Um consórcio formado por Brasilinvest, Abu Dhabi Investment Group (ADIG), GF Capital e a AKAER, propõe investir mais de US$ 500 milhões na reestruturação e expansão da Avibras, uma das principais empresas de defesa brasileira. O memorando de entendimentos assinado pelo grupo tem validade até agosto de 2025 e inclui a elaboração de um plano de negócios até 4 de abril deste ano.
A Avibras, fundada em 1961 por engenheiros do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), enfrenta uma crise prolongada e está em processo de recuperação judicial, com uma dívida que ultrapassa R$ 600 milhões. Além disso, acumula problemas trabalhistas e atrasos na entrega de produtos encomendados pelo Exército Brasileiro. O Ministério da Defesa e o Exército acompanham de perto as tratativas, devido à importância estratégica da empresa para o setor.
O plano do consórcio prevê, na prática, uma fusão entre a Avibras e a AKAER, empresa sediada em São José dos Campos (SP) e em ascensão no setor de engenharia aeroespacial e defesa. A proposta ocorre após tentativas frustradas de aquisição da Avibras por grupos estrangeiros, como a chinesa Norinco e a australiana DefendTex, cujas negociações não avançaram devido a preocupações estratégicas e geopolíticas do governo brasileiro.
A crise da Avibras também impacta diretamente programas estratégicos do Exército, como o sistema de foguetes Astros, um dos mais importantes da força terrestre. Esse sistema, que visa dotar o Exército com uma capacidade avançada de artilharia de foguetes de longo alcance e alta precisão, depende da viabilidade operacional da empresa. Atualmente, a Avibras possui aproximadamente R$ 60 milhões em encomendas pendentes para o Exército Brasileiro.
Além dos desafios financeiros, a Avibras também enfrenta questões de governança. Atualmente, a empresa é controlada por João Brasil Carvalho Leite, filho de um dos fundadores, que detém mais de 90% das ações. A mudança de controle para o consórcio poderia significar uma reformulação completa na gestão e na estratégia da companhia.
O futuro da Avibras está diretamente atrelado ao sucesso da negociação com o consórcio de investidores. Caso a proposta não se concretize, a situação da empresa pode se agravar, comprometendo um dos principais ativos da indústria de defesa brasileira e impactando a soberania tecnológica do país no setor de sistemas de defesa avançados.
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com CNN Brasil
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