Em discurso, o presidente francês Emmanuel Macron alertou sobre a necessidade urgente da Europa investir mais em suas indústrias de defesa, em vez de continuar a gastar bilhões de euros em armas americanas. A fala ocorreu minutos antes da posse do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que, por sua vez, havia criticado a falta de contribuições financeiras adequadas por parte dos europeus para a sua própria defesa.
Macron, em sua mensagem de Ano Novo aos altos escalões militares, enfatizou que os orçamentos militares europeus não podem ser direcionados para subsidiar a indústria de defesa de outros continentes. "Não podemos aumentar a dívida juntos, gastar mais em nossa defesa para subsidiar a indústria, a riqueza e os empregos de outros continentes", afirmou, destacando que muitos países, ao destinarem recursos à defesa, acabam comprando mais material dos Estados Unidos.
O presidente francês reforçou a importância de fortalecer a indústria de defesa europeia, a qual, em muitos casos, vê suas alternativas locais desconsideradas em favor de equipamentos americanos. A decisão da Alemanha em 2022, de lançar o sistema de defesa aérea "European Sky Shield" utilizando equipamentos dos EUA e de Israel, em detrimento de uma solução franco-italiana, foi citada por Macron como um exemplo de como os países europeus ainda priorizam a compra de armas dos EUA, prejudicando o desenvolvimento local.
Macron, no entanto, também reconheceu que a Europa precisa simplificar e unificar sua indústria de defesa. Ao comparar a fragmentação da indústria naval europeia com a dos Estados Unidos, que possui apenas seis plataformas industriais, ele defendeu um maior esforço conjunto para o desenvolvimento de armamentos europeus. "Não seremos sempre os campeões. Mas pelo menos teremos certeza de que os campeões europeus terão um alcance global", disse.
A França, com sua robusta indústria de defesa, vê a necessidade de maior independência e eficácia no setor. O país, que atingiu a meta de 2% do PIB em gastos militares estabelecida pela OTAN, continua a se preocupar com a retirada de tropas americanas da Europa, uma mudança que poderia afetar diretamente a segurança do continente. Nesse contexto, Macron sugeriu que os 2% não seriam mais suficientes, dado o cenário global instável.
Em relação à crescente ameaça russa, Macron alertou que, mesmo com o possível fim do conflito na Ucrânia, a Rússia continuará a representar um desafio significativo para a segurança da Europa e do mundo por um longo período. "Este conflito não será resolvido amanhã. Ou depois de amanhã", disse ele, destacando que a paz na Europa exigirá uma presença europeia forte e independente nas negociações internacionais.
Com o mundo à beira de mudanças geopolíticas profundas, Macron sublinha a necessidade dos europeus tomarem o controle de sua própria segurança e não dependerem unicamente do apoio militar dos Estados Unidos. O apelo à autossuficiência, à unidade e ao fortalecimento da indústria de defesa europeia se mostra uma prioridade crescente no discurso do presidente francês.
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com Reuters
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