A crescente presença militar da China na região do Indo-Pacífico está forçando a Austrália a reforçar suas defesas, com foco especial no desenvolvimento de novos mísseis de longo alcance e tecnologias avançadas de radar. A recente movimentação da Marinha do Exército de Libertação Popular Chinês (PLAN), que enviou três navios de guerra para a costa australiana, foi um alerta claro para Canberra sobre a necessidade urgente de aprimorar sua capacidade de resposta militar.
A reação de Canberra a essa ameaça crescente está centrada na implantação de mísseis antinavio avançados, incluindo a avaliação de dois novos tipos de mísseis, projetados para serem disparados de lançadores móveis. A Austrália está mirando no desenvolvimento de mísseis com alcance de até 1.000 km, com o "Precision Strike Missile" (PSM) da Lockheed Martin sendo um dos principais concorrentes. Este sistema tem a capacidade de ser disparado a partir de lançadores High Mobility Artillery Rocket System (HIMARS), que estarão em serviço entre 2026 e 2027, e podem fornecer uma defesa robusta contra ameaças navais.
O governo australiano anunciou que uma decisão sobre os mísseis deverá ser tomada até o final deste ano. Se aprovados, esses novos sistemas antinavio forneceriam à Austrália uma poderosa ferramenta para garantir a proteção de suas vastas águas territoriais, incluindo suas principais cidades costeiras, Sydney e Melbourne. O exército australiano já tem a experiência prática com mísseis de longo alcance, como demonstrado em exercícios realizados no Pacífico, onde o Exército dos EUA usou com sucesso mísseis de ataque de precisão para atingir alvos em movimento no mar.
A recente presença de navios de guerra chineses nas proximidades da costa australiana, incluindo a realização de exercícios militares no Mar da Tasmânia sem notificação às autoridades locais, evidenciou a necessidade de uma resposta rápida e eficaz. A flotilha chinesa, composta por um cruzador poderoso, uma fragata e um navio de reabastecimento, colocou à prova as capacidades de vigilância e resposta da Austrália, além de causar transtornos no tráfego aéreo com 49 voos desviados.
Estratégia de Defesa de Longo Alcance
Os novos mísseis do exército australiano não são apenas uma resposta à ameaça imediata, mas também um componente fundamental da estratégia de defesa mais ampla do país. A intenção é garantir que a Austrália tenha uma presença militar de dissuasão robusta, capaz de proteger tanto seu território quanto aliados na região. Especialistas militares destacam que esses mísseis podem ser usados não apenas para defender a Austrália, mas também para apoiar forças aliadas em ilhas estrategicamente importantes, caso ocorra um conflito em uma região marcada pela crescente influência chinesa.
O governo australiano está investindo aproximadamente US$ 47 bilhões em uma década, com foco em tecnologias de segmentação, sistemas de ataque de longo alcance, defesa antimísseis e fabricação de mísseis. Isso faz parte de uma preparação abrangente para um cenário de “incerteza estratégica” que, segundo especialistas, é o maior desde a Segunda Guerra Mundial.
Canberra não está sozinha nessa corrida por mísseis de longo alcance. Países como os Estados Unidos, Filipinas, Japão, Coreia do Sul e Taiwan também estão intensificando seus investimentos em sistemas de mísseis, incluindo pesquisa em armas hipersônicas, recondicionamento de projéteis antigos e expandindo suas linhas de produção. Para os aliados dos EUA, essa aceleração na modernização de arsenais de mísseis é uma prioridade estratégica diante da crescente assertividade militar da China.
Desafios e Pressões Internacionais
Em meio a essa estratégia de defesa aprimorada, a Austrália enfrenta pressão interna e externa para aumentar seus gastos com defesa. Embora o país tenha atualmente um orçamento de defesa que corresponde a cerca de 2% do seu PIB, analistas apontam que esse número está abaixo da meta de 3% do PIB recomendada pela OTAN. O ex-funcionário de defesa Ross Babbage, membro sênior do Centro de Avaliações Estratégicas e Orçamentárias de Washington, destacou que a Austrália deve priorizar a implementação e a fabricação de mísseis, sugerindo que o país precisa acelerar o desenvolvimento e garantir grandes estoques de mísseis para um possível conflito prolongado na região.
Enquanto isso, o Pentágono, em apoio à Austrália, tem enfatizado sua prioridade de dissuadir a China e manter um compromisso firme com a segurança e estabilidade na região do Indo-Pacífico. O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, reiterou que uma rede forte de aliados é essencial para enfrentar a crescente ameaça chinesa.
Capacidades de Defesa Avançadas e Produção Nacional
Além dos mísseis de longo alcance, a Austrália está investindo em novos sistemas de radar para detectar ameaças com maior precisão. A CEA Technologies, sediada em Canberra, recebeu um contrato de AUD$ 272 milhões para fornecer até 14 radares phased-array multimissão para os regimentos de mísseis. A principal vantagem desses sistemas de mísseis móveis terrestres é sua flexibilidade operacional: eles podem ser facilmente escondidos e reposicionados, mas ainda assim possuem o poder de ataque equivalente ao de um navio de guerra ou aeronave de ataque de alto custo.
O futuro da defesa australiana parece claramente focado em tecnologias de longo alcance e mísseis de precisão, refletindo uma resposta estratégica à crescente ameaça da China. A implementação de mísseis de longo alcance e radares avançados não só vai reforçar a capacidade de dissuasão da Austrália, mas também contribuir para um ambiente de segurança mais robusto na região do Indo-Pacífico, onde a presença militar chinesa está se tornando cada vez mais dominante.
GBN Defense - A informação começa aqui
com Reuters
0 comentários:
Postar um comentário