Os investimentos globais em defesa atingiram um recorde histórico de US$ 2,46 trilhões em 2024, refletindo a crescente percepção de ameaças e a deterioração do ambiente de segurança internacional. Segundo o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS), os gastos militares aumentaram 7,4% em termos reais, superando o crescimento de 6,5% em 2023 e 3,5% em 2022. Esse aumento ocorre em meio a um cenário de intensificação de conflitos regionais e de rivalidades estratégicas entre grandes potências.
Rússia e Europa intensificam investimentos
A Rússia liderou o aumento global, com um crescimento de 41,9% nos gastos militares, atingindo US$ 145,9 bilhões. Em termos de paridade do poder de compra (PPC), seus investimentos em defesa superaram os US$ 462 bilhões, ultrapassando o total da Europa. Com isso, o orçamento militar russo alcançou 6,7% do PIB, com previsão de aumento para 7,5% em 2025. Esses investimentos têm impulsionado a modernização de seu arsenal, incluindo o desenvolvimento de novos sistemas de mísseis hipersônicos, veículos blindados avançados e submarinos estratégicos.
A Europa, por sua vez, também intensificou seus investimentos diante da percepção de ameaças crescentes, especialmente em relação à Rússia. A Alemanha, que anteriormente mantinha uma política de contenção de gastos militares, registrou um aumento expressivo de 23,2% em 2024. No geral, o continente viu um crescimento de 11,7% nos gastos militares, totalizando US$ 457 bilhões. A Polônia, país que faz fronteira com a Ucrânia e Belarus, tornou-se o 15º maior investidor global em defesa, com um orçamento que visa a compra de novos caças, sistemas de defesa aérea e veículos blindados.
EUA e a pressão sobre a OTAN
Os Estados Unidos seguem como o maior investidor global em defesa, mas enfrentam desafios fiscais que limitaram o crescimento de seu orçamento militar. Ainda assim, o país mantém uma ampla rede de bases militares e uma capacidade de projeção de poder sem paralelo. A reeleição de Donald Trump trouxe novas tensões dentro da OTAN, com a administração norte-americana exigindo que os aliados europeus aumentem seus gastos militares para pelo menos 5% do PIB. Esse movimento tem forçado países como França e Reino Unido a revisar suas estratégias de defesa e a expandir suas forças armadas.
China e Índia expandem capacidades militares
A China manteve sua tendência de crescimento sustentado nos gastos militares, impulsionando o desenvolvimento de novas tecnologias, incluindo porta-aviões, caças de quinta geração e sistemas de mísseis de longo alcance. Pequim tem concentrado investimentos na modernização de sua força naval e no fortalecimento de sua presença militar no Indo-Pacífico, aumentando a pressão sobre Taiwan e outras nações da região.
A Índia também ampliou significativamente seus investimentos em defesa, registrando um aumento de 12,3% no orçamento militar. O país busca fortalecer sua capacidade de dissuasão contra a China e o Paquistão, investindo na aquisição de novos sistemas de defesa aérea, submarinos nucleares e caças modernos. Além disso, a Índia tem apostado em sua indústria de defesa nacional, promovendo programas de produção de armamentos para reduzir a dependência de importações.
Brasil: A obsolescência e falta de investimentos
Enquanto as principais potências mundiais aumentam suas capacidades militares, o Brasil segue na direção contrária. Apesar de contar com um orçamento de defesa na ordem dos R$130 bilhões, a maior parte dos recursos é destinada a despesas com pessoal e custos operacionais, restando pouco para investimentos em modernização e obtenção de novos equipamentos. Essa estrutura orçamentária aquém dos desafios enfrentados pelo Ministério da Defesa tem comprometido seriamente a capacidade de defesa do Brasil.
Os cortes nos programas estratégicos são alarmantes. O programa FX-2, que prevê a aquisição de 40 caças Gripen para a Força Aérea Brasileira, sofreu cortes orçamentários que levaram a consecutivos atrasos no cronograma de entregas, comprometendo a renovação da frota e a capacidade de defesa aérea do país. O PROSUB, que visa a construção de submarinos convencionais e um nuclear, enfrenta sucessivos desafios devido à falta de repasses financeiros necessários, colocando em risco a soberania marítima nacional. Já o programa de modernização das forças blindadas sofreu impactos significativos, diante das necessidades de adequação aos cortes orçamentários, a obtenção de novos veículos acabam ficando abaixo do mínimo necessário para reposição e ampliação da frota.
Outro exemplo crítico da falta de investimentos e compromisso com uma política estratégica de Estado, foi o cancelamento da aquisição dos sistemas de artilharia autopropulsada ATMOS, que se feu por questões ideologicas do atual ocupante do Planalto. Sem esse equipamento, o Exército Brasileiro perdeu a oportunidade de modernizar sua capacidade de artilharia de longo alcance, fundamental para garantir a segurança das fronteiras e a defesa do território nacional. A obsolescência dos meios operacionais compromete a prontidão das Forças Armadas e dificulta sua atuação tanto em operações de defesa quanto em missões de apoio à segurança pública e ações humanitárias.
Essa situação expõe o Brasil a riscos significativos. A ausência de uma política consistente de investimentos em defesa coloca em xeque a soberania nacional e a capacidade de resposta a ameaças externas e internas. O fortalecimento das capacidades defensivas deve ser visto como um pilar fundamental para a manutenção da soberania e da estabilidade nacional, isso sem mencionar as questões econômicas e tecnológicas envolvidas diretamente com investimento na Base Industrial de Defesa. Caso contrário, o país continuará cada vez mais vulnerável em um mundo onde a segurança é um dos principais determinantes do poder e da influência internacional.
por Angelo Nicolaci
GBN Defense - A informação começa aqui
com informações IISS
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