A França está em negociações avançadas com a Índia para a possível aquisição do sistema de lançador de foguetes múltiplos (MBRL) Pinaka. Caso o acordo seja concretizado, será a primeira vez que Paris adquirirá armamento indiano, representando um marco na cooperação entre os dois países no setor de defesa.
A Índia, maior importador de armas do mundo, vem buscando fortalecer sua indústria de defesa e expandir suas exportações. O Pinaka, desenvolvido pela Índia e com alcance de até 90 km, foi demonstrado a uma delegação francesa há três meses e recebeu avaliações positivas.
“A França está em negociações ativas para o Pinaka”, afirmou Ummalaneni Raja Babu, diretor-geral de mísseis e sistemas estratégicos da Organização de Pesquisa e Desenvolvimento de Defesa da Índia (DRDO), durante a exposição Aero India, realizada em Bengaluru. No entanto, ainda não há um acordo formal fechado.
A visita do primeiro-ministro indiano Narendra Modi à França para a Cúpula de Inteligência Artificial de Paris, onde se reuniu com o presidente Emmanuel Macron, incluiu a discussão desse possível contrato de defesa.
Estratégia francesa e a escolha do "Pinaka"
A França busca substituir seus lançadores de foguetes unitários LRU (variante do M270) antes que atinjam o fim de sua vida útil em 2027. Entre as opções consideradas estavam os sistemas israelenses PULS e os norte americanos HIMARS. No entanto, especula-se que divergências políticas entre Paris e Tel Aviv, especialmente relacionadas à atuação israelense no Oriente Médio, tenham levado a França a optar pelo sistema indiano.
Além disso, a necessidade urgente de modernização do arsenal francês diante da crescente ameaça russa torna inviável esperar pelo desenvolvimento de programas nacionais, como o ELSA e o FLP-T, que ainda levarão anos para serem implementados. O "Pinaka" surge, assim, como uma solução de rápida integração e custo competitivo.
A parceria estratégica entre França e Índia também tem se fortalecido, com acordos recentes envolvendo a venda de caças Rafale e submarinos Scorpène. A aquisição do "Pinaka" reforçaria ainda mais essa relação e garantiria à França um sistema eficaz e acessível para complementar sua artilharia.
Desafios técnicos e interoperabilidade
Um dos desafios para a França será a interoperabilidade do "Pinaka" com seu atual arsenal. O sistema indiano utiliza foguetes de 122 mm e 214 mm, enquanto os sistemas ocidentais, como o LRU e o HIMARS, operam com foguetes M31 de 227 mm. Contudo, essa questão também se aplica ao sistema israelense PULS, que emprega calibres variados.
Se o acordo for concluído, a França não apenas atenderá à sua necessidade de modernização imediata da artilharia, mas também consolidará uma parceria estratégica com a Índia. Em um cenário geopolítico cada vez mais instável, diversificar fornecedores de armamentos pode ser uma jogada crucial para a segurança nacional francesa.
Uma oportunidade perdida para o Brasil
A negociação entre França e Índia expõe não apenas a crescente relevância da indústria de defesa indiana, mas também a fragilidade do setor no Brasil. O sistema de lançamento múltiplo de foguetes ASTROS 2020 da brasileira Avibras, poderia ter sido um forte concorrente nessa disputa, oferecendo uma solução com tecnologia avançada, capacidade de emprego de munições de diferentes calibres e interoperabilidade com padrões da OTAN. No entanto, a crise financeira da Avibras, agravada por dívidas elevadas e um cenário de incertezas, inviabiliza sua participação no mercado internacional.
Atualmente, a empresa enfrenta risco iminente de falência, o que pode resultar na perda de um dos principais ativos estratégicos da defesa brasileira. A única alternativa viável para evitar esse desfecho é a proposta de recuperação liderada pela AKAER e um consórcio, que prevê um aporte de 500 milhões para reestruturar a empresa e preservar sua capacidade produtiva. O caso da Avibras levanta um questionamento crucial sobre o futuro da base industrial de defesa nacional: sem um plano estruturado de apoio e políticas que incentivem a competitividade, o Brasil continuará assistindo a oportunidades estratégicas escaparem e dependerá cada vez mais de soluções estrangeiras para sua segurança e soberania.
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