A Rússia e o Sudão alcançaram um entendimento para o estabelecimento de uma base naval russa no Mar Vermelho, conforme anunciou o ministro das Relações Exteriores do Sudão, Ali Youssef Sharif. O acordo, que vinha sendo negociado desde o governo do ex-presidente Omar al-Bashir, foi retomado e está próximo de sua ratificação final.
O acordo permitirá que a Rússia instale uma base naval para operar navios da frota russa a partir do Sudão no Mar Vermelho. A instalação terá grande importância estratégica para Moscou, especialmente após as incertezas sobre a manutenção de suas bases na Síria devido às mudanças políticas no país.
O ministro sudanês garantiu que a base russa não representa ameaça à soberania do Sudão ou a outros países da região. Ele citou o Djibuti como exemplo, um país que abriga várias bases estrangeiras, incluindo dos EUA, França e China.
Negociações Prolongadas e Impactos Geopolíticos
As tratativas para a base russa no Sudão começaram em 2019 e foram oficializadas em novembro de 2020. Entretanto, o golpe de Estado no Sudão e o conflito entre o Exército sudanês e as Forças de Apoio Rápido (RSF) atrasaram a implementação do projeto. Durante esse período, a Rússia manteve relações diplomáticas com ambos os lados do conflito, buscando preservar seus interesses na região.
Em 2024, um general sudanês revelou que Moscou propôs um acordo no qual a Rússia forneceria armas e munição em troca da instalação da base naval. Esse aspecto reforça a importância da presença russa no Chifre da África, uma região que já conta com bases militares de potências globais.
A movimentação da Rússia para estabelecer uma base no Sudão é parte de uma estratégia maior de expansão de sua presença militar e diplomática no continente africano. Moscou tem fortalecido relações com vários países africanos, fornecendo apoio militar e acordos comerciais em setores estratégicos, como mineração e energia.
A confirmação da base russa no Mar Vermelho posiciona Moscou como a quarta grande potência a manter uma força naval na região, ao lado de Estados Unidos, China e França. O Sudão, com seu extenso litoral e recursos naturais, torna-se um ponto crucial na disputa por influência no continente.
A ratificação do acordo ainda está pendente, mas as declarações oficiais indicam que sua conclusão é iminente. Caso seja implementado, o pacto reforçará a projeção de poder naval da Rússia e consolidará sua influência na África Oriental e no Oceano Índico.
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com Reuters
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