenvolvimento de tecnologias destinadas a aumentar a resiliência da navegação em ambientes nos quais o GPS possa ser bloqueado ou sofrer interferência.

Uma das frentes mais relevantes é a navegação visual, que utiliza câmeras e inteligência artificial para orientar a aeronave por meio de casamento de imagens e odometria visual. A tecnologia busca permitir que o sistema continue navegando mesmo diante de perda ou degradação do sinal de satélite, um requisito que ganha importância à medida que os drones passam a operar em ambientes onde a guerra eletrônica pode comprometer os sistemas convencionais de posicionamento.

A empresa também trabalha com baterias de alta densidade, estruturas em materiais compósitos e processos de manufatura aditiva e injeção plástica. Embora sejam tecnologias menos visíveis que um sensor ou um armamento, elas interferem diretamente no desempenho das aeronaves, na capacidade de carga, na autonomia, na manutenção e no custo de produção. O objetivo é criar uma cadeia capaz de escalar a fabricação sem perder a flexibilidade necessária para adaptar as plataformas.

A capacidade industrial instalada já supera 2 mil unidades por ano considerando diferentes plataformas e componentes. Essa escala é importante porque um dos desafios da indústria brasileira de sistemas não tripulados não está apenas em desenvolver um protótipo funcional, mas em conseguir produzir, manter e atualizar dezenas ou centenas de sistemas de maneira economicamente sustentável.

A estratégia da Xmobots, contudo, não se limita ao desenvolvimento doméstico. A empresa também vem utilizando a cooperação internacional para acelerar o acesso a determinadas tecnologias e ampliar a capacidade de seus projetos. Um dos exemplos mais relevantes é a parceria estabelecida em 2022 com a MBDA para estudar a integração do Enforcer Air ao Nauru 1000C.

A aproximação com a MBDA levou para o programa brasileiro a experiência de uma empresa especializada na integração e desenvolvimento de sistemas de mísseis. Mais importante que a configuração específica estudada é o conhecimento adquirido sobre os desafios de integrar armamento a uma plataforma não tripulada, incluindo interfaces, segurança, operação e requisitos de missão. Essa experiência também contribuiu para a evolução das configurações armadas da Família Nauru.

A cooperação internacional aparece também nos projetos de pesquisa e desenvolvimento ligados ao setor de energia. Petrobras, Repsol e Petronas estão entre as empresas que participaram de iniciativas envolvendo a Xmobots, mostrando como tecnologias desenvolvidas para ambientes de Defesa podem encontrar aplicações em operações industriais de elevada complexidade.

O exemplo mais concreto está no programa iniciado em 2026 pela Xmobots em parceria com a Marinha do Brasil e a Petrobras, estimado em R$ 50 milhões, para adaptar a Família Nauru ao ambiente naval e offshore. A iniciativa exige modificações estruturais e operacionais para lidar com salinidade, umidade, comunicação por satélite e operações embarcadas, incluindo pouso e decolagem a partir de plataformas móveis.

A adaptação para o ambiente marítimo pode representar um passo importante para a família, porque amplia o espaço de emprego das aeronaves para além das operações terrestres. Ao mesmo tempo, cria uma convergência entre necessidades militares e civis: monitorar uma área marítima, acompanhar uma infraestrutura offshore ou realizar vigilância sobre uma instalação naval exige sensores, autonomia, comunicações e capacidade de operar em ambientes onde o acesso humano é mais complexo.

Essa convergência também pode ajudar a sustentar economicamente a tecnologia. Uma plataforma capaz de atender simultaneamente a requisitos militares, de segurança pública, proteção ambiental e operações offshore possui um mercado potencialmente maior, o que pode contribuir para aumentar a escala de produção e reduzir o custo unitário dos sistemas.

No campo militar, a empresa já trabalha sobre essa base para ampliar o espectro de capacidades. Um dos projetos é o Nauru 1000C Armado, evolução do ISTAR para missões de ataque. Entre as arquiteturas estudadas está o conceito de ataque em mergulho, no qual uma aeronave de reconhecimento identifica e acompanha o alvo e fornece informações para que a plataforma armada calcule sua trajetória de ataque.

Outra frente é o Nauru 100D Swarm, que leva a lógica de emprego dos drones para um nível diferente. Em vez de uma aeronave operando isoladamente, a proposta envolve múltiplos sistemas compartilhando informações e executando tarefas coordenadas. No conceito atualmente em desenvolvimento, três aeronaves podem atuar na aquisição de informações e alvos, enquanto outras 27 integram a arquitetura de emprego coordenado.

O objetivo é transformar a quantidade de aeronaves em uma capacidade operacional distribuída. Em uma situação real, a perda de uma plataforma não significaria necessariamente a perda da missão, enquanto as demais poderiam continuar compartilhando informações e redistribuindo tarefas. É uma mudança de conceito que acompanha uma tendência observada em diferentes programas internacionais de sistemas não tripulados.

Em uma categoria ainda maior está o Nauru 3000D, plataforma VTOL de propulsão híbrida e autonomia projetada de até 14 horas. A aeronave está sendo concebida com arquitetura modular para diferentes configurações, incluindo ISTAR, transporte de carga e transporte de pessoal. A proposta é utilizar uma mesma plataforma-base para diferentes missões, alterando os módulos de acordo com a necessidade do operador.

A empresa também trabalha nas próximas gerações dos Nauru 500D e 1000D, incorporando tecnologias desenvolvidas e validadas nas plataformas atuais, com maior atenção à eletrificação e à nacionalização de componentes. Entre os objetivos estão o desenvolvimento de motores elétricos brushless, geradores a combustão e componentes em materiais compósitos produzidos com parceiros nacionais.

Esse processo também explica a criação da Xmobots Defense, apresentada em 2025 para concentrar as atividades destinadas ao setor militar e aos clientes internacionais. A estrutura reúne equipes e competências voltadas especificamente aos requisitos das Forças Armadas, acompanhando a transformação de uma empresa originalmente associada ao mercado de drones civis para uma companhia com atuação crescente em sistemas de Defesa.

À frente dessa estratégia está Reinaldo de Campos Gonçalves Junior, diretor de Defesa da Xmobots, profissional com experiência em diferentes empresas do setor. Para a companhia, a meta é que a capacidade construída não termine na entrega de uma aeronave, mas permaneça no país por meio do domínio da engenharia, produção, integração, treinamento, manutenção e evolução tecnológica.

É justamente essa dimensão que torna o movimento da Xmobots relevante para a Base Industrial de Defesa. O valor de um sistema não está apenas na aeronave que decola, mas no conhecimento necessário para projetá-la, fabricá-la, atualizá-la e mantê-la operacional durante anos. Quanto maior o domínio nacional sobre esses elementos, menor a exposição a restrições externas e maior a liberdade do usuário para adaptar o sistema às suas próprias necessidades.

A trajetória da Família Nauru mostra que essa construção já ultrapassou a fase de protótipos isolados. Há aeronaves empregadas pelo poder público, sistemas avaliados e utilizados pelo Exército, projetos em parceria com a Marinha e a Petrobras, cooperação com uma das maiores empresas mundiais de mísseis e uma nova geração de plataformas em desenvolvimento.

O próximo desafio será transformar essa capacidade tecnológica em escala e continuidade. Para as Forças Armadas, isso significa mais do que incorporar drones: significa estabelecer uma capacidade nacional capaz de acompanhar a rápida evolução desse tipo de sistema. Para a indústria, significa provar que os investimentos realizados em engenharia podem resultar em uma família de produtos sustentável, exportável e capaz de evoluir conforme as necessidades operacionais.

A Xmobots está, portanto, tentando ocupar um espaço que vai além do mercado de aeronaves remotamente pilotadas. Ao combinar plataformas próprias, sensores, software, sistemas de missão, inteligência artificial, cooperação internacional e aplicações civis e militares, a empresa busca construir uma arquitetura tecnológica brasileira capaz de atender diferentes missões a partir de uma mesma base de conhecimento. É esse domínio sobre a tecnologia, mais do que qualquer modelo específico de drone, que pode definir a relevância da empresa para a próxima geração de sistemas não tripulados no Brasil.

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Força de Emprego de Prontidão da 11ª Brigada de Infantaria Mecanizada realiza exercício com tiro real

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A 11ª Brigada de Infantaria Mecanizada realizou, entre os dias 21 e 28 de agosto, um Exercício Tático com Tiro Real nos níveis Pelotão e Subunidade. A atividade reuniu diferentes etapas de preparação, desde os aprontos operacionais e procedimentos de segurança até o planejamento e a execução dos fogos, permitindo avaliar a atuação das frações em uma situação mais próxima das condições de emprego operacional.

O exercício começou com os briefings de segurança e os aprontos das tropas, quando foram verificados o pessoal, os equipamentos e os armamentos que seriam empregados. Além da preparação material, essa fase serviu para alinhar as missões e os procedimentos que seriam executados posteriormente no terreno.

Na sequência, os militares passaram pelos planejamentos e coordenações de fogos e realizaram exercícios táticos a seco. O objetivo foi trabalhar a sequência das ações antes da utilização da munição real, permitindo às frações ajustar deslocamentos, ocupação de posições, comunicações e coordenação entre os elementos envolvidos.

A preparação incluiu ainda o nivelamento dos Observadores e Controladores de Adestramento e a verificação dos armamentos individuais e coletivos. Esses procedimentos permitiram acompanhar o desempenho das tropas durante as diferentes fases e estabelecer parâmetros para a avaliação posterior do exercício.

A etapa de tiro real concentrou a parte mais exigente do treinamento. Com munição real, os Pelotões e Subunidades precisaram executar os procedimentos previamente planejados, ocupando posições, coordenando seus movimentos e realizando os fogos dentro dos parâmetros estabelecidos. A atividade também permitiu observar o comportamento dos sistemas de comando e controle durante a execução das ações.

Para uma tropa mecanizada, a integração desses elementos é particularmente relevante. O emprego dos meios de mobilidade precisa estar coordenado com a atuação das frações de Infantaria, o apoio aos elementos em ação e o controle dos fogos. No exercício, essa dinâmica foi trabalhada em diferentes níveis, permitindo verificar como as decisões tomadas no planejamento eram traduzidas em ações no terreno.

O treinamento faz parte do ciclo operacional da 11ª Brigada de Infantaria Mecanizada e está relacionado ao processo de preparação previsto pelo Projeto Força 40. A proposta é que exercícios desse tipo contribuam para adaptar a formação e o adestramento das tropas às características dos ambientes operacionais projetados para as próximas décadas, nos quais a combinação entre mobilidade, sensores, comunicações, comando e controle e poder de fogo tende a ser cada vez mais importante.

A realização do tiro real também permite identificar diferenças entre o que está previsto nos planejamentos e aquilo que efetivamente acontece durante a execução. Tempos de resposta, coordenação entre as frações, comunicações, ocupação das posições e emprego dos armamentos são alguns dos aspectos que podem ser observados e posteriormente utilizados para corrigir procedimentos e orientar os próximos ciclos de treinamento.

Ao concluir o exercício, a 11ª Brigada de Infantaria Mecanizada acumulou mais uma etapa de treinamento envolvendo seus escalões de combate, mantendo a tropa em um ciclo contínuo de preparação e avaliação. A combinação entre exercícios a seco e tiro real permite que os procedimentos sejam primeiro treinados e ajustados e, posteriormente, colocados à prova em condições mais próximas da realidade operacional.


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com Exército Brasileiro

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Embraer entrega 2.000º E-Jet e consolida programa entre os maiores da aviação comercial

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E195-E2 entregue à Azul marca duas décadas de evolução da família que já opera em mais de 60 países e transportou 2,85 bilhões de passageiros

A Embraer alcançou nesta semana a marca de 2.000 aeronaves entregues da família E-Jet, consolidando um dos programas mais bem-sucedidos da história recente da aviação comercial. O marco foi celebrado com a entrega de um E195-E2 à Azul Linhas Aéreas, companhia que se tornou uma das principais operadoras da família e teve papel importante na evolução do programa.

Desde a entrada em operação do primeiro E-Jet, em 2004, a família transformou o segmento de aeronaves comerciais de menor porte ao combinar capacidade, eficiência operacional e conforto em uma categoria que passou a atender não apenas rotas regionais, mas também ligações de maior alcance. Ao longo de duas décadas, mais de 90 companhias aéreas em mais de 60 países incorporaram diferentes versões do E-Jet às suas frotas.

A dimensão alcançada pelo programa também pode ser medida pelas horas de voo acumuladas. Segundo a Embraer, a família já ultrapassou 48 milhões de horas em operação e transportou mais de 2,85 bilhões de passageiros, números que ajudam a explicar a maturidade alcançada pela plataforma e sua presença consolidada no mercado internacional.

A relação com a Azul é particularmente significativa. A companhia opera aeronaves da família desde 2008 e foi cliente de lançamento do E195-E2, cuja primeira unidade recebeu em 2019. A aeronave comemorativa da marca de 2.000 entregas é justamente o 50º E2 da empresa, reforçando uma parceria que acompanha diferentes fases da evolução do programa.

O E195-E2 representa a segunda geração dos E-Jets, desenvolvida para ampliar eficiência, alcance e capacidade operacional em relação à primeira geração, formada pelos E170, E175, E190 e E195. A evolução permitiu à Embraer disputar de forma mais direta um segmento situado entre os jatos regionais tradicionais e os narrowbodies maiores, oferecendo às companhias aéreas uma alternativa para mercados nos quais aeronaves de maior capacidade nem sempre apresentam a mesma eficiência.

Mais do que uma sucessão de versões, a trajetória dos E-Jets mostra a consolidação de uma arquitetura de aeronave que ganhou escala mundial. A produção de 2.000 unidades cria uma base operacional extensa, com cadeia de fornecedores, conhecimento de manutenção e grande quantidade de aeronaves em serviço, fatores que ajudam a sustentar a competitividade da família por muitos anos.

A experiência da Embraer no segmento militar também ajuda a dimensionar esse potencial. A empresa já transformou plataformas da família ERJ-145 em aeronaves especializadas, como os E-99 e R-99 operados pela Força Aérea Brasileira e o Netra desenvolvido para a Índia. Essa trajetória mostra que a experiência acumulada na integração de sensores e sistemas de missão pode ser aproveitada em novas plataformas.

É nesse contexto que os E-Jets também podem abrir espaço para futuras aplicações militares, desde inteligência, vigilância e reconhecimento até guerra eletrônica, comando e controle e, eventualmente, uma configuração de patrulha marítima. Não há hoje um programa formal nesse sentido, mas a maturidade da família, sua autonomia e capacidade de receber sistemas especializados tornam essa possibilidade tecnicamente plausível.

Assim, os 2.000 E-Jets entregues representam não apenas a dimensão comercial alcançada pela Embraer, mas também uma base industrial que pode continuar gerando novas soluções para o mercado de defesa. A combinação entre uma plataforma consolidada e a experiência brasileira em integração de sistemas mantém aberta uma perspectiva que vai muito além da aviação comercial.


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Avionics Services apresenta soluções de engenharia e modernização aeronáutica no Brasília Air Show

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A Avionics Services participa neste sábado (5) do Brasília Air Show 2026, realizado na Base Aérea de Brasília, apresentando soluções voltadas à engenharia aeronáutica, modernização de aeronaves, integração de sistemas e certificação. O evento, que integra a 1ª Expo de Aviação & Tecnologia, reúne empresas, profissionais e representantes dos setores de aviação, tecnologia e indústria aeronáutica.

Entre as capacidades apresentadas pela empresa estão projetos de modernização de aviônicos, sistemas de navegação e comunicação, conectividade em voo, equipamentos eletrônicos embarcados e integração de diferentes sistemas em aeronaves. A atuação abrange aplicações civis e militares, incluindo projetos de retrofit e atualização de plataformas em operação.

A empresa também apresenta sua experiência em desenvolvimento e certificação aeronáutica. Ao longo de três décadas, a Avionics Services acumulou projetos realizados no Brasil e no exterior e mais de 600 processos conduzidos junto à Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), segundo a companhia. A empresa mantém ainda certificações da ANAC e da Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA), além de reconhecimento do Ministério da Defesa como Empresa Estratégica de Defesa (EED).

Outro segmento do portfólio envolve aeronaves não tripuladas. Entre as soluções está o CAÇADOR II, VANT Classe 4 destinado a aplicações civis e militares, incluindo monitoramento, vigilância, proteção de infraestrutura crítica, busca e salvamento e apoio às operações de segurança pública.

A participação no Brasília Air Show ocorre em um momento em que a modernização de plataformas existentes ganha importância tanto no mercado civil quanto no setor de defesa. A atualização de aviônicos, sistemas de comunicação e navegação e outros equipamentos embarcados permite ampliar a vida útil de aeronaves e incorporar novas capacidades sem necessariamente recorrer à substituição completa da plataforma.

Esse tipo de trabalho também exige integração entre engenharia, requisitos operacionais e processos de certificação. Nesse campo, a empresa afirma possuir mais de 70 soluções próprias destinadas a aplicações aeronáuticas, submetidas a processos de testes e qualificação, além de atuar em projetos relacionados a fabricantes como Embraer e Airbus.

Para a indústria brasileira, a capacidade de realizar internamente etapas de engenharia, integração e certificação representa um componente importante da autonomia tecnológica. Em programas de modernização de aeronaves, o domínio desses processos permite adaptar equipamentos e sistemas às necessidades específicas do operador e às exigências das autoridades aeronáuticas.

O Brasília Air Show reúne, além da exposição de empresas e tecnologias, aeronaves da Força Aérea Brasileira, palestras e apresentações voltadas à inovação. A realização do evento na Base Aérea de Brasília também cria um ambiente de aproximação entre a indústria, instituições públicas e profissionais dos setores aeronáutico e de defesa.

Com atuação nos mercados civil e militar, a Avionics Services utiliza o evento para apresentar uma área de engenharia que normalmente permanece menos visível ao público, mas que possui papel direto na capacidade de manter, atualizar e certificar aeronaves em operação. A modernização de aviônicos, a integração de sistemas e a certificação são hoje componentes fundamentais para prolongar o ciclo de vida das plataformas e incorporar novas tecnologias ao setor aeronáutico.


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ASELSAN demonstra família TOLUN em ataques contra diferentes tipos de alvos

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A ASELSAN realizou em 1º de setembro, no Campo de Testes de Tiro de Konya Karapınar, na Türkiye, uma demonstração da família de munições TOLUN, apresentando diferentes configurações para ataques de precisão contra alvos distintos. O evento contou com a participação de oficiais militares de mais de 15 países e utilizou o Bayraktar Akıncı como plataforma de lançamento.

Durante a demonstração, foram empregados os modelos TOLUN I, TOLUN F e TOLUN P, cada um configurado com diferentes combinações de ogiva e espoleta. Os testes buscaram evidenciar justamente a capacidade da família de adaptar o efeito produzido ao tipo de alvo, ampliando as possibilidades de emprego de uma mesma arquitetura de munição.

O TOLUN I, equipado com espoleta de impacto e ogiva de fragmentação, atingiu diretamente um contêiner utilizado como alvo. Já o TOLUN F empregou sensor de proximidade associado a uma ogiva de fragmentação e foi utilizado contra um veículo blindado de transporte de pessoal, configuração destinada a produzir efeitos contra alvos e elementos localizados nas proximidades.

O TOLUN F também incorpora recursos destinados a ampliar sua flexibilidade operacional, incluindo a possibilidade de selecionar o ângulo de impacto e um software desenvolvido para aumentar a resistência à falsificação do sinal GPS. Esses recursos permitem adaptar o emprego da munição às características da missão e às condições do ambiente operacional.

O terceiro modelo apresentado foi o TOLUN P, desenvolvido para enfrentar alvos protegidos. Durante o teste, a munição utilizou uma espoleta de retardo programável e uma ogiva penetrante, atravessando uma estrutura de concreto de dois andares e atingindo os elementos localizados na camada designada. A ASELSAN também empregou sua espoleta ASAF, desenvolvida para alvos reforçados, demonstrando a capacidade do sistema contra estruturas de concreto armado.

Um dos aspectos mais relevantes da família TOLUN está na possibilidade de emprego de múltiplas munições por meio do sistema de ejeção SADAK-4T, também desenvolvido pela ASELSAN. A solução permite transportar vários exemplares em uma plataforma aérea e realizar ataques contra um ou mais alvos durante uma mesma missão.

Essa característica amplia o conceito de emprego da munição para além do ataque individual. Uma única aeronave equipada com o sistema pode transportar diferentes munições e, dependendo da configuração adotada, engajar alvos de características distintas. Na prática, isso aumenta a flexibilidade para missões nas quais a identificação dos alvos e os efeitos necessários podem variar durante a operação.

A demonstração também evidencia uma tendência observada no desenvolvimento de armamentos aéreos modernos: a combinação entre precisão de guiamento, sensores, sistemas de espoletamento e diferentes tipos de ogiva para produzir efeitos específicos. Em vez de uma única munição destinada a uma categoria ampla de alvos, a família TOLUN procura oferecer diferentes soluções dentro de uma mesma arquitetura de emprego.

O sistema foi apresentado ainda com capacidade de operação em diferentes condições de iluminação e meteorologia, combinando guiamento de precisão com tecnologias de espoletagem e ogivas desenvolvidas para diferentes efeitos. A integração com plataformas como o Bayraktar Akıncı reforça a tendência de ampliar o emprego de aeronaves remotamente pilotadas em missões de ataque de maior alcance e precisão.

Para a indústria de defesa da Türkiye, a demonstração representa também uma oportunidade de apresentar aos potenciais usuários estrangeiros uma família de armamentos que pode ser integrada a plataformas aéreas modernas e empregada contra diferentes categorias de alvos. A presença de representantes militares de mais de 15 países durante o evento evidencia o interesse em transformar essas capacidades em soluções disponíveis para diferentes operadores.

A família TOLUN passa, assim, a apresentar uma proposta baseada não apenas na precisão do ataque, mas na possibilidade de selecionar o efeito adequado para cada missão. Os testes realizados em Konya Karapınar mostraram, em condições reais de emprego, como diferentes configurações de espoletas e ogivas podem ser combinadas dentro da mesma família para ampliar o espectro de alvos e as opções disponíveis ao planejador da missão.


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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Gripen F realiza primeiro voo e entra na campanha de testes

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"Caça biposto desenvolvido em parceria entre Brasil e Suécia inicia nova etapa antes da entrega à Força Aérea Brasileira"

A Saab realizou em 28 de agosto o primeiro voo do Gripen F, versão biposto do caça F-39E Gripen desenvolvida em parceria com o Brasil. A aeronave decolou do aeródromo da empresa em Linköping, na Suécia, às 9h40 no horário local (4h40 em Brasília), e permaneceu no ar durante 40 minutos.

O voo inaugural foi conduzido pelo piloto-chefe de testes da Saab, Jakob Högberg, e pelo Tenente-Coronel Aviador Abdon de Rezende Vasconcelos, piloto de testes da Força Aérea Brasileira. Durante a atividade, foram avaliadas a funcionalidade dos principais sistemas e as características iniciais de voo da aeronave.

Com a conclusão do primeiro voo, o Gripen F entra oficialmente na campanha de ensaios em voo. A próxima etapa será marcada pela expansão progressiva do envelope de voo, após os procedimentos iniciais de aceitação da produção. Os ensaios serão conduzidos pelo Centro de Ensaios em Voo da Saab, na Suécia.

A previsão é que, após a conclusão das atividades planejadas e dos procedimentos de aceitação, a aeronave seja preparada para entrega à Força Aérea Brasileira. O avanço representa mais uma etapa na consolidação da variante de dois lugares, que mantém as características fundamentais do Gripen E, mas acrescenta uma segunda posição para emprego em missões de treinamento e outras atividades operacionais.

O desenvolvimento do Gripen F possui ainda uma particularidade dentro do Programa Gripen Brasileiro. O Brasil participa diretamente do desenvolvimento da aeronave e atua como cliente lançador da variante biposto, resultado da cooperação estabelecida entre Saab e a indústria brasileira.

Mais de 350 engenheiros, técnicos e pilotos brasileiros já participaram de atividades relacionadas ao desenvolvimento, produção, ensaios em voo e manutenção do Gripen. Essa participação amplia o conteúdo tecnológico absorvido pelo país e mantém a indústria brasileira integrada a etapas críticas do ciclo de vida da aeronave.

Além da função de formação e qualificação de pilotos, a configuração biposto amplia as possibilidades de emprego do Gripen F dentro da estrutura da Força Aérea. A segunda cabine permite maior flexibilidade para atividades de treinamento avançado, conversão operacional e determinadas missões que demandem a presença de dois tripulantes.

O primeiro voo também representa um marco para o próprio processo de transferência de tecnologia associado ao programa. O desenvolvimento do Gripen F ocorre em um ambiente no qual empresas e profissionais brasileiros participam diretamente de atividades que vão além da fabricação de componentes, envolvendo engenharia, integração, testes e suporte ao ciclo de vida do caça.

A partir de agora, o foco passa a ser a campanha de testes e a ampliação gradual das capacidades e dos parâmetros de operação da aeronave. O sucesso dessa etapa será determinante para que o primeiro Gripen F brasileiro avance até a aceitação e posterior incorporação à FAB, completando mais uma fase do programa que colocou a indústria brasileira dentro do processo de desenvolvimento de um caça de combate de quarta geração avançada.



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MTG-I2 é lançado com sucesso e amplia capacidade europeia de monitoramento meteorológico

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Segundo satélite de imagens da terceira geração do Meteosat terá capacidade de atualizar imagens da Europa a cada 2,5 minutos e integra uma nova arquitetura de observação em órbita geoestacionária

O satélite meteorológico MTG-I2 foi lançado com sucesso nesta quarta-feira (2) pela Arianespace, a bordo de um foguete Ariane 62, a partir do Porto Espacial Europeu, na Guiana Francesa. Construído pela Thales Alenia Space, o satélite é o segundo equipamento de imageamento do programa Meteosat de Terceira Geração (MTG) e terá papel importante na ampliação da capacidade europeia de monitoramento e previsão de fenômenos meteorológicos extremos.

O programa é desenvolvido em uma parceria entre a Agência Espacial Europeia (ESA) e a EUMETSAT e foi concebido para garantir a continuidade e a evolução do monitoramento meteorológico de alta resolução sobre a Europa e a África nas próximas décadas. Os satélites da família MTG operarão em órbita geoestacionária, a aproximadamente 36 mil quilômetros de altitude, permitindo observação contínua de grandes áreas do planeta.

O MTG-I2 se juntará ao Meteosat-12, também conhecido como MTG-I1, lançado em dezembro de 2022, e ao MTG-S1, satélite de sondagem atmosférica colocado em órbita em julho de 2025. Com os três equipamentos, a primeira constelação do sistema Meteosat de Terceira Geração passa a combinar diferentes capacidades de observação, reunindo imagens de alta resolução e dados atmosféricos destinados a melhorar os modelos e a previsão meteorológica.

A principal diferença proporcionada pelo MTG-I2 está na frequência de atualização das imagens. Enquanto o Meteosat-12 realiza imagens da Europa e da África a cada 10 minutos, o novo satélite poderá operar em um modo rápido capaz de produzir imagens da Europa a cada 2,5 minutos. Essa frequência é particularmente relevante para o chamado nowcasting, utilizado para acompanhar a evolução de fenômenos meteorológicos que podem se desenvolver rapidamente.

O satélite é equipado com o Flexible Combined Imager (FCI), instrumento de nova geração que trabalha em 16 bandas espectrais e consegue produzir uma imagem completa do disco terrestre em aproximadamente 10 minutos. A resolução espacial também foi aprimorada, situando-se entre 500 metros e 1 quilômetro, permitindo maior nível de detalhamento na identificação e no acompanhamento de sistemas meteorológicos.

A combinação entre frequência de atualização, resolução espacial e número de bandas espectrais permite acompanhar com maior precisão a formação e a evolução de tempestades, sistemas convectivos e outros fenômenos capazes de provocar impactos significativos em curtos períodos. No caso de tempestades severas, por exemplo, a redução do intervalo entre imagens pode fornecer aos serviços meteorológicos informações adicionais para identificar rapidamente mudanças na estrutura e no deslocamento dos sistemas.

O MTG-I2 também terá sua capacidade complementada pelo MTG-S1, responsável pela sondagem atmosférica. Enquanto os satélites de imagem permitem observar continuamente a evolução dos sistemas meteorológicos, os dados de sondagem fornecem informações sobre a estrutura da atmosfera. A integração dessas duas fontes amplia a quantidade e a qualidade dos dados disponíveis para os centros responsáveis pela previsão meteorológica.

Essa capacidade possui implicações que ultrapassam a meteorologia convencional. A antecipação de tempestades severas, chuvas intensas e outros eventos extremos é diretamente relacionada à preparação de sistemas de defesa civil, aviação, navegação, infraestrutura e serviços essenciais. Quanto maior a capacidade de identificar antecipadamente a formação e a evolução desses fenômenos, maior é a possibilidade de reduzir seus impactos por meio de alertas e medidas preventivas.

A evolução também reflete cinco décadas de desenvolvimento do sistema Meteosat. Desde 1977, os satélites da família fornecem dados meteorológicos para a Europa e a África. Na primeira geração, as imagens eram atualizadas a cada 30 minutos. Esse intervalo caiu para 15 minutos com a segunda geração e chega agora a 10 minutos no modo de observação completa com a terceira geração, enquanto o modo rápido destinado à Europa reduz a atualização para apenas 2,5 minutos.

A Thales Alenia Space, joint venture formada pela Thales, com 67%, e pela Leonardo, com 33%, atua como principal contratada do programa MTG em nome da ESA, mantendo participação no desenvolvimento das três gerações do Meteosat. A empresa também trabalha em parceria com a OHB na construção dos satélites da terceira geração.

A participação industrial se estende ao segmento terrestre. A Thales Alenia Space é responsável pelo projeto e construção do componente de processamento de primeiro nível dos dados de imagem para a EUMETSAT, enquanto a Thales atua no processamento de segundo nível dos dados provenientes dos instrumentos de imagem e sondagem. Esses dados são posteriormente distribuídos pela EUMETSAT às instituições meteorológicas dos países participantes.

A Telespazio, joint venture entre Leonardo e Thales, também participa do programa, fornecendo serviços relacionados ao lançamento e à fase inicial de órbita do MTG-I2, além de ter desempenhado funções semelhantes nos lançamentos do Meteosat-12 e do MTG-S1. A empresa também fornece componentes do segmento terrestre destinados à aquisição de dados e ao comando e controle dos satélites.

O MTG-I2 terá vida útil nominal de 8,5 anos e, ao lado do Meteosat-12 e do MTG-S1, formará a primeira configuração operacional do sistema Meteosat de Terceira Geração. Ao final da vida útil desses satélites, a arquitetura deverá ser renovada por uma nova constelação formada por dois satélites de imagem e um de sondagem, com lançamentos previstos para depois de 2033.

A evolução do Meteosat mostra como a capacidade de observação meteorológica depende cada vez mais da integração entre sensores espaciais, processamento de dados e sistemas de previsão. O ganho proporcionado pelo MTG-I2 não está apenas na produção de imagens mais detalhadas, mas na capacidade de transformar uma sequência mais rápida de observações em informação operacional para antecipar fenômenos que podem mudar significativamente em questão de minutos.

Com o lançamento do MTG-I2, a Europa amplia sua capacidade própria de observação meteorológica em órbita geoestacionária e consolida uma infraestrutura espacial voltada não apenas à previsão cotidiana, mas também ao acompanhamento de eventos extremos. A entrada do novo satélite em operação deverá acrescentar uma camada adicional de dados à rede meteorológica europeia, aumentando a capacidade de monitoramento contínuo sobre uma região onde a rapidez na identificação dos fenômenos pode ser determinante para a emissão de alertas e a tomada de decisões.


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"Brazilian Defense Day Embaixadas 2026" reúne 34 empresas da indústria de defesa em Brasília

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Encontro promovido pelo Ministério da Defesa aproxima empresas brasileiras de embaixadores, diplomatas e adidos militares de dezenas de países

A Base Industrial de Defesa e Segurança brasileira terá, nesta quinta-feira (3), uma nova oportunidade de apresentar suas capacidades diretamente a representantes de governos estrangeiros. A Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE), em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), coordena o "Brazilian Defense Day Embaixadas 2026", encontro promovido pelo Ministério da Defesa que reunirá 34 empresas na Escola Superior de Defesa (ESD), em Brasília.

O evento ocorre das 9h às 14h40 e contará com a participação de representantes do Ministério da Defesa, da Secretaria de Produtos de Defesa, das Forças Armadas e de outros órgãos públicos, além de embaixadores, diplomatas e adidos militares estrangeiros. A relação preliminar de convidados inclui representantes de países da América Latina, Europa, África, Ásia e Oriente Médio, ampliando o alcance do contato entre a indústria brasileira e potenciais parceiros e clientes internacionais.

Mais do que uma exposição institucional das empresas, o formato do Brazilian Defense Day busca colocar fornecedores brasileiros diante de interlocutores que acompanham diretamente as necessidades de defesa e segurança de seus respectivos países. A presença de diferentes segmentos da indústria em um mesmo ambiente permite apresentar desde sistemas de alta tecnologia e soluções de comando e controle até armamentos, aeronaves, veículos, sensores, sistemas não tripulados, comunicações e serviços especializados.

Entre as 34 empresas participantes estão: ADTECH-SD, VMI, XMobots, TKMS, Neger, Atech, AEL Sistemas, Protecta, Fire Eagle, Omnisys, M&K Logistics, CSD, IACIT, Ares, IMBEL, CBC, IDV, Alltec, Kryptus, Mac Jee, NAFA, Modirum Gespi, Avibras Aeroco, Saab, Avionics, Embraer, Grupo Realiza, SIATT, Taurus, PlasmaHub, Action Cargo, Agrale, RJC e Satcom Direct.

A diversidade da relação também evidencia a amplitude alcançada pela indústria brasileira, que reúne empresas de diferentes portes e especializações. Ao lado de grandes grupos com atuação internacional, o encontro abre espaço para companhias que buscam ampliar sua presença externa e transformar capacidades desenvolvidas para o mercado brasileiro em oportunidades de exportação.

A ABIMDE será representada pelo diretor de Projetos, Coronel Antonio Ribeiro. Segundo ele, a principal contribuição do encontro está justamente na possibilidade de aproximar, em um mesmo ambiente, empresas brasileiras e representantes estrangeiros interessados em conhecer as capacidades disponíveis no país.

“É uma oportunidade para que representantes estrangeiros conheçam diretamente soluções produzidas no Brasil, conversem com as empresas e tenham uma visão mais ampla das competências existentes na nossa Base Industrial de Defesa e Segurança. Esse contato presencial facilita a troca de informações e permite compreender com maior precisão as necessidades de diferentes mercados”, afirmou.

A edição de 2026 ocorre em um momento em que a ampliação das exportações ganhou peso crescente para a sustentabilidade da Base Industrial de Defesa. Para empresas que atuam em um setor marcado por ciclos longos de desenvolvimento, elevados investimentos em pesquisa e certificação e forte dependência de contratos de grande porte, o acesso a mercados externos pode contribuir para ampliar escala de produção, diluir custos de desenvolvimento e preservar competências tecnológicas.

Nesse contexto, iniciativas de promoção comercial articuladas entre indústria, governo e instituições de apoio à exportação assumem importância particularmente relevante. O contato com adidos militares e representantes diplomáticos permite que as empresas não apenas apresentem seus produtos, mas também identifiquem demandas específicas, requisitos operacionais e possíveis caminhos para futuras negociações.

O histórico do evento demonstra a dimensão que esse esforço vem alcançando. Em 2025, o Brazilian Defense Day reuniu 47 empresas da Base Industrial de Defesa e 60 representantes diplomáticos de 47 países, com apresentações empresariais e períodos destinados a reuniões e conversas entre os participantes. A edição deste ano mantém a proposta de utilizar Brasília como ponto de encontro entre a indústria nacional e representantes de governos estrangeiros.

O Brazilian Defense Day Embaixadas também está inserido no projeto Brazil Defense, desenvolvido pela ABIMDE e ApexBrasil em colaboração com os Ministérios da Defesa e das Relações Exteriores. A iniciativa tem entre seus objetivos ampliar as exportações do setor por meio de ações de promoção internacional, monitoramento de mercados, participação em feiras e desenvolvimento de iniciativas comerciais voltadas a empresas que ainda não possuem presença consolidada no exterior.

A estratégia é particularmente importante para ampliar a base exportadora brasileira. A internacionalização da indústria de defesa não depende apenas da existência de produtos competitivos, mas também da capacidade de identificar mercados, compreender requisitos regulatórios e operacionais, estabelecer contatos institucionais e manter presença comercial continuada. Nesse processo, a aproximação promovida pelo Brazilian Defense Day pode funcionar como uma etapa inicial para empresas que ainda buscam seus primeiros contratos internacionais ou para aquelas que pretendem diversificar seus mercados.

Com a participação de representantes de países tão distintos quanto Argentina, México, Peru, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Nigéria, Paquistão, Senegal, Vietnã, Tailândia, Sérvia, Rússia e membros da União Europeia, entre outros, o encontro coloca a indústria brasileira diante de um espectro amplo de demandas e possíveis mercados.

O desafio, a partir dessas aproximações, será transformar o contato institucional em oportunidades comerciais efetivas. Para isso, será necessário que as empresas mantenham capacidade de resposta, estrutura de pós-venda, suporte logístico e condições de financiamento compatíveis com as exigências dos mercados internacionais. A promoção comercial pode abrir portas, mas a consolidação da presença brasileira dependerá da capacidade de sustentar essas relações no médio e longo prazo.

É justamente nessa continuidade que o Brazil Defense procura atuar, combinando ações de promoção internacional com uma estratégia voltada à inserção permanente das empresas brasileiras no mercado global. O Brazilian Defense Day Embaixadas 2026, nesse sentido, representa mais uma etapa de aproximação entre a Base Industrial de Defesa e Segurança e potenciais parceiros estrangeiros, com Brasília funcionando como plataforma para apresentar capacidades nacionais e identificar novas possibilidades de cooperação e negócios.


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Marinha emprega NAM Atlântico e Fragatas Tamandaré e União na Elevação do Rio Grande

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Operação Sentinela marcou a primeira presença do navio-capitânia da Esquadra na região, combinando vigilância, adestramento e apoio à pesquisa científica

A Marinha do Brasil empregou o Navio-Aeródromo Multipropósito (NAM) Atlântico e as Fragatas Tamandaré e União na Operação Sentinela, realizada entre 26 de agosto e 1º de setembro na Elevação do Rio Grande (ERG). Foi a primeira ação de presença do NAM Atlântico na região, reunindo meios de diferentes gerações em uma comissão que combinou atividades operativas, adestramento, operações aéreas e apoio à pesquisa científica.

As Fragatas Tamandaré e União haviam participado recentemente da Operação Fraterno XXXIX, realizada entre Brasil e Argentina, uma comissão que ampliou a interoperabilidade entre as duas Marinhas e marcou a primeira participação da Tamandaré em águas internacionais.

Na Sentinela, o Atlântico exerceu sua função de capitânia da Esquadra e plataforma de comando e aviação. Os helicópteros SH-16 Seahawk e AH-11B Super Lynx realizaram operações de esclarecimento, ampliando a capacidade de vigilância da força. Também foram realizados adestramentos com o AH-11B e Mergulhadores de Combate, incluindo uma atividade de Fast Rope.

A presença naval foi acompanhada por uma componente científica. Cerca de 40 aspirantes da Escola Naval e 15 pesquisadores de seis instituições brasileiras participaram da comissão, integrando atividades de formação e pesquisa ao emprego operacional da força.

A Elevação do Rio Grande ocupa mais de 900 mil quilômetros quadrados no Atlântico Sul e, em determinados pontos, encontra-se a aproximadamente 1.200 quilômetros do litoral brasileiro. Sua relevância está associada não apenas à posição geográfica, mas também ao potencial científico e mineral da região e aos estudos relacionados à extensão da plataforma continental brasileira.

Nesse ambiente, a presença naval possui uma função que ultrapassa a vigilância convencional. A capacidade de chegar, permanecer e operar em áreas distantes do litoral contribui para o conhecimento do espaço marítimo, apoia atividades científicas e demonstra a capacidade do Estado brasileiro de exercer presença em uma região vinculada a interesses estratégicos de longo prazo.

A Operação Sentinela também oferece uma perspectiva sobre a própria evolução da Esquadra. A integração entre o Atlântico, a nova Fragata Tamandaré e a União evidencia uma força em processo de transição tecnológica, na qual plataformas de gerações distintas precisam permanecer operacionais enquanto os novos meios são incorporados.

Essa transição ganha maior relevância diante da dimensão da Amazônia Azul, que alcança aproximadamente 5,7 milhões de quilômetros quadrados. Cobrir esse espaço exige mais do que plataformas tecnologicamente avançadas: requer quantidade, disponibilidade e capacidade de manter diferentes tipos de meios empregados de forma simultânea e contínua.

A construção das quatro Fragatas Classe Tamandaré representam um avanço significativo nesse processo, mas não encerram a necessidade de renovação. A continuidade do programa, por meio do segundo lote, é importante para preservar capacidade industrial, evitar descontinuidades na construção naval e ampliar a disponibilidade de escoltas modernas. Da mesma forma, permanece necessária a evolução de futuros programas para fragatas de maior capacidade, além da renovação dos navios-patrulha oceânicos e de outros meios essenciais à presença marítima. Esse planejamento depende de uma variável que vai além da escolha dos sistemas e plataformas: previsibilidade orçamentária.

Programas navais possuem ciclos longos e exigem investimentos continuados. A indústria precisa de demanda previsível para manter capacidade produtiva, qualificar mão de obra e estruturar sua cadeia de fornecedores, enquanto a Marinha necessita de horizonte suficiente para programar a substituição dos meios antes que a perda de disponibilidade se transforme em uma lacuna operacional.

A experiência da Operação Sentinela demonstra que o Brasil possui capacidade para projetar uma força naval até uma área distante e estratégica do Atlântico Sul, empregando simultaneamente navios, aeronaves, pessoal especializado e pesquisadores. O desafio está em transformar essa capacidade em uma condição permanente.

Para isso, a renovação da Esquadra precisa avançar de forma contínua, sustentada por recursos compatíveis com as responsabilidades marítimas do País e por decisões tomadas com horizonte de longo prazo. Mais do que incorporar novos navios, trata-se de assegurar que a Marinha tenha meios suficientes e disponíveis para estar presente onde os interesses brasileiros exigirem hoje e nas próximas décadas.


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Comitiva do Governo do Piauí conhece capacidades do HARPIA e soluções da ADTECH-SD

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A ADTECH-SD recebeu no último dia 26 de agosto, uma comitiva do Governo do Estado do Piauí, liderada pelo secretário de Segurança Pública, Antonio Luiz Soares Santos, e integrada pelo comandante-geral da Polícia Militar do Piauí, coronel Scheiwann Lopes, e pelo coronel Gomes, da Secretaria de Segurança Pública daquele estado. A delegação esteve na empresa para conhecer as capacidades e soluções desenvolvidas pela ADTECH-SD nas áreas de monitoramento, inteligência, segurança pública, meio ambiente e defesa civil.

A visita ocorreu em duas etapas. Inicialmente, a delegação esteve no Centro de Treinamento e Avaliações da ADTECH-SD, em Jacareí (SP), onde acompanhou uma demonstração de voo do Sistema de Aeronave Remotamente Pilotada (SARP) HARPIA.

Durante a atividade, a comitiva pôde conhecer de perto as características e capacidades da Aeronave, desenvolvida para missões que exigem monitoramento persistente, ampla cobertura territorial e obtenção de informações em tempo real. A demonstração chamou a atenção da delegação que busca novas soluções tecnológicas para ampliar as capacidades do Estado do Piauí nas áreas de monitoramento, inteligência e segurança pública.

Na sequência, a comitiva seguiu para a sede da ADTECH-SD, em São José dos Campos (SP), onde conheceu os laboratórios de pesquisa e desenvolvimento da empresa, a linha de produção do Harpia e outras soluções desenvolvidas para os setores de Defesa e Segurança.


Uma solução nacional para desafios da segurança pública

O Harpia vem sendo empregado pelos estados do Amazonas e do Acre, representando um importante avanço tecnológico na incorporação de sistemas remotamente pilotados para apoio às atividades de segurança pública, monitoramento territorial e proteção ambiental.

Desenvolvido e produzido no Brasil, o sistema alia elevada capacidade operacional com um baixo custo de operação, oferecendo uma alternativa capaz de ampliar significativamente a persistência e a cobertura das missões quando comparada ao emprego contínuo de aeronaves tripuladas.

O Harpia é o único SARP nacional em sua categoria homologado pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e vem demonstrando, na prática, resultados operacionais no apoio às forças de segurança e às atividades de monitoramento ambiental.


Além dessas aplicações, a plataforma também vem demonstrando sua versatilidade no apoio às ações de Defesa Civil. No Acre, o sistema foi empregado durante o período de enchentes e no monitoramento de áreas atingidas por alagamentos, contribuindo para a identificação de regiões críticas, a avaliação da extensão das áreas afetadas e o planejamento das ações de resposta.

A experiência reforçou uma das principais características do Harpia: sua capacidade de permanecer em operação por longos períodos, cobrindo grandes extensões territoriais e fornecendo informações em tempo real para apoiar a tomada de decisão, especialmente em situações nas quais o acesso terrestre é limitado ou o emprego contínuo de aeronaves tripuladas representa custos operacionais mais elevados.

Piauí busca novas capacidades

A visita da comitiva liderada pelo secretário Antonio Luiz Soares Santos insere o Piauí entre os estados que buscam avaliar novas ferramentas tecnológicas para fortalecer suas capacidades de monitoramento, inteligência e segurança pública.

Ao conhecer a estrutura da ADTECH-SD e acompanhar a demonstração operacional do Harpia, a delegação teve a oportunidade de observar não apenas as capacidades da plataforma, mas também o conjunto de competências nacionais envolvidas em seu desenvolvimento, produção, operação e suporte.

Com experiências operacionais já acumuladas no Amazonas e no Acre, o Harpia segue despertando o interesse de instituições que enfrentam o desafio de monitorar grandes áreas e necessitam de meios capazes de combinar autonomia, persistência, eficiência operacional e baixo custo.

Para o Piauí, a visita representa mais um passo na busca por soluções capazes de ampliar suas capacidades tecnológicas e operacionais. Para a ADTECH-SD, reforça o potencial de uma solução nacional desenvolvida para atender às demandas brasileiras de segurança pública, proteção ambiental, monitoramento territorial e resposta a desastres.

Sobre a ADTECH-SD

A Advanced Technologies Security & Defense (ADTECH-SD) é uma empresa brasileira, reconhecida pelo Ministério da Defesa como Empresa Estratégica de Defesa (EED), especializada no desenvolvimento de soluções tecnológicas de alta performance para segurança pública, defesa territorial e monitoramento estratégico.

Com sede em São José dos Campos (SP), a empresa reúne profissionais com décadas de experiência no setor aeronáutico e atua no desenvolvimento e operação de sistemas avançados de aeronaves não tripuladas, além de soluções integradas de vigilância e inteligência. Seus sistemas são concebidos com foco em alta autonomia, modularidade e adaptabilidade, atendendo às demandas de missões críticas em ambientes complexos e de elevada exigência operacional.

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Centauro II e Cascavel NG: Exército estrutura nova composição para a Cavalaria sobre rodas

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A incorporação do Centauro II BR ao Exército Brasileiro não representa uma substituição imediata de toda a frota de EE-9 Cascavel. O planejamento apresentado pelo Comandante Logístico, General de Exército Ribeiro, aponta para uma transição gradual, na qual a nova Viatura Blindada de Combate de Cavalaria Multipropósito Sobre Rodas 8x8 (VBC Cav-MSR 8x8) passará a operar ao lado de meios modernizados, formando uma estrutura de capacidades complementares.

Durante a coletiva realizada após a assinatura do contrato do Lote de Experimentação Doutrinária, o General Ribeiro confirmou que o planejamento atual do Exército contempla uma frota de 98 Centauro II BR. A quantidade deve ser alcançada progressivamente, dentro de um programa de longo prazo, e não corresponde a uma substituição imediata de todos os veículos de Cavalaria atualmente empregados pela Força Terrestre.

A dimensão temporal é relevante. A incorporação do Centauro II ocorrerá em etapas, permitindo que o Exército acompanhe a formação das tripulações, a adaptação das estruturas de manutenção, a consolidação da logística e, principalmente, a experimentação da nova plataforma antes da expansão da capacidade para outras organizações militares.

Nesse intervalo, o Cascavel continuará tendo papel importante. O Exército mantém um programa de modernização do EE-9, incorporando novos sistemas e atualizando seus recursos para ampliar sua permanência operacional. O planejamento do Programa Estratégico Forças Blindadas prevê a modernização de 98 Cascavéis, em paralelo à aquisição dos 98 Centauro II.

É importante destacar que esses 98 Cascavéis não representam toda a frota existente do Exército, mas a quantidade atualmente prevista para receber a atualização tecnológica. A modernização ocorre de forma progressiva e busca preservar uma parcela da capacidade existente enquanto a nova geração de viaturas de Cavalaria é incorporada.

A modernização do Cascavel vai muito além de uma simples recuperação mecânica. O programa conduzido pela indústria brasileira incorpora uma nova motorização e atualizações em sistemas como transmissão, suspensão, freios e arrefecimento, além de sistema central de enchimento dos pneus, ar-condicionado e melhorias na torre. O conjunto permite recuperar a mobilidade e ampliar a disponibilidade operacional da plataforma.

A transformação mais significativa, porém, está na arquitetura eletrônica. Os Cascavéis modernizados recebem novos sistemas optrônicos para comandante e atirador, substituindo as antigas soluções ópticas e ampliando a capacidade de observação, identificação e pontaria em diferentes condições de iluminação.

A modernização também incorpora um novo computador de tiro, responsável pelos cálculos balísticos, além de um sistema de comando e controle capaz de processar informações dos sensores e do ambiente operacional em tempo real. O motorista passa a contar ainda com um sistema digital de visão baseado em câmeras, proporcionando consciência situacional de 360 graus e capacidade de operação noturna.

Os novos sistemas de comunicação e navegação completam essa transformação, inserindo o Cascavel em uma arquitetura muito mais conectada do que aquela existente em sua configuração original. Dessa forma, embora mantenha a estrutura básica de uma plataforma concebida há décadas, o veículo passa a contar com recursos eletrônicos compatíveis com as exigências do teatro de operações contemporâneo.

Na prática, isso significa que o projeto não se limita a prolongar a vida mecânica de uma viatura concebida nos anos 1970. A proposta é transformar o EE-9 em uma plataforma capaz de operar dentro de um ambiente de combate no qual sensores, comunicação, consciência situacional e integração de informações passaram a ter papel tão importante quanto o próprio armamento.

Outro avanço importante está no armamento. A modernização prevê a instalação de um lançador de míssil anticarro na torre principal, e o desenvolvimento do Cascavel NG demonstrou a integração do MAX 1.2 AC, desenvolvido pela SIATT. A solução acrescenta ao veículo uma capacidade de enfrentamento de ameaças blindadas que vai além do emprego isolado do canhão de 90 mm.

A integração do MAX 1.2 AC também demonstra como a modernização do Cascavel está associada ao desenvolvimento de uma cadeia nacional de tecnologias de defesa. Os sistemas optrônicos desenvolvidos pela Opto Space & Defense, empresa do Grupo AKAER, fazem parte dessa arquitetura tecnológica, contribuindo para elevar a capacidade de detecção, identificação e engajamento da viatura.

A lógica é diferente daquela de uma simples substituição de frota. O Centauro II introduz uma plataforma 8x8 com canhão de 120 mm, maior capacidade de aquisição e engajamento de alvos e uma arquitetura digital mais avançada. O Cascavel modernizado, por sua vez, permanece como um meio de reconhecimento e combate sobre rodas, mas atualizado para continuar relevante dentro das capacidades disponíveis ao Exército.

O Centauro II representa o salto qualitativo da Cavalaria brasileira. Com configuração 8x8, a viatura é equipada com a torre HITFACT MkII, desenvolvida pela Leonardo, e armada com o canhão de 120/45 mm de alma lisa. Trata-se de uma torre estabilizada e digitalizada, projetada para permitir o emprego do armamento em movimento, com elevada precisão e capacidade de engajamento em diferentes condições operacionais.

A capacidade de combate do Centauro II, porém, não está concentrada apenas no calibre de seu canhão. A torre HITFACT MkII integra uma arquitetura de sensores, controle de tiro, comunicações e gerenciamento do campo de batalha que coloca a viatura em outro patamar tecnológico. O comandante conta com o sistema panorâmico ATTILA D, capaz de realizar observação independente da torre em 360 graus, com imagem estabilizada, câmeras diurnas e térmicas de alta resolução e telêmetro laser. Já o atirador dispõe do sistema LOTHAR SD, com visão térmica, telêmetro laser, rastreamento automático de alvos e cálculo balístico digital.

Essa configuração permite ao Centauro II detectar, identificar, acompanhar e engajar alvos de forma muito mais rápida e precisa. O comandante pode pesquisar o campo de batalha independentemente da direção apontada pela torre, enquanto o sistema de controle de tiro fornece ao atirador os dados necessários para realizar o engajamento, inclusive contra alvos móveis e durante o deslocamento da viatura.

Outro elemento fundamental é a arquitetura de comunicações e comando e controle. A HITFACT MkII foi concebida com sistemas de comunicação e gerenciamento do campo de batalha, além de intercomunicador digital, permitindo que a viatura opere integrada a uma estrutura de combate em rede. Dessa forma, as informações obtidas pelos sensores podem ser transformadas em consciência situacional e compartilhadas dentro da estrutura operacional.

A proteção também representa uma mudança significativa em relação ao Cascavel. O Centauro II possui arquitetura de proteção balística modular, proteção contra minas e dispositivos explosivos improvisados, além de soluções destinadas a aumentar a sobrevivência da guarnição. A plataforma também incorpora sistemas de alerta laser e recursos destinados a ampliar a proteção da tripulação diante de diferentes ameaças.

A mobilidade completa esse conjunto. A configuração 8x8, associada ao conjunto motriz, transmissão, suspensão e sistemas de controle, permite ao Centauro II combinar elevada mobilidade tática com um poder de fogo tradicionalmente associado a plataformas de maior porte. Essa característica é particularmente importante para uma Força que precisa deslocar seus meios rapidamente por grandes distâncias e operar em diferentes regiões do território nacional.

O Centauro II, portanto, não deve ser compreendido apenas como um Cascavel de maior calibre. Ele representa uma mudança de arquitetura de combate. Seu poder de fogo, sensores, controle de tiro, proteção, comunicações e capacidade de operar em rede formam um sistema integrado, no qual a viatura deixa de ser apenas uma plataforma de armas e passa a funcionar como um nó de combate conectado ao restante da força.

É justamente nessa diferença de capacidades que está a lógica para a manutenção simultânea dos dois veículos.

O Cascavel modernizado terá outra função dentro dessa estrutura. Sua atualização permitirá que continue desempenhando missões de reconhecimento, segurança, patrulhamento e combate, explorando sua mobilidade e incorporando sensores, comunicações e armamento anticarro mais modernos. Em determinadas situações, poderá atuar como elemento de reconhecimento e vigilância, contribuindo para localizar e acompanhar ameaças, enquanto o Centauro II empregará sua maior proteção, poder de fogo e capacidade de aquisição e engajamento de alvos nos momentos em que essas características forem determinantes.

Essa composição permite ao Exército distribuir suas plataformas de acordo com as necessidades de cada organização militar e com as características das missões. O Centauro II concentra maior poder de fogo, proteção e capacidade tecnológica, enquanto os Cascavéis modernizados podem continuar sendo empregados em quantidade relevante, complementando a nova frota.

A estratégia também reduz o risco de uma ruptura operacional durante a renovação da Cavalaria. Em vez de retirar uma grande quantidade de veículos antigos antes que exista uma quantidade suficiente de novos sistemas plenamente incorporados, a Força Terrestre pode conduzir a transição progressivamente, mantendo capacidade disponível enquanto desenvolve a nova estrutura.

Há, porém, uma dimensão doutrinária ainda mais importante nessa decisão. A manutenção simultânea das duas plataformas não significa apenas administrar uma frota de veículos de diferentes gerações. Ela permite que o Exército construa uma nova forma de emprego da Cavalaria sem precisar abandonar imediatamente uma capacidade que ainda pode ser relevante após sua modernização.

O Centauro II passa a ocupar o espaço de maior capacidade dentro dessa estrutura, especialmente nas missões que exigem maior proteção, poder de fogo, alcance de detecção e capacidade de engajamento. O Cascavel modernizado, por sua vez, poderá cumprir tarefas nas quais sua mobilidade, menor porte, quantidade disponível e novos recursos de sensores, comunicação e capacidade anticarro sejam suficientes ou vantajosos.

Essa diferenciação é importante porque o Cascavel modernizado não pretende se transformar em um Centauro II. A modernização busca justamente preservar a utilidade operacional de uma plataforma existente, enquanto o Centauro II introduz uma nova geração de capacidades. As duas viaturas passam, portanto, a ocupar posições diferentes dentro de uma mesma arquitetura de Cavalaria.

O modelo está alinhado ao próprio desenho do Programa Forças Blindadas, que combina aquisição de novas plataformas com a modernização de meios já existentes. O programa contempla simultaneamente o Centauro II e a modernização dos Cascavéis, permitindo que a renovação das capacidades da Força Terrestre seja realizada de maneira progressiva.

Há ainda um aspecto de planejamento de longo prazo que merece atenção. O projeto de modernização estabelece que os Cascavéis modernizados deverão permanecer em serviço por pelo menos 15 anos após a entrega da última viatura modernizada. Esse horizonte coloca a modernização em uma perspectiva muito mais ampla do que simplesmente preencher o período de transição até a chegada dos Centauro II.

Na prática, significa que os dois sistemas deverão conviver por um período prolongado. Enquanto os 98 Centauro II forem incorporados progressivamente, os Cascavéis modernizados continuarão ativos e integrados à estrutura operacional do Exército, permitindo que a Força desenvolva sua doutrina, forme pessoal, consolide a logística e explore as diferentes possibilidades de emprego das duas plataformas.

Esse período de coexistência também poderá produzir um efeito importante sobre o futuro da Cavalaria brasileira. Quando os últimos Cascavéis modernizados se aproximarem do final de sua vida útil, o Exército já terá acumulado anos de experiência operacional com o Centauro II e poderá avaliar de maneira mais precisa quais capacidades serão necessárias para a próxima geração de viaturas de Cavalaria.

Nesse cenário, embora não exista hoje uma decisão estabelecida nesse sentido, poderá surgir no futuro a necessidade de um novo programa de obtenção para substituir os Cascavéis modernizados quando eles chegarem ao fim de sua vida operacional. Esse eventual programa poderá aproveitar a experiência acumulada com o Centauro II para definir os requisitos tecnológicos e doutrinários de uma futura geração de viaturas de Cavalaria.

A perspectiva cria um ciclo de renovação no qual a modernização dos Cascavéis garante capacidade operacional no médio e longo prazo, enquanto a incorporação dos Centauro II permite ao Exército desenvolver uma nova doutrina e consolidar uma arquitetura de combate mais conectada, protegida e letal.

A incorporação da nova plataforma, portanto, não se encerra simplesmente com a entrega das 98 unidades. O Exército terá pela frente um processo de formação de pessoal, consolidação da cadeia logística, desenvolvimento doutrinário e experiência operacional que poderá influenciar decisões futuras sobre a Cavalaria.

Também existe uma dimensão econômica. A aquisição de 98 Centauro II representa um investimento elevado e sua incorporação ocorrerá ao longo de vários anos. Manter 98 Cascavéis modernizados permite distribuir os investimentos ao longo do tempo, evitando que toda a capacidade da Cavalaria dependa da rápida substituição de uma plataforma por outra.

O próprio conceito de modernização do Cascavel reforça essa estratégia. O objetivo não é transformar o EE-9 em um equivalente ao Centauro II, mas ampliar sua utilidade operacional enquanto a nova geração de viaturas é incorporada. São projetos com níveis tecnológicos e capacidades diferentes, destinados a desempenhar funções que podem se complementar dentro da mesma estrutura.

Nesse cenário, o Centauro II deve ser entendido como parte de uma transformação mais ampla da Cavalaria brasileira. A Força Terrestre não está apenas adquirindo uma nova viatura, mas reorganizando progressivamente sua capacidade de reconhecimento e combate sobre rodas, combinando novos sistemas com a extensão da vida operacional de plataformas existentes.

Ao final do ciclo de vida dos Cascavéis modernizados, o Exército poderá então decidir se será necessário um novo programa para substituí-los e qual plataforma melhor atenderá às necessidades daquele momento. Essa decisão poderá ocorrer em um ambiente tecnológico muito diferente do atual, com maior integração entre viaturas tripuladas e não tripuladas, sensores distribuídos, sistemas de proteção mais avançados e uma arquitetura de comando e controle ainda mais integrada.

O ponto central, portanto, não está apenas no número de 98 Centauro II ou de 98 Cascavéis modernizados, mas na forma como o Exército pretende utilizar o tempo para transformar sua Cavalaria. A coexistência das duas plataformas cria uma janela para experimentar novos conceitos de emprego, avaliar a integração entre sensores, sistemas de comando e controle e meios não tripulados, além de identificar quais capacidades realmente produzem vantagem no campo de batalha.

Essa experiência terá valor para além do atual programa. O emprego continuado do Centauro II permitirá ao Exército medir, na prática, o impacto de uma viatura de maior poder de fogo, proteção e consciência situacional sobre a organização e o emprego das unidades de Cavalaria. Ao mesmo tempo, os Cascavéis modernizados servirão como referência para avaliar até onde uma plataforma de geração anterior, atualizada com tecnologia nacional, consegue permanecer eficiente diante da evolução das ameaças.

É nesse processo que estará o verdadeiro resultado do programa. Mais do que entregar uma nova viatura ou prolongar a vida de outra, o Exército estará produzindo conhecimento operacional para definir a Cavalaria das próximas décadas. Quando chegar o momento de substituir os Cascavéis modernizados, a decisão não deverá partir apenas da necessidade de adquirir um novo veículo, mas de uma experiência acumulada sobre quais níveis de proteção, poder de fogo, sensores, mobilidade, conectividade e integração em rede serão efetivamente necessários. O Centauro II, nesse sentido, não representa apenas o próximo passo da Cavalaria brasileira, mas também uma referência para definir o que virá depois dele.


Por Angelo Nicolaci


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