segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

O Brasil à Beira do Precipício do Zimbábue

As políticas de reforma agrária, frequentemente apresentadas como "solução mágica" para desigualdades históricas, revelam-se, na prática, uma praga devastadora que ameaça arruinar economias e desestruturar sociedades inteiras. Longe de promover justiça ou equidade, essas medidas têm o potencial de lançar nações em um ciclo vicioso de caos, miséria e dependência, como o Zimbábue tão tragicamente exemplifica. No Brasil, essas políticas não apenas ecoam os mesmos erros fundamentais que destruíram o "celeiro da África", mas estão perigosamente próximas de replicar essa catástrofe em escala ainda maior, empurrando um país que já foi um titã agrícola global para o abismo da ruína econômica e da insegurança alimentar.

O Colapso do Zimbábue: Um Espelho do Fracasso

O Zimbábue é a prova cabal do que acontece quando o bom senso é sacrificado no altar da ideologia cega. No início dos anos 2000, sob a liderança autoritária de Robert Mugabe, o governo implementou uma reforma agrária radical que expropriou fazendas produtivas de agricultores brancos e as redistribuiu a indivíduos sem treinamento, recursos ou experiência para geri-las. A justificativa era corrigir injustiças históricas do colonialismo, mas o resultado foi uma destruição sistemática da base econômica do país. Antes dessas medidas, o Zimbábue era conhecido como o "celeiro da África", um exportador robusto de milho, tabaco e algodão, com fazendas modernas que utilizavam técnicas avançadas de cultivo e irrigação.

A reforma, no entanto, foi um fiasco. As terras foram entregues a pessoas despreparadas, muitas vezes apoiadores políticos de Mugabe sem qualquer conhecimento agrícola. Não houve planejamento para fornecer infraestrutura básica, como estradas, sistemas de irrigação ou acesso a sementes e fertilizantes. A produção agrícola entrou em colapso quase imediatamente. Em poucos anos, o país passou de exportador de alimentos a uma nação faminta, dependente de ajuda humanitária internacional. A crise agrícola desencadeou uma reação em cadeia: a economia desmoronou, a inflação disparou a níveis surreais — atingindo 89,7 sextilhões por cento em 2008, segundo estimativas — e o dólar zimbabuense virou papel sem valor. O desemprego explodiu, e a população enfrentou escassez crônica de bens básicos.

Esse não foi um acidente histórico isolado; foi o resultado lógico de uma política movida por populismo, ressentimento racial e desprezo pela realidade prática. Mesmo após a saída de Mugabe do poder em 2017, o Zimbábue ainda luta para se recuperar, com terras outrora férteis abandonadas ou subutilizadas. Esse cenário é um alerta gritante para qualquer nação que flerte com medidas semelhantes, e o Brasil, com suas políticas agrárias atuais, está perigosamente perto de ignorar essa lição.

Brasil: Um Flerte Perigoso com o Desastre

No Brasil, as políticas de reforma agrária são um coquetel tóxico de romantismo ideológico, negligência estrutural e interesses políticos mesquinhos, pavimentando um caminho que ecoa o desastre zimbabuense. A Constituição de 1988 introduziu o conceito de "função social" da terra, uma ideia vaga e maleável que, na teoria, visa garantir que as propriedades rurais sejam produtivas e socialmente justas. Na prática, porém, essa definição subjetiva tornou-se uma arma nas mãos de burocratas, ativistas e políticos, permitindo a desapropriação arbitrária de fazendas produtivas com base em pretextos frágeis e muitas vezes politizados.

O processo de reforma agrária no Brasil, liderado pelo INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), é um estudo de caso em ineficiência e desperdício. Terras são desapropriadas e entregues a assentados que, na maioria das vezes, não recebem o suporte necessário para prosperar. Dados do próprio INCRA e do Tribunal de Contas da União (TCU) mostram que muitos assentamentos sobrevivem à base de subsídios estatais, com produtividade baixíssima e altos índices de abandono. Um relatório do TCU revelou que apenas 6% dos assentamentos criados podem ser considerados bem-sucedidos, enquanto a maioria enfrenta problemas crônicos, como falta de acesso a crédito, assistência técnica, infraestrutura básica (estradas, energia, água) e mercados para escoar a produção. Em muitos casos, as terras desapropriadas acabam revendidas ilegalmente ou simplesmente deixadas ociosas, perpetuando a pobreza e contradizendo o suposto objetivo de justiça social.

Além disso, medidas recentes agravam ainda mais o quadro. O corte de financiamentos a grandes produtores rurais, frequentemente os mais eficientes e tecnologicamente avançados, sob pretextos ambientais ou ideológicos, é um ataque direto ao coração da economia brasileira. A agricultura responde por cerca de 30% do PIB nacional e 40% das exportações, com produtos como soja, carne bovina e café sustentando a balança comercial. Punir esses produtores sem oferecer alternativas viáveis ou incentivos para práticas sustentáveis é uma jogada arriscada que ameaça a estabilidade econômica. O Brasil, em vez de aprender com os erros do Zimbábue, parece estar replicando-os com uma escala e um impacto potencial ainda maiores.

Paralelos Inescapáveis

Os paralelos entre o Zimbábue e o Brasil são alarmantes e inegáveis. No Zimbábue, a reforma agrária foi usada como ferramenta de poder político, uma forma de Mugabe apaziguar sua base eleitoral e consolidar apoio entre os pobres rurais, enquanto destruía a economia. No Brasil, a lógica é assustadoramente semelhante. A desapropriação de terras e o incentivo a movimentos como o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) seguem um padrão de populismo de curto prazo que ignora as consequências de longo alcance. O MST, por exemplo, promove invasões de terras como tática de pressão, muitas vezes paralisando a produção agrícola e gerando conflitos violentos. Embora o movimento alegue lutar por justiça social, suas ações frequentemente criam um clima de insegurança jurídica que afasta investimentos e prejudica o setor produtivo.

No Zimbábue, a redistribuição de terras para indivíduos sem preparo resultou em fazendas abandonadas e colheitas perdidas. No Brasil, os assentamentos sofrem do mesmo mal: a falta de assistência técnica, treinamento e infraestrutura condena muitos assentados ao fracasso. Um estudo da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) mostrou que a produtividade média dos assentamentos é drasticamente inferior à das fazendas comerciais, com muitos dependendo de programas sociais como o Bolsa Família para sobreviver. A diferença entre os dois países é apenas de grau, não de essência. O Brasil está a poucos passos de transformar seu populismo agrário em uma catástrofe nacional, com consequências que podem reverberar por décadas.

O Precipício à Vista

Se o Brasil persistir nesse rumo, o futuro é sombrio e previsível. A agricultura, pilar fundamental da economia, pode colapsar sob o peso de políticas mal concebidas, levando a uma queda acentuada na produção de alimentos, inflação descontrolada e perda de competitividade nos mercados internacionais. O país é um dos maiores exportadores mundiais de commodities agrícolas; qualquer interrupção significativa teria impactos não apenas domésticos, mas globais, afetando a segurança alimentar em outras nações. A insegurança jurídica já afasta investidores, enquanto o estrangulamento financeiro dos grandes produtores — que muitas vezes são os responsáveis pela eficiência e inovação no setor — compromete a capacidade do Brasil de manter sua liderança no agronegócio.

O Zimbábue trocou sua posição de potência agrícola por uma dependência humilhante de ajuda humanitária. O Brasil corre o risco de seguir o mesmo caminho, trocando seu título de "celeiro do mundo" por um cenário de fome, instabilidade social e irrelevância econômica. A inflação de alimentos, já uma preocupação crescente no país, poderia explodir, atingindo especialmente os mais pobres, que gastam uma parcela desproporcional de sua renda com comida. Não se trata de alarmismo exagerado, mas de uma projeção lógica baseada em evidências históricas e nas falhas estruturais das políticas atuais.

Alternativas e Soluções: Um Caminho Diferente

Para evitar esse destino trágico, o Brasil precisa abandonar a abordagem ideológica e adotar políticas agrárias baseadas em racionalidade, evidências e resultados concretos. Algumas medidas práticas incluem:

  • Fortalecer a segurança jurídica: Estabelecer leis claras e estáveis que protejam a propriedade rural e evitem desapropriações baseadas em critérios subjetivos ou interesses políticos.
  • Investir em capacitação e infraestrutura: Garantir que os assentados recebam treinamento agrícola, acesso a tecnologia, crédito e infraestrutura básica para tornar suas terras produtivas e sustentáveis.
  • Promover sustentabilidade inteligente: Em vez de punir grandes produtores, oferecer incentivos fiscais, certificações e apoio à pesquisa para práticas agrícolas que combinem produtividade com preservação ambiental.
  • Diversificar a economia rural: Estimular atividades como turismo rural, agroindústria e cooperativas para reduzir a dependência da monocultura e aumentar a resiliência das comunidades rurais.
  • Reformar o sistema de assentamentos: Tornar o INCRA mais eficiente e transparente, com metas claras de produtividade e acompanhamento rigoroso dos resultados.

Essas soluções não são utopias; são passos viáveis que podem salvar o Brasil de um colapso ao estilo zimbabuense. A história já nos deu exemplos suficientes do que acontece quando a ideologia supera a razão — cabe ao Brasil decidir se quer aprender ou repetir esses erros.

Conclusão: Um Grito de Alerta

As políticas de reforma agrária, em sua essência, são uma ilusão perigosa que promete justiça enquanto entrega destruição. No Brasil, elas estão a um passo de precipitar uma crise comparável à do Zimbábue, transformando um gigante agrícola em um país vulnerável e dependente. O que aconteceu lá não é uma exceção histórica; é o desfecho natural de medidas que sacrificam produtividade, estabilidade e bom senso em nome de utopias frágeis. O Brasil precisa acordar para essa realidade e abandonar essas políticas desastrosas antes que seja tarde demais. Caso contrário, o "celeiro do mundo" corre o risco de se tornar um Zimbábue tropical — um colosso derrotado, lamentando suas perdas enquanto implora por ajuda.


Por Renato Henrique Marçal de Oliveira - Químico e trabalha na Embrapa com pesquisas sobre gases de efeito estufa. Entusiasta e estudioso de assuntos militares desde os 10 anos de idade, escreve principalmente sobre armas leves, aviação militar e as IDF (Forças de Defesa de Israel)


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