Diante
do recente anúncio da desativação do nosso NAe A-12 "São Paulo",
resolvemos publicar uma matéria exclusiva do GBN, que já esta há um certo
tempo no forno e contou com o grande apoio do Centro de Comunicação Social da
Marinha do Brasil, que nos respondeu algumas questões que fazem parte desta
matéria especial sobre o VF-1, onde buscamos falar um pouco sobre o esquadrão,
alguns fatos recentes e os planos para o futuro de nossa aviação de caça
embarcada.
A
Marinha do Brasil viu a necessidade de criar
o VF-1 após concretizar a aquisição das aeronaves A-4KU Skyhawk,
provenientes da Força Aérea do Kuwait, daí seguiu-se a necessidade de se criar
um esquadrão de asa fixa para operar e manter os novos aviões. Assim, em 02 de
outubro de 1998, por meio da Portaria Ministerial nº 256, foi criado o 1º
Esquadrão de Aviões de Interceptação e Ataque (esquadrão VF-1).
“Porque o A-4KU foi
escolhido como a aeronave que reativaria a aviação de asa fixa na Marinha do
Brasil? Lembrando que na época, havia células do Mcdonnel Douglas F-4K Phantom
estocados pela Royal Navy, além de alguns Sea Harrier.”
A compra de um novo meio
é sempre rodeada de preceitos técnicos e análises profundas de viabilidade
financeira e logística. No caso específico dos A-4KU, havia a necessidade de se
encontrar uma aeronave essencialmente naval que pudesse, dentro de suas
limitações de peso e decolagem, operar no porta-aviões que tínhamos à época, o
NAeL "Minas Gerais".
A história do A-4 como
aeronave naval, versátil e com capacidade de operar em um convés de menor
porte, mostrou-se uma ótima oportunidade à época. Além disso, tal oportunidade
permitiria a aquisição não só das 23 aeronaves, mas como também de
sobressalentes e material necessários ao início das atividades aéreas de asa
fixa de alta performance na MB.
“Quais as características
do AF-1 hoje após passar pela última modernização exibe em relação às aeronaves
que foram recebidas lá atrás? Quais armamentos disponíveis para o tipo e quais
missões a mesma pode desempenhar?”
O Programa de
Modernização busca dar às aeronaves mais ferramentas para cumprir as tarefas
previstas na missão da unidade, lançando mão de uma nova arquitetura aviônica,
integrada a um moderno sistema de navegação e emprego de armamento, permitindo
que as aeronaves realizem ataques a alvos de superfície em terra e no mar empregando
toda a variedade de bombas da família MK e os canhões de 20 MM, além de
possibilitar o lançamento de mísseis ar-ar Sidewinder, capacitando-as a atacar
alvos aéreos.
“Como foi o desafio de
criar toda uma doutrina de asa fixa na Marinha do Brasil após tantos anos
condicionada apenas à operação de asas rotativas?”
A retomada das operações
de aeronaves de asa fixa sempre foi uma aspiração da Marinha. Houve muito
trabalho de todos os setores da Força Naval para concretizar esse sonho, já que
os desafios mostravam-se de grande vulto em todas as áreas e setores
envolvidos, citando como exemplo a busca por uma aeronave que permitisse a
concretização do conjugado Navio-Avião, bem como a necessidade de buscar fora
do país os conhecimentos de operacionalização desse conjugado.
“Quais
principais obstáculos e como o VF-1 lidou com isso durante o processo de
criação da unidade?”
A MB teve que transpor
vários obstáculos para a retomada das operações de aeronaves de asa fixa, quer
sejam de ordem administrativa, técnica, logística e outras. No Esquadrão VF-1,
em particular, o grande desafio era levar a cabo as operações aéreas com o
máximo de segurança para todos os envolvidos, pautando-se sempre pela ascensão
operacional paulatina.
“Como foi
o processo de treinamento das equipes de voo e de solo?”
Os Aviadores Navais
foram treinados nas Marinhas da Argentina e/ou do Uruguai e na Força Aérea
Brasileira (FAB), sempre complementando a formação na Marinha Americana.
Os mecânicos e equipes
de apoio foram treinados por uma empresa norte-americana contratada pela MB por
ocasião da implementação do Esquadrão.
“É digno de nota
o alto grau de profissionalismo do VF-1, que diante de tantos desafios manteve
um grau alto de segurança em suas operações, tendo registrado desde sua criação
apenas o acidente ocorrido no último dia 26 de julho, ao que se deve tal grau
de precisão e sucesso em suas operações?”
O Esquadrão pauta a
segurança de suas operações nas orientações emanadas nos Programas de Prevenção
de Acidentes Aeronáuticos da Marinha do Brasil e da Força Aeronaval. A estrita
aderência aos manuais de voo e de manutenção das aeronaves é sempre ressaltada
na unidade como uma forma de complementar as Políticas de Segurança de voo.
“Como é feita a formação
de um aviador naval da Marinha do Brasil?”
A formação é híbrida,
com módulos teóricos realizados na MB, complementados pela instrução de voo na
Força Aérea Brasileira (FAB) e na Marinha dos Estados Unidos da América (USN).
“Como está hoje o nível de
operacionalidade do Esquadrão?”
O Esquadrão encontra-se
na Fase II de Adestramento, o que significa que a Unidade está apta para
cumprir todas as operações para as quais for designada, dentro das tarefas
previstas em sua missão.
“Como se formam as equipes
de manutenção e apoio no solo?”
Todos os militares de
manutenção e apoio no solo são formados pela MB no Centro de Instrução e
Adestramento Aeronaval Almirante José Maria do Amaral Oliveira (CIAAN).
“Como é realizada toda a
rotina de serviços quando a unidade está embarcada?”
Não existem grandes
variações entre a rotina de terra e embarcada, a não ser pelo tamanho das
equipes, que a bordo tendem a ser mais enxutas.
“Como é a rotina de
operações do VF-1? Como é o treinamento da unidade? Qual foco da unidade? Quais
os meios que conta para o adestramento das equipes de voo e a coordenação de
solo?”
A missão da unidade é
“Interceptar e atacar alvos aéreos e localizar, acompanhar e atacar alvos de
superfície, a fim de contribuir para a Defesa Aeroespacial e proteção de Forças
Navais”, assim, todos os adestramentos, exercícios e programas de qualificação
da unidade são direcionados para o atendimento de nossa missão. No nosso dia a
dia procuramos nos adestrar com foco nas tarefas previstas em nossa missão.
Além disso, cerramos esforços com a Esquadra e com a Força de Fuzileiros da
Esquadra de forma a inserir as aeronaves em operações onde, principalmente, as
tarefas de interceptação e ataque a alvos aéreos e de superfície estejam em seu
contexto.
“Como é a coordenação
entre as equipes de solo e voo? E como funciona essa ligação quando as
aeronaves se encontram embarcadas?”
Existe uma
interdependência muito grande entre os pilotos e as equipes de solo. Ambos
trabalham em conjunto para que a aeronave seja prontificada, acionada e
preparada para o voo, tudo isso com muita coordenação, o que exige um alto grau
de adestramento de todos os envolvidos. Essa ligação ocorre da mesma forma em
terra e embarcado.
“Em caso
de acidentes como o ocorrido no dia 26 de julho, qual o tempo de reação das
equipes de emergência e qual o papel de cada um na organização e operação de
resgate?”
Existe, na Base Aérea
Naval de São Pedro da Aldeia (BaeNSPA), um Plano de Emergência Aeronáutica em
Aeródromo (PEAA), onde estão previstas todas as ações que devem ser
desencadeadas em caso de uma ocorrência aeronáutica, bem como o papel de cada
um na operação.
Além disso, no caso de
um acidente aeronáutico, são envidados todos os esforços para a salvaguarda da
vida humana, com o emprego de helicópteros subordinados ao Comando da Força
Aeronaval para a localização e busca de eventuais acidentados, devidamente orientados
pelo coordenador do PEAA, que é um oficial da MB na função de Superintendente
de Aviação da BAeNSPA.
“Acompanhamos todo o
andamento das buscas do acidente até o momento de seu encerramento, como foi
para a unidade ter enfrentado a perda de um de seus membros em um exercício de
rotina?”
A perda de um Aviador
Naval é irreparável, tanto do ponto de vista pessoal quanto do técnico. Porém,
esse tipo de infortúnio é próprio das Unidades Aéreas, dado o risco inerente da
atividade de voo, e por isso deve ser superado com a ajuda de todos. Após o
acidente, foi realizado um trabalho com todos os membros do Esquadrão, pilotos
e mecânicos, visando dar assistência aos mesmos e auxiliando na retomada das
atividades correlatas à atividade-fim do Esquadrão, que é o voo.
“O que se sabe até o
momento sobre as possíveis causas que resultaram na colisão entre as
aeronaves?”
A investigação dos
fatores contribuintes para o acidente ainda está em curso.
Capitão de Corveta Igor Simões Bastos Desaparecido após acidente com AF-1 |
“Uma das aeronaves
conseguiu retornar após a colisão, qual o atual estado do seu piloto? Como ele
se encontra no momento? Quando ele poderá retornar as atividades normais de
voo?”
Após os exames físicos e
psicológicos regulamentares no pós-acidente, o piloto continua desenvolvendo
suas atividades administrativas e de voo normalmente.
“Qual o estado da aeronave
que conseguiu retornar a base? Qual previsão de seu retorno à linha de voo?”
A aeronave encontra-se
em reparo das estruturas afetadas e tem previsão de retornar à linha de voo
ainda em 2017.
“Com as buscas ao Aviador
naval e sua aeronave ainda desaparecidos tendo sido encerradas, há alguma
novidade?”
As buscas ao Aviador
Naval e à aeronave foram encerradas no dia 21 de outubro de 2016. Mesmo após
todo o esforço de pessoal e meios, infelizmente, não foram encontrados mais
indícios do piloto ou da aeronave.
“Um acidente como o que
vitimou um dos aviadores do VF-1, normalmente afetam o esquadrão, o que mudou
desde o acidente? Houve alguma mudança nos procedimentos de voo?”
Não houve mudança alguma
nos procedimentos de voo mas, tão logo sejam identificados os fatores
contribuintes do acidente e emanadas as recomendações de segurança no Relatório
Final do Acidente, o Esquadrão estará pronto para implementá-las.
“Como esta o andamento do
programa de modernização das aeronaves AF-1 pela Embraer?”
Foram entregues duas
aeronaves até o momento, e há a previsão de mais três aeronaves para 2017.
“Muito tem se especulado
sobre o futuro do tipo no VF-1, porém, ouvimos do próprio AE Leal Ferreira que
a Marinha do Brasil manterá as mesmas voando, mas sabemos que a vida destas
aeronaves não será muito prolongada; há intenções de futuramente a Marinha do
Brasil participar do programa de desenvolvimento da versão naval do caça sueco
Gripen NG, seguindo o caminho escolhido pela FAB no seu programa FX-2?”
Sim, existe a orientação
de que seja acompanhado o desenvolvimento de um projeto de engenharia para a
versão naval da aeronave Gripen NG, dentro do programa F-X2, pela empresa Saab.
Ainda de acordo com
informações fornecidas pela Marinha do Brasil, contrariando o que muitos tem
dito nas redes sociais e algumas especulações de especialistas, a Marinha do
Brasil mantém firme seus planos de em futuro próximo obter um novo Navio
Aeródromo afim de substituir o NAe A-12 "São Paulo", o qual
recentemente teve anunciada a desativação após estudos constatarem que os altos
custos de modernização do mesmo e a falta de certezas quanto ao sucesso desse
processo de modernização do meio levou o comando da Marinha do Brasil em optar
pela sua desativação e a alocação desses recursos á outros programas
estratégicos, agora tendo a aquisição de um novo NAe, que deverá ser construído
em acordo com as necessidades da Marinha do Brasil, figurando como a terceira
prioridade da força, logo após o PROSUB e O Programa de Corvetas Classe
"Tamandaré".
Nós do GBN News queremos
agradecer imensamente a Marinha do Brasil e seu Centro de Comunicação Social,
por sempre atender a nossa equipe, ajudando a esclarecer a nossos leitores e
compatriotas as questões que envolvem a Marinha do Brasil.
GBN seu canal de informação e notícias
Eu li outro dia que o Orsamento de guerra de ISRAEL por ano e o mesmo do Brasil (Veja o tamanho territorial) e Israel mantém material mais novo e de primeira linha. O Brasil só compra sucata antiga e já superada. Isso é verdade ? Se for tem algo errado?
ResponderExcluirQue eu saiba os investimentos nas forças armadas são MUITO sujeitos a cortes no orçamento, o que procrastina tudo, caso vivido pelo FX-1 e FX-2, da FAB. A meu ver a aeronave da FAB deveria ser a mesma da Marinha do Brasil, com o fim de diminuir problemas de logística, e também porque as aeronaves sendo do mesmo modelo teriam um melhor tratamento contra corrosão, e um trem de pouso mais reforçado, e ainda o treinamento dos pilotos seria o mesmo. Posso ser um leigo, mas o que digo tem razão de ser. Leio há umas 4 décadas a respeito de assuntos militares e aviação civil e militar. Também venho dando atenção ao projeto do "Machete SM-27", da STAVATTI, e seus desdobramentos e imagino que poder-se-ia evoluir esse conceito no Brasil como sucessor do SUPER TUCANO, que a FAB chama de "A-29", incluindo baias de bombas e mísseis e eliminando os pontos duros na asa, para melhorar a aerodinâmica e diminuir a assinatura no radar, poderia ser desenvolvido um concorrente dessa aeronave pela NOVAER, AKAER e EMBRAER, além da ELEB e AEL. É um tipo de aeronave que faz falta no mundo, para missões COIN(Counter Insurgency = Contra Insurgência, como combate a narco traficantes, tipo FARC e esses das favelas cariocas), e CAS(Close Air Support = Apoio Aéreo Aproximado).
ResponderExcluirDeve ser o forte calor que assola o país e está afetando as mentes dos chefes navais... Ou, o que é pior, um caso clássico de megalomania doentia.
ResponderExcluirO Brasil NUNCA MAIS terá um porta aviões, quer pela incapacidade financeira crônica para um item dessa espécie, quer pelos interesses geo políticos do país que prescindem de uma "ferramenta diplomática" ou arma de guerra como essa.
NUNCA teremos escoltas, meios aéreos e apoio logístico para formar um grupo de batalha nucleado em porta aviões.
Se o Brasil, num futuro próximo ou distante, enfrentar um conflito armado no qual seja imprescindível a presença de um porta aviões, das duas uma: 1) ou participemos de uma poderosa força de coalisão que complemente (pra não dizer nos defenda totalmente) nossas lacunas navais evidentes, ou 2) clamemos à providência divina, pois nesse cenário hipotético um único grupo de batalha não irá resolver absolutamente nada!
Nossos chefes navais deviam concentrar todos os seus esforços em convencer a classe política e a opinião pública na urgência do PROSUPER e a continuação do projeto Tamandaré e PROSUB. PONTO!
Se dentro de 15 anos pudermos alinhar uma linha de batalha no mar com 4 contratorperdeiros multipropósito, no estado da arte, 4 "Tamandarés" e 4 Scorpenes, e dois Navios de Comando e Controle, estilo Bahia, e uma força aeronaval centrada apenas em asas rotativas (deixando a asa fixa com a FAB) estejamos contentes!
Porta-Aviões para o Brasil é um luxo inacessível e desnecessário, e sua insistência no imaginário e nos planos do Almirantado me trazem desesperança na sua capacidade de discernimento, seriedade, competência e mesmo equilíbrio mental, que, assim agindo, parecem viver num mundo distante, muito distante daqui, localizado entre as estrelas de suas platinas, ao qual só eles têm acesso...