segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Caso Starshield expõe vulnerabilidade espacial do Brasil

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Restrições atribuídas à Casa Branca teriam afetado operações militares da Ucrânia com drones. No Brasil, limitações nas comunicações estratégicas e a ausência de capacidade nacional de lançamento orbital reforçam o desafio de ampliar a autonomia espacial.

A guerra na Ucrânia expõe uma vulnerabilidade que ultrapassa o campo de batalha: a dependência de tecnologias estrangeiras para manter capacidades militares essenciais. Segundo reportagem da Reuters, uma ordem atribuída a integrantes da Casa Branca para restringir o serviço Starshield da SpaceX, teria prejudicado operações ucranianas com drones. O episódio serve de alerta para o Brasil, que ainda enfrenta limitações na infraestrutura espacial necessária para atender às demandas de defesa e ampliar sua autonomia tecnológica.

De acordo com dois funcionários norte-americanos e um funcionário ocidental ouvidos pela Reuters, autoridades do Departamento de Defesa receberam uma orientação para limitar o serviço utilizado pelas forças ucranianas. As fontes não identificaram quem tomou a decisão nem quem ficou responsável por executá-la. Um alto funcionário ucraniano afirmou que Kiev foi informada de que a iniciativa partira da Casa Branca.

Um representante do governo norte-americano declarou, por sua vez, que o presidente Donald Trump não havia solicitado a restrição. A Casa Branca não esclareceu se outro integrante do governo determinou a medida.

A controvérsia surgiu em meio à deterioração das relações entre Washington e Kiev, marcada por divergências sobre os ataques ucranianos a refinarias russas e as negociações para encerrar a guerra. Nesse contexto, o acesso a um serviço de comunicação empregado em operações militares tornou-se parte de uma disputa política com consequências operacionais.

Restrições nas comunicações afetam drones ucranianos

Segundo autoridades ucranianas citadas pela Reuters, terminais de comunicação utilizados militarmente deixaram de funcionar quando instalados em plataformas que se deslocavam em alta velocidade. Posteriormente, uma fonte do Ministério da Defesa da Ucrânia informou que os receptores voltaram a operar em movimento, mas com um limite de 160 km/h.

As restrições teriam dificultado missões de ataque contra forças russas e alvos logísticos em territórios ocupados, além de prejudicar o emprego de drones interceptores utilizados contra aeronaves não tripuladas russas do tipo Shahed.

A conexão por satélite pode permitir a transmissão de comandos, o envio de informações e a coordenação entre operadores e unidades militares. Quando esse enlace é limitado, determinadas plataformas podem perder flexibilidade operacional ou precisar recorrer a meios alternativos.

O efeito, entretanto, varia conforme a arquitetura de cada sistema. Nem todos os drones dependem exclusivamente de uma conexão contínua: autonomia embarcada, navegação independente e outros enlaces podem permitir a continuidade de determinadas missões. A reportagem indica dificuldades operacionais, mas não estabelece que toda a frota ucraniana tenha ficado inutilizada.

O episódio demonstra, ainda assim, como uma alteração na disponibilidade de um serviço externo pode repercutir diretamente no emprego de sistemas militares.

Starshield: quem controla a infraestrutura?

Embora compartilhem uma base tecnológica, Starlink e Starshield são serviços distintos. O Starlink é a rede comercial de conectividade por satélite da SpaceX. O Starshield foi desenvolvido para atender a clientes governamentais e de segurança nacional, com aplicações específicas de defesa e inteligência, utilizando a constelação Starlink como infraestrutura de base.

Segundo a Reuters, o Pentágono investiu bilhões de dólares nos serviços Starlink e Starshield e adquiriu satélites dedicados a missões de comunicação e reconhecimento.

Elon Musk afirmou que os sistemas Starshield pertencem ao governo dos Estados Unidos e são controlados por ele. Segundo o empresário, eventuais restrições de velocidade ou utilização cabem aos militares norte-americanos ou ao presidente. A SpaceX não respondeu ao pedido de comentário da Reuters sobre a medida relatada.

A questão estratégica não está apenas na origem da tecnologia, mas nas condições de acesso a ela. Quando um país depende de uma infraestrutura cuja utilização pode ser limitada por decisões tomadas no exterior, parte de sua capacidade operacional fica sujeita a fatores que não controla.

Brasil: limitações nas comunicações estratégicas

A situação brasileira apresenta diferenças importantes em relação à ucraniana, mas revela um desafio semelhante: como garantir a continuidade das comunicações militares quando a infraestrutura disponível é insuficiente ou depende de capacidades externas?

Com dimensões continentais, extensas fronteiras terrestres, a Amazônia e uma vasta área marítima sob jurisdição nacional, o Brasil precisa de comunicações seguras e confiáveis mesmo em regiões remotas, onde as redes terrestres têm cobertura limitada.

O país dispõe do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC-1), lançado em 2017. O equipamento oferece capacidade de comunicação em banda X, destinada às aplicações estratégicas de defesa, e em banda Ka, voltada aos serviços de telecomunicações. Sua existência representa um ativo importante, mas não elimina a necessidade de ampliar a capacidade disponível e estabelecer alternativas para situações de elevada demanda ou indisponibilidade.

A Agência Espacial Brasileira mantém registros de satélites nacionais em operação e de missões desenvolvidas em cooperação internacional. O Brasil, contudo, ainda depende de veículos lançadores estrangeiros para colocar satélites em órbita.

A limitação das comunicações militares foi explicitada em setembro de 2026 pelo brigadeiro do ar Sandro Bernardon, chefe do Centro de Operações Espaciais da Força Aérea Brasileira. Segundo o oficial, a capacidade de comunicações por satélite disponível é insuficiente para as necessidades da defesa. Durante a Operação Atlas, realizada na Amazônia em 2025, a utilização da banda X do SGDC-1 chegou a 97%, conforme as informações divulgadas sobre a operação.

Esse nível de utilização evidencia a pressão sobre um recurso estratégico. Em uma situação de crise, o aumento simultâneo da demanda por diferentes unidades pode exigir capacidade adicional para manter as comunicações e assegurar o fluxo de informações entre os escalões de comando.

O desafio, portanto, não é apenas possuir um satélite, mas contar com capacidade suficiente, redundância e alternativas para preservar as comunicações quando a demanda aumenta ou algum componente deixa de funcionar.

Desenvolvimento nacional e capacidade de lançamento

A experiência ucraniana reforça a importância de investimentos contínuos no Programa Espacial Brasileiro. A ampliação da autonomia exige desenvolver e operar novos satélites, fortalecer a indústria nacional, dominar tecnologias críticas e expandir a infraestrutura terrestre necessária ao controle e à utilização desses sistemas.

Outro componente estratégico é o acesso autônomo ao espaço. O Brasil dispõe de dois centros de lançamento: Alcântara no Maranhão, e Barreira do Inferno no Rio Grande do Norte. Embora o país desenvolva e opere satélites próprios, ainda não conta com um veículo lançador nacional operacional capaz de colocá-los em órbita. O desenvolvimento dessa capacidade permanece um desafio estratégico para ampliar a autonomia espacial brasileira.

Isso não significa que todos os satélites devam ser lançados exclusivamente por foguetes brasileiros. A contratação de serviços estrangeiros pode continuar sendo necessária e vantajosa. A questão é desenvolver uma alternativa nacional que amplie as opções de acesso ao espaço, reduza vulnerabilidades e permita maior controle sobre o planejamento e a reposição de ativos estratégicos.

A continuidade dos investimentos também é essencial para consolidar competências industriais, formar especialistas e garantir que projetos de longo prazo avancem até se transformarem em capacidades efetivamente disponíveis. Interrupções prolongadas podem comprometer a manutenção do conhecimento tecnológico e elevar a dependência de fornecedores externos.

O uso dual amplia o alcance do programa espacial

Os investimentos espaciais não precisam atender exclusivamente às Forças Armadas. Satélites de uso dual podem apoiar comunicações governamentais, monitoramento ambiental, vigilância de fronteiras, acompanhamento marítimo e resposta a desastres, além de cumprir requisitos específicos de defesa.

Essa integração amplia a utilidade dos recursos públicos e contribui para sustentar uma cadeia industrial nacional capaz de desenvolver equipamentos, componentes, sistemas de controle e aplicações. Para isso, os requisitos militares de segurança, disponibilidade e resistência a interferências precisam ser considerados desde a concepção dos projetos.

O objetivo não é eliminar toda dependência internacional, mas assegurar que o Brasil tenha alternativas para manter suas capacidades essenciais quando um fornecedor externo deixar de atender às necessidades nacionais.

Um alerta estratégico para Brasília

O caso ucraniano mostra que a dependência de serviços espaciais estrangeiros pode se transformar em vulnerabilidade operacional quando o acesso à infraestrutura é condicionado por decisões externas. Para o Brasil, as limitações identificadas nas comunicações estratégicas reforçam a importância de tratar o programa espacial como parte integrante da capacidade de defesa.

Ampliar os investimentos em satélites de uso dual, fortalecer a indústria nacional e desenvolver capacidade própria de lançamento orbital são medidas que podem reduzir essa exposição e ampliar a autonomia tecnológica brasileira. Isso exige planejamento de longo prazo, continuidade orçamentária e integração entre as necessidades civis e militares.

Para um país de dimensões continentais, dominar tecnologias espaciais críticas significa ampliar a capacidade de proteger seu território, sustentar operações e preservar a liberdade de ação em situações de crise.


por Angelo Nicolaci


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Exército recebe 13 sistemas DSET para treinamento com o Cascavel

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O Exército Brasileiro recebeu 13 conjuntos de Dispositivos de Simulação de Engajamento Tático (DSET) destinados ao preparo da tropa no emprego da Viatura Blindada de Reconhecimento EE-9 Cascavel. Os equipamentos foram entregues ao Centro de Adestramento-Sul (CA-Sul), em Santa Maria (RS), como parte de um processo coordenado pelo Comando de Operações Terrestres (COTER) para ampliar os recursos de simulação de combate da Força Terrestre.

A entrega incluiu a capacitação de pessoal para instalação e operação dos dispositivos. Durante os testes, os sistemas apresentaram resultados positivos tanto no canhão de 90 mm quanto na metralhadora coaxial do Cascavel, permitindo incorporar os dois armamentos aos exercícios de simulação.

Os DSET são empregados na chamada simulação viva, modalidade de treinamento em que militares e viaturas realizam manobras em terreno real, enquanto sensores, apontadores laser e outros instrumentos reproduzem os engajamentos. A tecnologia permite acompanhar o desempenho da tropa e dos equipamentos, registrando informações sobre a trajetória balística simulada e os impactos nos alvos.

Mais recursos para o adestramento

A utilização dos dispositivos permite repetir exercícios sem as limitações impostas pelo consumo de munição real em cada engajamento simulado. Os militares podem praticar procedimentos de emprego dos armamentos em diferentes situações táticas, enquanto os resultados registrados fornecem subsídios para avaliar o desempenho e identificar pontos que precisam ser aperfeiçoados.

A iniciativa no CA-Sul também abrangeu melhorias em outros recursos de simulação. Foram realizadas atualizações nos equipamentos de engajamento a laser para fuzis e metralhadoras, reparos nos dispositivos de munição simulada para o canhão sem recuo Carl Gustaf de 84 mm e configuração dos sensores e emissores dos carros de combate Leopard 1A5 BR.

As intervenções contemplam, assim, diferentes meios utilizados no adestramento, desde armamentos individuais até viaturas blindadas. A manutenção e a configuração desses equipamentos são importantes para assegurar sua utilização nos exercícios e ampliar as possibilidades de treinamento em diferentes níveis.

A incorporação dos 13 conjuntos DSET para o Cascavel integra o esforço do Exército Brasileiro para fortalecer os recursos de simulação disponíveis à preparação da tropa. Ao combinar manobras reais, representação eletrônica dos engajamentos e registro dos resultados, esses sistemas ampliam as ferramentas de avaliação do adestramento, complementando as atividades com emprego de munição real.


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com Exército Brasileiro

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HARPIA amplia consciência situacional durante exercício de artilharia do Exército em Santa Catarina

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A "Operação Setembrino de Carvalho 2026" levou para o campo, em Santa Catarina, unidades e meios do Exército Brasileiro envolvidos em uma série de atividades de artilharia. Em meio aos disparos, deslocamentos e ações de comando, o Sistema de Aeronave Remotamente Pilotada (SARP) HARPIA, desenvolvido pela brasileira Advanced Technologies Security & Defense (ADTECH-SD), foi empregado para ampliar a consciência situacional das equipes responsáveis pela condução do exercício, transmitindo imagens em tempo real diretamente ao Centro de Comando, apoiando a identificação de alvos.

Realizada no Campo de Instrução Marechal Hermes (CIMH), em Três Barras - SC, a atividade reuniu unidades da 5ª Divisão de Exército em uma campanha voltada ao adestramento e à integração dos diferentes componentes envolvidos no emprego dos fogos. O cenário permitiu colocar à prova não apenas os meios de artilharia, mas também os sistemas responsáveis por fornecer ao comando uma visão mais precisa do que acontece no terreno.

Foi nesse ambiente que o SARP HARPIA entrou em operação. Todo o equipamento e a equipe foram transportados em uma viatura M113 e empregado como elemento de apoio ao centro de comando, transmitindo imagens em tempo real e contribuindo para a aquisição de alvos e para o trabalho do Observador Avançado.

A capacidade de levar a informação do terreno até quem precisa tomar a decisão é particularmente relevante em operações de artilharia. Quanto mais rápido o dado chega ao posto de comando, maior é a possibilidade de acompanhar a evolução da situação e alimentar o processo de planejamento e emprego dos meios.

Durante a "Operação Setembrino de Carvalho", o HARPIA foi utilizado dentro dessa lógica, atuando na obtenção e transmissão de informações sem substituir os demais elementos da cadeia de comando e controle. A solução também possui capacidade para apoiar a correção de tiro de artilharia.

A atividade envolveu diferentes unidades e meios da Artilharia Divisionária da 5ª Divisão de Exército, incluindo grupos de artilharia autopropulsados e de campanha, além de elementos de morteiro pesado e estruturas de comando, observação, direção de tiro, comunicações, topografia, meteorologia e logística.

A presença do HARPIA nesse ambiente mostra uma tendência cada vez mais evidente nas aplicações militares: o valor de um sistema de armas depende também da qualidade e da velocidade das informações que alimentam sua utilização. Sensores, comunicações e processamento de dados passaram a ter papel central na capacidade de transformar o que é observado no terreno em informação útil para o comando.

A atividade contou com a presença do Comandante da 5ª Divisão de Exército, General de Divisão Trovizzo; do Comandante da Artilharia Divisionária da 5ª DE, General de Brigada Assis; do Comandante da 5ª Região Militar, General de Exército Teixeira; do Comandante da 5ª Brigada de Cavalaria Blindada, General de Brigada Brandalise; e do Comandante da 14ª Brigada de Infantaria Motorizada, General de Brigada Calderaro.

Também acompanharam a atividade comandantes de Organizações Militares do Paraná e de Santa Catarina, incluindo os Generais R/1 Prado, do COMDEFESA FIEP, Hermeson, da AEQ, e Paixão, da EPEX.

Para a ADTECH, o emprego do HARPIA durante a "Operação Setembrino de Carvalho" colocou a solução em um ambiente operacional no qual informação, tempo e consciência situacional estão diretamente relacionados à capacidade de comando. Mais do que apresentar uma tecnologia, a atividade permitiu demonstrar como um sistema nacional de observação e transmissão de dados pode se integrar à dinâmica de uma operação de artilharia e a capacidade da indústria nacional de prover uma solução ITAR-FREE e de excelente custo-benefício.

Sobre a ADTECH-SD

A Advanced Technologies Security & Defense (ADTECH-SD) é uma empresa brasileira reconhecida pelo Ministério da Defesa como Empresa Estratégica de Defesa (EED), com atuação no desenvolvimento de tecnologias voltadas à segurança pública, defesa territorial, vigilância e monitoramento de áreas estratégicas.

Com sede em São José dos Campos (SP), a empresa reúne profissionais com ampla experiência nos setores aeronáutico e de defesa, desenvolvendo sistemas de aeronaves não tripuladas e soluções integradas de vigilância e inteligência. Seu portfólio combina autonomia, modularidade e capacidade de adaptação a diferentes perfis de missão, permitindo o emprego dos sistemas em ambientes operacionais complexos e em atividades que exigem persistência, mobilidade e elevada disponibilidade.

A experiência acumulada pela ADTECH-SD também se traduz na aplicação prática de suas tecnologias em missões de monitoramento e segurança, aproximando o desenvolvimento de seus sistemas das necessidades reais dos operadores. Essa integração entre engenharia, desenvolvimento tecnológico e emprego operacional constitui um dos diferenciais da empresa no mercado brasileiro de defesa e segurança.


Fonte ADTECH-SD via GBN Media Solutions

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Marinha inicia formação de pilotos navais com o novo helicóptero IH-18

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A transição entre duas gerações de helicópteros de instrução da Marinha do Brasil começou a ganhar forma concreta no dia 28 de setembro. Na região de São Pedro da Aldeia (RJ), o 1º Esquadrão de Helicópteros de Instrução (EsqdHI-1) realizou o primeiro voo de instrução com o IH-18, levando ao ar a primeira turma de Oficiais-Alunos a iniciar a formação no novo modelo.

A aeronave N-5104 foi empregada no voo A-1, conduzido pelo Capitão de Corveta Breno, como Instrutor de Pilotagem, e pelo 2º Tenente Wellington Pessoa, na condição de aluno. A atividade marca o início de uma mudança importante na formação dos futuros Aviadores Navais, que passarão a utilizar uma nova plataforma após décadas de emprego do IH-6 Jet Ranger III.

A mudança já havia sido antecipada pelo Contra-Almirante (FN) Alexandre Vasconcelos Tonini, Comandante da Força Aeronaval, em entrevista ao GBN Defense durante o Portões Abertos, realizado em 2 de agosto. Na ocasião, o almirante explicou que os IH-6 estavam formando sua última turma de pilotos e que, a partir de 2027, a instrução seria realizada exclusivamente com o IH-18.

O primeiro voo de setembro materializa essa transição, retirando-a do campo do planejamento para colocá-la na rotina de formação dos novos pilotos.

Uma nova etapa para a instrução naval

Baseado no Airbus H125, o IH-18 (H125M) integra o Projeto TH-X, iniciativa voltada à renovação dos helicópteros empregados na formação de pilotos militares. Sua incorporação exigiu a adaptação de instrutores, alunos e equipes de manutenção à nova aeronave, além da consolidação dos procedimentos necessários à operação.

A preparação começou antes dos primeiros voos com alunos. Em agosto de 2025, o EsqdHI-1 realizou uma atividade de treinamento em simulador MOST (Mission Oriented Simulator Training), voltada ao desenvolvimento de competências como tomada de decisão, comunicação, gerenciamento de riscos e resposta a situações anormais e emergências.

Com o início da instrução em voo, o IH-18 passa a ocupar seu lugar na etapa prática da formação. A substituição do IH-6 não representa apenas a troca de uma aeronave por outra: marca a passagem para uma nova plataforma de ensino, que deverá acompanhar a preparação dos futuros aviadores antes de sua distribuição aos esquadrões operativos.

Os veteranos IH-6 deixam, assim, o centro de uma atividade que sustentaram por décadas. Para a Aviação Naval, o desafio agora é conduzir a transição ampliando a qualidade da formação e garantindo que a nova geração de pilotos chegue aos esquadrões com a base técnica necessária para avançar para aeronaves e missões mais complexas.


por Angelo Nicolaci


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com Marinha do Brasil

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Elbit Systems fecha contrato de US$ 235 milhões para fornecer EXTRA-MR e PULS à cliente europeu

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A Elbit Systems anunciou em 19 de outubro a assinatura de um contrato de aproximadamente US$ 235 milhões para fornecer foguetes guiados EXTRA-MR e sistemas de artilharia de foguetes PULS a um país europeu não identificado. O acordo, estabelecido no modelo governo a governo (G2G), envolve os ministérios da Defesa de Israel e do país comprador, com execução prevista ao longo de três anos.

O contrato contempla o fornecimento do EXTRA-MR, variante de médio alcance da família de foguetes de artilharia da empresa israelense, além dos lançadores PULS, plataformas complementares e suporte logístico integrado. A contratação reúne, portanto, munições, meios de lançamento e serviços de apoio, componentes essenciais para estruturar e sustentar a capacidade operacional do sistema.

EXTRA-MR: precisão a até 80 quilômetros

O EXTRA-MR é uma munição guiada de precisão desenvolvida para engajar alvos de elevado valor em distâncias de até 80 quilômetros, segundo as especificações divulgadas pela fabricante. Com propulsão supersônica, o foguete foi concebido para cenários operacionais de médio alcance, oferecendo uma alternativa para ataques de precisão no âmbito da artilharia terrestre.

A combinação entre alcance e guiamento permite ampliar as possibilidades de emprego contra alvos selecionados, reduzindo a dependência de munições não guiadas em determinadas missões. O desempenho efetivo, contudo, depende das condições de emprego, dos dados de designação dos alvos e da integração com os sistemas de comando e controle disponíveis.

A Elbit informa que o EXTRA-MR é compatível com os lançadores PULS e com arquiteturas de comando, controle, comunicações, computadores e inteligência (C4I) existentes. Essa integração favorece sua incorporação a estruturas operacionais mais amplas, embora a empresa não tenha divulgado detalhes sobre a configuração contratada para o cliente europeu.

PULS: uma arquitetura integrada de fogos terrestres

O Precise and Universal Launching System (PULS) constitui o núcleo da solução contratada. A arquitetura foi concebida para empregar diferentes tipos de munições, permitindo adaptar o conjunto a distintas necessidades operacionais por meio de configurações compatíveis com cada missão.

A inclusão de plataformas complementares e suporte logístico integrado no contrato demonstra que o fornecimento não se limita aos lançadores e foguetes. A sustentação da capacidade ao longo do tempo também faz parte do pacote, embora não tenham sido divulgados os detalhes das plataformas adicionais, os quantitativos de equipamentos ou o volume de munições contratado.

O valor de US$ 235 milhões e o prazo de execução de três anos estabelecem as dimensões financeiras e temporais do acordo, mas a ausência de informações sobre quantidades impede calcular o custo unitário dos lançadores ou das munições.

Mercado europeu e expansão internacional

Para a Elbit Systems, o contrato reforça a presença internacional de suas soluções de artilharia de foguetes. O presidente e diretor-executivo da companhia, Bezhalel Machlis, afirmou que o acordo reflete a crescente demanda internacional por sistemas de lançamento e munições de precisão, destacando a adoção das soluções PULS por clientes europeus e integrantes da OTAN.

A identidade do país comprador não foi divulgada, tampouco foram informados os quantitativos contratados ou o cronograma detalhado das entregas. Assim, não é possível determinar a dimensão exata da nova capacidade que será incorporada pelo cliente.

O acordo evidencia, contudo, a importância atribuída a sistemas que combinam munições guiadas, lançadores e suporte logístico em uma solução integrada. Para as forças terrestres, a capacidade de empregar fogos de precisão a distâncias superiores às dos sistemas convencionais de menor alcance pode ampliar as opções de planejamento e engajamento, desde que acompanhada por sensores, inteligência e estruturas de comando e controle adequadas.

A contratação também reforça a competição internacional no segmento de artilharia de foguetes, no qual alcance, precisão, flexibilidade de emprego e capacidade de sustentação constituem fatores relevantes para a escolha de sistemas. Nesse mercado, o fornecimento de uma solução completa pode representar uma vantagem comercial, ao reunir os principais elementos necessários à operação em um único pacote contratual.

A Elbit Systems informou ainda que emprega mais de 21 mil pessoas em diversos países e registrou receita de US$ 2,287 bilhões no segundo trimestre de 2026. Em 30 de junho, sua carteira de pedidos alcançava US$ 32 bilhões, segundo os dados divulgados pela companhia.

O novo contrato amplia essa carteira e consolida mais um fornecimento internacional de sistemas de artilharia de foguetes, com entregas previstas ao longo dos próximos três anos.

Brasil: PULS e ATMOS nas negociações com a Avibras

O PULS também foi mencionado nas tratativas envolvendo o fornecimento do obuseiro ATMOS ao Exército Brasileiro e sua possível montagem pela Avibras. A associação dos dois sistemas poderia ampliar o pacote comercial da Elbit Systems e criar oportunidades para a retomada industrial da empresa brasileira.

Embora a inclusão do PULS tenha sido noticiada, não há confirmação pública de que tenha sido oferecido formalmente como contrapartida para viabilizar o ATMOS. A eventual negociação, contudo, pode representar uma oportunidade de ampliar a participação industrial nacional nos programas de artilharia do Exército.


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MANSUP no ASTROS: falta de recursos ameaça avanço de capacidade estratégica do CFN

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A integração do Míssil Antinavio Nacional (MANSUP) a uma plataforma terrestre baseada no sistema ASTROS, empregado pelo Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) da Marinha do Brasil, representa uma possibilidade relevante para ampliar a capacidade nacional de defesa costeira. A iniciativa, contudo, enfrenta um obstáculo que ultrapassa os desafios da engenharia: a disponibilidade de recursos para transformar uma prova de conceito em um sistema operacional.

Segundo informações obtidas pelo GBN Defense junto a uma fonte consultada sobre o projeto, o trabalho realizado consistiu na instalação de uma interface mecânica para acomodar o MANSUP na viatura. A solução permitiu demonstrar a viabilidade física da adaptação, mas não contemplou a integração completa dos sistemas necessários ao emprego operacional. O console de lançamento permaneceu fora da cabine e sem conexão com a viatura, evidenciando que ainda há etapas importantes a cumprir antes de se alcançar uma configuração definitiva.

A evolução para uma versão operacional está agora sob responsabilidade do CFN, que busca recursos para dar continuidade ao desenvolvimento. O desafio, portanto, não se resume a concluir uma adaptação técnica: exige planejamento, financiamento e continuidade para integrar os componentes, verificar sua compatibilidade e realizar os ensaios e procedimentos de qualificação pertinentes.

Previsibilidade orçamentária: condição para transformar tecnologia em capacidade

O estágio atual do projeto expõe uma fragilidade recorrente da Defesa brasileira. O país investe no desenvolvimento de soluções próprias, forma profissionais especializados e mobiliza sua Base Industrial de Defesa (BID), mas nem sempre consegue assegurar a regularidade dos recursos necessários para levar esses projetos até a incorporação pelas Forças Armadas.

Os cortes e contingenciamentos orçamentários comprometem a continuidade de programas cuja execução depende de ciclos sucessivos de engenharia, integração e testes. Diferentemente de uma aquisição comercial convencional, o desenvolvimento de um sistema militar exige planejamento de longo prazo, disponibilidade de infraestrutura, manutenção de equipes técnicas e financiamento compatível com as etapas previstas. A liberação irregular de recursos pode desorganizar cronogramas, elevar custos e postergar a entrega de capacidades necessárias às tropas.

No caso do MANSUP no ASTROS, a ausência de financiamento para as próximas etapas pode prolongar a distância entre a demonstração técnica e a disponibilidade operacional. A prova de conceito é um passo importante, mas seu valor estratégico depende da possibilidade de avançar para uma solução integrada, testada e adequada aos requisitos definidos pela Marinha.

É nesse contexto que a previsibilidade orçamentária precisa ser tratada como um componente da própria política de Defesa. Não basta prever recursos em documentos de planejamento: é necessário assegurar condições financeiras para cumprir etapas sucessivas, preservar o conhecimento acumulado e evitar que mudanças na disponibilidade orçamentária interrompam o desenvolvimento. Sem essa continuidade, mesmo projetos tecnicamente promissores podem permanecer por anos sem alcançar o resultado para o qual foram concebidos.

Defesa costeira e autonomia tecnológica

A eventual incorporação de uma versão terrestre do MANSUP poderá ampliar as opções do CFN para a defesa do litoral e contribuir para a negação do uso do mar por forças adversárias. Uma plataforma móvel equipada com um míssil antinavio pode oferecer flexibilidade de posicionamento e complementar outras capacidades de defesa, desde que a configuração final atenda aos requisitos de mobilidade, comando e controle, aquisição de alvos e integração operacional.

Essa possibilidade deve ser compreendida dentro de uma perspectiva mais ampla de autonomia tecnológica. O desenvolvimento de um míssil nacional permite acumular conhecimento e competências que podem sustentar evoluções futuras e novas aplicações. Sua integração a uma plataforma terrestre acrescentaria outro nível de complexidade tecnológica, exigindo que os sistemas envolvidos operassem de forma coordenada e confiável.

O potencial estratégico, entretanto, não deve ser confundido com uma capacidade já disponível. A adaptação mecânica demonstrada não comprova,8 por si só, a integração dos sistemas de controle e lançamento, tampouco a conclusão dos ensaios necessários ao emprego operacional. Esses resultados dependerão da continuidade do desenvolvimento e da validação técnica da configuração escolhida.

A BID entre a continuidade industrial e o potencial de exportação

Os efeitos da instabilidade orçamentária ultrapassam o planejamento de defesa. A Base Industrial de Defesa depende de uma demanda minimamente previsível para sustentar equipes de engenharia, preservar fornecedores especializados, investir em infraestrutura e manter competências que exigem anos para serem desenvolvidas.

Quando programas nacionais perdem ritmo ou ficam sem financiamento, o impacto pode alcançar toda a cadeia produtiva. Empresas enfrentam dificuldades para dimensionar equipes e investimentos, enquanto profissionais especializados e fornecedores ficam sujeitos à descontinuidade dos projetos. A consequência é uma perda potencial de capacidade industrial justamente em um setor no qual o domínio tecnológico constitui um ativo estratégico.

A continuidade de programas como o MANSUP também pode contribuir para ampliar as perspectivas de exportação da indústria brasileira. Sistemas desenvolvidos e validados para atender às necessidades nacionais podem despertar interesse externo, desde que apresentem maturidade técnica, competitividade, suporte logístico e condições comerciais adequadas. A possibilidade de atender a outros mercados amplia a relevância econômica do investimento, mas depende de o produto alcançar um estágio que permita demonstrar seu desempenho e oferecer garantias aos potenciais clientes.

Nesse processo, a demanda interna exerce papel fundamental. A evolução dos projetos, sua avaliação pelas Forças Armadas e a eventual incorporação geram referências técnicas que podem fortalecer a credibilidade comercial das soluções nacionais. A previsibilidade dos investimentos, por sua vez, permite à indústria planejar a produção, preservar empregos qualificados e desenvolver capacidades que dificilmente seriam mantidas com segurança diante de uma demanda descontínua.

Não se trata de defender recursos ilimitados, mas de estabelecer prioridades, metas verificáveis e compromissos financeiros coerentes com os objetivos estratégicos. O planejamento orçamentário precisa considerar não apenas o custo inicial de desenvolver uma tecnologia, mas também os recursos necessários para integrá-la, testá-la, qualificá-la e sustentá-la ao longo de sua vida útil.

Da prova de conceito à capacidade operacional

O projeto MANSUP no ASTROS encontra-se, conforme as informações apuradas pelo GBN Defense, em uma fase de demonstração da viabilidade mecânica da adaptação. A evolução para uma configuração operacional dependerá da definição dos requisitos, da integração dos sistemas, dos ensaios e da disponibilidade de recursos para conduzir essas etapas. Até o momento, as informações disponíveis não permitem afirmar que exista um sistema plenamente integrado ou um cronograma confirmado para sua entrada em serviço.

A questão central, portanto, é a capacidade de assegurar continuidade a uma iniciativa com potencial para fortalecer a defesa costeira e ampliar o aproveitamento de tecnologias nacionais. Sem financiamento adequado, a evolução pode ser retardada, adiando tanto a eventual incorporação de uma nova capacidade pelo CFN quanto os benefícios industriais associados ao desenvolvimento.

O Brasil precisa superar a lógica em que o avanço tecnológico convive com a incerteza permanente sobre os recursos necessários à sua conclusão. Cortes e contingenciamentos sucessivos não afetam apenas cronogramas: podem comprometer a preservação de competências industriais, limitar oportunidades comerciais e prolongar a dependência de soluções externas em áreas estratégicas.

O MANSUP no ASTROS evidencia essa contradição. O país dispõe de uma iniciativa que pode combinar capacidade de defesa, autonomia tecnológica e fortalecimento da BID, mas sua transformação em resultado concreto depende de decisões orçamentárias consistentes. Sem previsibilidade e continuidade de investimentos, o desenvolvimento nacional corre o risco de permanecer na fase de demonstração, enquanto as Forças Armadas aguardam capacidades que poderiam contribuir para atender às suas necessidades estratégicas.


por Angelo Nicolaci


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domingo, 18 de outubro de 2026

França avança na construção do Rubis, novo submarino nuclear de ataque da classe Suffren

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A quinta unidade do programa Barracuda combina discrição acústica, mísseis de cruzeiro, torpedos pesados e capacidade de apoiar operações especiais, ampliando as opções de combate da Marinha Francesa.

A França avança na renovação de sua força de submarinos nucleares de ataque com o Rubis, quinta unidade da classe Suffren, desenvolvida no âmbito do programa Barracuda. Em 16 de outubro de 2026, o submarino foi apresentado em Cherbourg, marcando uma nova etapa de sua construção. Ainda será necessário concluir os trabalhos no estaleiro, realizar o lançamento à água e cumprir uma sequência de testes antes de sua incorporação à Marinha Francesa.

O projeto vai além da substituição de submarinos antigos. A classe Suffren reúne capacidades de combate antissubmarino, guerra antissuperfície, ataque a alvos terrestres e apoio a forças especiais em uma plataforma de propulsão nuclear, projetada para permanecer submersa por períodos prolongados e operar a grandes distâncias de suas bases.

Discrição acústica e capacidade de combate

Com cerca de 99 metros de comprimento e deslocamento submerso de aproximadamente 5.300 toneladas, o Suffren representa um salto de capacidade em relação aos submarinos da antiga classe Rubis, que começou a entrar em serviço na década de 1980.

A propulsão nuclear elimina a necessidade de emergir ou operar próximo à superfície para utilizar motores a combustão e recarregar baterias, como ocorre em submarinos convencionais. Isso favorece a permanência submersa e amplia a liberdade de manobra, embora a autonomia efetiva continue condicionada pelo abastecimento, pela manutenção e pela resistência da tripulação.

A vantagem decisiva, porém, está na combinação entre discrição acústica, sensores e armamento. Um submarino de ataque precisa detectar e classificar contatos, acompanhar movimentos adversários e posicionar-se para engajar sem revelar sua própria localização. Nesse ambiente, reduzir ruídos e interpretar corretamente as informações dos sonares pode ser tão importante quanto o alcance de um míssil.

A classe Suffren foi concebida para localizar e combater submarinos adversários, ameaçar navios de superfície e acompanhar grupos navais. Também pode atuar de forma independente, realizando missões de vigilância, inteligência e ataque em áreas marítimas de interesse estratégico.

Torpedos, mísseis antinavio e ataque em profundidade

O armamento inclui torpedos pesados F21, mísseis antinavio Exocet SM39 e mísseis de cruzeiro navais MdCN, além da capacidade de empregar minas navais.

Os F21 permitem engajar submarinos e navios de superfície. Em situação de combate, o emprego de torpedos exige uma solução de tiro baseada na posição, no movimento e nas características do alvo, além da avaliação das condições acústicas do ambiente.

O Exocet SM39 amplia a capacidade de guerra antissuperfície. Lançado a partir de um tubo de torpedo, permite atacar uma embarcação sem que o submarino precise expor-se à superfície. A ameaça não se limita ao impacto da arma: a incerteza sobre a posição do atacante também obriga a força adversária a dedicar recursos à busca e à proteção antissubmarino.

Já o MdCN permite realizar ataques contra alvos terrestres a grandes distâncias. Com essa capacidade, o submarino pode contribuir para uma operação de ataque em profundidade sem depender da presença de aeronaves sobre o objetivo ou da aproximação de navios de superfície a uma costa defendida.

A combinação desses armamentos amplia a flexibilidade tática da classe. O submarino pode ser empregado contra diferentes categorias de alvos, enquanto o comando seleciona a arma de acordo com a missão e o efeito militar pretendido.

Minisubmarino e infiltração de forças especiais

Outro aspecto relevante da classe Suffren é sua capacidade de apoiar operações especiais. O emprego de um compartimento externo destinado ao transporte de um veículo submersível para forças especiais, solução que permite ampliar as opções de infiltração e retirada de equipes.

O conceito é simples, mas operacionalmente significativo: em vez de levar o submarino principal até próximo do ponto de desembarque, a equipe pode ser transportada por um veículo menor, enquanto a plataforma-mãe permanece afastada da costa. Isso reduz a exposição do submarino e oferece maior flexibilidade para missões de reconhecimento, infiltração e apoio a operações discretas.

É importante não confundir essa capacidade geral com a confirmação de que o Rubis já dispõe de um minisubmarino específico embarcado. A configuração exata e os equipamentos destinados à nova unidade precisam ser confirmados por documentação técnica oficial.

Barracuda: renovação de uma capacidade estratégica

O Rubis faz parte do programa Barracuda, que prevê seis submarinos da classe Suffren para substituir as unidades da antiga classe Rubis. O programa combina a renovação da frota com a preservação de competências industriais essenciais à soberania francesa, da engenharia naval à integração de sistemas de combate e à propulsão nuclear.

A construção de um submarino dessa categoria exige muito mais do que fabricar o casco. Sonar, sistemas de navegação, comunicações, controle de armas, propulsão e integração de sensores precisam funcionar como um conjunto. A qualidade do resultado depende tanto da plataforma quanto da capacidade de manter, atualizar e empregar seus sistemas ao longo de décadas.

A França também busca preservar uma cadeia industrial capaz de sustentar a construção e a manutenção de submarinos nucleares. Esse domínio tecnológico tem valor militar e político: reduz dependências externas em áreas críticas e mantém a capacidade nacional de evoluir os próprios meios de combate.

O Rubis ainda precisa passar por etapas importantes antes de alcançar a condição operacional. Sua apresentação em Cherbourg representa avanço na construção, não comprovação de que o submarino já esteja pronto para missões.

Quando incorporado, deverá reforçar uma força submarina cuja relevância não se mede apenas pelo número de unidades disponíveis, mas pela capacidade de permanecer submersa, obter informações sem ser detectada, controlar o espaço marítimo e atacar quando necessário. É essa combinação de discrição acústica, sensores, armamento e autonomia que faz dos submarinos nucleares de ataque instrumentos centrais do poder naval francês.

Brasil e França: cooperação para desenvolver a capacidade submarina brasileira

A experiência francesa na construção de submarinos nucleares também tem reflexos diretos no Brasil. A parceria estratégica entre os dois países sustenta o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB), que combina transferência de tecnologia, construção naval no País e formação de pessoal especializado. O Brasil está concluindo a construção do quarto submarino convencional da classe Riachuelo, o S43 Almirante Karam, enquanto avança no desenvolvimento do SN10 Álvaro Alberto, seu primeiro submarino de propulsão nuclear.

Embora o programa brasileiro tenha objetivos e requisitos próprios, a cooperação com a França contribui para consolidar competências em engenharia, integração de sistemas e construção de submarinos. O desafio nacional é transformar esse conhecimento em capacidade industrial duradoura, mantendo pessoal qualificado, infraestrutura e continuidade orçamentária ao longo de um projeto de elevada complexidade tecnológica.

A comparação com a classe Suffren evidencia, assim, dois caminhos distintos de desenvolvimento: a França renova uma capacidade nuclear já consolidada, enquanto o Brasil trabalha para dominar gradualmente as tecnologias necessárias à construção de seu primeiro submarino de propulsão nuclear. Para a Marinha do Brasil, o objetivo não se limita à incorporação de uma nova plataforma, mas à construção de uma capacidade estratégica que exige continuidade industrial, autonomia tecnológica e investimento de longo prazo.


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Egito e China ampliam cooperação militar em exercício que desperta atenção de Israel

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“Eagles of Civilization 2026” evidencia a capacidade chinesa de projetar poder aéreo para além de suas fronteiras e reforça a diversificação das parcerias militares egípcias no Oriente Médio.

O exercício militar conjunto “Eagles of Civilization 2026”, realizado por Egito e China, vai além do treinamento entre forças aéreas. A atividade evidencia a crescente capacidade de Pequim de deslocar meios de combate e apoio para regiões distantes de seu território, enquanto o Cairo amplia suas opções de cooperação militar em um ambiente estratégico marcado pela competição entre grandes potências.

A participação chinesa chamou atenção pela combinação de aeronaves de combate, reabastecimento em voo, alerta aéreo antecipado e guerra eletrônica. Em conjunto, esses recursos permitem conduzir operações aéreas mais complexas do que missões isoladas de caça, pois ampliam o alcance, a consciência situacional e a capacidade de coordenação das formações.

O exercício também despertou interesse em Israel, onde a aproximação militar sino-egípcia foi interpretada à luz do equilíbrio de poder regional. Essa preocupação, contudo, não demonstra que as manobras tenham sido concebidas para ameaçar Israel. Para avaliar seu significado estratégico, é necessário distinguir as capacidades demonstradas, os objetivos declarados e as possíveis implicações geopolíticas.

Projeção de poder: o desafio de operar longe de casa

Um dos aspectos mais relevantes do exercício foi o deslocamento de meios chineses até o Egito, a milhares de quilômetros das bases nacionais. A reportagem da Defense România menciona um percurso de aproximadamente 6.000 quilômetros, acompanhado pelo emprego de aeronaves de apoio.

A distância é importante, mas não constitui, isoladamente, a principal medida de capacidade militar. O desafio está em transportar pessoal e equipamentos, manter as aeronaves operacionais, coordenar as missões e garantir o suporte necessário durante o deslocamento e a permanência no exterior.

Essa capacidade é conhecida como projeção de poder: a possibilidade de empregar forças militares fora do território nacional e mantê-las em condições de operar. Para uma potência com interesses globais, isso depende não apenas de plataformas avançadas, mas também de logística, planejamento, comunicações, manutenção e acesso a instalações adequadas.

O exercício oferece uma oportunidade para observar essa dimensão da modernização militar chinesa. Entretanto, a realização de uma atividade conjunta não comprova, por si só, que Pequim consiga sustentar uma campanha aérea prolongada na região. Isso exigiria evidências adicionais sobre a duração das operações, o volume de apoio disponível e a capacidade de manter o ritmo das missões.

Mais do que caças: a integração dos meios aéreos

Segundo a reportagem, a participação chinesa envolveu caças J-16, aeronaves-tanque Y-20U, uma aeronave de alerta aéreo antecipado KJ-500 e meios de guerra eletrônica. A relevância dessa composição está na complementaridade entre as plataformas.

Os J-16 são aeronaves de combate multifunção. Seu emprego em operações conjuntas depende, entre outros fatores, da capacidade de receber informações, coordenar ações e atuar em conjunto com outros meios. O desempenho de uma formação aérea não é determinado apenas pelas características individuais de seus caças, mas pela qualidade da informação disponível e pela coordenação entre as unidades.

O Y-20U, versão de reabastecimento em voo da família de aeronaves de transporte Y-20, permite transferir combustível para aeronaves compatíveis durante a missão. Isso pode ampliar o raio de ação, aumentar o tempo de permanência em determinada área ou reduzir a necessidade de retornar à base para reabastecer. O benefício efetivo depende do perfil da missão, da quantidade de combustível transferida e das aeronaves atendidas.

Já o KJ-500 exerce funções de alerta aéreo antecipado e controle. Operando como um posto de vigilância e coordenação no ar, pode ampliar a detecção de ameaças, organizar o quadro aéreo e contribuir para direcionar os caças. Essa capacidade é especialmente relevante quando diferentes aeronaves precisam operar de maneira coordenada em uma área extensa.

Os meios de guerra eletrônica complementam esse conjunto ao atuar no ambiente eletromagnético, que inclui radares, comunicações e outros sistemas eletrônicos. Dependendo dos equipamentos e das missões executadas, essas capacidades podem apoiar a identificação de emissões, dificultar a atuação de sensores adversários ou proteger as próprias operações.

A integração desses recursos é o ponto central. Reabastecimento, vigilância, comando e guerra eletrônica multiplicam a utilidade dos caças porque permitem que a força aérea opere com maior alcance e melhor coordenação. Ainda assim, a presença dessas plataformas no exercício não revela, por si só, o nível de integração alcançado nem comprova que todas tenham executado cada uma dessas funções durante as manobras.

O interesse egípcio e a diversificação das parcerias

Para o Egito, o exercício representa uma oportunidade de ampliar o treinamento com uma potência militar que desenvolve seus próprios sistemas de combate, sensores e apoio aéreo. A interação permite observar procedimentos operacionais, comparar métodos de planejamento e testar a coordenação entre forças com diferentes doutrinas e equipamentos.

A aproximação com Pequim também se insere em uma estratégia mais ampla de diversificação das relações externas do Cairo. A cooperação com a China pode ampliar as alternativas egípcias em treinamento, tecnologia e relacionamento militar, sem significar necessariamente o abandono dos vínculos existentes com os Estados Unidos ou com outros parceiros.

Essa distinção é importante. Participar de um exercício não equivale a formar uma aliança militar, assumir compromissos de defesa mútua ou adotar integralmente a doutrina do parceiro. Para concluir que houve uma mudança de alinhamento estratégico, seria necessário identificar decisões mais duradouras, como acordos de defesa, aquisições relevantes, mecanismos permanentes de cooperação ou alterações concretas na estrutura de relacionamento militar.

O valor do exercício para o Egito está, portanto, tanto na dimensão operacional quanto na diplomática. O país demonstra que pode manter canais de cooperação com diferentes potências e ampliar suas opções sem que isso implique, automaticamente, uma ruptura com seus parceiros tradicionais.

Por que Israel acompanha a aproximação

A reação atribuída a fontes israelenses deve ser compreendida dentro do contexto regional. Israel acompanha de perto mudanças nas capacidades militares dos países vizinhos e a entrada de atores externos que possam alterar o equilíbrio de poder no Oriente Médio.

Uma presença chinesa mais ativa na região pode gerar questionamentos sobre acesso a informações, familiarização com instalações militares, cooperação tecnológica e futuras possibilidades de relacionamento operacional. Esses fatores merecem atenção estratégica, mas não devem ser tratados como evidência de uma ameaça imediata.

No caso egípcio, a análise exige considerar também a natureza da relação bilateral com Israel e os compromissos de segurança que moldam o ambiente regional. O exercício conjunto com a China não demonstra, isoladamente, uma alteração desses compromissos nem indica preparação para um confronto.

É necessário distinguir três níveis de interpretação: a capacidade militar efetivamente demonstrada; a possibilidade de que essa capacidade seja ampliada ou empregada em outros contextos; e a intenção política de utilizá-la contra determinado país. O primeiro pode ser examinado a partir das atividades realizadas. O segundo depende de avaliação técnica e de evidências adicionais. O terceiro não pode ser deduzido apenas da presença de aeronaves chinesas no Egito.

O significado estratégico do exercício

O “Eagles of Civilization 2026” evidencia a importância crescente das operações aéreas integradas e da capacidade de deslocar meios militares para além das fronteiras nacionais. A combinação de caças, reabastecimento, alerta antecipado e guerra eletrônica demonstra a lógica de uma força que busca operar como um sistema coordenado, e não como um conjunto de aeronaves independentes.

Para a China, exercícios desse tipo contribuem para ampliar a experiência em operações no exterior e desenvolver relações militares com países de importância estratégica. Para o Egito, oferecem treinamento e diversificação de parcerias. Para Israel, representam um acontecimento a acompanhar, sobretudo pelos possíveis efeitos futuros sobre a presença chinesa e a cooperação militar no entorno regional.

A conclusão, porém, deve permanecer proporcional às evidências. O exercício demonstra aproximação militar e oferece elementos para avaliar capacidades de projeção aérea, mas não comprova a formação de um eixo militar sino-egípcio dirigido contra Israel. Seu principal significado está na ampliação das opções estratégicas de Pequim e Cairo e na necessidade de os demais atores regionais acompanharem essa evolução sem confundir capacidade, intenção e ameaça concreta.


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Rússia recompõe estoques de blindados e artilharia em instalações militares

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Imagens de satélite indicam a chegada de carros de combate, veículos blindados e sistemas de artilharia a depósitos russos. Informações oficiais confirmam a continuidade das entregas da indústria de defesa, mas não demonstram preparação para uma ofensiva contra países da OTAN.

A Rússia voltou a ampliar os estoques de equipamentos de defesa em instalações de armazenamento que haviam perdido parte de seus meios durante a guerra na Ucrânia. Análises de imagens de satélite publicadas em outubro identificaram carros de combate T-90M, veículos blindados BTR-82A, viaturas de combate de infantaria BMP-3 e sistemas de artilharia autopropulsada em diferentes instalações russas.

O levantamento foi divulgado pelo veículo independente russo Vazhnye Istorii, com base no trabalho de analistas de fontes abertas, entre eles Mark Krutov, Jompy e Covert Cabal. A comparação de imagens de diferentes períodos permite identificar a chegada de equipamentos e alterações na ocupação dessas instalações. A análise também considera a possibilidade de haver veículos novos, recuperados ou submetidos a modernização. 

Um dos locais identificados é a Base Central de Reserva de Tanques nº 22, na região de Kostroma, onde imagens registraram a presença de T-90M, BTR-82A e BMP-3 entre o segundo semestre de 2025 e outubro de 2026. Na Carélia, outra instalação recebeu sistemas de artilharia autopropulsada 2S43 Malva e 2S44 Giatsint-K, a aproximadamente 185 km da fronteira com a Finlândia, integrante da OTAN desde 2023. 

Entregas confirmadas pela indústria de defesa russa

Os registros de satélite encontram respaldo parcial nos comunicados da indústria de defesa russa e do Ministério da Defesa. Em setembro, a Rostec anunciou que sua subsidiária Uralvagonzavod havia enviado novos lotes de carros de combate T-90M Proryv e T-72B3M às Forças Armadas. Segundo a empresa, os veículos incorporavam melhorias de proteção baseadas na experiência de combate. 

Em 6 de outubro, o Ministério da Defesa russo informou que as Forças Armadas haviam recebido mais de 10 mil unidades de armamentos, equipamentos de defesa e materiais especializados durante setembro. A relação incluía caças Su-57 e Su-35S, carros de combate T-90M, T-80BVM e T-72B3M, veículos blindados, sistemas de defesa antiaérea, drones e plataformas robóticas terrestres. O total divulgado reúne categorias distintas e não corresponde exclusivamente a veículos de combate. 

Esses comunicados confirmam a continuidade das entregas, mas não estabelecem uma relação direta entre cada lote recebido pelas Forças Armadas e os equipamentos identificados nos depósitos. Também não esclarecem quanto da produção se destina às unidades operacionais, à reposição de perdas ou à formação de reservas.

Recomposição dos estoques e capacidade operacional

A movimentação precisa ser analisada à luz do desgaste provocado pela guerra na Ucrânia. A Rússia perdeu grandes quantidades de veículos blindados e outros meios, mas manteve a produção de novos sistemas e a recuperação de equipamentos armazenados. Essas duas atividades contribuem para recompor os estoques, embora não necessariamente na mesma proporção das perdas acumuladas.

Uma avaliação do Institute for the Study of War (ISW), publicada em 16 de outubro, aponta a recomposição parcial das reservas russas de veículos blindados e artilharia autopropulsada. Parte dos equipamentos identificados pode corresponder a veículos recuperados ou modernizados, e não a unidades recém-fabricadas. Além disso, o aumento dos estoques não significa que todos os meios estejam disponíveis para emprego imediato. 

Para transformar equipamentos armazenados em capacidade de combate, são necessários tripulações treinadas, manutenção, munição, logística, comunicações e unidades de apoio. As imagens de satélite não permitem determinar, isoladamente, se esses elementos estão sendo mobilizados na mesma escala.

A presença de sistemas na Carélia merece acompanhamento pela proximidade com a Finlândia e pela importância estratégica da região. Entretanto, não há evidências públicas suficientes para concluir que a movimentação esteja vinculada à preparação de uma ofensiva contra a OTAN. A recomposição de estoques, por si só, não demonstra intenção de ataque nem estabelece um prazo para eventual emprego operacional.

O que os dados permitem afirmar

O cruzamento das imagens de satélite com as informações russas sustenta três conclusões: a indústria de defesa continua entregando novos sistemas; diferentes instalações de armazenamento voltaram a receber veículos e artilharia; e Moscou mantém esforços para recompor parte de suas capacidades convencionais durante a guerra na Ucrânia.

O alcance estratégico desse movimento depende de fatores que as imagens disponíveis não esclarecem, como a quantidade de veículos efetivamente operacionais, a disponibilidade de tripulações e a distribuição dos meios entre depósitos e unidades de combate.

Para a OTAN, a evolução dos estoques e da infraestrutura logística russa é relevante para o planejamento de defesa no médio e longo prazo. A avaliação, contudo, exige distinguir a recuperação material de equipamentos da formação de forças prontas para combate.

Os dados indicam uma recomposição parcial dos estoques russos, mas não comprovam a preparação de um ataque contra a OTAN. A evolução das entregas, as movimentações de unidades e a infraestrutura logística será fundamental para determinar se essa tendência resultará em aumento efetivo da capacidade operacional russa.


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