quinta-feira, 20 de agosto de 2026

O que realmente define uma empresa brasileira de Defesa? O que realmente constitui capacidade nacional de Defesa?

0 comentários


O valor estratégico está no conhecimento, na engenharia e na capacidade industrial mantida no País A origem do capital e o controle acionário são fatores relevantes. Influenciam investimentos, propriedade intelectual e decisões estratégicas. No entanto, a dimensão de uma empresa de defesa vai muito além da composição societária. Seu verdadeiro valor estratégico reside no capital humano especializado, engenheiros e técnicos, na infraestrutura de P&D, nos laboratórios, nas instalações industriais e, sobretudo, no conhecimento e nas competências tecnológicas acumulados ao longo de décadas em território brasileiro. 

Uma Distinção Fundamental 

Uma empresa controlada por capital brasileiro pode depender amplamente de tecnologias concebidas no exterior. Em sentido inverso, uma empresa pertencente a um grupo internacional pode manter no Brasil centenas de profissionais especializados, realizar pesquisa e desenvolvimento, operar laboratórios e linhas de produção,  desenvolver, integrar, fabricar e sustentar sistemas utilizados pelas nossas Forças Armadas. 

Qual dessas empresas representa maior capacidade nacional? 

Na indústria de defesa, a verdadeira riqueza está no conhecimento. O patrimônio real nem sempre aparece no balanço financeiro: está nas pessoas. Quando uma empresa de defesa desaparece, o País perde não apenas uma companhia, mas equipes, conhecimento tácito, fornecedores especializados, processos industriais e experiência acumulada. Algumas dessas competências levam décadas para serem reconstruídas. 

Um Problema Particularmente Relevante No Brasil 

O Brasil desenvolveu uma expressiva indústria de defesa a partir das décadas de 1970 e 1980. Não conseguiu, porém, assegurar a continuidade das encomendas e dos investimentos necessários à sua sustentação. Programas estratégicos são frequentemente postergados, volumes de aquisição reduzidos e os recursos destinados à Defesa convivem historicamente com contingenciamentos e incertezas orçamentárias. 

O Ministério da Defesa reconhece que a consolidação da Base Industrial de Defesa (BID) depende da atuação coordenada entre o Estado e o setor produtivo. Isso exige demanda interna consistente, previsibilidade orçamentária, continuidade dos programas estratégicos, investimentos sustentados em P&D, domínio de tecnologias críticas e redução de dependências externas. Também são fundamentais um marco regulatório estável, incentivos adequados, apoio às exportações e maior integração entre Forças Armadas, governo, indústria e academia. 

A falta de previsibilidade produz consequências que vão além do adiamento de aquisições. Interrompe investimentos, desestrutura cadeias de fornecedores e, sobretudo, provoca a perda de profissionais altamente especializados e do conhecimento acumulado. É essa descontinuidade que explica por que tão poucas empresas brasileiras de defesa conseguem manter suas capacidades e sobreviver por longos períodos. 

O Dilema Da Indústria De Defesa Brasileira 

Existe uma contradição que precisa ser enfrentada. O Brasil deseja uma BID forte, tecnologicamente autônoma e preferencialmente nacional. Ao mesmo tempo, frequentemente não oferece às empresas a previsibilidade de demanda necessária para sustentar estruturas altamente especializadas durante décadas. Depois, quando algumas enfrentam dificuldades, desaparecem ou são incorporadas por grupos internacionais, lamentamos a desnacionalização da indústria. 

Considere uma empresa brasileira de eletrônica de defesa e tecnologia aeroespacial, criada há várias décadas e com participação relevante em alguns dos principais programas estratégicos das três Forças Armadas. Ao longo de sua trajetória, formou gerações de engenheiros, consolidou competências tecnológicas, implantou laboratórios e desenvolveu capacidades de produção e integração de sistemas. Também investiu na qualificação de seus profissionais, enviando-os ao exterior para absorver conhecimentos e tecnologias em alguns dos mais avançados centros da indústria mundial. Em determinado momento, passou a integrar um grande grupo internacional de defesa. O controlador tornou-se estrangeiro. Mas, em vez de reduzir sua presença no País, ampliou os investimentos locais. A engenharia permaneceu e cresceu no Brasil, assim como os laboratórios e a capacidade produtiva. Investimentos em infraestrutura, qualificação profissional e treinamentos no exterior proporcionaram acesso a novos conhecimentos e tecnologias. A capacidade de engenharia foi quadruplicada. 

Décadas depois, a empresa continua empregando centenas de brasileiros, mantém um corpo técnico altamente especializado, realiza atividades de P&D no País e fora dele e participa dos principais programas estratégicos das Forças Armadas do Brasil. Podemos defini-la simplesmente como estrangeira? 

Do ponto de vista do controle societário, a origem estrangeira do capital é um fato. Sob a perspectiva da capacidade tecnológica, a realidade é bem mais complexa. Sua integração a um grupo internacional pode ter contribuído justamente para preservar no Brasil uma capacidade de engenharia que poderia ter sido perdida. 

Isso não significa defender indiscriminadamente a aquisição de empresas brasileiras por grupos estrangeiros. Dependência tecnológica, propriedade intelectual, autonomia decisória, acesso a códigos-fonte, componentes críticos e restrições internacionais continuam sendo questões fundamentais para a soberania. 

Significa, porém, reconhecer que nacionalidade do capital e nacionalidade da capacidade tecnológica não são necessariamente a mesma coisa. 

O Que Realmente Deveria Ser Medido 

A legislação brasileira diferencia Empresa de Defesa (ED) de Empresa Estratégica de Defesa (EED) e estabelece requisitos específicos para cada categoria. Essa classificação jurídica é necessária e importante. Mas existe uma dimensão adicional que deveria integrar a discussão sobre a BID: 

✓ Quanto de capacidade estratégica a empresa efetivamente mantém no País? 

✓ Quanto de alta tecnologia aplicada à defesa é desenvolvida no país? 

✓ Onde estão seus engenheiros, P&D, laboratórios e produção? 

✓ Quem domina a integração dos sistemas? 

✓ Quanto conhecimento foi efetivamente absorvido? 

✓ Qual é a capacidade brasileira de manter, modificar e modernizar determinado produto durante seu ciclo de vida? 

Essas perguntas ajudam a medir algo que a simples composição acionária não consegue demonstrar: a densidade tecnológica existente no território brasileiro. 

Soberania Exige Continuidade 

Nenhuma indústria de defesa sobrevive apenas de discursos sobre soberania. A BID precisa de contratos, investimentos, exportações e, sobretudo, previsibilidade. 

Não existe engenharia sem programas. Não existe P&D permanente sem recursos. Não existe linha de produção sem encomendas. E não existe preservação de conhecimento sem continuidade. 

Os recorrentes contingenciamentos dos recursos destinados à Defesa não representam apenas um problema para as Forças Armadas. Eles afetam diretamente a capacidade de sobrevivência da própria indústria que o País afirma considerar estratégica. Quando um programa é postergado, pode parecer que o Brasil simplesmente deixou uma aquisição para o futuro. Mas existe um custo invisível: o engenheiro que deixa a empresa, o fornecedor que abandona determinado produto, o laboratório que deixa de receber investimentos e o conhecimento que deixa de ser transmitido à próxima geração. Quando os recursos finalmente retornam, reconstruir essas capacidades pode custar muito mais do que teria custado preservá-las. 

Afinal, O Que É Uma Empresa Brasileira De Defesa? 

Talvez precisemos ampliar essa definição. Uma empresa brasileira de defesa não deveria ser avaliada apenas pelo passaporte de seus acionistas, mas também pelo que efetivamente desenvolve, produz e preserva no Brasil. 

A origem do capital deve ser conhecida. O controle societário precisa ser transparente. Dependências externas devem ser identificadas e tecnologias críticas precisam, sempre que possível, estar sob domínio nacional. 

O Brasil já demonstrou inúmeras vezes sua capacidade de desenvolver tecnologia de defesa. Seu grande desafio histórico tem sido mantê-la. Conhecimento estratégico leva décadas para ser construído. 

E quando esse conhecimento permanece no Brasil, ele também faz parte do patrimônio tecnológico e da capacidade de defesa do País. 


Por Mauro Beirão


GBN Defense - A informação começa aqui

Continue Lendo...

Entre o discurso e a execução: as contradições que ainda cercam a Defesa brasileira

0 comentários

As recentes declarações do presidente Lula sobre Defesa e soberania recolocam em discussão uma questão que o GBN Defense vem acompanhando há algum tempo: existe hoje uma distância entre o reconhecimento político da importância da Defesa e a capacidade do Estado de assegurar, de forma previsível, os recursos necessários para transformar esse reconhecimento em programas e capacidades de defesa.

A questão ganhou novo contorno durante a visita de Lula ao Centro Industrial Nuclear de Aramar, em Iperó. Ao defender a conclusão do submarino de propulsão nuclear, o presidente reconheceu uma dificuldade que não é nova para as Forças Armadas: a irregularidade na disponibilidade de recursos compromete o planejamento de projetos que exigem décadas de desenvolvimento.

A declaração é relevante porque expõe, ainda que indiretamente, uma fragilidade recorrente do modelo brasileiro de financiamento da Defesa. Projetos dessa natureza não podem ser planejados apenas a partir da disponibilidade anual de recursos. Pesquisa, desenvolvimento, qualificação, produção e incorporação de sistemas de defesa dependem de uma sequência de decisões e investimentos que precisa atravessar diferentes exercícios orçamentários e diferentes governos. É justamente nesse ponto que as declarações presidenciais encontram uma realidade que o GBN Defense vem apontando de forma recorrente.

Da Avibras a Aramar

Na visita à Avibras em julho, Lula destacou a importância das Forças Armadas, da soberania e da recuperação da capacidade industrial brasileira. A mensagem fazia sentido diante da situação da empresa e da importância que a Avibras possui para a Base Industrial de Defesa.

O problema é que a recuperação de uma empresa dessa natureza não se sustenta apenas pela decisão política de preservar sua existência. É necessário haver demanda, contratos, recursos e uma perspectiva suficientemente clara para que a empresa consiga reorganizar sua produção, seus fornecedores e seu corpo técnico.

Naquele momento, entretanto, já havia sinais de uma dificuldade mais ampla. Enquanto o governo ressaltava a necessidade de fortalecer a indústria e os programas de Defesa, diferentes projetos das Forças Armadas continuavam sujeitos a restrições orçamentárias e incertezas quanto ao ritmo de execução. O próprio contingenciamento imposto ao orçamento do Ministério da Defesa em 2026 reforçou essa realidade.

Por isso, a fala de Aramar não deve ser analisada isoladamente. Ela apenas tornou mais explícito um problema que já estava presente quando o presidente esteve na Avibras: o reconhecimento da importância da Defesa não veio acompanhado até aqui de uma solução definitiva para a instabilidade no fluxo de recursos. E essa questão pode ser observada também em programas muito diferentes do submarino nuclear.

O caso do ATMOS

O programa da Viatura Blindada de Combate Obuseiro Autopropulsado 155 mm Sobre Rodas, a VBCOAP 155 mm SR, é um exemplo particularmente útil.

A escolha do ATMOS representou uma decisão importante para a modernização da artilharia do Exército Brasileiro. O sistema atende a uma necessidade operacional concreta, combinando mobilidade, alcance e capacidade de emprego em diferentes cenários.

Mas o processo de aquisição acabou sendo submetido a uma intervenção de natureza político-ideológica que comprometeu sua evolução sem que, até o momento, tenha ficado demonstrada uma justificativa técnica ou operacional compatível com a dimensão da decisão.

O episódio também revelou uma interpretação equivocada sobre a própria natureza da empresa selecionada. A Elbit Systems é uma multinacional de capital privado, e não uma empresa pertencente ao governo de Israel. Embora seja uma companhia israelense e mantenha vínculos com o setor de Defesa daquele país, possui atuação internacional e mantém, há décadas, relações e projetos com o Brasil e com sua Base Industrial de Defesa.

Essa relação não é recente nem circunstancial. Empresas do grupo participam de diferentes programas brasileiros e a própria Elbit Systems construiu, ao longo dos anos, uma presença relevante no país por meio de parcerias, transferência de tecnologia, desenvolvimento conjunto e participação em projetos estratégicos.

Por isso, transformar a nacionalidade da empresa em elemento suficiente para questionar uma decisão de aquisição militar exige, no mínimo, uma justificativa que considere os aspectos técnicos, operacionais, industriais e estratégicos envolvidos. Uma decisão dessa natureza não deveria ser orientada exclusivamente por uma leitura político-ideológica sobre a origem do fornecedor.

Foto Victor Barreira

A questão se torna ainda mais relevante porque a aquisição do ATMOS não envolve apenas a escolha de um equipamento estrangeiro. Existe também a possibilidade de participação da indústria brasileira em sua implementação, justamente em um momento no qual o governo afirma buscar a recuperação da Base Industrial de Defesa e a preservação de capacidades nacionais.

A eventual participação das brasileiras AEL Sistemas, ARES e a Avibras em uma solução associada ao programa poderia contribuir para a recuperação da capacidade produtiva da própria Avibras e para a preservação de competências nacionais. Isso aproxima dois assuntos que no discurso político aparecem frequentemente separados: reequipamento das Forças Armadas e recuperação da Base Industrial de Defesa.

Mas ambos dependem da mesma condição básica: planejamento e recursos capazes de sustentar o programa até sua execução.

O caso do ATMOS demonstra, portanto, que as dificuldades enfrentadas pela Defesa brasileira não são exclusivamente orçamentárias. Em determinados momentos, decisões políticas também podem interferir em processos de aquisição que deveriam ser orientados prioritariamente por requisitos operacionais, critérios técnicos, interesses industriais e necessidades estratégicas do Estado.

Esse é um ponto que merece atenção porque a modernização da defesa não pode ser submetida a critérios diferentes daqueles que o próprio Estado estabelece para definir suas necessidades de capacidade.

Se a finalidade é dotar o Exército de uma artilharia moderna, móvel e capaz de acompanhar as demais forças no campo de batalha, a discussão deveria partir dessa necessidade e avaliar qual solução oferece a melhor combinação entre desempenho, custo, logística, transferência de tecnologia, participação nacional e sustentabilidade ao longo do ciclo de vida.

A origem de uma empresa pode fazer parte da análise de risco estratégico, mas não deveria, isoladamente, substituir a análise técnica. É justamente nessa diferença que o episódio do ATMOS se conecta ao debate mais amplo sobre a Defesa brasileira.

O que Aramar revela

É nesse contexto que a declaração de Lula em Aramar ganha maior relevância. O submarino nuclear é um projeto incomparavelmente mais complexo do que a aquisição de uma unidade de artilharia. Envolve domínio tecnológico, infraestrutura, formação de pessoal, segurança nuclear e uma cadeia industrial construída ao longo de décadas.

Ainda assim, os dois programas estão submetidos a uma característica comum do orçamento de Defesa brasileiro: a necessidade de conciliar projetos de longo prazo com recursos definidos dentro de ciclos orçamentários de curto prazo. Essa equação produz uma dificuldade conhecida.

Quando a disponibilidade financeira não acompanha o planejamento, o programa pode ter seu cronograma alterado, contratos podem ser postergados e decisões industriais precisam ser revistas. Em projetos de alta complexidade, os efeitos podem ser ainda maiores, porque a interrupção de uma etapa pode comprometer etapas posteriores e elevar o custo de retomada.

É justamente por isso que a fala do presidente em Aramar merece ser observada com atenção. Ao reconhecer a dificuldade de manter uma sequência de recursos capaz de assegurar a conclusão do submarino, Lula acabou identificando um dos problemas centrais que afetam não apenas o Programa Nuclear da Marinha, mas o planejamento de Defesa como um todo.

A contradição está na execução

Não há contradição em afirmar que a Defesa é importante e simultaneamente reconhecer que existem limitações orçamentárias. O orçamento público sempre envolve escolhas e restrições.

A dificuldade aparece quando programas são classificados como estratégicos, recebem prioridade política e são apresentados como instrumentos de soberania, mas continuam expostos a mecanismos de contingenciamento e a decisões anuais que podem alterar seu ritmo de execução. É essa diferença entre prioridade declarada e prioridade efetivamente protegida que merece ser discutida.

A experiência brasileira oferece diversos exemplos de programas que avançaram de maneira descontínua, tiveram seus cronogramas alterados ou precisaram ser reestruturados diante de mudanças na disponibilidade de recursos. Isso produz consequências que vão além do atraso de uma entrega.

Para as Forças Armadas, significa adiar capacidades que já foram consideradas necessárias. Para a indústria, significa dificuldade para dimensionar investimentos e manter equipes especializadas. Para o Estado, significa perder parte da eficiência obtida com anos de pesquisa e desenvolvimento.

No caso da Avibras, essa questão é ainda mais sensível porque a empresa concentra competências que levaram décadas para serem construídas. Recuperar uma estrutura industrial depois de sua desmobilização é muito mais complexo do que simplesmente retomar uma linha de produção. O mesmo raciocínio vale para Aramar.

O conhecimento necessário ao desenvolvimento do submarino nuclear não pode ser tratado como um projeto convencional de aquisição. Sua continuidade representa a preservação de competências tecnológicas que possuem valor estratégico para o país.

O que precisa mudar

O debate, portanto, não deveria se limitar ao tamanho do orçamento de Defesa. É necessário discutir também a forma como os programas estratégicos são planejados e protegidos dentro desse orçamento.

Se o Estado entende que determinados projetos são essenciais para sua soberania e para suas capacidades militares futuras, esses projetos precisam contar com mecanismos que permitam maior estabilidade de execução.

Isso não significa retirar a Defesa das prioridades fiscais do governo ou criar uma blindagem absoluta contra qualquer ajuste orçamentário. Significa estabelecer critérios claros para que contingenciamentos não comprometam justamente os programas cuja importância estratégica o próprio Estado reconhece. A fala de Lula em Aramar pode ser lida nesse contexto.

O presidente reafirmou a intenção de concluir o submarino nuclear e reconheceu a dificuldade provocada pela irregularidade dos recursos. A visita à Avibras, poucas semanas antes, havia reforçado a importância atribuída pelo governo à recuperação da indústria nacional de Defesa.

Entre as duas agendas, entretanto, permanece a mesma questão: como transformar essa prioridade política em execução contínua?

O ATMOS, o programa nuclear da Marinha e a recuperação da Avibras pertencem a universos diferentes, mas ajudam a demonstrar o mesmo desafio. Não basta selecionar um sistema, iniciar um programa ou anunciar sua importância. É preciso garantir as condições para que a decisão produza uma capacidade de defesa efetiva e sustentável. Essa é a discussão que precisa avançar.

O Brasil já possui uma estratégia de Defesa, programas estruturantes e uma Base Industrial capaz de desenvolver tecnologias de elevado nível. O que continua faltando, em muitos casos, é uma relação mais estável entre planejamento, orçamento e execução.

E é justamente nessa diferença entre aquilo que o Estado declara como prioridade e aquilo que consegue sustentar ao longo do tempo que estão algumas das principais vulnerabilidades da Defesa brasileira.


Por Angelo Nicolaci

GBN Defense — A informação começa aqui.

Continue Lendo...

Brasil acelera integração de sistemas não tripulados na Defesa

0 comentários

 

A guerra na Ucrânia consolidou uma mudança que já vinha sendo percebida em outros conflitos: sistemas não tripulados deixaram de ser ferramentas de apoio e passaram a ocupar posição central nas operações. Drones de baixo custo convivem com plataformas sofisticadas de vigilância, reconhecimento e ataque, enquanto veículos autônomos ampliam a presença militar em ambientes onde o emprego de meios tripulados é mais caro, arriscado ou limitado.

É nesse contexto que o Brasil começa a buscar uma abordagem mais integrada para seus sistemas não tripulados. Nos dias 13 e 14 de agosto, o Ministério da Defesa reuniu especialistas do Exército, da Marinha e da Força Aérea na Escola Superior de Defesa, em Brasília, para apresentar projetos em andamento, identificar lacunas e discutir como ampliar a cooperação entre as três Forças.

A discussão mostra que o Brasil já possui diferentes capacidades, mas muitas delas evoluíram de forma relativamente independente dentro de cada Força. O desafio agora é transformar esses projetos em uma arquitetura conjunta, capaz de conectar sensores, plataformas, redes de comunicação, sistemas de comando e meios de atuação.

Na Marinha, essa evolução está diretamente relacionada ao monitoramento da Amazônia Azul. O SisGAAz poderá incorporar sistemas aéreos, de superfície e terrestres não tripulados para ampliar a vigilância de uma área marítima extensa e reduzir as limitações impostas pela necessidade de manter plataformas tripuladas permanentemente em determinadas áreas.

Essa busca por maior autonomia também passa pela indústria nacional. No final de junho, o Comando do Material de Fuzileiros Navais realizou a avaliação do SARP Harpia, desenvolvido pela brasileira ADTECH-SD. Empregado como plataforma de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (ISR), o sistema demonstrou capacidades de rápida implantação, mobilidade, robustez e simplicidade logística. Para uma Força de Fuzileiros Navais concebida para operar de forma expedicionária, essas características ampliam o valor do sistema, permitindo seu emprego onde e quando houver necessidade, inclusive em ambientes nos quais a disponibilidade de infraestrutura é limitada.

A avaliação do Harpia também mostra que a discussão sobre sistemas não tripulados já ultrapassa a fase de demonstrações tecnológicas. Ao colocar uma solução desenvolvida pela indústria brasileira sob avaliação de uma Força operacional, a Marinha aproxima a tecnologia das necessidades reais do campo de batalha e cria um caminho para aperfeiçoar capacidades nacionais de ISR.

Entre os projetos navais está ainda o desenvolvimento de sistemas para controlar remotamente veículos autônomos de superfície. O sistema PRIMA, desenvolvido pelo Centro de Análises de Sistemas Navais (CASNAV), já foi instalado no Navio-Aeródromo Multipropósito Atlântico e no Navio Doca Multipropósito Bahia, permitindo que as duas plataformas funcionem como estações de controle. A tecnologia foi empregada em 2023 durante uma operação de Garantia da Lei e da Ordem na Baía de Guanabara.

No Exército, os investimentos abrangem diferentes categorias. A Força já emprega drones de curto e médio alcance, incluindo sistemas XMOBOTS e Nauru, enquanto estuda capacidades de maior alcance e potencialmente armadas. Também estão em desenvolvimento projetos de veículos terrestres não tripulados em parceria com a brasileira Taurus, a Otokar da Türkiye, e a EDGE dos Emirados, com alguns sistemas previstos para serem testados ainda neste ano durante a Operação Perseu.

A Força Aérea, por sua vez, possui uma experiência mais consolidada com sistemas remotamente pilotados. O RQ-900 é empregado há cerca de 15 anos a partir da Base Aérea de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Com autonomia de aproximadamente oito horas, alcance superior a 1.000 quilômetros e sensores para operações diurnas e noturnas, o sistema também foi utilizado recentemente no apoio às operações de busca e localização de vítimas durante as enchentes no Rio Grande do Sul.

O próximo passo da FAB está justamente na tentativa de ampliar a capacidade nacional. Por meio do projeto RQ-XBR, conduzido no âmbito da Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (COPAC), a Força está identificando empresas brasileiras capazes de desenvolver sistemas de aeronaves remotamente pilotadas. A iniciativa busca mapear competências existentes na indústria e criar condições para o desenvolvimento de uma capacidade nacional.

Essa preocupação aparece de maneira semelhante nas três Forças: adquirir sistemas estrangeiros pode resolver uma necessidade operacional imediata, mas não necessariamente garante autonomia no longo prazo. Como destacado pelo Exército durante o encontro, tecnologias militares críticas dificilmente são transferidas integralmente pelos fornecedores. Por isso, quando a aquisição externa é necessária, a transferência de tecnologia passa a ser um elemento importante para permitir a evolução futura da capacidade nacional.

O problema é que a tecnologia também avança mais rapidamente do que os ciclos tradicionais de aquisição militar. Inteligência artificial, autonomia, sensores, processamento de dados e comunicações estão modificando continuamente as possibilidades de emprego. Para o Ministério da Defesa, o risco não é apenas deixar de possuir determinada capacidade, mas investir em uma solução que já esteja próxima da obsolescência quando finalmente entrar em serviço.

A experiência portuguesa apresentada durante o encontro oferece uma referência interessante. A Marinha de Portugal criou uma estrutura própria de inovação e experimentação justamente para responder a lacunas que não estavam sendo solucionadas pela indústria. O resultado inclui uma nova geração de navios preparados para operar sistemas aéreos, de superfície e subaquáticos de maneira integrada, como o futuro NRP D. João II.

Para o Brasil, a questão central passa a ser menos quantos drones cada Força possui e mais como essas plataformas serão conectadas ao restante da estrutura militar. A experiência dos conflitos recentes mostra que o valor de um sistema não tripulado aumenta quando ele consegue compartilhar dados com outros sensores, alimentar sistemas de comando e controle e participar de um ciclo rápido entre detecção, decisão e ação.

O encontro promovido pelo Ministério da Defesa indica que essa discussão começa a ganhar uma dimensão conjunta no Brasil. O próximo desafio será transformar projetos que ainda caminham em diferentes estágios em capacidades interoperáveis, com escala industrial, doutrina própria e menor dependência tecnológica externa. Nesse processo, iniciativas como a avaliação do Harpia pelos Fuzileiros Navais mostram que a Base Industrial de Defesa brasileira já pode participar de uma transformação que não se resume à aquisição de drones, mas envolve a construção de uma nova arquitetura de vigilância, comando e atuação para as Forças Armadas.


GBN Defense - A informação começa aqui

com Marinha do Brasil

Continue Lendo...

Presidente visita Aramar e acompanha avanço do programa nuclear da Marinha

0 comentários

 

Agenda em Iperó destacou a montagem do reator do LABGENE e o desenvolvimento das tecnologias que serão empregadas no futuro submarino brasileiro de propulsão nuclear

O presidente da República visitou nesta quarta-feira (19) o Centro Industrial Nuclear de Aramar (CINA), em Iperó, São Paulo, onde acompanhou o avanço do Programa Nuclear da Marinha (PNM) e as etapas de desenvolvimento da planta de propulsão destinada ao futuro submarino brasileiro de propulsão nuclear.

A visita ocorre em um momento importante do programa, que avança para a montagem do reator do Laboratório de Geração de Energia Nucleoelétrica (LABGENE). A instalação funciona como um protótipo em escala real e em terra da planta de propulsão que será posteriormente empregada no futuro Submarino Nuclear Convencionalmente Armado (SNCA).

O LABGENE permitirá testar o reator e os diferentes sistemas eletromecânicos integrados antes de sua instalação a bordo, criando uma etapa fundamental para validar o funcionamento da planta e qualificar as equipes responsáveis por sua operação. Quando estiver plenamente operacional, o laboratório terá uma potência térmica de 48 megawatts.

O desenvolvimento do submarino depende, porém, de uma cadeia tecnológica mais ampla. Aramar concentra estruturas voltadas ao domínio do ciclo do combustível nuclear, incluindo o Laboratório de Enriquecimento Isotópico (LEI), responsável pelo desenvolvimento da tecnologia de separação isotópica por ultracentrifugação, e a Usina Piloto de Produção de Hexafluoreto de Urânio (USEXA), destinada à conversão do concentrado de urânio em UF6.

Outro componente é o Laboratório de Materiais Nucleares (LABMAT), que desenvolve combustíveis cerâmicos e materiais utilizados em sistemas nucleares. A instalação recebe um aporte de R$ 58 milhões da Finep para a implantação de uma linha de produção de combustíveis destinados a reatores de pequeno porte.

A Finep também apoia o programa por meio de iniciativas como o projeto Atomic, voltado à modelagem computacional de transientes e acidentes operacionais nucleares, além de projetos inseridos no Finep Mais Inovação, dentro da Nova Indústria Brasil. Essas iniciativas ampliam a participação da base científica e industrial brasileira no desenvolvimento das tecnologias associadas ao programa.

O complexo também concentra a formação dos profissionais que irão operar as instalações nucleares. O Centro de Instrução e Adestramento Nuclear de Aramar (CIANA) prepara militares e civis para a operação segura de plantas nucleares, enquanto o Laboratório Radioecológico (LARE) realiza o monitoramento radiológico dos trabalhadores e das áreas do entorno.

O caráter do programa é também dual. O domínio desenvolvido para a propulsão naval pode gerar aplicações futuras em outras áreas da tecnologia nuclear, incluindo geração de energia e soluções para setores como medicina e agricultura, ampliando o retorno científico e industrial dos investimentos realizados.

A visita presidencial reuniu ainda o ministro da Defesa, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, o comandante da Marinha e a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovações, reforçando a dimensão estratégica atribuída ao Programa Nuclear da Marinha.

O avanço do LABGENE representa, assim, uma das etapas mais importantes do caminho até o submarino brasileiro de propulsão nuclear. Mais do que a construção de uma plataforma naval, o programa envolve o desenvolvimento de uma cadeia nacional de conhecimento, materiais, combustível, geração de energia e recursos humanos necessária para que o Brasil possa operar e sustentar uma capacidade nuclear naval própria.


GBN Defense - A informação começa aqui

com Marinha do Brasil

Continue Lendo...

SPEAR amplia alcance ofensivo do MQ-9B e do Gambit 6

0 comentários

 

General Atomics e MBDA avançam na integração do míssil de cruzeiro com duas plataformas não tripuladas, ampliando a capacidade de ataque a distância e de supressão de defesas aéreas

A General Atomics e a MBDA deram mais um passo na evolução das capacidades ofensivas de sistemas aéreos não tripulados ao assinarem um memorando de entendimento para integrar o míssil de cruzeiro SPEAR ao MQ-9B e ao Gambit 6, aeronave de combate cooperativa não tripulada (CCA). O acordo prevê o trabalho conjunto para garantir que o armamento possa ser transportado e empregado operacionalmente pelas duas plataformas.

A iniciativa amplia uma parceria que já envolve a integração do míssil Brimstone ao Protector RG Mk1, versão britânica do MQ-9B. Agora, a incorporação do SPEAR leva a plataforma a uma categoria diferente de emprego, com capacidade de realizar ataques contra alvos além da linha de visão e a maiores distâncias de segurança em relação às defesas aéreas adversárias.

Desenvolvido pela MBDA, o SPEAR é um míssil de cruzeiro compacto para ataque ar-superfície. Seu tamanho permite que diferentes plataformas transportem múltiplas unidades, enquanto o alcance e os sistemas de guiagem permitem atingir alvos sem exigir que a aeronave lançadora se aproxime diretamente da área protegida por sistemas de defesa antiaérea.

Para o MQ-9B, a integração representa uma ampliação significativa do conceito original da plataforma. Com elevada autonomia e capacidade de permanência prolongada, o sistema já é empregado ou encomendado por cerca de uma dúzia de países, incluindo Reino Unido, Alemanha, Dinamarca, Bélgica e Polônia. A combinação entre persistência, sensores e um armamento de maior alcance amplia sua capacidade de atuar em missões de reconhecimento, vigilância e ataque.

A mesma integração ganha uma dimensão ainda maior no Gambit 6. Desenvolvido pela General Atomics como uma CCA, o sistema foi concebido para operar em missões nas quais uma aeronave não tripulada possa assumir funções de combate normalmente associadas a plataformas tripuladas, incluindo guerra eletrônica, supressão e destruição de defesas aéreas inimigas e ataques de precisão.

Com o SPEAR, o Gambit 6 passa a ser projetado também para engajar alvos terrestres a distância, mantendo a plataforma fora do envelope de ameaça dos sistemas de defesa aérea. Essa combinação é particularmente relevante para operações em ambientes nos quais a sobrevivência das aeronaves tripuladas depende da capacidade de neutralizar ou contornar as defesas adversárias.

A integração também evidencia uma tendência que vem ganhando espaço nos programas de combate aéreo: separar a plataforma do risco direto do ataque e transferir parte da letalidade para armamentos de maior alcance. Nesse modelo, drones de elevada autonomia e CCAs podem permanecer em áreas menos expostas enquanto empregam armas capazes de atingir alvos a grandes distâncias.

O movimento da General Atomics e da MBDA também mostra como os sistemas não tripulados estão deixando de ser empregados apenas como plataformas de inteligência, vigilância e reconhecimento. A combinação entre sensores, autonomia, guerra eletrônica e armamentos de precisão está transformando essas aeronaves em componentes ativos da arquitetura de combate aéreo.

Para o MQ-9B, o SPEAR acrescenta uma nova camada de capacidade ofensiva. Para o Gambit 6, representa um passo na direção de uma aeronave não tripulada concebida desde o início para operar em ambientes de maior ameaça. Em ambos os casos, a lógica é a mesma: aumentar o alcance dos efeitos produzidos sem aumentar na mesma proporção a exposição da plataforma.

Esse conceito deverá ganhar importância à medida que defesas aéreas mais integradas, sensores de maior alcance e sistemas de guerra eletrônica tornarem cada vez mais arriscado penetrar diretamente no espaço aéreo adversário. A integração do SPEAR ao MQ-9B e ao Gambit 6 coloca essas duas plataformas dentro dessa transformação, aproximando drones e sistemas de combate cooperativos do centro da arquitetura ofensiva das futuras operações aéreas.


GBN Defense - A informação começa aqui

Continue Lendo...

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Índia avança rumo ao motor próprio para dotar seus caças

0 comentários

 

Projeto Safran-GTRE prevê turbofan de 120 kN e pode colocar Nova Délhi no seleto grupo de países com domínio completo de tecnologias críticas de propulsão aeronáutica

A Índia está prestes a dar um dos passos mais importantes de sua história recente no setor aeroespacial: o desenvolvimento de um motor de caça com propriedade intelectual integralmente nacional. A proposta da joint venture formada por Safran e GTRE para um turbofan de 120 kN de empuxo chegou ao estágio de aprovação pelo Comitê de Segurança do Gabinete indiano, abrindo caminho para um programa que pretende romper décadas de dependência externa em uma das tecnologias mais sensíveis da aviação de combate.

O projeto está diretamente ligado ao "Advanced Medium Combat Aircraft" (AMCA), futuro caça furtivo de quinta geração da Índia. A primeira versão do motor deverá gerar 120 kN e terá nove protótipos destinados ao desenvolvimento, testes e certificação. Posteriormente, a intenção é evoluir o projeto para uma versão de aproximadamente 140 kN, destinada aos futuros AMCA Mk2 e a outras plataformas avançadas, incluindo possíveis aplicações navais.

O aspecto mais relevante, entretanto, não está apenas no nível de empuxo. A Índia pretende deter integralmente a propriedade intelectual do novo motor, incluindo tecnologias que historicamente permaneceram sob controle dos fornecedores estrangeiros. O objetivo é dominar componentes críticos como a seção quente, materiais avançados e tecnologias de turbinas, reduzindo a dependência que o país mantém de motores russos, franceses e americanos.

O programa representa uma mudança importante em relação às parcerias anteriores. Os motores GE F404 utilizados pelo Tejas Mk1A e os futuros F414 destinados ao Tejas Mk2 e às primeiras versões do AMCA ampliam a capacidade industrial indiana, mas não entregam domínio completo das tecnologias mais sensíveis. A parceria Safran-GTRE pretende avançar justamente nesse ponto, permitindo que a Índia projete, produza e posteriormente evolua seu próprio sistema de propulsão.

O desafio tecnológico é considerável. O novo motor deverá incorporar tecnologias como pás de turbina monocristalinas, temperaturas de entrada superiores a 2.100 Kelvin, controle digital FADEC e um pós-combustor de geometria variável. Esses elementos são fundamentais para combinar alto desempenho, eficiência e gerenciamento da assinatura térmica, características particularmente relevantes para uma aeronave que deverá operar em ambientes densamente defendidos.

A urgência também é determinada pelo avanço chinês. O desenvolvimento dos motores WS-10 e, posteriormente, do WS-15 permitiu à China reduzir sua dependência histórica de projetos estrangeiros e equipar o J-20 com um motor de maior desempenho. Para a Índia, que enfrenta diretamente a expansão da capacidade aérea chinesa, inclusive no entorno do Himalaia, dominar a propulsão deixou de ser apenas uma questão industrial e passou a fazer parte da equação estratégica.

Nova Délhi mantém, ao mesmo tempo, diferentes linhas de desenvolvimento. O programa Kaveri, que originalmente não alcançou o desempenho necessário para equipar um caça, foi retomado como demonstrador tecnológico com meta de aproximadamente 80 kN. No curto prazo, porém, a Força Aérea Indiana continuará dependente de motores estrangeiros. Um contrato para 212 unidades F404 sustenta o programa Tejas Mk1A, enquanto a produção conjunta do F414 deverá apoiar as versões mais avançadas da aeronave.

O desenvolvimento do motor próprio também ocorre em paralelo à definição industrial do próprio AMCA. Tata, Bharat Forge e Larsen & Toubro estão entre as empresas envolvidas nas propostas para a fabricação da aeronave, em parceria com estruturas estatais, indicando que Nova Délhi pretende construir uma cadeia industrial nacional capaz de dominar não apenas a plataforma, mas também seus principais sistemas.


A questão, porém, vai além do AMCA. A guerra contemporânea está colocando em discussão o próprio modelo de poder aéreo, com a combinação entre caças tripulados, mísseis de longo alcance, drones e sistemas de combate não tripulados. Para a Índia, o domínio de um motor avançado oferece liberdade para desenvolver diferentes plataformas no futuro, mas exigirá investimentos elevados e uma capacidade de pesquisa, testes e produção que historicamente representou um dos principais obstáculos de sua indústria aeronáutica.

Se conseguir transformar os nove protótipos em um sistema operacional confiável e posteriormente evoluí-lo para a classe de 140 kN, a Índia deixará de ser apenas usuária ou montadora de motores estrangeiros e passará a controlar uma das tecnologias mais estratégicas de um caça moderno. O programa Safran-GTRE, portanto, não é apenas mais uma etapa do AMCA: é uma tentativa de transformar a soberania tecnológica da propulsão em um dos pilares do poder aéreo indiano.


GBN Defense - A informação começa aqui

Continue Lendo...

A Índia confirma a nova guerra dos fogos

0 comentários

 

Debate sobre a modernização da artilharia indiana reforça diagnóstico do GBN Defense: canhões, drones, sensores e munições precisam operar como um único sistema

A análise publicada pelo GBN Defense sobre a transformação dos fogos de artilharia apontava para uma mudança que vai muito além da substituição de um obuseiro por outro. A combinação entre drones, sensores, munições de precisão, redes de comunicação e maior mobilidade está modificando a própria maneira como a artilharia é empregada no campo de batalha.

Um artigo publicado nesta quarta-feira (19) na Índia reforça exatamente essa leitura. Ao analisar o processo de modernização da artilharia indiana e a evolução das capacidades paquistanesas, o Major General Harsha Kakar chega a uma conclusão semelhante: aumentar o número de canhões não é suficiente. A capacidade de fogo precisa estar conectada a uma rede capaz de localizar o alvo, transmitir os dados, executar o disparo e avaliar o resultado em tempo reduzido.

A discussão indiana ganha importância porque ocorre diante de uma mudança concreta no equilíbrio regional. O Paquistão já emprega cerca de 250 sistemas SH-15, versão de exportação do PCL-181 chinês, um obuseiro de 155 mm sobre rodas desenvolvido pela Norinco. Segundo a análise indiana, a principal vantagem desse conceito está na mobilidade, permitindo que a peça execute o tiro e abandone rapidamente a posição para reduzir sua exposição aos fogos de contrabateria. É justamente essa característica que vem ganhando espaço entre os principais programas de artilharia.

A mobilidade deixou de ser opcional

O emprego de plataformas sobre rodas não representa apenas uma mudança de chassi. No teatro de operações onde drones e radares conseguem identificar posições de tiro com velocidade crescente, o tempo de permanência em uma posição tornou-se um dos fatores que determinam a sobrevivência da unidade.

A lógica do "shoot-and-scoot" passa a ser incorporada ao próprio conceito de emprego da artilharia. A peça precisa ocupar uma posição, receber os dados do alvo, realizar o disparo e iniciar o deslocamento antes que o adversário consiga completar seu ciclo de detecção, decisão e resposta.

Foi exatamente essa mudança que analisamos ao tratar da evolução dos fogos. O aumento da letalidade não está apenas no alcance do canhão ou na potência da munição, mas na capacidade de integrar diferentes elementos em uma cadeia operacional mais rápida. 

A experiência indiana mostra que essa percepção não está restrita aos Estados Unidos ou à Europa. A Índia possui mais de 220 regimentos de artilharia e vem conduzindo um amplo processo de substituição de sistemas antigos por peças de 155 mm. O país já incorporou 72 dos 114 obuseiros "Dhanush" inicialmente encomendados e possui encomendas adicionais, além de 307 sistemas "ATAGS" desenvolvidos pela DRDO em parceria com a indústria privada. Ao mesmo tempo, a Índia já opera 109 sistemas autopropulsados K-9 "Vajra-T" baseados no K9 sul-coreano, e adquiriu 145 M777 dos Estados Unidos.

A própria evolução desse inventário revela uma mudança de direção. O país continua utilizando sistemas rebocados, mas cresce a percepção de que a artilharia futura precisará privilegiar plataformas autopropulsadas e montadas sobre veículos, capazes de acompanhar forças móveis e reduzir o tempo de exposição.

O canhão é apenas uma parte do sistema

O ponto mais importante da análise indiana, entretanto, está além da plataforma. O artigo chama atenção para a necessidade de reduzir o tempo do ciclo sensor-atirador, conectando drones, radares, sistemas de vigilância, munições de precisão e armas em uma mesma rede. Quanto mais distante estiver o alvo, maior tende a ser a importância dessa integração, já que pequenas imprecisões na localização ou nos dados meteorológicos e balísticos podem resultar em grandes erros no ponto de impacto.

A questão também aparece quando se discute munição de precisão. A Índia adquiriu apenas 216 projéteis M982 Excalibur para seus M777, utilizados durante a Operação Sindoor, por US$ 47,1 milhões. O exemplo demonstra a capacidade operacional proporcionada por uma munição guiada, mas também expõe o problema de escala: uma força de artilharia não pode depender exclusivamente de munições de altíssimo custo para manter uma campanha prolongada.

Por isso, a Índia busca desenvolver sua própria capacidade de produção de munições de precisão e ampliar o alcance dos sistemas existentes. Projetos de munição com propulsão ramjet e tecnologia "base bleed" estão entre as iniciativas em desenvolvimento, enquanto sistemas de foguetes e mísseis como "Pinaka" e "Pralay" complementam a arquitetura de fogos de maior alcance.

A lógica é semelhante à observada em outros programas modernos: o alcance da artilharia passa a depender não apenas do tubo, mas também da capacidade de encontrar o alvo e fornecer ao sistema de armas os dados necessários para atingi-lo.

Drones entram definitivamente nos fogos

Outro ponto que aproxima a experiência indiana da análise publicada pelo GBN Defense é a incorporação dos drones ao sistema de artilharia. A Índia está estruturando unidades nas quais aeronaves não tripuladas de vigilância e sistemas de ataque passam a operar junto aos meios de fogo. O objetivo é construir uma cadeia na qual o drone identifica o alvo, os dados são transmitidos à unidade de tiro, a artilharia executa o engajamento e os próprios sensores podem realizar a avaliação dos danos. Essa integração reduz a dependência de processos separados e diminui o tempo entre a identificação e o engajamento do alvo.

É uma mudança importante. O drone deixa de ser apenas um equipamento de observação utilizado para auxiliar a artilharia e passa a fazer parte de sua arquitetura operacional. A consequência é que uma bateria moderna pode ser composta por muito mais do que seus obuseiros. Sensores, enlaces de dados, sistemas de comando e controle, guerra eletrônica, drones, radares e munições passam a determinar tanto a capacidade ofensiva quanto a sobrevivência da unidade.

A questão industrial

A Índia também enfrenta um problema que interessa diretamente ao Brasil: modernizar a artilharia exige capacidade industrial para sustentar a força. A Índia busca aumentar a produção doméstica de munições e reduzir sua dependência de fornecedores estrangeiros, ao mesmo tempo em que enfrenta atrasos no desenvolvimento, correções necessárias durante os testes e limitações de capacidade industrial.

A experiência demonstra que uma plataforma moderna, sozinha, não garante uma capacidade de fogo moderna. É necessário produzir munições em quantidade, manter estoques, garantir peças de reposição, desenvolver sistemas eletrônicos e assegurar a infraestrutura necessária para manter os equipamentos disponíveis durante um conflito prolongado. Essa é uma das razões pelas quais a discussão sobre Base Industrial de Defesa precisa estar diretamente associada aos programas de modernização militar.

O que isso significa para o Brasil

A experiência indiana reforça uma questão que o Brasil precisa enfrentar na modernização de sua artilharia. O desafio não está apenas em substituir sistemas antigos, mas em construir uma arquitetura de fogos adequada ao ambiente operacional contemporâneo.

O Exército Brasileiro já possui elementos importantes dessa arquitetura. O programa ASTROS oferece uma capacidade de fogos de longo alcance, enquanto drones, radares, sistemas de comando e controle e projetos de munições ampliam progressivamente a capacidade de aquisição e engajamento de alvos. O próximo passo precisa ser a integração desses elementos.

Nesse contexto, a discussão sobre o ATMOS ganha relevância. A adoção de um sistema de artilharia autopropulsado sobre rodas representa mais do que a substituição de uma peça rebocada: significa incorporar maior mobilidade ao componente de 155 mm e aproximar a artilharia brasileira do conceito que vem sendo adotado por diferentes forças.

A decisão americana de testar o K9MH e a experiência indiana com sistemas como o Vajra e os projetos de canhões montados sobre rodas mostram que existe uma convergência clara na evolução da artilharia. As plataformas estão se tornando mais móveis, enquanto sensores, drones e munições de precisão passam a operar cada vez mais integrados.

Para o Brasil, isso torna ainda mais necessário dar prosseguimento à aquisição do ATMOS, e principalmente, inseri-lo em uma arquitetura mais ampla de fogos, conectada aos sensores, drones, radares, comunicações e sistemas de comando e controle já em desenvolvimento.

A conclusão é a mesma que apresentamos na análise anterior de autoria deste analista, agora reforçada pela experiência indiana: a artilharia está deixando de ser uma coleção de canhões para se transformar em uma rede integrada de sensores, armas e informações.

O país que conseguir reduzir o tempo entre detectar, decidir, disparar e reposicionar sua unidade terá uma vantagem significativa. E essa transformação não está mais no campo das hipóteses. Índia, Estados Unidos e outras forças já estão adaptando seus programas de artilharia a essa realidade. O Brasil precisa decidir com que velocidade pretende fazer o mesmo.


por Angelo Nicolaci


GBN Defense - A informação começa aqui

Continue Lendo...

Irã avalia levar a guerra para a Europa

0 comentários

 

Teerã considera ataques contra instalações militares americanas no continente europeu e ações contra infraestrutura crítica no Estreito de Ormuz em caso de nova escalada com Washington

A guerra entre Estados Unidos e Irã pode estar mudar expressivamente, onde a distância geográfica pode deixar de funcionar como elemento de contenção. Segundo reportagem publicada nesta quarta-feira (19) pelo Financial Times, autoridades próximas ao regime iraniano afirmam que Teerã avaliou a possibilidade de atacar instalações militares americanas no sudeste da Europa caso Washington amplie novamente as operações contra o Irã. Entre os locais mencionados estão a Bulgária e Chipre.

A informação não significa que um ataque tenha sido decidido ou que seja iminente. O que ela revela é que as estruturas militares utilizadas pelos Estados Unidos fora do Oriente Médio passaram a fazer parte do cálculo de retaliação iraniano. É uma mudança importante porque amplia o possível teatro de operações para áreas que, até agora, funcionavam principalmente como retaguarda logística e operacional das forças americanas.

Segundo as fontes ouvidas pelo Financial Times, a base aérea de Bezmer, na Bulgária, estaria entre as instalações avaliadas por Teerã depois que Sofia autorizou seu uso por aeronaves americanas de reabastecimento. Chipre também aparece no planejamento, em razão da importância das instalações militares britânicas na ilha para as operações ocidentais na região.

A lógica iraniana é relativamente clara: se uma instalação localizada fora do Oriente Médio é empregada para apoiar operações contra o Irã, ela pode ser considerada parte da infraestrutura militar adversária. Essa interpretação amplia significativamente o número de pontos que Washington e seus aliados precisam proteger e cria um problema adicional para os países europeus que oferecem bases, espaço aéreo ou apoio logístico às forças americanas.

A Europa entra no cálculo

O risco não é apenas teórico. A OTAN confirmou nesta quarta-feira (19) que está preparada para responder a qualquer ameaça contra seus membros e lembrou que suas defesas já interceptaram em quatro ocasiões neste ano, mísseis balísticos lançados pelo Irã em direção à Türkiye.

A diferença agora é que a possibilidade discutida publicamente envolve instalações militares localizadas dentro do território europeu e utilizadas por forças americanas. Um ataque desse tipo poderia criar uma situação particularmente delicada para a Aliança, sobretudo se o alvo estivesse em território de um Estado-membro da OTAN.

Nesse cenário, a questão deixaria de ser apenas a capacidade americana de responder ao Irã. Entraria em discussão a necessidade de proteger uma rede muito mais ampla de bases, instalações logísticas, sistemas de defesa aérea e infraestrutura de apoio distribuída pelo continente.

A escolha dos possíveis alvos também não parece aleatória. Bezmer, por exemplo, ganha relevância justamente por sua função de apoio às operações americanas. A lógica é semelhante à adotada por Teerã em relação a outras instalações utilizadas pelos Estados Unidos e seus aliados: atingir a infraestrutura que permite sustentar uma campanha militar, em vez de limitar a resposta ao território diretamente envolvido no conflito.

Ormuz e a guerra contra a infraestrutura

Ainda mais significativa é a possibilidade de ações contra cabos submarinos de fibra óptica no Estreito de Ormuz.

A região não é apenas uma passagem fundamental para o comércio internacional de petróleo e gás. O fundo do Golfo também concentra infraestrutura de comunicações responsável por transportar grandes volumes de dados entre países e continentes. Relatórios recentes já apontavam que setores ligados à Guarda Revolucionária Iraniana vinham discutindo ações contra cabos de internet no Golfo como parte de uma estratégia de pressão sobre os Estados Unidos e seus parceiros.

Esse aspecto merece atenção porque amplia a natureza da possível retaliação. Um ataque contra uma base militar atingiria diretamente uma capacidade operacional; uma ação contra infraestrutura submarina poderia produzir efeitos econômicos e tecnológicos muito além do teatro militar.

O problema seria agravado pela dificuldade de proteção dessas estruturas. Ao contrário de uma instalação militar localizada, cabos submarinos percorrem grandes distâncias e estão distribuídos por áreas nas quais a vigilância e a proteção permanente são complexas. Uma interrupção também poderia exigir operações de reparo especializadas e produzir impactos sobre diferentes países e operadores.

Isso ajuda a explicar por que a infraestrutura crítica passou a ocupar espaço cada vez maior no planejamento militar contemporâneo. A guerra deixou de estar limitada à destruição de plataformas e instalações convencionais e passou a envolver também os sistemas que sustentam comunicações, logística, energia e circulação de dados.

A capacidade iraniana e seus limites

A ameaça, entretanto, precisa ser analisada considerando as capacidades reais de Teerã. O Irã dispõe de um amplo arsenal de mísseis balísticos e de diferentes sistemas de ataque de longo alcance, mas a distância entre o território iraniano e determinados alvos europeus cria desafios importantes de alcance, precisão e sustentação operacional. Especialistas citados na reportagem do Financial Times avaliam que mísseis iranianos de alcance intermediário poderiam atingir determinados alvos no sul e sudeste europeu, embora sua eficácia a distâncias maiores seja uma questão relevante.

Por isso, uma eventual tentativa iraniana de ampliar a guerra para a Europa não necessariamente dependeria exclusivamente de mísseis balísticos. A combinação de diferentes instrumentos: drones, operações indiretas, grupos parceiros e ações contra infraestrutura, poderia permitir a Teerã distribuir os riscos e ampliar os custos impostos aos Estados Unidos e seus aliados.

O próprio histórico recente mostra que o Irã procura demonstrar capacidade de alcançar alvos muito além de suas fronteiras imediatas. A questão central, portanto, não é apenas se Teerã possui capacidade para atingir determinado ponto, mas qual seria o objetivo político e militar de fazê-lo.

O risco de uma escalada geográfica

A principal preocupação para Washington e seus aliados é que uma eventual nova ofensiva americana contra o Irã possa produzir uma resposta que não fique restrita às bases americanas no Oriente Médio.

O cálculo iraniano parece partir da tentativa de elevar o custo de uma nova ofensiva. Se Washington sabe que uma operação contra o território iraniano pode resultar em ataques contra instalações utilizadas por suas forças na Europa, além de ameaças à infraestrutura no Golfo, o número de variáveis envolvidas na decisão militar aumenta consideravelmente.

Ao mesmo tempo, Teerã precisa considerar que atacar um Estado europeu membro da OTAN poderia produzir uma resposta muito mais ampla do que aquela provocada por ataques contra bases americanas em países parceiros fora da Aliança.

É justamente essa possibilidade que torna a ameaça particularmente sensível. A estratégia iraniana de dissuasão pode funcionar enquanto os ataques permanecem limitados aos ativos americanos e aliados diretamente envolvidos no conflito. Mas um ataque que provoque vítimas ou danos significativos dentro do território de um membro da OTAN poderia alterar completamente o cálculo político.

Análise do GBN Defense

As informações disponíveis não indicam que o Irã tenha decidido atacar a Europa. O que mudou é que instalações militares americanas no continente passaram a integrar o cálculo de Teerã para uma eventual retaliação contra Washington. Por enquanto, são opções sendo avaliadas pelo regime, não uma decisão de ataque já tomada.

Ainda assim, a informação merece atenção porque mostra como a arquitetura militar americana na Europa pode se tornar parte de uma guerra que, até aqui, tem seu centro de gravidade no Oriente Médio.

A presença militar dos Estados Unidos no continente é construída sobre uma extensa rede de bases, aeródromos, centros logísticos, instalações de comando, sistemas de defesa aérea e pontos de apoio. Em uma campanha de longa duração, essa infraestrutura funciona como uma extensão da capacidade militar americana. Para Teerã, portanto, a distinção entre “teatro de operações” e “retaguarda” pode ser cada vez menos relevante.

O mesmo raciocínio vale para o Estreito de Ormuz. A possibilidade de atingir cabos submarinos mostra que a disputa pode avançar para uma dimensão que infraestrutura civil e militar passam a se sobrepor. Comunicação, energia, logística e dados são elementos fundamentais para a sustentação de qualquer operação militar, e justamente por isso, tornam-se vulneráveis a ações destinadas a elevar o custo econômico e operacional do adversário.

A resposta da OTAN também merece ser observada. Ao afirmar que está preparada para enfrentar qualquer ameaça, a Aliança sinaliza que não pretende tratar um eventual ataque contra instalações em território aliado como uma questão exclusivamente bilateral entre Washington e Teerã.

O resultado é um cenário em que uma nova escalada entre Estados Unidos e Irã pode produzir efeitos muito além do Oriente Médio. Quanto mais a infraestrutura europeia for incorporada ao esforço militar americano e quanto mais Teerã ampliar a definição de seus possíveis alvos, maior será o risco de que uma guerra regional passe a envolver diretamente estruturas e territórios europeus.

Por enquanto, não há confirmação de que o Irã tenha decidido executar esses ataques. O que existe é a indicação, sustentada por fontes próximas ao regime e acompanhada por uma resposta preventiva da OTAN, de que Teerã está ampliando o leque de opções para uma eventual nova fase do conflito.

E essa mudança de cálculo é, por si só, um dos sinais mais relevantes de que a próxima escalada poderá não respeitar as fronteiras geográficas que até agora limitaram a guerra.


por Angelo Nicolaci


GBN Defense - A informação começa aqui

Continue Lendo...
 

GBN Defense - A informação começa aqui Copyright © 2012 Template Designed by BTDesigner · Powered by Blogger